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A pena do rei dos imbecis:

por Vasco Lobo Xavier, em 30.04.15

É claro que cada um de nós tem o seu grupo de imbecis preferido, e eu então tenho tantos que nunca sei por onde começar. Mesmo limitando a coisa aos imbecis de estrada, a lista é muito grande e escolher o maior, o real rei dos imbecis, o verdadeiro presidente imbecil dos imbecis presidenciáveis, tem o que se lhe diga e não é tarefa fácil.

 

Muitos apontam logo o gajo que anda nas auto-estradas invariavelmente na faixa da esquerda ou na do meio. É uma boa escolha. Felizmente já estou suficientemente crescido para vencer o desejo inultrapassável de ultrapassar esse tipo de gente pela direita com um leve toque das minhas buzinas Bosch, o que poderia provocar um ligeiro acidente de proporções inimagináveis.

Mas o que é isso perante aquele clássico que vai a pisar ovos enquanto está verde o semáforo e só acelera quando ele alaranja e o passa já avermelhado, deixando-nos para trás e fazendo-nos desejar ser polícias para o perseguir e multar como gente grande? Ah pois é…, quem nunca quis ser polícia nesses momentos que atire a primeira pedra. Atirar pedras é também o que queremos fazer àquelas senhoras que atrapalham o trânsito por tentarem estacionar os seus jipes gordos às arrecuas num lugar minúsculo, enquanto descrevem à amiga pelo telefone o dia de compras.
Mas nada parecido com o que apetece fazer aos condutores dos autocarros que, mal param nas paragens, ligam logo o pisca de saída. Ou com os que deixam passar os colegas de profissão, mesmo sem prioridade. Uma saraivada de verdadeiros calhaus merece também aquele que nunca faz os piscas.

 

Na estrada, os imbecis são muitos e a escolha do maior é muito difícil. Tem também aquele que não sabe para onde há-de ir pelo que vai no meio das faixas, empatando tudo e todos, particularmente quando procura encontrar estacionamento. Equilibra com o que nos impede de entrar nas rotundas para de seguida passar por nós a passo de caracol, para quem um pelotão de fuzilamento sem pontaria é coisa pouca. E, agora a favor dos motoqueiros, aquele bandido que nas bichas aperta levemente para a esquerda ou para direita, impedindo a mota ligeira de passar. Esses, só mesmo a chicote de lâminas velhas, para lhes fazer passar de vez a inveja, e depois um nadinha da simpática prática Sioux de meter pauzinhos em brasa debaixo das unhas. Só até saltarem. Se reincidirem, então afixá-los ao chão em pleno Alentejo, em Agosto, ou no Saara, se possível, com as pálpebras cortadas, até cegarem e ficarem loucos. Não tenho a certeza se a ordem é esta. Provavelmente enlouquecem primeiro. Uma cortesia Apache.

 

Já verdadeiros tratos de polé, e depois mesmo o esquartejamento através de quatro possantes equídeos de raça lusitana, com depósito dos membros nos vários cantos do antigo Império, de Minho a Timor, sem esquecer as ilhas, merece o rei dos imbecis.

 

O rei dos imbecis pertence a uma classe nova, recente mas já muito desenvolvida e em crescendo. Para este monarca imbecil, a pena capital seria exageradamente misericordiosa, mesmo que pelo fogo lento. O linchamento, ainda que por uma matilha de lobos esfaimados de dentes afiados, um pequeno presente. O atropelamento por mamutes, um prémio. A guilhotina, o euromilhões.

O rei dos imbecis não merece menos do que assistir em vida, passe o pleonasmo, ao seu corpinho inteiro ser finamente laminado por uma faca de pão ferrugenta, frouxa e romba. O rei dos imbecis deveria ver os seus queridos olhinhos receberem bem abertos e com graça os ferrinhos em brasa de que se safou o Miguel Strogoff. Por duas ou mais vezes. Sentir o que é uma tenaz soltar-lhe a língua e as amígdalas do corpo. O rei dos imbecis deveria tomar colherzinhas de óleo de fígado de bacalhau devidamente misturado com lava do Vesúvio, pelo menos dois frascos, e depois também da mesma lava em gotinhas pelo nariz, nos olhos, e por fim supositórios sempre de lava efervescente.

 

Qualquer pessoa, ainda que excessivamente e razoavelmente compreensiva e paciente, não consegue descortinar outras medidas que premeiem devidamente o rei dos imbecis da estrada, aquele tipo que abandona o seu carro no posto de abastecimento e vai para dentro da estação de serviço mirar as capas das revistas, folhear jornais, sujar o quarto de banho, levantar dinheiro, tomar café e a nata do dia, sem qualquer respeito pelos outros.

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Que pena...

por José Mendonça da Cruz, em 30.04.15

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O Observador noticia hoje acriticamente que António Costa vai criar 15000 empregos, e o seu director escreve que a apresentação da candidatura de Sampaio da Nóvia foi boa porque recusa ser abrangente, admitindo só marginalmente que o homem não disse nada.

É sempre uma pena verificar que, ao contrário do seu publisher e dos seus colunistas, o jornal online não tem um pensamento estruturado.

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Sampaio do Novo Abril

por José Mendonça da Cruz, em 30.04.15

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Sampaio da Nóvoa abriu o seu discurso de apresentação de candidatura presidencial proclamando que ele, singularmente, representava «um dia inteiro e limpo». Citou Sophia Andersen abusivamente e com presunção inaudita comparou-se ao 25 de Abril. E depois disse coisas, como é costume nele e na Georgina. Estavam presentes Soares, para reafirmar que os mercados provocam terramotos e alteram o clima; Sampaio, para confirmar que gastar é que é bom e o défice não tem importância nenhuma; e Vasco Lourenço, para rugir que ou elegem este ou levam todos porrada.

Cá fora estava-se em 2015.

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Viva a privatização da TAP, fora a Greve!

por Maria Teixeira Alves, em 29.04.15

A ouvir a excelente entrevista que José Gomes Ferreira está a fazer ao Secretário de Estado, Sérgio Monteiro, sobre a privatização da TAP. É cada vez mais evidente que a privatização é urgente e que é preciso acabar com esta soberba do sindicato dos pilotos. 

É assustador a irresponsabilidade dos pilotos que não se importam de pôr em causa a viabilidade económica da companhia só para tentarem que o Governo lhes venda parte da TAP, ou que a privatização seja travada.

Boa atitude esta de o Governo não ceder. O Governo vai privatizar a TAP. 

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O novo site do José Abrantes

por João Távora, em 29.04.15

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 José Abrantes é pseudónimo de José Lancastre e Távora, pelo que não é grande subtileza perceber que é meu irmão. Como artista que nasceu e se fez em Portugal, foi com uma imensa teimosia nunca desistiu de cá trabalhar naquilo que gosta: desenhar e pintar. Agora, José Abrantes chaga-nos também através da sua loja online que tive o gosto de ajudar a desenvolver, onde comercializa boa parte da sua obra publicada, livros, revistas, prints, originais, coisas novas e outras nem tanto. Estou certo que no mínimo merece uma vista, que talvez se materialize numa divertida compra. É aqui mesmo à distância de um clique.

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A correspondência particular de Sócrates

por João-Afonso Machado, em 29.04.15

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Assaltaram a malaposta! Entre Évora e Lisboa os vilões tolheram a estrada de bacamartes em punho e, entre o vazio dos cofres e a magreza das pilecas, resolveram compensar-se violando os sacos de correspondência. Nada como a sensualidade da escrita dos namorados, ter-se-ão resignado, já esquecidos do império das mensagens SMS. Só assim chegaram à carta de Sócrates para António Campos.

Muito bem redigida, diga-se. Dividida em capítulos, decerto provas a rever do romance do presidiário 44. Longa, pormenorizada, esclarecedora. Umas inexcedíveis memórias do cárcere...

E um abominável atentado à reserva literária, aos direitos de autor, este assalto na estrada de Évora. Sabe-se, entretanto, serão tomadas providências, redobrada a guarda, garantem as autoridades, outros roubos não se repetirão. O que, felizmente, significará só no final ficaremos a saber de que fonte brotava a massa abundantemente gasta por Sócrates em Paris. E por aí também...

 

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A má-fé mudou de máscara

por José Mendonça da Cruz, em 29.04.15

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 Apesar da conta inexcedivelmente alta em que Varoufakis tinha Varoufakis (o da esquerda), tornou-se impossível a Tsipras fingir que estava a negociar de boa fé se mantivesse como negociador principal o homem que toda a Europa considera irresponsável, mal informado e medíocre (além de um pouco pateta). E assim, Tsipras substituiu-o por Euclid Tsakalotos (o da direita), que, como sempre nestas fábulas extremistas, nos foi apresentado como «moderado».

Agora, o primeiro-ministro grego medíocre, iludido e de má-fé, já pode prosseguir o seu esforço para iludir os mais de 70% de gregos que não querem sair do Euro, dizendo-lhes que a saída, por que tanto se tem esforçado, não foi culpa do governo, foi da Europa. Os eleitores que elegeram o Syriza tenderão a compreender as coisas demasiado tarde. Quanto à Europa, ao BCE, à Comissão, ao FMI e à senhora Merkel espera-se que já tenham compreendido tudo. Aguardamos atentamente o desenlace das coisas. Os Podemos e os Costas deste Mundo, que aplaudiram o Syriza e depois meteram a viola no saco, também.

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A rivalidade subtil entre Nuno Amado e Fernando Ulrich

por Maria Teixeira Alves, em 29.04.15

Amanhã é a primeira Assembleia Geral onde se vão defrontar dois accionistas do BPI. La Caixa e Santoro são apenas o suporte de uma rivalidade subtil: Fernando Ulrich/ Nuno Amado. 

A grande luta faz-se entre os dois banqueiros. Fernando Ulrich defende a sua gente, o seu BPI, a sua administração, sabe que se a fusão vingar o BPI é absorvido pelo BCP.

Para Fernando Ulrich a melhor solução é a OPA do Caixabank. Porque é a que mantém a identidade do BPI. O La Caixa está claramente com a administração de Fernando Ulrich. Esteve sempre, de resto.

A OPA vai durar até ao fim. Vai estar viva até ao último momento, mesmo que a desblindagem não passe na Assembleia Geral a OPA continuará. Pois a desblindagem, senhores, é apenas condição de eficácia e não de lançamento. O La Caixa vai esperar. Tem quase todo o tempo do mundo. A OPA pode durar e durar. Vão vencer a Santoro pelo cansaço do impasse. É assim que se vencem adversários, cansando-os. Foi assim que a Rússia venceu a Alemanha do Hitler.

A Santoro quer ser a maior accionista de um mega banco português, de um grande banco europeu, com Nuno Amado à frente desse banco. A Santoro consegue essa proeza com uma fusão amigável  entre os dois bancos e com a consequente compra da participação da Sonangol (que hoje é a maior accionista do BCP). 

Nuno Amado quer a fusão. Será o presidente de um banco de dimensão ibérica.

Fernando Ulrich não quer a fusão, quer a OPA. Isto resume tudo.  

Depois o BPI tem soluções para resolver a pressão de reduzir o peso da exposição a Angola no capital, logo pode alinhar na estratégia do La Caixa de esperar. A OPA está para durar, porque a fusão não agrada a Fernando Ulrich e não agradando a Fernando Ulrich não se fará. Nuno Amado é o banqueiro mais importante do país, e cada vez mais é assim, mas nem isso chegará para vergar Fernando Ulrich. Fernando Ulrich é o BPI, é a alma e coração do BPI. 

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Ena Tantas Heranças!

por Maria Teixeira Alves, em 28.04.15

O tema do imposto sucessório que o PS introduz no seu documento de propostas económicas deixou-me a pensar que o partido socialista pensa que o país é Downton Abbey. Reparem: O Estado encaixará 104 milhões de euros com o imposto sucessório, caso a proposta dos economistas do PS seja aprovada e transposta para um orçamento do estado para 2016. São essas as contas feitas na simulação com as medidas apresentadas nas propostas feitas pelos economistas coordenados por Mário Centeno. Vem isto a talho de foice como grande medida de compensação de parte da perda de receita com a descida da taxa social única. Ora encaixar 100 milhões de euros em imposto de sucessões é esperar que haja Antonios Champalimauds a morrer cinco vezes por ano. Parece-me, parece-me. Nós somos um país pobre senhores. As heranças normalmente são dívidas e encargos ou imóveis a cair de podres sem obras e com pesados IMI às costas.

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Um foral de D. Sancho I, um concelho de D. Maria II

por João-Afonso Machado, em 28.04.15

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A História está lá, entranhada na terra e no sangue. De uma e da outra margem dos rios e tão à banda dos riscos postos nos mapas por quaisquer vontades circunstanciais. Há um todo de História e há os livros. Por vezes há ciência em demasia, monotonia ou o cansaço de uma escavação chegada ao fim. Enquanto um pouco ao lado ainda agora se está começando.

Ouvem-se falhas documentais no subir da escadaria da sede do concelho. Mas o eco do Passado é, em qualquer parte, o mesmo que as promessas do Futuro. Foi Sua Magestade a Rainha D. Maria II quem lhe renovou a vida dada pelo foral de D. Sancho I. A V. N. de Famalicão, durante séculos repartida entre não sei quantos termos vizinhos. Esses que já não sabem que mais História contar. A nossa, sempre entranhada na terra e no sangue, todos os dias aflora do antigamente e se constroi rumo a amanhã.

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A filha do regimento

por João Távora, em 27.04.15

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É assim o jornalismo militante - não interessa a veracidade dos factos relatados, antes passar uma mensagem. A entrevista da filha de Salgueiro Maia generosamente distribuída pela Lusa, pontifica hoje com chamada de capa em quase todos os jornais diários, que destacam este extraordinário apontamento: “Filha do capitão de Abril Salgueiro Maia, a viver no Luxemburgo há quatro anos, diz que foi "convidada" a sair de Portugal pelo primeiro-ministro Passos Coelho, lamentando a situação actual do país, que compara ao terceiro mundo”.

Importa referir que, sem querer por em causa a honestidade e competência dos socialistas - tudo gente boa claro está - há quatro anos, data da partida de Catarina, era José Sócrates que estava no poder, a negociar o resgate financeiro do país com a Tróica. Não tendo a minha modesta pessoa o privilégio de ser filha de Salgueiro Maia, que acabou indo trabalhar para um conhecido paraíso capitalista, gostava de deixar claro que, estando eu na época também desempregado, se um líder da oposição ou do governo, fosse ele qual fosse, se me dirigisse assim sem mais nem menos e me convidasse a emigrar eu agradeceria a surpreendente atenção, mas pensaria muito bem antes de aquiescer.

Ah, sei que não interessa nada, mas com uma mãe muito doente e quatro filhos dependentes virei-me por cá. E quem viu as coisas tão mal paradas há dois, três anos, desconfio que podia ter sido muito, mas muito, pior.

 

Imagem de "O Emigrante" - Charlie Chaplin, com uma vénia. 

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O jacuzzi

por João-Afonso Machado, em 26.04.15

Na sua habitual coluna no Expresso Ricardo Costa fez a sua apreciação política, em dez itens, do Plano salvífico apresentado pelos socialistas à beira de eleições. No sexto parágrafo, lê-se esta interessantíssima asserção: «O PS tomou finalmente um banho de realidade e assumiu que há problemas de fundo na Segurança Social ou no Emprego».

Está aqui muito. Até a inocultável simpatia de Ricardo Costa pelo PS, nunca saído do banho - em cálidas águas - da realidade por ele próprio criada. Vide os aumentos à Função Pública com a assinatura de Sócrates, em se aproximando a sua segunda corrida eleitoral,ou as suas ratadelas nos fundos e reservas da nossa "Previdência" quando já não havia onde ir buscar mais.

Vale o mesmo dizer - finalmente! - o celebérrimo Estado Social está exaurido. Sem eufemismos. O PS sabe-o há muito e agora... que remédio!, toca a levantar o rabo do jacuzzi e a contratar uns tantos artistas da Economia operando com engenheiros-financeiros. O recital parece começará com um solo de concertina, estende salários, encolhe pensões, estende pensões, encolhe futuros. O PS esquece-se que a concertina é o instrumento por excelência nas desgarradas. É na previsão dessas modas populares que se deseja sinceramente os socialistas ganhem as eleições...

 

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Domingo (do Bom Pastor)

por João Távora, em 26.04.15

Leitura dos Actos dos Apóstolos


Naqueles dias, Pedro, cheio do Espírito Santo, disse-lhes: «Chefes do povo e anciãos, já que hoje somos interrogados sobre um benefício feito a um enfermo e o modo como ele foi curado, ficai sabendo todos vós e todo o povo de Israel: É em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, que vós crucificastes e Deus ressuscitou dos mortos, é por Ele que este homem se encontra perfeitamente curado na vossa presença. Jesus é a pedra que vós, os construtores, desprezastes e que veio a tornar-se pedra angular. E em nenhum outro há salvação, pois não existe debaixo do céu outro nome, dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos».

 

Da Bíblia Sagrada

 

 

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A Rolinada

por João-Afonso Machado, em 25.04.15

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Há outros "25 de Abril" na nossa História, conquanto sem a força de um feriado. Como houve muitos outros primeiro-ministros, ainda que - alguns - de modo diferente designados e com marcas assaz diversas no rumo dos acontecimentos políticos. Do conjunto não seria desinteressante uma resenha. E na bissectriz dos dois temas - as datas e os homens - encontramos o Duque de Loulé e o pitoresco episódio da Rolinada.

D. Nuno José Severo de Mendoça Rolim de Moura Barreto, o 2º Marquês e, em 1862, o 1º Duque de Loulé, pelo seu casamento com a Infanta D. Ana de Jesus Maria, era um radical setembrista - encurtando razões, um militante da extrema-esquerda de então - e o fundador do Partido Histórico. Um populista, não obstante Oliveira Martins sobre ele escrever (in Portugal Contemporâneo) que «foi entre nós o tipo mais perfeito, senão o único desses fidalgos democratas ingleses, que amam o povo abstractamente, mas não dão a mão à gente porque descem». Dirigiu ainda a Maçonaria portuguesa que não lhe regateou apoios na sua inegável e elevadíssima vontade de Poder. No qual, de resto se manteve como presidente do Ministério durante o fugaz reinado de D. Pedro V e o dealbar do de D. Luis.

Conturbados tempos de intriga partidária, já com o interesse nacional tratado do modo que hoje vamos sabendo. Mas a Rolinada (o termo deriva de um dos apelidos do Duque - Rolim) prendeu-se com questões mais comezinhas. O seu Governo resolveu implicar com os estudantes de Coimbra, negando-lhes o chamado "perdão do acto", uma espécie de dispensa de exames e de pagamento de propinas em homenagem ao nascimento do herdeiro da Coroa - neste caso, o Príncipe D. Carlos e no ano lectivo de 1863/64.

A Academia revoltou-se e a cidade entrou em convulsão. Foi preciso reforçar os contingentes militares com tropa vinda de fora e Antero de Quental, finalista de Direito, já muito tomado de cepticismo, acordou da sua apatia e assumiu o comando dos estudantes. A estratégia adoptada consistiu na retirada para o Porto, em comboios, de meio milhar deles.

O protesto surtiu efeito. O governador civil de Coimbra e o reitor da Universidade foram demitidos. Os revoltosos amnistiados. E o Duque de Loulé apeado do Poder alguns meses volvidos, ainda que por motivos mais centrados nas faenas da Capital.

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Cristãos Perseguidos

por Vasco Mina, em 25.04.15

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Decorre, hoje, em Cascais, uma Jornada de Oração pelos Cristãos Perseguidos. Iniciativa da Organização “Ajuda à Igreja que Sofre” (AIS). Recentemente, a diretora, Catarina Martins Bettencourt, deslocou-se à Síria para acompanhar e levar apoio às comunidades cristãs ainda sobreviventes neste país. Vale a pena ler o seu testemunho do qual destaco o apelo de uma religiosa: “A nossa festa Pascal converteu-se em dor, as pessoas choram e estão de luto pela perda de um ou mais entes queridos. Quando acordaram, algumas pessoas já não tinham casa e outras nem se deram conta de que a vida se estava a desvanecer por debaixo dos escombros, por terem sido vítimas da violência. Até quando?...”

Escrevi aqui, em post anterior, que “Vemos, ouvimos e lemos… Não podemos ignorar”. Não podemos mesmo!

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Vamos consumir mais agora e menos no futuro

por Vasco Mina, em 24.04.15

Não, não sou eu quem o afirma. É o notável Prof. Paulo Trigo Pereira, um dos auotores do estudo encomendado por António Costa: "A proposta que está no documento é substituir o consumo presente em relação ao consumo futuro. As pessoas consomem mais no presente e consumirão menos no futuro. A necessidade disto é porque estamos numa situação em que é necessário relançar a procura agregada em Portugal. “ E à custa de quê? Através da “redução da taxa contributiva dos trabalhadores para a Segurança Social vai aumentar o rendimento disponível das famílias." Surpreendente esta afirmação tendo em conta o que este Professor de Economia já escreveu sobre a Reforma da Segurança Social. Está bem de ler que o discurso económico também se ajusta, nomeadamente quando oportunidades políticas se avistam num horizonte próximo.

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Um historial de desastres e abulia

Foi Jorge Coelho que disse que «quem se mete com o PS leva», e data do seu tempo o saneamento dos orgãos de comunicação social de todas as sensibilidades desfavoráveis aos socialistas e a promoção nos mesmos OCS de simpatizantes e militantes socialistas. Sócrates, e o seu governo, de que António Costa era o n.2, levariam a campanha aos extremos perseguindo pessoal, profissional e politicamente todas as vozes discordantes da linha e do «dinamismo» que arruinou o país.

Durante esse tempo em que os postos-chave da informação foram caindo sob a alçada dos socialistas, e à semelhança do que fizera antes e continuaria a fazer depois, o PSD mostrou-se ora olimpicamente indiferente (nem sequer favorecendo os OCS mais imparciais com informação, nem curando que os verdadeiros jornalistas não fossem ultrapassados pela hoste de alinhados), ora activamente cúmplice da esquerdização da informação, ao pretender cair nas suas graças (tal como a direita mais inconsequente se propõe como plano cair nas graças da esquerda).

Apesar do passivo do grupo de comunicação de Joaquim Oliveira, o PSD e o CDS assistiram impávidos e serenos à montagem do negócio que livraria Oliveira de problemas e poria o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias nas mãos de simpatizantes e mesmo militantes do PS.

Apesar de ter na Sic e na SicNotícias dois adversários políticos que calam tudo o que é inconveniente para os socialistas, distorcem tudo o que é positivo para a coligação, e acentuam tudo o que é negativo para ela, o Governo pôs-se em sentido quando o dr. Balsemão gritou que uma RTP privatizada era concorrência a mais para o gosto dele.

As rádios públicas, que continuamos a pagar por alguma intenção misteriosa, fazem o que podem para se livrarem deste governo e celebrarem o advento de Costa.

TSF e Público só vêem cor-de-rosa. A Visão todas as semanas entoa um novo cântico socialista. O Expresso revela, uma semana, que o PS também arruinou ... o PS (coisa que os restantes OCS do grupo ecoam o mais baixo possível) mas em todas as restantes semanas do mês dá espaço aos enlevos socialistas de Nicolau Santos e seu digno sucessor, Pedro Santos Guerreiro.

 

Rematado por uma aliança com o inimigo censor

Que, por suposição, um gangster ou um grupo de gangsters queira silenciar notícias sobre os seus actos mais condenáveis, pretenda ver propagandeadas como excelentes as suas decisões criminosas, deseje ser incensado diariamente, e ambicione ver vilipendiada diariamente a concorrência é algo de bastante compreensível. Que as vítimas do gangster ou do grupo de gansters se predisponham alegremente a participar na operação é que é coisa que gela a alma.

Mas é algo de parecido que acontece agora, quando vemos PSD e CDS, que tanta indiferença e incompetência mostraram enquanto outros tratavam de tutelar a comunicação social, virem agora aliar-se a quem triunfou na tutela dela para, todos juntos, reinstaurarem a censura.

Porque é reinstaurar a censura o que pretende este acordo obsceno entre PSD, CDS e PS para submeterem os OCS a aprovação prévia de coberturas noticiosas. É censura o que pretende este conluio abjecto entre PSD, CDS e PS quando se propõem castigar com multas os OCS que não se vergarem ao seu mando. É censura perigosa e revoltante a vontade de PSD, CDS e PS de porem na direcção dos OCS durante a pre-campanha e a campanha eleitoral não as direcções legítimas (por mais contestáveis e tendenciosas que eu julgue que elas sejam) mas as mentes da sinistra Entidade Reguladora da Comunicação, à qual não se conhece uma decisão que tenha contribuído para a melhoria daquilo que «regula», e de uma Comissão de Eleições cuja obra mais recente consistiu em cozinhar uma trapalhada com os resultados eleitorais da Madeira.

Eu julgaria que no PSD e no CDS os sonhos de «um homem novo» se limitavam a erradicar o álcool, o fumo e os sacos de plástico (e qualquer dia o sal, a gordura, o sexo fora do casamento, a exposição ao sol, o suor, a caspa) Afinal, parece que esta pulsão esquerdista e totalitária vai um bocadinho mais longe.

 

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Se a culpa não é de Ricardo Salgado é de quem?

por Maria Teixeira Alves, em 24.04.15

«O maior erro é achar que isto é culpa do Ricardo Salgado», acabo de ler na primeira página do Jornal de Negócios, atribuído à deputada do BE. 

Revejamos os factos:

A 3 de Dezembro de 2013, o BdP emite um conjunto de determinações, estabelecendo: a) A eliminação até 31 de Dezembro de 2013 da exposição do Grupo ESFG ao GES que não estivesse coberto por valorizações prudentes dos activos dados em colateral; b) A criação de uma conta escrow, que deveria ser alimentada até 31 de Dezembro de 2013 por recursos alheios ao Grupo ESFG, com um montante equivalente ao papel comercial da ESI detido por clientes de retalho do BES; c) A insuficiência de fundos nesta conta escrow, para fazer face ao papel comercial colocado em clientes de retalho do BES, obrigaria à constituição de uma provisão, nas contas consolidadas da ESFG, de 31 de Dezembro de 2013, correspondente às imparidades que viessem a ser estimadas com base na avaliação da situação financeira da ESI.

A 4 de Fevereiro, o Banco de Portugal informa a ESFG e o BES que, em face das conclusões extraídas pela KPMG, no relatório preliminar de progresso, relativo aos trabalhos de revisão limitada sobre as demonstrações financeiras da ESI, referentes a 30 de Setembro, seria necessária a constituição de uma provisão nas contas consolidadas do BES ou da ESFG, com referência a 31 de Dezembro de 2013.  A 7 de Fevereiro, a KPMG apurou a necessidade de constituição de uma provisão de 700 milhões, tendo em consideração a sua apreciação crítica sobre o Business Plan apresentado pelo GES, nomeadamente os critérios de valorização dos activos e as várias iniciativas de reforço dos capitais próprios.

A 12 de Fevereiro – a ESFG comunica a sua decisão de assumir a provisão e os riscos decorrentes da situação do GES. Desta forma, a ESFG emite uma garantia consubstanciada numa conta margem e num mandato de venda irrevogável da Tranquilidade, através da qual, em caso de incumprimento da ESI, a ESFG se substituiria a esta no reembolso de papel comercial (nessa data, a exposição dos clientes de retalho BES ao papel comercial da ESI era de 799 milhões de euros, valor que, embora ainda significativo, era já consideravelmente inferior aos cerca de 1,7 mil milhões de euros subscritos pelos clientes em Novembro de 2013). Um aspecto muito importante para a compreensão de um conjunto de dimensões deste problema, prende-se com a diferença formal e substantiva entre a ESFG e o BES. Na verdade, a ESFG era uma holding financeira, que detinha, entre outras participações, uma participação de 27,2% no BES, sendo o seu principal accionista. Tratavam-se, pois, de entidades autónomas, com estruturas accionistas distintas, cada uma com os seus próprios órgãos sociais e possuindo realidades económicas diferenciadas, sendo a ESFG considerada a cabeça do grupo financeiro e, por isso, a entidade sujeita à supervisão em base consolidada do Banco de Portugal. Neste enquadramento, é fácil perceber da importância de aplicar a ambas as organizações um conjunto de mecanismos que permitissem a efectiva implementação de politicas de ring- fencing. 10. A 26 de Fevereiro, foi determinado pelo Banco de Portugal a necessidade de se proceder a um conjunto de alterações significativas ao nível do governo interno da ESFG e do BES, nomeadamente ao nível de tratamento de situações de potenciais conflitos de interesse, de avaliação de transacções com partes relacionadas e do acompanhamento e avaliação da execução do Plano de Negócios do GES. 11. A 17 de Março, o Conselho de Administração do BES aprova um conjunto de medidas relacionadas com mecanismos de aperfeiçoamento do governo interno do BES, nomeadamente através de alterações no código de conduta e de alterações no regulamento da Comissão de Corporate Governance. Foi igualmente decidida a criação de duas comissões : - comissão de acompanhamento do Plano de Negócios do GES, presidida pelo Presidente da Comissão de Auditoria, Horácio Afonso e contando com a participação de António Souto, de Isabel Megre e de Joaquim Goes; - comissão de controlo de transacções com partes relacionadas. (CCTPR) presidida igualmente por Horácio Afonso e contando com a participação da Dra. Rita Amaral Cabral e de Joaquim Goes; 12. Em 22 de Abril, a comissão de acompanhamento do Plano de Negócios do GES solicita uma actualização do Plano de Negócios do GES. Na verdade, não obstante, à data, já terem sido reembolsados 1,2 mil milhões de euros de papel comercial dos 1,69 mil milhões de euros de papel comercial subscrito pelos clientes de retalho, não se tinham verificado os aumentos de capital previstos no plano de negócios do GES nem algumas das vendas de activos planeadas. A comissão estabeleceu como prazo limite para a apresentação dessa actualização o dia 15 de Maio, data do Conselho de Administração do BES. 13. Início de Maio – A Comissão de Controlo de Transacções com Partes Relacionadas (CCTPR) dedicou o mês de Abril a divulgar junto de todo o Grupo BES (incluindo subsidiárias no estrangeiro) os novos procedimentos a adoptar na apreciação de transacções com partes relacionadas. No início de Maio, a comissão foi confrontada pela primeira vez com um pedido de financiamento à ESFG. Na altura, o montante de exposição do BES à ESFG cifrava-se em 533 milhões de euros, tendo registado um crescimento significativo nos meses precedentes. Sob proposta de Joaquim Goes, a comissão aprova uma política mais restritiva de exposição à ESFG. Essa política passava pelas seguintes medidas: a) Redução da exposição não colaterizada para 400 milhões de euros, até final de Junho (que era a média da exposição do BES à ESFG dos últimos seis meses); b) Condicionamento de qualquer financiamento adicional à existência de colaterais. Esta nova política foi aprovada no CA de 15 de Maio e comunicada ao BdP em 19 de Maio. 

Mas:

17. Maio/Junho – ESFG aumenta o seu nível de endividamento global e a sua exposição ao GES. A Tranquilidade empresta 150 milhões de euros à ESFG e, em 9 de Junho, a ESFG aumenta o seu endividamento em mais 160 milhões de euros, com um financiamento adicional contraído junto da Nomura, baseado no penhor de acções do BES, para permitir à ESFG acorrer ao aumento de capital do BES. Este financiamento da Nomura incluía mecanismos de reforço automático de garantias em face da evolução da cotação do BES (margin calls). Todas estas operações foram decididas e executadas sem qualquer intervenção do BES.

Nesta altura (a 7 de Maio) a Comissão Executiva do BES toma conhecimento da atribuição à ESAF de um mandato para a gestão de activos da PDVSA – Petróleos da Venezuela de 3,5 mil milhões de euros, onde expressamente constava a intenção de investimento de até 700 milhões de euros num aumento de capital na Rio Forte. Nessa reunião, foi comunicado à Comissão Executiva do BES de que havia a expectativa de que o aumento de capital pudesse ocorrer até ao final de Junho.

Começa então a emissão forte de dívida da Rioforte, a contar com um aumento de capital que vêm aí até ao fim de Junho. 

Mas 

22. Em meados de Julho, a PDVSA comunica que, face à degradação da situação do GES, não existiam condições para a concretização da referida operação de aumento de capital na Rio Forte.

E sobre o papel comercial?

A partir de Setembro de 2013, o BES começou a comercializar directamente papel comercial da ESI e da Rio Forte junto da sua base de clientes particulares. O processo de aprovação da comercialização do papel comercial deveria ter sido mais aprofundado. Em primeiro lugar, porque dada a natureza e a relevância desta operação, ela deveria ter sido apresentada e discutida em sede da Comissão Executiva do Banco como, aliás, acontecia, por exemplo, com propostas de colocação de obrigações de certos emitentes através das redes comerciais. Em segundo lugar, porque na proposta apresentada não foram mencionados os montantes máximos associados aos programas de papel comercial - no caso até 1500 milhões para a ESI e até 600 milhões para a Rio Forte – aspecto da maior relevância para uma correcta avaliação do que estava em causa. Mas a questão determinante neste processo, é o facto da decisão de comercialização de papel comercial ter subjacente uma situação económico financeira da ESI baseada nas contas de Dezembro de 2012, nas quais os capitais próprios da sociedade reportados eram significativos, elevando-se a 855 milhões de euros, representando 20% dos activos totais.

O momento que altera de forma significativa a percepção de risco da ESI dá-se com a identificação do valor real do seu passivo financeiro no quadro do ETRICC2 ( +2,3 mil milhões de euros relativamente a Dezembro de 2012), ou seja, o BES colocou papel comercial da ESI junto dos seus clientes de retalho com base em contas materialmente incorrectas [falsas], as quais, devidamente corrigidas, agravavam de forma muito significativa o perfil de risco do emitente.

Em Maio e Junho dados os atrasos verificados na alienação de um conjunto de activos e da postecipação do aumento de capital previsto no Plano de Negócios do GES, aumentou a pressão de tesouraria sobre a área não financeira. Neste contexto, a ESFG, como se veio a constatar à posteriori, aumenta a sua exposição ao GES, não tendo funcionado os mecanismos de ring fencing impostos pelo Banco de Portugal ao nível da ESFG. Na verdade nunca chegou a ser constituída na ESFG uma comissão de controle de transacções com partes relacionadas e a determinação do Banco de Portugal que proibia a concessão de novos financiamentos sem garantias ao GES não foi cumprida. Recorde-se que o BES nunca possuiu exposição directa à ESI, sendo ao nível da ESFG que a exposição à ESI se materializava. O aumento do endividamento da ESFG até final de Junho, determinou a rápida degradação da sua situação de liquidez, conduzindo a uma situação de incumprimento, a partir de meados de Julho.

Depois as notícias constantes sobre o BES e o GES levam a um aumento das taxas de não renovação de divida emitida pelo GES, colocada em investidores institucionais, bem como uma acentuada desvalorização das acções do BES, levando ao despoletar automático de chamadas de garantias adicionais do financiamento da Nomura à ESFG (as denominadas margin calls) e conduzindo a uma situação de ruptura de tesouraria no GES e na ESFG, em face do muito curto ciclo de financiamento existente.

Já com a nova Comissão Executiva do BES, com as entradas de Vitor Bento, José Honório e João Moreira Rato. Na segunda quinzena de Julho – dá-se a identificação pelas equipas do BES, em estreita articulação com a KPMG, de um conjunto de operações associadas à emissão de obrigações de muito longo prazo e posterior recompra a preços superiores aos valores de mercado por clientes de retalho do BES através de vários produtos, e da emissão de cartas de conforto, que não eram do conhecimento da maior parte dos membros da CE, que conduziram à necessidade de reforçar as provisões em 1,5 mil milhões de euros com referência a 30 de Junho e fazendo com que o rácio de Common Equity Tier 1 se situasse nos 5%.

Ou seja, os ajustamentos decorrentes da consolidação de veículos e demais contingências associadas às emissões de obrigações de muito longo prazo do BES detidas por clientes de retalho bem como os compromissos assumidos junto de credores institucionais do GES, por membros da Comissão Executiva do BES, através da emissão de cartas de conforto, que não eram do conhecimento dos restantes membros da Comissão Executiva, determinaram um fortíssimo acréscimo das provisões a constituir, (1,5 mil milhões de euros), fazendo com que os rácios de capital do Banco ficassem, a 30.06.14, claramente abaixo do mínimo regulamentar. Isto é, falido.

 E como é que isto surgiu?

O contabilista do Grupo Espírito Santo, Francisco Machado da Cruz, revelou aos deputados da comissão de inquérito ao BES que havia um documento de contabilidade paralela com os dados da real situação financeira da Espírito Santo International, actualizado todos os meses. As contas oficiais, que escondiam o buraco na ESI de 1,3 mil milhões de euros, foram criadas pelo próprio Ricardo Salgado, que depois lhe deu uma ordem directa para não o assumir – e tratar como um mero erro – perante um órgão de auditoria interno. Estes dados constarão do relatório preliminar da comissão, publicados esta semana, mas sem as partes que estão sob sigilo ou segredo de Justiça – decisão assumida no início da reunião pelo presidente, Fernando Negrão.

Na reunião que pediu para ser à porta fechada na Assembleia, Francisco Machado da Cruz assumiu que foi chamado à comissão de auditoria da Espírito Santo Finantial Group (ESFG), a quem disse o que Ricardo Salgado lhe exigiu: que o problema nas contas era um erro, logo não premeditado. Disse também que não podia contrariar o pedido de Ricardo Salgado, sob pena de fazer implodir todo o GES – não era possível chegar lá e dizer que a culpa era do senhor do 15º andar.

A ocultação do passivo começou com a crise de 2008, com a omissão nesse ano de 180 milhões de euros – feita a pedido do próprio Ricardo Salgado e no escritório do líder do GES, com uma folha de Excel aberta (e com outro elemento do banco presente, a cumprir a ordem directa de Salgado). O método não era complexo: as obrigações de longo prazo foram recalculadas, tendo em conta o que valiam no fim desse ano (ou seja, como se naquele momento tivessem valor de encaixe nas contas da ESI). O procedimento foi depois repetido diversas vezes, até 2012 – aumentando o buraco real nas contas, até atingir os 1,3 mil milhões em 2013. Como este: todos os meses era feito um relatório em que constava a contabilidade correcta de todas as holdings do grupo, elaborado por um trabalhador da ES Services, Pierre Butty, e que esse documento com as contas certas era enviado mensalmente não só a Ricardo Salgado, como ao controller financeiro do Grupo Espírito Santo, José Castella – que não as revelava ao Conselho Superior do grupo.
 
Se a culpa não é de Ricardo Salgado é de quem?

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Desculpem lá mas são muitos números...

por João Távora, em 23.04.15
 

Este vídeo representa bem a precisão e o rigor das contas que o Partido Socialista realizou para medir o impacto das suas propostas na dívida pública. Pensar à grande, gastar à grande, as contas logo se vê se batem certo!

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O "cenário macroeconómico" de Costa

por João-Afonso Machado, em 23.04.15

António Costa tirou, por fim, qualquer coisa da sua cartola eleitoralista. Sem surpresa para ninguém, um programa relativo ao grandioso «cenário macroeconómico» que perspectiva para a sua vitória, supostamente dourado com a chancela de uns tantos vultos académicos de saber indiscutivel. Algo a aniquilar - no espírito das suas gentes - a política do Governo, a indignante política da Direita.

Com uma certa graça, José Adelino Maltez veio dizer achar salutar este confronto de concepções - a da "austeridade" vs. a do "despesismo" (sic).

O problema dos portugueses, salvo melhor opinião, reside na desatenção com que contemplam a alta rotatividade dos olhinhos de Costa. Aquela permanente atitude de quem impinge relógios contrafacionados jurando serem verdadeiros. Costa venderia a alma ao diabo por um qualquer objectivo político seu; como Costa não acredita na alma, aí o temos a vender o que não sente possuir.

E logo no arranque as reacções no seu próprio partido parecem não ser as melhores. São já conhecidas críticas ao programado quanto à TSU, à legislação laboral... Foram também suscitadas dúvidas sobre a constitucionalidade de algumas medidas...

Em suma, Costa não divergiu daquilo que sabe verdadeiramente: falar e gesticular comicieiramente. No mais, o seu «cenário macroeconómico» é um oceanário (de 90 páginas) que até poderá dar para tudo, no remoínho das palavras, mas apontará para os fundos do tal »despesismo», tão ao gosto de Sócrates e dos seus apaniguados.

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