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"Vinte e seis mil milhões de euros é uma pipa de massa, este dinheiro deve ser bem aplicado, que se calem aqueles que dizem que a União Europeia não é solidária com Portugal e com os países da coesão, trata-se agora de aplicar bem esses fundos"

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Não ficará pedra sobre pedra, Banco de Portugal arrasa

por Maria Teixeira Alves, em 30.07.14

 Ao longo de anos a analisar resultados de bancos, nunca tinha visto nada assim. Onde foram os auditores encontrar tantas imparidades escondidas?

O BES apresentou prejuízos semestrais, sim semestrais, de 3.577,3M€ (-3.488,1M€ só no 2º trimestre). Só em Portugal o prejuízo foi de -3.414,6 M€. O custo com imparidades e contingências atingiu 4.253,5M€ influenciado pelos factores de natureza excepcional", diz o banco. Valores surpreendentes.

 

Neste momento faltam biliões de capital no BES para cumprir os rácios. Depois de durante o mês de Junho se ter concretizado uma operação de aumento de capital do BES de 1.045M€, fazendo elevar o capital social para 6.085M€, representado por 5.624.962 mil acções. O rácio de Common Equity Tier I (capital puro e duro) era, em 30 de Junho de 2014, de 5,0% (mínimo fixado pelo Banco de Portugal: 7%). O BES tem hoje capitais abaixo dos mínimos. Está insolvente.

 

Já lá vamos aos motivos destes números. Mas o mais obvio é que o Conselho de Administração decidiu constituir provisões para imparidades no montante de 1.206M€ para fazer face às eventuais perdas relativas às empresas do Grupo Espírito Santo. 

A provisão representa deixar dinheiro de lado para cerca de 77% da exposição de 1,571.8M€ que o BES tem ao grupo. Dos quais 823M€ para a exposição ao ESFG; 144M€ para Rioforte e 239M€ para outras entidades, nomeadamente a Escom.

Esta rubrica parece-me excessivamente prudente, penso que isto será uma almofada para qualquer coisa, ou então um pretexto para mudar toda a administração.

O presidente do BES está concertado com o Governador do Banco de Portugal. Pois a mais significativa (e imediata) consequência disto é a carta branca que Carlos Costa tem para dizimar todo o passado do banco.

Reparem no comunicado do Banco de Portugal: "factos supervenientes, identificados pelo auditor externo apenas na segunda quinzena de julho e com um impacto negativo de cerca de 1,5 mil milhões de euros, vieram alterar substancialmente o valor das perdas a reconhecer na conta de resultados do primeiro semestre, pondo em causa o cumprimento dos rácios mínimos de solvabilidade vigentes. Estes factos, anteriores à  nomeação dos novos membros da Comissão Executiva, indiciam a prática de actos de gestão gravemente prejudiciais para os interesses do BES e um claro incumprimento das determinações emitidas pelo Banco de Portugal.

 

A auditoria forense determinada pelo Banco de Portugal, que já está em curso, permitirá avaliar responsabilidades individuais, incluindo as do anterior Presidente da Comissão Executiva, anterior administrador com o pelouro financeiro e outros membros da Comissão Executiva que entretanto renunciaram aos cargos exercidos. Caso se confirme a prática de ilícitos, serão extraídas as necessárias consequências em matéria contraordenacional e, porventura, criminal.
Independentemente da avaliação das responsabilidades individuais no âmbito da auditoria forense, o Banco de Portugal considera que os indícios da prática de actos prejudiciais aos interesses do BES e em violação das determinações emitidas não são compatíveis com a manutenção em funções dos titulares dos órgãos de administração com os pelouros de auditoria, compliance e gestão de riscos, bem como dos titulares do órgão de fiscalização. A estes titulares incumbiam deveres reforçados de vigilância.

 

Soluções do Banco de Portugal:

 

A realização de um aumento de capital por parte do BES, incumbindo a sua administração de apresentar um plano de capitalização cuja execução permita, a curto prazo, o reforço dos fundos próprios para níveis adequados de solvabilidade; Inibir os direitos de voto inerentes à participação qualificada que a Espírito Santo Financial Group, S.A. e a Espírito Santo Financial (Portugal) - SGPS, S.A. detêm no BES, ao abrigo do disposto nos artigos 13º nº7º, 13º-A e 106.º do Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras (RGICSF); Suspender, com efeitos imediatos, os membros dos órgãos de administração com os pelouros de auditoria, compliance e gestão de riscos, bem como os titulares do órgão de fiscalização. A substituição destes membros deverá ser assegurada por proposta dos accionistas, com eventual cooptação pelos membros em funções; Designar uma comissão de fiscalização composta por quadros superiores da PricewaterhouseCoopers & Associados – Sociedade de Revisores Oficiais de Contas, Lda., nos termos e para os efeitos previstos no artigo 143.º do RGICSF, até que os accionistas promovam a substituição dos membros da Comissão de Auditoria.

 

Vão ser afectados administradores como Joaquim Goes e Rui Silveira, António Souto e mais, muito mais. É uma razia.

 

Segundo as contas havia um veículo especial onde era concedido crédito às empresas do Grupo de forma ilícita. Fugindo às recomendações do Banco de Portugal. Mas a verdade é que a administração também não o conhecia.

 

Vamos aos resultados:

 

Os resultados do Grupo BES no primeiro semestre de 2014 foram significativamente influenciados pelos seguintes factores de natureza excepcional: (i) constituição de provisões para fazer face à exposição perante as empresas do Grupo Espírito Santo; (II) anulação de juros incobráveis sobre crédito concedido no BES Angola (BESA) e constituição de provisões para contingências fiscais nesta filial; (iii) agravamento do risco da carteira de crédito; (iv) reconhecimento da imparidade na participação na Portugal Telecom; (v) consolidação de SPE e contingências sobre dívida emitida; e (vi) situações específicas a seguir discriminadas.

 

O primeiro caso: A exposição do Grupo BES às sociedades que pertencem ao Grupo Espírito Santo deve ser analisada em duas componentes distintas: 1)crédito concedido e garantias prestadas pelo Grupo BES, e 2)subscrição de dívida por clientes do Grupo BES.

 

No primeiro caso, o crédito concedido e garantias prestadas pelo Grupo BES às empresas do Grupo Espírito Santo, deve ser abordado tendo em conta os distintos subgrupos sectoriais: (i) exposição para com as companhias de seguros; (ii) a exposição para com a ESFG e suas filiais bancárias e financeiras; (iii) a exposição para com o Rio Forte e suas subsidiárias; (iv) exposição para com a ESCOM e outras sociedades.

 

Destaque aqui para a exposição à ESFG:

A partir do início de maio, e em função de uma determinação da Comissão de Partes Relacionadas, ratificada em Conselho de Administração, foi decidido e aceite pela ESFG que a exposição não colateralizada deveria ser reduzida para um montante máximo de 400M€ até 30 de Junho de 2014 e que quaisquer novos créditos deveriam implicar a constituição de colaterais. No quadro dessa nova política, foram aprovadas novas operações no valor de 200M€. Todavia, os compromissos assumidos por parte da ESFG e suas subsidiárias relativamente à redução de exposição não colateralizada e à constituição de colaterais em favor do BES não foram, até à presente data, integralmente cumpridos, podendo alguns deles ter ficado prejudicados pelo pedido de protecção de credores solicitado pela ESFG. Em junho de 2014, a exposição do BES à ESFG e respectivas subsidiárias agravou-se em 120M€, em consequência de algumas operações realizadas entre o Banco e estas entidades, as quais não foram, no entanto, objecto de aprovação prévia pela Comissão de Partes Relacionadas nem pelos órgãos do Banco com competência para aprovar este tipo de operações. Relativamente a este aumento de exposição, encontra-se em curso uma análise relativa às condições em que o mesmo ocorreu.

 

Depois a garantia de pagar aos clientes de retalho em Portugal que subscreveram papel comercial da Rioforte e ESI:

Adicionalmente, e na sequência dos compromissos assumidos pelo BES no contexto do reembolso da dívida subscrita pelos seus clientes de retalho, verificou-se um aumento de exposição directa à ESFG por via da utilização da linha de crédito associada à garantia constituída pela ESFG a favor dos titulares do papel comercial emitidos pela ESI e, posteriormente, pela Rioforte e comercializados junto de clientes de retalho aos balcões do BES, tendo o BES obtido como colateral de tal linha de crédito um penhor sobre a totalidade das acções representativas do capital social da Tranquilidade. O valor utilizado desta linha é de 48,5M€. Em face do pedido de protecção de credores apresentado pela ESFG, esta linha foi cancelada. O súbito agravamento da situação financeira da ESFG, a colocação de dívida da ESFG na Tranquilidade no montante de 150M€, bem como os danos reputacionais para a Tranquilidade associados a este enquadramento, e ainda o subsequente pedido de protecção de credores da ESFG afeta de forma muito relevante o valor da garantia prestada aos titulares de papel comercial atrás referidos, tendo este facto levado o BES a assumir directamente o reembolso aos seus clientes de retalho. Em virtude do exposto, o Grupo BES constituiu uma provisão de 823M€ para imparidades decorrentes da exposição a este grupo de entidades.

 

Há uma exposição à Rioforte e subsidiárias: Também ocorreu um aumento do financiamento à Rio Forte e suas subsidiárias que fez passar a exposição total para 270,8M€ (mar,14:69,6M€; dez,13: 101,7M€).


O principal motivo para o aumento da exposição directa à Rioforte decorre de adiantamentos efectuados em atenção a um mandato exclusivo e irrevogável atribuído ao BES para a venda de uma participação significativa do portfolio da Rioforte, mandato cuja execução pode estar afectada em consequência do pedido de protecção de credores apresentado pela Rioforte no Luxemburgo.

 

Mas é importante esta consideração:

(iv) Exposição a outras entidades 

Finalmente, como explicitado no quadro acima, existe uma exposição bruta de 297M€ relativa ao Grupo ESCOM que, segundo informação prestada pelo Grupo Espírito Santo, terá sido vendido, através de um processo que ainda não se encontra encerrado, mas com conclusão prevista para breve.

 

Não se percebe que tipo de exposição é esta.  É crédito ao Grupo Escom?  

 

Dívida subscrita por clientes
O montante de títulos de dívida emitidos por entidades do Grupo Espírito Santo e subscrito por clientes do Grupo BES à data de 30 de Junho de 2014 totalizava cerca de 3,1mM€, dos quais perto de 1,1mM€ foram subscritos por clientes de retalho e 2,0mM€ por clientes institucionais.

Atendendo a que ainda não é conhecido o plano de reestruturação do GES, não é possível, à data da aprovação das contas do semestre, determinar com o indispensável rigor os montantes não recuperáveis da dívida subscrita. Após a divulgação das exposições ao GES efectuada ao mercado no dia 10 de Julho, o Conselho de Administração tomou conhecimento da existência de duas cartas emitidas pelo Banco Espírito Santo a benefício de entidades credoras da Espirito Santo International, cuja aprovação não havia sido realizada de acordo com os procedimentos internos instituídos no Banco, nem constava dos seus registos contabilísticos a 30 de Junho Para fazer face aos passivos contingentes descritos neste ponto, o CA decidiu constituir uma provisão de 856M€.

 

Não se percebe se o BES está a contar em assumir todos os clientes de retalho do grupo BES ou só os do BES.

 

E agora BES Angola que teve prejuízos de 356 M€.

A análise realizada pela nova equipa de gestão do BESA sobre a carteira de crédito levou à identificação de 247,2M€ de juros incobráveis; em consequência, procedeu-se à respectiva anulação;

 

Mas atenção que estes juros estavam provisionados por serem irrecuperáveis, portanto o banco libertou provisões em compensação.

 

O Banco Nacional de Angola informou o BES Angola da necessidade de este proceder a um reforço substancial dos seus capitais, tendo solicitado que o BES Angola inquirisse os seus accionistas sobre as possibilidades e condições em que tal reforço de capitais poderia por eles ser realizado.
Caso o BES decida não acompanhar este aumento, no todo ou em parte, poderá deixar de ter uma participação de controlo e/ou esta ser diluída para uma participação em que deixa de fazer consolidação integral do BES Angola.
O BES está em contacto com as autoridades regulatórias angolanas e portuguesas, no sentido de ser encontrada uma solução conveniente aos interesses das autoridades angolanas e que salvaguarde os interesses do BES e dos seus accionistas. A garantia soberana prestada pelo Estado Angolano mantém-se válida.

 

Bom, teremos de ver se limpar o BES dos embaraços não compremeterá a receita futura do banco. O mercado doméstico só, não alimenta banco nenhum hoje em dia.

 

Foi ainda reconhecido um prejuízo nas emissões de obrigações do Grupo BES de 767 M€. Mas foi reconhecido mais três sociedades veículo: Já no decurso do mês de Julho foram identificados 3 SPE (Special Purpose Entities) cujos activos eram fundamentalmente constituídos pelas obrigações emitidas pelo Grupo atrás referidas. Atendendo às características e finalidades destes SPE, concluiu-se que os mesmos deveriam ser integrados nas contas consolidadas do Grupo BES (...) os actuais membros do Conselho de Administração que estavam em funções à data de 30 de Junho desconheciam as transacções realizadas através de intermediários financeiros atrás referidas, bem como a constituição, desenho e funcionamento daqueles SPE, bem como de um 4º veículo cujo valor dos activos deverá rondar os 77 M€. Em face do que antecede, o Grupo procedeu agora à consolidação dos 3 SPE acima referidos – de que resultou uma perda adicional de 44 M€ - e à constituição de uma provisão no valor total do 4º veículo, perfazendo uma perda conjunta de 121 M€.

 

Mais. Adicionalmente, existem ainda outras emissões de muito longo prazo, subscritas por clientes de retalho, relativamente às quais também foram criadas expectativas de liquidez que podem levar o Grupo BES a vir a proceder à aquisição de parte dessas obrigações. 360 M€ de provisões.

 

Em conclusão, os impactos do ajustamento do valor das emissões, da consolidação dos veículos e demais contingências associadas às emissões do Grupo BES detidas por clientes de retalho, determinaram um registo de encargos nas contas do 1º semestre no valor total de 1.249 M€.

 

O aumento de capital terá de ser de três mil milhões de euros.

 

Ora o que se conclui daqui é que a exposição ao GES foi muito responsável pelas imparidades, mas a nova administração foi muito prudente mesmo, se quisesse não constituía tantas provisões daí o erro de estimativa dos analistas. Acho que Carlos Costa está a ter o pretexto que quer para limpar o banco do seu passado.

Espera-se que o BES Investimento seja vendido na leva da venda de activos que o Vítor Bento anunciou como prioritário fazer.

 

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A "legitimação"

por João-Afonso Machado, em 30.07.14

MONUMENTO GG.JPG

Ou por distracção política ou por qualquer louvável acto de penitência, a Imprensa, admitiu, recentemente, uma verdade histórica há muito interditada pela vergonha dos cerca de dez milhares de portugueses que a sofreram no corpo. Há cem anos atrás principiava a I Grande Guerra e - já demorava! - comentou-se agora, com desassombro, a nossa intervenção em tal mortandade se deveu, sobretudo, à necessidade da República «se legitimar».

legitimação vale dizer, nessa irresponsável situação, o reconhecimento, pelas grandes potências de então, do nefando Regime, aliás nascido do sangue e do crime, com que a sorte nos quis bafejar. 

Eram anos de muita instabilidade política e militar, o povo descria e desconfiava de Afonso Costa e quejandos, sofria as perseguições à Igreja, já percebera os males da República, e a Grã-Bretanha, por exemplo, podia às vezes dar uma arzinho da sua poderosa graça...

Vai daí a escova que Bernardinos, Costas e Cª quiseram passar no lombo dos Aliados, assim como quem lhes pede indulgência, uma lágrima de compreensão.

A coisa passou. Mesmo ante a proclamada contrariedade do general Alexander Haig, a quem não sobrava tempo para armar e treinar os nossos militares, cuja intervenção não era expectável acrescentasse algo ao desfecho da vitória aliada.

Sucedeu La Lys e a heróica atitude dos militares portugueses. E a derrota, não obstante. Contas feitas, a Guerra levou-nos quaisquer dez mil homens, mais os que cá vieram morrer gazeados, os pulmões em pausada destruição.

Tudo em prol da legitimação da República! Desta República onde Soares, Alegre e toda a corja maçónica pretendem beber uma suposta «ética» de ir à caça ao domingo em viatura e com motorista do Estado. Porque não, nobres tribunos republicanos, o plebiscito em vez do Corpo Expedicionário? O que temiam e temem, afinal, V. Ex.cias?

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Associação Portuguesa dos Autarcas Monárquicos (APAM)

por João-Afonso Machado, em 28.07.14

Foi hoje notarialmente formalizada em Braga a constituição da Associação Portuguesa dos Autarcas Monárquicos. Um passo dado, da maior importância, no combate aos preconceitos - a APAM reune gente de quase todos os partidos políticos e os cada vez mais presentes apartidários - e na afirmação do Poder Local.

Seja permitido o aparte - foi ainda um momento excelente para rever velhos compagnons de route (perdoe a Esquerda a apropriação do termo, mas havia-os lá oriundos dessas bandas também...). E o fundamental consiste no propósito de todos, de todas as proveniências, em servirem as suas terras, através da cooperação de municípios no domínio da História, das questões sociais, culturais e do desenvolvimento económico. Sem que as usuais cliques perturbem esse trabalho.

A APAM reunirá já em Setembro o seu primeiro congresso.

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Regresso ao endividamento

por Vasco Mina, em 28.07.14

Venda de casas aumenta e arrendamento já está a cair. Esta notícia do DN revela a tendência recente dos mercados de venda e arrendamento imobiliários. Não é, em si mesma, uma má notícia mas, manifestamente, é um indicador do aumento do crédito ao investimento imobiliário. Espera-se que as várias partes envolvidas (promotores imobiliários, banca e famílias) tenham aprendido com os erros do passado recente e não esqueçam nunca as perdas sofridas nos últimos anos. Até porque tudo isto significa uma subida do endividamento privado!

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Salazar, o provinciânico

por João Távora, em 27.07.14

Nesta silly season que ora se inicia, por conta da biografia de Ribeiro Meneses publicada em fascículos pelo Expresso, revisitamos Oliveira Salazar. No meu entender o ditador veste como uma luva as expectativas de uma época que em certa medida hoje persistem: o provincianismo messiânico. Isso justifica a longevidade do seu pontificado. Ontem como hoje são poucos os portugueses que fazem diferença e a mediocridade faz escola - os maus hábitos não acabam por decreto. Ontem como hoje temos aquilo que merecemos, órfãos a mistificar um pai utópico que nos devolva uma Pátria virtuosa escondida nas brumas da memória. Quero dizer: Salazar não instaurou uma mentalidade, mas ele foi fruto dela e soube servir-se dela para "levar os portugueses a viver habitualmente", aquilo que quase toda a gente queria. Resta-nos manter a inquietação.

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Quantos anos depois?

por João-Afonso Machado, em 27.07.14

A tarde de domingo deixa irresistivelmente cair as pálpebras na esfumada conclusão de que afinal ainda somos bons, é nosso o Mundialito de futebol na praia. O calor levou toda a gente, só de longe a longe um vulto percorre as ruas da cidade. Impera um silêncio de montras desinteressadas e, sobretudo, a absoluta ausência de planos. Apenas restolha o torpor dos corpos, o eco cada vez menos distante da debandada de Agosto.

O mais decorrerá depois com assinalável ligeireza. Até a Volta a Portugal em bicicleta... O Tempo é indisfarçavelmente isto - um discreto intervalo entre um verão e outro verão.

E apenas o parque parece manter algumas cores, alguma frescura, um tom de voz todos os dias renovado ou diferente. Os seus repuxos, a sincronia das suas erupções. Como qualquer desaproveitado lugar de memórias, onde jamais viverá a mesma noite de dança e os ontens serão sempre a tristeza de alguma incompletude.

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Do género "como a pensar que é um deles"

por Maria Teixeira Alves, em 26.07.14

O Daniel Oliveira critica hoje o Diário Económico no seu artigo do Expresso (numa vendetta disfarçada de opinião), e diz que "os jornalistas, porque privam com gente rica", isso "leva-os a protegê-los (aos ricos, deve ser) como se fossem um deles".

Em primeiro lugar ele não sabe se os jornalistas são ricos ou não. Não consta que tenha acesso a contas bancárias ou ao património, que lhes permita dizer que não são ricos, ou que são ricos. Depois, e olhando para este diálogo, eu diria que Daniel Oliveira fala por ele. 

 

Basta olhar para ele e vê-se logo que "é um beto", vê-se logo.

 

Depois fala do caseiro com uma familiaridade, conhecendo o seu complexo (?), como se alguma vez tivesse tido ou sido um...  

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Ex Ministro do Ultramar confessa que…

por Vasco Mina, em 26.07.14

“Sou contra o neoliberalismo repressivo”. E quanto às políticas do Estado Novo? Porque reabriu, à época, o Campo do Tarrafal? Neste ano em que comemoramos os 40 anos do 25 de Abril  recordo-me sempre de um comentário do meu pai que sempre fazia, nos tempos do PREC, quando discutia política com os amigos: “Tanto anti-fascista e eu nunca tinha dado conta!” O Prof. Adriano Moreira dá hoje uma entrevista no Jornal i que é de leitura obrigatória pois partilha uma visão muito lúcida e estimulante da política internacional e do posicionamento estratégico histórico e atual de Portugal. Mas, confesso, surpreende-me sempre que responsáveis do Estado Novo (sim, governantes de Salazar e Marcelo) se assumem, pela via da repressão / limites à liberdade, contestatários dos atuais modelos de governação. Reconheço, também, dois aspetos positivos nestas intervenções: i) mudanças de perspetiva com o caminhar e a leitura dos tempos (como diria alguém, “só os burros não mudam”); ii) tolerância e integração política da sociedade portuguesa para quem teve, no passado, outras responsabilidades políticas que hoje seriam objeto de crítica.

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"Melões à Famalicão"

por João-Afonso Machado, em 25.07.14

As gentes de Barcelos dos saudosos tempos rurais da minha Avó falavam muito da extensão dos meloais nas suas terras: a perder de vista, sempre propensos à gulodice de visitantes nocturnos, na mira de levarem consigo o produto do esforço dos seus cultivadores. Daí a vigilância posta neles – maravilha do Faroeste minhoto! – em altos palanques e armas de fogo de carregar pela boca, prontas a disparar sobre os intrusos. Nessa altura, não aprendera ainda a gostar de melões, mas achava-os indispensáveis a uma região assim aventureiramente parecida com a América e todas as peripécias que nesta, e na minha imaginação de infante, ocorriam. Entre malandrins e assaltantes e toscas paliçadas defensivas.

Nos dias de hoje, o que está a dar são os desconchavos perpetrados em inarticuladas caixas multibanco… Até ver, os meloais poderão, por isso, dormir tranquilamente. O mais certo, aliás, é serem agora de dimensões assaz menores. Tanto quanto cresceu o meu apetite por melões e a possibilidade de o satisfazer mediante honestas aquisições por essas bermas de estrada fora.

Adiante. Remonta também a quase três décadas a minha amizade com o Aires Mesquita. (Isto ainda a propósito de melões). Frequentámos então o mesmo curso de empresários agrícolas, conquanto só ele se tenha mantido fiel à prática dessa religião. Eu debandei outras paragens profissionais, seguramente mais tolas, e o nosso reencontro num qualquer dos últimos verões, ficou logo assinalado pela amável oferta de um soberbo melão seu. Não sem que antes me contasse todas as peripécias e o sucesso da sua exploração. O Aires permaneceu um homem simples, conversador e desprendido, um triunfador na sua serena resistência de lavrador. Talvez não exactamente por necessidade material, certo é, a partir de Julho, ir gozando a sombra dos arvoredos de Sinçães, junto à Biblioteca Municipal, onde todos os dias um atrelado dos seus tractores exporta melões para as mãos de quem já sabe onde os encontrar da melhor qualidade.

Apraz-me constatar a agricultura minhota – em especial a famalicense – tem raízes para persistir e caules para ramificar. E no vagar da minha conversa com o Aires Mesquita fui lendo confiança no futuro dos lavradores a sério ou, se quiserem, dos nossos empresários agrícolas com cabeça – sobretudo com cabeça… - tronco e membros.

Nas cercanias da cidade, para os lados de Gavião, moram os seus hectares de cultivo – uma mão cheia deles. Creio não errar – o negócio reluz entre melões e vinhos comme il faut (e eu afianço). Com espaço, sempre, para tardes prolongadas de cavaqueira amena em roda do seu atrelado, quando ali passo, a caminho da Biblioteca, recordando os divertidos momentos vividos no nosso curso, os colegas dessa epopeia decorrida entre o Sameiro e a Apúlia, catorze semanas de algumas inesquecíveis histórias.

Porque insisto tanto nos melões do Aires? Porque prezo a amizade e os amigos que vou mantendo. Mas, também, porque admiro a lhaneza e a tenacidade dos homens da lavoura. Esses que não foram em cantos de sereia e não fecharam as portas das suas explorações. E souberam, entretanto, ler os sinais do tempo e adaptar-se. Assim folheando agora resultados palpáveis, coerentes, a consentirem-lhes viver condignamente. Se calhar, muito acima do bem-estar médio da generalidade de nós. Merecem-no! Pelo seu louvável esforço em manter a terra e valorizá-la, como se impõe a qualquer proprietário que se preze.

 

(Da rúbrica De Torna Viagem, in Cidade Hoje de 24.JUL.2014).

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O diletante

por João Távora, em 25.07.14

Pela minha parte tenho como verdadeiros os atributos e competências atribuídas pela jornalista Maria Teixeira Alves a Ricardo Salgado que o Daniel insinua serem padrão da atitude de servilismo existente em relação aos poderosos. Até poderá ter alguma razão mas enganou-se no exemplo. Sei por vários testemunhos pessoais como o banqueiro é uma pessoa de trato fácil, que procura uma proximidade e um contacto directo com as pessoas sem pruridos hierárquicos que, com o dom de uma memória prodigiosa, a todos trata amigavelmente pelo nome próprio. Nada destes traços de carácter me parecem incompatíveis com erros ou crimes que Ricardo Salgado possa ter cometido no âmbito da gestão dos seus negócios e que se espera seja julgado com isenção. Daí que me pareçam abusivas as ilações do Daniel Oliveira, essas sim fruto de ressentimentos ideológicos (desprezo cultural, como o próprio lhe chama) em relação à jornalista do Diário Económico. O problema do Daniel é, além de se deixar subjugar pelos tais desprezos selectivos absorvidos da cartilha revolucionária de que não se consegue libertar, a veleidade de querer encaixar as pessoas no seu arquétipo pequenino e a preto e branco com que interpreta a realidade à sua volta. Ainda bem que verdadeiramente não é um jornalista. Para já é apenas um diletante sobrevalorizado, o que é muito pouco para nos preocupar. 

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A voz do dono

por Maria Teixeira Alves, em 25.07.14

Daniel Oliveira, político (mau) e que tem o topete de se intitular jornalista (só se for pelo curso superior que tirou na farinha amparo) resolve escrever sobre mim, para pôr em causa a minha qualidade como jornalista que ele obviamente não conhece, e mesmo que conhecesse não saberia avaliar porque não estudou para isso. Daniel, não vale a pena, peça a quem lhe encomendou o artigo para desistir. Não vale mesmo a pena. Não vai ter o resultado pretendido. Mas boa tentativa. 

 

P.S. Ser criticada por uma pessoa que escreveu isto sobre o Fernando Ulrich: "fica claro que é isso mesmo que falta a este senhor: capacidades cognitivas medianas", deixa-me confortável. A estupidez é sempre acompanhada de uma grande arrogância.

 

 

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Coisas que me intrigam

por Maria Teixeira Alves, em 24.07.14

Se Ricardo Salgado foi detido por causa do presente de 14 milhões que recebeu de José Guilherme, o construtor, porque raio é que só foi detido hoje?

É que pelo menos desde o diz 7 de Julho, altura em que a notícia saiu no jornal I,que se sabe desse "presente".

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O País "improvável"

por João-Afonso Machado, em 24.07.14

O não mundialmente famoso sociólogo Adriano Campos terá desgostado da recente visita dos Reis de Espanha à Assembleia da República. Vai daí, abalançou-se ao tratado político escrevendo (sob o título: «Um Rei na Assembleia da República: cenas de um país improvável») preciosidades como esta - «A Monarquia como sistema de governo reside no passado, avesso à democracia e fiel ao fraco ideal do poder por filiação. Não serve aos povos e é inaceitável como meio de subjugação. Mas Portugal é mesmo um país improvável... faltava-nos, pois, um Rei na Assembleia da República».

Impôr-se-ia, face à boutade de Adriano Campos, uma palavra de solidariedade para com os subjugados, e no passado entranhados, povos britânicos, nórdicos, etc, etc, - mais coisa, menos coisa, metade da Europa, pelos vistos avessa à democracia e incapaz de se libertar do poder por filiação. Ou, em alternativa, calcular o escalão etário de Adriano Campos, e situá-lo algures nestas décadas de desensino da República que nos liberta das vantagens do saber.

Mais precisamente - tem-se por hipótese válida - no tempo em que a Sociologia se deapartou da Ciència Política e do Direito Constitucional. Sendo assim desculpável Adriano Campos ignore que a Monarquia não é um sistema de governo; e que assenta na soberania popular, vale dizer na vontade expressa pelas comunidades em escolherem como símbolo representativo (e apaziguante...) da sua nacionalidade a Família reinante. Apenas isso, como bem se constata em Espanha.

Fora este pequeno pormenor, Adriano Campos tem toda a razão - Portugal (demonstra o seu próprio pensamento) é mesmo um país improvável.

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BES escreve aos clientes após falências da ESI e Rioforte

por Maria Teixeira Alves, em 23.07.14

A ES Internacional pediu e já está em falência controlada, e a Rioforte Investments, holding para a área não financeira do Grupo Espírito Santo (GES), apresentou na terça-feira um pedido de sujeição ao regime de gestão controlada ao abrigo da lei luxemburguesa, tal como a sua casa-mãe.

O que quer isto dizer para os clientes do BES, e apenas para estes, uma vez que o Banco de Portugal obrigou à constituição de uma provisão para salvaguardar o interesse dos clientes? Quer isto dizer que a partir de agora vão receber o capital investido em papel comercial da Rioforte e ESI; mas sem qualquer juro. Isso mesmo explicaram os gestores dos balcões aos clientes, que receberam uma carta do banco a explicar que apesar dos pedidos de falência controlada o banco ia pagar-lhes os capital investido nestes títulos de dívida. 

Até aqui, eram as empresas (ESI e Rioforte) que estavam a pagar aos clientes com os juros, tal como o contratado. Agora as empresas não pagam mais nada, têm um gestor de falências que vai vender os activos que restam para depois distribuir o produto da venda pelos credores. 

Os clientes instituicionais (empresas, fundos etc) e os clientes que tinham conta nos bancos da ESFG, Banque Privée Suisse, ES Bank of Dubai e ES Panamá, não estão salvaguardados. Portanto quem tem títulos de dívida da Rioforte e ES International ficará submetido à hierarquia que vigorar na lei luxemburguesa. Em Portugal os primeiros são os credores com algum tipo de garantia, os trabalhadores, credores hipotecários, depois Estado, Segurança Social, depois os detentores de obrigações e os últimos são os accionistas. 

 

O projecto de realização deve respeitar a ordem de prioridade reservada pela lei aos privilégios e às hipotecas. 

No Luxemburgo, o liquidatário judicial deve estabelecer a ordem de prioridade dos credores privilegiados, revertendo o remanescente a favor dos credores que não dispõem de privilégios ou de garantias. O liquidatário judicial convoca então todas as partes interessadas na prestação das contas e apresenta-lhes as contas da falência.

Na sequência da prestação das contas, pode proceder à indemnização dos credores respeitando a ordem resultante da acta de prestação das contas por ele exarada e assinada pelo juiz-comissário e pelo oficial de justiça do Tribunal do Comércio.

 

 

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Vozes da História (2)

por João Távora, em 23.07.14

Excerto duma célebre interpretação de Vasco Santana do número «O Melro e o Fiel» um monólogo retirado da comédia de 1918 «O Conde Barão» de Ernesto Rodrigues, João Bastos & Felix Bermudes (os autores de o Leão da Estrela) uma adaptação livre dos poemas com o mesmo nome de Guerra Junqueiro. Com o disco lascado no início perdem-se pouco mais de 10 segundos de gravação. 

 

Publicado originalmente aqui.

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Soluções do Costa:

por Vasco Lobo Xavier, em 23.07.14

Para António Costa consolidação orçamental e dívida devem ser temas menores, que ficam para outros carnavais.

 

Mas pelo que tenho visto, a sua solução não deve andar muito longe disto. É à americana.

 

 

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Uma espécie de Pordata para os Municípios

por Vasco Mina, em 23.07.14

O Governo lançou ontem o Portal de Transparência Municipal. É uma espécie de Pordata para os Municípios e saúdo esta iniciativa pois (tal como o Portal da FFMS) é um contributo para o conhecimento dos principais indicadores de cada município e com a vantagem adicional de os comparar com os restantes. Vale a pena a consulta e, já agora, fica uma questão que resulta do gráfico abaixo: porque têm os municípios diferenças brutais nos graus de endividamento? O que justifica, para este indicador, a diferença, a título de exemplo, entre as cidades do Porto e Lisboa? Será que António Costa vai avançar com a reestruturação da dívida da CML (cujo passivo aumentou no exercício de 2013)?

 

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Professorais e insurrectos

por João-Afonso Machado, em 22.07.14

Esta bulha, ora mesmo passada no noticiário televisivo à porta da Escola Secundária Rodrigues de Freitas (o Liceu D. Manuel, para os da velha guarda), de repente pareceu algum episódio invocativo dos tempos abrilinos em que a rapaziada trocava umas estaladas por causa da política. E fazia greves, boicotes, chiqueiral e não estudava. Mas não, não era indisciplina dos alunos, era dos professores.

Obviamente, andou ali mãozinha de sindicalista. O Big Boss, aliás, fez a sua aparição ante as câmaras, mas em Viseu, cidade onde escolheu dirigir o aparato das tropas. Tudo por causa dos exames a que estão obrigados os "mestres" contratados e contrariados por essoutra obrigação que os colegas discordantes lhes querem impor - a de não comparecerem aos ditos exames.

E assim os profs. aprenderam com a rapaziada - supostamente aprendiz... - a troar tachos e panelas nos corredores, a empurrar os contínuos (hoje, decerto, com título muito mais sofisticado, a compensar a maçada de aturar por acréscimo os docentes insurrectos), a provocar os agentes da polícia, etc, etc.

A grande vantagem de sermos mais velhos, e tão longe irem os tempos estudantis, é justamente a certeza que hoje falha por todo o lado - a de que os reguilas eramos nós, não quem supostamente tinha algo para nos ensinar.  Valha-nos isso...

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É o quê?! Como disse?

por José Mendonça da Cruz, em 22.07.14

Dia sim, dia não, socialistas e comunicação social (passe a tautologia) nos vêm apresentando este homem -- que criou um pântano político e depois fugiu dele; que tomou medidas decisivas para acelerar o nosso caminho para a ruína; que prometeu um mundo sem boys e acabou campeão dele; cujo passo miúdo e vacilante tão bem representa a indecisão e o consenso imobilista -- todos os dias o vêm apresentando como «grande figura», promissor e esperançoso presidente. 

Referem-se a quê?

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