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Coros de Corar

por Paulo Cunha Porto, em 16.10.08

Sem me considerar um portento de desportivismo, tenho de confessar aqui uma das virgindades que me restam: nunca assobiei uma equipa, ou a execução de um hino, num estádio de futebol. Marcado pela provocação desejabilíssima de Bacall a Bogart, penso que os assobios merecem melhores causas. E do Serviço Militar ficou-me o hábito de respeitar a Música Nacional, tanto a nossa como a alheia. Costumo levantar-me e descobrir-me no momento em que ambos são tocados, esboçando, tão discretamente quanto posso uma posição de sentido, quando se inicia o nosso.

Vem este arrazoado como prólogo a um juízo sobre a reacção dos principais políticos franceses às assobiadelas que a Marselhesa suscitou, antes de uma jogatana de selecções, a imigrantes Tunisinos e seus descendentes. Tenho a convicção entranhada de que os povos que sabem reagir contra o insulto aos seus símbolos estão um bocadinho mais longe da Decadência, por pouco agradáveis que nos possam ser. Assim com as punições da dessacralização da bandeira e o entoar extático do Star Spangled Banner, nos Estados Unidos. E o festival dito chauvinista que, volta e meia, vem de Paris e que, em tempos, se voltou contra Serge Gainsbourg.

A presente indignação é que não demonstra grande jeito. Doravante, sempre que se queira evitar um embate com a poderosa equipa dos Bleus, basta esboçar uma vaia. E o pior é não se aperceber de que um hino republicano e jacobino não é propício a gerar sentimentos de consideração daqueles que não integram a Nação na concepção revolucionária que, infelizmente, imprimiu. Como esses nascidos em França cheios de ódio contra o País de acolhimento aos pais, que sentem a fidelidade à Pátria transplantada para raízes mais longínquas, de que se consideram herdeiros. A sua integração foi um falhanço da República tão grande como a imposição das armas revolucionárias à Europa na derrocada do Império Napoleónico. E com muito menos glória, aquela que, sobre as paradas, faz a simbologia desfazer-se em fumo.

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12 comentários

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De Anónimo a 16.10.2008 às 13:21

Eiroses do mar
Nozes podres...
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De Paulo Cunha Porto a 16.10.2008 às 13:57

Claro que a truncagem de «A Portuguesa» teria fundamentação histórica, Caro Anónimo. No poema originário, na carne viva do Ultimatum, "Contra os canhões" não era "Contra os Bretões"?
Abraço
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De mike a 16.10.2008 às 14:12

Bons hábitos esses que lhe ficaram, caro Paulo. Já o assobiar (nunca, jamais o hino), espero nunca ter de o fazer passar a vergonha de ir comigo ao futebol. Já os "franceses" assobiarem a Marselhesa, tem que se lhe diga. Mas não se costuma dizer cama que fizeres, nela te deitarás?
Abraço.
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De Paulo Cunha Porto a 16.10.2008 às 14:30

Ora nas aspas e na cama que o Amigo Mike aduz é que, por inteiro, bate o ponto! Ao forjar um conceito agressivo de Nação, diferente do da comunidade de povos distintos vivendo habitualmente sob a regência de um soberano comum, estava aceso o rastilho para ricochetes destes.
A justificação do empate/derrota de ontem está uma delícia. E quanto a assobiar atletas, vamos combinar uma ida a uma joga de futebol feminino? Creio que O não deixarei ficar mal...
Abraço
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De Paulo Cunha Porto a 16.10.2008 às 14:35

Pedindo desculpa aos Leitores, chamo a atenção para o facto de a minha resposta ao Mike, logo acima, encerrar também a contestação ao que Ele nos deu a ler no meu post sobre a retirada do Presidente da Federação, albanizado qb.
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De fugidia a 16.10.2008 às 18:31


O meu comentário do almoço não ficou (choro convulsivo)
E dizia eu que se me ensinassem a assobiar com os dedos, a convite do PCP e do MM iria ver um jogo de futebol e assobiaria por nós dois, Paulo
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De Paulo Cunha Porto a 17.10.2008 às 08:35

Um comentário (i)moderado? Não me diga, Querida Fugi! Talvez o castigo de Deus por esses silvos que ou expressam Ira ou Luxúria...
Beijinho
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De Carlos Portugal a 16.10.2008 às 15:41

Perfeitamente de acordo, Caríssimo!

Abraço e calorosas saudações monárquicas!
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De Anónimo a 16.10.2008 às 15:52

Será que ao sr. Porto resta a virgindade de nunca ter ido à Festa do Avante?
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De Paulo Cunha Porto a 16.10.2008 às 17:29

Meu Caro Carlos Portugal,
sinto-me sempre fortalecido com o aval do Meu Querido Amigo. É tempo de desmascarar as alterações que, fazendo-se arrogantemente passar por Progresso, fizeram regredir as Comunidades.

Caro Anónimo,
até essa iniciação sofri, num momento de fraqueza, na Juventude, no modelo anterior do Evento. Tinha três Amigos próximos, Comunistas militantes. Hoje, acho-me sem nenhum. Não porque tenham falecido, ou eu deixado de os prezar. Antes pela banal razão de terem saído do Partido, efeitos da Queda do Muro. O único PCP a que se mantiveral leais foi este seu criado.
Abraços
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De Luísa a 16.10.2008 às 20:07

Coloca-me um interessante dilema, Paulo. Sempre achei que a tolerância também tem a ver com aceitar que os outros riam ou contestem os nossos símbolos. Mas, ao mesmo tempo, concordo consigo que as sociedades que são susceptíveis ao ataque aos seus símbolos e saltam em sua defesa parecem menos decadentes. Será que a tolerância – que pressupõe, sem dúvida, amadurecimento – deve conjugar-se com decadência. Tenho de pensar nisto… ;-)

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De Paulo Cunha Porto a 17.10.2008 às 08:38

Qerida Luísa,
permita-me um mote, como achega: o entendimento que mencionou estará muito certo para a simbólica pessoal. Na comunitária já não deve ter lugar, porque o que seria egotismo no primeiro caso, aqu transforma-se em apego a laços louváveis.
Beijinho

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