Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008
Manter o Norte

2009 vai ser um verdadeiro teste de sobrevivência para a imprensa escrita e esta notícia, previsível embora, só o vem confirmar. A maior ameaça será obviamente a continuação da queda dos preços publicitários nas televisões, agravada pelo surgimento da TVI 24 e do 5º Canal. A ela soma-se - entre outros factores - a crescente procura da internet como fonte de informação, a pressão da ERC sobre o formato dos anúncios e as restrições comunitárias impostas à publicidade dos produtos financeiros, do sector automóvel, de bebidas alcoólicas, etc.
É óbvio que a obrigatoriedade imposta ao Estado de anunciar na imprensa não fazia sentido, nem cabe ao contribuinte financiar empresas privadas sejam elas de comunicação social ou outras*. Mas a retirada da publicidade oficial não podia surgir em pior altura.
Em suma, atacados por restrições a Leste, pelas televisões em saldo a Oeste e por outras movimentações a Sul, os patrões dos jornais serão forçados a uma gestão muito, muito cuidada neste ano que aí vem, sob pena de perderem o Norte. E mesmo assim, cheira-me que daqui a 365 dias vários dos jornais que hoje existem já cá não estarão. Infelizmente.
*Tenho dúvidas quanto à RTP. Preferia que se mantivesse estatal mas formatada de acordo com o critério exclusivo de serviço público e sem publicidade. Mas esse é um tema que dava para outro(s) post(s).
Adenda: Já agora, é útil ler-se aqui as «10 tendências dos media para 2009» na opinião de Ricardo Costa.
De Paulo Sousa a 29 de Dezembro de 2008 às 12:24
Os anúncios públicos obrigatórios - como tribunais e registos notariais - há muito foram retirados da imprensa regional e não ouvi ninguém do sector, como o sr. João Palmeiro - que vive à custa dos grandes nomes da imprensa nacional e é vê-lo apenas em actos públicos ou no Casino de Estoril -, a levantar a voz pela sobrevivência destes periódicos; estes sim, com grandes dificuldades económicas, a maioria na desgraça, feitos sem profissionais e apenas por um ou outro altruísta como segunda ocupação ou então por um grupo económico com perspectivas políticas. Há que colocar o dedo na ferida e deixar-se de hipocrisias. O jornalismo continua de luto e cada vez mais cairá no marasmo...
Não sei porquê, não sendo eu de todo em todo um sádico, alegra-me que o mundo colapse à minha volta e certas torres de marfim de favor político desmoronem por força das circunstâncias críticas. Não era justo andar eu a sofrer sozinho há três anos as intermitências do desemprego sistemático, em sofrimento moral, com humilhações e precaridades de toda a espécie sem que um mundo completamente errado não começasse a Acabar, ruindo de mansinho pois estamos em Portugal e é de mansinho que se acaba em Portugal.
A minha Crise Pessoal com desemprego induzido por Políticas implementadas com a ascensão de este Executivo começou bem cedo. Sofri antecipadamente o que se sabe bem irem sofrer massas imprevidentes e inscientes do que as aguarda ao longo do próximo ano e não só.
Fico feliz somente porque o manto de indiferença com que fui vezes sem conta coberto será precisamente o lençol-sudário com que muitos empedernidos esticarão o pernil com os seus negócios de exclusão social, a sua frieza social, a sua magnífica indiferença social, a sua profunda estupidez e má-remunerância precária que nos faz a nós, jornalistas e intelectuais, descartáveis e desprezíveis ao poder económico: uma Imprensa que troçou de mim e dos demais portugueses como eu, feitos tapete de políticas iníquas, não pode sobreviver. É bom que morra e pereça.
Darei festas no salão da minha alma por cada cipreste mediático carcomido e abatido pela Crise.
Abraço, Joãozolas Villalobisomens
[Andas muito fugidio!]
joshua
PS.: Desejo-te um 2009 oposto à Crítica Crise. Deus se amercie de todos os puros e inocentes vítimas de políticas de má catadura e desumano nojo!
Hmmm...Não sendo puro e muito menos inocente, agradeço na mesma. Abraço
De Nuno Nasoni a 31 de Dezembro de 2008 às 14:45
Ninguém dá pela falta do jornalismo de favores e recados praticado em Portugal.
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