Se fosse feia e tivesse mais dez anos (creio que não seria necessário envelhecê-la mais), enfim, se ao lado de McCain não parecesse ainda uma menina e se essa circunstância, somada à sua desenvoltura e beleza não fizesse dela “uma gracinha”, nesta recta final das eleições americanas McCain já estaria arrumado.
O facto de já ser avó e mãe de uma vasta prole em nada reduz este efeito refrescante na candidatura republicana à Casa Branca, bem pelo contrário. Qual Madonna, Sarah Palin suscita admiração por desmentir a idade que efectivamente tem em cada um dos seus gestos.
Aparentemente, as suas ideias ultraconservadoras que – caso fosse velha e feia a envelheceriam ainda mais aos olhos de todos – não têm afugentado os eleitores que não se revêem na sua concepção do mundo.
Mas no caminho para Hollywood, perdão, para Washington a “concepção do mundo” dos candidatos a líderes... do mundo não é, em definitivo, o mais relevante.
Estamos em desacordo, como já esperava, Teresa. Foi mera coincidência temática, garanto, mas não deixes de espreitar a sugestão que faço acima.
Espreitei, Pedro, mas lamento informar-te que continuo na minha. A eficácia política de Palin está na forma e não no conteúdo e isto é válido também para o discurso político. Nós cá pelo burgo também sabemos muito bem do que se fala quando se fala da eficácia (dos que trabalham a comunicação e imagem) do actual governo...
Os ultraconservadores nos EUA não têm a expressão que as tendências de voto em Palin revelam e esse é um facto que corrobora a minha tese. Há muita gente que pensa votar nela não porque goste do que pensa mas porque se deixou fascinar pelo embrulho.
Já os que pensam votar Obama, esclarecidos até à medula, não é por causa do bom aspecto do rapaz nem por falar tão bem. É só por causa das ideias. Mais nada.
De maria a 14 de Setembro de 2008 às 14:10
Nem mais. A vida dessa senhora representa tudo aquilo contra o que tive de lutar para ser minimamente livre de cabeça . O discurso religioso , o discurso deus pátria familia , o discurso da intolerância , as armas ..um retrocesso civilizacional e peras.
De JJ a 14 de Setembro de 2008 às 14:23
Hoje é sexta-feira?
Querida Teresa,
penso que tem razão, como o Pedro também a tem. Claro que é a forma que conta mais para o grande Centro do eleitorado Norte-Americano. Mas é assim também com Obama. As franjas mais ideologizadas acabam, mesmo resmungando, por votar no que lhes esteja mais próximo. Ou p embrião da Coligação Cristã não foi direitinho votar em Bush Pai, o Presidente mais à Esquerda desde Kennedy?
Da mesma forma, por lá se elegem frequentemente políticos a contrapelo dos valores dos Eleitores, porque os homens são o que conta mais. O Dakota do Norte tem dois Senadores bem gauchistes, pese ao entranhado conservadorismo da população. O oposto se pode dizer, de certa maneira para o New Hampshire.
Mas ainda vou fazer uma brincadeira sobre a imagem da Sarah, verá.
Beijinho
Só para informar que a imagem reproduzida é falsa, foi «produzida» em photoshop por uma blogger norte-americana.
De
JMI a 14 de Setembro de 2008 às 15:37
Como gostava de ter escrito cada uma das letras deste post... melhor era impossível.
De
jonasnuts a 14 de Setembro de 2008 às 17:08
"Se fosse feia e tivesse menos dez anos"
Menos 10 anos ou mais 10 anos?
Pedro e Paulo: Claro que também é a imagem que conta acima de tudo no caso de Obama. Nunca disse o contrário. Também achei extraordinária a sua ascensão logo no início da campanha, dada a sua limitada experiência (eu torcia por Hillary). O que eu contesto é a forma como alguns simpatizantes de Palin a comentam. Fazem-no como se fosse da substância que estivessem a falar, quando me parece óbvio que tal como muitos eleitores americanos, estão só a reagir ao seu charme e simpatia (Lamento dizer mas penso que é este o caso do Pedro. Será também o seu, Paulo?)
Gabriel Silva - De facto não sabia que a foto tinha sido manipulada...
Obrigada, JMI e Jonasnuts (pela correcção, que já fiz)
Só posso falar por mim. Achei fulgurante a intervenção dela, na convenção republicana, sacudindo a moribunda campanha de McCain. Escrevi isso horas depois, aqui. Quase ao mesmo tempo, a democratíssima Camille Paglia alertava: "Esta mulher ainda chega a presidente dos EUA". Nem no meu caso, e suponho que nem no da Camille, este apreço teve alguma coisa a ver com o facto de a senhora ter um lindíssimo sorriso e um belo par de pernas, como é óbvio.
De Z a 15 de Setembro de 2008 às 00:24
O efeito Palin , ao contrário do que gostam de dizer, tem pouco a ver com a sua figura.
Se ouvir o discurso de Pallin na Convenção Republicana verá que ela discursa tão bem como o Obama , com a diferença de que tem ideias.
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O efeito Palin , ao contrário do que gostam de dizer, tem pouco a ver com a sua figura. <BR><BR>Se ouvir o discurso de Pallin na Convenção Republicana verá que ela discursa tão bem como o Obama , com a diferença de que tem ideias. <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>Palin</A> têm as qualidade do Obama (juventude, pertencer a um grupo discriminado, dons oratórios) com a vantagem de ter substância e não esta desgastada por meses de campanha.
De
Ana Vidal a 15 de Setembro de 2008 às 01:34
Acho que todos têm razão (Teresa, Pedro e Paulo). Foi pela forma, e não pelo conteúdo, que Palin foi escolhida como arma dos republicanos nesta campanha. E é também de forma que falamos quando nos referimos a Obama, pelo menos por enquanto.
Tudo nas campanhas americanas é pirotecnia, e ganha quem tiver os fogos de artifício mais espampanantes. De artifício, repito. Depois, na governação, a conversa é outra... mas ainda não chegámos lá.
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