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Desejos e “New Year’s Resolutions”

por Vasco Mina, em 31.12.16

A tradição em Portugal, na noite de hoje,  é comer  12 passas e associar um desejo a cada uma delas. Não só no nosso país mas em muitos outros de cultura e língua latina, é o desejo que marca as intenções individuais e coletivas. Nos países de cultura anglo-saxónica a tradição é algo diferente, ou seja, as intenções são marcadas por um (ou vários) propósitos e daí a expressão “New Year’s Resolutions”. Generalizando (e assumindo as injustiças que as generalizações comportam) os latinos exprimem sonhos e os anglo-saxónicos manifestam empenhos. Recordo a velha expressão de JF Kennedy: Antes de perguntares o que pode o teu país fazer por ti, pergunta primeiro o que podes fazer pelo teu país”. Sou latino com muito orgulho e por isso desejo a todos um Feliz Ano Novo e partilho a minha decisão (no que à política diz respeito) para o ano que amanhã se inicia: escrever mais e contribuir, com mais conteúdos, para a leitura dos acontecimentos políticos que nos acompanharão a cada dia.

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Uma visão aristocrática do poder

por henrique pereira dos santos, em 31.12.16

Pelo que leio, António Costa terá ontem dito "A posição de Passos Coelho é muito desagradável. Exerce a posição política que é liderar a oposição logo depois de deixar de ser primeiro-ministro. Obviamente não lhe facilita a vida nem a que ele construa uma nova personagem". Ao que Ricardo Araújo Pereira terá respondido "Já não aguento esta compaixão pelos adversários".

Confesso que fico espantado pelo facto da afirmação de Costa apenas ter tido a reacção que teve e de, aparentemente, ninguém sublinhar o facto de Costa estar a evidenciar uma visão aristocrática, de casta, diria o Podemos, de classe, diria o PC, quando acha que é desagradável voltar a ser uma pessoa comum depois de terminado o serviço público para que se foi designado em função das regras democráticas.

Um ministro é um servidor e, por maioria de razão, um primeiro-ministro é um servidor maior que exerce temporariamente o poder, sendo da natureza da democracia retornar ao que se foi, quando se termina o serviço público de que se foi incumbido.

O regime reconhece que o exercício da Presidência da República confere um estatuto especial, mas nenhum outro cargo político tem esta prerrogativa, exactamente porque o exercício do poder, em democracia, é um mero estado transitório de que é suposto sair-se como se entrou.

Que Costa não admita voltar a ser o que foi, depois de um dia perder as eleições, ou mesmo que, ganhado-as, não forme governo, decorre de uma visão aristocrática do poder que se estranha que ninguém estranhe.

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Optimismo é uma coisa, estupidez é outra

por henrique pereira dos santos, em 31.12.16

“António Costa começou o debate com uma crítica incisiva ao “falhanço” do Governo no seu objetivo número 1: controlar a dívida pública. E atirou que o Governo atual aumentou em 30 mil milhões a dívida pública.”
O debate de que se fala neste parágrafo (esqueçamos o seu português horrível) é o debate pré-eleitoral entre Costa e Passos Coelho.
Independentemente de interpretações e da explicação para o crescimento da dívida (e consequente demagogia na acusação), é verdade que houve um aumento anual de cerca de 7,5 mil milhões de euros durante o governo de Passos Coelho.
No primeiro ano do governo de Costa vamos num aumento da dívida que é superior a 10 mil milhões, se não me engano.
Descontando toda a demagogia que pode haver nestas comparações sem contexto, o facto é que Costa só pode responder a si próprio de uma maneira: quem tinha o objectivo de controlar a dívida era o governo anterior, não o actual, por isso o governo anterior falhou ao aumentá-la em 7,5 mil milhões de euros anualmente.
O governo actual não falha ao aumentá-la em mais de 10 mil milhões num ano porque o controlo da dívida não é um objectivo do actual governo, que tem antes objectivos como a devolução de rendimento, a qualificação dos portugueses e essas coisas assim, pelas quais quer ser avaliado.
Ora o que eu gostaria de sublinhar é que é exactamente o abandono deste objectivo que me parece ser o maior risco deste governo para Portugal e é essa a razão central para a minha crítica cerrada às políticas do actual governo: parece-me uma imprudência infantil avançar num mundo de incerteza diminuindo a margem de manobra face ao inesperado e o desconhecido.
Mesmo não excluindo a hipótese de que as coisas corram tão bem que os efeitos nunca se venham a manifestar, adoptar esse ponto de partida para definir a governação não é optimismo, é estupidez.

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Como a peste

por João Távora, em 30.12.16

2016-12-30 17.30.38.jpg

Emerge por estes dias um discurso catastrofista a propósito das "redes sociais", "pós verdades", "notícias falsas", "populismos" como se fossem novas pestes, o fim do mundo em cuecas. Assim se referiu a essas pragas José Pacheco Pereira que por motivos insondáveis adoptou nos últimos anos um discurso contra tudo, em especial contra a realidade que teima em não o compreender. Quando certas personagens como Pacheco Pereira se insurgem contra as redes sociais e os perigos do anti-intelectualismo – todos ignorantes todos iguais, a minha leitura da realidade vale tanto como a tua - a coisa soa-me a ressabiamento e ciumeira pura.

Hoje foi a vez de Miguel Sousa Tavares, um tipo porreiro que não consta ser um perito em coisa alguma, antes pelo contrário, tecer na sua coluna do Expresso pela enésima vez um rol de lamúrias e alertas sobre os perigos e a perversão acrescida do conluio entre os jornais e os media sociais. As pessoas com a idade se não se cuidam podem tornar-se amargas, já se sabia.

Convém relativizar o alarmismo acicatado pelas vitórias “populistas” no seu confronto com o politicamente correcto veiculado pela imprensa tradicional em dificuldades. Afinal o populismo (veicular o que é popular) sempre existiu - vejam-se os casos extremos dos discursos do PCP e do Bloco de Esquerda ou do PS durante o resgate da Tróica –  e não é mais que o discurso fantasioso de conquista de popularidade àqueles que se quer apear e as notícias falsas simples munições de propaganda, a mais antiga profissão do mundo a seguir à outra - e Pacheco Pereira conhece-a bem. Mas se tudo isto são notícias más que perturbam os nossos tempos, a boa notícia é que elas sempre existiram sob outras capas e formas. Não nos consola nada, mas a ignorância e a imprevidência na interpretação da realidade é um problema antigo. Que o Mundo é um local perigoso e que a escolaridade não erradicou a ignorância também não é novidade. Está visto que “quando todos morrermos da peste só ficarão na Terra os próprios Sousa Tavares e Pacheco Pereira”*. Entretanto, eles que aproveitem bem o palco que têm para proferirem livremente as suas generalidades.

* Frase de João Villalobos, um perigoso propagandista no Facebook.

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Um desporto nacional: o tiro ao Coelho

por henrique pereira dos santos, em 29.12.16

Não deve passar uma semana sem que haja um ou dois, pelo menos, anúncios da morte política de Passos Coelho, seja por pessoas que nunca se enganaram em relação ao futuro, como Daniel Oliveira, seja por jornalistas diversos, seja por amigos, adversários e inimigos.

Para esse desporto nacional contribui muita gente, com textos mais divertidos ou simples conversa de porteiras, em que cada afirmação é criteriosamente interpretada para caber na tese previamente definida.

Por exemplo, Manuel Carvalho, há dias, era absolutamente definitivo "É oficial: o ocaso político de Pedro Passos Coelho deixou de ser uma previsão de cartomância. É uma realidade".

Compreendem-se bem estas declarações definitivas quando se olha para a sólida fundamentação apresentada por Manuel Carvalho: Rui Rio vai a jantares de Natal e Hermínio Loureiro disse qualquer coisa. Até se poderia dizer que jantares há muitos, mas Hermínio Loureiro dizer qualquer coisa, isso sim, é um sinal inequívoco e inegável.

"A sua solidão é sinal da sua incapacidade para angariar lealdades com estratégia e fidelidades com vitórias" diz, com lucidez e originalidade Manuel Carvalho.

"Passos Coelho parece seguir cada vez mais sozinho no caminho escolhido por si ... há uma divisão cada vez menos silenciosa e mais ideológica que ameaça o PSD. ... "Estas medidas pré-anunciam o divórcio entre Passos Coelho e os portugueses, mas também entre Passos Coelho e o PSD", afirma ... um ex-dirigente do partido. Este social-democrata .... está preocupado ... "Depois de criada uma dinâmica social de contestação, incompreensão e desconfiança, um mau resultado eleitoral nas autárquicas pode conduzir ... a uma crise política", antecipa.".

Peço desculpa aos leitores, distraidamente engatilhei uns artigos de jornal noutros e esqueci-me de avisar que esta última citação é de 2012, num artigo chamado "Passos encurralado?".

O tiro ao Coelho é como a fama da aguardente Constantino: já vem de longe.

Tal como as figuras ridículas dos jornalistas que se repetem ano após ano, mês após mês, semana após semana, no anúncio da morte política de Passos Coelho.

Uma dia inevitavelmente acertarão, claro, mas penso que nem percebem como no entretanto o pagode se ri com o espetáculo do rei que vai nu.

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O estranho caso das maravilhosas vitórias puríssimas

por henrique pereira dos santos, em 29.12.16

"Agora, prossegue Lacerda Machado, "acredito que as pessoas, ao fim de um ano começam claramente a perceber" que António Costa, ... começou "por mudar o sistema. ... Este reingresso de partidos e conjuntos políticos da maior importância para dentro do sistema foi uma alteração telúrica, uma movimentação de placas tectónicas e é, como se pode ver, uma solução que funciona"".

Há um ano que sou martelado com a ideia de que acabar com o arco da governação e integrar partidos que se colocaram à margem do sistema é, por si só, uma grande vitória política com um enorme e promissor futuro, sendo em sim mesma uma coisa muito positiva para o país.

No entanto, por mais que me esforce, não consigo ver escrito ou dito em lado nenhum qual é o efeito concreto disso, desse "abalo telúrico", em que é que se traduz esse efeito positivo para a vida das pessoas, para além de assegurar a sobrevivência política de Costa, questão que está abaixo da centésima prioridade da vida de mais de 90% dos portugueses.

Será talvez a altura de lembrar que esses partidos e "conjuntos políticos" (como eu deliro com gente que fala assim) estavam à margem do sistema por opção própria, aliás legítima, e porque 90% do eleitorado não estava (e veremos nas próximas eleições se continuam a ter 10% dos votos) interessado nas suas propostas para a governação.

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Prognóstico antes do jogo

por João-Afonso Machado, em 28.12.16

O grande vencedor político de 2016 foi, sem dúvida, António Costa. Não apenas sobreviveu - tornou-se popular. Está radiante, passeia por aí de mãos nos bolsos e um sorriso de gozo com todos nós, o sorriso de quem roubou um chocolate a todos nós e não foi descoberto. Porque, de resto, nada mais fez, além de reunir com o PC e o BE e participar regularmente nos seus próprios comícios. Em suma - acordos tacticos, muito teatro e a vidinha em dia. Sabendo que nunca será o que ainda ninguém se lembrou chamar-lhe - um estadista. (Com aquela expressão?!...)

Tentou - catastroficamente - falar a sério no Natal. Num jardim de infância laico, decorado a pais-natal para estimular o consumo. Nada disse, como é óbvio.

Assim chegámos a Marcelo. Na noite de Natal em visita solidária à Re-Food e aos seus beneficiários. A uma instituição que não esconde a imagem enorme de Nossa Senhora onde as câmaras televisivas se detiveram. A uma IPSS, um dos muitos espinhos cravados na garganta da Esquerda, como Marcelo bem sabe.

Não parece a Esquerda se escangalhe a si mesma e à "gerinçonça". Nem parece que a actual Oposição chegue para Costa. As gracinhas dos presentes no Parlamento revertem sempre a favor dele, com muito mais "parlapié" do que Passos ou Cristas. 

Mas a Esquerda e Costa já nada podem, diante a opinião pública, contra Marcelo. Em 2017, creio será o tempo de Marcelo deixar as alfinetadas da IPSS vs. jardim de infância laico e começar a dizer coisas mais sérias, claras e duras. Para além da economia e das finanças, até. Ou então Marcelo é esquerdista e a gente não sabia.

Um Ano Novo excelente, cheio de saúde, para todos!

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Falta-me a paciência para as feiras de gado

por henrique pereira dos santos, em 27.12.16

Confesso que acho absurdo o tempo que se perde com coisas que até podem ser lamentáveis mas que na verdade valem quase zero: quem nunca disse tolices que atire a primeira pedra.

Enquanto encenamos indignações enormes porque alguém numa conversa de quartel foi indevidamente apanhado por um aparelho de escuta (porque na verdade foi isso que aconteceu) perdemos a oportunidade de nos indignarmos com o saque sobre os nossos filhos que se está a fazer com o crescimento absurdo da dívida.

Augusto Santos Silva devia sair, sim, porque faz parte de um mau governo que tem más políticas, não por fazer comentários que não andam longe do nível das performances retóricas do primeiro ministro na Assembleia da República.

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O diabo à espreita

por João Távora, em 27.12.16

Marcelo é inteligente ao cavalgar o inédito período de paz social e de domesticação das esquerdas radicais (e dos sindicatos, por consequência) que lhe caiu do céu. Mas desconfio que o seu frenesim comece a virar-se contra si próprio a breve trecho. E aqui entre nós, o diabo está mesmo à espreita.

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Do passado que nos parece que existiu

por henrique pereira dos santos, em 27.12.16

Na semana passada Luis Aguiar-Conraria, no Observador, usou uma expressão semelhante à que hoje usou João Miguel Tavares no seu artigo do Público "Embora a herança salazarista tenha sido trágica na Educação".
Esta expressão é historicamente muito pouco rigorosa, seria muito mais rigoroso dizer "Embora a herança pombalina tenha sido trágica na Educação".
Vejamos.
Pouco antes do salazarismo a taxa de escolarização no país é de cerca de 15% e a taxa de analfabetismo estava acima dos 60%, quando o Estado Novo acabou a taxa de escolarização estava nos 85% (penso que medida pela número dos que completavam o ensino básico, visto que a frequência escolar e a alfabetização das crianças em idade escolar era de 100% desde o início dos anos 60) e a taxa de analfabetismo estava nos 25%, o que deve ser lido tendo em atenção que quem tinha 15 anos em 1930 sem nunca ter ido à escola, tinha uma boa probabilidade de estar vivo em 1974, continuando analfabeto. E é bom não esquecer que os mais novos e escolarizados tinham, em grande parte, emigrado.
Ou seja, o Estado Novo fez a escolarização de facto do país, coisa que o país tinha feito há 150 anos, no papel, sem nunca a ter levado à prática. Os resultados da primeira república nesta matéria são arrepiantes, provavelmente pela mesma razão que explica os resultados de Pombal: a perseguição ao ensino de base confessional.
Só nos anos 30 do século XX é que o número de alunos no país voltou ao que era antes da expulsão dos Jesuítas por Pombal, decisão que fez diminuir o número de alunos nas escolas de Portugal em qualquer coisa como 90%, para além de ter diminuído acentuadamente a qualidade do ensino pela diminuição brutal da qualidade dos professores (ver Francisco Romeiras e Henrique Leitão, para estes números).
Sendo verdade que o Estado Novo se focou essencialmente no ensino básico, sendo verdade que provavelmente poderia ter feito um esforço maior na qualificação dos portugueses, sendo verdade que a qualificação dos portugueses estava longe de ser uma prioridade de Salazar – o que é diferente de dizer que a sua alfabetização não era uma prioridade do regime – a verdade é que a base de partida é muito, muito má e o regime a melhorou substancialmente.
É, por isso, muito impreciso dizer que a herança do salazarismo tenha sido trágica na educação. A herança é má, mas muito melhor que a herança que o salazarismo recebeu. Se assim não fosse, aliás, não teria sido possível a rápida democratização do ensino pós 25 de Abril porque na educação as coisas não mudam instantaneamente: a base dessa democratização é feita pelo Estado Novo, quer no enquadramento institucional, quer no investimento em instalações, quer na formação de professores, quer na criação de uma base social alfabetizada e valorizadora da educação dos filhos.
Insistir na tecla da pesada herança fascista, também na educação, apenas serve para nos distrairmos da discussão essencial: como é possível que continuemos a branquear as decisões tragicamente erradas de Pombal e da primeira república nessa matéria quando os seus resultados são o que são, sendo, esses sim, trágicos e miseráveis?
Aparentemente, continuamos a valorizar muito mais o que escrevemos na legislação sobre a escola que o que se passa realmente nas escolas.
Nada disto constitui qualquer elogio ao Estado Novo: não só os resultados económicos e sociais de um regime são irrelevantes para avaliar a sua legitimidade – e o Estado Novo era um regime ilegítimo por ser uma ditadura – como reconhecer a realidade nunca é, ou deixa de ser, um elogio, é apenas um módico de racionalidade para que possamos fazer melhores escolhas em cada momento, aprendendo com o passado.
Com o passado que existiu, não com o passado que vamos inventando para justificar as nossas opções e fracassos do presente.

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República das pipocas

por João Távora, em 26.12.16

Que o nosso presidente dos afectos era admirador do Gerorge Michael eu não sabia (não, não é uma notícia do Inimigo Público).

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Geringonça

por Vasco M. Rosa, em 26.12.16

O cenário da comunicação ao país do sr. PM na noite de natal é o verdadeiro exemplo da geringonça. Que linda sinceridade!!!

Que dirão daquela indigência visual os «artistas plásticos» e «os agentes culturais» que correram a um almoço em cervejaria de beira-rio a festejá-lo? Não poderiam eles, se contratados, fazem melhor? Certamente que sim.

Ah, e como devem estar aborrecidos agora, que em tantos aspectos foram abandonados como restolho que já não serve pois o assalto político foi consumado? Eles sim, ajudaram a montar a geringonça que os deixou para trás, em favor do aparelho politico.

O MNE refere-se à concertação social como «feira de gado» e continua em funções? Claro, basta que AC venha sorrir e dizer umas graças à moda dele, para que tudo siga adiante, sem arestas.

QUe 2017 seja melhor para todos nós, senão estaremos fritos.

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2017

por henrique pereira dos santos, em 26.12.16

"Os sociais democratas assumem que há desconforto com as autárquicas ... e com a liderança de Passos Coelho. Mas o líder ainda mantém muitos apoios no partido".

A jornalista poderia ter escrito "Há sociais democratas que assumem que há desconforto com as autárquicas e com a liderança de Passos Coelho, que mantém muitos apoios no partido".

Provavelmente, teria sido mais fiel à informação objectiva e demonstrável de que dispõe, embora, por falta de espaço, mais uma vez grande parte das fontes de informação da notícia não tenham sido identificadas, o que naturalmente limita a capacidade do leitor perceber exactamente se a jornalista tem realmente informação ou é simplesmente um amplificador de agentes políticos activos.

 

Desde um debate em Setembro de 2015, antes das eleições, que o BE definiu três propostas que o PS teria de retirar do seu programa para ter o apoio do BE a um governo seu.

Uma dessas propostas era o abandono da descida da TSU.

O acordo de concertação social celebrado há dias prevê uma descida da TSU, transferindo para os contribuintes parte do esforço que as empresas teriam de fazer para assegurar a subida do salário mínimo decidida pelo Governo.

Parecer-me-ia lógico que as notícias dessem relevo ao facto do BE ter abandonado uma das suas três exigências básicas para apoiar um governo do PS ou, em alternativa, que destacassem o facto de Costa se ter comprometido com o abandono da TSU para ter o apoio do BE, tendo aproveitado a fragilidade estratégica do BE para se escusar a cumprir a palavra dada, no primeiro momento em que teve necessidade de o fazer.

Mas não, o Público titula "BE recusou proposta de Costa que baixava TSU dos trabalhadores" (uma informação marginal face à dimensão da cedência do BE) e o editorial do Público chama coragem à enésima demonstração de falta de palavra de Costa, para quem os compromissos de hoje são amanhã meras dificuldades de comunicação que é preciso gerir com atenção.

 

E será assim mais um ano: tudo o que Passos fizer, faça o que fizer, é evidentemente uma estupidez, tudo o que Costa fizer, faça o que fizer, é um golpe de génio para a grande maioria dos jornalistas que escrevem sobre política.

E se uma eleição no futuro vier desmentir tudo o que os jornalistas foram escrevendo no entretanto, a responsabilidade será de qualquer coisa que logo se verá, nunca será dos jornalistas que simplesmente se demitiram de procurar entender a realidade, investindo cada vez mais no esforço de a formatar.

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Domingo de Natal

por João Távora, em 25.12.16

RAL_Natal_2016.jpg

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João 


No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, Ele estava com Deus. Tudo se fez por meio d’Ele e sem Ele nada foi feito. N’Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam. O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem. Estava no mundo e o mundo, que foi feito por Ele, não O conheceu. Veio para o que era seu e os seus não O receberam. Mas àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade.

Palavra da salvação

 

* Imagem: Presépio da Basílica da Estrela atribuído a Machado de Castro.

 

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O exemplo que vem de cima

por João Távora, em 23.12.16

Se encararmos o Natal com o espírito de "o que é que eu posso dar" em vez de "o que é que eu vou receber", no final estaremos sempre mais realizados. 

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Acolhimento e Santo Natal

por Vasco Mina, em 23.12.16

A agenda vai ficando carregada e estamos em pleno Advento com o dia de Natal cada vez mais próximo. Concerto de Natal em favor de uma associação que apoia os mais desfavorecidos, noite de fados para apoiar outra obra, jantar de Natal da empresa, encontros de amigos, reuniões familiares, compras por fazer… Muita azáfama mas… e o Natal? Eis que por via desta nova forma de comunicação que é o WhatsApp me chega o seguinte diálogo:

Luísa: Vai chegar, no dia 20, uma família da Síria. Temos uma casa que nos foi cedida e precisamos ainda de candeeiros, talheres, cesto e tabuleiro para roupa, aspirador, utensílios de cozinha, caixas parra arroz e massa, balde com esfregona,…

Antónia: Ofereço os candeeiros. Onde se entrega?

Marta: Tenho cestos de roupa cá em casa. Ofereço.

Jaime: Dou o aspirador       

Teresa: Luísa, tenho imensa roupa das miúdas. Será que vão necessitar?

 

O diálogo assim foi continuando e até dia 20 se encontrarão soluções para as necessidades de acolhimento desta família que chega. Vêm de um país destruído pela guerra, arriscaram as vidas na viagem de fuga e foram parar a um campo de refugiados na Grécia. Sabe-se pouco ou nada sobre eles mas, na verdade, o que importa é que chegam até nós. O que podemos fazer por eles é a questão que nos é colocada neste Natal. Olhando para o Presépio que nos recorda o Nascimento de Jesus fica também outra pergunta: o que posso fazer por este Menino?

Jesus nasceu para nos acolher e até nos disse que sempre que acolhêssemos os mais pobres seria a Ele quem acolheríamos. No meio das múltiplas tarefas típicas deste período do ano, nas quais muitas vezes perdemos o sentido profundo do Natal, talvez que o gesto mais básico seja o acolhimento. Acolher quem? Aqueles que nos batem à porta! Mas quem são? Não importa! Como fazer? Basta estar atento!

 

Votos de um Santo Natal para todos aqueles e suas famílias que aqui nos visitam no Corta-Fitas!

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Do riso e das hienas

por José Mendonça da Cruz, em 22.12.16

antonio costa e jose socrates.jpg

Este homem que serve de primeiro-ministro ri muito, está sempre a rir, ou seja, pode dizer-se que não é uma pessoa séria. Mas ao contrário das hienas ele sabe porque ri. O outro, mais à esquerda, ri também, mas, embora ria menos, não pode ser chamado sério também.

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Pré Natal iii (às compras)

por João Távora, em 22.12.16

Nunca me tinham desejado "votos de continuação". O mundo está mesmo perdido.

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Pré Natal ii (às compras)

por João Távora, em 22.12.16

Fenómeno da quadra: maridos abandonados em centros comerciais.

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Pré Natal i (às compras)

por João Távora, em 22.12.16

Os principais prejudicados com a moda dos smartphones e tablets são os comerciantes de luvas.

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