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Transparência

por João Távora, em 24.09.17

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Um grupo de cidadãos contestou a nomeação do Embaixador Seixas da Costa para o Conselho Geral Independente da RTP por considerar que a nomeação está ferida de ilegalidades diversas e de inconstitucionalidade. O mesmo sucede com o documento emitido pela ERC. Esta entidade tinha a obrigação legal de emitir um parecer, negativo ou positivo, e eximiu-se a fazê-lo. O jurista Ivo Miguel Barroso enviou para a ERC este requerimento e reclamação, sobre o qual a ERC terá de se pronunciar. Um assunto que merece a nossa atenção. 

 

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Catalunha

por João Távora, em 23.09.17

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Ao contrário da maior parte dos comentários que leio por aí, não entendo que o governo de Madrid perante a situação da Catalunha tenha uma saída airosa. Todas as opções possíveis são de perda, e a da negociação política para uma revisão constitucional que autorize um referendo à secessão irá abrir uma caixa de pandora que inevitavelmente a prazo comprometerá  a unidade da Espanha. Curioso é verificar como a esquerda simpatiza sempre com o nacionalismo quando este for disruptivo quanto ao status quo (revolucionário). Aliás o nacionalismo moderno (não orgânico) tem as suas raízes na revolução francesa e como sabemos é território dos mais assustadores fanatismos. Não podemos estar tranquilos.

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David Dinis, André Ventura e os outros

por henrique pereira dos santos, em 22.09.17

O título do editorial do Público do dia 20 é luminoso: "Teríamos de falar sobre André Ventura. Hoje é o dia".

Li, reli e voltei a ler. Não queria mesmo acreditar que falar ou não falar de um candidato autárquico justificasse um editorial e um editorial a procurar justificar a opção do jornal em falar do candidato.

"O primeiro erro é sempre o mesmo: dar palco a um populista é dar palco a uma polémica".

"O segundo erro é o inverso: fingir que não existem".

"O terceiro erro é ignorar quem está do lado de lá".

"Só não podemos cair [no erro] capital: o da indiferença, o do medo de explicar".

Qual é então o problema com Ventura, que leva o jornal a ter tantas dúvidas?

"Um candidato primário que não mede fronteiras ou consequências ... tudo o que Ventura faz é puxar pelo pior dos homens sem se colocar no lugar do outro, é construir muros, no lugar das pontes que lhe cabia levantar".

Compreendo o problema.

Por exemplo, um agente político que pretenda distinguir acumulação de riqueza de poupança, com o objectivo de aumentar impostos, sem medir fronteiras e consequências, puxando pela pior inveja dos outros, sem nunca se pôr no lugar dos que duramente conseguem poupar parte da riqueza que criaram, será, seguramente, um agente político que o Público e David Dinis tratarão como André Ventura, é isso?

Outro exemplo, um agente político que diga que a austeridade é uma escolha ideológica, com o objectivo de obter o poder, sem medir fronteiras e consequências, puxando pelo ressentimento dos eleitores atingidos pela dureza de um processo de ajustamento absolutamente essencial, sem nunca se pôr na pele dos que sofreriam ainda mais duramente as consequências da recusa de austeridade, como acontece na Grécia, será um agente político que o Público e David Dinis tratarão como André Ventura?

Outro exemplo, um agente político que se sirva das crianças que desmaiam na escola por falta de pequeno almoço, ou dos velhinhos que passam a ter de comer papa Nestum por não ter dinheiro para se alimentar convenientemente, como ilustrações das consequências da austeridade e depois devolva rendimentos aos que mais ganham, compensando em impostos indirectos que são pagos por todos, manipulando as percepções públicas da austeridade, apesar de a tornar mais pesada para o mais pobres, aligeirando-a para os mais ricos, será um agente político que o Publico e David Dinis tratarão como André Ventura?

Outro exemplo, um partido político que envia condolências às vítimas pela morte do seu algoz, como fez o Partido Comunista por ocasião da morte que Kim Jong-il, é um partido incapaz de se colocar na pele do outro e, por isso, ostracizado pelo Público e David Dinis?

Não, David Dinis, André Ventura não tem uma importância por aí além, é apenas mais um populista à procura de votos, e, se tiver muitos, será útil perceber por que razão os eleitores premeiam uma campanha daquelas para que possamos responder mais sensata e racionalmente aos problemas que preocupam os eleitores.

André Ventura é apenas um sintoma da falta de qualidade do debate público e, consequentemente, do debate político.

Muito mais relevante é saber por que razão um jornal como o Público abraça, consistentemente, os discursos mais populistas das pessoas ou do campo político de que os seus jornalistas gostam mais.

Eu guardo religiosamente a manchete do Público, faz agora quatro anos, que garantia em toda a primeira página que Bruxelas estava a trabalhar num novo resgate a Portugal.  Ou a outra, faz no próximo mês cinco anos, que garantia que o PIB em 2013 teria uma queda de 5,3% (foi de pouco mais de 1%), com base numas contas absurdas feitas pelos jornalistas do Público, só para reforçar a história da carochinha da espiral recessiva, sem medir consequências e fronteiras, sem se pôr no lugar dos outros a quem as expectativas negativas roubaram o emprego, etc..

Não, caro David Dinis, o problema não é André Ventura, o problema mesmo é a permeabilidade do jornalismo aos discursos populistas do BE, do PC e da ala irresponsável do PS (para usar uma expressão que não é minha) que hoje sustentam o poder de um governo claramente populista, e o efeito que essa permeabilidade tem na confiança dos leitores nos jornalistas.

É porque os jornalistas fazem escolhas como as descritas no seu editorial, totalmente ilegítimas, entre os bons e os maus, escolhas essas que me cabem a mim e ao Zé das Iscas, e não ao David Dinis enquanto director de jornais, que discursos como os de André Ventura, tão rigorosos como os de António Costa ou Catarina Martins, passam a ter o mesmo grau de credibilidade que discursos efectivamente rigorosos como os de Vítor Gaspar ou de Álvaro Santos Pereira, por exemplo.

Distingam o trigo do joio porque reconhecem o trigo e o joio, e não porque confiam mais neste agricultor que naquele, e os agricultores que trazem mais joio, como André Ventura, terão a sua vida bem mais dificultada.

Até lá, para os leitores e os eleitores, é tudo joio e o que distinguirá uns de outros é apenas ser um bom ou mau vendedor da banha da cobra e não a qualidade dos produtos que vendem.

E boa parte da responsabilidade é sua.

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Quem queria o meu lugar virá que bom de mim fará

por José Mendonça da Cruz, em 21.09.17

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Paulo Trigo Pereira, que o Observador acolheu a título de cronista diversificador, veio com outros economistas propor mais outra solução de esquerda em alternativa à solução de esquerda que mantém o país na cepa torta. Consiste, basicamente, em gastar ainda mais com a função pública. Com tal iniciativa, Trigo Pereira prestou à geringonça um serviço inestimável: fez que Centeno parecesse um bom ministro das Finanças. Cruel e cristalinamente esclarecedor é o facto de Trigo Pereira o ter feito inadvertidamente.

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Uma observação lúcida

por henrique pereira dos santos, em 20.09.17

Luís Aguiar-Conraria escreve (e bem) hoje:

"O PSD queixou-se de que a geringonça custou ao país 2 anos de espera, parecendo não ter noção de que com a PàF isto seria ingovernável. Possivelmente nem um orçamento conseguiriam aprovar."

Esta observação é de uma lucidez gelada, e é muito interessante a forma como todos olhamos para ela com relativa indiferença, como se fosse um facto normal da vida, como a chuva ou o sol.

E, no entanto, o que esta observação diz é que os resultados eleitorais legítimos estão reféns do poder minoritário que pode tornar isto ingovernável: o comando sobre sindicatos cuja representatividade e democraticidade é mais que discutível.

Eu sei que parte desta ingovernabilidade viria directamente dos resultados eleitorais, através da irresponsabilidade dos partidos que entendem que a governabilidade não deve ser assegurada a quem ganha eleições, mas essa irresponsabilidade avalia-se nas eleições seguintes, a questão de fundo é mesmo a ingovernabilidade criada a partir da rua, que é eleitoralmente inimputável.

Na prática isto significa que os 10% de votos do PC são mais que suficientes para bloquear as soluções legitimamente saídas de eleições gerais, enquanto for possível manter activo um poder sindical que não decorre da representatividade desses sindicatos, mas de regras sociais que livremente estabelecemos e que conferem aos sindicatos um poder claramente desproporcionado em relação à sua representatividade (por exemplo, na Autoeuropa, apenas 17% dos trabalhadores são sindicalizados).

Não tenho nada contra o poder das organizações representativas dos trabalhadores, bem pelo contrário, em especial das que têm uma base claramente assente na empresa, como as comissões de trabalhadores. Tenho das empresas uma noção social que reconhece que as relações empregador/ trabalhador são desequilibradas e é bom que os interesses dos trabalhadores, a quem a vida da empresa interessa tanto como aos seus donos, sejam apoiados pelas regras gerais de funcionamento das empresas.

Mas tenho também poucas dúvidas de que uma das grandes reformas sociais de que precisamos é a da alteração das regras da actividade sindical, deslocando o centro do poder das estruturas de cúpula para as estruturas de empresa, e liquidando todas as regras que conferem poder aos sindicatos e sindicalistas, quando esse poder não emana directamente da representatividade dos trabalhadores directamente afectados, incluindo assentar todo o financiamento, directo e indirecto (incluindo o tempo de trabalho dos sindicalistas e benefícios fiscais), nas quotizações dos trabalhadores.

É absurdo que aceitemos a possibilidade de um resultado eleitoral ser ilegitimamente minado pela ingorvernabilidade artificialmente criada por uma central sindical comandada por um partido que representa pouco mais de 10% da população.

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Rapazes e Raparigas

por João Távora, em 19.09.17

Já há muitos anos que tem vindo a ser implementada em Portugal (e também noutros países) uma ideologia que se designa por “ideologia do género”. Esta teoria assenta na ideia radical de que os sexos masculinos e femininos não passam de uma construção mental, cabendo à pessoa escolher a sua própria identidade de género (já existem identificadas mais de 30!). Trata-se de um movimento cultural com impacto na família, na política, na educação, na comunicação social e que reclama a utilização de uma nova linguagem.

A Assembleia da República discute um projeto-lei do Bloco de Esquerda que permite a mudança de sexo aos 16 anos e, no caso de os pais se oporem a esta ideia, possibilita que os menores possam intentar judicialmente contra estes. A agenda política do BE é a seguinte: promover a ambiguidade da identidade sexual e considerar normal aquilo que, na maioria dos casos, é patológico. Convém alertar as pessoas para os perigos desta aberração legislativa, pois os deputados não sabem de medicina, nem tão-pouco de psiquiatria. Os casos de perturbação de identidade sexual (disforia de género) são complexos e levam por vezes os jovens ao suicídio, pelo que este assunto deve ser tratado com uma enorme prudência. Considerar que estes casos se resolvem com um pacote legislativo, é uma visão simplista, redutora e perigosa deste problema. 
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Pedro Afonso no Observador

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O grande aldrabão

por João Távora, em 18.09.17

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 «A minha classificação sobre as agências de rating é que são lixo. Foi por isso que rescindi, aliás, o contrato com todas quando era presidente da Câmara de Lisboa. É uma gente que já demonstrou não ser minimamente credível, fiável.»

 

António Costa

Jornal de Negócios,4 de Julho de 2015

(Via Pedro Correia no Delito de Opinião)

 

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Eu não entendo

por henrique pereira dos santos, em 18.09.17

Joaquim Sarmento é absolutamente claro e o que diz neste artigo pode ser verificado, linha por linha, em fontes independentes, levando-o a escrever:

"Refira-se que não é sério achar que a subida de notação se deve apenas ao que ocorreu nos últimos dois anos. Recorde-se que em 2007 Portugal tinha “AA-” de notação. Depois, a notação foi sendo revista em baixa, e antes das eleições de 2011 era já de BBB (ainda “investment grade”, mas tinha descido seis notações). Logo após as eleições, desceu mais três notações (numa única revisão), passando para lixo. Só muito dificilmente se poderá entender que essa descida, ocorrida em julho de 2011, se deveu a um governo que nem um mês de funções tinha. Pelo contrário, essa descida, que nos colocou como “non investment grade” (“lixo”) foi o corolário do desastre económico, financeiro e orçamental desde 2008.
Assim, entre 2011 e 2016, o défice nominal (sem “one-offs”) desceu de um valor de 11% (em 2010) para um valor de 2.5%. O défice estrutural desceu de um valor em torno de 8% para um valor próximo dos 2%. Entre 2011 e 2015 desceu dos 8% para 2.5%, ou seja, uma descida de 5.5 pontos percentuais (p.p.). Entre 2016 e 2017, desceu menos de 0.5 p.p. Ou seja, quase 90% do esforço orçamental dos últimos anos ocorreu antes deste governo tomar posse".

António Costa é absolutamente confuso e o que neste artigo dizem que diz é completamente desmentido pelos factos reconhecidos por qualquer fonte independente:

"Nós não tivemos só resultados diferentes, nós seguimos um caminho diferente para atingir estes resultados ".

"António Costa lembrou que se dizia que, para poder controlar as finanças públicas, “era necessário encerrar os serviços públicos, desinvestir na educação, desinvestir na saúde e, sobretudo, cortar salários, aumentar impostos e cortar nas pensões”.
“O que nós fizemos foi precisamente o contrário. Repusemos os vencimentos que tinham sido cortados e que as pessoas tinham direito a receber, aumentámos as prestações sociais, devolvemos aos pensionistas as pensões a que tinham direito e não fizemos o corte de mais 600 milhões de euros que a direita se preparava para fazer se hoje estivesse no governo”".

Ora a minha pergunta é esta: como é possível que mentiras evidentes como estas sejam ditas publicamente e repetidas sem qualquer censura social, quer por parte de muitas pessoas comuns (o que ainda entendo, todos nós gostamos mais de acreditar no que nos faz feliz que nos que nos obriga a uma vida mais dura) quer, sobretudo, pelos intermediários cujo trabalho é introduzir factualidade e racionalidade no debate público.

Com tanto jornalista a acompanhar a campanha, não há um único que pergunte, por exemplo, se António Costa pode explicar melhor em que medida é que o aumento de impostos anterior foi errado, por desnecessário ao equilíbrio das contas, mas a carga fiscal global se mantém ao fim de dois anos do seu governo?

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Domingo

por João Távora, em 17.09.17

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 


Naquele tempo, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou-Lhe: «Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?». Jesus respondeu: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Na verdade, o reino de Deus pode comparar-se a um rei que quis ajustar contas com os seus servos. Logo de começo, apresentaram-lhe um homem que devia dez mil talentos. Não tendo com que pagar, o senhor mandou que fosse vendido, com a mulher, os filhos e tudo quanto possuía, para assim pagar a dívida. Então o servo prostrou-se a seus pés, dizendo: ‘Senhor, concede-me um prazo e tudo te pagarei’. Cheio de compaixão, o senhor daquele servo deu-lhe a liberdade e perdoou-lhe a dívida. Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários. Segurando-o, começou a apertar-lhe o pescoço, dizendo: ‘Paga o que me deves’. Então o companheiro caiu a seus pés e suplicou-lhe, dizendo: ‘Concede-me um prazo e pagar-te-ei’. Ele, porém, não consentiu e mandou-o prender, até que pagasse tudo quanto devia. Testemunhas desta cena, os seus companheiros ficaram muito tristes e foram contar ao senhor tudo o que havia sucedido. Então, o senhor mandou-o chamar e disse: ‘Servo mau, perdoei-te tudo o que me devias, porque mo pediste. Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’. E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia. Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração». 


Palavra da salvação. 

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Uma diferença

por henrique pereira dos santos, em 16.09.17

Passos Coelho, e a direita em geral (há sempre tontos em todo o lado, com certeza, mas estou sobretudo a falar de quem tem maiores responsabailidades), tem reconhecido as boas notícias, como, por exempo, a melhoria da classificação da dívida pública, como aquilo que são, boas notícias.

Depois atribui parte dos méritos ao desempenho do governo anterior, diz que o que permitiu isto foi o facto do actual governo, no essencial, ter mantido as políticas de prudência orçamental que vinham de trás e, pelo meio, acusa a actual situação de demagogia, dizendo uma coisa e fazendo outra.

Estas interpretações são discutíveis, com certeza, mas há uma base comum de discussão: a situação está a melhorar e o governo actual faz bem em continuar neste caminho de prudência orçamental, mesmo que diga que faz o contrário.

António Costa, e a esquerda em geral (a mesma nota que no primeiro parágrafo), pelo contrário, não reconhece (eu não me lembro de alguma vez ter ouvido esse reconhecimento) o contributo do governo anterior para a situação actual, nomeadamente no que diz respeito ao equilíbrio das contas externas (que depende menos do governo) e  para o equilíbrio das contas públicas.

Mesmo boas notícias, como por exemplo, o fim do programa de ajustamento sem necessidade de um segundo programa de apoio, não são reconhecidas como tal, mas desvalorizadas com teorias sobre a maquilhagem das contas e etc..

Ainda agora, a propósito da decisão de classificar melhor o risco da dívida pública portuguesa, que, como lembra Luís Aguiar-Conraria, é a demonstração de que todos aqueles que disseram que a dívida pública era impagável sem uma reestruturação estavam errados e, mais que isso, é a demonstração  de que não só é pagável, como é possível fazê-lo com crescimento, quer Catarina Martins, quer Pedro Nuno Santos (outros foram menos explícitos, como Costa, mas, mesmo não indo tão longe, foram o suficiente para evitar reconhecer o contributo do governo anterior para a situação actual), vieram dizer que a melhoria do rating a república só tinha sido possível porque o governo tinha feito o contrário do que diziam as agências de rating.

É uma mentira tão infantil que só há uma possibilidade: acreditam mesmo no que estão a dizer.

E isso é muito mais assustador que pensar que se trataria de meros aldrabões porque significa que não fazem a menor ideia do mundo sobre o qual tomam decisões.

Esse realismo que permite classificar como boas as notícias que indiscutivelmente os são, é uma diferença abissal para uma esquerda que se recusa a reconhecer a realidade para não dar trunfos aos adversário.

Não é uma diferença pequena nem dispicienda.

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Setembro

por João Távora, em 15.09.17

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Em Setembro vinha o tempo de férias que sobrava e se arrastava, desenganado e indolente com o sol a baixar e as sombras a crescer, dia após dia, até chegarem as primeiras nuvens e a brisa fresca, como um prenúncio do Outono, o início das aulas, o fim da festa. Eram dias em que fazíamos da rua extensão da casa asfixiante de enfado, a jogar à bola com os outros miúdos desocupados e impacientes, perante a inquietação das mães que espreitavam à janela ansiando pelo novo ano escolar. Aquele tempo era um tempo de gloriosa imprudência em que criançada, sem medos, em pequenos bandos corria pelas ruas de Campo d’Ourique, que lhes conhecia todos os segredos, do recanto que faz de baliza para jogar à bola, aos quintais escondidos entre os prédios, os figos doces que sobejavam nos ramos mais altos da figueira – que valiam tanto ou mais que o gelado que os nossos filhos, numa pausa dum jogo de consola, vão buscar comodamente ao congelador. Aquelas tardes do mês de Setembro lembram-me a minha magnífica bicicleta verde-garrafa, altaneira em cima dos seus pneus 26’ que me obrigavam a esticar todo para chegar aos pedais. Era tempo passeatas pachorrentas ou de corridas contra-relógio entre a malta do bairro a bater recordes ali na Praça Afonso do Paço, onde o rectângulo inclinado convidava a uma pedalada desafiante na subida e estonteante na descida. 

O mês de Setembro também valia umas últimas fugidas à praia, com o areal meio abandonado, de águas tépidas e melancólicas num prenúncio da insurreição das marés vivas que nos iriam devolver de volta a casa, aos longos dias de espera pelo início das aulas que tardava. O tédio é um privilégio que as novas gerações não conhecem, entre o estímulo constante dos videojogos e os canais temáticos com aventuras e animação sem cessar – obrigava-nos a inventar, a ousar e às vezes a desatinar.
O fim de Setembro era o tempo das primeiras incursões à escola ou ao liceu, em busca dos horários e das turmas, cuja publicação tardava – tempos houve depois do 25 de Abril em que as férias se arrastaram até ao final de Outubro. Vinham as primeiras chuvas, as listas do material escolar e a ansiada visita à papelaria: lembro-me do gozo que me davam o cheiro do estojo novo, os cadernos imaculados, quem sabe uma mochila para estrear. Eram dias de um estranho júbilo que disfarçavam a melancolia do fim do Verão, a noite que cavalgava pela tarde dentro, as árvores que se despiam das folhas secas a estalar debaixo dos meus pés no caminho para a escola, nos primeiros dias de um novo recomeço, de rever outros amigos. Verdadeiramente o ano terminava gasto e envelhecido, em Setembro.

 

Dedicado ao meu filhote José Maria que por estes dias começa o segundo ciclo numa escola e vida nova.

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Responda quem saiba:

por Vasco Lobo Xavier, em 14.09.17

Eu não percebo nada deste tipo de coisas mas quando um presidente de câmara, com o ordenado que se conhece aos presidentes de câmara, sejam elas Lisboa ou Mogadouro, adquire uma palhota de mais de 600 mil euros e refere que foram os papás que ofereceram generosa e gratuitamente 200 mil euros para o sinal da brincadeira (ele e a mulher apenas adiantaram 20 mil para o negócio), a investigação da origem da massaroca não passa do feliz adquirente para a geração anterior, tão generosa?

 

 

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Uma curiosidade sem grande importância

por henrique pereira dos santos, em 14.09.17

Todos os anos vejo as entradas para a Universidade em arquitectura paisagista.

Este ano foi assim:

Universidade; Entradas; Nota

Algarve; 9; 10,3

Évora; 2; 11,7

Porto; 30; 12,8

Vila Real; 5; 12

Lisboa; 14; 11,5

Nos últimos anos tem sido sempre assim, Porto enche todas as suas vagas à primeira, Lisboa e Algarve mais ou menos, Vila Real, e sobretudo Évora, é o mínimo dos mínimos.

Há com certeza razões gerais (há mais gente a querer estudar no Porto, até por razões de proximidade, que em Évora), mas há também com certeza razões que se prendem com as opções de gestão associadas a cada uma das escolas.

Faço já uma declaração de interesses: Évora é a escola onde estudei, o Porto é onde vou mais vezes dar uma ou duas aulas num ano (houve um ano em que substituí uma colega minha na sua sabática), a Lisboa vou mais irregularmente dar uma aula de vez em quando, tal como a Vila Real (de maneira geral, de borla).

A única (talvez esteja a ser injusto com Vila Real, mas não tenho informação suficiente), das que conheço melhor, que é uma verdadeira escola é a do Porto, e é também aquela em que o esforço de recrutar pessoas qualificadas foi maior, bem como o esforço de integração entre os diferentes professores (é a única em que vejo professores ir assistir a aulas de outros professores quando há um convidado pouco habitual, por exemplo).

Tanto quanto sei, foi uma opção da escola funcionar assim.

A minha pergunta é se os reitores das outras Universidades, que têm cursos sem capacidade de atração, têm algum incentivo para puxar pelas suas escolas e procurar reproduzir o que, aparentemente, funciona nas escolas que são atractivas.

Suspeito que não e que, por isso, não é de admirar que alguns cursos, de algumas escolas, continuem centrados no seu umbigo e sem a menor capacidade de se renovarem.

Em alguns casos, olhar para o conjunto do corpo docente dessas escolas é um exercício deveras deprimente, não tanto pelas pessoas em si, umas jóias de pessoas, de maneira geral, mas simplesmente porque há trinta anos que fazem a mesma coisa, da mesma maneira e sem ambição para fazer nada mais que isso.

E o problema é que podem fazer isso durante trinta anos, sem que nada de relevante perturbe a sua paz laboral.

A academia e eu não somos propriamente os melhores amigos do mundo, de maneira geral ignoramo-nos mutuamente, mas tenho encontrado na academia do melhor e do pior do país.

O que mais me incomoda é o facto da academia não distinguir, pelo menos tanto quanto devia, uns dos outros e, demasiadas vezes, manter uma estranha complacência para com a mediocridade mais evidente.

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Uma greve fascista

por João-Afonso Machado, em 14.09.17

Mesmo acompanhando os noticiários só de relance, deu para perceber que aqueles enfermeiros espalhados pelo País inteiro, em greve e vigília, não eram comunistas. Falta ali qualquer coisa: os controleiros, os megafones, a costumeira agressividade. Os enfermeiros têm as suas razões, se calhar têm toda a razão, parece que se sentem insultados pelo Ministro da tutela e dispõem ainda de Costa a fazer troça deles.

Por isso é que Costa, devidamente escoltado pelo PCP, tenta resolver o problema negociando com um único sindicato, por acaso afecto à CGTP, por acaso desapoiante da greve.

É o supremo paradoxo: as tropas de Arménio Carlos não promovendo manifestações anti-governo, o PS valendo-se delas, de olhos postos (todos) na aprovação do OE.

Poder, a quanto obrigas!

 

 

 

 

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A educação do Povo

por João Távora, em 14.09.17

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“Fonte oficial do executivo” disse ao Diário de Notícias que o “Governo vai fazer aprovar uma lei que proíbe jogos e espectáculos desportivos em dias de eleições”, uma solução à boa maneira de Kim Jong-un para educar o Povo. Agora a culpa da abstenção é do futebol? Então o Povo depois de um dia obrigatório de reflexão, não tem tempo para votar por causa de duas horas de bola? Ou o problema é das redacções dos jornais que ficam sobrecarregadas e os painéis de comentadores da TV confusos e dispersos com tanto acontecimento em simultâneo?

Não é fazendo das eleições um acto religioso que o regime se faz levar a sério e seduz a comunidade para o voto, a receita é outra, mais trabalhosa e de resultados mais lentos: fazer as pessoas sentirem-se verdadeiramente representadas pelos órgãos de soberania. E já agora, diz quem sabe que uma boa limpeza aos cadernos eleitorais também daria bons resultados na redução da abstenção.

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O mundo dos outros

por henrique pereira dos santos, em 14.09.17

Há uns anos, por razões que nunca percebi bem mas que acho que se prendem com o facto de ser pai de quem era, pediram-me para fazer umas crónicas numa revista de surf.

Ainda hoje me divirto a imaginar as reacções de vários surfistas que conheço às crónicas proto surrealistas que escrevi nessa altura.

Hoje, que o Frederico está nos quartos do CT dos EUA, e que continuamos a discutir o que acontece e acontecerá aos donativos para ajudar as pessoas na aflição do pós-fogo, resolvi recuperar este texto em que, sem ser explícito, comentava os treinadores de bancada que passavam o tempo a malhar no Frederico, e outros juniores, quando perdiam, como se perder não fosse muito mais provável que ganhar e condição necessária para aprender.

Eram sempre os mesmo discursos apocalípticos, cheios de certezas sobre os erros dos outros e sobre a impossibilidade de algum dia terem algum futuro no surf de alta competição, apesar de qualquer desses juniores, já nessa altura, terem feito muito mais no surf que qualquer um dos comentadores mais extremistas.

"O mundo dos outros

Ia eu a numa zona razoavelmente movimentada de Lisboa quando me deparo com um casal de patos reais a atravessarem a rua, também a pé, com o sinal encarnado para os peões.

Os carros pararam, o que aliás estranhei, porque não é costume, pelo menos sem uma forte buzinadela.

Depois de passarem uma segunda rua perpendicular à primeira, pararam debaixo de uma das amoreiras (a que não tinha estacionamento por baixo) e começaram um banquete de amoras.

Não pude deixar de me lembrar das ruas e jardins que tinha visto no Lobito e em Benguela, numa altura de nem guerra, nem paz, entre as duas guerras civis.

As cidades angolanas do litoral tinham crescido desmesuradamente, e as suas infra-estruturas eram claramente insuficientes.

À sua volta a banditagem não permitia grandes aventuras, e portanto a produção de alimentos e outros bens andava pelas ruas da amargura.

Nos primeiros dias fui-me acostumando aos pequenos montinhos de carvão no chão, à espera de comprador, às mulheres com molhos de lenha à cabeça, percorrendo quilómetros a pé para os trazer, às centenas de pessoas de volta do que tinha sido a casa de milhares de flamingos e era agora uma água imunda de que se retirava o sal que se ia formando nas margens e muitos outros pequenos pormenores que me lembravam permanentemente a miséria que me rodeava.

Mas o que realmente me trouxe à memória tudo isto foi a lembrança da resposta que me deram quando passados alguns dias perguntei o que explicava as árvores com a casca arrancada nos jardins públicos da cidade.

Com toda a naturalidade disseram-me que numa terra onde falta tudo, incluindo os medicamentos, era natural que as medicinas tradicionais prosperassem, usando a casca das únicas árvores existentes num raio de quilómetros: as das ruas e jardins.

Ao ver os patos empanturrarem-se de amoras das árvores de arruamento lembrei-me das fintas à miséria que com elas se poderiam fazer noutras partes do mundo.

Mas a verdade é que não é assim tão fácil. As amoras estão aqui. As amoreiras estão aqui e são plantadas e mantidas por este modelo de sociedade. Não é fácil apanhar as amoras e pô-las onde fariam mais falta.

Com certeza é possível um melhor uso de recursos que acabam por faltar noutros lados, mas o que é verdadeiramente difícil é fazer os daqui conhecer os de lá e os de lá compreender os de cá.

O mundo dos outros parece-nos sempre tão simples.

Lendo revistas de surf, lendo blogs, comentários e etc., temos bem a demonstração de como é fácil dar opiniões, ter soluções e certezas em relação aos que os outros fazem e ao que se devia fazer para tudo dar resultados maravilhosos.

É mais ou menos como os do mundo das amoras pelo chão terem uns rebates de consciência, juntarem uns quantos euros que mandam, com a melhor das intenções, para o mundo dos das árvores descascadas pela miséria.

O que se espera é que mesmo que os problemas não fiquem resolvidos, pelo menos se aliviem as dores de quem pena na dura faina andar 15 kms, juntar o que fôr possível de pauzinhos, pôr um molho de lenha à cabeça, andar outros 15 Kms, preparar mais um montinho de carvão para vender e enganar a fome e a doença, antes de voltar ao mesmo noutro dia.

Mas podem esperar em vão. O mais natural é que o dinheiro siga por um atalho e acabe no bolso de quem já hoje não precisa. Quando se atira dinheiro para cima de um problema, o mais certo é que uma das duas coisas desapareça, mas raramente é o problema.

A verdade é que é preciso ir lá. A verdade é que é preciso conhecer quem lá está. A verdade é que é preciso conhecer bem o mundo dos outros para conseguir encontrar os mecanismos e os canais que asseguram que o dinheiro realmente chega onde faz falta.

Foi o que fez Mouhammad Yunus quando inventou o microcrédito: pequenos passos, pequenas mudanças, pequenas mudanças mas com as pessoas certas, nos sítios certos e sem fantasias de grandes obras estruturantes, de decisões históricas, de investimentos estratégicos de interesse nacional.

E eu, que não percebo nada de surf mas vivo numa casa onde é preciso ter atenção e verificar se o que parece um novo queijo no frigorífico não é apenas uma barra de wax que alguém não quer mole, pergunto-me se grande parte das pessoas que têm certezas, ideias maravilhosas, opções infaliveis, invariavelmente sobre o mundo dos outros, sabe mesmo como o mundo dos outros é tão difícil, complicado e falível como o nosso."

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Um post absurdo

por henrique pereira dos santos, em 13.09.17

Nas próximas autárquicas António Costa está em muito maus lençóis.

É praticamente impossível repetir a vitória esmagadora de Seguro nas últimas autárquicas, Medina diminuirá a votação do próprio Costa em Lisboa, no Porto o resultado será provavelmente aquém do das últimas eleições, no Minho anda tudo à batatada no PS, Sintra está por um fio, Canavilhas e Maria de Medeiros, respectivamente em Cascais e Almada, dificilmente terão resultados brilhantes (e deixemos Loures no seu canto), etc..

No dia das eleições, e mais ainda no dia seguinte, Costa será matematicamente vencedor, mas terá de lidar com a percepção geral de um resultado poucochinho, com um pequeno crescimento à direita e à esquerda que não reforçam a sua legitimidade.

Sendo assim, por que razão anda Costa a apregoar em todo o lado que estas eleições são também para dar legitimidade e força a esta solução de Governo?

Há uma explicação simples: Costa quer fazer eleições agora, e não daqui a dois anos, e portanto vai dizer, como agora diz, que é preciso uma legitimidade reforçada do Governo para negociar o próximo quadro de apoio, que as autárquicas, embora tendo sido uma derrota para a direita, não foram claras desse ponto de vista, portanto demite-se e Marcelo convoca eleições para aproveitar o pico de popularidade de Costa que agora se verifica nas sondagens e que não é linear que se venha a manter no futuro, ganhando as eleições, forçando o PSD a substituir Passos Coelho e arrancando para quatro anos de bloco central, com Costa no comando.

Estes cinco parágrafos que escrevi não têm interesse nenhum, são uma mera especulação sobre o futuro e sem qualquer interesse para a vida diária das pessoas comuns.

E, no entanto, com maior ou menor elegância argumentativa, grande parte do que se lê nos jornais, quer nos comentários, quer mesmo nas notícias, são coisas destas, em vez de coisas que possam alimentar o debate sobre a substância das políticas.

Eu não entendo como chegámos aqui e como os jornais e televisões acreditam que é a amplificar este tipo de conversa de café que vão deixar de dar prejuízo e criar emprego.

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Com “amigos” assim, quem precisa de inimigos?

por João Távora, em 12.09.17

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Bruno de Carvalho não devia menosprezar os comentários de gente insuspeita que se têm publicado na comunicação social a propósito da malfadada entrevista que se autoconcedeu na semana passada ao canal do clube durante quase duas horas e meia. Nesta altura do mandato já duvido que servisse para alguma coisa, mas talvez fosse pedagógico obrigar o presidente a ver integralmente a gravação da sua entrevista. Eu não fui capaz, tive de mudar de canal, muito envergonhado, como se fora eu a fazer aquela figura. Este é um assunto que me incomoda verdadeiramente, que mina o meu orgulho no meu Sporting.

Depois, já sob um prisma mais acima de educação e subtileza, pergunto o que autoriza um presidente que manda construir uma estátua junto ao novo pavilhão, a gravar na pedra uma citação de si próprio se não um egocentrismo desmesurado? Terá Bruno Carvalho receio que os seus sucessores não lhe reconheçam a obra? Não teria sido mais honroso que outros o citassem um dia gratos?
Se é inegável que a gestão de Bruno Carvalho tem alcançado entusiasmantes conquistas para o nosso clube, desde logo a valorização dos activos, a competitividade da equipa principal e a consequente mobilização dos adeptos, tal não deveria autorizar a incontinência verbal do presidente que aparenta laivos patológicos, que muito o fragiliza e desacredita, e espero não chegue ao balneário – principalmente aí era importante que se preservasse a autoridade do seu cargo. Para mais, suspeito que com tanto despautério e fanfarronice, a tolerância dos adeptos em face um hipotético fracasso seja zero. Com “amigos” assim, quem precisa de inimigos?

 

Publicado originalmente aqui

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"Um pequeno dado singelo"

por henrique pereira dos santos, em 11.09.17

Por acaso ouvi partes do discurso de António Costa na apresentação do candidato do PS à Câmara de Coimbra, e transcrevo uns pedacitos:

"E com toda a sinceridade, virem falar do aumento dos impostos indirectos ... é ignorar este pequeno dado singelo: é que o memorando da troica só obrigava a aumentar em 400 milhões de euros a receita do IVA ... pois apesar da meta ser só 400 milhões é o melhor exemplo de onde fomos além da troica porque a receita obtida com o gigantesco aumento do IVA, foi dois mil milhões de euros, muito para além daquilo que a própria troica exigia".

Fui verificar de onde vinha esta informação que era evidentemente um bom exemplo da prática de torturar os dados até que digam o que queremos.

Creio ser de um trabalho do Público sobre os três anos da troica, algures em Maio de 2014.

Nesse trabalho está o memorando comentado.

No seu ponto 1.23, o Memorando diz "Aumentar as receitas de IVA para obter uma receita adicional de, pelo menos, 410 milhões de euros durante um ano fiscal inteiro" e no comentário do Público, de 2014, é dito "Alterações do Governo ao IVA desde 2011 rendem encaixe superior a 2 200 milhões de euros".

Percebemos então que António Costa confunde o limite mínimo do objectivo a atingir num ano com o seu limite máximo e depois compara o valor mínimo para um ano com o valor obtido em três anos.

Omite que o enorme aumento de impostos resultou da decisão do Tribunal Constitucional que impediu o cumprimento do Memorando em matéria de contenção da despesa da administração pública "1.9. Assegurar que o peso das despesas com pessoal no PIB diminua em 2012 e em 2013", em consequência do que sempre esteve previsto no Memorando de Entendimento "Se os objectivos não forem cumpridos ou for expectável o seu não cumprimento, serão adoptadas medidas adicionais".

Ou seja, o único pequeno dado singelo relevante é que António Costa pode dizer o que quiser, incluindo retintas mentiras como esta, porque é do lado certo do espectro político e porque a imprensa estará mais interessada em apimentar títulos (um bom exemplo é o recente título de uma entrevista do Ministro da Defesa em que o DN acha normal retirar da frase do Ministro "por absurdo" para não estragar uma frase bombástica que dá uma manchete bem apimentada), que em fazer o que deve: escrutinar verdadeiramente o que é dito como forma de aumentar o custo político da mentira e da manipulação, pressionando os políticos para um debate público mais factual e menos manipulador.

E, já agora, demonstraria a utilidade da imprensa, devolvendo-me o tempo que perco a verificar as parvoíces que são ditas pelos chefes partidários, o que justificaria o dinheiro a pagar por um jornal, aumentando a probabilidade dos jornalistas manterem o emprego e serem bem pagos.

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Domingo

por João Távora, em 10.09.17

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te escutar, terás ganho o teu irmão. Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas. Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja; e se também não der ouvidos à Igreja, considera-o como um pagão ou um publicano. Em verdade vos digo: Tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu; e tudo o que desligardes na terra será desligado no Céu. Digo-vos ainda: Se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa, ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus. Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles». 


Palavra da salvação. 

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