Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009
Especular é preciso

                     Para que não se julgue que eu não sou capaz de fazer também especulações políticas de fino recorte, aqui vai. Cavaco recebe Sócrates amanhã, faz depois a ronda pelos partidos e diz então ao secretário-geral do PS: “Já percebi que não consegue formar coligações, nem sequer garantir apoio maioritário para o seu Governo no Parlamento. Tratou tão mal os outros partidos quando tinha maioria absoluta que agora eles não o querem ver nem pintado e não adianta pedir batatinhas. Além disso, não confio em si a nível institucional. Por isso, o seu partido que arranje outro para eu nomear primeiro-ministro. Podem ser o Teixeira dos Santos ou o Vieira da Silva, que talvez não se vistam tão bem como o senhor, que podem até não ter penteados tão bonitos, mas pelo menos percebem minimamente como se governa. Ah, não querem? Então presidencializo já isto e nomeio o Professor Luís Campos e Cunha, personalidade independente de reconhecidos méritos, para formar Governo.”



publicado por Duarte Calvão
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O meu melhor amigo

Hoje dei por mim, numa conversa, a pensar em algo por de mais tolo. Tão, mas tão tolo, que me deu vontade de escrever sobre o assunto aqui – afinal, tenho uma reputação a manter.
Já se terá alguma vez apercebido o leitor como temos a constante tendência a referirmo-nos ao nosso melhor amigo como «o meu melhor amigo». O nosso interlocutor pode não conhecer a pessoa em questão e a pessoa em questão pode nunca vir a saber que o dissemos – se alguma vez o soubesse poderíamos dizê-lo como uma declaração de amizade, ou coisa que o valha. No entanto, por um instinto tolo, tão tolo, vemo-nos obrigados a dizer que estamos a falar do nosso melhor amigo quando estamos, efectivamente, a falar do nosso melhor amigo. É quase um bug que nos danifica a massa encefálica, nome feio para aquilo que há tempos sem fim chamamos cabeça. No entanto, está lá: não sai.
No máximo, com a idade, acabamos por, num acesso de infantilidade, tentar fugir à criancice de falar em «melhor amigo» e falamos num «grande amigo». É tudo o mesmo. E é bom: com esta coisa que nos persegue, acabamos por ser capazes de definir os nossos amigos como de outra forma não seria possível.



publicado por Tiago Moreira Ramalho
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Mudanças

Sou fã confesso da Daniela Major. É por isso que vos digo que agora podem ser, como eu, fãs dela, lendo-a no Aventar. Mudou-se hoje para lá.



publicado por Tiago Moreira Ramalho
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Vale a pena ler

O que escreve o André Macedo.


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publicado por Pedro Correia
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Navegações

Li na blogosfera um mínimo de 150 banalidades apressadas sobre a crise política, dignas de conversas de barbearia. Poucos autores se debruçam sobre o essencial, ou seja, sobre as consequências. Na minha opinião, o Presidente Cavaco Silva sofreu um duro golpe no seu capital mais importante, a credibilidade, que lhe permitia pairar acima das intrigalhadas. Isto não é apenas o fim do cavaquismo, mas tem necessariamente implicações muito sérias para todos nós.

O primeiro-ministro José Sócrates, para já o vencedor da crise, não possui rival no seu partido ou na oposição; ele controla o poder mediático e tem enorme influência sobre os negócios do país, a magistratura, as polícias, os serviços de informação, por aí fora. Diria que nunca houve, neste regime, um primeiro-ministro tão poderoso. Há, apesar de tudo, uma coisa que ele não controla tão bem, a realidade: dez anos de estagnação económica, um país em profunda crise de valores, défice crescente, endividamento, desemprego. Enfim, apesar das sombras se continuarem a acumular, agora parecem garantidos alguns meses de alívio na pressão política (de Belém vinha a mais ameaçadora).

O que fica do caso das escutas? O PS reclama-se alvo de outra cabala (os socialistas são sempre as vítimas, o que os dispensa de justificar a governação). Mas acima de tudo foi removido ou substancialmente reduzido um poder mais à direita que refreava o primeiro-ministro.

Espero estar muito enganado quando vejo algo de preocupante nesta crise, mas espanta-me a velocidade com que tantos tiraram tantas conclusões mais ou menos ligeiras, como se isto fosse uma mera goleada num Benfica-Sporting.

Quero destacar alguns dos textos que mais me fizeram reflectir sobre os perigos daquilo que se está a passar:

Luís Rocha, em Blasfémias, e Henrique Raposo, em Clube das Repúblicas Mortas, escrevem sobre o futuro do regime, que na opinião dos dois autores deve ser repensado.

Medeiros Ferreira, em Bichos Carpinteiros, faz uma observação muito inteligente, que nos deixa uma sensação de incómodo.

Pedro Correia, em Delito de Opinião, e Francisco Almeida Leite, aqui mesmo no Corta-Fitas, já estão a ponderar os cenários a médio prazo.

Registo ainda para um texto mais interpretativo, que me parece arguto, de Jorge Costa, em Cachimbo de Magritte. E concordo com o que escreve Paulo Pinto Mascarenhas, em ABC do PPM.

 

 

 



publicado por Luís Naves
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O regresso dos que não partiram

Walker Evans Grave

 

Ou, como eles decidiram chamar-se, «É Tudo Gente Morta». Abre amanhã as páginas, aqui. Ainda por cima são treze. Promete arrepiar as consciências...



publicado por João Villalobos
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Marcelo substitui Cavaco ao intervalo?

A declaração de ontem de Aníbal Cavaco Silva pode ter revelado um dado político adicional e altamente relevante. Cavaco Silva está a dar mostras de que não vai ser candidato - porque não pode? - a um segundo mandato. Vejamos: o actual Presidente está a hostilizar "o partido do Governo", mas parece ter perdido também apoios importantes no seu partido. O PSD não lhe perdoa não ter feito esta declaração mais cedo, antes das eleições legislativas. Pior ainda havendo dois PSDs dentro do mesmo partido. O PSD que gosta e adora Cavaco como um Deus e o PSD que repele Cavaco. Mas aquele que está mais magoado com o Presidente é justamente o PSD de Cavaco.

À animosidade do PSD a Cavaco junta-se agora um CDS forte, liderado por Paulo Portas. E Portas é, por natureza e história de vida profissional e política, um anti-Cavaco. Em 2006 Cavaco foi eleito com os votos e o apoio do PSD de Luís Marques Mendes e do CDS de José Ribeiro e Castro. Hoje a situação é outra, mas em 2010 e em 2011 será ainda pior. Por isso é que Marcelo Rebelo de Sousa está mais activo que nunca. O aparente desnorte de Cavaco pode ser a sua oportunidade de ouro. Com a vantagem de José Manuel Durão Barroso estar em Bruxelas para mais um mandato. Para Marcelo é agora ou nunca.



publicado por Francisco Almeida Leite
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Esta pergunta foi a vencedora num congresso sobre vida sustentável:

 


"Todos pensam em deixar um planeta melhor para os nossos filhos... Quando é que pensarão em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"



publicado por Maria Inês de Almeida
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Sem rei nem roque

 

Foi um espectáculo confrangedor ontem à noite assistir às declarações do Chefe de Estado: afinal as suas tão aguardadas palavras pouco mais revelaram do que um homem acossado pela intriga que grassa entre os órgãos de soberania e de estados d’alma pouco dignos do mais alto magistrado da nação. Depois, já enterrado no sofá, foi assistir atónito à intervenção do ministro Pedro Silva Pereira, em autêntica pose de estadista, ripostar com invulgar dureza e numa arrogância quase elegante a pública birra de Cavaco Silva.

O que vem à tona com isto tudo é a materialização dum negro pesadelo: uma nação pobre e decadente a hipotecar o seu presente com  uma baixa e irresponsável guerrilha política protagonizada pelos principais órgãos de soberania nacionais: uma crise sistémica sem solução à vista.  Sem dúvida o panorama ideal para o regime celebrar o seu centenário. 

 

Também publicado aqui


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publicado por João Távora
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Ética republicana

O "Presidente de todos os portugueses" está a levar pela medida grande no FórumTSF.



publicado por Duarte Calvão
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Vale a pena ler

Esta análise da Áurea Sampaio.


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publicado por Pedro Correia
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Quem? Eu?

Não percebo a indignação socialista contra Cavaco Silva. Vítor Ramalho acha que não está incluído no grupo de dirigentes socialistas a quem o presidente chamou de "mentirosos" e criadores de casos. Vitalino Canas declara que ainda não percebeu se está ou não ..



publicado por Duarte Calvão
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À atenção do Duarte Calvão e do João Távora

A monarquia acaba de ganhar mais um adepto. E que adepto.



publicado por Pedro Correia
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Terça-feira, 29 de Setembro de 2009
Enganos confessados

Ao ouvir hoje Cavaco Silva e depois a reacção do PS, tenho que confessar que me enganei. E por duas vezes. Em primeiro lugar, pensei que os eleitores não se deixariam manipular (palavra muito em voga) pelo caso das escutas e demissão de Fernando Lima, penalizando o PSD. Em segundo, achava que ia demorar uns meses ou até um ano para muita gente  encontrar motivos para se arrepender de ter votado nos socialistas ou de não ter votado sequer. Afinal, nem demorou dois dias.



publicado por Duarte Calvão
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Fiquei baralhado...

...Depois de ouvir Cavaco Silva: Afinal, ele vai ou não empossar um novo Governo PS, liderado por José Sócrates?

P.S. Olha! Não tinha lido o post abaixo do FAL quando coloquei o meu. Pois. É isso mesmo. Vamos viver tempos interessantes.



publicado por João Villalobos
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Viver no caos

A grande questão é esta: como é que Aníbal Cavaco Silva vai dar posse a um Executivo chefiado por José Sócrates, depois da declaração que acabou de proferir e onde fala em "manipulação", "mentira", num "tipo de ultimato dirigido ao Presidente da República" e em dois objectivos velados por parte de "destacadas personalidades do partido do Governo". 1)  "Puxar o Presidente para a luta político-partidária, encostando-o ao PSD"; 2) "Desviar as atenções do debate eleitoral das questões que realmente preocupam os cidadãos". 

 

Na nossa História mais ou menos recente já tivemos um PR e um PM que não se davam bem e em que até as questões protocolares eram motivo de discórdia; já tivemos um PR e um PM que ameaçavam precisar de um gravador para registar as conversas entre os dois, tal era o grau de desconfiança; já tivemos um PR e um PM que passaram dez anos num regime de coabitação doloroso; já tivemos um PR que demitiu um PM seis meses depois de o nomear; e agora temos um Presidente da República que sobe a crispação a este nível. Cavaco Silva considera que "foram ultrapassados os limites do tolerável e da decência" e suspeita que os computadores e os e-mails da Presidência da República não sejam suficientemente seguros nesta fase. Falou em "vulnerabilidades".

 

Cavaco Silva é, por norma, contido no diálogo directo com os outros órgãos de soberania e com os detentores de cargos políticos. Desta vez, desafiou directamente as tais "destacadas personalidades". Do PS e do Governo. Sócrates, primeiro-ministro cessante e líder do partido vencedor nas eleições legislativas, é o destinatário desta comunicação. O Presidente gosta normalmente de pôr água na fervura, desta vez acendeu o rastilho e declarou aberta uma guerra que vai durar até à sua pré-campanha presidencial. Isto a acreditar que se irá recandidatar.

 

O PR não é constitucionalmente obrigado a convidar José Sócrates para formar Governo, mas deve fazê-lo seguindo a tradição formal do nosso sistema, atendendo ao resultado democrático das eleições de domingo. Posto isto, vamos viver no caos político nos próximos meses. Disso julgo que ninguém tem a menor dúvida.



publicado por Francisco Almeida Leite
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Leituras

«Vital Moreira acha que os resultados eleitorais de domingo configuram uma «derrota da TVI e da SIC, do Sol e do Semanário, do Correio da Manhã e do Público, e tutti quanti.» Assim, caro Vital, é fácil fazer amigos. Espero que os resultados não signifiquem, por seu lado, a vitória da RTP, da TSF, do Diário de Notícias, da Antena Um, do Jornal de Notícias, do Canal Hollywood, do Acção Socialista e tutti quanti.»

 

Francisco José Viegas, como não podia deixar de ser.



publicado por Tiago Moreira Ramalho
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Deixem-nos em paz, sff.

Sou, por princípio, contra leis que condicionem a liberdade de escolha dos cidadãos em relação aos seus políticos. É por isto que sou contra as limitações de mandatos – seja a que nível – e a favor do voto preferencial ou da constituição de círculos uninominais.
A Lei da Paridade, por muito interessante que nos possa parecer, é completamente destituída de significado. Já o defendi no passado: penso que esta lei deveria ser revogada por ir contra a liberdade de escolha dos cidadãos e condicionar de forma inaceitável as práticas de organizações que não estão sob a alçada do Estado – os partidos. É uma intromissão estapafúrdia e sem qualquer tipo de valor. Não existia, na lei anterior, discriminação em relação a qualquer pessoa ou género e se esta discriminação existia dentro dos partidos, cabia ao povo ter isso em atenção no acto de os escolher. E o povo teria o direito a decidir se isso era bom ou mau – sim, porque se o povo é soberano deve ter liberdade total para ajuizar sobre cada um dos candidatos.
O mais interessante de tudo é que com a nova lei da paridade, o número de mulheres no Parlamento diminuiu. Há menos uma mulher. Já era tempo de os partidos, que se julgam donos da razão e pais do povo, perceberem que não podem reservar-se o direito de mudar o país que os acolhe por decreto.



publicado por Tiago Moreira Ramalho
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Discos da minha vida – 36

Gone to Earth

David Sylvian

Virgin - 1986



publicado por João Távora
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Para quem vai em cantigas

Elisa Ferreira promete emprego especializado na cidade do Porto e Valentim Loureiro bilhetes para concerto do Toni Carreira.



publicado por João Távora
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Do Uso Da Palavra Presidencial (Com Variações Em Público E Privado, Excluindo-se, Necessariamente, A Palavra Escutada)

Porque o Presidente da República fala hoje à noite ao país, sugere-se a leitura integral do texto de que apenas uma pequena parte se cita:

 

"Através dela (da palavra pública), o Presidente comunica com os Portugueses, exprimindo a sua opinião sobre as mais diversas políticas públicas, pronunciando-se sobre a situação do País e sobre questões internacionais, dando testemunho das suas experiências e das suas preocupações.

 

Pode influenciar, por essa via, os comportamentos dos agentes políticos, económicos, sociais e culturais e as atitudes dos cidadãos em geral.

 

Por isso, o Presidente da República deve ser ponderado no uso da palavra pública e falar de modo a ser escutado. Deve procurar contribuir, com a sua voz de bom senso e moderação, para que os problemas que surgem sejam resolvidos com um máximo de benefício para o País. Perante a pressão mediática que caracteriza os nossos tempos, encontrar a palavra certa, na ocasião apropriada, nem sempre é um exercício fácil.

 

A palavra pública faz parte da magistratura de influência do Presidente da República, a qual inclui também a palavra em privado. A influência do Presidente, para ser eficaz e benéfica para o País, não só recomenda contenção da sua parte como pode exigir que actue com discrição, longe dos holofotes da comunicação social, e que sujeite certas matérias a um dever de reserva. Este dever de reserva não significa, como já tive ocasião de explicitar, alheamento ou passividade relativamente às políticas e às medidas governamentais, nem uma renúncia definitiva a, se for caso disso, sobre elas vir a tomar posição pública".

 

 



publicado por José Aguiar
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A perplexidade

Em muitos blogues, e também aqui no Corta-Fitas, alguns autores parecem perplexos com a derrota do PSD nas legislativas. Talvez estas histórias ajudem a perceber:

Participei na campanha (acompanhei o Bloco de Esquerda como jornalista) e cruzei-me várias vezes com a campanha do PSD. Em Braga, os social-democratas organizavam num hotel da cidade uma sessão pública, mas a sala era minúscula, o calor insuportável; havia umas pessoas aos berros, mas poucos dirigentes disponíveis para falar com militantes. Foi uma sessão de meter medo e aquilo mais parecia um funeral. No mesmo dia, o BE organizou um comício na praça principal: estava cheio, apesar desta ser uma zona bastante conservadora.

Num outro dia, no Porto, Manuela Ferreira Leite tomava o pequeno-almoço e cruzei-me com a senhora (que não me conhece). Estava a um metro de distância quando uma hóspede do hotel se aproximou, cumprimentando Ferreira Leite: "Como está, senhora doutora?". Pois, esta eleitora foi enxotada da pior maneira, como se fosse um incómodo matinal. Paulo Portas teria aproveitado para incendiar a sala de pequenos-almoços, ia cumprimentar a família da eleitora, ganhava ali dez votos. Francisco Louçã seria mais comedido, mas usaria sempre a sua boa educação para sorrir, meter conversa, etc. 

Num país onde alastra um poderoso descontentamento, a campanha do PSD falhou nos temas, na mobilização, foi ultrapassada pela máquina de propaganda do adversário, quase que tinha horror dos eleitores. Em resumo, não teve argumentos. Tinha tudo para ganhar e perdeu miseravelmente.

O voto dos descontentes foi para o bloco e para o CDS; e, sem alternativa, muitos portugueses votaram nos socialistas, apesar de não acreditarem que um milagre possa alterar a situação.

O próximo governo terá tolerância zero e o país estará em crise política mais dois anos. Mas a culpa foi da oposição que não se soube unir. Falharam demasiadas vezes, venha gente nova. 



publicado por Luís Naves
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De quem é a culpa?

Parece que agora todos sabem qual seria a “estratégia” correcta para Manuela Ferreira Leite ganhar as eleições e não há cão nem gato, na boa tradição portuguesa de bater em quem está no chão, que não lhe atribua “culpas” pela manutenção de Sócrates no poder. Há três meses, depois das europeias, as mesmas pessoas admiravam-lhe a estratégia e até o estilo…Em democracia, a “culpa” é sempre dos eleitores e eles preferiram Sócrates, Portas e Louçã. Ou então abstiveram-se e deixaram outros escolher por eles. Queriam que a líder do PSD, para “agradar” aos eleitores, prometesse aquilo que não acreditava poder fazer, berrasse em comícios, se vestisse de outra maneira, fizesse o pino? Procurem outros políticos. Ela apresentou aos eleitores uma alternativa responsável. Eles preferiram outros governantes. Tão simples quanto isso.
Sobre a questão de Manuela Ferreira Leite continuar ou não liderança, voltar um bocadinho atrás não custa nada. Ela candidatou-se à liderança porque nem Rui Rio nem outras pessoas em que confiava quiseram avançar. Teve como adversários Santana Lopes, que dá um bom candidato em Lisboa, mas que estava ainda a refazer a sua carreira política, e Passos Coelho, cujo currículo se resumia a ter sido líder da “jota” em tempos que já lá vão, e que apresentou um programa “liberal”, velho de 30 anos, rapidamente esquecido com o advento da crise. Ah, e parece que tem “boa imagem”, algo que impressiona muito os nossos politólogos. Ou seja, a escolha era óbvia, e o comportamento subsequente de Passos Coelho e dos seus apoiantes tornou-a mais óbvia ainda.
Manuela Ferreira Leite pode até deixar de ser líder, mas só se for substituída por alguém melhor. Alguém que consiga conjugar a mesma seriedade e competência com mais jeito para a comunicação de massas. No PSD, só consigo ver duas pessoas com essas características: Rui Rio, que já disse que não sai da Câmara do Porto, e Paulo Rangel, que por enquanto está no Parlamento Europeu. Tomara que haja outras pessoas, porque se não houver, prefiro continuar com Manuela Ferreira Leite e não vejo motivo nenhum para ela sair, tanto mais que agora é deputada e adivinham-se dias tumultuados para os socialistas sem maioria absoluta.

 

Adenda: Entretanto, nestes tempos sombrios, uma boa notícia. João Gonçalves, do Portugal dos Pequeninos, filiou-se no PSD.
 



publicado por Duarte Calvão
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Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
Tende vergonha

Há uns tempos atrás, quando o El País publicou umas vergonhosas fotos de uma festa privada de Berlusconi li imensos textos muito pertinentes sobre a falta de ética do jornal. As acusações foram pesadas e certeiras. As condenações mais que merecidas.

Infelizmente, volta a encontrar-se a típica falta de coerência desta malta. Anda meio mundo a gozar, e a palavra é esta, com as filhas de Zapatero porque iam vestidas como iam vestidas não sei para onde. Ninguém tem nada a ver com isso e é de um mau gosto tremendo fazer piadolas – mesmo que elas nunca as leiam – sobre o assunto apenas porque o pai é quem é.
Tende vergonha, s’il vous plaît.


publicado por Tiago Moreira Ramalho
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E não diga que vai daqui

Há aqueles blogues em que entramos e sentimos que saímos à rua. Sentimos que estamos rodeados de nada e que, embasbacados, sorrimos e olhamos a cada pormenor. Não sei explicar. É um mundo de oxímoros frouxos aquele que se vive lá em cima, na traseira dos olhos. O florido Eternas Saudades do Futuro é um desses blogues. Não consigo encontrar um post que não goste. Ide e espreitai.



publicado por Tiago Moreira Ramalho
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Aprender sempre

Duas importantes lições a recolher das legislativas. Aqui.



publicado por Pedro Correia
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E já chega disto.

Concordo em parte com o Pedro Correia. Penso realmente que o PSD perdeu muito ao não ser minimamente representativo nas listas. O que se apresentou a eleições não foi o Partido Social Democrata, mas sim um terço do que ele é. E esse terço, por muito bom que fosse, e eu acho que era bastante melhor que o PS representado por José Sócrates, nunca conseguiria, sozinho, vencer as eleições legislativas.
Mas não foi, para mim, só esta questão das exclusões/inclusões mais que duvidosas a principal causa para a derrota. Foi toda a estratégia da campanha que falhou. Apelar ao voto negativo em relação ao PS, mostrando um quase desespero. Foi o descrédito, por vezes quase confrangedoramente evidente, por parte do próprio partido em relação ao projecto que apresentava – projecto esse que não merecia tal desconsideração. Foi a falta de capacidade de transmitir mensagens simples ao eleitorado, com ideias fortes de mudança. Foi o permanente uso de certos ideais «abstractos» – a verdade, a transparência, a credibilidade – sem que se complementasse isto com propostas concretas, inovadoras e minimamente inspiradoras.
Um partido ter como prioridade não a transformação do país, mas sim ter mais um voto que o outro é quase o mesmo que um grande clube jogar para o empate. Acabam sempre por perder.
 

E agora bola p'rá frente, que um bom cozinheiro faz a melhor omelete com os ovos que lhe dão.



publicado por Tiago Moreira Ramalho
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O PSD começou a perder por isto

Quando precisava de congregar as hostes, mobilizando todos os militantes numa causa comum para aproveitar a dinâmica criada nas europeias, Manuela Ferreira Leite viu o seu guru de estimação recomendar-lhe isto:

"Falsos "novos" como Passos Coelho usam a face como estratégia de marketing e o "novo" como mecanismo de reciclagem." (28 de Junho)

E isto:

"A ideia de que as listas são representação interior dos grupos e facções também tem pouco sentido, particularmente quando esses grupos e facções não tem qualquer consistência ideológica representando apenas um agregado de interesses internos e externos. Que Sócrates convide Alegre, compreende-se porque alarga para fora, para o país, porque Alegre significa alguma coisa fora do PS." (16 de Julho)

Ela cometeu o erro de lhe dar ouvidos. Os resultados estão à vista.


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publicado por Pedro Correia
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Discos da minha vida – 35

My Fair Lady

Banda sonora do filme

André Previn e Alan Jay Lerner

CBS - 1964



publicado por João Távora
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Está encontrada a nova maioria

 

 

Fazer maioria com o CDS? Para quê uma maioria com o CDS? O apoio parlamentar essencial de que José Sócrates necessita na nova legislatura está encontrado: vem da bancada do PSD. Lembremos factos: durante a campanha eleitoral, cabeças de lista sociais-democratas, como João de Deus Pinheiro e Couto dos Santos, admitiram a formação de um novo bloco central, enquanto Paulo Mota Pinto não excluía esta hipótese. Mas lembremos mais: a própria Manuela Ferreira Leite, antes de ser líder do PSD, subscreveu o núcleo central da governação socialista. Elogiou a reforma da segurança social feita por Vieira da Silva. Aplaudiu a concertação orçamental conduzida por Teixeira dos Santos. Defendeu a celebração de pactos PS-PSD para a justiça, segurança interna e leis eleitorais. Considerou "absolutamente essencial"  a reforma da rede hospitalar iniciada por Correia de Campos, condenando a "reacção emotiva" do PSD, ao contrário até de muitos socialistas. E destacou a "coragem" de Maria de Lurdes Rodrigues por levar a cabo a sua política educativa.

Era com esta líder que alguns, no PSD, sonhavam ganhar eleições. É com esta deputada, e alguns outros, que Sócrates sonha fazer maioria no Parlamento.



publicado por Pedro Correia
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Back to basics

«Vitória do PS deve brindar construtoras com sessão positiva»

Diário Económico 



publicado por João Villalobos
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Mixed Feelings II

Nem a alarmante crise, nem o atoleiro em que o país se encontra, nem mesmo os novos partidos que desta vez se apresentaram a votos, serviram para mobilizar cerca de três milhões e setecentos mil portugueses que teimam em alhear-se dos destinos da sua pátria: suspeito que somando estes números aos votos brancos e nulos, pelo método de hondt eles traduzir-se-iam numa maioria parlamentar. 

Este panorama e os fantásticos resultados obtidos pelo CDS conferem à sua direcção um redobrado dever de lealdade para com os eleitores, exigindo-se ao partido uma oposição sem concessões ao "centrão" e uma determinada resistência aos cantos de sereia do poder imediato: creio que o crescimento do eleitorado do CDS-PP perspectiva-se inequivocamente à direita e numa grande maioria desiludida que urge resgatar à política. É tempo da direita construir confiança e crescer para salvar de Portugal.

 

O resumo das minhas ideias está aqui


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publicado por João Távora
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A minha leitura dos acontecimentos

Portugal virou à direita e agora, na ressaca das eleições, vem a crise a sério. O país está endividado e sem soluções para o problema orçamental. O desemprego pode chegar a 700 mil pessoas dentro de meses. Muitos portugueses estão a empobrecer depressa e as diferenças entre ricos e pobres aumentaram de forma brutal e vão continuar a aumentar. Nas desigualdades sociais, Portugal é uma anomalia europeia.

Nos próximos dois anos não haverá estabilidade, mas um governo sem direito a estado de graça, com o descontentamento popular ocasionalmente a invadir as ruas. A direita está estilhaçada e o cavaquismo acabou. A esquerda foi derrotada e o PS (dividido ao meio) acelera a sua fragmentação, pois Sócrates secou o partido e já não poderá iludir mais a opinião pública. Após dois anos de declínio talvez tudo isto resulte numa alteração profunda do sistema político, com menos bloco central, mais BE e mais CDS.

 



publicado por Luís Naves
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Domingo, 27 de Setembro de 2009
Portas laranja

Pergunta-me um colega: "Imagina o Portas como líder do PSD. Teria ganho estas eleições, não achas?"

 

 



publicado por Bruno Pires
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Mixed feelings

O resultado histórico obtido pelo CDS PP, unido em torno de uma liderança determinada e duma mensagem politica assertiva e clara, não chega para me pôr eufórico: nos próximos anos o novo parlamento eleito exibirá uma grossa maioria de esquerda que inclui uma significativa facção extremista, disruptiva, própria de democracias imaturas. Insisto na ideia de que uma direita débil é o primeiro sinal de um país pobre, estagnado e deprimido. Características que suspeito se acentuarão nos próximos tempos, por mais injecções de capital que se processem nas obras públicas e na providência social. Esta perspectiva e o bem que quero aos meus filhos e ao meu país desfaz qualquer vontade que eu tivesse de sorrir.


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publicado por João Távora
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Nas colunas


publicado por João Villalobos
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Como diriam os chineses

Vamos viver tempos interessantes.



publicado por João Villalobos
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O Povo falou

 

Dando uma vitória relativa ao PS, o povo quer o PS no Governo, mas um primeiro-ministro mais humilde e dialogante. Aprovaram-lhe as políticas, mas não o temperamento.
 
Cavaco lançou o PSD de Ferreira Leite para os níveis de Santana Lopes nas últimas legislativas, impulsionando uma migração de votos para o CDS-PP.
 
Foi Paulo Portas que ganhou e não o CDS-PP.
 
Antevejo um agudizar de uma relação problemática entre o BE e a comunicação social. Maior dimensão significa mais escrutínio público.
 
O Partido Comunista tornou-se, pela primeira vez, a quinta força política em Portugal. Prepara-se um rebranding (lento) do PCP?  
 
   


publicado por Filipa Martins
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No ar

Alguém explica ao António Pires de Lima que este não é o melhor resultado do CDS em mais de 30 anos (há 33 anos o partido conseguiu 42 deputados)? Podia ser o melhor de sempre, porque os números avançados são sem dúvida muito bons (grande performance de Portas), mas não é. É que não basta querer que um partido seja muito sexy, é bom conhecer também um pouco melhor a sua história. Já que falamos dos populares, não percebo a má cara de António Lobo Xavier na SIC, perante o Big Show Portas. Será por causa do resultado de Manuela Ferreira Leite?



publicado por Francisco Almeida Leite
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Esta noite só oiço isto

 



publicado por Tiago Moreira Ramalho
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Corta-fitas
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