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O IMI e a cegueira ideológica

por Vasco Mina, em 30.08.16

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Percebe-se bem, com a imagem acima, a cegueira ideológica denunciada por Assunção Cristas. Como bem refere a dirigente centrista, “o IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) está a tornar-se no imposto de eleição deste Governo…A cegueira ideológica e a preferência pela tributação do património está a chegar longe de mais!” Mas o BE refere também o Estado, os partidos políticos, os clubes desportivos,… Sim mas a prioridade é a Igreja e não por acaso a opção ideológica passou por uma imagem de Fátima. Também para o Governo a prioridade não passou por enviar as notificações ao Sporting, ao Benfica e ao Porto a questionar sobre a situação patrimonial destes clubes com a justificação sobre a isenção fiscal; não, o Governou optou pela Igreja e por isso, segundo esta notícia, “dezenas de paróquias estão a receber notificações do Ministério das Finanças para pagarem o Imposto Municipal sobre Imóveis relativo a bens e equipamentos que estão isentos pela Concordata”. A geringoça vive de acordos entre o PS e os partidos à sua esquerda e em tempos de grandes desafios negociais (o Orçamento para 2017 está aí à porta) António Costa tem de oferecer algo ao BE. Nada melhor para a cegueira ideológica dos bloquistas do que aplicar o IMI à Igreja!

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Santana e a geringonça

por Vasco Mina, em 29.08.16

A geringonça vai fazendo o seu caminho e vai até conseguindo a adesão de muitos daqueles de que se pensava que não estariam alinhados com o percurso de António Costa. Desta vez é Santana Lopes quem se rende ao encanto: "Vamos de geringonça em geringonça, construindo várias soluções um pouco surpreendentes. Há aqui uma marca indelével do primeiro-ministro. Parece haver ao menos a sua inspiração política de procurar construir soluções engenhosas". Para os que ainda esperam pela candidatura a Lisboa do atual Provedor da Santa Casa Misericórdia de Lisboa, será melhor procurarem outro candidato pois António Costa já conseguiu que Santana permaneça onde está. Esta sim uma verdadeira geringonça: manter a “chama viva” de um candidato que nunca o será.

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A inspiração é a de sempre

por Vasco M. Rosa, em 28.08.16

Nada melhor do que não ter de escrever nada ou muito pouco, quando as imagens dizem tudo ou quase tudo acerca dos modos como algumas pessoas fazem (ou acreditam que fazem) política (que tendem a confundir com barbarismo ou clubismo), quando haveria de ser o que etimologicamente representa.

Não foi por acaso ou exclusão de partes, por ausência doutros modos e talentos, que o PS escolheu JG para seu porta-voz, mas pelo facto de que ser o mais activo clone de JS, cuja sombra se estende cada vez mais sobre esse partido cuja direcção só aparentemente se afastou dele, pela mais cínica conveniência, mas não por nojo ou vergonha. Aos poucos, indirectamente ele está a voltar, como pode.

Um partido cujas figuras cimeiras são António Costa, Ferro Rodrigues e Carlos César, que pode ele dar a um país, qualquer que seja — e ao nosso, em primeiro lugar? Sim, é disso que se trata.

Claro que Galamba conta ter o seu cunhão e recanto aprazível nesse hipotético apogeu socrático e está a fazer por isso, mostrando-se animal feroz quando o dito cujo está no limbo.

A inspiração é a mesma ou comum, e é isso que importa.

Agradeçamos a JG a clara sinceridade desse estado das coisas...

Na imagem, o deputado em funções de trauliteiro, quando o dito foi comandar a diplomacia.

 

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Questões verdadeiramente nacionais

por João-Afonso Machado, em 28.08.16

Há quantos anos as nossas equipas de topo não jogam com um ponta-de-lança português?

Assim André Silva, de azul e branco - as cores nacionais - esteja à altura de devolver ao F. C. do Porto as alegrias a que se habituaram os seus adeptos. E, com ele, Sérgio Oliveira, Rúben Neves, André André, Danilo, Varela... e, claro, o contingente sul-americano que se espera não ande pelo Dragão meramente de passagem. O futebol não pode continuar o trade center a que temos assistido.

Daqui a pouco já tudo será mais conclusivo. Força FCP!

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Domingo

por João Távora, em 28.08.16

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas


Naquele tempo, Jesus entrou, num sábado, em casa de um dos principais fariseus para tomar uma refeição. Todos O observavam. Ao notar como os convidados escolhiam os primeiros lugares, Jesus disse-lhes esta parábola: «Quando fores convidado para um banquete nupcial, não tomes o primeiro lugar. Pode acontecer que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu; então, aquele que vos convidou a ambos, terá que te dizer: ‘Dá o lugar a este’; e ficarás depois envergonhado, se tiveres de ocupar o último lugar. Por isso, quando fores convidado, vai sentar-te no último lugar; e quando vier aquele que te convidou, dirá: ‘Amigo, sobe mais para cima’; ficarás então honrado aos olhos dos outros convidados. Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado». Jesus disse ainda a quem O tinha convidado: «Quando ofereceres um almoço ou um jantar, não convides os teus amigos nem os teus irmãos, nem os teus parentes nem os teus vizinhos ricos, não seja que eles por sua vez te convidem e assim serás retribuído. Mas quando ofereceres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos; e serás feliz por eles não terem com que retribuir-te: ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos.


Palavra da salvação.

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Carta a João Miguel Tavares

por Maria Teixeira Alves, em 27.08.16

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O artigo do João Miguel Tavares (que é uma pessoa com quem costumo concordar, isto é, de um campo ideológico de que me sinto próxima) começa logo com uma generalidade (que encerra um erro). 

"Caros jornalistas das secções e dos jornais de economia: há muito que estou para vos escrever uma carta aberta, e no dia em que chegou a conta de mais 5160 milhões, agora para a Caixa Geral de Depósitos, achei que não podia continuar a adiá-la".

Ora os 5.160 milhões não são "mais". Porque destes, os 960 milhões de euros em CoCos já tinham sido em 2012, a conversão em capital não reforça os fundos próprios da CGD. Os 500 milhões da ParCaixa também eram um aumento de capital da CGD "encapotado" de antes, já lá estavam 50% e agora vão os outros 50%.

"Mais" mesmo será o aumento de capital de que não se conhece o número, apenas o tecto máximo de 2.700 milhões. As obrigações subordinadas são para colocar em investidores institucionais e não aumentam o capital core, que é o que é preciso aumentar em termos regulatórios, parece-me ser uma contrapartida exigida por Bruxelas para aprovar o aumento de capital na CGD considerando-o uma operação em condições de mercado, o que evita ir ao défice (mas não à dívida).

Portanto o capital (fundo próprios) só vai mesmo aumentar em 3,2 mil milhões no máximo. Digo no máximo, porque o valor exacto do aumento de capital em dinheiro depende da auditoria externa à carteira de crédito e outros activos.

Dito isto, passemos à resposta do João Miguel Tavares à carta que escreve no Público aos jornalistas de economia (mesmo sendo eu dos jornalistas que não beneficiou com a crise porque deu-se o azar de me calhar a Ongoing como accionista em 2008 com tudo o que isso implicou). 

Pergunta o João Miguel Tavares, numa espécie de pergunta de retórica: Por que raio andaram tão distraídos ao longo dos últimos anos? Por que é que, antes do BES, do Banif e da Caixa, garantiam que o sistema financeiro continuava sólido como uma rocha, tirando o azar do BPN e do BPP, mais uns problemazitos no BCP? Há aqui uma história para vocês, jornalistas de economia, contarem, e que eu nunca vi contada. O parêntesis mais dramático do jornalismo económico nacional — aquele que dizia “a crise no GES (não no BES)” — estendeu-se a praticamente todos os bancos. Expliquem-nos, por favor: porque é que não soubemos antes? Por que é que vocês, que percebem disto à brava, não nos avisaram?

Porque João Miguel Tavares aquilo que consome o capital dos bancos hoje não era o que consumia antes de 2008. As regras contabilísticas foram mudando até chegar a Basileia III. Por exemplo, sabe que a razão porque a CGD, o BCP e o BPI precisaram de CoCo´s foi porque um dia a Autoridade Bancária Europeia decidiu que as obrigações soberanas em carteira (aquelas que um par de anos antes o sistema levou os bancos a reforçarem em força porque era o colateral que lhes permitia ter financiamento no BCE - o MMI fechou-se pós falência do Lehman Brothers) tinham de ser contabilizadas ao mark-to-market (valor de mercado)? Numa altura em que o risco das obrigações nacionais era elevado. Isso abriu um buraco no capital dos bancos, de um dia para o outro, sem que os bancos tivessem feito alguma coisa para isso. Sabe que a maioria dos gaps de capital são imposições regulatórias? A União Bancária é óptima porque divorcia o risco dos bancos do risco soberano, mas a um preço muito alto. 

Obviamente que se um banco tem accionistas ricos esse problema é mitigado porque alguém põe o dinheiro, mas Portugal, graças ao PREC, deixou de ter capitalistas, logo deixou de ter capitais. Demora gerações a ter capital, ou então o país tem a sorte de ter commodities.

Há dez anos atrás não havia almofadas de capital para risco sistémico, almofadas de capital para carteiras de crédito em risco. Penso que até nem havia o rácio do Banco de Portugal de crédito em risco. O rácio era crédito em incumprimento há mais de 90 dias. Não havia ponderações a 100% da exposição a Angola. Não havia ponderadores de risco reforçado para créditos com colaterais em acções. Também é certo que não havia DTAs (activos por impostos diferidos) para ajudar.

Na altura as provisões eram as obrigatórias para crédito e as outras eram almofadas voluntárias que os bancos constituiam para semestres dificeis.

Sobre os casos específicos de que fala o João Miguel Tavares: sobre o BPN se alguém denunciou foi a imprensa, penso que o caso do artigo sobre o banco do Oliveira e Costa chegou mesmo a tribunal. Sobre o Banif o que se sabia era de denúncias sem documentos (quem se atravessa a escrever informações não demonstráveis?). E mesmo assim muita coisa foi escrita (veja-se o caso de Angola/Banif). O Banif Brasil foi várias vezes notícia.

Quanto ao BES/GES se me conseguir explicar como é que os jornalistas conseguiam descobrir os balanços secretos da ESI, uma SGPS sediada no Luxemburgo, onde o verdadeiro passivo estava num excel alegadamente feito pelo presidente do BES, se nem as autoridades do Luxemburgo descobriram. 

Mas se for lá ver a imprensa da altura havia muita gente a falar do crédito para comprar acções e com acções como garantia. Eu até um livro escrevi sobre o assunto quando o BCP foi tomado de assalto pelo grupo dos aliados para travar OPAs incómodas. O João Miguel tem razão, na altura ninguém ligava nenhuma às notícias de economia por isso é que agora dizem estas coisas que o João diz. Quando diz "ainda sou do tempo em que as pessoas liam os jornais sem ligar patavina às páginas de economia". É caso para se dizer: Nota-se!

 

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Confundir para dominar

por João Távora, em 27.08.16

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Este paralelo entre o trajar da mulher muçulmana e o de uma freira apresentado na capa da revista New Yorker é inteiramente abusivo, eu diria uma aberração. Acontece que o trajar de uma freira é uma opção de uma mulher consagrada por sua escolha a uma determinada missão de vida – como algumas pessoas fingem não saber, as mulheres católicas leigas vestem-se como lhes apetece - enquanto as mulheres muçulmanas são forçadas a tapar-se por força duma submissão – dependendo o grau de puritanismo da região. É curioso como para uma certa esquerda a causa da emancipação feminina deve ser circunscrito às mulheres ocidentais. 
A quem interessa armar esta confusão?

 

Sobre o assunto aconselho a leitura deste artigo do Samuel de Paiva Pires

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A derrota de Camus

por João Távora, em 27.08.16

 

(…) Como Camus bem sabia, não há cosmopolitismo sem raízes, não há ética cosmopolita sem pátria. Um bom cosmopolita é um bom anfitrião que domina as artes da hospitalidade. Ser cosmopolita é tratar bem aqueles que visitam a nossa casa. A jusante, só podemos ser bons cosmopolitas se mantivermos a montante uma enorme estima pela nossa casa; só podemos amar a Humanidade se amarmos o vizinho do 4º esquerdo se pudermos ver a Humanidade num estrangeiro se amarmos a nossa rua, a nossa cidade, a nossa pátria. Ora nas últimas décadas, o multiculturalismo representou na prática a destruição organizada da nossa própria casa, a erradicação de narrativas nacionais com centenas de anos, a diabolização das nossas religiões (judaísmo e cristianismo) com milhares de anos. Como é que podemos agora reconstruir uma noção de pátria que nos liberte do multiculturalismo e que, ao mesmo tempo, evite nacionalismos?

(…) Se queremos evitar uma longa guerra civil com os islamitas e se queremos manter a essência das nossas democracias abertas, temos de reaprender a jogar bowling juntos, temos de reaprender a articular a palavra pátria, temos de voltar à decência de Albert Camus.

 

A Pátria de Camus, um ensaio de leitura obrigatória de Henrique Raposo hoje na revista do Expresso.

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A criatividade fiscal neo-marxista do Governo de António Costa ficou bem patente nas alterações ao IMI. As contas da Administração Pública (não me estou a referir às maquilhadas apresentadas esta semana mas sim às reais) apontam para novas abordagens criativas. Vale a pena ver o sketch dos Monty Python pois ilustra bem o Taxation Way of Life socialista.

 

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O burkini e o busílis da questão

por João Távora, em 26.08.16

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Em boa hora um tribunal francês suspendeu proibição do ‘burkini’ em Villeneuve-Loubet. No entanto as proibições decretadas por vários municípios do sul da França tiveram a virtude de promover no espaço público (redes sociais – entenda-se) a pertinente discussão sobre os costumes muçulmanos e aquilo que a sociedade ocidental está disposta a claudicar no que diz respeito aos valores da dignidade e dos direitos da mulher em nome do multiculturalismo. Só por má-fé ou sectarismo ideológico não se reconhece a barbárie que impera na generalidade das sociedades muçulmanas em relação aos direitos das mulheres, obrigadas a uma posição de maior ou menor subalternidade em relação aos homens. Para tanto não deveria ser necessário referir os exemplos gritantes da Arábia Saudita, da Síria, do Paquistão ou Irão. Infelizmente este importante debate parece não ter obtido prioridade nas televisões e nos media “de referência” em que os comentadores se cingem à reprovação da intromissão do Estado nas liberdades individuais e à teimosa recusa dum confronto entre culturas - inevitável mais tarde ou mais cedo. A defesa da igualdade de direitos das mulheres nos países de cultura judaico-cristã, independentemente da sua origem geográfica étnica ou religiosa, deveria ser a questão prioritária no debate levantado pelo 'burkini'. Infelizmente, pelo contrário, isso é um tabu relativamente ao qual urge insurgirmo-nos.

 

Imagem daqui

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No meio da ponte (mas em calções de banho)

por João Távora, em 25.08.16

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Quanto ao tema do momento, a polémica proibição do uso do 'burkini' nas praias de França, considerado um atentado aos "bons costumes e o secularismo" (!), também eu me sinto compelido a molhar o pão na sopa.

Em primeiro lugar admiro-me com a quantidade de pessoas com posições categóricas num assunto como este que me parece demasiado complexo e intrincado.

Também eu por princípio sou contra as proibições, cuja eficácia é aliás duvidosa. No que refere por exemplo aos meus filhos adolescentes, saudavelmente atreitos a experimentalismos e provocações, reservo a minha intervenção para uma improvável situação limite, que talvez por isso nunca aconteceu.

Outro equívoco em que os laicistas incorrem é classificar esta indumentária como uma expressão religiosa, quando esta é apenas uma matéria do âmbito cultural e de costumes. Em Portugal, há não muitos anos, na cidade ou na aldeia era comum encontrar senhoras viúvas todas de preto muito tapadas com lenço na cabeça, e isso não era sinal de qualquer devoção especial ou de frequentarem a igreja. Os republicanos de 1910 que perseguiam os padres e fecharam as igrejas eram conhecidos pelo seu puritanismo exacerbado no que refere aos costumes.

De qualquer modo reconheço diferenças acentuadas nos dois registos. Não acredito que as muçulmanas em França escapem com facilidade à atracção exercida pela cultura liberal e igualitária no que respeita à sexualidade e ao género que brota e se expressa por todos os poros duma sociedade cosmopolita. Por isso tenho dificuldade em acreditar que seja por sua livre e espontânea vontade que as senhoras se disponham a envergar semelhante indumentária numa praia no calor do Verão. Acontece que o 'burkini' é um sinal de submissão não é um fato de banho, e o seu uso um despropósito tão grande quanto eu estender-me numa toalha à torreira do sol de fato e gravata aqui na Praia da Azarujinha.

Finalmente, parece-me também que estas proibições, mesmo que de forma errada, constituem sinais de uma inversão nas desastrosas políticas multiculturalistas praticadas nos últimos anos numa França acossada por uma gigantesca comunidade muçulmana maioritariamente hostil aos valores e modo de vida liberal do ocidente.

Por tudo o que atrás referi, se me permitem fico no meio da ponte, quanto a uma tomada de posição inequívoca neste candente assunto. E dou Graças a Deus pela pacata comunidade muçulmana que nos coube em sorte em Portugal.  

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Um aumento de capital "mixuruca" e mais uma auditoria

por Maria Teixeira Alves, em 25.08.16

 

 

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Margrethe Vestager e Mário Centeno. São parecidos não são?

 

Está tudo muito contente. Margrethe Vestager está contente. Mário Centeno está contente porque conseguiu aprovar um aumento de capital para a CGD de, vejamos: 2.700 milhões+500 milhões+960 milhões+1.000 milhões = 5.160 milhões de euros. Parece uma exorbitância.

Todos seríamos tentados a pensar, que boa engenharia financeira esta, pois a CGD vai ficar a transbordar de capital e o Estado, dos 5.160 milhões só tem de investir 2.700 milhões de euros. E estes podem ser menos, porque 2.700 milhões é afinal um tecto máximo.

A este grande conjunto de tranches o Ministro esqueceu-se de lhe juntar o alívio no rácio de capital de 600 milhões pelo facto de já não ter de constituir no próximo ano uma almofada de capital em nome de ser uma instituição com risco sistémico. Mas podia ter somado, é tão válida como qualquer outra operação. Pois há dois meses o Banco de Portugal anunciou uma aplicação gradual da reserva de fundos próprios para as instituições de importância sistémica no mercado português. Esta decisão vai aliviar a pressão de capital sobre os principais bancos portugueses. A Caixa Geral de Depósitos, que tinha de reforçar o capital em 1 ponto percentual até ao final do ano — o que equivaleria a cerca de 600 milhões de euros — só precisa, agora, de obter metade desse valor até 2018 e a outra metade até 2019. 

Portanto, pelo menos aos 5.160 milhões há a juntar + 600 milhões (de almofada de capital adiada).

Mas quais destas operações é que são um verdadeiro reforço de fundos próprios (que é o que importa para os rácios de capital)? Os 960 milhões de CoCo´s não reforçam os fundos próprios do banco, porque já o reforçaram quando foram concedidos. 

Depois ninguém sabe ao certo de que forma a transferência de uma sociedade da Parpública para a CGA vai aumentar o capital em 500 milhões. É um aumento de capital em espécie?

As obrigações subordinadas, que eu saiba, não são Common Equity Tier 1 (são Tier 2), portanto são daquelas obrigações que servem para bail-in (investidores perdem tudo em resgate), mas não servem para cumprir o rácio dos reguladores  (o BCE tem um rácio especifico para a Caixa em função do risco da carteira de crédito; e os bancos vão deixar de poder contar com os DTA o que impacta no rácio de capital, e há mais exigências regulatórias a pedir capital CET1). 

Não restam dúvidas que a CGD precisa de um aumento de capital. A administração que vai agora sair já tinha alertado para a urgência de um aumento de capital para este ano.

O ministro das Finanças admitiu mesmo que o presidente demissionário da Caixa Geral de Depósitos (CGD) apresentou-lhe no começo do ano um "valor próximo" dos dois mil milhões de euros como o necessário para a recapitalização. Vamos ver se não vai ser esse o número que acabará por ser o aumento de capital.

É que Vestager autorizou um aumento de capital, não de 2,7 mil milhões, mas de no máximo 2,7 mil milhões, condicionado a uma auditoria externa em que Bruxelas vai estar de olho. A auditoria pode acabar por determinar que o aumento de capital que a CGD precisa é de apenas 2.000 milhões e lá se vai a ambição de um capital com almofada de segurança de grande dimensão que o futuro presidente do BPI tanto fazia questão.

Mais uma auditoria para descobrir as imparidades a constituir para a carteira de crédito, depois de testes de stress e de avaliações do BCE para deterninar o rácio de capital da CGD em função dos riscos da carteira de activos. Nunca parecem ser suficientes as auditorias.

O que nos apresentou o Ministro? Uma operação de aumento de capital não definido em montante, mas com a chancela de "em condições de mercado" ( o que quer que isso queira dizer). O que leva o investimento a ser considerado activo financeiro, logo não se reflecte no défice. São boas notícias para o governo que tem de chegar ao fim do ano com um défice de 2,5%.

Mas e quanto aos prejuízos acumulados da CGD, têm de ser reconhecidos no défice? Não há resposta.

Depois de tanta confusão mediática, de um orçamento rectificativo (para rectificar a dívida pública), de tanta guerra política, de tanta polémica, de tantos atrasos na substituição da administração, de tanta má publicidade à CGD, no fim do dia vamos acabar com um aumento de capital no mesmo montante que a administração de José de Matos já tinha calculado: de 2.000 milhões de euros. 

Vão tentar vender as mesmas coisas que os outros (carteiras de crédito, activos estrangeiros fora dos Palop, imobiliário). Até a conversão dos CoCo´s em capital já tinha sido anunciada por José de Matos.

Estou quase tentada a dizer que vamos ficar à espera das verdadeiras novidades para a CGD. Porque até agora o que há é requentado ou indefinido. 

 

 

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O indisponível direito a férias

por João-Afonso Machado, em 24.08.16

Alguém sabe de Mário Centeno?
Em que algarves parará o Ministro das Finanças, ao largo das peripécias futebolísticas da Galp e dos seus secretários de Estado, e das complicadas aritméticas do destino administrativo da CGD?

E a Sra. Ministra do Interior (afinal é ministra...) - aguardará o fim de semana para se deslocar a Abrantes? Sem sequer um prévio telegrama de solidariedade para com as populações cercadas pelo fogo? Ou aquele seu colete laranja hoje mesmo a lavandaria entregará a sua operacionalidade?

E o nosso Primeiro? Uns quilitos mais reluzente?

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A dialética socialista do Incumprimento

por Vasco Mina, em 24.08.16

Lembram-se do Cenário Macroeconómico apresentado ao PS por um conjunto de reputados economistas? Recordam-se que foi com base neste documento que António Costa e o PS se apresentaram como alternativa política e económica ao Governo PSD-CDS? Recentemente o Carlos Guimarães Pinto, o André Azevedo Alves e o Alexandre Homem Cristo apresentaram com muita clareza o balanço entre o que tinha sido projetado e aquilo que é hoje, nua e crua, a nossa realidade económica. Ontem, o economista e deputado do PS, Paulo Trigo Pereira, também ele um dos subscritores do citado Cenário Macroeconómico, apresenta a sua abordagem da situação económica e financeira do País. Começa humildemente por reconhecer o seguinte: “O crescimento económico é fraco há década e meia, não sendo por isso imputável nem a este nem ao anterior governo”. Assim sendo, por que subscreveu a tese de um crescimento de 2,4%? Ou seja, quando se é oposição (era o caso em 2015) então crescer é fácil e demonstrável num documento; quando se passa à governação, então o problema é do passado e resulta de uma observação estatística. Quanto ao défice apenas refere a única medida efetuada até agora pela governação socialista: ajustar, coma Comissão Europeia, a meta do défice. Ou seja, quando não se consegue pela via das reformas muda-se a meta. Muito ainda estaremos para ver o que vai ser feito nesta gin´sstica da meta variável. Sobre a dívida, o Deputado do PS reconhece, uma vez mais, que “enquanto permanecerem as necessidades de recapitalização da banca e das empresas públicas, não há forma de o seu peso no PIB diminuir”. Pergunta: mas não sabia isto quando redigiu o Cenário Macroeconómico? Porque projetou uma redução da dívida pública? É que a realidade dos números mostra, sim, um aumento da referida dívida. Não conseguindo explicar o porquê da diferença entre o projetado eo real, o Professor de Economia derrapa para a já conhecida dialética socialista justificativa do fracasso: “O terreno económico e financeiro é obviamente importante para o debate político, mas este não pode reduzir-se a crescimento económico, défice e dívida”; o que a seguir escreve é a habitual conversa da treta que já nem vale apena mencionar. O final do texto é, simplesmente, delicioso: do Governo aguarda a apresentação do Orçamento para 2017 e do PSD espera a apresentação de propostas alternativas e a definição do caminho alternativo. Mas, afinal, qual é o caminho da atual governação? É esta questão que o deputado socialista se recusa a explicar pois tudo o que foi apresentado no tal Cenário Macroeconómico se resume no seguinte: Incumprimento!

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Dona Chica e Senhor Pires

por João Távora, em 23.08.16

 

No tempo em que fui responsável pelas Relações Públicas do Hotel Tivoli envolvi-me em vários projectos ligados à vida, obre e biografia da acrtiz Beatriz Costa, mulher bela e desempoeirada que, sem que eu tenha conhecido pessoalmente, me conquistou e seduziu profundamente. Também por isso fico muito contente sempre que consigo juntar à minha colecção um disco seu. Assim, é com particular satisfação que aqui partilho "Dona Chica e Senhor Pires", tema cantado em dueto com o actor com Álvaro Pereira que, estreado em 1929 na Revista "Pó de Maio", granjeou uma popularidade que predurou por décadas.  

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D. Chica: Só me dizia insolências / e a bater não era peco…
Sr. Pires: E hoje, vejam lá bòscências, sou fadista papo-seco!
D. Chica: Já só usa roupa fina / e até seda, quando calha!
Sr. Pires: Camisas de popelina / e as cirolhas são de malha...
D. Chica: Desprezou o canivete, / está mais manso que uma pomba…
Sr. Pires: Rapo a fuça c’a gillette / e ponho cremes na tromba.
D. Chica: Andava sempre co’a malta, / encharcado em água-pé…
Sr. Pires: Pois agora só me falta / ir tomar chá à Garrett!

Refrão
D. Chica: Aconselho-te a que tires o chapéu / quando na rua me vires!
Sr. Pires: Quem? Eu? Oiça: / Isto agora é outra loiça – Dona Chica!…
D. Chica: Sr. Pires!

 

 Publicado originalmente aqui

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Políticos urbanos

por Vasco M. Rosa, em 21.08.16

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E lá se vão as olimpíadas — e nós com um Tejo que poderia ser um bom campo de treino para campeões de desportos aquáticos, e o que vemos é um rio sem barcos de desporto onde agora estacionam por pouco tempo navios de cruzeiro. 

Não poderíamos nós ser um tanto melhor nessas disiciplinas desportivas se houvesse algum discernimento e incentivo público? Aqui ao lado passam ciclovias que ninguém usa mas são a moda urbana, ou melhor dizendo, a moda da política urbana, ou para ser afinal exacto, a moda dos políticos urbanos, e que custam muito mais — ah, bastante muito mais — do que embarcações em clubes para facilitar boas horas livres e no meio delas algumas vocações desportivas e olímpicas.

Ah, mas isso seria pedir demasiado, particularmente a um domingo...

 

 

 

 

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Domingo

por João Távora, em 21.08.16

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus


Naquele tempo, Jesus falou à multidão e aos discípulos, dizendo: «Na cadeira de Moisés sentaram-se os escribas e os fariseus. Fazei e observai tudo quanto vos disserem, mas não imiteis as suas obras, porque eles dizem e não fazem. Atam fardos pesados e põem-nos aos ombros dos homens, mas eles nem com o dedo os querem mover. Tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens: alargam as filactérias e ampliam as borlas; gostam do primeiro lugar nos banquetes e dos primeiros assentos nas sinagogas, das saudações nas praças públicas e que os tratem por ‘Mestres’. Vós, porém, não vos deixeis tratar por ‘Mestres’, porque um só é o vosso Mestre e vós sois todos irmãos. Na terra não chameis a ninguém vosso ‘Pai’, porque um só é o vosso pai, o Pai celeste. Nem vos deixeis tratar por ‘Doutores’, porque um só é o vosso doutor, o Messias. Aquele que for o maior entre vós será o vosso servo. Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».


Palavra da salvação.

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Velharias

por João Távora, em 20.08.16

As fitas do 007 com Sean Connery agora em reposição no canal AMC, com aqueles adereços "vintage", automóveis, guarda-roupa de catálogo dos anos 60, são como as minhas memórias, um "filme de época" como se diz agora.

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Simples, estariam todos (Governo, partidos de esquerda, comunicação social, comentadores) a atirar pedras a Carlos Costa. Mas não, quem decide é Mario Draghi e até o Governo vai rever a lei bancária para recuperar alguns dos oito nomes rejeitados pelo BCE. É fácil bater em quem está desprotegido mas quando se trata dos que estão do lado da “Força” então toca a cumprir…

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Nós gostamos de "regimes"

por João Távora, em 18.08.16

Pouco tempo depois das presidenciais fui convidado para almoçar por um senhor Inglês, um gentleman que gosta muito do nosso país e que passa o ano entre Chelsea e Lisboa, que me recebeu com elegância e enorme simpatia no Círculo Eça de Queiroz de que é associado com um seu amigo compatriota, ambos muito conhecedores da história de Portugal e da nossa realidade politica. A determinada altura perguntei-lhes o que achavam do nosso regime semipresidencialista, ao que o meu anfitrião respondeu com uma gargalhada e a olhar para a mesa ainda cheia de iguarias: “We don’t like «regimes», João – do you?!”, tendo rematado depois, não disfarçando alguma vaidade “That’s why we still have our Queen!”.
Nessa altura algo que sempre soubera se me tornou clarividente e não evitei um sentimento de tristeza e de uma certa inveja. Acontece que os ingleses, que inventaram a democracia desenvolveram ao longo dos últimos séculos um sistema de poder tanto quanto possível disseminado, filtrado e orgânico – ainda hoje cabe aos tribunais comuns a criação de leis, por exemplo – puderam conservar a monarquia porque souberam escapar à tentação dos “regimes”, no sentido dum sistema demasiado ortopédico, opressivo (para isso já têm o fog e o frio). Enfim, como eu passo a vida a repetir, "temos aquilo que merecemos".

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