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Já há tuc-tuc's para Entrecampos?

por João-Afonso Machado, em 30.04.16

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Depois das imagens televisivas da deplorável selvajaria ontem, em frente a Campanhã, a decisão está tomada: taxis só para a colecção; e, nesta, só os verde-negros. No mais, tuc-tuc's se a rampa for muito inclinada ou a volta mais longa. E a Uber, claro, assim viaje de avião, compre um telelé novo e aprenda a solicitar os seus excelentes serviços. Zé Maneis benfiquistas e congéneres sportinguistas ou portistas: por mim, a vossa próxima viagem bem pode levar-vos ao desemprego. Ou ao António Costa, que vai dar ao mesmo mas com mais consumo de combustível e poluição.

 

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Viva o carvão! Viva o antigamente!

por José Mendonça da Cruz, em 29.04.16

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... e eu estou muito zangado com o governo, que devia proibir as empresas de gás e electricidade que arruinam o meu negócio de carvão para aquecimento e cozinha.

Mas estou muito solidário com o ministro Matos Fernandes, que não tem dúvidas de que a Uber é ilegal, tal qual como os mercados, a globalização, a iniciativa privada e o progresso.

E também estou muito solidário com o PC do Porto, esse fantástico Moreira tão amado do PS e tão apoiado pelo CDS, que é pelas companhias aéreas públicas e deficitárias, e está solidário com os táxis (dizem os táxis) contra estas modernices da rapidez, asseio, economia e satisfação do cliente. 

E espanta-me o Dr. Oliveira Costa da eurosondagem, que vem registar o apoio de mais de 70% dos inquiridos à Uber. Que generosidade a do Dr. Oliveira Costa que agora se presta a servir de contrapeso?

(E estou muito condoído com os jornalistas que fazem reportagens da manifestação dos taxistas, a quem Costa ainda não disse para onde devem pender neste caso.)

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A propósito da Uber

por João Távora, em 29.04.16

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Eu sou muito a favor das lojas tradicionais, de luvas, chapéus, mercearias e assim, e também dos taxis verde e pretos com motoristas maldizentes de palito na boca e a cheirar a sovaco.

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À beira-mar plantado:

por Vasco M. Rosa, em 28.04.16

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O PCP vota a favor da "ingerência externa"

por João-Afonso Machado, em 27.04.16

Quanto se consegue descodificar a linguagem malabarista da Esquerda, a actual maioria parlamentar recusou votar o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), optando por despachá-lo directamente para Bruxelas.

Vale dizer, será lá, na capital da UE, que o PEC há de ser apreciado e, seguramente, alterado.

Do mesmo passo, e sobre o mesmo tema, o PCP considera essa avaliação uma «ingerência» nefanda em questões da política nacional.

Então?!

Então, a conclusão é obvia: o PEC não serve, e os leninistas são os primeiros a reconhecê-lo. Mas a ganância de manter coesa a barreira erguida à Direita é maior. E lançar depois umas bravatas aos "ses" que Bruxelas colocará ao PEC sempre visará, com vantagem, a costumeira áurea «patriota».

Se os portugueses não perceberem isto, tanto pior para nós. Temos o que merecemos.

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Da sexualidade humana

por João Távora, em 26.04.16

Quando em 1970, em plena revolução sexual o Padre Henri Caffarel, fundador das Equipas de Casais de Nossa Senhora (um movimento católico de espiritualidade e catequese conjugal) planeava uma audiência no Vaticano e propôs ao Papa Paulo VI um discurso sobre “o sentido humano e cristão da sexualidade”, para o qual concebera com o seu grupo de casais um documento de mais de trinta páginas, a resposta obtida de Sua Santidade foi de que “não poderia aceder ao seu desejo por não estar a questão suficientemente amadurecida”.

Se este pequeno episódio é sintomático das dificuldades que a Igreja Católica demonstrou ao longo dos tempos em lidar com o tema, a questão que aqui me traz hoje é se a sexualidade humana alguma vez poderá ser um assunto de fácil abordagem. Não será um mero acaso que o fascínio exercido pelo tema seja proporcional ao da sua complexidade, e sabemos como o assunto vende papel e propicia muitos cliques na internet, mais ainda se a abordagem for simplificada com lugares comuns ou reduzida ao prisma da genitalidade, despertando fantasias e apelando ao voyeurismo.

Acontece que a sexualidade humana será sempre um tema extremamente sensível e intrincado, pleno de subjectividades, como que um enigma, sempre sujeito a reserva e constrangimentos, tanto mais que na sua essência reside ao mesmo tempo a mais sublime realização do Homem no reencontro com a sua outra parte, e os instintos mais básicos, de avidez, dominação e de violência. Assim justificam os antropólogos como ao longo da história as sociedades nunca tenham descurado uma forte regulação na implementação de “restrições sensatas” por forma a precaver a propagação de “paixões descontroladas” com enorme potencial de desestruturação das comunidades e dos seus equilíbrios.

Já do ponto de vista da intimidade da pessoa, da sua história na acumulação sucessos e insucessos de experiências afectivas mais ou menos conscientes ou inconscientes, mais ou menos felizes ou traumáticas, condicionarão sempre uma perspectiva inteiramente descomplexada do assunto: a vivência da sexualidade é, para salvaguarda dos equilíbrios de cada pessoa, um território tão delicado e íntimo quanto será naturalmente sujeito a algum recato. Estranhamente – ou não - uma vivência dos afectos submetida a valores éticos, estéticos e espirituais, constitui hoje em dia uma perspectiva obsoleta e esconjurada, em nome da “liberdade individual”.

Mas acontece que, sob o risco duma total incompreensão por parte dessa cultura vigente, profundamente hedonista e individualista, a Igreja não podia continuar a ignorar que as relações amorosas se estabelecem e também se alimentam através duma mistificação positiva do sexo, da expressão dum “egoísmo saudável” – manifestação duma incompletude e de uma estética eminentemente erótica. Se bem que o amor cristão se define essencialmente na capacidade de doação por um bem maior, pela mesma lógica essa entrega só será fecunda na assunção do exercício de receber, no assumir salutar do seu sentimento de incompletude dirigido ao ser amado. Quem como eu tem filhos adolescentes entende bem a carência desta perspectiva talvez mais primária mas profundamente estruturante, e da premência de uma mensagem que encontre eco no Pátio dos Gentios - ou “nas margens”, como lhe chama o Papa Francisco, onde se encontram as pessoas divididas entre a busca dum conforto existencial sólido e o impacto da estética de absoluto individualismo, do “culto do eu” como primeira e última medida de todas as coisas.

Assim, é com satisfação que se verifica que a assunção da dimensão erótica do amor vem sendo assunto desbravado pela hierarquia da Igreja Católica pelo menos desde as catequeses de João Paulo II sobre a Teologia do Corpo, tema posteriormente continuado por Bento XVI na sua encíclica “Deus Caritas Est” diversos documentos. Nesse sentido a Exortação Apostólica "Amoris laetitia" recentemente dado à estampa é uma corajosa abordagem do Papa Francisco ao tema da sexualidade, da expressão humana do Amor em toda a sua complexidade, numa perspectiva do projecto de realização cristã da existência: a busca da plenitude (ou santidade). Num discurso que sobrepõe a misericórdia ao moralismo e em sentido absolutamente contrário à vulgaridade instituída pela adolescentocracia da nossa sociedade de consumo.

 

Publicado originamente no jornal i

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Tivessem nacionalizado o 25/A...

por João-Afonso Machado, em 25.04.16

O que sucedeu foi o «dia inicial, inteiro e limpo», para utilizar a expressão de Sophia de Mello Breyner, nunca aconteceu. Para além de assinalar o fim da II República - um fim desejado por Portugal quase todo - o 25 de Abril abriu as portas à República seguinte, a actual, - actualmente enfermíssima - como as demais expropriada à nascença, desta feita pela plantadores de cravos vermelhos; e ainda agora reclamada por uns contra os outros, ainda agora monopólio da Esquerda maniqueísta, em suma.

Tivesse sido o 25 de Abril nacionalizado: teria sido nosso, de todos nós. E não apenas dos sicários de um projecto ideológico que já vicejava no espírito de muitos dos seus fautores, dos militares do MFA, digamos assim. Tivesse sido o 25 de Abril obra de Salgueiro Maia e outros poucos como ele... e hoje o aniversário da III República não seria como continuará a ser, um marco de divisão nacional, desde o Parlamento aos festejos na rua.

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25 de Abril Hoje…

por Vasco Mina, em 25.04.16

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Celebra-se hoje o 42º aniversário da Revolução de Abril de 74. Tem Portugal, desde que foi aprovada a Constituição, o seu primeiro Governo de Esquerda. Também um Presidente que foi eleito pelo Centro e pela Direita mas que gosta de estar bem com a Esquerda. É um tempo novo na nossa história política. Não surpreende, por isto, que, na inauguração do NewsMuseum, em Sintra, Marcelo cantasse “Grândola Vila Morena” em conjunto e ao lado de um dos homens que votou (em 1976) contra a Constituição e que hoje è Presidente de Câmara com o apoio do PS. Recentemente e a propósito da sua candidatura à Presidência da República tinha afirmado que "é a Grândola Vila Morena que diz que é o povo quem mais ordena. O povo vai ordenar dia 24 de janeiro e veremos se ordena definitivamente ou não”. Curiosamente, no ano passado, numa deslocação a Loulé tinha sido surpreendido por um daqueles grupos que à época se organizava para as Grandoladas. Vale a pena ler este post da gente do Bloco de Esquerda e que hoje apoia o Governo de António Costa (e também ele a cantar ”Grândola” ao lado de Marcelo). Hoje todos estes cabem em Grândola e até parece que fizeram sempre parte da mesma música. Veremos o que irão cantar e com quem nos próximos anos…

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O que levará na lapela?

por Vasco Mina, em 24.04.16

Marcelo leva cravo na mão ao 25 de abril no Parlamento

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Um exemplo

por Vasco M. Rosa, em 23.04.16

Nos jornais, nas bibliotecas, nas editoras até, celebra-se o centenário da morte de Mário de Sá-Carneiro. Mas na Câmara Municipal de Lisboa, cuja vereadora do pelouro já foi secretária de estado da cultura (em letras pequenas, se não se importam!), a pasmaceira, indiferença, incúria e incompetência são de tal monta, que a placa do prédio na Baixa onde nasceu o poeta de Indícios de Oiro apresenta-se em conformidade com toda a mediocridade e banalidade imperante no centro de Lisboa...

Viva a cultura do partido socialista, os seus autarcas e agentes culturais!

São um poderoso exemplo para o quarto mundo!

 

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Códigos

por João Távora, em 22.04.16

Ontem de manhã, estacionado o carro perto da escola, quando eu ajudava o meu filhote pequeno a por a mochila (sempre carregada de mais) às costas, ele avisou-me que só a queria com uma alça ao ombro. Apesar de vê-lo todo torcido para andar equilibrado, concedi, porque percebi que era assunto sério. Isso ficou comprovado hoje ao ver a irmã mais velha (que tem muito estilo) sair para o liceu nos mesmos preparos, e quando o miúdo pequeno a caminho da escola confirmou-me apontando os exemplos na rua, que a rapaziada se divide em dois grupos: os fixes que levam a mochila só num ombro… e os outros.

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A "identidade de género" socialista

por João-Afonso Machado, em 22.04.16

A propósito do possidoníssimo "cartão de cidadania", o PCP mandou positivamente o BE trabalhar; que não andasse a confundir a gramática com a política. Honra lhe seja feita.

Já da banda do PS aconteceu mais daquilo a que nos vamos habituando - desaprendeu em absoluto de dizer sim ou não. Apenas sabe balbuciar sim e não. O PS vive a sua crise de "identidade de género". Não é Jerónimo nem Martins (e, no fundo, gostava de ser Jerónimo Martins), não é mais do que uma máquina de calcular com apenas uma função - a de somar votos parlamentares.

 

 

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A nova lei materializada pelo Decreto-Lei n.º 20/2016 publicado ontem, dia 20 de Abril, sobre as desblindagens de votos, segundo o qual, a partir de 1 de Julho e até ao fim do ano, os bancos que tiverem os votos blindados têm de convocar uma Assembleia Geral (AG) para deliberar a manutenção ou revogação desses limites de voto é uma lei tão condicionada, mas tão condicionada, que o resultado é o seguinte:

1- É só para bancos (e só há dois com votos blindados)

2- Dá um enorme poder aos administradores de bancos, porque tem esta minudência (escandalosa a meu ver): «a deliberação sobre a manutenção ou revogação desses limites [de voto], quando proposta pelo órgão de administração, não está sujeita a quaisquer limites à detenção ou ao exercício de direitos de voto, nem a quaisquer requisitos de quórum ou maioria agravados relativamente aos legais. Logo, quando não é proposta pelo órgão de administração está sujeita a quaisquer limites à detenção e ao exercício de direitos de voto, assim como a quaisquer requisitos de quórum ou maioria agravados relativamente aos legais.

3- Favorece os accionistas que se anteciparem à convocatória, se o objectivo for manter a blindagem.

4- Favorece o BCP porque basta que a proposta seja remetida por um accionista para aumentar as probabilidades de a manutenção dos limites de voto.

5- Pretende favorecer o CaixaBank porque permite que a administração do BPI proponha o fim de blindagem de votos e nesse caso o CaixaBank volta a alteração de estatutos com 44,1% dos votos, e ainda para a aprovação basta que 66% dos votos expressos seja favorável

6- Cria o sério risco de a Santoro de Isabel dos Santos se antecipar à convocatória e nesse caso, reparem nesta pérola, a probablidade de a blindagem cair no BPI é praticamente nula. Pois se for um accionista a propôr a desblindagem o CaixaBank só pode votar com 20% de votos e a maioria necessária para alterar os estatutos é de 75%.

Uma pérola esta lei, uma pérola!

Mas quem é que se lembrou de criar condições que só se aplicam quando a proposta é feita pela administração? Que advogados estes! 

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Um príncipe

por José Mendonça da Cruz, em 21.04.16

 Morreu Prince e a música perdeu um criador enorme. Há anos, no comentário a um concerto dele, descrevi-o como «um romântico alucinado de ritmo», e ainda não vi quem o descrevesse melhor. Houve quem o quisesse catalogar à força no saco das moreninhas andróginas, ou na carruagem dos excêntricos que mudam de nome como quem muda de camisa, mas não faz mal, Prince também tinha artifícios com que entreter os tolos. Mas o que ele tinha sobretudo era o talento daqueles a quem Deus tocou com um dedo, e a generosidade correspondente, o humor, a impertinência, o amor extremo pelo que fazia e que era visível resplandecentemente, comoventemente em palco. 

A melhor maneira de troçar de Prince é ouvir os obituários televisivos, as músicas submergidas por lugares comuns, a paixão cortada em excertos ao ritmo de um spot publicitário. A melhor maneira de agradecer-lhe é pôr um disco no gira-discos ou um CD na aparelhagem e ouvir calado.

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Realidade

por João Távora, em 21.04.16

Uma prova de provincianismo e mesquinhez é a que vem daqueles que se babam de deleite com uma fotografia da Família Real Britânica e ao mesmo tempo espumam de obscuros ressentimentos perante uma fotografia da Família Real Portuguesa.

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Parece impossível mas é público

por Vasco M. Rosa, em 20.04.16

Na sua curiosa escolha de frases canónicas com que, subtilmente, a direcção do Público comenta a actualidade com «Escritos na Pedra» da sua última página, nesta terça-feira fez uma patifaria sem nome nem tamanho a um génio brasileiro, livre, independente, e tudo o mais, Millôr Fernandes, e haverá outro como ele?

Então não é que na tonteira de esquerdismo que passa pelo fundo da Infante Santo, foram escolher a frase que diz, dois dias depois da votação a favor do impeachment de Lula da Silva - Dilma (por esta ordem, que é a verdadeira!), o seguinte:

«Quando a gente está cansado, dá uma bruta vontade de dizer que sim.»

 

Que desonestidade absurda...

 

Ninguém diz nada?! 

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Uma nova marca mais barata de combustível - o Fronteiriço

por João-Afonso Machado, em 20.04.16

Com as bombas do lado de cá a vê-los passar (indiferentes aos apelos patrióticos do ministro Caldeira Cabral), o Governo socialista festejou o  25 de Abril com um presente às empresas transportadoras: um gasóleo inédito, a preços espanhois, para quem abasteça antes do adeus a Portugal.

O Governo não explicou porque é que, afinal, estava a sair mais barato (coisa de 250 euros) atestar o depósito em Espanha. Mas, dizem as más-línguas, a culpa recairia toda sobre os impostos.

Agora, o ministro Cabrita esclarece ficar sanado o problema, a medida irá incrementar o consumo, veiculará para a frente a nossa economia.

É quanto basta para que ela deva ser estendida ao transporte de passageiros e à gentinha toda que gosta de passear ao domingo. Senão vamos fazer queixa ao Palácio Raton!

 

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A Parada Fraturante

por Vasco Mina, em 20.04.16

Notícias várias nos últimos dias anunciam, sem surpresas, a parada fraturante que vamos assistir nos próximos tempos. Esta próxima Quinta-Feira volta ao Parlamento o alargamento das técnicas de Procriação Medicamente Assistida e ainda as “barrigas de aluguer” (que no politicamente correto se designem por gestação de substituição). A primeira vai possibilitar a qualquer mulher (independentemente de ser casada, ou em união de facto, ou solteira, ou viúva) ter a possibilidade de ter acesso a técnicas que lhe permitam gerar um filho recorrendo a gâmetas provenientes de bancos de gâmetas. Ou seja, a aprovação desta legislação permitirá ser mãe “por encomenda” e vedando ao filho a possibilidade de saber quem é o seu pai biológico. As barrigas de aluguer serão (caso os deputados aprovem) a versão moderna da exploração do corpo das mulheres. Como bem refere a Helena Matos, “a felicidade que algumas pessoas acreditam poder usufruir ao terem uma criança nos braços a que chamam filha não pode ser conseguida à custa do apagamento das emoções da mulher que esteve grávida e entregou a criança”; a iniciativa apresentada pelo BE é uma porta aberta para negócios futuros recorrendo a mulheres desprotegidas (como a experiencia por esse mundo fora tem revelado)! Outra notícia, anuncia uma campanha a apelar à doação de espermatozoides e óvulos. Vai ser destinada a estudantes universitários e é da iniciativa da Associação Portuguesa de Fertilidade que defende “desde a sua fundação, que a Gestação de Substituição seja uma prática legal em Portugal”. Mais uma notícia é divulgada na edição impressa do Expresso (por isso sem link) e é mais uma proposta do BE: mudança de sexo sem parecer médico; como o próprio artigo refere, trata-se do “direito à autodeterminação de género”, ou seja, uma situação clinicamente delicada e complexa passa a ser (por proposta do BE) tratada à livre vontade de quem queiram mudar de sexo. Por outras palavras, a natureza passa a ser a última a barreira que faltava ultrapassar – é a cereja no topo do bolo do pós-modernismo! No meio de tudo isto (e mais uma vez pela mão do BE) temos um Cartão de Cidadão que os bloquistas consideram sexista (como aqui já tinha referido). Teremos também, nas próximas semanas (já foi anunciada), uma outra iniciativa (igualmente do BE) sobre a eutanásia. Ou seja, estamos perante  iniciativas que irão ocupar o espaço mediático. Tudo isto seria irrelevante se fosse rejeitado pelo PS e pelo Governo. Mas não, tudo indica que António Costa irá negociar com o BE (e, por arrasto, o PCP que é tipo “Maria vai com as outras” nestas matérias). Exemplo disso é a posição assumida pelo ministro Eduardo Cabrita que considera que “estamos abertos a refletir sobre a evolução da sociedade neste tema, certos também que estaremos sempre a olhar para o futuro”. Fica claro que os temas fraturantes serão usados como moeda de troca em negociações futuras entre o Governo, o PS e o BE. Por outras palavras, não será de espantar que os socialistas votem ao lado dos bloquistas nestas matérias e em troca de apoios a certas medidas económicas e financeiras que, certamente, irão ser necessárias ao longo da execução orçamental. Verdadeira parada fraturante! Será que o PSD e o CDS também acompanham?

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Fotografia do Público

Não deixo de me indignar com esta notícia:

Marcelo Rebelo de Sousa admite que lei foi retida à espera de acordo entre BPI e Isabel dos Santos. Mas então o Presidente da República tem uma lei para promulgar e não promulga para ajudar a empresária angolana? Adiaram-na por um mês, para que entretanto Isabel dos Santos vendesse uma posição de maior valor (porque assim que a blindagem cair os 20% da Isabel dos Santos valem mesmo 20%, não servem para muito)? Isto é legitimo? 

“Retivemos a lei à espera que houvesse acordo”, disse Marcelo, considerando que a opção encontrada foi a “possível”, não a desejável. 

“É com pena que eu verifico que depois de haver um esforço por parte do Governo e do Presidente da República” de adiar a decisão durante um mês para que ambas as partes pudessem chegar a um acordo “isso não foi possível”, lamentou Marcelo.

E isto tudo com a cumplicidade do Primeiro-Ministro?

Promulga agora? Como quem diz, não te portaste bem Isabelinha, lançamos a bomba atómica.

Mas isto é normal?

Se o Presidente da República tem uma lei para promulgar, promulga-a, ou não. Agora isto de arranjar aqui uma artimanha para forçar a negociações, parece-me surrealista. Espero que a Quadratura do Círculo, não deixe passar em branco.

E para acabar em beleza ainda diz: "esta legislação tem, ainda assim, uma vantagem, que é a de só entrar em vigor no dia 1 de Julho deste ano", salientou o chefe de Estado, acrescentando que "ainda dá um tempo" que pode ser aproveitado para "haver uma solução".

Mas porque carga de água há-de o CaixaBank aceitar um acordo com Isabel dos Santos se tem o caminho livre para dominar o BPI e deixar a empresária angolana agarrada a 20% de um banco que será quase 70% dos espanhóis, com os votos em pleno?

Mas isto é algum jogo de xadrez?

O que vai fazer agora Marcelo promulgar uma lei que revoga a anterior que acaba de promulgar, só para dar uma mãozinha a Isabel dos Santos? Vai pressionar Carlos Costa a dar idoneidade aos administradores angolanos do BIC Portugal para criar condições para um acordo?

E isto tudo em aliança com o primeiro-ministro com quem funciona em perfeita sintonia, ao nível de um Dupond e Dupont, ou de um Senhor Feliz, Senhor Contente (Diga à gente, diga à gente como vai este país!)?

 

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