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Ventos e marés

por Francisco Almeida Leite, em 19.10.08

É um assunto que tenho acompanhado com preocupação e espanto. Uma nau portuguesa naufragada ao largo da Namíbia por volta de 1525 foi recentemente encontrada por mergulhadores, contendo um achado precioso, já avaliado em 70 milhões de euros. Só que, para nossa desgraça, aquele país africano não é signatário da convenção da UNESCO sobre achados arqueológicos. Chocados? Eu também.

Uma nau que tem uma carga com moedas de ouro e prata, espadas, canhões, astrolábios, compassos, toneladas de cobre e de estanho e centenas de barras de ouro vai ficar nas mãos da Namíbia! E, segundo li no Expresso desta semana, que traz mais um importante desenvolvimento sobre a matéria, o Governo português não pretende sequer recorrer à Convenção Internacional dos Direitos dos Mares, porque isso "seria entrar numa guerra sem retorno". Apesar de o IGES-PAR e de vários arqueólogos e especialistas estarem há meses a dar uma ajuda na descoberta, recuperação e inventariação do achado. Portugal fica a ver navios. Como é possível? Até onde é que vai a nossa capacidade de indignação como portugueses?

Sinceramente não percebo como é que ninguém ainda pensou a sério sobre isto. Hoje em dia não há gato pingado que não tenha a iniciativa de lançar petições e abaixo-assinados sobre tudo e mais alguma coisa. Então e o nosso património, a nossa História não valem meia dúzia de linhas e um texto entregue aos senhores deputados da República? Por amor de Deus...

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11 comentários

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De Anónimo a 19.10.2008 às 17:24

Eu acho que deveríamos sanear os gajos. Quais? Todos.
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De Peticionario a 19.10.2008 às 17:28

Assinarei umpa petição de boa vontade, mas os funcionários legislativos que dão pelo nome de "deputados" têm o mais absoluto desprezo por quem nada mais pode fazer do que «ratificar» as nomeações dos secretários gerais.
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De qwerty a 19.10.2008 às 20:01

Parece que ainda não perceberam que este é um governo de tecnocratas e burocratas - que não têm esse tipo de sentimentos românticos pela "história", pela paisagem natural e cultural do nosso País. O máximo que conseguem fazer são "negócios" e mesmo assim sempre com algo de estranho e duvidoso. Como tal tenho uma proposta irrecusável para a Namíbia: eles devolvem-nos o barco e os seus tesouros, nós damos-lhes os nossos Magalhães (sem esquecer a formação).
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De Francisco Almeida Leite a 19.10.2008 às 23:24

É um pouco assim, se quiser.
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De jpt a 19.10.2008 às 21:24

1. será conveniente lembrar que inúmeros países - e alguns bem surpreendentemente - se recusam a assinar a Convenção da UNESCO, o que implica a legitimação política da recusa de tantos outros
[porventura haverá algo errado, politicamente errado, na convenção, mas isso é matéria mais profunda]

2. é sempre deselegante vir a blog alheio chamar a atenção para posts próprios, mas desculpar-me-á a chamada de atenção para um marcador "arqueologia subaquática" no meu blog ma-schamba - aí há alguma documentação sobre problemas similares em Moçambique (ainda que não tão espectaculares em termos de um navio há dezenas de naufrágios esperando ser investigados), bem como sobre as actividades de pirataria levadas a cabo por empresa de pavilhão português protegida por figuras bem renomadas aí em Portugal. Nessa categoria encontrarão hipotéticos interessados vários elos para blogs especializados nesta matéria e inúmeras ligações a matérias relevantes

3. já o facto de os nossos recursos nacionais (estatais) serem utilizados num projecto destes é inadmissível, exigindo - literalmente - o rolar de cabeças (e a sua afixação nas portas da cidade). Ainda assim é uma prática que entronca absolutamente na perspectiva corsária sobre a arqueologia (subaquática) que alguma elite politico-social portuguesa acarinha (entre o Indiana e a Lara Croft, em busca do bric-a-brac) Estão ainda, como em tantas outras coisas, em pleno XIX - com o arrivismo de baronete e tudo
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De Francisco Almeida Leite a 19.10.2008 às 23:25

JPT,

Tenho que dar uma saltada ao seu blogue para consultar isso. Belos argumentos e, sobretudo, informação preciosa. Obrigado.
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De Nuno Castelo-Branco a 19.10.2008 às 21:38

Pois,é isso mesmo... deputados da REPÚBLICA! E ficamos por aqui...
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De Tiago Moreira Ramalho a 19.10.2008 às 22:34

Avance com isso Francisco, não me importo de ser o primeiro a assinar!
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De Francisco Almeida Leite a 19.10.2008 às 23:26

Caro TMR,

Avancemos, então. Quem redige?
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De jpt a 19.10.2008 às 23:55

São posts já antigos mas presumo que em grande parte actuais nas questões fundamentais
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De Manuel Leão a 20.10.2008 às 09:08

FAL:

Você acha que este governo alguma vez se iria importar com essa "ninharia"? História e Cultura alguma vez reduzem o deficit?

"Nós somos" os bons alunos que cumprimos tudo internacionalmente", mas não "nos damos" ao respeito em coisa nenhuma. Nem sequer "mostramos" a nossa indignação, não vão os outros acusarem-nos de mal educados.

A "nossa" diplomacia serve para reconhecer o Kosovo, mesmo depois de se ter verificado, na prática, que se tratava de um erro. Porquê? Porque os EUA assim o queriam e a Nato também. Isto é para os interesses dos outros "fazemos" tudo.

Veja-se, por exemplo, o caso da captura de Vale e Azevedo e a importância que os ingleses dão aos nossos pedidos. Se fosse ao contrário, mal chegasse o Fax, já o homem estava metido no avião.

Agora, quem quiser ver esses pedaços de História terá que ir à Namíbia. Os altos dignitários irão à borla, nalguma viagem oficial. Aos outros, resta dirigirem-se a um operador turístico e perguntar quanto custa a viagem e o bilhete de ingresso. Voilá!

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