Segunda-feira, 13 de Abril de 2009
Europa (1)

É meia noite e meia em Bruxelas. No momento em que escrevo diria que 14 bloguers dormem há muito o sono dos justos aqui no hotel Bloom! enquanto outros três se preparam para fazê-lo. Ajuizados são, todos eles e elas.
Quanto a mim, estou ainda digerir o tártaro de atum, o qualquer coisa em francês de bacalhau e uma Dame Blanche soberbos deglutidos no restaurante Vert de Gris, cuja sala de cima com os seus reluzentes lustres e candelabros de velas acesas foi escolhida pelo eurodeputado Carlos Coelho para o jantar de introdução a um programa que, amanhã e depois, nos levará aos 18 (tendo o João Espinho ficado infelizmente pelo Alentejo por razões pessoais) a contactar com representantes vários do PE e da Comissão, tendo como cicerone o dinâmico Duarte Marques.
A ideia é que os convidados (nós) contribuam para o debate sobre as eleições europeias e, em especial, para a diminuição da taxa de abstenção no acto eleitoral, sem privilegiar este ou aquele. De acordo com os nossos anfitriões, a intenção é ajudarmos a contrariar a tendência de menosprezo dos portugueses pelas eleições ao Parlamento Europeu, a qual se tem acentuado nos últimos anos.
Com sinceridade duvido que consiga conduzir alguém a uma urna, excepto aquando da cremação de algum parente. Mas estou rodeado de verdadeiros líderes de opinião certamente capazes de responder ao desafio. E é por isso, recorrendo a uma pachorra de canonizado igual à de um Pedro Correia ou de um Tiago M. Ramalho, que passo a elencá-los. São eles o André Abrantes Amaral, a Bárbara Baldaia, o Rui Castro, a Ana Margarida Craveiro, o João Gonçalves, a Isabel Goulão, o Nuno Gouveia, o Pedro Lomba, o Paulo Marcelo, a Maria João Marques, o Pedro Morgado, o Manuel Pinheiro, a Carla Hilário Quevedo, o Gabriel Silva, o João Távora, o Leonel Vicente e o Bruno Vieira Amaral . Feita a lista e tendo em conta - depois das horas dedicadas aos links acima - que já é uma e tantas da madrugada aqui em Bruxelas e que amanhã a malta se levanta com os galináceos para um encontro com o inglês Graham Watson, presidente do Grupo Liberal, vou recolher-me aos imaculados lençóis do Bloom!
De Nós por cá... a 14 de Abril de 2009 às 08:29
A ajuizar por metade dos nomes escolhidos e fácil concluir que um grupo de amigos de alguém com lugar no P.E. foi convidado para umas mini-férias em Bruxelas e a deglutir uns tártaros de atum, uns qualquer coisa em francês de bacalhau e umas Dame Blanche soberbas entre uns reluzentes lustres e candelabros de velas acesas.
Viver não custa, o que custa é saber viver, portanto.
De Anónimo a 14 de Abril de 2009 às 09:35
Nunca tão poucos viveram tão bem à custa de tantos!
Como não podia deixar de ser, já cá faltava o comentário invejoso.
Ó João, nem de propósito! Ainda ontem, pela hora em que escrevia isto, pensava eu como me faltavam as deliciosas crónicas do croquete... (Juro!!!)
Suponho que a veia poética, nestes eventos, não tenha cabimento, não é?
É que dessa ainda sinto mais falta... 
Muito obrigado Margarida :)
De Anónimo a 14 de Abril de 2009 às 17:30
E a criada do menino Villalobos não foi convidada, como merece uma dedicada e boa serviçal?
De ana avilez a 14 de Abril de 2009 às 20:51
ja ca faltava a invejazinha nacional
O indício mais seguro de se ter nascido com grandes qualidades é ter nascido sem inveja.
( Frases e Pensamentos de LA ROCHEFOUCAULD)
De mário cordeiro a 14 de Abril de 2009 às 21:00
A propósito da inveja, fica aqui um extracto da entrevista de José Gil á Revista PÚBLICA de 16/1/2005, com o título, “Vivemos Paralisados pela Inveja “
Uma sanção terrível. É o mecanismo da inveja.
P. — Não agimos, mas também não deixamos ninguém agir. Como funciona esse mecanismo?
R. — O mecanismo da inveja tem a ver com práticas da magia, o "mau olhado", o "quebranto", e também com o que em psiquiatria se chama "transferência psicótica", ou seja, o que passa de uma pessoa para outra e não é verbal. Imagine que você chega ao pé dos seus colegas e diz: "Fiz uma reportagem extraordinária!" E não está a falar por vaidade, mas objectivamente. Mas logo o tipo que está a seu lado diz: "Ai sim? Pois muito bem." E com este tom introduz em si um afecto inconsciente que o vai paralisar.
P. — É um mecanismo semelhante ao do ostracismo?
R. — Exactamente. Cria-se um ambiente que é hostil à iniciativa e que tem um efeito sobre a própria vontade de querer fazer. Isto é generalizado em Portugal. A inveja é mais do que um sentimento. É um sistema. E não é apenas individual: criam-se grupos de inveja. Várias pessoas manifestam-se simultaneamente contra a sua iniciativa. Cria-se um ambiente de inveja. Um grupo determinado age segundo os regulamentos da inveja.
P. — É uma atitude concertada ou inconsciente?
R. — Pode ser concertada ou inconsciente, mas funciona. Não se permite que numa empresa, num escritório, ninguém ultrapasse a linha da média baixa. Vivemos reconhecendo-nos como irmãos na desgraça.
P. — Mas por que se faz isso? Não seria do interesse de todos encorajar cada um a fazer melhor?
R. — Sim, mas há um efeito de espelhos. Se você faz alguma coisa de forte, isso deveria ser um estímulo para mim, para fazer algo também forte. Mas não. Vê-lo forte diminui-me a mim. Vê-lo com intensidade, com iniciativa, faz-me pensar, por causa da imagem que tenho de mim, na minha pobre condição, em que não faço nada. E faço tudo para destruir a sua iniciativa, para que eu possa viver. Você sufoca-me com a sua energia. Terrível isto. Uma pessoa sufoca a outra com a sua energia. E o resultado é que estamos todos sem energia.
P. — Mas para que essa acção da inveja tenha efeito não é necessário que a "vítima" esteja vulnerável?
R. — Precisamente. Um etnólogo pôs-me essa questão. Disse: só se é afectado pela inveja quando se quer, quando se está num estado determinado. Eu respondo: sim, em quem tem a pele grossa não entra nada. São as pessoas porosas que são fragéis. E isso é típico de Portugal. Os portugueses são sensíveis, porque não são maduros. Isso poderia ser maravilhoso. Somos pessoas de pequenas percepções, de intuições imediatas, e por isso sentimos quando alguém está a torcer para que não avancemos. Faz curto-circuito, fecha o espaço das possibilidades. É um sistema.
P. — Uma espécie de acordo tácito para que ninguém aja, ninguém ameace, e possamos viver em paz.
R. — Precisamente. Para que possamos viver em paz. Porque temos medo do conflito.
P. — Daí os "brandos costumes"?
R. — Recusamos o conflito a céu aberto, mas temos uma violência incrível na nossa sociedade. Violência doméstica em relação às crianças. Os brandos costumes escondem uma violência subterrânea enorme.
De JMartins a 15 de Abril de 2009 às 12:16
Só quero saber se sou eu, europeu, que também pago a vossa viagem e estadia.
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