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O camaleão Obama

por Francisco Almeida Leite, em 19.10.08

O apoio de Colin Powell a Barack Obama é surpreendente, pelo menos para mim. Então o homem que foi, sucessivamente, braço-direito de Frank Carlucci, planeou a invasão do Panamá em 1989, foi chefe do Estado-Maior do presidente Bush (pai) e secretary of state de George W. Bush apoia Obama em detrimento de McCain? Sim. E porquê? Aparentemente porque Obama é uma "figura de transformação" e pode dar um "presidente excepcional". Para o general que recusou várias vezes concorrer à Casa Branca isto chega. Mas a verdade é que este apoio de uma figura cimeira das administrações Bush senior e junior podia estar para Obama como a crise económica esteve para McCain. Só que já tarde. E Powell, apesar de tudo, tem muito melhor imagem do que Donald Rumsfeld (o amigo de Portas), Condoleezza Rice, Dick Cheney ou Karl Rove. Mas Obama é tão camaleão ideológico e político que não me admirava nada que acolhesse com simpatia o apoio do general David Petraeus. Continuo sem perceber o que o republicano Powell e tanta gente de direita que respeito vê em Obama, mas o problema deve ser meu. Pode ser que ainda me surpreenda.

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14 comentários

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De Teresa a 19.10.2008 às 18:09

http://www.youtube.com/watch?v=fzKT9LCBmKw

Colin Powel and the hip hop
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De l.rodrigues a 19.10.2008 às 18:44

"Mas a verdade é que este apoio de uma figura cimeira das administrações Bush senior e junior podiam estar para Obama como a crise económica esteve para McCain."

Hein??? Estranho mundo, o seu...
Powell teve o papel histórico de colocar baton num dos maiores porcos de que há memória recente, a guerra do Iraque. Mas num vice-presidente como Palin ele não toca. È isso que fica claro nas suas declarações. Além de reconhecer que McCain não percebe nada da Economia.

Ter o apoio de uma figura como Powell que teve o papel que teve mas que se percebeu sempre que não era da clique neo-con, é bom, eleitoralmente.
O Obama é que não é a caricatura que o FAL pintou...
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De hajapachorra a 19.10.2008 às 18:46

A questão é o aborto, pá, e a outra tralha fracturante. Porque cuidais que a IPPF, a Naral, a nandinha, o vilar, os gajos do avental e aquelas gajas do Público apoiam Obama? Porque o rapaz é um aborteiro radical, um palhaço de chicago que podia ser catedrático no iscte.
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De Jorge A. a 19.10.2008 às 19:04

Caro FAL,

mais do que Powell disse de Obama, devia ouvir o que disse da campanha de McCain - talvez perceba que muitas vezes o apoio dado a Obama não se deve só ao que o candidato é e às ideias que defende, mas o que a alternativa implica.

"E Powell, apesar de tudo, tem muito melhor imagem do que Donald Rumsfeld (o amigo de Portas), Condoleezza Rice, Dick Cheney ou Karl Rove."

Não é só uma questão de imagem. Powell tinha profundas divergências com todos os senhores que refere, nomeadamente no que toca à necessidade da intervenção no Iraque - não por acaso abandonou a administração Bush no final do primeiro mandato. Este texto do Guardian é recomendado (datado de Setembro de 2001):
http://www.guardian.co.uk/world/2001/sep/30/usa.afghanistan

"Mas Obama é tão camaleão ideológico e político que não me admirava nada que acolhesse com simpatia o apoio do general David Petraeus."

Sinceramente, esta não percebo... acha que o general Petraeus tem um programa politico? Acha que Obama tem de renegar o apoio de Powell? Ou um possível apoio de Petraeus?

"Continuo sem perceber o que o republicano Powell e tanta gente de direita que respeito vê em Obama, mas o problema deve ser meu. Pode ser que ainda me surpreenda."

Você logo no inicio do seu texto demonstra que dificilmente vai compreender o porquê. O que você parece ignorar é que o partido republicano não costumava ser o partido da guerra como agora efectivamente é. A politica de Powell é um bom caracterizador do que era a politica internacional dos republicanos pré 11 de setembro de 2001 (e representou uma escolha certa para um George Bush que nas eleições contra Gore prometia menos envolvimento internacional dos EUA, do que aquele que tinha sido apanágio da administração Clinton).

Ainda no outro dia, Christopher Buckley (filho do icon conservador William Buckley), remetendo para a célebre frase de Ronald Reagan, dizia que não tinha sido ele a deixar o partido republicano, mas que este o deixara. O mesmo se pode dizer de Powell e de muitos outros republicanos moderados.

O camaleão aqui não foi Obama, mas o partido Republicano. A derrota dos republicanos pode ser o melhor regenerador de um partido republicano hoje fragmentado, dividido, e sem uma mensagem clara. A vitória de John McCain não o será certamente, prova evidente na nomeação vergonhosa de Sarah Palin para a vice-presidência (aliás, muitos dos que agora desculpam a ignorância manifesta de Palin em várias matérias, são os que desculpavam a manifesta ignorância de Bush noutras tantas em 2000 - viu-se os resultados...).

Mas sobre Palin (e repare que Powell também refere Palin como motivo para optar por Obama) vale a pena ler outra representante máxima do grande período Reagan, Peggy Noonan:
http://online.wsj.com/article/SB122419210832542317.html

"No news conferences? Interviews now only with friendly journalists? You can't be president or vice president and govern in that style, as a sequestered figure. This has been Mr. Bush's style the past few years, and see where it got us. You must address America in its entirety, not as a sliver or a series of slivers but as a full and whole entity, a great nation trying to hold together. When you don't, when you play only to your little piece, you contribute to its fracturing.

In the end the Palin candidacy is a symptom and expression of a new vulgarization in American politics. It's no good, not for conservatism and not for the country. And yes, it is a mark against John McCain, against his judgment and idealism."
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De Anónimo a 19.10.2008 às 19:06

Sim, o problema é seu.
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De Filipe Gomes a 19.10.2008 às 19:08

Uma boa ideia, para começar, será ver a entrevista de Colin Powell na íntegra - lendo o seu post não me parece que o FAL a tenha sequer visto, já que resume o apoio de Powell a Obama e passo a citar:

«Aparentemente porque Obama é uma "figura de transformação" e pode dar um "presidente excepcional". Para o general que recusou várias vezes concorrer à Casa Branca isto chega?»

Falso: não é só "isto". O FAL ignora o resto da entrevista, ignora o muito que Colin Powell afirmou.

Seria uma boa ideia perder um ou dois minutos a ouvir a opinião de Colin Powell sobre o actual rumo Partido Republicano (cada vez ligado à direita americana populista, cada vez mais a afastar os republicanos tidos como mais centristas ou pertencentes à elite intelectual americana).

Outra boa ideia será atentar no que Colin Powell diz sobre a escolha de Sarah Palin.

Ou sobre o comportamento de McCain - de quem Powell é amigo há mais de duas décadas - no auge da crise financeira. "Unsure" foi a palavra escolhida por Colin Powell.

E fala ainda da nomeação de juízes profundamente conservadores para o Supremo Tribunal, caso o ticket republicano seja eleito.

E fala da campanha negativa de McCain ao longo das últimas semanas.

Colin Powell não se fica por classificar Obama como uma figura "figura de transformação".

Colin Powell dedica muito mais tempo da entrevista a avaliar os julgamentos de McCain ao longo desta campanha.

Ver a entrevista de Powell - que me parece um atestado de lucidez e bom-senso - é sempre um bom princípio antes de escrever o que se seja.

E se viu a entrevista antes de escrever isto, pior. Demonstra má-fé ao resumir o que disse Colin Powell.

Deixo dois links se estiver interessado em tal:
http://uk.youtube.com/watch?v=vKWlIEoNhOQ
http://uk.youtube.com/watch?v=mnkVqUKMt3E
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De Filipe Gomes a 19.10.2008 às 19:10

Mais, deixo-lhe o que escreve Andrew Sullivan - um célebre conservador que apoia Barack Obama - no seu blog:


«Powell says a lot of what this blog has been expressing these past six weeks: McCain's hotheaded response to Georgia and the economic crisis, combined with this selection of Sarah Palin and deployment of pure Rovianism as a tactic, has tarnished his reputation permanently and rendered Obama's calm, maturity in selection of running mate, and care to be always inclusive of all Americans that much more appealing. Powell also is horrified, as decent Republicans should be, by the attempt to equate Obama with "the other" and to delegitimize Muslim-Americans or urban Americans or gay Americans or Arab-Americans or anyone else as somehow not "pro-America" or integrally part of this country.

Powell is really taking a stand in defense of decent, inclusive, moderate Republicanism. It's amazing it has taken Powell to say this publicly, to stand up against the Rove machine and say enough. But it is welcome nonetheless. One more thing: Powell's endorsement of Obama is privately echoed by many moderate Republicans across the country and in Washington. It isn't about race. It's about the need to remake conservatism anew, and to restore to fiscal and foreign policy the kind of conservative prudence and restraint of Eisenhower.»
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De cristina a 19.10.2008 às 19:28

não percebe?? com aquele Palin?

coitadinha....só lhe falta falar...
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De Manuel Leão a 19.10.2008 às 20:24

FAL:

A propósito do anunciado apoio de Colin Powell a Barack Obama, escreveu o Senhor:

«Mas Obama é tão camaleão ideológico e político que não me admirava nada que acolhesse com simpatia o apoio do general David Petraeus», neste "post" que intitulou de "O Camaleão Obama".

Vejamos então:

1 – «O apoio de Colin Powell a Barack Obama é surpreendente, pelo menos para mim. Então o homem que foi, sucessivamente, braço-direito de Frank Carlucci, planeou a invasão do Panamá em 1989, foi chefe do Estado-Maior do presidente Bush (pai) e secretary of state de George W. Bush apoia Obama em detrimento de McCain? Sim. E porquê? Aparentemente porque Obama é uma "figura de transformação" e pode dar um "presidente excepcional"» (citação do início do “post”);

2 - Perante uma descrição destas, e não havendo qualquer indicação que tenha sido Obama a solicitar tal apoio, lógico seria concluir que quem, eventualmente, poderia merecer o epíteto de "camaleão", esse alguém seria Colin Powell. Acho que esta terá de ser, forçosamente, a única conclusão de qualquer pessoa dotada de um mínimo de objectividade. Mas não. Para FAL, vá se lá saber através de que intrincados raciocínios, o camaleão é Obama. Porquê? Bem, porque sim;

3 – Depois, coloca no ar uma cena ficcionada, em que imagina Obama a acolher «com simpatia o apoio do general David Petraeus». Baseado em quê? Aparentemente na sua fértil imaginação, porquanto o único dado que aparece é que não se “admirava nada se” (...);

4- Chegados aqui, respeitável FAL, acha que o seu "post" tem alguma sustentação? Ou terá sido um escrito eivado da mais exacerbada subjectividade, todo ele orientado para aquilo que desejava demonstrar, isto é, a censurável postura de “camaleão”, por parte de Obama, baseada numa mão vazia de argumentos. É que se os há, onde se encontram eles no texto. Na atitude unilateral de outrem (de Powell, por certo ou de Petraeus, num exercício de imaginação)?
Auxilie-me a ver onde estão os argumentos, porque não os encontrei no texto.

5- Finalmente concluiu do seguinte modo: «Continuo sem perceber o que o republicano Powell e tanta gente de direita que respeito vê em Obama, mas o problema deve ser meu. Pode ser que ainda me surpreenda».


FAL, eu é que tenho razões para estar surpreendido por ter lido um “post” destes, sem um mínimo de objectividade e consistência. A não ser assim, peço-lhe que me prove o contrário.


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De José Manuel Faria a 19.10.2008 às 21:51

Isso mesmo, camaleão Obama . O apoio de Colin Powell é contranatura " e por isso um presente envenenado. Não, Obama "come" tudo!

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