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Lisboa antiga

por João Távora, em 26.05.17

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 Muitos blogs têm desaparecido nos últimos anos - na semana passada operei uma limpeza na barra lateral donde apaguei umas boas dezenas de links "mortos" - mas o facto é que ainda os há com muita qualidade. É o caso do Paixão por Lisboa (cujo autor AC não consegui identificar) que descobri há dias, e que é um manancial de boas fotografias antigas das paisagens, ruas e edifícios que reflectem a história desta minha cidade sempre em transformação - infelizmente nem sempre pelos melhores caminhos - imagens quase sempre bem legendadas reflectindo apurada pesquisa e investigação. Boas razões para uma atenta visita periódica.

 

Fotografia Paixão por Lisboa, com a devida vénia.

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Do medo de reconhecer o mérito do governo anterior

por henrique pereira dos santos, em 25.05.17

Manuel Carvalho faz um invulgar reconhecimento dos méritos do governo anterior ("teve coragem, energia e determinação para traçar um rumo. Governou o país na mais terrível conjuntura em décadas e deixou-o melhor para o primeiro-ministro que lhe sucedeu. Deixou-o com um défice controlável e, principalmente, liberto da sensação de que o Estado estava capturado por figuras como Ricardo Espírito Santo ou empresas como a Ongoing.").

Mas simplesmente reconhecer que o governo anterior cumpriu essencialmente o seu papel, entregando um país melhor que o recebeu, é o caminho certo para o abismo de um jornalista, a ruptura com as suas redes de influência, profissionais e de amizade, por isso é um passo que não pode ser dado pelas elites da imprensa.

Por isso, para fazer o reconhecimento de que o governo anterior foi um governo normal e que cumpriu o essencial das suas obrigações, é preciso acrescentar que o governo actual é igual ao governo anterior (sem nunca, mas nunca, fazer notar que os resultados governo actual não resultam da alteração das políticas anteriores, mas sim da sua manutenção, apesar da retórica demagógica que tenta demonstrar o contário) e que Passos Coelho e Costa são essencialmente iguais.

Como na verdade não são iguais (quando Passos Coelho demonstrava "coragem, energia e determinação para traçar um rumo", Costa empenhava-se em atacar as políticas que agora aplica com base em argumentos demagógicos, quando Passos Coelho evitava estar sempre a atirar responsabilidades para o governo anterior, que lhe deixou o país como deixou, Costa continua a falar sistematicamente da herança que recebeu, recusando-se a discutir seriamente a evolução que houve entre o que Passos herdou e o que deixou em herança, etc.) Manuel Carvalho vê-se obrigado a uns truques de retórica.

O culminar desta vontade férrea de evitar reconhecer que Passos Coelho foi muito melhor governante do que Costa tem demonstrado até agora, talvez sejam estes dois passos do artigo que Manuel Carvalho escreveu:

"o líder do PSD põe-se em bicos de pés e tenta que o ouçam com a mensagem de sempre - "não podemos cometer os mesmos erros", disse outra vez esta segunda-feira".

"a verdade é que este marco (a saída do procedimento por défice excessivo) do final de um ciclo só será mesmo importante se, como prometeu António Costa, esta "for a última vez que passamos por um processo tão traumático"".

Ou seja, Manuel Carvalho acha que tudo só será importante se, tal como dizem Coelho e Costa, esta for a última vez, mas Passos Coelho dizer isto é a demonstração de que é um idiota a pôr-se em bicos de pés, ao passo que Costa dizer o mesmo é a demonstração do comportamento responsável de Costa, provavelmente, acrescento eu, tão responsável como quando apoiou as políticas que nos levaram ao resgate e como, durante o resgate, fingiu que havia uma estratégia de empobrecimento absolutamente ilegitima provocada por um governo de masoquistas por mera cegueira ideológica e como hoje nega qualquer responsabilidade do governo anterior na melhoria da situação do país.

Eu entendo, é preciso fazer pela vida, e dizer simplesmente que Passos Coelho foi um razoável governante é um risco que qualquer jornalista é obrigado evitar, se quiser continuar a ser considerado pelos seus pares.

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Do boato

por henrique pereira dos santos, em 24.05.17

Vários jornais informam-me que Schauble terá dito que Centeno é o Ronaldo do Ecofin.

É-me completamente indiferente que o tenha dito ou não, o que me interessa é que estes jornais citam uma outra publicação on-line que diz que há uma fonte portuguesa anónima que diz que Schauble diz que Centeno é o Ronaldo do Ecofin.

Em tempos isto era apenas um boato, agora parece que os boatos, desde que sirvam a linha justa, também são notícias.

É pois natural que o Correio da Manhã, que tem mais notícias que os outros, venda mais que os outros: apesar de tudo custa um bocado pagar para ouvir conversas de porteiras.

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A prudência de António

por henrique pereira dos santos, em 23.05.17

António anunciou, urbi et orbi, que ia rapidamente levar a namorada a casa e já voltava.

Metade dos amigos, por serem seus amigos, tentaram demovê-lo, explicaram-lhe como era imprudente ir levar a namorada a casa depois de ter bebido uns copos a mais. Os mais dramáticos disseram mesmo que se ele pegasse no carro no estado em que estava, era o Diabo.

A outra metade dos seus amigos, que estavam interessados em se ver livres do chato do António, diziam-lhe que não ligasse a esses medricas, que fosse rapidamente levar a namorada e até aproveitasse para dar uma volta.

António, com medo que a namorada o achasse fraco, meteu-se a caminho.

Por mais copos que tivesse bebido, António não era parvo, foi guiando devagarinho, meteu-se por ruas com menos trânsito e mais largas e, mal deixou a namorada, encostou o carro e resolveu dormir um bocado.

No dia seguinte, quando António pontificava outra vez no grupo de amigos, a segunda metade ria-se da primeira metade dos amigos, concluindo que António tinha feito muito bem em não dar ouvidos aos desmancha-prazeres que queriam que optasse entre beber uns copos ou guiar o carro, pelo que daí em diante todos passariam a deixar de ligar aos copos que bebiam antes de guiar.

O simples facto de há vários dias ver toda a imprensa a fazer um raciocínio igualzinho a este, apenas substituindo o carro pelo governo, diz mais sobre a imprensa que sobre a prudência.

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O terror outra vez (2)

por João Távora, em 23.05.17

Sim, a ilusão da bondade do multiculturalismo é um erro tornado irremediável de há muito no ocidente europeu, e não existem soluções fáceis para resolver a desconfiança que legitimamente possa haver para com as comunidades islâmicas. Pela simples razão que a nossa civilização está fundamentada no primado da lei e não se podem expulsar emigrantes ou os seus filhos simplesmente porque se desconfia deles ou porque não nos agrada a sua cor da pele, os seus costumes ou religião. Haverá algum caminho a fazer no que respeita à intransigência para com quantos afrontem as nossas leis e costumes mas isso não resolve o problema da fragilidade da nossa sociedade liberal face ao terrorismo. Sim, estamos metidos num grande sarilho.

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O terror outra vez

por João Távora, em 23.05.17

O ataque da noite passada em Manchester tanto pelo seu simbolismo (é hedionda a ideia das crianças e adolescentes como alvo) como pelo número de mortos resultante vem relembrar a Europa multicultural da guerra civil que enfrenta por estes dias no seu seio. O inimigo é interno, formou-se e cresceu cá dentro qual parasita traiçoeiro - o erro há muito foi feito. O inimigo o mais das vezes não se distingue pela pronúncia e contra ele não se vislumbram soluções simples - por mais que o assunto seja pasto para promessas fáceis em eleições. O medo nunca serviu para nada de bom e o seu aproveitamento de nada serve para combater a insânia cobardia destes ataques. Certo é que não nos podemos render ao inimigo, cabendo-nos rezar e chorar pelos nossos mortos... mantendo o normal curso das nossas vida, sem demonstrar temor ou tibiezas.

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Domingo

por João Távora, em 21.05.17

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João


Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos ao Céu e disse: «Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, para que o teu Filho Te glorifique, e, pelo poder que Lhe deste sobre toda a criatura, Ele dê a vida eterna a todos os que Lhe confiaste. É esta a vida eterna: que Te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro, e Aquele que enviaste, Jesus Cristo. Eu glorifiquei-Te sobre a terra, consumando a obra que Me encarregaste de realizar. E agora, Pai, glorifica-Me junto de Ti mesmo com aquela glória que tinha em Ti, antes que houvesse mundo. Manifestei o teu nome aos homens que do mundo Me deste. Eram teus e Tu mos deste e eles guardam a tua palavra. Agora sabem que tudo quanto Me deste vem de Ti, porque lhes comuniquei as palavras que Me confiaste e eles receberam-nas: reconheceram verdadeiramente que saí de Ti e acreditaram que Me enviaste. É por eles que Eu rogo; não pelo mundo, mas por aqueles que Me deste, porque são teus. Tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu; e neles sou glorificado. Eu já não estou no mundo, mas eles estão no mundo, enquanto Eu vou para Ti».


Palavra da salvação.

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Sentido único

por João Távora, em 19.05.17

Entre 2011 e 2015, nunca pôde haver boas notícias. Depois de 2013, as exportações aumentaram, o desemprego caiu (de 16,2% em 2013 para 13,9% em 2014), o défice diminuiu, a economia voltou a crescer, o turismo começou a alastrar a Lisboa e ao Porto. Mas ai de quem se mostrasse animado. Eram só “números”. Se o desemprego caía, era porque os desempregados desistiam de procurar emprego. Os jornais e as televisões dispunham então de uma reserva inesgotável de “casos dramáticos” para desmontar as estatísticas. A economia estava destruída, o Estado social tinha acabado. Se Salvador Sobral tivesse ganho a Eurovisão em 2015, teria havido editoriais a lamentar a importância dada a um festival.

 

A ler Rui Ramos no Observador

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Fátima em Alepo

por Vasco Mina, em 18.05.17

 

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Custa a acreditar mas os cristãos puderam fazer uma procissão do 13 de Maio em Alepo sem medo de ataques.  Há seis anos que tal não acontecia. Não sei se será um sinal de novos tempos que se avizinham mas é, seguramente, um testemunho de uma comunidade que manteve sempre viva a Esperança de manifestar a sua Fé.

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O assunto agora é mais sério

por henrique pereira dos santos, em 17.05.17

António Costa resolveu fazer uma boa piada tomando conta dos filhos de João Miguel Tavares.

Mas o assunto de Eduardo Jorge é bem mais sério: o Estado entende que a vida independente de quem depende dos outros é um assunto menor e resolveu que o melhor é garantir a institucionalização das pessoas que dependem de terceiros.

"Ainda recentemente foi assinado o novo acordo de cooperação entre o Estado e os representantes da economia social, e por cada pessoa com deficiência o Estado atribui mensalmente ás IPSS mais de 1.000,00 por frequência de um lar residencial, e a um Centro de Atividades Ocupacionais 500,00.

Já para uma pessoa que tem a seu cargo, na sua casa, uma pessoa dependente o Estado atribui por mês aproximadamente 100,00".

Eduardo Jorge, com uma coragem de que provavelmente eu não seria capaz, decidiu entregar-se aos cuidados do Presidente da República, do Primeiro Ministro ou do Ministro da Segurança Social (e só deles) nos próximos dias.

Talvez estivesse na altura dos jornalistas de causas olharem para esta causa e do Primeiro Ministro se deixar de piadas com filhos de jornalistas e levar este assunto a sério.

É certo, os recursos não são infinitos, é certo que o argumento de que a dignididade não tem preço não é um argumento sério, mas também é certo de que é inaceitável que o Estado, no mínimo, não faça equivaler o apoio numa instituição ao apoio em casa (para já não falar da inacreditável restrição que discrimina negativamente as famílias face aos estranhos).

A mim parecem-me desarmantemente simples dois princípios centrais:

1) o apoio para ficar em casa deve ser pelo menos igual ao apoio à institucionalização;

2) a liberdade de escolha do que é melhor para mim é inalienável, sendo completamente inaceitável que o Estado restrinja a liberdade de quem já tem restrições que cheguem na sua vida, com base em argumentos dos especialistas que acham que sabem melhor que eu o que é melhor para mim.

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Falta a Maioria Absoluta

por Vasco Mina, em 16.05.17

O João Miguel Tavares, no seu artigo de hoje do “Público” coloca, em título, a seguinte questão: “O que é que mais pode correr bem?” Como habitualmente, o texto é excelente, sempre muito certeiro e com um humor inexcedível. Falta apenas a resposta e em minha opinião o que falta mesmo a António Costa é ganhar as eleições legislativas e com maioria absoluta. É que à atual solução governativa carece alguma legitimidade política em termos de votos. O grande desafio do PS em 2017 não é ganhar as autárquicas (cuja vitória já está garantida) nem cumprir o défice (que já se percebeu que vai conseguir atingir), mas sim livrar-se do PCP e do BE que (não surpreendentemente) vão aumentando semanalmente a parada de exigências ao Governo. Aguardar pelas eleições até ao final do mandato (ou seja, final de 2019) poderá ser muito arriscado pois apesar dos bons ventos (nacionais e internacionais) vivemos tempos em que o imprevisível é uma constante.

Nestas circunstâncias, António Costa necessita de gerar um acontecimento político que possa provocar eleições legislativas antecipadas. O atual PM já demonstrou habilidade política suficiente para uma manobra deste tipo. Precisa, apenas, de convencer Marcelo Rebelo de Sousa e para tal tem de encontrar argumentação que deixe o PR sem alternativa. Um cenário possível é o da apresentação do Orçamento para 2018 com propostas inaceitáveis para os seus atuais parceiros políticos. Note-se que as eleições autárquicas se realizarão a 01 de Outubro e que o OE terá de ser entregue na AR cerca de duas semanas depois. Tempo suficiente para o Governo introduzir alterações no OE que significarão, para comunistas e bloquistas,  “pisar” as tais linhas vermelhas e que jamais aprovarão.

Em Outubro deste ano o PS estará no topo das sondagens e com alta probabilidade de ganhar eleições com maioria absoluta. O PSD estará numa das suas maiores crises políticas de sempre, Assunção Cristas (mesmo com bom resultado em Lisboa) nunca conseguirá, em legislativas, um resultado acima do melhor resultado de sempre do PP. O PCP e o BE não serão levados a sério pela grande maioria do eleitorado (que se encontra ao centro e é quem decide as eleições) e não terão, por isso, resultados superiores aos alcançados nas legislativas de 2016. A somar a tudo isto, aquilo que João Miguel Tavares escrevia no artigo acima referido: “o país está tão espetacular que até parece mal dizer mal”.

O chumbo do OE conduzirá, fatalmente, a eleições legislativas antecipadas! É o que falta correr bem a António Costa!

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Alienação e pós verdade

por João Távora, em 16.05.17

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 Um sinal de alerta foi como senti quando há uns dias o meu filho de dez anos me manifestou o seu espanto e incredulidade por causa de umas imagens impressionantes que passavam no telejornal da tomada duma posição ao DAESH pelo exército iraquiano – “mas afinal existem guerras de verdade?” Fiquei com a sensação de que para o miúdo as guerras eram coisas do passado ou então entretenimento para os videojogos. Acontece que hoje em dia, por mais que os pais tentem convocar o Mundo para a mesa de jantar, os miúdos crescem dentro de um aquário mediático, a ver desenhos-animados em canais temáticos, a seguir os seus ídolos do Youtube a dizerem umas banalidades a propósito dos temas da moda ("youtuber" é o termo que define as estrelas que aglutinam multidões de seguidores nesta plataforma de vídeos auto-editados) e a brincar com jogos de consola, completamente a leste do mundo real. E não me parece que estejamos a poupar as crianças à crua violência: ela tornou-se um “bem de consumo” extremamente realista e brutal na forma dos jogos virtuais e nas séries e filmes de TV. É nesse sentido que sou levado a intuir que, com tanta tecnologia, além de mais preguiçosas, as novas gerações ficam a perder mundividência. A minha geração quando era criança, condicionada a dois canais de televisão e a pouco mais de meia hora por dia de programas infantis, era pedagogicamente obrigada a espreitar para o mundo dos adultos - certamente não muito atractivo. Além dos noticiários que espreitávamos mais ou menos involuntariamente, à segunda-feira levávamos com teatro clássico, à quarta havia “Noite de Cinema”, e em desespero, num domingo chuvoso até víamos o “TV Rural” enquanto esperávamos pela transmissão de um jogo de rugby ou duma corrida de Fórmula 1, já para não falarmos dos programas sobre a natureza e a bicharada. Mas principalmente, à minha geração era-lhe concedido o privilégio de longos momentos de “tédio”, que nos obrigava a fizermos acontecer alguma coisa, e nos dava muito espaço para exercitar a imaginação e para os livros.

Se é verdade que esta nossa era dos “media sociais” e dos canais temáticos e segmentados permite uma oferta muito alargada de informação e cultura (os blogs disso são exemplo), o outro lado da moeda é terrível. O completo alheamento da realidade. Sei por experiência própria como é difícil impingir aos jovens as preocupações e a consciência dos problemas e desafios complexos que grassam no mundo para lá do soundbite difundido pelas redes sociais. Nesse sentido desconfio que as novas gerações estão mais desprotegidas porque ausentes no menu dos “factos” que lhes interessam e das “verdades” que escolhem a cada momento consumir. Porque “a quem dorme, dorme-lhe a fazenda”.

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Incoerências discursivas

por henrique pereira dos santos, em 16.05.17

As afirmações recorrentes de que a oposição ficou sem discurso porque as boas notícias sobre o país o desmentem, fazem-me lembrar as minhas recorrentes discussões sobre a conservação do lince ou sobre fogos florestais.

Na verdade, quer na economia, quer nos linces, quer nos fogos, a relativa irrelevância da nossa capacidade para conduzir processos complexos é tratado no discurso dos responsáveis sempre da mesma maneira: quando as coisas correm bem é porque somos muito bons e estamos a trabalhar bem, quando as coisas correm mal, é porque há uns factores externos que não controlamos que estragam tudo.

Não há pois grande novidade neste ponto: quando a população de lince aumenta é por causa da política de conservação e quando diminui é por causa das doenças dos coelhos; quando o ano vai favorável em matéria de fogos é por causa da boa gestão do dispositivo de combate aos fogos, quando vai desfavorável é por causa dos incendiários; quando a economia nos dá boas notícias é porque o governo tem as políticas certas, quando nos dá más notícias é a crise internacional ou a austeridade ou a herança que nos é imposta pelos outros.

A única curiosidade menos vulgar é haver um grande consenso de que as últimas notícias sobre a economia liquidaram  o discurso da oposição (até há um jornalista a falar em xeque mate) e, aparentemente, ninguém dar pelo facto de, pelo mesmo critério, o discurso do PC, do BE e da esquerda do PS sobre a dívida e a impossibilidade de haver crescimento sem reestruturar a dívida ou, pelo menos, alterar as políticas europeias, ter ficado completamente vazio.

Infelizmente para nós, o essencial não são estes jogos florais mas a realidade que é muito mais difícil de influenciar que o que nos pretendem fazer crer, exigindo trabalho continuado, de longo prazo e assente em informação tão objectiva quanto possível e com a profundidade temporal adequada.

Uma maçada.

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Na próxima, todos!

por Vasco M. Rosa, em 14.05.17

Por causa da tolerância de ponto de sexta-feira passada, João Miguel Tavares escreveu no Público relatando o problema que isso constituiria para muitas famílias sem substitutos para deixar os seus filhos em idade escolar, e desafiou o primeiro-ministro a receber e entreter os seus filhos.

O desafio era retórico, porque teria de ser multiplicado por muitos milhares de casos. Mas AC preferiu brincar com tudo isso, recebendo as crianças e fazendo disso uma notícia e um cartaz da sua «agilidade para resolver problemas».

O quotidiano dum estadista — espera-se! — não deve ser algo comparável ao de uma sala de aula ou infantário, mas a infantilização de todos nós não é obstáculo para o chefe do governo. 

Vamos todos rir, sorrir e brincar, que o bom caminho se abrirá diante dos nossos pés. Muito simples!

No futuro, em situação análoga, sugiro que muitos milhares apareçam sem aviso à porta do senhor com os seus petizes. Afinal, um jornalista mediático não é mais do que um honesto padeiro, carteiro, contabilista, bibliotecário ou peixeira, cozinheira ou condutor de autocarro da carris. 

Contra essa discriminação positiva, marchar, marchar!

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Insistir no erro, para ver se desta vez funciona melhor

por henrique pereira dos santos, em 14.05.17

Esta notícia do Observador (em rigor, da Lusa, transcrita pelo Observador) é a típica notícia da véspera da fase qualquer coisa dos fogos e provavelmente nem valeria a pena comentar.

Ainda assim, sem a menor esperança de que algum governo, de alguma maioria de qualquer conjunto de partidos, tenha a veleidade de levar o problema a sério, aqui ficam alguns comentários antes da fase qualquer coisa dos fogos.

"“Onze mil hectares ardidos até hoje é algo preocupante. O ano passado foi muito mau em termos de incêndios e, no período homólogo, tínhamos 360 hectares ardidos. É uma diferençazinha um pouco assustadora”, disse o secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, a 27 de abril.".

Comecemos o comentário por citar Paulo Fernandes "Alguém informe o Sec. Estado que ter um inverno muito chamuscado não nos diz nada sobre o queimado final. Aliás já houve um ano em que no mesmo espaço de tempo ardeu o triplo do que ardeu até agora e no final acabou por ser um dos anos com menos área ardida.".

Ou seja, na verdade brincamos com a informação, escolhemos uns anos da forma como convém, uns números que não dizem nada (por exemplo, discutir área ardida em vez de discutirmos valores perdidos) e é com base nisso que vamos tomando decisões em matéria de fogos.

"O DECIF deste ano tem como novidades um reforço de meios para combate a incêndios florestais nos distritos de Braga e Viana do Castelo, colmatando assim uma deficiência sentida em 2016."

Eu gostava de ver as avaliações que foram feitas para chegar a estas conclusões sobre deficiências de meios para combater fogos em Portugal. Primeiro, porque há poucos países no mundo que tenham tantos meios e tão actualizados como Portugal, mas aparentemente é sempre preciso mais. Depois porque uma boa parte da área que ardeu foi no distrito de Aveiro, onde aparentemente não havia falta de meios (de acordo com esta decisão de afectar mais meios a Braga e Viana). Acresce que embora o distrito de Viana tenha ardido bastante, Braga nem por isso, portanto não se percebe em que medida a carência de meios afectou os distritos em causa. Por fim, porque tendo ardido muito em Viana, a sua propensão para arder agora é menor e andar a deslocar meios atrás dos fogos, em vez de andarem a antecipar os fogos (depois da meteorologia, que explica a esmagadora maioria dos fogos, a sua geografia e a sua dimensão, o principal factor de explicação da área ardida é o tempo decorrido desde o último fogo), parece-me pouco útil.

O que existe em Portugal é uma situação de impasse institucional em que os interesses da Liga dos Bombeiros se impõem aos interesses do país através de fortíssima rede de ligações entre corporações de bombeiros, protecção civil e autarquias, que torna politicamente impossível a qualquer governo cortar o nó górdio que bloqueia o mínimo de racionalidade na gestão do fogo.

É bom deixar claro que a Liga dos Bombeiros, a favor de quem se fazem galas, sorteios, quermesses e muitas outras acções de boa vontade, não representa os bombeiros, mas sim as corporações de bombeiros, isto é, as entidades patronais dos bombeiros (dizer que a Liga dos Bombeiros representa os bombeiros é o mesmo que dizer que a CIP representa os trabalhadores portugueses).

É bom também deixar claro que muita da abnegaçãoda boa vontade e do espírito de missão que torna os bombeiros especialmente queridos das populações não tem nenhuma relação com a questão dos fogos florestais, mas sim com a sua actividade diária de apoio às populações.

E é ainda bom deixar claro que o famoso voluntariado dos bombeiros não é o que normalmente se chama voluntariado, grande parte dos bombeiros voluntários, nomeadamente em situações de prontidão para o combate e no combate propriamente dito, têm um pagamento, não é um pagamento que se possa chamar a justa retribuição pelo trabalho prestado, mas há pagamento (há até no Algarve um problema de recrutamento de bombeiros porque se ganha mais a passar a ferro ou a servir cafés).

Nenhum presidente de câmara no seu perfeito juízo quer ter um conflito com corporações de bombeiros do seu concelho (muitos acumulam funções na autarquia e na associação de bombeiros, tomando decisões como presidentes de câmara que beneficiam associações de cujos orgãos sociais fazem parte sem que ninguém tenha dado, até hoje, pelo conflito de interesses) e, consequentemente, nenhum partido quer ter uma revolta dos seus autarcas e das suas distritais fazendo uma coisa muito simples: profissionalizar a sério o núcleo duro do combate aos fogos florestais, enquadrando devidamento o imenso esforço dos voluntários, separando as funções de protecção civil dos bombeiros, que são adequadamente desempenhadas, de maneira geral, das funções de protecção florestal, que deveriam competir a quem faz gestão florestal. É na gestão florestal que se criam oportunidades para o combate, e é no combate que se afinam as melhores opções para criar essas oportunidades.

E porque é impossível resolver o impasse institucional que existe nesta matéria, a solução tem sido sempre a mesma, esperando que alguma vez resulte a estúpida ideia de um Portugal sem fogos que, dizem eles, depende de todos.

É por isso que tudo isto passou de um custo de 30 milhões anuais para 100 milhões anuais sem que se registe qualquer diferença nos resultados.

É por isso que o governo faz um estúpido plano nacional de fogo controlado em que se propõe queimar 5 mil hectares através de fogo controlado onde só é preciso acompanhar os pastores (nas zonas de matos e silvo-pastorícia) para ter resultados desses sem grandes custos para o contribuinte, ao mesmo tempo que proíbe o apoio ao fogo controlado em povoamentos, que é onde realmente ele faz falta.

E, mais ridículo ainda, o mesmo governo que quer queimar 5 mil hectares ano em fogos controlados, manifesta a sua preocupação por terem ardido 11 mil hectares, sem custos especiais para o contribuinte, grande parte dos quais exactamente nas condições em que teriam ardido com o tal plano de fogo controlado para o qual o governo reservou uns milhões, não para os proprietários e gestores, mas para o próprio Estado manter a habitual prepotência com que trata os agentes do sector (reclamas? não tens financiamento).

E ano após ano, insiste-se no mesmo erro, obtendo o péssimo resultado esperado, após o que se reforça o erro para o ano seguinte, obtendo-se o péssimo resultado esperado, após o que se reforça o erro, etc., etc., etc..

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A lição do Tetra

por João Távora, em 14.05.17

Os não benfiquistas que me perdoem a sobranceria, mas creio existir alguma lição a aprender com a sucessão de quatro campeonatos ganhos pelo Benfica. Contém muito daquilo que rareia em Portugal, nomeadamente na governação ao mais alto nível. Estratégia de longo prazo, liderança, profissionalismo na gestão de topo, estabilidade, perseverança, e sobreposição do todo sobre a parte. A caminhada iniciou-se no início do século, não ontem.

Com frequência durante esta época fui dizendo aos meus amigos sportinguistas que a conquista destes títulos simbolizam mais a distribuição de dividendos resultantes da estratégia adoptada desde há anos e menos o rasgo de génio deste ou daquele. E que não vislumbro nada de substancial no horizonte que possa mudar o rumo dos acontecimentos. A Norte o passado não quer sair de cena, revelando por um lado o clássico problema de sucessão e a excessiva dependência num indivíduo. Do outro lado da Segunda Circular temos dois galos que se digladiam por objectivos de curtíssimo prazo e por palco, revelando quer o xico espertismo que tanto vilipendiamos mas que tanto premiamos, como também alguma incapacidade de trabalhar em conjunto numa óptica de complementaridade onde o defeito de um é ofuscado pela virtude do outro.

Descontando o calor da vitória que pode diminuir o discernimento, creio que o futebol português contém matéria suficiente para retirar algumas boas lições para os portugueses. Haja para isso frieza e pouca clubite.

Sugiro assim aos sportinguistas e portistas que façam bem o seu trabalho de casa. Não só para garantir campeonatos interessantes no futuro, mas também para dar bom exemplo aos nossos governantes. Não faço esta sugestão em jeito de provocação pois não quero atraiçoar o fair play e o objectivo deste texto, que mais não é que perceber de vez que pensar a longo prazo e com cabeça tende a produzir mais resultados.

E já agora sugiro aos benfiquistas que não embandeirem em arco sob pena de ter um dia de escrever um texto que não me apetece.

 

Pedro Bazaliza

Convidado Especial

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Domingo

por João Távora, em 14.05.17

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim. Em casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse, Eu vos teria dito que vou preparar-vos um lugar? Quando Eu for preparar-vos um lugar, virei novamente para vos levar comigo, para que, onde Eu estou, estejais vós também. Para onde Eu vou, conheceis o caminho». Disse-Lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais: como podemos conhecer o caminho?». Respondeu-lhe Jesus: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim. Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Mas desde agora já O conheceis e já O vistes». Disse-Lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta». Respondeu-lhe Jesus: «Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheces, Filipe? Quem Me vê, vê o Pai. Como podes tu dizer: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim? As palavras que Eu vos digo, não as digo por Mim próprio; mas é o Pai, permanecendo em Mim, que faz as obras. Acreditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim; acreditai ao menos pelas minhas obras. Em verdade, em verdade vos digo: quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fará obras ainda maiores, porque Eu vou para o Pai».


Palavra da salvação.

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O tempo dos gestos magnânimos mediáticos

por Maria Teixeira Alves, em 13.05.17

Foto de João Miguel Tavares.

O que têm em comum António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa? Ambos apostam numa política de proximidade com os "súbditos" (chamemos-lhes assim). Bom António Costa está mais apostado em agradar pessoalmente à direita e aos católicos e Marcelo Rebelo de Sousa está mais preocupado em agradar aos marginalizados e aos "fracos e oprimidos" (chamemos-lhes assim). 

Não há uma grande diferença entre um primeiro-ministro que responde a uma crítica de um opinion maker da ala direita com um gesto "magnânimo" e desconcertante de aceitar o desafio de lhe tomar conta dos filhos no dia em que o Governo deu tolerância de ponto e as selfies que o Presidente da República tira com todos os que visita (e os beijos que distribui e as condecorações que atribui). 

Ambos se preocupam em conquistar, sobretudo, quem está (em teoria) nos seus antípodas. O que é isso senão um gesto magnânimo (cristão?)? Mas é preciso não esquecer o mediatismo. Será mesmo magnânimo quando o nosso gesto é difundido ao público? Não será vaidade então?

Vivemos um tempo interessante em que há uma ânsia de novos "Messias" (que demonstrem que o amor e o altruísmo não morreram) e a facilidade com que tudo se difunde nas redes sociais e chega à população. O populismo tem aqui muito da sua raiz. 

O presidente do Estados Unidos usar o Twitter para comunicar não é senão uma manifestação desses tempos em que vivemos. 

O facto de tudo ser em directo leva a que se crie facilmente (demasiado fácil digo eu) deuses e capachos. O reverso da medalha deste tempo da política dos afectos é o maniqueísmo de se criarem estériotipos facilmente. A cisão entre o bom e o mau vilão nunca passou de uma visão redutora da humanidade. Cada pessoa tem tudo, tem os dois lados. Não existe isso de aquele é bom e o outro é mau.

A verdade é que há um paradoxo que resulta desta política dos afectos, é que tem origem no propósito de criar pontes, mas ao estar a servir para criar deuses está a criar muros. 

Veja-se o caso do Papa Francisco, fala-se dele como o Papa que chega às pessoas, o Papa da tolerância, como se fosse um novo "Messias". Nessa visão está um crítica implícita à igreja e ao Papa (aos Papas) anterior (es). Ora não há nada de diferente nas homilias do Papa Francisco, face às homilias do Papa Bento XVI e às homilias do Papa João Paulo II. Há diferenças de estilo essencialmente, e os dogmas da igreja são os mesmos. Mas o que chega às pessoas são os afectos do Papa Francisco.

Queremos quem crie pontes, mas depois endeusamos tanto essas pessoas que criamos muros.

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Semente de civilização

por João Távora, em 13.05.17

Fatima.jpg

Neste tempo em que a religião é quase sempre relevada por uma só bitola, como assunto de ignorantes, fundamentalistas e fanáticos se tratasse, é reconfortante o testemunho dado por mais de meio milhão de pessoas que de forma serena e pacifica se reuniram em comunhão e oração à Mãe de Jesus. Definitivamente não é tudo a mesma coisa. Pela minha parte confesso-vos que nesta hora em que o Papa Francisco despede-se do “altar do Mundo” sinto um orgulho enorme de ser dos de Cristo, de pertencer a esta Igreja, obra divina e universal, tão humanamente rica, tolerante (misericordiosa) e diversa. 

Fotigrafia Reinaldo Rodrigies/Global Imagens 

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Bem-vindo a Portugal, Papa Francisco!

por João Távora, em 12.05.17

PapaFrancisco.jpg

Há muito tempo que queria que a esquerda deixasse a Igreja Católica em paz, por isso não me incomoda nada o fascínio que o Papa Francisco exerce sobre ela. A Igreja é universal e foi erguida para todos que se quiserem deixar converter ao exemplo de Jesus Cristo. E não haverá conversão se a sua mensagem não conseguir chegar às periferias, se o seu magistério não for exercido também no “Páteo dos Gentios” – e eu sei bem como isso incomoda alguns católicos  “puritanos”. Acontece que o colégio cardinalício que com uma sabedoria imensa elegeu Bento XVI foi o mesmo que elegeu o jesuíta Bergoglio, que teve o enorme mérito de mudar a tónica da mensagem da Igreja para a Misericórdia. De facto a vocação da Igreja não é ser um hotel para santos, é ser um hospital de campanha para os pecadores como eu. Havia um erro de percepção que vem sendo corrigido, a doutrina não mudou, mudou a sua percepção. Obrigado Papa Francisco, bem-vindo a Portugal.  

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