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A mordaça envergonhada

por Pedro Correia, em 13.10.08

 

“Há três semanas que tenho esperado dela uma intervenção de fundo, como tiveram os líderes das oposições em Inglaterra e Espanha. [Ela] tinha condições únicas para isso. Os portugueses esperam que fale da crise, que dê confiança, que convide o primeiro-ministro a conjugar esforços com os partidos da oposição, como disse [David] Cameron em Inglaterra e muito bem. Ela tem um estilo e uma estratégia que não contavam com a crise. Mas a crise é a crise. Não percebo como ela e a sua direcção política não perceberam qual era a intervenção política que os portugueses esperavam dela.”
Palavras duras e cáusticas visando Manuela Ferreira Leite. Palavras ontem pronunciadas por Marcelo Rebelo de Sousa no seu programa de análise semanal na RTP, agora estupidamente amputado por decisão da ERC, com a sua inefável fita métrica. Como se fosse possível comparar Marcelo, que não hesita em criticar as sucessivas direcções do PSD, com António Vitorino, que jamais belisca José Sócrates. Estranha concepção de pluralismo esta, que mete no mesmo saco o simpático mas disciplinado socialista e o social-democrata que é um dos espíritos mais livres da política portuguesa. Como se estivesse a comparar tempos de propaganda em antena.
Significa o que escrevi acima que Manuela Ferreira Leite não merecia ouvir o que Marcelo disse dela? Nem por sombras. A crítica foi bem merecida. Significa apenas que não é possível comparar o incomparável, como a ERC faz. Ao cortar parcialmente o comentário de Marcelo, um dos melhores comunicadores da TV portuguesa, mostrou-se uma digna herdeira da escola Rui Gomes da Silva. Ainda por cima, uma herdeira envergonhada: em vez de o calarem por completo, os cronometristas da ERC calaram-no por metade. Talvez na secreta esperança de que Marcelo desista sem que eles fiquem com o ónus oficial de lhe terem posto a mordaça.

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15 comentários

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De Mialgia de Esforço a 13.10.2008 às 17:40

E o tempo de antena do Governo em contraponto com o da Oposição? A ERC não contabiliza?

Confesso que não aguento António Vitorino mais que 2 minutos de cada vez. Lembra-me o Humpty Dumpty.
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De Manuel Leão a 13.10.2008 às 18:05

Dois minutos a ouvir o Vitorino?

Tirando a entrevistadora, você deve ser recordista.

Mas que quer? Alguém se lembraria de Vitorino se não fosse esta intervenção na televisão?

Dele, a quem já designaram como reserva estratégica do PS?
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De Paulo Cunha Porto a 13.10.2008 às 18:27

Meu Caro Pedro,
inteiramente de acordo Contigo e com os Dois Grandes Comentadores iniciais, quanto à argolada da ERC.
E não vai servir de nada, Alguém acredita que Marcelo deixe de atirar as suas espectaculares farpas, por ter menos tempo? Até o vai beneficiar, ao obrigá-lo a uma formulação que entre muito mais no ouvido do telespectador, o qual, em Portugal, não consegue concentrar-se durante muito tempo, bola excluída.
Abraço
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De José Manuel Faria a 13.10.2008 às 18:41

Marcelo é mil vezes superior a Vitorino e seu "riso contagiante", ele e Judite parecem estar numa boa tipo converseta de café
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De Pedro Correia a 13.10.2008 às 18:59

Também acho, Paulo. Marcelo só pode beneficiar de cada vez que pretendem silenciá-lo, com argumentos políticos ou 'administrativos'.
Abraço
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De PDuarte a 13.10.2008 às 18:34

de acordo.
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De PDuarte a 13.10.2008 às 18:41

mordaças. até aqui nos blogues as há. há um Rui Gomes da Silva em cada canto. uma ERC em cada esquina. aqui todos somos um pouco exame prévio de tudo e de todos.
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De Antifascista de Gema a 14.10.2008 às 14:01

Será você...
Donde lhe vem o direito de nos meter a todos nesse saco?
Ora, ora...
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De Ana Pereira a 13.10.2008 às 18:55

Considero que a atitude da ERC em relação a MRS é um completo disparate e uma injustiça.No programa o professor apresenta primeiro os livros e como sabem há poucos programas a apresentar e comentar sobre livros publicados,portanto só a partir do fim da apresentação é que podiam comparar o tempo com o de António Vitorino.Mas mesmo assim não faz sentido este tipo de comparações para avaliar o pluralismo de uma estação de televisão,a avaliação tem que ser feito no global e não programa a programa.Não sendo eu do PSD gosto bastante das escolhas de Marcelo porque o Professor é um comunicador excelente,racional e procura ser isento,caracteristicas que poucos comentadores tem neste país.
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De Pedro Correia a 13.10.2008 às 19:01

Pois, Ana. Marcelo não pode ser comparado porque... é incomparável.
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De André Salgado a 13.10.2008 às 19:27

Caro Pedro Correia,

Totalmente de acordo. As métricas da ERC não são de todo aconselháveis, até porque encerram labirintos do absurdo. Se Marcelo for crítico com o PSD ou elogioso para com o PS, deveria ser-lhe acrescido tempo?
Ou, como se debateu há algum tempo, se uma peça televisiva for pouco lisonjeira para o Governo, deverá contar como tempo de cobertura ou de penalização ao Governo?

No entanto, e porque já sabemos o que a casa gasta, tivesse Vitorino um programa de 45 minutos de tempo de antena contra os (anteriores) 30 de Marcelo, e aposto consigo que os mesmos que apontam agora o absurdo viriam mostrar incomodidade pela escandaleira do favorecimento partidário e da não intervenção da ERC.

Cumprimentos

André Salgado
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De Pedro Correia a 13.10.2008 às 20:33

Meu caro André: ouvir AV 45 minutos a falar ininterruptamente seria algo muito próximo do pesadelo...
Cumprimentos.
Volte sempre.
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De PALAVROSSAVRVS REX a 14.10.2008 às 03:27

Concordo inteiramente, caro Pedro. A ERC é uma triste detentora dos velhos tiques servis da incompetência e anda fragilizada e decaída com a falta de gravadores. A última brincadeira das versões que contraditam versões prova-o confrangedoramente.

Marcelo terá de aturar estes aprendizes de parvos e a história repete-se com direito a upgrade e a versão subtil. É sempre um feitiço traiçoeiro limitar nos últimos tempos o que esteve sem limites durante tanto tempo. Multiplicada estranheza.

Quanto a Kiwi Vitorino é ele uma espécie de órgão vivo do PS, um pára-choques e uma reserva natural, espécie protegida para o futuro com a sua explicacionisse e contorção argumentária ao serviço de Deus e do Diabo.

Depois do seu celebérrimo 'habituem-se' o desaparecimento do social nas políticas foi mais rápido que a perda dos empregos até a realidade mostrar que quem se deve habituar é ele, irónicas lições que a crise tece.

Manuela precisa de espora. É tarde. Falou em pequenos fóruns. Não é capaz de grandes e populares fóruns. Está tramada porque verá avolumarem-se as vozes que contestam a sua branda inexistência engomada cheia de concordâncias estratégicas e nenhuma ruptura que se perceba.
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De clara martins a 14.10.2008 às 09:09

Não é verdade que Marelo seja melhor comunicador do que Vitorino. Também não é verdade que Vitorino não critique o governo, já o tem feito várias vezes. Por outro lado, Marcelo está a ficar um pouco indigerível. Além disso, Marcelo é intelectualmente desonesto , coisa que Vitorino não é. De qualquer maneira, a ERC entendeu que não se justificava um programa tão longo de uma figura partidária (PSD) e eu concordo. Porquê este privilégio?
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De Anónimo a 14.10.2008 às 14:05

Você pode ser Martins, mas Clara tenha lá paciência...

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