Sexta-feira, 29 de Dezembro de 2006
A vida humana é um valor absoluto
No domínio dos valores, não devemos ser relativistas. Para mim, a vida humana é um valor absoluto: sou radicalmente contra a aplicação da pena de morte. A sentença capital decretada ao ex-ditador iraquiano Saddam Hussein - por mais execrável que tenha sido o seu regime e por maior "canalha" que ele próprio fosse no exercício do seu poder despótico, para usar esta expressão cara à eurodeputada Ana Gomes - fere os mais elementares princípios civilizacionais, tornando os seus juízes e os seus algozes numa espécie de equivalente moral do antigo tirano de Bagdade. Nenhum dos crimes cometidos por Saddam, por mais repugnantes que tenham sido, poderá ser reparado com a sua execução, ditada pela "justiça dos vencedores", neste caso equivalente a pura vingança, mesmo que camuflada pela necessária respeitabilidade de um tribunal. Não devemos ser magnânimos com os ditadores, mas devemos ainda menos imitá-los nos instintos carniceiros. O respeito por uma vida humana, seja ela qual for, deve funcionar sempre como linha divisória entre a civilização e a barbárie. E não me venham dizer que tudo isto é relativo. Porque não é.


publicado por Pedro Correia às 20:57
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14 comentários:
De antihipócritas a 1 de Janeiro de 2007 às 13:08
A vida humana é um valor absoluto

- É pá já viste aquilo na televisão?
- O quê, o Sócrates no Brasil com o amigo da Agricultura?
- Não, pá! O enforcamento chocante do Saddam...
- Ah sim, já vi! Já se esperava...
- Já se esperava uma ova! Não me venhas cá com teorias parvas...não me digas que és a favor da morte do homem?
- Então não havia de ser?! Um bandido daqueles que se fartou de matar gente, alguns até enterrados ainda vivos e vens para cá com defesas da vida, e tal, e tal, e tal, só conversa de demagogos e de hipócritas...
- É pá vai-te lixar! A vida humana é um valor absoluto!!! Ninguém tem o direito de tirar a vida a ninguém! Não me lixes, pá!
- Ai não? Então, ouve cá. Tens uma filha de quatro ou cinco anos, não é?
- Tenho, pá. Com cinco aninhos, lindíssima, uma gracinha, com uns caracóis mesmo iguais à mãe, é uma doçura, adoram-na lá no infantário, eu adoro-a, é a minha razão de viver, pá! Faço tudo por ela, a minha queridinha Joãozinha...
- Mas, o que é que tu fazias a um gajo que te violasse sexualmente a miúda?
- É pá...matava-o logo!!!


De Pedro Correia a 30 de Dezembro de 2006 às 17:15
Sónia, como é óbvio, só posso estar de acordo contigo.


De Anónimo a 30 de Dezembro de 2006 às 16:46
Totalmente de acordo Pedro.
Marta C


De Anónimo a 30 de Dezembro de 2006 às 13:01
Saddam podia ser aquilo que realmente foi- um ditador, que manchou as maos com o sangue de quem tentou contrariar o seu regime. No entanto, a sua morte, para mim, nada teve de democratica.Nao estou a defender o homem que tantos matou no seu país. Estou apenas a deixar aqui um desabafo sobre o que me ficou de todo o seu processo de julgamento. Advogados e outros mortos marcaram o seu julgamento, que já por si estava contaminado por uma ditadura ocidental ue vive escondida sobre o nome da suposta democracia. Nao creio que este homem teve um julgamento justo.A sua morte por enforcamento so tem uma unica leitura. Ai daquele que de forma onsciente ou inconsciente se atravessa no caminho dos objectivos dos EUA.
Sonia T.


De Pedro Correia a 30 de Dezembro de 2006 às 12:37
Obrigado a todos - da Sofia ao Ergela - inclusive aos que discordam de mim. Este blogue é um espaço de liberdade e de permanente confronto de ideias.


De ergela a 30 de Dezembro de 2006 às 11:21
Execelente a fotografia escolhida pelo paradoxo.


De ergela a 30 de Dezembro de 2006 às 11:19
Caro Pedro,não posso estar mais de acordo,por muito carniceiro que tenha sido(lembro que matou entre outros a propria mulher e um meio irmão com as proprias mãos, para além daqueles que mandou matar)nada justifica a pena de morte,mas esta já era uma morte anunciada até pelos "códigos de ética" americanos que precisavam de Saddam morto para justificar a ocupação e a mentira que foi a ocupação do Iraque.E Bush será que tambem será julgado pelos seus crimes em nome da suposta liberdade e segurança do povo americano?Não será o principio da guerra civil Iraquiana?E a culpa da EU pelo seu silêncio?O acesso ao petroleo das grandes empresas perdadoras americanas não justifica todo.

Que Deus (e o nosso Deus tambem é o dele, lembro)lhe perdoe.

Um abraço e um excelente Ano de 2007 para si e familia.


De tamagoxi a 30 de Dezembro de 2006 às 00:41
Estou de acordo com todo o que dizes eu
Também sou contra a pena de morte


De Nuno Ivo - Jornalista Frilance a 29 de Dezembro de 2006 às 23:52
Portugal, um país que constitucionalmente se opõe à pena de morte, empenhou tropas da GNR em missões que poderiam ter conduzido à captura de Saddam. Bem podem Paulo Portas e Durão Barroso bater com a mão no peito opondo-se à pena de morte, que têm as mãos sujas com sangue e ninguém lhas limpa. Tudo fizeram para apoiar a invasão iraquiana e nunca os ouvi - tão amigos de Rumsfeld e de outros da sua clique de torcionários e sempre dispostos à exibição- intercederem junto do poder americano, em defesa do ex-ditador iraquiano.

Nuno Ivo jornalista frilance


De f.mad. a 29 de Dezembro de 2006 às 23:31
Um dia, toda a gente chegará a um entendimento mínimo sobre o que é a essência da civilização: o direito à vida e a liberdade de expressão. Tudo o mais se pode discutir...


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