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Da superioridade moral

por henrique pereira dos santos, em 31.07.17

Equilibradamente, alguém cita o seu próprio trabalho científico, mais que escrutinado internacionalmente pelas regras normais: "a estrutura florestal, incluindo a quantidade de combustível disponível para arder, é muito mais relevante q a composição do estrato arbóreo. Por isso é que pinheiro, eucalipto e sobreiro não se distinguem entre si, o que se distingue entre si são as variantes estruturais de aberto-alto, denso-fechado, etc. q se sobrepõem à espécie".

Muita gente de boa-fé e interessada em contribuir para uma gestão sensata e socialmente útil do fogo em Portugal retira ilações das conclusões citadas, a principal das quais é dizer que muito mais que a espécie arbórea dominante, é para a gestão dos povoamentos que interessa olhar com atenção.

Esse olhar com atenção pode suscitar inúmeras linhas de actuação e diferentes políticas, há quem defenda a remuneração dos serviços de ecossistema prestados pelos gestores do território (como eu), há quem tenha abordagens mais técnicas limitando-se a apontar as condições de boa gestão, mas sem se preocupar muito com custos e proveitos, há quem esteja convencido de que o que faz falta é legislação e repressão que obrigue os proprietários a fazer o que é sua responsabilidade social, enfim, há um conjunto muito largo de hipóteses para a definição de políticas, partindo dos mesmos factos, os que estão descritos no primeiro parágrafo.

E depois há o pensamento mágico.

Parte-se uma premissa (como Lysenko partiu da premissa de que a genética tinha de estar errada por ser contrária a princípios fundamentais do marxismo, conduzindo milhares de pessoas à fome e à morte), recusa-se qualquer discussão sobre a premissa, com base em argumentos do tipo "só não vê quem não quer" ou "quem diz isso é porque está a ser pago por eles" e coisas que tal, e desenvolve-se uma estratégia que permita proteger as conviccções do confronto com os factos.

A primeira fase consiste, normalmente, numa argumentação suave e amiga no sentido de que, ainda que seja verdade, não se pode dizer o que diz o primeiro parágrafo porque isso beneficia o eucalipto.

Se alguém argumenta que quando morrem 64 pessoas é demasiado mesquinho centrar-se na oportunidade que isso constitui para fazer avançar a agenda política relacionada com o controlo do eucalipto, rapidamente se passa a uma contra-argumentação agressiva e muito centrada em comentários pessoais.

O passo seguinte, porque os factos são o que são, é transformar o argumento inicial, que está no primeiro parágrafo (e que é irrefutável com conhecimento hoje existente) num argumento que seja facilmente contestável, fazendo equivaler o argumento inicial a um argumento conveniente: "arde tudo igual, as espécies ardem todas da mesma maneira". É tentador porque parece uma mera simplificação do que está dito no primeiro parágrafo, mas é uma grosseira deturpação que permite assacar a terceiros um argumento totalmente errado e facilmente contestado através da demonstração de que as espécies não ardem de forma igual.

A partir daí o Céu é o limite na argumentação, podendo facilmente chegar onde se quer: "Quantitativamente o mato é mais importante que a espécie arbórea directriz...ok...e daí!? Sim há mais reacendimentos em floresta autóctone...e daí!? O que interessa é termos um território heterogéneo...bem ordenado com descontinuidades...e andamos apenas a vociferar que (quantitativamente) a culpa não é do Eucalipto...Quantitativamente n é...mas em termos de ordenamento é...e n é porque meia dúzia de eucaliptais abandonados desenvolvem giestais e medronhais que o" eucaliptal" eqt sistema florestal de produção é tão ou mais biodiverso ou tão ou menos fire prone".

Num passe de mágica passa-se de uma discussão racional sobre fogos, estruturada com base no método científico, para uma discussão sobre os efeitos globais da produção de eucalipto no território, estruturada num pensamento mágico e afirmações desconexas que visa usar o problema da gestão do fogo no avanço da agenda anti-eucalipto ou na agenda de um mítico paraíso de biodiversidade na terra cuja gestão ninguém tem de pagar.

Mediaticamente funciona na perfeição.

Mas no próximo fogo trágico, e ele virá, mais tarde ou mais cedo, não se esqueçam do que andaram a dizer e fazer e do esforço posto no desvio de atenções e recursos da verdadeira resolução do problema para fazer avançar a vossa agenda política.

As boas intenções sempre foram armas de destruição maciça quando a sua aplicação passou a ser mais importante que os seus efeitos reais sobre a vida concreta das pessoas comuns, em nome de amanhãs que cantariam eternamente.

Essa é a vossa responsabiilidade.

A que escolho é centrar-me nas melhores das soluções exequíveis para que as pessoas possam viver a sua vida com mais dignidade no sentido de que "não é senão essa alegria que vem de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém está menos vivo ou sofre ou morre para que um só de vós resista um pouco mais à morte que é de todos e virá".

Se há coisa que recuso é reconhecer a superiodade moral de que se reivindicam os bem intencionados que preferem carvalhos a eucaliptos.

Primeiro por nisso nada nos distingue. Segundo porque não há nenhuma superioridade moral em proclamar boas intenções, mas sim em as praticar consequentemente.

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E umas perguntas, pode ser?

por henrique pereira dos santos, em 30.07.17

"Quando fui responsável pela reforma que foi feita, deixei bem claro que este esforço enorme que a administração interna iria fazer era para criar condições para a reforma da floresta, visava comprar tempo para que essa reforma fosse feita. Devo dizer que fico chocado, dez anos depois, por verificar que essa reforma não foi feita”.

António Costa tem repetido esta ladainha pelo menos desde o Verão passado.

Aparentemente ninguém se lembrou de lhe perguntar:

1) A que reforma da protecção civil se refere?

2) Que acções dessa reforma compraram tempo, e de que maneira?

3) Por que razão a reforma da floresta precisava desse tempo?

4) E como é que o Governo pretende reformar uma floresta que não lhe pertence?

O que me faz confusão não é ter um primeiro ministro que diz coisas como as que estão no primeiro parágrafo e que não fazem sentido nenhum, o que me impressiona mesmo é que nem mesmo com a repetição desta ideia durante um ano inteiro, não haja nem jornalista, nem deputado, nem ninguém que lhe pergunte exactamente o que está a querer dizer com o que disse e que avaliações sérias do que foi feito sustentam a ideia de que foi bem feito e é para continuar.

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Domingo

por João Távora, em 30.07.17

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «O reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. O homem que o encontrou tornou a escondê-lo e ficou tão contente que foi vender tudo quanto possuía e comprou aquele campo. O reino dos Céus é semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. Ao encontrar uma de grande valor, foi vender tudo quanto possuía e comprou essa pérola. O reino dos Céus é semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha toda a espécie de peixes. Logo que se enche, puxam-na para a praia e, sentando-se, escolhem os bons para os cestos e o que não presta deitam-no fora. Assim será no fim do mundo: os Anjos sairão a separar os maus do meio dos justos e a lançá-los na fornalha ardente. Aí haverá choro e ranger de dentes. Entendestes tudo isto?» Eles responderam-Lhe: «Entendemos». Disse-lhes então Jesus: «Por isso, todo o escriba instruído sobre o reino dos Céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas». 


Palavra da salvação. 

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A excelência

por henrique pereira dos santos, em 28.07.17

""Tenho confiança neste sistema. Embora não consiga debelar todas as situações em ataque inicial, ou seja, nos primeiros 90 minutos, e sendo verdade que há ocorrências de incêndio que fogem a esse ataque inicial e tomem dimensões muito grandes, como tem sido o caso dos últimos incêndios, apesar de tudo tem-se conseguido debelar estas situações, tentando sempre em primeiro lugar e, tendo como prioridade, a segurança das pessoas", disse a ministra."

Não se pense que esta ideia é muito original e caracteriza a Ministra de turno. Esta ideia tem atravessado todos os governos e caracteriza muitas das declarações dos responsáveis da protecção civil: somos muito bons porque resolvemos mais de 90% das ocorrências (na verdade, acrescentam os mais afoitos, 100% das ocorrências, porque não há memória de algum fogo não se ter apagado).

O problema é que 1% das ocorrências dão origem a 90% dos problemas, é o 1% das ocorrências que dão origem aos grandes fogos, aqueles em que o nosso sistema de protecção civil colapsa.

Quase se poderia dizer o SIRESP é simplesmente uma metáfora do nosso sistema de gestão do fogo: tirando o 1% das situações extremas em que realmente era muito importante que não falhasse, é um sistema excelente.

O problema não é um ministro ou os responsáveis da protecção civil serem estes ou outros (há uns melhores que outros, claro, mas não é a questão essencial), o problema é uma doutrina de gestão do fogo que, quaisquer que sejam os responsáveis, não pode dar outro resultado que não este.

Para os que se convencem melhor com coisas escritas em estrangeiro, o que não faltam são parágrafos como este: "In response to the 2013 forest fires in Slave Lake, Alberta, a report by a review committee submitted to the Alberta Minister of Environment and Sustainable Resource Development warned that there was an increased risk of catastrophic fires in Alberta’s boreal forest, in part because a large proportion of forests are mature and over-mature as a result of fire suppression".

Foi tirado de um pequeno sub-capítulo ("The Legacy of Aggressive Fire Suppression") do documento de política que formaliza o abandono da política de supressão agressiva do fogo no Ontário. Escolhi-o por o ter à mão e por ser relativamente recente, mas há dezenas de documentos a dizer a mesma coisa, em vários países do mundo, quer em documentos de política, quer em documentos científicos, incluindo em Portugal.

E, no entanto, a larga maioria dos decisores portugueses, deputados, ministros, altos quadros da administração, continuam a achar normal as afirmações que transcrevi no primeiro parágrafo, que eles próprios fariam se fossem a Ministra da Administração Interna.

Porque a larga maioria das pessoas pensam assim e por que a larga maioria dos intermediários profissionais de comunicação pensam também assim e não estão preparados para perguntar à senhora Ministra (esta, ou outra): para que serve então um sistema de protecção civil que é muito bom para "viver habitualmente" e colapsa nas situações excepcionais?

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Férias

por João Távora, em 27.07.17

Submerso em ociosa leitura no areal ardente de sal e de sol, ao som do estalar das ondas e das vozes das crianças exaltadas em volta de um dique esfalfado que não trava a maré, assalta- me a dúvida estremeço de inquietação...
Será que a senhora das bolas de Berlim volta a passar aqui?

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Responsabilizar os proprietários

por henrique pereira dos santos, em 26.07.17

Recentemente, numa pequena conversa para que me convidaram, sobre fogos, voltei a dizer (eu repito-me muito, em especial nesta matéria) que me parecia que a questão do cadastro, sendo relevante para muitas outras coisas, era uma falsa questão para a gestão do fogo.

Como de costume argumentei que não é porque não se sabe quem é o proprietário que não se cria riqueza, e portanto não se ganha gestão, é exactamente porque não se cria riqueza a partir de um terreno que ele deixa de ter gestão e dono, sendo irrelevante mudar de dono se não se mudar a circunstância da ausência de interesse económico.

A resposta habitual surgiu nessa conversa, mas é recorrente: o cadastro é fundamental para responsabilizar os donos dos terrenos.

É um argumento que vale a pena avaliar com atenção.

Como comentário prévio, refira-se que a Sertã não tem cadastro e Mação tem o cadastro completo (de acordo com informação de João Adrião, que não confirmei mas em que confio) e isso não faz a menor diferença no fogo que por lá anda há dias.

Quando se fala em responsabilizar os proprietários, fala-se de que responsabilidade?

Imaginemos que eu tenho um terreno num leito de cheia. Imaginemos que o meu vizinho constrói a sua casa no mesmo leito de cheia, mas um pouco mais recuada em relação ao rio. Passa pela cabeça de alguém responsabilizar-me a mim por não ter o meu terreno em condições de impedir que a cheia chegue ao terreno do meu vizinho? Claro que não.

Mas em relação ao fogo parte-se do princípio de que eu sou responsável pelo fogo ter chegado ao meu vizinho, no caso de não ter limpo o terreno (é certo que se o fogo entrar de copas, mesmo tendo eu limpo o terreno, ele chega ao meu vizinho, mas não compliquemos o argumento).

As normas de defesa da floresta contra incêndios determinam que os terrenos devem ser limpos num raio de 50 metros à volta das casas, atribuindo essa responsabilidade aos donos dos terrenos, sem cuidar que se trata da defesa da casa em relação aos fogos que chegam da floresta, e não da defesa da floresta contra os incêndios.

Isto é, o beneficiário da limpeza dos terrenos é o dono da casa, que até a pode ter construído depois de eu lá ter o meu terreno mas o custo de gestão é-me atribuído a mim.

A defesa da floresta contra incêndios institucionaliza o velho princípio de que "uns comem os figos, aos outros rebenta-lhes a boca", mas sendo esse princípio profundamente injusto, a justiça, naturalmente, não se consegue obter pela aplicação da lei e, consequentemente, a lei é pouco aplicada.

A minha sugestão é simples: esqueça-se o argumento da responsabilidade dos proprietários (as segundas maiores vítimas do regime de fogos que temos, logo depois dos bombeiros), e institucionalize-se na lei o que é de justiça: os beneficiários que paguem os benefícios de que precisam.

Dito de outra maneira, pague a sociedade aos donos dos terrenos o que entende ser justo para ter o benefício de um regime de fogos socialmente úteis e a probabilidade de se ir fazendo o que é preciso aumenta exponencialmente.

Tem uma casa? Quer protegê-la do risco de fogo? Limpe, ou pague a limpeza dos vinte metros que a rodeiam (não são precisos 50), faça a limpeza coercivamente se quiser e o dono do terreno que se queixe dos prejuízos ao tribunal, se achar que eles existem.

Acha que ter eucaliptos é um crime incendiário que merece o fogo eterno do proprietário? Muito bem, pague ao proprietário os custos de gestão para obter um belo carvalhal, ou um rebanho, ou uma zona de caça, ou a extracção de resina, seja o que for que entender que pague uma gestão que acha melhor para si e para a sociedade.

Para mim, responsabilizar os proprietários tem um significado diferente daquele que está na lei: é responsabilizar os proprietários (e, já agora, os consumidores e contribuintes) pelo pagamento dos benefícios de que precisam, em vez de se pretender que uns tenham os benefícios e os outros que os paguem.

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Carvalhal de Reboredo

por henrique pereira dos santos, em 25.07.17

carvalhal de Reboredo 2003.jpg

Carvalhal de Reboredo, em 2003 (a fotografia é de Paulo Fernandes).
Desde essa altura, o carvalhal terá continuado a evoluir e amadurecer até 2017.
Em 2017, em grande parte (dizem-me que sensivelmente metade), ardeu no fogo de Moncorvo.
Para o carvalhal é um acidente pouco importante, vai com certeza recuperar rapidamente.
Para a discussão sobre fogos deste ano, muito centrada nas espécies que ardem ou não, é uma boa demonstração da ociosidade dessa discussão.
Sobretudo se comparada com a discussão, essa sim, útil, sobre que medidas de gestão do carvalhal poderiam ter sido adoptadas, não para evitar que arda (pretende-lo seria estultícia) mas para o preparar melhor para o pós fogo, para o preparar para uma recuperação mais rápida e mais orientada para a criação de um carvalhal maduro, umbroso e biodiverso.
E, de caminho, como usar as oportunidades de combate que seriam criadas com essa gestão.

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António Louro

por henrique pereira dos santos, em 25.07.17

Conheci António Louro há uns anos quando comentou uns posts sobre fogos no blog Ambio.

Eu disse uns disparates, António Louro corrigiu, eu argumentei, as contra-respostas eram sólidas e consistentes e, como habitualmente faço, disse que mais valia discutir o assunto no terreno. Marcámos uma visita e andei por Mação um dia inteiro, guiado por António Louro, demonstrando que o que dizia estava mais certo que o que eu pensava.

Depois fomos tendo contactos esporádicos por mail ou outros meios virtuais, sobretudo por causa de fogos e gestão florestal, mas também porque Mação tinha um projecto de "transporte a pedido" que eu gostaria de conhecer melhor e saber os resultados. Os contactos foram tão esporádicos que cheguei ao ponto de passar a vergonha de o encontrar numa ocasião social sobre gestão florestal e fogos e não o ter reconhecido (em minha defesa tenho a minha péssima memória que me faz trocar e esquecer os nomes dos meus filhos, mas poucas vezes me senti tão envergonhado por não reconhecer uma pessoa que evidentemente tinha obrigação de conhecer e por quem tenho um manifesto respeito).

Ultimamente, a frequência das suas intervenções públicas por causa dos fogos e da gestão florestal - para além de Vice-Presidente da Câmara de Mação, é Presidente do Fórum Florestal - permitiu que confirmasse a solidez do que diz e o raro bom senso do que vai dizendo sobre fogos (e isso é independente de eventuais diferenças de pontos de vista num ou noutro aspecto).

Noto particularmente uma intervenção sua, penso que no Expresso da Meia-Noite, em que o elogio do jornalista ia no sentido de dizer que desde que a Câmara de Mação tinha aprendido com as lições de 2003 e adoptado uma série de procedimentos alternativos, não ardia grande coisa em Mação.

Em vez da atitude habitual de um político, que seria confirmar a bondade da sua acção política, atribuindo-se a si próprio os méritos pelos resultados em Mação, António Louro foi claríssimo a responder que era uma questão de tempo até voltar a ter grandes fogos em Mação. Aconteceu logo no dia seguinte ao programa em causa, mas sobretudo ontem e hoje.

O que me parece relevante é o que aparentemente (não tenho informação mais sólida que a dos jornais, o que não me deixa seguro) está descrito nesta peça: uma clara noção de riscos, uma clara noção de prioridades e uma organização preparada para não pôr pessoas em risco de vida.

É tão raro ouvir um Presidente de Câmara ser tão lúcido como neste parágrafo: "“Não há combate nem estratégia que valha durante a noite, com este vento que se fez e faz sentir. A nossa principal preocupação é proteger e salvar pessoas e bens”, disse Vasco Estrela" que achei por bem assinalar que há exemplos que demonstram que trabalhar com bases sólidas parece ser bem mais útil que a habitual fanfarronice dos meios, dos teatros de operações, das projecções das equipas em triangulação e outros narizes de cera habituais.

Obrigado, António Louro.

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Ricardo Salgado tem razão…

por Vasco Mina, em 23.07.17

“Qualquer outro governo com o mínimo de responsabilidade e sem intuitos populistas teria evitado a resolução de um banco com a dimensão do BES.” Fosse o do José Sócrates, fosse o do atual Costa. Os banqueiros privados (os expoentes máximos do capitalismos) sempre se deram bem, em Portugal, com as elites socialistas. Recordam-se das visitas de Mário Soares a Salgado quando este se sencontrava em prisão domiciliar? E que o BES era o principal financiador da Fundação Mário Soares?

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Domingo

por João Távora, em 23.07.17

 

 Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

 

Naquele tempo, Jesus disse às multidões mais esta parábola: «O reino dos Céus pode comparar-se a um homem que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e foi-se embora. Quando o trigo cresceu e começou a espigar, apareceu também o joio. Os servos do dono da casa foram dizer-lhe: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem então o joio?’. Ele respondeu-lhes: ‘Foi um inimigo que fez isso’. Disseram-lhe os servos: ‘Queres que vamos arrancar o joio?’. ‘Não! ­­– disse ele – não suceda que, ao arrancardes o joio, arranqueis também o trigo. Deixai-os crescer ambos até à ceifa e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em molhos para queimar; e ao trigo, recolhei-o no meu celeiro’».

 

Palavra da salvação.

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A lista de Constança

por João Távora, em 23.07.17

Se é chocante a mesquinhez da subtracção de uma senhora morta atropelada na fuga ao fogo em Pedrogão Grande (que nos faz temer o pior), estranho mesmo é a inexistência de uma lista nominal de todos os malogrados. Faz lembrar velhos métodos de controlo da comunicação. Quantos mortos foram noticiados nas cheias de 1967 em Lisboa?

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O André Ventura e o (fraco) CDS

por Maria Teixeira Alves, em 21.07.17

O André Ventura falou de um tema que é tabu (mais um) na sociedade portuguesa. Os ciganos. O CDS, partido populista, apressou-se a ceder ao mainstream e retirou o apoio ao candidato do seu partido à câmara de Loures. O PSD de Passos Coelho, foi admiravelmente íntegro ao manter o apoio ao candidato.

Acredito que com este episódio a direita tenha ficado mais perto do PSD de Passos do que do CDS. 

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Manuela Ferreira Leite está contra um candidato autárquico porque considera que as suas afirmações fazem mal ao PSD.

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Estudiosos

por José Mendonça da Cruz, em 20.07.17

Agrada-me esta defesa do Sporting que vejo nos jogos de preparação. É rapaziada atenta, desejosa de aprender: seguem sempre os atacantes adversários até junto da baliza para verem de perto como é exactamente que eles metem golo. 

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Canalha é sempre canalha:

por Vasco Lobo Xavier, em 20.07.17

Não tenho capacidade para falar de Américo Amorim. Cinjo-me à evidência de não ter nascido rico e ter criado enorme riqueza para o país, para ele também (obviamente), e criado inúmeros empregos. Não é pouco e devia ser louvado, ele e quantos mais fizessem o mesmo. Só por isso devia ser homenageado por todos. Menos pela canalha habitual.

"Bloco de Esquerda e PCP rejeitaram esta quarta-feira um voto de pesar pela morte do empresário Américo Amorim. O voto acabou por ser aprovado com votos de PS, PSD, CDS e PAN e a abstenção do PEV.

(...)

O Parlamento acabaria por fazer um minuto de silêncio em homenagem a Américo Amorim, respeitado por todos os partidos, sem exceção.

O empresário Américo Amorim, que nos últimos anos surgiu na revista Forbes como o homem mais rico de Portugal, morreu a 13 de julho, aos 82 anos. Nascido em Mozelos, Santa Maria da Feira, em 21 de julho de 1934, Américo Ferreira de Amorim fundou com familiares a Corticeira Amorim e construiu um dos maiores impérios industriais do país. Não veio das grandes famílias capitalistas do século XX e subiu a pulso no mundo dos negócios, graças a um killer instinct que todos lhe reconhecem, como contava aqui o Observador."

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Não é uma surpresa mas não deve deixar de ser registada a posição de hoje do PCP e BE relativamente ao voto de pesar pela morte de Américo Amorim: Rejeição. O texto, que foi aprovado com os votos das outras bancadas parlamentares (O PEV absteve-se) referia que "Américo Amorim criou riqueza produtiva e, por via dela, acrescentou valor ao trabalho, empregando largos milhares de pessoas e nunca virando as costas ao tecido social da sua terra". Recordo que os mesmos partidos votaram favoravelmente o voto de pesar pela morte do ditador cubano Fidel Castro. Ou seja, comunistas e bloquistas sempre alinhados com as ditaduras de esquerda (como acontece agora com o apoio a Nicolas Maduro da Venezuela) mas sempre condenando figuras públicas portuguesas que criaram valor no país. António Costa considerou ontem ser uma desonra o apoio de Passos Coelho a um candidato autárquico e por causa de umas declarações deste sobre os ciganos. Será que o mesmo Costa se sente honrado com os seus parceiros do PC e BE que rejeitam um voto de pesar pela morte de Américo Amorim?

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Relatório do inquérito à Caixa chumba por falta de deputados do PS

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Os bombeiros de S. Bento

por João-Afonso Machado, em 18.07.17

António Costa, há dois dias, onde mais um incêndio desvastava um território inteiro, envergando o seu colete salva (-outras-) vidas explicava à gentinha que o cercava se o fogo destrói uma casa em um minuto, são necessários muitos mais para a reconstruir. E por isso... (Seguiu-se aprimorado rol de promessas a serem concretizadas nesse minuto que ainda não se vislumbra).

Talvez as pessoas nunca tivessem lembrado essa inevitabilidade das «ignições». Talvez ficassem agradecidas a Costa pela sua argúcia, pela sua lição. Talvez acreditassem nas suas promessas de um mundo melhor.

Mas evidentemente tudo ficará na mesma. A começar pelo perdulário CIRESP, como vamos constatando na televisão. Hoje, no Portugal inteiro, apenas uma diferença releva - o PCP não reclama a cabeça do 1º Ministro.

E, bem vistas as coisas, Costa vale o que vale - e nada vale - porque Passos Coelho e Assunção Cristas valem menos ainda. Aqui d'El-Rei, quem nos acode?!

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E se?

por henrique pereira dos santos, em 18.07.17

Tenho visto muita gente decretar a morte política de Passos Coelho, e para a generalidade da imprensa pelo menos desde 2013 que Passos Coelho é um cadáver político.

Uns dizem que vai perder as eleições autárquicas e eventualmente demitir-se, abrindo as portas à renovação da direita.

Outros acham que se arrastará penosamente até às legislativas de 2019, que perderá fragorosamente, obrigando à sua demissão e consequente renovação da direita.

Outros, como Nuno Garoupa, estão sempre a demonstrar, matematicamente, que a direita ficará muito, muito tempo na oposição, se Passos Coelho não desamparar a loja.

E se Passos Coelho estiver de acordo com a ideia de que a direita vai ficar muito tempo na oposição e não achar que isso seja um problema de maior?

E se Passos Coelho entender que tem melhores políticas para o país que a actual maioria, mas serenamente aceitar que só são aplicáveis quando as pessoas quiserem, preferindo esperar que tenha condições para aplicar essas políticas a adaptar as políticas às necessidades eleitorais?

E se Passos Coelho entender que as eleições são o mero instrumento de escolha das políticas, e não um fim sem si mesmo?

E se Passos Coelho estiver disponível para esperar uma, duas, três legislaturas para poder ter a legitimidade política e a força eleitoral para aplicar políticas que sabe que serão rejeitadas no curto prazo mas que está convencido de que são aquelas de que o país precisa?

Eu sei a resposta a todas estas perguntas: o partido nunca aceitará estar tanto tempo na oposição.

Só que essa resposta implica que alguém ganhe o partido a Passos Coelho, não porque ele se foi embora, mas porque ganhou eleições internas contra Passos Coelho.

Eu não poria dinheiro meu nessa hipótese, se tivesse que apostar.

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Tancos: Roubo ou Cooperação?

por Vasco Mina, em 17.07.17

Hoje, em Comunicado, o Exército informou que “tendo decorrido as averiguações internas relativamente ao funcionamento das áreas técnica, segurança física, controlo de acessos e vigilância eletrónica dos Paióis Nacionais de Tancos (PNT), e tendo presente a obrigatoriedade de salvaguardar informação classificada de natureza estritamente militar, informa-se que o Exército irá proceder à transferência do material existente nos PNT para outros paióis.” Ou seja, as autoridades militares decidiram cortar pela raíz o problema (se é quede facto houve): fechar os paióis! Porquê? Não se sabe mas com esta decisão fica assegurada a eficaz vigilância destes depósitos de armamento pois deixa de ser necessária: para quê vigiar instalações enceradas e sem nada no seu interior? A questão deixa, assim, de ser em torno do desaparecimento de material militar mas sim centrada na justificação de paióis. É que segundo declarações, feitas há dias, pelo Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), General Pina Monteiro, "depois de uma avaliação muito detalhada sobre as condições do material que foi roubado, importa referir que tem um valor de cerca de 34 mil euros”. Mais, “os lança-granadas foguete furtados estavam selecionados para serem abatidos. Portanto, o Exército avaliou tudo em detalhe - e esse, que é talvez o material que mais significado tem em termos de potencial de perigo, não tem afinal a relevância que se esperava". Ou seja, uma ninharia! Assunto resolvido (os militares, honra lhes seja feita, detestam não resolver problemas)! Talvez até nem faça sentido falar em roubo mas sim num acto de cooperação por parte de quem retirou, dos paióis, o dito armamento; é que em boa das verdades se “despachou”, sem custos, a tralha que lá se encontrava.

O mesmo Comunicado informou também que “considerando que com a conclusão destas averiguações se encontram ultrapassadas as razões que justificaram a exoneração dos comandantes (…)o Exército informa que os oficiais em causa foram nomeados pelo Chefe do Estado-Maior do Exército para os mesmos cargos, com efeitos a partir de 18 de julho de 2017.” Ou seja e dada a proximidade geográfica vem à memória a velha expressão “Tudo como dantes, Quartel-General em Abrantes”

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