Nunca fui grande frequentadora de hipermercados. Fazem-me andar mais do que eu quero, perder mais tempo e sobretudo gastar mais dinheiro do que desejo. No entanto, confesso, houve ocasiões em que lhes senti a falta. Quando? Ao domingo. Porquê? Porque ao domingo o comércio local fechava e durante muito tempo nem os supermercados de desconto estavam a funcionar. No meio desse deserto total vociferei muitas vezes contra os superiores interesses do pequeno comércio que conseguiu fazer valer os seus pontos de vista e manter essa frente de concorrência desactivada.
Agora, que a discussão regressou, eis que a Igreja se envolve anunciando o seu veto relativamente à abertura dos hipers ao domingo. Não quis acreditar. Se a imagem bíblica da luta de David contra Golias serviu para me apaziguar no passado os rancores de consumidora lesada nos seus direitos, agora não há espírito cristão que me valha.
O argumento é que o domingo deve ser reservado para a família e que a abertura das grandes superfícies constituem uma séria ameaça a esse convívio. Valha-me São Continente! Quando é que a hierarquia católica aprende a exercer a sua influência em liberdade, respeitando o direito de cada um a pecar, a ser um mau católico, a não ser sequer católico, a enfim, viver de acordo com um conceito também ele caro à Igreja e que se designa por livre arbítrio?
Como quem diz, talvez deixar de existir...
Voto sim aos Domingos nem que seja para chatear a igreja.
João: Segundo a notícia que li no Público e que suscitou este meu post, D.Januário Torgal Ferreira e a cooordenadora da Liga Operária Católica manifestaram-se contra a abertura dos hipers ao domingo. Compreendo que a Igreja aconselhe os seus fiéis a passar mais tempo em família e a frequentar menos os hipermercados; não compreendo que se pronuncie pelo seu encerramento ao público. É uma questão de princípio, João.
Além de que, deixe-me dizer-lhe, parece-me ridículo afirmar que a abertura dos hipers ao domingo constitui uma ameaça para as famílias.
A Igreja pode e deve intervir na sociedade, mas não assim!
De Maria a 3 de Maio de 2008 às 20:06
Nascida em 1979, sempre me perguntei como seria possível viver no tempo em que não se podia falar ao mundo sobre tudo o que se quer. Com o tempo vim a descobrir que, afinal, o antes e o depois é sempre igual, muda apenas os DVDs e as Tvs a cores e quem é que pode falar sobre aquilo que entende.
Será que a Igreja é a única entidade que não tem direito à liberdade de expressão? Substituir-se às funções do Estado na ajuda aos pobres, pode. Criar as melhores escolas que geram os melhores profissionais do país, pode. Agora abrir a boquinha é que já parece que não!!!...
Eu tb sou consumidora. Tb gostava mto de poder comprar tudo às horas que entendesse e que me desse jeito. Gostávamos todos!...
Mas pergunto se já pensou que para os hipermercados e os centros comerciais terem esses horários absurdos, há pessoas que não podem ter uma vida normal? Já pensou em quem lá trabalha? Essas pessoas não têm direito ao descanso em família? Tem que haver ponderação em tudo. E não podemos andar permanentemente a pensar que os nossos umbigos são o centro do mundo, porque o não são. Há outras pessoas, que não têm que ser obrigadas a trabalhar domingo até à meia-noite para poder sobreviver, sem poderem ver os filhos no tempo em que não estão na escola, só para que outros possam ir comprar iogurtes às horas a que lhe apetece... E por isso é natural que a Igreja não defenda sempre as mesmas perspectivas que a Exma. Senhora D. Teresa Ribeiro, porque se rege por outros valores, tais como a família e a defesa dos mais fracos.
E acho que nos devíamos habituar todos a respeitar a opinião dos outros.
De Anónimo a 1 de Maio de 2008 às 18:59
Confundir o bispo Januário e a LOC com a Igreja é insultar a Igreja, minha senhora.
De
Mike a 1 de Maio de 2008 às 19:06
Abre os olhos pastor, que o rebanho está a fugir. E assim, vai continuar a fugir...
Não há que preocupar-se !!!!
A igreja já tem um pastor alemão !!!
Cara Teresa: Não nos explicou o por quê de um bispo e uma organização católica não podererem assumir as suas posições sobre uma questão de interesse publico e social. Aliás se a Teresa colocasse um link no texto à noticia, estou certo que os leitores entenderiam a questão: trata-se tão de uma discussão e de opiniões de alguns elementos da igreja, duma igreja que é plural. O resto é só a provocação, o que fica.
João, claro que eles podem assumir as suas posições. Sou pela liberdade de expressão. Lamento é que sejam as que referiram em entrevista. Só isso. Quanto ao link, estou em dificuldades. O artigo, que estava no Público - ùltima hora foi substituído por outro que lhe dá sequência. Provavelmente só amanhã quando, presumo, o passarem para a edição em papel é que o poderei linkar...
Felizmente que estas duas opiniões não esgotam as da Igreja, mas trata-se de dois responsáveis de relevo, com influência e responsabilidades na hierarquia católica. Daí que as suas opiniões possam ser objecto de crítica. Certo?
Claro que todos estamos sujeitos à critica, eu que o diga.
De mf a 1 de Maio de 2008 às 21:15
Eu entendi que a igreja pede isso para que os que trabalham nos hiper ao domingo possam passar o dia em familia . Esquecem claro , que muita gente não gosta de folga ao domingo ( falo por mim , por exemplo) ; e esquecem também os médicos , enfermeiras , padeiros e tal , mas pronto .
De Rom_8 a 1 de Maio de 2008 às 22:54
Os senhores da igreja que falaram põem-se do lado daqueles que não podem passar os fins de semana com os filhos porque têm de trabalhar.
Claro que a D. Teresa perceberia isso se estivessse nessa situação. Como pelos vistos não está tem dificuldade em perceber.
Pois, mf, esse argumento não faz sentido. Há muitas profissões que implicam ter que trabalhar ao domingo.
De Anónimo a 2 de Maio de 2008 às 16:50
Claro que há profissões que têm que ser desempenhadas 7 dias por semana, 24 horas por dia. Como o caso de um médico num hospital.
Mas querer comparar essa necessidade com a de uma funcionária de uma grande superfície não tem sentido nenhum.
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