
Se alguém, na Turquia do crescente, tiver o atrevimento de sustentar que, lá para 1915, o Império Otomano foi responsável pelo genocídio de cerca de um milhão de arménios, é preso.
Porém, se essa mesma pessoa afirmar, na livre e laica França, a sua incredulidade sobre a ocorrência do referido genocídio é também condenada a um ano de prisão e ao pagamento de uma multa de 45 mil euros.
Confuso?
Sem dúvida.
Não é, de facto, curial ou, sequer, aceitável, que uma pessoa possa ser condenada a pena de prisão por afirmar ou negar factos históricos. E a coisa seria verdadeiramente ridícula, se não fosse trágica para o próprio valor da Liberdade, que uma mesma pessoa possa ser presa em dois países distintos por afirmar duas percepções opostas sobre uma mesma realidade histórica, consoante o lugar em que as profira.
Daí se saudar a decisão do Conseil Constitutionnel, hoje conhecida, declarando inconstitucional uma iníqua lei francesa que, ao penalizar quem negasse a existência do genocídio arménio, atentava, flagrantemente, contra a “liberté d'expression et de communication”, as quais são, ainda segundo a referida decisão judicial, “plus précieuse que son exercice est une condition de la démocratie et l'une des garanties du respect des autres droits et libertés”.
De facto, esta paranoia do politicamente correcto, eivada de um totalitarismo ideológico impróprio de países livres, democráticos e pluralistas, se envergonharia Compte, para quem "a História é uma disciplina fundamentalmente ambígua", apenas deveria produzir o involuntário efeito de legitimar todas as dúvidas sobre verdades históricas que precisam da ameaça da prisão para serem acreditadas ou não questionadas pelos indígenas, aos quais é, assim, vedado pensar e duvidar.
Dito isto, tenho por ocorrido o genocídio arménio.
Ah, bom. Por momentos, assustei-me. Pensei que era mesmo um bordel. Mas não, afinal é só uma safe house. Calma, Maria. Parece que já estou a ver. Bate-se à porta e aparece uma menina com uma T-Shirt justa que diz «Ceci n'est pas une pipe» enquanto beberica a sua Magritte. Assim, sim.
Ignoro se ainda os há por cá, os heróis. Temo que não. O heroico "povo abrilino" é, sobretudo, do discurso sindicalista; o "povo-povinho", que somos todos nós, alcançou fama planetária pelos seus "brandos costumes" de agora; e o intratável "povo-povão" tudo destroi - praias, rios, pinhais - e revê-se na heroicidade telenovelísitica.
Enfim, Amália morreu e Eusébio tem passado mal os últimos meses. Os nossos mais prováveis candidatos a heróis - Mourinho e CR7 - seguiram o partido de Castela. E se fossemos buscar outros à História pátria - um Beato Nuno de Santa Maria, um Mouzinho de Albuquerque - logo nos cairiam em cima Isabel Moreira e o BE, vociferando contra anacronismos, a pregarem o direito à adopção por casais do mesmo sexo.
E, no entanto, os heróis fazem falta. Constituem um incentivo, um exemplo, um conforto. Uma força que é nossa e está connosco, vive as nossas dores, ajuda a ultrapassarmos os nossos temores. Os heróis são a melhor terapia para a colectiva falta de auto-estima.
(Ao contrário das divindades - Lenine, Tito, Mao, Fidel - criadas e depois embalsamadas pelos comunistas).
Mas é neste deserto de heróis que havemos de nos mexer. E de improvisar, outra nossa reconhecida aptidão. Quem não tem cão, caça com gato...
À falta de melhor, escolho para herói nacional do momento o Ministro Victor Gaspar: não se veste como um ministro, nem como um ministro fala; nem mede cada palavra proferida, ao contrário dos ministros em geral. Mas é, tão-só o Ministro das Finanças deste Portugal desendinheirado e mendicante. E sempre a resvalar junto do precipício das contas e dos orçamentos.
Já todos sentimos na pele, já todos escutámos isso nos cafés, no trabalho, entre amigos, já alguns ouviram a confirmação aos agentes da autoridade (embora as chefias o neguem), e só agora chegou à comunicação social: vai por aí uma brutal caça à multa.
É óbvio que ao Estado compete a fiscalização e a penalização das situações irregulares, nomeadamente no que ao Código da Estrada (é o que me ocupa, de momento) diz respeito. Acções de fiscalização, de prevenção e de punição: até aqui, tudo muito natural. O que já não é natural é que as pessoas sintam, com bastante fundamento, que o ius puniendi é utilizado (não para aquelas funções mas) essencialmente para arrecadar receita. Não é para essa finalidade que está pensado o sistema pelo que, se ele é usado com este espírito esbulhador, é o próprio Estado de Direito que fica em perigo e não é isso que espero do actual governo.
VLX
(nota: a minha casa é, e será sempre (não posso negar), o Mar Salgado, ao qual regresso de tempos a tempos para abrir as janelas, sacudir o pó, verificar se não ficou por lá esquecida uma garrafa de rum, fumar um melancólico cigarro com ela. Talvez um dia até convença a antiga tripulação a uma pequena e festiva regata na semana que antecederá e na que se seguirá à magnífica e histórica vitória da Briosa no Jamor: logo se verá. Mas é com enorme orgulho que aceitei o amável convite para ser inquilino do Corta-Fitas. E vai dar-me imenso prazer escrever aqui.)
Boa boa, Basco. Les beauxs esprits se rencontrent. O Corta-Fitas sem ti era como a Tina Turner sem pernas. E agora chega de encómios. Vamos ao que interessa. Para as pessoas saberem de que massa és feito, EXIJO, repito, E-X-I-J-O publicação imediata dos teus textos «de se comer» «Animais Nossos Amigos» e «14 de Fevereiro» (títulos acabados de inventar).
…é a nova aquisição do Corta-fitas: indómito marinheiro noutros mares, casado e pai de quatro crianças, é advogado e em lugar de ser do Sporting tem um enorme fraco pela imensa força azul e branca, (que no caso vertente não se refere convicções patrióticas, antes à agremiação portuense dos andrades com a qual nas décadas mais recentes retira invejáveis alegrias). Colou o primeiro cartaz do CDS em 1976 mas preserva a independência. Escreve o que entende — quando lhe apetece ou lhe permitem os prazos judiciais. É um enorme motivo de orgulho para esta casa ter o Vasco a cortar. Que a sinta como sua tão depressa quanto a necessária adaptação ao amarelo.
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O P. José Maria Brito pede-me para divulgar, o que faço com todo o gosto:
Políticos, artistas, jornalistas e religiosos online à volta da esperança Personalidades tão diversas como o eurodeputado Paulo Rangel, os cantores Tiago Bettencourt e Carminho, o porta-voz do Papa ou o escritor Jacinto Lucas Pires juntam-se numa iniciativa online para apresentar o seu olhar sobre a esperança. A página web www.essejota.net, da Companhia de Jesus, propõe celebrar deste modo o seu quarto aniversário. “Ainda há esperança?”. O P. Alberto Brito, sj, Provincial dos jesuítas em Portugal, dá o mote à pergunta, a que procuram responder as reflexões de Isabel Jonet, Paulo Rangel e do jornalista António Marujo. A atriz Cleia Almeida, uma das protagonistas do premiado “Sangue do Meu Sangue”, apresenta um filme, o cantor Tiago Bettencourt comenta um vídeo, o fotógrafo Luís Ferreira Alves escolhe uma imagem, o cartoon é de Luís Afonso e a jornalista Paula Moura Pinheiro fala acerca de um quadro. O livro sugerido por Pedro Mexia, um poema de Manuel António Pina, vencedor do Prémio Camões 2011, a música escolhida pela fadista Carminho e a história contada pelo escritor Jacinto Lucas Pires abrem horizontes acerca de um olhar otimista sobre o futuro. Esta edição conta ainda com a participação do jesuíta irlandês Michael-Paul Gallagher, professor na Universidade Gregoriana em Roma e uma entrevista ao porta-voz da Santa Sé, P. Federico Lombardi, para além de uma surpreendente reflexão de uma Carmelita que, do interior do convento, olha para o mundo como quem o conhece profundamente. Neste momento, em que tanto se fala de crise e de falta de esperança, esta edição especial do essejota.net reúne colaborações de pessoas de vários quadrantes políticos, artísticos, sociais e religiosos que apresentam diversas perspetivas acerca de um tema que toca as preocupações dos portugueses. O www.essejota.net pretende ser um espaço onde se pode encontrar uma nova forma de falar do mundo, do mistério humano e da fé. A partir das suas secções, trabalhadas quinzenalmente por uma equipa de 110 voluntários, que vão desde a arte ao entretenimento, da reflexão sobre acontecimentos da atualidade a textos de aprofundamento da fé cristã, o essejota.net propõe aos seus leitores um olhar atento e esclarecido sobre a realidade, numa linguagem acessível e adaptada às interrogações das gerações mais novas.
(...) Foi a este caminho único de curto-prazo que, bem ou mal, nos condenámos quando pedimos ajuda externa. Numa altura em que a Grécia sepulta cada vez mais a cabeça no chapéu do aluno mal comportado, Portugal não tem outra solução senão tentar a todo custo ser o totó bem comportado da turma. Sim, reconheço que é uma postura irritante, sobretudo num país que se tem colocado nessa posição muitas vezes nos últimos anos. Porém, a alternativa é o país afundar-se agarrado à Grécia. E isso, parece-me, é algo que ninguém deseja. (...)
José Maria Gui Pimentel aqui

Concordo com o Nuno: o equipamento alternativo da Selecção Nacional é mais bonito que o principal. A boa notícia que eu destaco é as discretas listas "vermelho-rubras" assumirem a forma duma Cruz. Eu disse assumirem? Devo estar redondamente enganado.
É notícia: há praticamente um ano, o processo "Apito Dourado" está quedo. Na Relação do Porto, onde subiram uma série de recursos. Porquê? Porque um acordão, entretato proferido, não foi devidamente notificado aos arguidos - Valentim Loureiro e José Luis Oliveira. Ou seja: faltou a carta registada. Ponto final.
O Ministério Público acabou por se insurgir contra a situação, pretendendo apurar responsabilidades pela demora. Daí o douto despacho - «Trata-se de iincidentes estranhamente anómalos num processo com as características do presente, mas que seria conveniente encontrarem cabal explicação que se promove seja obtida junto dos senhores funcionários encarregados da tramitação».
Será necessário acrescentar algo?
Somente, talvez, terem ocorrido diversas prescrições, entretanto, que os arguidos não se esqueceram de invocar... Sob ameaça de, caso assim não seja atendido, avançarem para o Tribunal Constitucional.
Assim vai a Saúde em Portugal!!!
Entrementes, mais a sul, Isaltino Sem-Pavor, à força da espada, obtem contra os mouros êxitos idênticos.
Ah!, Ourique!, Ourique!
Serenamente a conversa não evoluiu para o omnipresente tema da Monarquia vs. República presidencialista. Teria sido um almoço curioso, presidido pelo heroismo de Cavaco Silva, apedrejado na jornada de Arroios, agonizando, mas ainda com forças para dizer: «Morro bem. Salvem a Pátria».
Não. Cavaco tornou-se uma desilusão. A sua Senhora também. De modo que não pude ainda avançar com a segunda linha de argumentos: e invocar a Infanta D. Adelaide, a sua vida de cem anos ao longo de quantas aventuras em momentos cruciais da História mundial; e a sua dignidade de sempre, a sua humildade e discreção - jamais em bicos de pés, pavoneando-se por aí a tentar dar nas vistas, aos pulinhos, "sou eu!, sou eu!, íntima da Senhora Infanta, fui a primeira a saber do seu falecimento!".
Porque, na realidade, à última hora surgem sempre os, afinal, amigos de longa data, em resmas de papel contendo propostas de epitáfios de duvidoso gosto. A vida política é um pouco disso tudo, sempre - e só - condimentada pelo infernal "politicamente correcto ou incorrecto".
A questão desta feita centrava-se no inimigo comum. O inimigo de qualquer português, portanto. O Estado. Essa entidade povoada de adoradores da deusa Ética que nos sorve em impostos todas as suas dificuldades em manter a sua prerrogativa de "Estado social". Como?- tributando-nos sem dó nem piedade como meio de obter fundos para manter hospitais e escolas abertas (que é como quem diz: institutos, fundações, parcerias e sinecuras afins), e assim continuar invectivando a iniciativa privada.
O meu Amigo e anfitreão, Engenheiro e Mestre, está de partida para Angola. Chefiará uma equipa empresarial encarregada de ali montar uma unidade fabril. E de, depois, entregá-la ("chave na mão") contra o pagamento do preço.
Oxalá José Eduardo dos Santos não tenha aprendido alguns dos piores hábitos do Estado português. O meu Amigo não merece mais desilusões.
Dramático é como em Portugal, um pequeno país tendencialmente iletrado e com pouca tradição democrática, mesmo perante uma tão soberba crise, a discussão política se nos apresente tão afunilada. (...) Numa civilização adulta, o pensamento e as ideias diferentes deveriam coexistir num saudável conflito, franco e aberto, sem preconceitos, sem amputações provocadas por velhos ódios recalcados, escondidos, latentes, perversos. Em nome da liberdade, o que não valeria exorcizar os espíritos enfermos desses esqueletos nos armários.
A cultura é "um _____, de _____ e de _____, de _____ e de ______ e um ______ que se vai basear imenso na ______e na _____" (António Gomes de Pinho, presidente da Fundação de Serralves, RTP2).
Preencha os espaços vazios:
Nota: algumas palavras poderão ser utilizadas mais do que uma vez.

Ritual cristão da Imposição das Cinzas (Quarta-feira de cinzas)
O nosso calendário apresenta alguns exemplos de festas e comemorações que se mantêm em dias de trabalho. Tirando o fenómeno recentemente importado do S. Valentim cuja intensa exploração comercial o promove, outras celebrações há em que não sendo feriados ou como tal tendo sido extintos, se mantiveram, sustentados pela devoção religiosa ou simples tradição popular: destaco o Dia de Reis, a Quarta-feira de Cinzas e o dia de S. Martinho. Neste último caso, apesar da fascinante lenda que perpetuou esse grande herói da Igreja, é mais pela ligação popular ao calendário agrícola que a festa hoje persiste transversalmente na cidade e no campo, ocasião para se provar o vinho novo acompanhado com castanhas assadas. O dia dos Reis, importante feriado nas celebrações do Natal cristão em Espanha, apesar de dia de trabalho em Portugal, mantém-se tradição nos lares Portugueses, festejada com o popular bolo de frutos secos que relembra os magos do oriente que despojados seguiram a estrela até ao presépio de Belém. A celebração litúrgica (a Epifania) transitou para o Domingo seguinte. Quanto à Quarta-feira de Cinzas, uma espreitadela nas missas do dia confirmará como é significativa a adesão dos fiéis a esta celebração que marca o início da estação espiritual mais importante do cristianismo... o tempo da Quaresma, rumo à Páscoa.
Na certeza que a sua sobrevivência será directamente proporcional à implantação popular, resta saber o que advirá das festividades cujos feriados o governo promete extinguir. Pela minha parte, auguro boas perspectivas para as festas da Assunção de Nossa Senhora que decorrem por toda a província em pleno tempo de férias, e sorte proporcionalmente inversa ao culto do fatídico 5.10 na Praça do Município, cuja liturgia já nem a nomenklatura do regime comove. A tudo o mais, fica por saber como sobreveviremos como povo.
Era como se tivesse o céu
Beijado silenciosamente a terra
Para que ela na luz irradiante das flores
Só sonhasse com ele.
A brisa soprava através dos campos,
As espigas ondulavam suavemente,
Os bosques murmuravam docemente,
Tão clara de estrelas estava a noite.
E a minha alma estendia
Amplamente as suas asas,
Voava através da natureza silenciosa
Como se voasse para casa.
Há diferentes formas de entender o tempo enquanto realidade. Nas culturas orientais vêem-no como uma circularidade, uma ciclicidade. Por este lado do mundo pensa-se o tempo como sendo algo linear, recto.
Sabemos que o tempo nos antecede e compreendemos relativamente bem que não acaba quando nós deixarmos esta vida. Mas a morte aparece como uma certeza de grau diferente, que interpela o íntimo e obriga a viver de forma completamente distinta, como se se tratasse da regra mais importante do jogo.
Ao contrário da nossa existência antes do nascimento, que para ninguém parece ter o mínimo interesse, o que se passará connosco depois da morte já deixa quase o mundo inteiro preocupado.
Mas pode bem ser que a morte não esteja à nossa frente mas atrás de nós. Não nos alcança mas vai cristalizando de forma irreversível todos os nossos momentos – a cada momento.
O que se fez ontem está completamente vedado a alterações. Pode-se decidir muito em relação ao presente, quase tudo em relação ao futuro, nada em relação ao passado. A ninguém é dado reviver. A morte impede completamente quaisquer mudanças. O presente só é um presente enquanto por ela não for passado.
Impossibilidade absoluta de qualquer outra possibilidade, a morte aniquila por completo todo o movimento que não se dirija para diante.
A nossa vida é viver a morte de cada um dos nossos instantes... até que um dia ela se antecipa e nos leva antes de ser hoje... restar-nos-á, como sempre, dar um passo em frente, seguir adiante, para um outro hoje, talvez fora do tempo. Talvez em casa, novamente.
(publicado no jornal i - 25 de fevereiro de 2012)
Evangelho segundo São Marcos 1, 12-15
Naquele tempo, o Espírito Santo impeliu Jesus para o deserto. Jesus esteve no deserto quarenta dias e era tentado por Satanás. Vivia com os animais selvagens e os Anjos serviam-n’O. Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a pregar o Evangelho, dizendo: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho».
Da Bíblia Sagrdada
Uma cidade de silêncios, não fora o piar da gaivota anunciando a proximidade de terra. Ou talvez as rotinas dos mais madrugadores. Há bicicletas e pedais com força para cavar o dique e suster as ondas. Outras pequenas verdades velejam nos parques. Pequenas? Antes, talvez, simples e honestas, frias como punhais. Destituidas de discursos, desurbanizadas, a mandar calar os arautos.
Ao domingo, manhãzinha cedo, já todas as máscaras cairam. Até a cidade se pentear outra vez, será o mais cru momento da novela.
A cidade eufórica, de braços abertos ante a torrente de camionetas a descarregar gente. Bandos de escuteiros, portuguesinhos da silva e dezenas e dezenas de galegos, nem tanto de castelhanos. Guimarães - Capital da Cultura. Os programas mais diversos decorrem sobretudo à noite, seja no Toural, seja nas pequenas praças do Centro Histórico. Mas as manhãs e as tardes nem por isso são menos vivas. É o tempo próprio da visita, encosta do Castelo acima, Largo do Carmo abaixo. Numa esquina, uma tuna académica entoava os seus cânticos. Os transeuntes cercavam-na gozando o espectáculo. Guimarães rejuvenesce e orgulha-se dos seus pergaminhos de "berço da Nação". Cercada de uma modernidade por vezes duvidosa, quando espreitada lá de cima, da Penha. Onde os filetes do restaurante do Hotel mantém a mesmíssima qualidade de sempre.
E onde, além do miradouro e do passeio, certamente por efeito da altitude, a vida desata a lingua e fala, fala, conta-se toda por quantas décadas de triunfos e derrotas... não própriamente guerreiras.

Encaremos os factos de frente.
A criminalidade grave, violenta e organizada está a aumentar no nosso País.
Gangs violentos, muitas vezes encapuzados, atacam pessoas inocentes, na rua, em casa ou nas suas viaturas, assaltam apartamentos, vivendas e montes isolados, roubam estabelecimentos comerciais, sejam ourivesarias, gasolineiras ou simples lojas, arrombam multibancos e desviam carrinhas de transporte de valores.
Ouço cada vez mais histórias de pacatos cidadãos, muitos deles velhos, serem amedrontados, manietados, espancados, roubados, quando não violentados e mortos.
Não me interessa se os assaltantes são indígenas, brasileiros, de países do Leste ou ainda de outras nacionalidades. Pouco me importa se são brancos, pretos ou ciganos.
Só sei que não pode a sociedade tolerar mais a ameaça que essas bestas representam para a ordem pública, a paz social e a vida de cidadãos inocentes, e sei também que o Estado tem o indeclinável dever de combater resolutamente a criminalidade violenta.
Impõe-se, pois, o reforço dos meios policiais e de investigação criminal; o aumento dos limites máximos das penas para crimes que evidenciem a inintegrabilidade dos criminosos; um claro agravamento das molduras penais aplicáveis aos crimes violentos, eliminando em relação a estes a possibilidade de suspensão do cumprimento das penas de prisão; uma simplificação do processo penal, procurando garantir julgamentos sumários e céleres; a imposição da pena acessória de expulsão como regra sem excepção nem perdão, quando se trate de estrangeiros; um forte endurecimento das condições de cumprimento das penas, acabando com televisões e quaisquer outros confortos pessoais nos estabelecimentos prisionais; ainda o estabelecimento do princípio de que os presos não têm o direito de não trabalhar nas prisões, já que quem não quer trabalhar seguramente também não se pretende (re)integrar na sociedade.
Se não tivermos a coragem e a lucidez de declarar guerra à criminalidade violenta continuaremos a assistir a um agravamento da insegurança pública, seremos cúmplices desses celerados bandidos e pagaremos no fim uma pesada factura social. Pior que tudo, mostraremos cada vez mais a nossa decadência como Nação.
Há uma imensidade de séculos que os homens julgam ter atingido os píncaros do progresso e da modernidade. A verdade é que ontem e hoje, como daqui a quinhentos anos, será um risco colocar um engenho nuclear nas mãos de um indivíduo, se ele não for razoável.

”A morte é uma transição, é como se fosse ao Brasil ou à Indonésia, se eu fosse à Austrália durante 5 anos era muito mais longe.
A Minha fé facilita muito o fim da vida, porque o caminho é claro.
Se morrer hoje eu sei concretamente qual é o meu futuro.
A questão de se ter duvidas é a dificuldade de não se saber bem o que é que vai acontecer.
Ter fé facilita muito o fim da vida”
A morte é uma transição, é como se fosse ao Brasil ou à Indonésia, se eu fosse à Austrália durante 5 anos era muito mais longe.
A Minha fé facilita muito o fim da vida, porque o caminho é claro.
Se morrer hoje eu sei concretamente qual é o meu futuro.
A questão de se ter duvidas é a dificuldade de não se saber bem o que é que vai acontecer.
Ter fé facilita muito o fim da vida”
Infanta D. Maria Adelaide de Bragança,
Que Deus a tenha na sua infinita Graça.
João Amorim sobre a tenacidade generosa daqueles que não desistem de edificar à sua volta uma diferente Cidade.
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Alessandra Ambrósio
José Afonso era um defensor da revolução armada, da ditadura do proletariado e dos princípios perigosamente lunáticos da esquerda mais radical, glorificando a acção política violenta em várias das suas canções, nas quais propunha, por exemplo, "atirar aos fascistas de rajada". Empenhou-se no PREC ao ponto de se afastar da vida musical e andou envolvido nas demenciais campanhas de "dinamização cultural" do MFA. Cantou no RALIS na noite do 11 de Março, defendeu as arbitrariedades e ilegalidades da Reforma Agrária, esteve com os pára-quedistas de Tancos no 25 de Novembro, apoiou Otelo Saraiva de Carvalho e os presos terroristas do PRP. Só para recordar, agora que se assinalam os 25 da sua morte e muita gente vai associar a palavra "liberdade" ao nome de José Afonso. Um tiro certeiro de Eurico de Barros, do Forte Apache
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Não estou, de modo algum, habilitado para saber se se fez justiça; ou se, meramente, se temeu cometer uma injustiça. A população de Lousada e arredores, muito mais convicta, quis aplicar cá fora a pena que lá dentro seria sempre inviável - o linchamento do arguido. Valeu-lhe a Guarda. Certo é, também, a sua vida nunca mais será a mesma. Uma outra forma de castigo, afinal.
Obviamente, venho referindo o célebre caso do desaparecimento do miúdo Rui Pedro, hoje (se vivo for) um homem... - Que homem, meu Deus! - perguntar-se-ão minuto a minuto, segundo a segundo, a sua Mãe, os seus familiares.
Esse o inocultável lado do drama. Porque o jovem pode mesmo já ter morrido - pode mesmo, por isso, já não sofrer. Mas a Mãe está cá (hora a hora, minuto a minuto, segundo a segundo...) suportando a angustia com que acorda de amanhã e adormece à noite.
Os entendidos em Psiquiatria são unânimes em relevar a importância do aparecimento: vivo, ou mesmo morto. É que a dúvida desgasta. Mata. E a certeza pode doer - e muito - mas tem pela frente um luto que se inicia e, ora mais cedo, ora mais tarde, cessa. Deixando a vida prosseguir.
De algum modo, esse um ponto em jogo ainda. A condenação do arguido não restituiria o filho aos seus progenitores. Mas teria, decerto, uma influência benigna, imprescindível, no seu estado de espírito. Muita fé foi depositada nesse passo que não chegou a ser dado.
A Imprensa retrata a Mãe do Rui Jorge, desde o seu desaparecimento até ao presente. É impressionante medir nas rugas e naquela expressão desamparada o que terão sido, para a senhora, estes anos em que nunca desistiu de rever o filho.
Termino como principiei: não disponho de meios que me permitam sequer emitir um comentário critico sobre o acordão lido ontem. Mas compreendo a revolta das gentes. Aliás, uma revolta irmã gémea da insegurança geral em que o desfecho do processo se traduz.
Uma vez mais - fundadamente ou não - as instituições judiciais deram passos atrás relativamente à confiança que deviam merecer dos cidadãos. Em capítulos em que todos são especialmente sensíveis - esses que versam os nossos filhos.
Começo a ver poucas diferenças entre o que diz a Constança Cunha e Sá e o Arménio Carlos.
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