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Pacheco longe de ser prefeito

por Pedro Correia, em 17.10.08

 

José Pacheco Pereira voltou ontem a desiludir-me na Quadratura do Círculo. Irritadíssimo (sem o assumir) com Manuela Ferreira Leite por ter dado luz verde à candidatura de Santana Lopes à Câmara Municipal de Lisboa, procurou disfarçar esta irritação disparando em alternativa contra a distrital alfacinha, que aprovou esta escolha por 29 votos contra dois. Como se desconhecesse que a distrital jamais escolheria Santana sem o aval prévio de Ferreira Leite.

E desiludiu-me porquê?

Porque, com notória maldade, decidiu avançar com três nomes alternativos a Santana: Pedro Passos Coelho, António Borges e Nuno Morais Sarmento. No primeiro caso, trata-se de uma maldade ao próprio Passos Coelho, que não precisa do trampolim de Lisboa para atingir a liderança do partido. No segundo caso, é uma maldade ao PSD: Borges garantiria ao partido a mais copiosa derrota de sempre na capital. No terceiro caso, é uma maldade aos lisboetas: a última entrevista de Sarmento ao Expresso revela (digamos assim) que não está em condições intelectuais de gerir o maior município do país.

Ainda esperei que desta vez Pacheco se oferecesse para liderar ele próprio a lista autárquica social-democrata em Lisboa. Só assim seria consequente com as críticas que continua a dirigir a Santana (desta vez com o mais que certo adversário do PSD, António Costa, a escutá-lo, com ar deliciado, a poucos metros dele no estúdio da SIC). Mas compreendo-o bem: é sempre mais fácil sugerir que avancem outros e continuar a perorar de fora. Ninguém é perfeito. Ou prefeito, neste caso de Lisboa.

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9 comentários

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De Anónimo a 17.10.2008 às 16:58

Pedro Correia voltou a desiludir-me: imaginem só que tem a pachorra para aturar a Quadratura do Círculo!
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De Paulo Cunha Porto a 17.10.2008 às 17:10

Neu Caro Pedro,
há que dar-lhe o desconto, o Complexo de Loures, se me percebes...
Abraço
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De Ana Pereira a 17.10.2008 às 17:17

Pacheco tem uma certa razão,com Santana Lopes que precisa do palco todo só para ele a fazer a campanha para Lisboa ao mesmo tempo que Manuela Ferreira Leite a fazer campanha para as legislativas,vamos assistir a uma bela confusão
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De Anti a 17.10.2008 às 18:53

No caso em concreto tenho alguma dificuldade em perceber se Pacheco Pereira tem mais dificuldades em aceitar o nome de PSL para candidato do PSD à Câmara de Lisboa, ou se pelo contrário, se sentiu moralmente "desautorizado" por esta desfeita que a líder do seu pretenso partido lhe fez. Pacheco Pereira encarna muito bem aquela superioridade moral que esquerda costuma ter em Portugal. Acha que pelo facto de ter sido apoiante da actual líder, isso lhe dá a faculdade de poder influenciar todas as decisões de fundo desta liderança. Não conseguiu cativar eleitores, não consegue cativar militantes, e já não consegue cativar líderes, mesmo que estes tenham sido apoiados por si, tudo isto reduz a sua essência partidária, tornando-o um comentador obstinado na suas lutas quixotescas, por vezes agradável de ouvir, mas onde a pouco e pouco já não tantos como isso lhe levam realmente a sério quando desata a falar do PSD. Quer me parecer no entanto que começa a construir o seu álibi no caso de uma derrota eleitoral nas legislativas. Aliás, costuma ganhar sempre quando o "seu" partido perde, têm sido essas as suas maiores vitórias eleitorais...
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De Pedro Correia a 18.10.2008 às 12:29

Caro Anti:
Já conhecia a sua acutilância nos comentários futebolísticos. Fiquei a conhecer agora melhor também a sua acutilância nos comentários políticos. Aprovadíssimo, o que escreveu.
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De Manuel Leão a 18.10.2008 às 01:21

Pedro Correia:

Este "post" para ser bem comentado dava pano para mangas.

A pergunta que me ocorre é esta: - Será que o PSD, hoje por hoje, ainda é um partido, tal como se costuma conceber uma organização partidária? Isto é, local de debate, mas sujeito à regra democrática, onde as decisões devem ser tomadas por maioria? Não creio. A imagem que transmite para o exterior, é a de um conjunto de notáveis, com estatuto especial, cuja militância se faz mais na comunicação social do que no debate interno. Um partido com muitas tendências e nuances, que no limite se pode dizer que existe uma por cada notável. Um partido onde as suas facções passam a vida a "contar espingardas". Um partido onde um membro cujas propostas foram derrotadas, vai no dia seguinte dar uma entrevista onde contesta a decisão tomada.

Aliás, desde a morte de Sá Carneiro que estes aspectos afloravam de tempos a tempos. Mas, agora, que não existe o cimento do poder, para esconder a desagregação, torna-se por demais evidente.

Percebe-se porque Pacheco não quer Santana, mas custa a acreditar que sugira António Borges. Este consegue ainda ser menos credível que Santana. Nunca ouvi Santana dizer um disparate tão grande como foi o relativamente recente elogio de Borges ao "subprime". Até porque se trata de um assunto onde era suposto ter conhecimento de causa.
Abreviando:
Estou de acordo consigo. As sugestões de Pacheco parecem eivadas de pura maldade. Pacheco nunca quererá ir a votos. Um cenário desses só apressaria o fim do mito.
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De Pedro Correia a 18.10.2008 às 12:27

Caro Manuel Leão,
Pacheco Pereira, que se diz muito frontal, quis demarcar-se de MFL, a líder de que foi mentor até começar a perceber que também ela não conseguirá resgatar o partido do atoleiro em que se meteu. Mas não foi frontal: arremeteu antes contra o líder da distrital de Lx, sabendo bem que a decisão de lançar PSL tinha sido concertada com MFL. E não arranjou melhor maneira de o fazer do que tendo António Costa, o maior rival do PSD em Lisboa, ao lado!
O que diria o comentador Pacheco deste gesto do politico-comentador Pacheco?
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De Manuel Leão. a 18.10.2008 às 16:32

Pedro Correia:

A sua resposta corresponde àquilo que consegui retirar do que fui lendo sobre o assunto.

Mas, embora seja um comentador com bastante audiência, o problema não se restringe ao Pacheco. Se assim fosse, apesar de tudo, seria um problema menor.

O problema do PSD é que não existe coesão desde há muito. E, com o afastamento do poder, isso tornou-se mais evidente e corrosivo do que nunca.
Existe, no "campus" do PSD, uma situação larvar muito generalizada e que já apareceu à superfície.
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De clark59 a 20.10.2008 às 01:00

Para um blogue que já teve melhores dias, aqui fica a análise de alguém que raramente erra, ainda que (não se) tenha imensas dúvidas. Força Pedro!

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