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O estilo Sócrates, o estilo Vital

por Pedro Correia, em 14.02.07
Na noite do referendo, politicamente certeiro, José Sócrates fez questão de acentuar que a vitória do "sim" não constituía a derrota de ninguém. Nessa noite, estive no Hotel Altis, acompanhando como jornalista a celebração conjunta das cinco organizações que defendiam a despenalização do aborto: houve naturais manifestações de júbilo, houve compreensíveis explosões de alegria pela vitória alcançada nas urnas, mas sempre com dignidade, sem o mínimo indício de que alguém aproveitaria aquele momento para achincalhar quem se encontrava no campo oposto. No fundo, foi uma demonstração inequívoca de que já atingimos um certo patamar de maturidade democrática. Por tudo isto, parece-me desajustada esta posição de Vital Moreira, dono de uma arrogância sem limites. Com o mesmo tom iluminado que em 1975 lhe servia para chamar "dementes", em pleno hemiciclo, a quem não pensava como ele na Assembleia Constituinte, quando estava na primeira linha da defesa de uma Constituição "verdadeiramente socialista" (de inspiração soviética) para Portugal.

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8 comentários

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De Pedro Correia a 15.02.2007 às 23:53

Caro António,
No fundo, referia-me a isto: tão importante como saber perder é saber ganhar.
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De AM a 14.02.2007 às 17:26

Caro Pedro
Sobre isso das intervenções dos idos de 1975 não sei nada, mas estive a ler e a reler a posta de VM e não vislumbrei a tal "arrogância sem limites" (e logo "sem limites"?) de que fala.
Já sobre o "tom iluminado" com que certas pessoas ofendem as outras nas suas convicções, remeto para a "completa estupidez" das palavras do JT três postas acima.
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De Anónimo a 14.02.2007 às 16:50

Mesmo os católicos empenhados no Sim, há-de convir, defendiam a laicidade do estado.
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De Margarida a 14.02.2007 às 13:51

Lembro ao Pedro que ninguém votou contra a tal Constituição de 76 e que o CDS de então se limitou à abstenção. É a mesmíssima Constituição que hoje nos rege e foi a mesmíssima Constituição que acabou com a pena de morte em qualquer situação.

E acho que está ainda por fazer o balanço da presença da igreja nos movimentos do “não” e o seu papel directo nalguma da mais escabrosa “propaganda” que por aí andou. Ou sabia, por exemplo, que o tal panfleto que meteram nas mochilas dos meninos das creches da Anunciada (Setúbal) era da responsabilidade da Associação dos Médicos Católicos, Associação dos Enfermeiros Católicos, Equipas de Nossa Senhora e Centro de Preparação do Matrimónio, instituições todas elas da igreja, coordenadas ao seu mais alto nível, sendo que as duas primeiras são coordenadas directamente pelo Cardeal?
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De Pedro Correia a 14.02.2007 às 13:46

Pelo simples motivo, desde logo, que havia muitos - mesmo muitos - católicos do lado do "sim" neste referendo. O que fez toda a diferença em relação a 1998. Não perceber isto é de um sectarismo impressionante.
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De Anónimo a 14.02.2007 às 10:42

Mas não é verdade? Podem dizer que não é verdade mas têm que dizer porquê. Fico à espera. Para que não se percam: porque é que a igreja católica não é a grande derrotada? Se não é a grande derrotada, é o quê?
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De José Gomes André a 14.02.2007 às 03:25

Não podia estar mais de acordo. Vital Moreira (mas também Daniel Oliveira, Carlos Abreu Amorim, entre outros) apressaram-se a atacar a Igreja Católica, descrevendo-a como "a grande derrotada". Ódios de estimação, é o que é.

Bem Pelo Contrário (http://bempelocontrario.blogspot.com/)
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De Cristina Ribeiro a 14.02.2007 às 01:42

Já li muitas vezes"que mau perder";mas também há um"mau ganhar"...

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