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Estupidamente

por João-Afonso Machado, em 30.06.14

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E, de súbito, a obrigatoriedade do voto tomou voz. Quero dizer, a República viu-se nua. Sem eleitores, sentindo-se tremelicar nas pernas da sua legitimidade. A República é tão-só o legislador, e sabe que isso - que é pouco - para si é tudo. Preparemo-nos, pois, para a próxima novidade do DR -  termos todos de ajoelhar aos pés da (eleitoral) urna. Quer queiramos, quer não.

Abreviando, o problema não será de maior monta: assim como os portugueses sempre souberam dar resposta condigna à ditadura tributária, também alcançarão meios de sustar este psicadélico propósito de intervenção cívica. 

E, afinal, temos, ou não, o dever de votar? Seguramente - não!, do ponto de vista jurídico; provavelmente - sim, em nome da cidadania. Mas a liberdade individual não poderá vez alguma ser posta em causa, pelo que a questão é moral, jamais do domínio do Direito Positivo.

Em suma, o abstencionismo não contende com a democracia, nem com o sistema parlamentar, nem com a ordem pública. Apenas com o Regime. Com a República portuguesa e com os seus próceres - com o seu total descrédito. Os quais, estupidamente, querem fazer-se passar pela vergonha de, na contabilidade dos votos, colocarem os brancos e os nulos à frente do colorido espectro partidário.

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Para simplificar: O problema do Grupo Espírito Santo consiste numa holding que se chama Espírito Santo International, que é a primeira de uma sequência delas, portanto é a holding que é detida pelos cinco ramos da família Espírito Santo. Essa holding durante anos emitia dívida para financiar as empresas da família. Contava para isso com o apoio inegável de um banco que colocava essa dívida em clientes, particulares ou institucionais. Ora através de fundos de investimento (Espírito Santo Liquidez), ora através de outros instrumentos (títulos de dívida), como por exemplo papel comercial. Tudo corria bem enquanto ninguém observava a holding ES International, porque cada vez que uma dívida vencia a empresa emitia nova dívida para pagar a anterior e o banco estava lá para garantir que havia sempre liquidez. À ES International, sediada no Luxemburgo - in the middle of nowhere - ninguém pedia contas. Andava tudo feliz e contente, quando o Pedro Queiroz Pereira, num ajuste de contas com Ricardo Salgado, decide denunciar a situação ao Banco de Portugal e à CMVM. A CMVM obriga a ES Liquidez a desfazer-se dos títulos do grupo, o banco coloca então o papel comercial entretanto emitido pelas holdings, para assegurar os reembolsos do fundo. 

Mas auditorias do Banco de Portugal e outras análises às carteiras de crédito do BES, levadas a cabo num contexto de preparação de entrada na União Bancária Europeia, leva o Banco de Portugal a aperceber-se da falência técnica da holding primeira de todo o edifício Espírito Santo. Começa por obrigar a ESFG (imediatamente antes do BES na cascata) a constituir uma provisão de 700 milhões para fazer face à emissão de papel comercial colocada pelo BES nos clientes de retalho, e depois proíbe o BES de dar crédito à ES International. Para além de castigar os gestores da família forçando-os a abdicar da administração do banco. A nova lei do Banco de Portugal dá-lhe poderes para isso, para além da possibilidade de imputar uma inibição aos gestores que estavam em simultâneo na ES International com funções efectivas, ser um machado em cima da cabeça dos administradores Espírito Santo. Ricardo Salgado não teve outro remédio se não aceitar sair da presidência do BES.

Para agravar a situação, a falência técnica da ES International impede que esta sociedade se consiga financiar. Desde que a situação se tornou pública (saltou para os jornais) ninguém compra papel comercial dela e o BES não lhe pode emprestar dinheiro. A sociedade tinha muita dívida de curto prazo emitida que vence para ontem e de repente não há dinheiro para pagar. Por isso Ricardo Salgado foi a correr ao Governo pedir ajuda à CGD (uma linha de 2,5 mil milhões). A Ministra das Finanças recusou e o Primeiro-Ministro também.

O desespero é tal que já há tentativas de converter créditos em capital para resolver a situação de insolvência. 

Se a ES International for à falência, a família perde completamente o Grupo que passa para a mão dos credores. Com a ES International vai tudo o que está em baixo, incluindo a Rioforte e o BES.

Se transformarem créditos em capital os Espírito Santo diluem a sua participação accionista, porque os credores passam a ser accionistas. Ora se directamente a família já não detém mais de 4%, nessa altura então passa ainda a ter menos expurgando todos os interesses minoritários.

É esta a situação do Grupo Espírito Santo.

Paralelamente e não completamente dissociado disto: o BES Angola tem um buraco nos activos (créditos de 5 bi que não se conseguem cobrar), com uma garantia do Estado angolano que no limite pode levar a que o banco passe para as mãos do Estado de José Eduardo dos Santos. E uma guerra familiar entre Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi, que nunca se resolverá porque decorre de uma situação de risco de perda do Banco que não será facilmente esquecida dentro da família. 

Voilá! É isto e é simples de explicar, mas deve ser sufocante o ambiente que se vive hoje na família.

 

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Secretismo de Aluguer

por Vasco Mina, em 29.06.14

Uma dimensão sinistra do processo legislativo relativo às barrigas de aluguer é o secretismo em que tudo acontece. O mais recente episódio é revelador disto: Sexta-Feira soube-se que o texto aprovado no Grupo de Trabalho (e que é do desconhecimento público) não seria votado na Comissão Parlamentar de Saúde pois o PSD não estaria disponível. Ou seja, a mensagem que passou foi o do adiamento da discussão em sede parlamentar. Ontem, Sábado, soube-se afinal que não será bem assim; de acordo com o deputado do PSD  Miguel Santos (Coordenador do Grupo de Trabalho) “vamos reunir o grupo parlamentar no dia 8 porque é a data em que conseguimos ter maior participação”. E acrescenta que “só não aconteceu antes porque o texto não estava pronto. Mas temos muita vontade de fazer esta reunião. Este é um tema apaixonante, difícil, que divide muita as pessoas e é preciso explicá-lo bem, porque muitos deputados não conhecem a matéria na sua substância.” Remate final: “Em abstracto será possível. Vivemos semanas atípicas no parlamento [com a aproximação das férias da Assembleia] mas a Comissão de Saúde pode votar a 9 de Julho e o plenário no dia 10 de Julho.” Perguntas: Sendo um tema um tema difícil e que divide as pessoas porque não se promove o debate público? Porque razão ainda se desconhece o texto aprovado no Grupo de Trabalho? Sendo necessária uma “iniciação” do tema aos deputados porque tal acontece num dia e se vota na Comissão Parlamentar no dia seguinte e no Plenário dois dias depois? Porquê tanto secretismo?

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Costa seguro

por João-Afonso Machado, em 29.06.14

Os Antónios vieram passar o S. João ao Porto. O Tozé a convite da organização local do PS, o Tony por gentileza do edil Rui Moreira. O primeiro intentando cativar os socialistas nortenhos, o segundo já em pré-campanha para as Legislativas do próximo ano. Essa a grande diferença: a que o olhar de cada um tão bem patenteia. Onde Tozé clama contra a traição de que foi vítima, Tony alardeia tranquilidade e disponibiliza-se generosamente para servir os altos designios da Pátria.

Era bom - sobretudo para ele próprio -  António José Seguro percebesse a sua total falta de hipóteses contra António Costa. Há muito tempo, de resto. Este aguardava apenas o momento oportuno de lhe roubar o partido, deixando-o esgotar-se em pequenas, insiginificantes, vitórias eleitorais. Que assim é prova-o o mais fiável de todos os barómetros - a precipitada mudança de rumo efectuada por todos os lacõezinhos à tona socialista.

Tudo muito feio, obviamente. Mas a política faz-se assim, pelo menos em Portugal. E, sendo o lado perdedor sempre o mais cativante para quem vê esse mundo do exterior, Seguro até conseguiria conquistar alguma simpatia, não fora o caso de despejar as suas frustrações em inopinados ataques à Direita. Talvez por incontrolável pavor ante o espectro do desemprego. No auge da sua crise, porém, servir-lhe-ia de paliativo a invocação de Santo António (Guterres). Quem sabe, comprovada a sua bondade, não alcançasse também um cargo de prestígio e distância da porcaria? 

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Uma iniciativa patriótica

por José Mendonça da Cruz, em 27.06.14

 O amor e benquerença, a fé cega, a crença irracional vai vacilando nos meios de comuicação social que acolheram com entusiasmo e incensaram a candidatura de António Costa à liderança do PS. Como eles costumam dizer «há uma impressão geral» de que, afinal, os poderes mágicos de que julgavam munido o seu querido líder não chegam sequer para ser ungido no Partido Socialista, quanto mais para triunfar no país. Afinal, o passeio triunfal não se parece nada com um passeio, e o triunfo final cada vez parece mais uma miragem.

 No entanto, o país deve agradecer a António Costa o verdadeiro serviço público que se decidiu a prestar.

Com António Costa candidato a líder do PS acedemos finalmente a avaliar quais as soluções socialistas para o país: recuperar as políticas desastrosas de Sócrates e, fora isso, palavras redondas e ocas, verdades de la Palisse, um enorme vácuo, metade má avaliação do que se passa na Europa, metade desconhecimento e irresponsabilidade sobre o que se passa em Portugal.

Com António Costa a prometer-lhes poder, regressam à ribalta, nas suas cores mais garridas e militantes, as qualidades políticas, intelectuais e morais  da corte socrática, dos Lellos, dos Galambas, das Moreiras, dos Césares, dos Silva Pereira. Deus os guarde e a comunicação social lhes disponibilize microfones todos os dias. É puro serviço público.

Com António Costa na corrida, temos, por fim, um António José Seguro livre para dizer o que pensa e o que aturou aos fiéis do anterior e pernicioso primeiro-ministro.

Com António Costa na berlinda, por fim, talvez a comunicação social e os eleitores comecem a avaliar se desejam para o país o estilo de governação de Lisboa: 300 milhões de euros de uns terrenos do aeroporto espatifados em festas e dívida; défices descontrolados nos transportes públicos, pagos com aumento do IMI, com impostos sobre os combustíveis, com taxas de estacionamento, com publicidade exterior e com portagens, numa roda opaca de dinheiro que torna impossível a gestão rigorosa e o combate à corrupção; desorganização, greves e lixo resolvidos pelo método socialista de atirar com o dinheiro dos outros para cima dos problemas: em vez de gestão, cedência a tudo o que os sindicatos queiram e contratações generosas para os impostos pagarem mais tarde.

O debate democrático é, de facto, uma benesse. Daqui até Setembro seremos recordados de coisas que nunca deveríamos ter esquecido, e saberemos notícias que não saberíamos normalmente.

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A razão em tempo de guerra

por Maria Teixeira Alves, em 27.06.14

Confesso que comecei por achar uma atitude nobre a de José Maria Ricciardi sair de todos os cargos de administração do Grupo Espírito Santo. Pois se votou contra a lista de Amílcar Morais Pires, não se revendo naquela liderança, quis dar um sinal de coerência. Pareceu-me bem. Acho que José Maria Ricciardi devia até ter-se demitido da administração da ES Internacional depois de ter obtido os resultados da auditoria pedida por si àquela sociedade amaldiçoada, no princípio de 2013. Mas isso são outros 500.

 

Imagino que não deva ser fácil para alguém ser enrolado numa áurea de suspeição quando aparentemente não tinha intervenção efectiva na gestão dessas holdings e imagino a revolta que deve sentir ao ver o primo Ricardo Salgado dizer numa entrevista que todos tinham responsabilidade, uma vez que eram todos administradores, quando o commissaire aux compte na edição do Expresso de dia 14 de Junho vem dizer que eram Ricardo Salgado e José Castella, controller financeiro do GES, quem tinha acesso a tudo das contas da ES International.

 

Esse sentimento de injustiça é terrível e se uma pessoa não o controla, pode ser muito mau conselheiro. 

 

Serve isto para dizer que o comunicado de José Maria Ricciardi a anunciar a sua saída da administração da ESFG (que imediatamente a aceitou) foi depois acompanhado por uma declaração que, a meu ver, foi impulsiva e talvez tenha comprometido irremediavelmente a sua estratégia que não era dificil de ler nas entrelinhas para os observadores mais atentos.

 

Não se anunciam aumentos de capital de significativa envergadura em comunicado. Parece-me evidente. Ao anunciar um aumento de capital de significativa envergadura (soube-se depois que era de 600 milhões de euros) para entrarem investidores (dos Emiratos) com 45% e o management ficar com 10%, levanta a lebre de uma estratégia que convinha ter ficado no segredo dos Deuses. A surpresa é fundamental nestas tácticas. A surpresa e, claro está, um bom advogado e bons conselheiros de outras ciências.

 

Agora com o BES, ainda liderado por Ricardo Salgado, a admitir substituí-lo à frente do BESI e tendo o BES 100% do BESI, e tendo o José Maria Riccardi deixado de ser administrador da ESFG, e estando a caminho de deixar de ser administrador do BES, torna-se muito complicada a sua situação.

 

Mas qualquer que seja a tática que esteja agora a desenhar é fundamental que não seja comunicada, formal ou informalmente... fundamental. 

 

É preciso ter nervos de aço em tempo de guerra. Sobretudo quando o adversário é temível. E Ricardo Salgado não chegou até aqui por ser ingénuo, e ainda tem a faca e o queijo na mão.

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Chegou a vez do futebol

por João-Afonso Machado, em 27.06.14

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Enfim em paz! Já sem essa maldita necessidade de nos desculparmos culpando os outros. Ou de, no términus de um dia de trabalho, descarregarmos a nossa bílis sobre os ditâmes da Fortuna. Em derradeira análise, de nos fustigarmos com as urtigas de um mau treinador, uma trupe de jogadores preguiçosos, uma logística tonta, um clima adverso, viagens esgotantes. Quando - ainda por cima - a razão do nosso fracasso reside apenas na cor do equipamento, na circunstância de não sermos já Portugal (reparo agora, ao renovar o cartão de cidadão) mas a demolidora República Portuguesa. Nós somos hoje - a República Portuguesa; antigamente, Portugal.

Seja como for, chegou então o ansiado momento do futebol. A grande oportunidade de nos sentarmos desapaixonada e descontraidamente no sofá e gozarmos o espectáculo. Estão lás as melhores selecções do mundo. Que vença a mais merecedora. Podemos até pensar em algumas surpresas, fazer qualquer apostazita. O meu palpite - a Colômbia.

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Os rapazes que voltem para casa

por João Távora, em 26.06.14

Isto da eliminação do mundial até é um alívio, que assim não passamos mais vergonhas.

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A mensagem, o mensageiro e a bicicleta

por João Távora, em 26.06.14

(...) O mais irónico é que a decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia em favor do "direito ao esquecimento" acabou por virar o feitiço contra o feiticeiro: o assunto que Mario Costeja González pretendia ver ocultado ao público, tornou-se massivamente propagandeado em todo o mundo - quem não soubesse sabe agora que ele teve um dia problemas com uma antiga dívida à Segurança Social noticiada pelo jornal La Vanguardia. (...) Ora leia aqui

 

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Barrigas de Aluguer – Porque não aclaram?

por Vasco Mina, em 26.06.14

O PSD pediu, há dias, uma aclaração do Tribunal Constitucional sobre o acórdão relativo a um conjunto de medidas do Orçamento de Estado. Está agora na altura de aclarar o que pretende com a legislação das barrigas de aluguer. Ainda ontem estava marcada uma reunião da Comissão Parlamentar da Saúde para discutir e votar o documento final. Estranhamente foi adiada para o dia 3 de Julho e ao que tudo indica para ser ainda levada a plenário até ao dia 10 de Junho. Ou seja, num sprint final em que nada está aclarado a começar pelo conteúdo do qual se desconhece a versão final. Porque não aclaram? Quem já aclarou foi a Assembleia Distrital de Lisboa do PSD que, na semana passada, votou, esmagadoramente, contra esta iniciativa parlamentar.

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A VW faz serviço público

por José Mendonça da Cruz, em 25.06.14

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Balanço para o que nos espera

por João Távora, em 25.06.14

O governo impediu que caíssemos, mas não nos afastou da beira do precipício. A coligação governamental ainda dura, mas não conhecemos o seu prazo de validade. (...) agora, é ao governo que cabe provar que pode ser mais alguma coisa do que um intervalo de faxina entre dois governos socialistas. Só Passos Coelho pode fazer justiça a Passos Coelho.

 

A ler crónica de Rui Ramos aqui

 

 

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o debate no PS promete…

por Vasco Lobo Xavier, em 25.06.14

 

Segundo o jornal i de amanhã, Costa apoia Sócrates e apoiantes de Seguro consideram a governação de Sócrates um “descalabro” e que os que no PS apoiaram Sócrates apenas ajudaram a conduzir “Portugal para o desastre”, com o “interesse nacional” a andar “a reboque dos interesses partidários do grupo no poder”.

 

Isto promete, estou mortinho pelas cenas dos próximos capítulos.

 

 

 

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a comunicação social que temos...

por Vasco Lobo Xavier, em 25.06.14

 

Qualquer dos candidatos à liderança do PS propõe fazer alterar a política europeia antes de se debruçar sobre os problemas de Portugal, confessando assim os dois que não conseguem resolver os problemas dos portugueses no quadro actual, que infelizmente é o real e onde nos colocaram aquando da sua gestão.

 

Impunham-se duas perguntas, ambas muito simples, mas que estranhamente (ou talvez não...) têm escapado aos jornalistas:

1)      E como viverá Portugal e debaixo de que política até conseguirem esse milagre de mudar a política europeia, coisa que nem os seus amigos franceses conseguiram?

2)      E como actuarão e quais as suas soluções acaso (que é o mais provável) não consigam alterar coisa alguma na política europeia?

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Rapsódias de Fado

por João Távora, em 24.06.14

Sobre o fadista Lino Teixeira que se redescobre neste disco de 1929, ficamos a saber através de uma entrevista de J.O. Vidal num número do Jornal "Guitarras de Portugal" de 1932 encontrada aqui, que era um “cantador dos mais antigos, dos mais fadistas e dos mais conscientes”, um homem de aspecto “esguio, magro, negro” de feitio ”sempre falador”. Nascido num meio ligado ao Fado, acompanhava-se a si próprio à guitarra, instrumento que conheceu desde muito novo, por via de um tio com o mesmo nome. Influenciado por nomes como Júlia Florista e Manuel da Mota, o versátil artista não só cantava “à fadista” sem “pieguices” como versejava pela própria pena, tendo obtido um prémio do Diário de Lisboa por conta duma quadra. 

Nessa entrevista, é curioso como Lino Teixeira assume ter sido o “momento mais emocionante da sua vida” a primeira vez que gravou a sua voz, que dessa forma “perduraria através de longos anos” (!!!). Com mais de 14 discos gravados à época para as casas Brunswick e Odeon, Lino Teixeira não esconde o orgulho de ter sido sempre bem pago por isso, “pois embora sinta mais o Fado quando canta de livre vontade, não está disposto a deixar-se explorar em benefício dos exploradores da Canção Nacional”. Com incursões no fado humorístico, foi consagrado numa modalidade de Fado inédita, as rapsódias (das quais aqui partilhamos a nº 1 e nº 2), “um número interessante, com variante de que o público gosta mais do que ele.”

Assim se resgata mais uma voz ao baú do esquecimento – ora escute.

 

Publicado originalmente aqui

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As Fogueiras de São João

por João Távora, em 24.06.14

A propósito das festas de São João na cidade do Porto, fui ao Baú buscar este disco com mais de 100 anos.

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Meneses Lopes

por João-Afonso Machado, em 24.06.14

Ainda se ouvem os ecos dos combates partidários sobre a Ponte D. Luís. Ou talvez nada mais senão a guerrilha e a persistência do vencido (mas não convencido) Meneses Lopes. Já, porém, o fogo não se faz sentir cruzado. Sinal de que a cidadania retoma o descanso.

Meneses Lopes, entrementes, sempre activo, sempre messianista, escreve agora nas paredes «Cherchez la femme»! A  preconizada Joana d'Arc é - coitada -  Leonor Beleza, uma senhora decerto nada interessada nas Presidenciais e pouco compatível com o irrequieto, brejeiro, vingativo, estilo de Meneses Lopes. O qual, cinicamente recorda ainda a sua derrota pessoal nas derradeiras Autárquicas e afirma na frente da batalha - pelo seu partido -  deveria perfilar-se um candidato à Câmara do Porto «independente, empresário verdadeiro, se possível frequentador do "jet-set" de Lisboa».

A querer dar a mão aos patuleias, Meneses Lopes invoca a terminologia antiga do «perfil humanista do centro-esquerda», com a mesma desfaçatez com que ataca frontalmente os socialistas, e de flanco Rui Moreira. Aliás, o «bloco não socialista» está na mira da sua estratégia: Cavaco terá sido o «primeiro presidente não socialista da II (sim, da "segunda"!!!) República»...

Meneses Lopes é assim, sempre foi assim. Soma 16 anos com 40 e comemora um centenário entusiasmadamente. Onde enfiou ele os 48 sobrantes? Ora! - é conhecida por todo o Porto e assaz comentada, mesmo entre paredes do PSD, a habilidade de Meneses Lopes com contas. A forma ímpar como ele as faz, e se confortava com donativos para a causa (republicana?, centro-esquerdista?, anti-socialista?...). 

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Em três momentos diferentes (2014, 1999 e 2007) três grandes banqueiros escrevem palavras fortes na hora da despedida. Em comum o facto de se tratar de uma despedida forçada pelos acontecimentos (no caso de Champalimaud a sucessão foi forçada pela sua saúde) . Somos sempre nós e as nossas circunstâncias, como diria Ortega y Gasset.

Ora vejam:

 

Autoridades do Luxemburgo abrem investigação a ‘holdings’ do GES

"No limiar de cumprir 70 anos, decidi, pois, que era chegado o momento de passar o testemunho da liderança executiva do Banco Espírito Santo. 

(...) Neste sentido estará assegurada de uma forma célere e clara, a transição geracional que se impõe para a entrada num novo ciclo de crescimento e rentabilidade tendo como ponto de partida a invejável capacidade e competência da equipa composta por todos os colaboradores e a muito importante confiança dos clientes do Banco. 

Em conclusão, quero dizer-vos que não posso, e não quero, esconder que neste momento vivo emoções fortes após todos estes anos de trabalho em conjunto. Mas há um sentimento que sobressai e prevalece e que, para mim, é o mais importante, e esse sentimento é de gratidão e reconhecimento a todos vós pelo trabalho realizado no BES e em benefício do nosso País e pelo privilégio de fazer parte desta imensa e valorosa equipa".

 

 

"Quero sublinhar neste momento que não era este o negócio que desejei fazer. O que desejaria ter levado a cabo era a parceria acordada em Junho com o Banco Santander, que preservava o controle do grupo por mim liderado em mãos nacionais e lhe dava um novo fôlego, em capital e em meios humanos, quer para enfrentar os desafios da globalização no mercado interno, quer para aumentar a sua presença internacional, designadamente no apoio às comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.
O Governo português não compreendeu a minha estratégia e inviabilizou a parceria com o Banco Santander. Assim, negociei com o Sr. Emílio Botín uma solução que concertou as posições de todas as partes e que espero venha a dar satisfação aos investidores em geral.
Às administrações e aos colaboradores do Grupo Mundial-Confiança desejo expressar o meu agradecimento pelo extraordinário trabalho que desenvolveram e pelo sucesso que alcançaram, como veio a ser publicamente reconhecido pelo mercado".

 

"O Banco que ajudei a fundar resultou precisamente de uma ampla transparência e convergência de interesses e vontades, dos quais depende o seu futuro, sobretudo neste momento. (...)

Quiseram os Senhores Accionistas e os Órgãos Sociais que assumisse a Presidência do Conselho Geral e de Supervisão por ocasião da última alteração estatutária. Aceitei o desafio em nome da Instituição.

Aproximando-se o fim do mandato do Conselho de Administração Executivo é, por isso, o momento dos Senhores Accionistas serem chamados a eleger a liderança executiva do Banco, reflecti profundamente sobre a melhor solução para a Instituição.

Tomei por isso a decisão de, uma vez encerrado o exercício, e a um ano do final de mandato, renunciar ao exercício de funções como Presidente do Conselho Geral e de Supervisão e Presidente do Conselho Superior do Banco Comercial Português. (...) 

Sei que na vida de uma empresa, a sucessão é um dos seus maiores desafios, sobretudo, e como se prova empiricamente, quando se trata da liderança fundacional. Contudo, e apesar da expectativa que tinha de se poderem gerar condições de coesão no seio do Conselho de Administração Executivo, o que não se revelou ser possível, estou seguro de que o Banco possui na sua liderança e no seio dos seus corpos sociais e do seu excelente quadro de colaboradores as competências, a vontade e a disponibilidade necessárias para prosseguir o projecto Millennium, preservando a independência estratégica e a sustentabilidade de longo prazo. (...)

Uma última palavra é devida. E é de gratidão. Agradeço a todos aqueles que de uma forma ou de outra me acompanharam neste percurso de vinte e dois anos de vida profissional. A todos os que, empenhadamente e de boa fé, fizeram do Millennium bcp o seu projecto e o ajudaram a crescer. A todos os que diariamente continuam, e continuarão, a fazer o Banco. Sei que saberão honrar o prestígio e a grandeza desta Casa. É essa a minha maior alegria".

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A estética

por João Távora, em 23.06.14

Vamos por prioridades, caríssimo José: a primeira pessoa a despedir é o cabeleiro da Selecção.

 

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Sai quando?

por José Mendonça da Cruz, em 23.06.14

Parece-me inútil e doloroso discutir se foi a selecção portuguesa que «baixou» ou a selecção americana que «subiu».

Parece-me dolorosa embora útil a discussão sobre por que razão uma selecção portuguesa menos medíocre e cansada só espreita em campo depois de as primeiras escolhas se lesionarem.

Parece-me útil e boa para o futuro a recordação dos jogadores preteridos - porque «não se enquadram», porque «não se integram», porque «têm feitio difícil», porque não estão para desarrumar a vida apenas para ficarem no banco, porque «não têm experiência», porque «são muito novos», porque «não correspondem à ideia de jogo»(??!!) -, e a especulação sobre o que poderiam ter feito.

Parece-me desesperado e tonto o cálculo de probabilidades em que sempre terminamos, desta vez sobre se a selecção alemã vai vencer a americana (coisa de que não precisa e não deseja) e sobre se a selecção portuguesa vai vencer o Gana por 3-0 (coisa para que lhe faltam competência e pernas).

Parece-me necessário e promissor é saber qual é a data mais próxima em que Paulo Bento possa retirar-se e comece a ser feito o trabalho (talvez necessariamente com um treinador estrangeiro) numa selecção realmente nacional, renovada, com futuro, com jogo e com ganas.

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