Terça-feira, 15 de Julho de 2008
Não se deixem iludir: é tudo política
José Sócrates sacrificou o ministro Correia de Campos, em Janeiro, para tranquilizar Manuel Alegre. Substituiu o titular da pasta da Saúde, alvo principal das críticas de Alegre, por Ana Jorge, que fora apoiante da candidatura do poeta a Belém. Com isto, procurou calar o incómodo socialista. Azar: o efeito foi precisamente o contrário. Alegre percebeu então, melhor que nunca, até que ponto pode condicionar a acção política de Sócrates com uma simples frase tonitruante. Isto nada tem de poético. É tudo política. O primeiro-ministro que diz não recear Jerónimo de Sousa nem Francisco Louçã receia seriamente Alegre – ameaça real ao Governo PS não por ter escrito a “Trova do Vento que Passa”, mas por ser um sério caçador de votos. Mário Soares que o diga.
A remodelação de Janeiro, momento supremo de fraqueza de Sócrates, foi um erro político que o chefe do Executivo está a pagar caro. E com juros elevadíssimos.
Como diria o general De Gaulle, “as coisas são o que são”.
"O ministro embaciado
Um velho transmontano morre no hospital de Vila Real, onde permaneceu em condições indignas e recebeu alta de modo aparentemente irresponsável, vindo a ser internado novamente horas depois - já demasiado tarde. O ministro da Saúde, numa das múltiplas entrevistas que deu nos últimos dias na vã tentativa de limpar a sua imagem irremediavelmente embaciada, disse ontem na SIC que se tratou de um "pequeno acontecimento" enquanto recomendava mais "responsabilidade ética" aos órgãos de comunicação.
Correia de Campos preferia que notícias como a de Vila Real fossem silenciadas. Azar dele: não são. E a morte de um ser humano, lamento informá-lo, nunca é um "pequeno acontecimento". Sobretudo quando ocorre nas lamentáveis circunstâncias em que este ocorreu." - 27/Janeiro/2008
"O ministro embaciado fora do Governo
José Sócrates, num assomo de lucidez, decidiu afastar do Governo o ministro cuja imagem estava irremediavelmente embaciada. Já começa a cheirar a eleições. E o que tem que ser tem muita força." - 29/Janeiro/2008
Estes 2 posts foram colocados por si, aqui neste blogue. Não percebo como, agora, acha que: "A remodelação de Janeiro, momento supremo de fraqueza de Sócrates, foi um erro político que o chefe do Executivo está a pagar caro. E com juros elevadíssimos."
As coisas são o que são. E as pessoas também...
Sofia, o erro político de Sócrates foi fazer uma "remodelação" cirúrgica pensando com isso que apaziguaria Manuel Alegre e a sua corrente crítica. Com isso limitou-se afinal a dar-lhe ainda mais alento, ao contrário do que supunha.
Julguei que tivesse sido claro no meu raciocínio, mas devo ter julgado mal, face à sua perplexidade. Ministros "embaciados", que deveriam ser substituídos numa verdadeira remodelação, ampla e sem pensar em facções, não faltam. Do Manuel Pinho ao Jaime Silva, passando pelo Mário Lino, que não "ota" nem "desota".
De Anónimo a 16 de Julho de 2008 às 00:02
Claro que críticas internas, ainda por cima feitas por um histórico do PS, incomodam muito mais
De
tricPSD a 16 de Julho de 2008 às 00:41
sera que as reservas de Manuel Alegre quanto ao TGV vão ser alvo de escarnio e mal-dizer na nossa comunicação social , ou melhor ainda , como sera que a comunicação social vai tratar mais esta divergencia interessante no interior do PS ?
De A Voz do Anónimo a 16 de Julho de 2008 às 09:40
O poeta não passa de um cromo da política, daqueles que nela estão há décadas e dela mamam e mamam e mamam.
Quantas vezes já votou com a sua bancada e entregou uma declaraçãozinha de voto, ficando caladinho?
Quantas vezes já faltou cirurgicamente ao plenário da AR?
E a propósito, em que deu o MIC? Serve para alguma coisa?
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