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Livros de instrução (4)

por Luís Naves, em 18.10.08

 

A máquina do tempo

Um livro é como uma máquina do tempo e o leitor funciona como o viajante da história de H. G. Wells; senta-se numa cadeira confortável, com boa luz, e vai mexendo alavancas, sem saber bem o que o espera. Na realidade, a máquina não se move de forma aleatória. Isso é apenas a ilusão criada por quem escreve.
Cada livro é uma viagem no tempo, que nos leva ao universo sentido pelo autor. As suas percepções e memórias morreram entretanto, a sociedade em que se moveu já não existe. Um livro é sempre sobre o passado, mesmo aqueles que inventam o futuro.
Há escritores que captam mais do que o seu mundo, ou seja, que conseguem perceber na alma humana aquilo que transcende uma certa época. Os grandes russos, Fiodor Dostoievski, por exemplo, ou Lev Tolstoi, escreveram livros cujas personagens são inteiramente compreensíveis para um leitor contemporâneo; as suas inquietações tornam-se universais e os livros persistem.
Estes casos são raros. A maioria dos livros morre após a sua escrita; alguns, poucos, sobrevivem até à morte do autor; e, depois, há os que ficam em outras épocas, mas sempre condenados ao esquecimento, como quem os escreveu.
Os livros morrem, da mesma forma que as pessoas breves. Ou antes, dentro deles viveram por pouco tempo seres autênticos, verdadeiramente extraídos da vida.
No entanto, a magia só funciona se houver alguém a viajar na máquina do tempo.
Todos os escritores desejam escrever para a eternidade, mas não escapam ao esquecimento. É uma lei eterna e comovente.
Mas, por vezes, alguém reabre aquele livro apenas adormecido, um leitor instala-se na cadeira e move as alavancas. Mas só existe um sentido neste movimento: a direcção que leva às regiões do passado.

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8 comentários

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De l.rodrigues a 19.10.2008 às 02:17

Como sou do contra, e durante muito temo assiduo leitor de ficção científica, comecei logo a pensar em livros que realmente me transportaram para o futuro.
E lembrei-me logo de Gene Wolfe, e do Livro do Novo Sol, que nos é apresentado, logo na introdução como uma arqueologia do futuro.
No livro, o passado é omnipresente, mas é um passado muito à frente.

http://artsweb.bham.ac.uk/jlaidlow/ultan/botns.htm
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De Luís Naves a 19.10.2008 às 11:33

agradeço muito este comentário
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De Sofia Loureiro dos Santos a 19.10.2008 às 11:16

Luís, felicito-o por mais este belíssimo texto. Embora raramente comente e nem sempre concorde com as suas opiniões, não perco um post seu. Li algures que o Corta-Fitas está a implodir?
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De Luís Naves a 19.10.2008 às 11:34

agradeço, sofia. penso que o corta-fitas não estará a implodir, não existe qualquer razão para que isso aconteça. foi um trabalho de três anos, que não pode ser desperdiçado por causa de um ataque exterior, como se vê nas caixas de comentários
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De TalvezTeEscreva a 19.10.2008 às 12:58

Tu implodes, ele implode, nós implodimos, vós implodis, eles... implodem.

É nos momentos de crise que se revela os carácteres. À nobreza do comportamento do Paulo Cunha Porto, aliaram-se outros que agiram de acordo com os seus princípios e valores e se retiraram também. Citando apenas o Duarte Calvão, porque basta, «A regra sempre foi respeitar os outros pontos de vista, mesmo quando custava, não fazendo proclamações de tolerância, mas praticando-a diariamente, à esquerda e à direita. Como, além da intolerância, detesto a hipocrisia, vou directamente ao assunto: o modo como o Paulo Cunha Porto, com quem nem sequer tenho relações de amizade, foi tratado por certas pessoas deste blog é para mim inconcebível. Por isso, é hora de deixar o Corta-Fitas».

E você Luis Naves, tão afoito em defender o seu nomes, o que está ainda aqui a fazer?? É assim tão importante este palco para ser “influente” ou se sentir importante?!?
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De Antifascista de Gema a 19.10.2008 às 15:10

Por mim, vou dar de frosques.
Para longe deste medíocre vespeiro.
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De Anónimo a 19.10.2008 às 17:21

Eu também gosto muito de ler ficção científica, mas não passo sem os livros do Torquemada.
E - cá por coisas - voltei a ler o Maquiavel.
Saudações
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De Anónimo Veneziano a 19.10.2008 às 22:04

O tempo - coisa que ainda ninguém logrou definir - prega-nos grandes partidas...
Que dirão os nossos trinetos deste "Corta-Fitas" ?

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