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Como Mastigar

por Paulo Cunha Porto, em 16.10.08

No Dia Mundial da Alimentação cabem muitas preocupações compreensíveis, mas parece-me que devemos começar pelo princípio, que é meditar sobre a sua universalidade, ainda longe de estar conseguida. Como fazê-lo, sem cair no ressentimento de todas as épocas, de invectivar os saciados por causa dos paroxismos da Carência, ou sem nos enchermos, mas, igualmente, não troçar, das boas intenções expressas em datas certas para alívios de consciências? Mais do que a contemplação das imagens de Horror, sempre possibilitando o efeito contra-producente de fazer virar a cara e não pensar mais nisso, sugiro a leitura do romance «Fome», de Knut Hamsun. Descrevendo o progresso da privação no físico e mente de um ocidental, com os efeitos descritos insistentemente, funcionou em mim como um detonador de pensamento constante sobre este flagelo, sem as distanciações que menorizam ou as paixões furiosas que dividem. Dizia o Sócrates genuíno que a fome é o melhor tempero da comida. Sem dúvida, a experimentada. Mas a apr(e)endida numa leitura não será um bom condimento para a solidariedade não-publicitada?

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12 comentários

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De Margarida Pereira a 16.10.2008 às 18:14

Das fomes, escrevi há uns tempos: "Uma côdea ao teu lado sabe infinitamente melhor do que todos os queijos de França, longe de ti."

As privações, já se sabe, provocam destemperos alucinados...
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De fugidia a 16.10.2008 às 18:28

Ai, Paulo, ao ler este post só me consigo recordar do monstrinho...
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De mike a 16.10.2008 às 18:59

Confesso-lhe que não sei se será um bom condimento, caro Paulo. Não por virar as costas a um assunto que merece ser encarado com seriedade e responsabilidade, ou por defender a posição típica das avestruzes quando o tema é incómodo. Apenas porque a leitura exige uma gestão de tempo que me atira para outras paragens. Contudo a curiosidade associada à sugestão vinda de alguém com reputação inquestionável levar-me-à a passar por uns minutos de degustação numa livraria mais próxima.
Um abraço.
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De Cristina Ribeiro a 16.10.2008 às 19:04

Desaparecerá algum dia este flagelo de entre nós? Não me parece, e se há coisa que aflige, e faz com que voltemos a entrar no supermercado, de onde acabámos de sair, é ver um idoso, com cara de fome...
Beijo
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De Luísa a 16.10.2008 às 20:28

Numa nota um pouco comezinha, Paulo, diria que as iniciativas do Banco Alimentar contra a Fome deviam ser mais frequentes e generalizadas. Ao meu diminuto nível, Paulo, custa-me ser generosa quando há interferência de organizações demasiado sofisticadas, que pedem dinheiro (havendo, como há, desconfianças quanto ao seu destino). O Banco Alimentar é uma excelente ideia e torna tudo tão fácil!
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De Ana Vidal a 16.10.2008 às 21:05

Li-o há anos, e deixou-me uma marca funda. É um livro que impressiona.
Os distúrbios alimentares são dramáticos e ambos os extremos tendem a aumentar, infelizmente, seja por privação ou por excesso. O equilíbrio é sempre tão difícil, em tudo na vida...

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De JuliaML a 16.10.2008 às 22:28


já estive sem ingerir alimmentos vários meses por motivos de saúde. Posso dizer que minha fome era psiquica, daí eu concordar com Sócrates. A partir daí tudo me sabia bem, acabei por desejar e gostar dos alimentos que anteriormente nem gostava.

beijnho, Paulo
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De Paulo Cunha Porto a 17.10.2008 às 08:30

Querida Margarida,
só a Minha Amiga para fazer um "queijófilo" inveterado como eu concordar. Mas não tenho como fugir, pelo que penso estar o (Alto) Espírito do comentário inteiramente concorde com a Etiqueta (do post).

Querida Fugidia,
brinque, brinque, mas o Monstro das Bolachas foi usado tmbém nas campanhas internacionais contra a escassez alimentar. Vi-o no YouTube. Qualquer dia, dado o escaão etário a que, preferencialmente, se dirige, é nomeado Embaixador da UNICEF.

Meu Caro Mike,
a reputação inquestionável é, certamente, oriunda da boa vontade dos Amigos. Mas vale a pena, a narrativa da desnutrição galopante está muito impressivamente empreendida.

Querida Cristina,
claro que o choque entre tanta oferta e a necessidade que nem é procura, por incapacidade aquisitiva, se acentua quando perante crianças e velhos, os grandes desprotegifos sem as exibições chocantes dos aleijões. E no caso dos que estão aparentemente mais perto do fim, pior um pouco, nem a esperança dos começos nos quebra o incómodo.

Querida Luísa,
pelo contrário, é importantíssima a nota que deixa, já que a rapina de alguns que estão em postos-chave na programada Ajuda leva fatalmente a suspeitas que, por sua vez, se metamorfoseiamem desculpas convenientes para o alheamento, mesmo que não-dolosas.

Querida Ana,
ainda bem que foste igualmente sensível ao texto, uma Autoridade em Literatura como Tu. Claro que a alimentação é a fonte de tudo o resto, sendo que os desvios próprios da fartura podem ser tão prejudiciais como os da escassez. Simplesmente, nesta última hipótese há a agravante da inexistência de opção pelos aflitos.

Querida Júlia,
ainda bem que tudo voltou ao normal e, até, melhor do que dantes. Se a Rectidão manda lamentar as faltas em todos os que lhes são sujeitos, os sentidos e o Sentido mais profundo da Estima obrigam a chorá-las ainda mais quando sabidas no corpo maravilhoso de uma Tal Amiga.
Beijinhos e abraço
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De Ana Vidal a 17.10.2008 às 19:32

Se há coisa que não sou, querido Paulo, é uma autoridade em literatura! Já em boa cozinha, não diria o mesmo...
beijinho :-)
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De Paulo Cunha Porto a 17.10.2008 às 21:19

Peço desculpa, Querida Ana, mas devem ser os outros a julgá-lo
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De Rudolfo Moreira a 17.10.2008 às 15:41

Uma tristeza lembrar que o escritor que descreveu bem as perturbações psíquicas acabou submetido a electrochoques
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De Paulo Cunha Porto a 17.10.2008 às 17:55

Isso, Caro Rudolfo, é outra loucura, a da política.
Abraço

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