No Twitter o João Miranda e o Carlos Abreu Amorim estão a dar um show de ignorância. Aplaudem a medida de proibir a doação de sangue aos homens homossexuais por, segundo eles, ser homossexual por si só ser um risco. As pérolas são variadas. Para o Carlos Abreu Amorim, ser gay é praticar sexo com homens - o que impossibilita os padres de serem heteros. Para o João Miranda tudo é uma questão de facilidade, basicamente, os gays no geral têm mais sida então é mais fácil excluí-los a todos em vez de ter trabalho a perguntar se têm realmente comportamentos de risco. Passei toda a discussão a pedir estudos que comprovassem o que estava a ser dito, pensei que era o mínimo. Nenhum link apareceu e em determinada altura o Carlos Abreu Amorim disse isto ao Pedro Morgado - conveniente. Para o João Miranda não interessa, também, se os toxicodepentes consomem por injecção ou por inalação, quando é aí que reside toda a diferença. Nenhum deles o disse, mas já agora, os pretos também têm mais sida que os brancos. Pelo raciocínio do João Miranda, a transmissão de HIV num casal negro que pratique sexo protegido é mais provável que a transmissão de HIV num casal branco que pratique sexo protegido. Suponho, só.
O que mais enoja em tudo isto é que estamos a discutir tudo, tudo menos a «saúde pública». O que estamos a discutir é outra coisa, bem mais feia, que não discuto por princípio.
Adenda: Em relação a este twit o JM tem razão. Não percebi o cálculo à primeira. Ainda assim, continuo a considerar absurdo que se proiba os homossexuais masculinos só por si.
A preocupação que por aí vai por causa dos paneleiros!!!
Kruzes,
Eu preocupo-me com os paneleiros tal como me preocupo com os pretos, com os loiros, com os de olhos azul bebe. Apenas peço não discriminação...
De
Levy a 18 de Julho de 2009 às 01:02
Só há 2 hipóteses para esses 2 senhores: ou são uns ignorantes acerca dos homossexuais, e dizem essas parvidades sem terem muita consciência da figura que estão a fazer. Ou conhecem muito bem o meio, e estão a ser propositadamente discriminatórios.
Parte desta discussão não faz muito sentido, porque qualquer gay pode ir dar sangue e mentir no questionário. Como é que se vai saber quem é gay? De resto só tem algum interesse para se perceber quem são os homofóbicos deste país. E não vale a pena começarem a criticar-me por lhes chamar homofóbicos, porque é o que eles são e eu sou livre de o dizer. Que outro nome se pode dar a alguém que tem medo do sangue dos homossexuais?
De Perigoso pró-Israelita a 18 de Julho de 2009 às 01:02
Em http://www.avert.org/aids-uk.htm :
«In terms of HIV infections actually occurring within the UK, gay men (and other men who have sex with men) accounted for two thirds of new cases.»
A questão é completamente de saúde pública. O que me parece é que se insiste em ver fantasmas de homofobia em todo o lado.
Perigoso,
Isso é muito facilmente explicável: homens homossexuais não têm tanto cuidado com protecção dado que não engravidam.
O problema é a protecção ou não protecção. A pergunta a ser feita é: nos últimos meses fez sexo desprotegido? Só! Nada de orientações. Ok, perguntam se é homossexual. Diz que é e só teve um parceiro na vida e quer salvar alguém que lhe é próximo. Acha aceitável que se proiba. Santo Deus... Eu não sou fanático destas coisas, mas acho que o bom senso obriga a que defenda isto...
De ZMD a 18 de Julho de 2009 às 12:57
Tiago, se fosse investigar n fazia figura de parvo.
A "pergunta" é se teve relações sexuais com um homem nos últimos x meses?". Tal como se pergunta se "teve mais que um parceiro de sexo diferente nos últimos x meses?" ou "recebeu alguma tranfussão desde 19xx?" (não me lembro bem do ano).
Aliás, a primeira coisas que fica provada nesta discussão é que quem fala de descriminação nunca deu sangue, porque se não conheceria as perguntas.
Segundo, o que se pergunta não é a preferência sexual, mas se teve comportamentos que a OMS considera de risco.
Claro que os grupos LGBT pegaram nisto para ter espaço nos media. Agora, cabe a quem quer mandar postas de pescada sobre o assunto investigar minimamente.
Ó doutíssimo ZMD perdoe este pobre burro por não ter feito o trabalho de casa.
Guie-nos um pouco mais com a sua sapiência infinita.
Ó amigo se não tivesses a mania que sabes mais que os outros também não fazias figura de parvo. É que é precisamente dessas perguntas que falo na discussão no twitter. Obviamente não pus aqui tudo. E agora vai lá para o raio que te parta que de gente estúpida estou eu farto.
De ZMD a 18 de Julho de 2009 às 15:44
Então se leu o seu post é só demagogico. Porque de facto n é a orientação sexual que está em causa, mas comportamentos considerados de risco.
Se quer argumentar contra esta decisão explique porque não se deve considerar que as relações entre homens não devem ser considerados comportamentos de risco em vez de se indignar porque há discriminação!
Para além disso, dar sangue não é um direito. Existe necessidade de sangue para transfussões, mas é precisso que esse sangue não tenha problemas. Por isso convém diminuir os riscos. Os critérios não o politcamente correctos, mas cientificos. Se não gosta, tem boa escolha, não dê sangue.
Mas eu estou há horas a discutir isto, não é é aqui. Mas, ó ZMD, se o ZMD já tem os estudos lidos e as opiniões formadas, nem precisa dos meus argumentos!
De ZMD a 18 de Julho de 2009 às 17:13
Mas já que apresenta que aqui escreve apresente uma opinião em vez de ser simplesmente "contra" a ignorância de quem discorda de si.
Aliás, a comissária europeia da saude já veio dizer que há razões para se afastar homem que tenham dito relações com homens. Não é uma questão contra os homossexuais, simplesmente contra comportamentos de risco.
Estão a queres transformar isto numa luta LGBT quando de facto é senso comum...
«Dos casos notificados em 2008 (num total de 1201), a categoria de transmissão "heterossexual" representou mais de metade (57,6%), a transmissão associada à toxicodependência representou 21,9% do total notificado e os casos homo/bissexuais apenas 16,8%»
http://www.ionline.pt/conteudo/13799-coordenador-vihsida-diz-que-ja-nao-existem-grupos-risco
Apenas comento para concordar inteiramente (alguma vez tinha que ser ;) ).
A questão é o comportamento de risco e não a probabilidade na população.
E acrescentaria que o acto de dar sangue pressupõe quanto a mim um grau de consciência e responsabilidade da parte do dador que creio que qualquer questionário sensível e não discriminatório pode fazer o rastreio devido.
Além disso este é o tipo de proibição que gera falsas sensações de segurança e poderia levar a cortes de orçamento a jusante, no controlo de qualidade dos lotes que deve ser feito(nestes tempos economicistas já nada me espanta...)
De
Stran a 18 de Julho de 2009 às 12:50
Parabéns Tiago. Excelente artigo.
Para mim isto é tão surreal que ainda não encontrei palavras para comentar!
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