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Emoções básicas (27)

por Luís Naves, em 21.10.08

 

O sobrevivente

Num interessante artigo do DN que já foi referido num post anterior, João Miguel Tavares escreve sobre Santana Lopes, manifestando surpresa pela aparente longevidade política do ex-primeiro-ministro e antigo presidente da câmara de Lisboa. O artigo do DN é uma crítica dura, mas não nos oferece pistas para explicar o fascínio que o eleitorado parece ter pelo político. O João Villalobos já citou aqui uma passagem significativa: segundo o JMT, a culpa do fenómeno também “é minha”.

Neste ponto discordo, pois não gosto de me envergonhar do que não fiz. Nunca votei e jamais votaria em Santana Lopes. Agrada-me, aliás, que seja candidato em Lisboa, pois tenciono votar em Lisboa.

Santana Lopes é o típico dirigente populista que inflaciona a sua popularidade através de truques retóricos. Muito experiente como político profissional, é um hábil táctico e gosta de correr riscos.

Os populistas estão presentes na maioria dos países e sistemas políticos modernos. Alguns até chegaram ao poder. Não são todos iguais, naturalmente, mas existe um padrão de falta de substância e de pobreza ideológica. Geralmente, são pessoas cujas convicções consistem num leve verniz superficial, que estala na primeira oportunidade. Nas suas decisões não há matrizes muito visíveis, pois gostam de navegar à vista, ao sabor dos acontecimentos. É por isso que são geralmente maus para os países e bons em eleições. E este último elemento é importante: pessoas que ganham eleições têm sempre uma corte de fiéis admiradores, cada um à imagem do líder (ideias de gelatina e ambiciosa tenacidade). Os cortesãos viajam à boleia do poder.

Há muitos populistas na Europa e penso que, no meio da crise profunda em que vivem tantos Estados da UE (e que não foi causada pela crise financeira), existe clara tendência para que o seu número aumente. Infelizmente, Portugal não deverá escapar ao problema.

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5 comentários

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De ssofia a 21.10.2008 às 14:12

Vi a entrevista da MFL na TVI. Só faltava bater. Espumava. eriçada. insolente. caustica. soturna. Ácida.

E não gosto de impolutas , agora virem argumentar uma petit lettre do discurso eleitoral, dizendo que nunca excluiu ninguém.

Verdade. disse isso. mas também disse o resto, que não votou no Lopes, que não gostava de populismo, . Tanta retórica e um saco cheio de coisa alguma.


Estou farta deste PSD. Estou farta deste partido doente com sangue velho e rançoso.

O Lopes é o fim. Roma não paga a traidores
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De l.rodrigues a 21.10.2008 às 14:55

Pessoalmente tenho algum desconforto com o uso de "populismo" como diminuitivo político. Populismo é frequentemente usado como sinónimo de demagogia.

Mas, no entanto, há politicas que são apelidadas de populistas apenas porque são populares. E como tal, são logo más.

Dir-se-ia que ninguém pode governar de forma a melhorar a condição e a felicidade dos povos, porque isso é ser "populista".

Quando se fala em cobrar mais impostos à banca, ou aumentar salários mínimos, não falta quem desdenhe, porque é populismo. E nunca se chega a fazer a analise certa:
se seriam ou não boas medidas para o País.

Sobre Santana Lopes, confesso que não sei bem o que pensar. E quando penso, não é nada de bom.
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De Anti a 21.10.2008 às 16:25

Ena pá, que o homem incomoda mesmo!!
Atravessamos um período que parece bem atacar PSL, é elegante, é sinal de virtuosismo intelectual, aqueles que o fazem sentem-se bem, poderão ter o reconhecimento das pseudo-elites e isso passa a ser uma coisa perfeitamente metafísica...
Cá por mim continuo preferir parecer um homem de emoções básicas e sem vergonha...

Sobre este tema ler este post no Portugal dos Pequeninos do João Gonçalves:
http://portugaldospequeninos.blogspot.com/2008/10/mudem-de-linha.html

PS: Já me esquecia. Outro dia o Sr Luís Naves fez um post sobre o nosso querido Portugal, um país verdadeiramente idílico (desta vez não errei), será este país?

http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/eb602c8a8533f6cb1ebee8.html

"Tá-se" mesmo a ver, culpa do Santana!




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De lucklucky a 21.10.2008 às 17:23

Estou curioso o que faz um político populista? É apelar ao facilitismo? Se sim então:

Sócrates não é populista porquê ? Quando Sampaio disse que há mais coisas para além do defice não estav a ser populista? Quem defende o Estado Social não é ser populista ? A Constituição que defendia a tendência da gratuitidade da saúde e da educação não era uma Constituição Populista?
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De Alberto a 22.10.2008 às 12:03

Saiu o Porto e já ninguém escreve neste blog

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