Basílio Horta, de momento socialista, resolveu hoje no debate parlamentar, ironizar com o curriculum canadiano do ministro da Economia (os países ricos hão-de ser para Horta, de momento, uma excentricidade) e proclamar que aos empresários estrangeiros, mesmo os que investem, prefere os empresários portugueses. O que explica o belo trabalho que andou a fazer na Agência responsável pela captação de investimento ... externo.
Ufano embora menor representante dos tempos da manipulação das contas públicas, o deputado socialista João Galamba ocupou algum do tempo de debate do PS com uma sua nova ideia peregrina: de que o défice de 5,9% anunciado não era esse e toda a gente devia sabê-lo (e, portanto, o novo Governo deveria ter anunciado medidas antes de o INE revelar os números) e de que, de qualquer forma, 7,7% no primeiro trimestre não tem importância porque falta o resto do ano. Já ontem, no programa Negócios da Semana, fizera a mesma descoberta, tendo os presentes tido a caridade de não fazer troça dele. Repetiu hoje. Como ilustração de falta de credibilidade dos números do anterior governo e exemplo do que é alinhar fantasias em cima de dados graves não poderia ter havido melhor reconstituição. Espanta é que o «sentido de responsabilidade» de Maria de Belém lhe tenha cedido o escasso tempo.
Menos mal:
Sobre o imposto extraordinário equivalente a 50% do subsidio de natal, já foi esclarecido que:
Um português com um subsídio de Natal de 1000 euros, por exemplo, pagará o imposto em valor “equivalente” a 50% da diferença entre 1000 euros e 485 euros. Ou seja: 50% x (1000 – 485 ) = 50% x 515 euros = 257,5 euros. Ou seja, o imposto extraordinário para este exemplo de subsídio de Natal de 1000 euros seria de 257,5 euros. Mas não se sabe ainda, sublinhe-se, de que forma ele será aplicado.
Sempre apressado a vislumbrar pecados e conspirações em outros lados, e a abster-se da ética que as esquerdas extremas não praticam, Francisco Louçã, o sobrevivente líder parlamentar do bloco de esquerda, justamente reduzido a metade, lá insinuou que Passos Coelho já sabia há uma semana dos números do défice que o INE só divulgou ontem. Após o que passou a repetir, embora com voz mais melíflua, os argumentos do PCP.
O clima de debate democrático entre gente razoável cessou, é claro, mal Jerónimo de Sousa se levantou para intervir. Entusiasmado, Bernardino Soares comentou para o lado (mas o microfone captou) «Vamos lá então começar o debate.» Mas o que ele entendia por «começar o debate» era o mesmo do costume, ou seja, um processo de intenções contra o governo, e a crença cega nas velhas receitas comunistas: «o ataque aos trabalhadores», «o grande capital» que seria deixado intacto, «os banqueiros» que se banqueteiam, etc., etc. E a «reestruturação da dívida», é claro, também conhecida em outros meios por «insolvência».
Foram muito visíveis (e audíveis) os esforços de estabelecer pontes entre a coligação governamental e o PS. Quer da parte de Passos Coelho, quer da parte da líder parlamentar do PS, Maria de Belém, falou-se muito de «relação de confiança», «abertura dentro da normal conflitualidade», «oposição responsável e construtiva», «sentido de responsabilidade». Passos Coelho não deixou de recordar, a propósito e por duas vezes, que o PS negociou e subscreveu o Acordo de Entendimento com FMI e UE.
Foram várias e insistentes as referências à liberalização da economia por Passos Coelho, que defendeu a necessidade de juntar à democracia representativa uma «economia representativa», que dê aos cidadãos «a liberdade de agir e escolher». Uma «economia dinâmica», insistiu, garante a mobilidade social e a liberdade. O primeiro-ministro começara por proclamar que «chegou o momento de mudar», de fazer uma «mudança política estrutural». Entre as «mudanças profundas que vamos realizar» tiveram mais destaque as reformas do sistema edcativo («para que o fracasso das últimas décadas não volte a repetir-se»), do sistema financeiro, e do sistema de justiça (com insistência na simplificação processual, na gestão por objectivos, e na criação de uma bolsa de juízes para corrigir atrasos crónicos).
Vejam bem o quadro de miséria:
"Passos Coelho adiantou hoje que o corte equivalente a 50% do subsídio de Natal permite ao Estado arrecadar 800 milhões de euros".
Em consequência dos números mais gravosos do défice deixado pelo governo Sócrates, 7,7%, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho decidiu, segundo anunciou hoje no debate parlamentar, que serão antecipadas para o terceiro trimestre várias privatizações e a reestruturação do Sector Empresarial do Estado. Será também acelerado o Programa de Emergência Social, constante do Porgrama de Governo, em termos que o ministro das Finanças, Vitor Gaspar, concretizará nas próximas duas semanas.
Trabalhadores e pensionistas, todos (excepto os que auferem valor igual ao salário mínimo), mas apenas em 2011, perderão 50% do seu subsídio de Natal.
Foi a medida especial de consolidação orçamental anunciada hoje pelo primeiro-ministro Passos Coelho, para contrabalançar os prejuízos mais recentemente conhecidos de autoria do governo Sócrates.
Confirmámos ontem e hoje que o antigo primeiro-ministro Sócrates, o antigo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, e o antigo secretário de Estado do Orçamento, Emanuel Santos, não têm estatura nem competência para governar um país, nem um orçamento, nem uma pasta, nem uma cátedra, nem uma casa. Depois de todas as ocultações, todas as manipulações, todos os erros graves, enganaram-se ainda uma última vez, gravosamente, na dimensão do défice. Perante a sua falta de probidade, a troika já subira o limite do défice dos 4,6% do PIB que eles aventavam, para uns 5,9% mais críveis. Mas afinal era pior: 7,7%, conforme revelado pelo INE, uma ilha de seriedade sobrevivente.
E se é verdade aquilo que as rádios noticiaram durante a manhã, que o ministério das Finanças está sem correio electrónico porque Sócrates deu instruções para que fossem apagados todos os discos rígidos, então será já boa altura para investigar as razões e os autores de tão duradouras, suspeitas e prejudiciais manobras.
Aí está o imposto extraordinário que vai ser aplicado para reduzir o défice deste ano. O Governo vai ficar com 50% do subsídio de Natal de todos os portugueses que ganhem acima do salário mínimo. Uma tragédia.
Este ano não há presentes!
P.S. Anexo uma informação de última hora. O imposto toca a todos, mesmo os que trabalham por conta própria:
"O primeiro-ministro anunciou assim a “adopção, de carácter extraordinário, de uma contribuição especial que incidirá sobre todos os rendimentos que estão englobados no IRS, abrangendo todos os tipos de rendimentos”.
António José Seguro foi agora mesmo debater ao Frente a Frente do Jornal das 9 da SicNotícias. A sua intervenção serviu para explicar que o PS não muda nem aprende nada.
Sobre as viagens de Passos Coelho em classe económica, em vez de executiva, disse que não havia poupança, porque a TAP não cobra. A Tap devia cobrar, é evidente, mas o facto de Seguro crer que não há poupança resulta dessa crença muito socialista (ou esse fingimento muito socialista) de que há almoços grátis. Há poupança, evidentemente, nos lugares mais caros que a decisão de Coelho assim liberta - mas é difícil explicar isto a um socialista.
Sobre o programa do XIX Governo, Seguro diz que não concretiza. Poder-se-ia explicar que um programa de Governo tem que consistir, como este consiste, em objectivos e medidas, e que a concretização dessas medidas fica para as propostas e projectos de lei. Mas Seguro, a quem a vacuidade e o excesso de advérbios de modo nunca afligiram, queria ver um programa com, além de objectivos, medidas e calendários, os próprios projectos e propostas de lei.
Seguro detecta, ainda assim, todo o programa de um governo liberal e conservador. E isso há-de ser verdade. O programa não se ocupa das urgentíssimas questões do aborto, ou da eutanásia, ou do casamento homossexual. Nem da adopção por gays, nem da regionalização, nem da eutanásia. E insiste no papel da sociedade civil. E do rigor e exigência, E da família. Tudo coisas horríveis, como os socialistas sabem. Os socialistas gostam é de solidariedade como política externa (ou seja, que os países que trabalham e aforram paguem tudo aos que não produzem e gastam demais) e de «social» como política interna (ou seja, que os que ainda trabalham e têm emprego se regozigem de ser asfixiados com burocracia e impostos para pagar negociatas estatais).
Os portugueses creio não sejam absolutamente desmemoriados. Ainda em Abril passado os jornais interrogavam, em grandes parangonas, se o Metro do Porto, inocultávelmente falido, teria dinheiro para pagar ordenados no fim do mês.
O seu congénere de Lisboa não vivia, nem vive, tempos mais desafogados. É um estado generalizado a todos os mais importantes serviços de transportes públicos: a Carris, os STCP, a Refer...
Algo, todavia, a parecer não escandalizar a Esquerda. As greves sucedem às greves, a produtividade entrou em plano (muito) inclinado, e assim os comunistas - espicaçando os protestos e emperrando o funcionamento das empresas - apelidam de "defesa dos direitos dos trabalhadores" o que realmente se chama "combate ao sistema". "Capitalista", na sua óptica.
Vem, entretanto, o novo Governo e, coerentemente com o imprescindível plano de limpeza e afinação do sector público, opta por confiar a rentabilização e continuidade (sériamente ameaçada) destes serviços aos privados.
A Esquerda responde em histeria. "A linha de privatizações é intensíssima, tudo aquilo que dá lucro em Portugal é para privatizar, incluindo os transportes públicos", disse ontem o deputado João Semedo, do BE.
Perante isto, como argumentar? Que fazer?
Com a apresentação da jornalista Isabel Stilwell e do Padre Pedro Quintela, decorreu ontem ao final da tarde no Palácio da Independência em Lisboa o lançamento do livro "A Infanta Rebelde", da autoria de Raquel Ochoa, uma biografia de D. Maria Adelaide de Bragança publicada pela Oficina do Livro da editora LeYa.
Por ocasião duma pequena entrevista para o Correio Real, tive eu o privilégio de privar com esta verdadeira Princesa de Portugal, neta viva do Rei D. Miguel e afilhada de baptismo de D. Amélia e D. Manuel II, hoje com noventa e nove anos. A Infanta D. Maria Adelaide além de constituir um precioso testemunho vivo, directo e indirecto, da História dos últimos duzentos anos, a sua vida constitui um verdadeiro exemplo de profunda Nobreza aliada a uma invulgar bravura e irreverência. O livro, com as suas aventuras e desventuras já está nas livrarias... para inspiração dos portugueses que não prescindam da assunpção do seu protagonismo na História.
Vou fazer um reparo a este Governo:
Pedro Passos Coelho tem de melhorar os fatos. Uns que se ajustem mais ao seu corpo, estes que ele usa ficam-lhe um bocadinho grandes!
Recomendo: Wesley, Labrador... ou os tradicionais alfaiates
O Governo avançou já com o seu programa. Nem sequer passei os olhos pelo dito, ficaram-me nos ouvidos apenas alguns pontos... fulcrais e "explosivos", obviamente. Deixando pairar a ameaça da renovada influência grega, quase três milénios depois.
Anoto alguns aspectos: a escalada do IVA, a privatização da TAP e de outras empresas de igual monta, o sumiço dos benefícios fiscais...
E - a cause da referida explosividade do programa - a previsivelmente decorrente instabilidade social. O aval que o Destino exige para o fim dos fins. Para esse apocalipse tão depressa utilizado como arma de arremesso como um escudo defensivo.
Encurtando razões, incidamos sobre o papel do Estado, em essência e na circunstancial encruzilhada em que nos encontramos. Antevendo mais uma volátil reacção política do PS.
O Estado tem apenas por função assegurar o Ordem. No mais lato sentido que a proposição possa abarcar. Que é o de garantir o bem-estar dos cidadãos, corrigir assimetrias. Fora disso, não há defenições nem dogmas.
Concretamente, no que tange às privatizações, o Estado não tem de - nem pode - falar de cor. Deve é zelar para que estas não prejudiquem a população, antes de demagogizar sobre o enriquecimento dos empresários. Porque ele próprio - o Estado - vem sendo, descaradamente, o ente mais rico e esbanjador, o mais esfomeado explorador de todos nós: via sobrecarga fiscal em permanente agravamento. Para se pagar a si próprio.
Seja-nos dada, por contrato - o "contrato social" de Rousseau... - a segurança nas ruas e em nossas casas. O Estado outorga? - nós pagamos. Seja-nos dado o acesso aos cuidados de saúde. O Estado cumpre? - nós pagamos. Não tem meios o Estado? - recorra às parcerias publico-privadas, tão do seu gosto, e nós pagamos. Mas sem cambalachos agora, por favor.
E por aí fora... Na expectativa de um pouco de decoro por parte do PS, a ver se conseguimos esquecer os escandalos diariamente vindos à tona. O fruto dos últimos seis anos de governação dita "socialista".
A quimera do dinheiro fácil, patrocinado por uma magnânima federação europeia ou pela promessa dum futuro oásis económico erigido pelos nossos intrépidos netos ou bisnetos desfez-se em meia legislatura. Veja-se como nuestros hermanos agora decidiram suprimir três ligações de alta velocidade, que que desde Dezembro último ligavam diretamente Toledo, Cuenca e Albacete, por simples falta de procura.
Este como outros iminentes reajustamentos de projetos faraónicos ou falências de Estados, assim como a subsequente depressão do Dr. Mário Soares e dalguns cândidos sobreviventes do Maio de 68, não se devem às fracas lideranças europeias e muito menos a um malévolo complot da senhora Merkel. Devem-se simplesmente ao inconciliável mosaico de distintas nacionalidades europeias, e a simples questões de básica aritmética. Não entender a diferença entre solidárias federações de Estados como os da América ou da Alemanha, com a utopia dum projeto federal duma Europa, composta por irredutíveis e idiossincráticas nações com séculos de História, se não for ingenuidade é estupidez.
Da caixa de comentários:
A história é caricata. Bernardo Bairrão foi convidado por Miguel Macedo para ser seu secretário de Estado da Administração Interna. Marcelo Rebelo de Sousa não resistiu à tentação de dar a 'cacha' em primeira-mão no seu programa, precisamente na TVI, onde BB eram administrador delegado. Por causa disto Bernardo Bairrão teve de renunciar imediatamente ao cargo através de um comunicado enviado pela Media Capital à CMVM.
Mas BB tinha cometido um pecado original: foi um dos duros críticos à privatização da RTP, uma das primeiras medidas anunciadas por Pedro Passos Coelho. Logo foi desconvidado depois do primeiro-ministro ter vetado o seu nome. Em dois dias Bernardo Bairrão ficou no desemprego. Tudo por causa de uma revelação de Marcelo?
É merecedora do maior respeito a vitalidade de Mário Soares, na sua idade ainda invectivando os seus desanimados e desorientados camaradas. Mas quanto ao PS - nem refundido nem (como ele propõe) refundado. Pela muito simples razão que nada há a refundir ou a refundar. O PS é o que sempre foi e jamais deixará de ser - o herdeiro moral da I República. Apenas e com tudo o que isso significa.
Por tal razão o "socialismo" volveu à gaveta há mais de trinta anos. de onde, aliás, em boa verdade sequer saíra. O PS nunca teve sequer uma ideologia, um programa, uma meta. Tem (mantem) apenas um slogan: Liberdade, Igualdade, Fraternidade. E, realmente, amplo campo de manobra, acesso pleno à irmandade que o povoa - a Maçonaria. Isto é: a negociata, o tráfico de influências, o poder pelo poder.
Salvo, bem entendido, as boas almas e as boas intenções que distraidamente vão tropeçando nessa sua essencialidade.
O Expresso publicou no último sábado um novo estatuto editorial. A primeira pergunta que nos vem à mente é porque um novo estatuto? Havia alguma coisa de mal com o anterior? A segunda coisa que nos vem à mente é porquê agora? Porque o Governo mudou? Ou porque o Director do Expresso mudou?
Lendo o que está escrito no novo estatuto editorial, chama a atenção os pontos 7 e 8:
7. O Expresso sabe, também, que em casos muito excepcionais, há notícias que mereciam ser publicadas em lugar de destaque, mas que não devem ser referidas, não por auto-censura ou censura interna, mas porque a sua divulgação seria eventualmente nociva ao interesse nacional. O jornal reserva-se, como é óbvio, o direito de definir, caso a caso, a aplicação deste critério.
8. O Expresso sabe, igualmente, que a publicação insistente de determinados assuntos - do crime e do sexo às baixezas da vida política e económica - poderia aumentar a venda de exemplares, mas recusa-se a alimentar qualquer tipo de sensacionalismo que ponha em perigo o jornalismo de qualidade que sempre pretendeu fazer (...).
Há coisas que são óbvias e implícitas e como tal não precisam de estar escritas, porque ao estarem escritas tomam forma de lei, e nessa medida tornam-se perigosas. Evidentemente que, se calhar venderia muito saber quantos políticos ou gestores são discípulos das taras strauss-khanianas, mas eu percebo que um jornal como o Expresso não as publique. Mas é preciso isto vir escrito numa tábua de mandamentos? Não. É demasiado vago, e por isso exige logo que se elenque exaustivamente os casos que cabem neste ponto 8, sob suspeita de caber lá tudo.
O ponto 7 é mais dúbio e por isso mais criticável. O que são casos muito excepcionais? Até onde vai esse conceito? "O jornal reserva-se o direito de definir caso a caso a aplicação deste critério", apetece-me perguntar logo: Querem um lápis azul?
Depois de defender a independência do jornal e dos jornalistas, o jornal parece desorientado numa sucessão de normas que contradizem as anteriores. Reparem :
"1. O Expresso defende, desde sempre, a liberdade de expressão e a liberdade de informar, bem como repudia qualquer forma de censura ou pressão (...)" para depois dizer no ponto 7. "há notícias que mereciam ser publicadas em lugar de destaque, mas que não devem ser referidas"
"5. O Expresso sabe, que é indispensável, em cada momento, distinguir entre as notícias - que deverão ser, tanto quanto possível, objectivas, circunscrevendo-se à narração, à relacionação e à análise dos factos para cujo apuramento devem ser ouvidas as diversas partes - e as opiniões que deverão ser assinadas por quem as defende, claramente identificáveis e publicadas em termos de pluralismo". Para logo dizer: "
O Expresso toma posição através de editoriais não assinados que vinculam a posição do jornal".
Já que insistem em regras, então falta aqui uma regra fundamental:
Os jornalistas podem não se rever na opinião editorial do jornal não assinado... e isso devia estar salvaguardado. Porque ao não estar assinado o jornal impõe uma ideologia a todos os jornalistas. Pode-se sempre cair na ditadura do politicamente correcto, que é em si, um obstáculo à liberdade de pensamento e de expressão.
Depois é preciso ver que a imparcialidade pura não existe. Basta escolher uns factos em detrimento de outros e já se está a cair na falta de parcialidade.
Pelo que o melhor é deixarmo-nos guiar pelo velhinho BOM SENSO.
É uma mancha florestal considerável: umas dezenas de hectares a pinheiros, eucaliptos, carvalhos e acácias, árvores exóticas.
Anteontem, já em final de serão, alguém à janela, felizmente, viu-o atravessar o breu da noite.
Não era um OVNI - era um balão sanjoaneiro!...
Uns minutos volvidos, acendia-se uma vasta claridade do lado de lá do monte: o balão tinha aterrado...
De realçar a prontíssima intervenção dos bombeiros, e o seu cuidado em impedir que o restolho reacendesse. Apagaram o fogo, partiram a encher o reservatório de água da sua viatura e regressaram para empapar o terreno. Foi longa a noite dos homens da Real Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de V. N. de Famalicão (de seu nome completo).
A questão primordial a saber, então, é se será portuguesa esta gente pirómana e assassina de Portugal.
Reeditada e Publicada originalmente aqui
Tramado é que esta ingrata civilização do bem-estar e do consumo desempregou os nossos corpinhos feitos para malhar na terra, para caçar, subir às árvores ou para alvorar a fugir dalgum animal selvagem mas deixou-nos um dilacerante apetite de quem precisa de armazenar calorias para uma semana de carência. Nesta cultura de sofreguidão hedonista somos desafiados a corresponder ao primeiro assomo de apetite (não me refiro apenas à comida) e tratar o nosso corpo como tratamos o resto da natureza, num total desprezo pela sua ecologia: são os efeitos colaterais da democratização da alarvidade.
Aqui chegados, todos conhecemos almas inquietas com a sua decadência física, que a partir dos quarenta-e-tal anos se entretêm em dietas, ginásticas passivas e outros exercícios sem esforço que o dinheiro possa comprar. As mulheres são vítimas privilegiadas desta ilusão: começam cedo no escritório com garrafinhas de água e golinhos de cinco em cinco minutos para iludir o apetite e exercitar a bexiga, um disparate que resulta num corrupio constante, um ver-se-te-avias entre o seu posto de trabalho e a retrete. Perante a ausência de resultados, começa a fase dos chás verdes, bruxarias e outras mezinhas de ervanária: inicia-se assim um desaguisado colateral com os intestinos até estes se tornarem tão preguiçosos como a dona. Passam-se anos nestes rituais, com uma vida cada vez mais próspera e sedentária, num desafio crescente com o espelho e a ingrata balança, até chegar a fase desesperada. Esta surge na sequência duma visita a um dietista famoso ou dica duma amiga, e é constituída por um metódico programa de ingestão de comprimidos coloridos: cada vez mais nevrótica, entra numa espiral de euforia, perde o apetite, a calma, e uns gramas até cair numa depressão depois duma violenta disputa com o cônjuge inocente.
Tudo se irá resolver com uma semana a chocolates e um programa de fim-de-semana de reconciliação com o marido num hotel com SPA e restaurante gourmet. Assim se recuperam todos os gramas e mais uns quilinhos optando então a dondoca por mudar de vida, queimar incenso e passar a vestir balandraus. A moral da história é que as aldrabices não funcionam: não há fuga possível, nem caminho fácil para o sucesso.
É irónico como nesta sociedade que venera o corpo e as aparências não haja parábola mais eficaz sobre as virtudes do mérito e do prazer diferido do que a da forma física. Tal como na escola só se aprende com estudo e empenho, tal como a riqueza só é criada com esforço e trabalho, a partir duma certa idade, a forma física depende fatalmente da austeridade alimentar e de muito, muito, exercício físico. Quem se preocupa com o implacável efeito da gravidade nos seus músculos e outros apêndices, está condenado a trabalhar e suar o corpinho, semana após semana, mês após mês, ano após ano, com muita perseverança e desapego, que o resto vem com as endorfinas e mais algum desapego; afinal, o mais importante na vida nem sequer é isso!
Nota: qualquer semelhança com factos ou pessoas reais é mera coincidência.
Subscrevo na integra esta erudita tese da Inês Teotónio Pereira. Dá trabalho (na perspectiva dos pais) e arrelias (na opinião dos Infantes) mas é assim que funciona.
Ou porquê o Estado é anafado e o País definha:
a) O Belmiro não precisa de pagar as compras que faz no Continente, porque cada euro que gasta é um euro que ganha.
b) Não faz mal nenhum o Joaquim comer as bebidas que expõe no balcão do seu café. Os produtos já são seus, não lhe custam mais por isso.
c) É normal que o grupo SONAE compre activamente o jornal Público durante a semana, porque a sua despesa é a receita do jornal.
Priscila Rego no Douta Ignorância a propósito disto
Evangelho segundo São Mateus:
Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: «Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim, não é digno de Mim. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não é digno de Mim. Quem encontrar a sua vida há-de perdê-la; e quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la. Quem vos recebe, a Mim recebe; e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou. Quem recebe um profeta por ele ser profeta, receberá a recompensa de profeta; e quem recebe um justo por ele ser justo, receberá a recompensa de justo. E se alguém der de beber, nem que seja um copo de água fresca, a um destes pequeninos, por ele ser meu discípulo, em verdade vos digo: Não perderá a sua recompensa».
Da Bíblia Sagrada
«Naquele tempo, Lisboa era mourisca, toda ela, e a Cristandade, encolhida na Galiza e nas presurias minhotas e durienses, não conseguia pensar além Mondego.
Sabia-se, vagamente, que as mulheres desse Sul longínquo, envoltas em sedas finas, torciam-se exímias na dança do ventre e expunham aos ares umbigos vertiginosamente belos. Partilhavam, em grupos numerosos, os mesmos homens e mudavam de camisola conjugal por troca com camelos. O sorridente liberalismo do califa Costa afamara-se por toda a Península.
Enquanto isso, as nortenhas, gordas descendentes dos godos, ostentando nomes - Gordinas, Urracas, Trazimundas, Sanchas, Maiores - pesados como potes de ferro, trajavam de serapilheira e, sobrando os maravedis, com roupagens de linho de Guimarães. Sempre a suarem em bica, a protestarem, roendo-se de inveja das odaliscas lisboetas.
E insistiam nos apelos a Vímara Peres, conde portucalense, que já não suportava ouvir tanta Mumadona junta:
- Não deveis vestir-vos como vadias se não quereis ser atacadas!,
explodiu um dia.
Foi como se o Demo avassalasse os territórios dos cristãos. Como se o fogo do Inferno consumisse os soutos e os carvalhais da nossa gente, sem meios, sem bombeiros e sem Protecção Civil que nos valesse.
- Sou minha!,
berrou-lhe Tareja, enquanto despia a túnica e se despartilhava. E até os seus homens-de-armas, apanhando essa boleia reivindicativa, deram em queixinhas sobre as cotas de malha, ora porque rangiam e apertavam no pescoço, ora porque oxidavam e poluiam. Exigiam a indumentária fácilmente degradável dos sarracenos: ou isso ou um par de cuecas em passeio pelas vielas do burgo.
Cavalgando a sua montada, de lança em punho, no cimo de um morro de Portus Cale, Vímara Peres percebeu ainda demoraria um par de séculos a chegar a algum sítio que valesse a pena».
(Com a devida autorização do meu Amigo J. da Ega, a quem muito agradeço).
Eu sempre achei que Peter Falk era uma versão satírica e cómica de Humphrey Bogart
Passou algo despercebida a notícia do dia, um furo do jornal i, novidade da estação, quem sabe o mais profundo golpe no destino, tal como o conseguiriamos prever: o celebrizado "Luís fico melhor assim ou assim", o maior especialista de spin do gabinete de Sócrates vai apoiar António José Seguro. Significa isto que a “máquina” não pára, muda só "o boneco". Que certamente ficará melhor assim… ou assado. O consumidor é que sabe.
É simplesmente deliciosa aquela cena de Peter Falk no filme "Nas Asas do Desejo" de Wim Wenders junto a uma roulotte de bebidas quentes, quando ele esfrega as mãos enregeladas pelo Inverno de Berlim, descrevendo os mais prosaicos prazeres humanos ao ingénuo anjo Damiel (Bruno Ganz).
Gosto muito do Verão, do sol, de luz e do mar, de roupas leves e noites mornas com trinar das cigarras de fundo. Mas o frio do Inverno possui uma estética própria, uma magia que os anos nos ensinam a apreciar.
Ao contrário do calor que acicata os ânimos e enerva as pessoas, a chegada do frio torna-as afáveis e cúmplices perante o incómodo. No café, enterrados em casacos e cachecóis comenta-se o tempo com desconhecidos. E apenas com uma bica escaldada conquista-se o céu.
Nesta altura até os mais desapegados casais se aninham à noite na cama. É o tempo do aconchego e da intimidade, de tardes em família, dum bolo feito no forno e chá quente para consolar. O frio também tem o seu encanto.
Post originalmente publicado num enregelado dia de Janeiro de 2009 Risco Contínuo
Post scriptum: o céu ganhou um mais anjo. Deus o Tenha na sua Graça
O famoso detective Colombo, de uma série dos anos 70/80, morreu hoje com 83 anos.
Eu adorava a série.

Adriana Lima
Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) vivem dias negros, de inocultável agonia. A situação não é de agora e culminou com a demissão de Veiga Anjos, o Presidente, na sequência de um "motim" em que, além de injuriado, esteve prestes a ser agredido.
Existe, evidentemente, um plano de restruturação da empresa (pública). Mas o mesmo envolve o despedimento de 381 trabalhadores (num total de 720) e as eleições vinham aí... Agora que já chegaram, e passaram, o assunto está de novo na berra.
Que é como quem diz, o novo Ministro da tutela, Aguiar Branco, que se desenrasque. Entre outros bicos de obra, tem em mãos o Atlântida - um ferryboat que o nosso fiel amigo Hugo Chavez prometeu comprar, na sua visita de Outubro de 2010, por 42,5 milhões de euros.
A embarcação está concluida e pronta a ser entregue. A sua vigilância (24 horas por dia) e manutenção orçam os 500 mil euros anuais. Mas Chavez ainda não assinou o contrato e os venezuelanos não atendem o telemóvel, apesar das muitas insistências da Administração dos ENVC...
Luís Marques Mendes disse ontem que Marco António Costa, vice-presidente do PSD e vice-presidente da Câmara de Gaia, deveria ir para Secretário de Estado das Obras Públicas. Não o conheço e só há pouco tempo ouvi falar desse nome. Mas a minha "intuição feminina" diz-me que é preciso ter cuidado com executivos camarários com pastas de Obras Públicas, é uma mistura perigosa....
... se tiver que ser que o ponham na Segurança Social.
Aceitem este convite.
Pacheco Pereira é um quase jornalista, logo tem uma preocupação de não perder o sentido crítico. Só isso explica que esteja a procurar realçar "as ligações ao aparelho do PSD no novo Governo". Foi até agora quem mais criticou o Governo do seu partido, em nome do combate à abulia crítica. Mas que na Quadratura do Círculo deixa o PSD órfão e dá uma grande ajuda ao PS, disso não há dúvidas.... António Costa fica quase sem função ali.
«(...)
Ontem mesmo insisti em tentar decifrar o S. João. Espiei-o da minha varanda e captei-lhe os gestos no pátio dos vizinhos do rés-do-chão. O Sr. Fraga e a D. Amélia. Ele de calções e camiseta, com uma barriga de quem tragou inteiro o cabrito do jantar; ela, igualmente nédia, muito dada à transpiração, de braços poderosíssimos e vestido sem mangas. Agarram-se os dois e dançam amorosos, sob o colorido dos lampiões de papel. Os convidados - alguns casais amigos, silhuetas semelhantes - seguem-lhes as pisadas "e para quem tiver sede a cerveja está ali"...
Enquanto isso, vou perdendo a conta às dezenas e dezenas de balões que, lançados de toda a parte, enchem o céu da cidade e fazem o delírio da miudagem. (...)».
(in Estrada Real, nº 4, Maio/Junho 1999)
O homem que se enalteceu de ter denunciado uma suposta "fraude de colarinho branco no BCP", vê-se agora a braços com a acusação da Inspecção Geral de Finanças de ter fugido ao fisco. Estes arautos da ética são depressa apanhados nas teias da contradição:
A Fundação Berardo é acusada pela Inspecção-Geral das Finanças de não ter liquidado IVA e retido IRS, em 2009, quando adquiriu obras de arte para o Museu Colecção Berardo, que recebeu fundos estatais da Cultura.
O relatório da Inspecção-Geral das Finanças revela que a Fundação Berardo - que detém aquele museu instalado no Centro Cultural de Belém, em Lisboa - registou um incumprimento fiscal de 129 mil euros, entre 2008 e 2009, respeitante à falta de liquidação de IVA e à não retenção na fonte de IRS na compra de obras da arte.
Berardo nega, de forma atabalhoada. "Que eu saiba não temos qualquer dívida", para depois acrescentar que "é o Governo que está em falta para com a Fundação"; "falta dinheiro das verbas do Estado que seriam a ela destinadas".
Esclareceu depois também que, quando foi criada, "e como está previsto na Lei da República, a fundação ficou isenta de IRC".
O Pita, a criatura que se presume da literatura, insinua que não sou educado. Ainda bem. Desconfiaria sempre de um elogio vindo de um sacripanta de tal jaez.
Acontece que o Pita refere o meu nome sem fazer o pertinente link. Tal não é, apenas, falta de educação. Releva da mais elementar cobardia.
O que não surpreende, convenhamos...
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