Domingo, 14 de Dezembro de 2008
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O melhor discurso da oposição, em muitos meses, foi feito esta tarde, em LIsboa, por Manuel Alegre. As dúvidas dissiparam-se: a nova força política está em marcha. Com Alegre a descolar do PS e Carvalho da Silva a descolar simultaneamente do PCP. 2009 ainda não arrancou e já tudo começa a mudar na cena política portuguesa. Agora é a vez da esquerda, não tardará a chegar a vez da direita. O sonho da renovação da maioria absoluta socialista torna-se irrealizável a partir de agora. Nem o CDS de Paulo Portas, que acaba de ser reeleito numa votação à albanesa, poderá valer à aritmética política de José Sócrates.


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publicado por Pedro Correia
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26 comentários:
De Pedro Morgado a 14 de Dezembro de 2008 às 23:25
Por culpa da oposição de direita, há muito que a maioria absoluta de José Sócrates estava nas mãos deste homem. A julgar pelas intenções hoje expressas, não haverá renovação dessa mesma maioria.


De Manuel Leão a 14 de Dezembro de 2008 às 23:30
Pedro Correia:

Não pense nisso; é fácil fazer discursos bonitos; partidos é outra história. O maior erro de Alegre seria fazer um partido. A luta dele é dentro do PS para influenciar uma política diferente. Fora do PS o partido teria um fogacho, um fogo de palha. Tal como o fogo de palha, teria uma entrada mediática intensa, mas apagar-se-ia-se-ia depressa, talvez mesmo antes das próprias eleições. Fazer uma campanha para a presidência é diferente de arranjar e organizar um partido.


De Pedro Correia a 14 de Dezembro de 2008 às 23:35
Manuel Leão, a sua tese estaria certa se não houvesse no País um genuíno e forte descontentamento que não consegue ser canalizado para os partidos tradicionais. Antes das presidenciais de 2006 ouvi argumentos semelhantes ao seu vindos da candidatura soarista, que mereceu o apoio oficial do PS: afinal Alegre obteve mais de um milhão de votos e Soares obteve a sua maior humilhação política. Ouvi os mesmos argumentos antes das autárquicas de 2007 em Lisboa, quando Helena Roseta se predispôs a avançar: ficou com 10%, à frente de comunistas e bloquistas.
Nada em política é imutável, meu caro. Hoje menos que ontem, como se vai vendo por esse mundo fora.


De Manuel Leão a 15 de Dezembro de 2008 às 15:18
Pedro Correia:

A minha tese é só uma tese, evidentemente. Mas o seu contra-argumento continua a situar-se na esfera das eleições presidenciais. Portanto, isso permite-me manter de pé a minha tese. E, quando Manuel Alegre "ganhou" a Soares - acredite ou não - eu tive exactamente esse palpite. São coisas diferentes.
O Bloco agarra-se a Alegre, exactamente com a mesma estratégia com que se quer agarrar a Helena Roseta, para concorrer à Câmara de Lisboa.
Espero que Alegre continue a ser o grande poeta que é, mas que não seja lírico. Ele que se lembre do PRD e, já agora, o Pedro também.


De Pedro Correia a 15 de Dezembro de 2008 às 16:09
Caro Manuel Leão:

As duas situações são incomparáveis, no espaço e no tempo. Passaram 23 anos desde a criação do PRD, os tempos são outros. Por outro lado, o PRD foi criado a partir do Palácio de Belém e teve esse defeito de origem a acompanhar-lhe o breve percurso. Nada a ver com o que sucede agora. Faço-lhe notar, no entanto, que o PRD obteve 18% nas legislativas de 1985, ficando apenas a dois pontos do PS. Imagine uma nova força à esquerda conseguir essa percentagem nas próximas legislativas.


De Manuel Leão a 15 de Dezembro de 2008 às 18:32
Pedro Correia:

Esses 18% foi o que eu queria referir com a expressão "fogo de palha".

A ver vamos, Pedro Correia, a ver vamos...


De Luís Naves a 14 de Dezembro de 2008 às 23:42
Pedro, o teu post diz tudo em poucas linhas. Eu escrevi aqui há duas semanas não acreditar neste desenvolvimento. A minha análise estava errada. A maioria absoluta do PS torna-se impossível com uma frente de esquerda. Aliás, a esquerda (Louçã, Alegre e Jerónimo) somou quase 2 milhões de votos nas presidenciais. Mesmo que os números sejam muito menores em legislativas e o PC fique de fora, o novo movimento pode facilmente atingir os 750 mil votos, ou 15%.


De Pedro Correia a 15 de Dezembro de 2008 às 10:16
Ando há muito a dizer e a escrever isso, Luís. E cada vez penso mais assim. Os precedentes das presidenciais e das autárquicas de Lisboa deverão ter um prolongamento nas legislativas. O que estraga todas as contas a José Sócrates.


De Ana Vidal a 15 de Dezembro de 2008 às 01:54
A política nacional começa a ficar menos monocromática... bela reflexão, Pedro.
Um beijo


De Pedro Correia a 15 de Dezembro de 2008 às 10:17
Andamos todos já fartos do monocromático, Ana.
Beijo


De Antonio Gomes a 15 de Dezembro de 2008 às 02:23
Antenção ao que MA realmente disse. Não que os jornalistas presentes tenham inventado, mas que chegaram com uma ideia formada, chegaram, e pode ser difícil não "ouvir" o que se foi em busca de "ouvir", por ser essa a notícia que se espera. Alegre não disse em altura alguma, que pretende fazer um novo partido. Do que Alegre falou foi da "necessidade de juntar esquerdas, de desbravar caminhos". Quais são, não ficou dito.


De Anónimo a 15 de Dezembro de 2008 às 09:52
E ele a dar-lhe!

Este camarada é sempre a mesma conversa. Debater, discutir, reflectir, sente-se muito mal onde está mas vai ficando, ficando, ficando...

Imaginem só o camarada poeta a ter de tomar decisões na hora.

E depois, propostas e projectos concretos e medidas... tá quieto.

Além do que vem sempre falar de anti-fascimo, como se, 30 e tal anos depois da queda do regime da velha senhora isso estivesse na ordem do dia.

É um chato e há-de ser sempre um chato e apenas.

PS- Estou-me positivamente marimbando para quem possa estar no governo. Não tenho ilusões nenhumas.


De Pedro Correia a 15 de Dezembro de 2008 às 10:12
Você acha, portanto, que só o Sócrates é capaz de tomar decisões...


De Anónimo a 15 de Dezembro de 2008 às 10:19
Como disse acima, é-me indiferente quem possa estar no governo. Não sou simpatizante e muito menos militante de qualquer partido.

Mas lá que o Sócrates tem tomado algumas decisões, devidamente propagandeadas, lá isso tem, coisa de que o poeta não me parece capaz.

Segundo a noptícia do Público, o camarada veio falar alto e em bomo som de coisas vaguíssimas como "promoção do emprego sustentável, o investimento público em sectores produtivos, uma política contra a pobreza, a defesa da escola pública, entre outros". Bem, isso também eu sou capaz de dizer. Medidas concretas para tais maravilhas acontecerem, que é delas?


De Anónimo Tóxico a 15 de Dezembro de 2008 às 10:30
Não é por nada,mas já pensaram nesta?
Então aqui vai: Alegre é mais velho que John McCain.


De Anónimo a 15 de Dezembro de 2008 às 11:20
A avaliar pela foto, o poeta já foi à Corporación Dermoestética: está muito mais novo!


De Anónimo a 15 de Dezembro de 2008 às 11:32
Diz que o PRD já teve 45 (quarenta e cinco) deputados. Teve, digo bem.


De Ana Pereira a 15 de Dezembro de 2008 às 12:18
O que se passou ontem foi um debate sobre vários temas em que participaram a titulo pessoal militantes de vários partidos e pessoas independentes.O Alegre no discurso deu uma no cravo outra na ferradura.A comunicação social que gosta muito de criar factos politicos é que fez uma grande história sobre o assunto.Mesmo que Alegre caisse na patetice de formar um partido politico nada nos garantia que as pessoas presentes no debate estivessem todas com ele nessa caminhada.No entanto se ele criar um partido "novo" a Dra.MFL e o Prof.Cavaco Silva podem desde já enviar-lhe os agradecimentos.


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