
Como escreveu hoje Rui Ramos, o programa do PSD agora dava muito jeito era ao PS. Assim a modos que a tempo de se preparar para as surpresas que aí vêm. A esses, e a todos os portugueses desejosos de ler programas eleitorais na praia ao sol de Agosto, todos esses paterfamilia saturados da Bola e do Record, todas essas senhoras insatisfeitas com a Hola e a Caras, todos eles e todas elas carentes de parágrafos lindos e pejados de significado como, por exemplo: «Assegurar, até 2015, que 50 por cento dos veículos comprados pelo Estado sejam híbridos ou eléctricos e que, até 2020, 750 mil veículos em circulação sejam híbridos ou eléctricos». Cá para mim, entre os socialistas, há cada vez mais híbridos e menos eléctricos. Mas pode ser só uma sensação e as coisas, sendo, não serem o que parecem.
Faltam 58 dias para a eleição legislativa. O PSD, que está há quatro anos e meio na oposição, ainda não considerou oportuno apresentar o seu programa aos portugueses.
Este momento era muito desejado. A blogosfera é um meio dinâmico e tem destas coisas. Às vezes as pessoas separam-se e depois voltam a juntar-se. Estou em condições de anunciar o regresso de Duarte Calvão e João Távora, dois históricos do Corta-Fitas que têm escrito no Risco Contínuo. O Duarte é fundador e o João praticamente fundador. Eles dispensam apresentações, pois os leitores ainda se recordam, certamente com saudade, das suas crónicas e posts aqui publicados. São ambos conservadores (no sentido autêntico da palavra), monárquicos e sportinguistas. Têm bom gosto, trato cordial e melhor sentido de humor. Estes dois cavalheiros juntam-se à equipa a partir de agora. A seu tempo haverá outras novidades e o Corta-Fitas começa a ficar parecido com um conhecido clube que tem 19 pontas-de-lança a atropelarem-se na grande área.

Cheryl Cole
Pacheco Pereira pronunciou-se ontem, com o seu habitual ar de enfado, contra os bloguistas que a seu ver terão dado uma "caução" a José Sócrates só por terem comparecido ao recente debate com o primeiro-ministro. Se há assunto em que Pacheco está muito à vontade para se pronunciar é precisamente este das "cauções". Logo ele, que dá uma "caução" semanal ao candidato socialista à Câmara Municipal de Lisboa, sentado a seu lado num programa da SIC Notícias.
Se as nações são, como queria Renan, um "plesbicito diário", então Portugal deverá ser entendido como uma manifestação da vontade política dos portugueses, que durará enquanto esta durar, e não como uma simples decorrência da geografia ou, sequer, da cultura, um fado de qualquer espécie. Neste entendimento de nação, o único que me parece compaginável com a liberdade, nós somos porque queremos ser, não porque simplesmente sejamos ou tenhamos de ser. Acho por isso que tem toda a razão o autor deste artigo, que o DN albergou na sua edição de domingo passado: Portugal é um conceito político, a Ibéria é uma fatalidade geográfica, um acaso, um azar: por isso entre Portugal e Espanha deve haver relações luso-espanholas e nunca ibéricas. Jangadas de Pedra vão sempre ao fundo.
Já várias pessoas falaram da mediocridade da entrevista ao presidente do Instituto Português de Sangue hoje publicada no I. Além de assinar por baixo de alguns comentários, quero dizer que fiquei particularmente chocada com algumas tiradas deste senhor ao longo de uma entrevista em que mostra um discurso vulgar, inconsequente e incongruente. Não me quero deter em todas as respostas - e quase todas têm pérolas...
Logo no arranque, Gabriel Olim diz que vai "evitar usar a palavra homossexual". "Porque parece que não é politicamente correcto. Por causa do politicamente correcto, quase nos falta palavras para usar". Caro senhor, politicamente incorrecto é colocar a questão nestes termos e não perceber que a crítica lhe chega precisamente porque nem alcança o que verdadeiramente está aqui em causa. A dada altura, mais adiante, Olim prossegue na mesma argumentação que me leva a acreditar ainda mais que o presidente do IPS ainda não captou o porquê de esta ser uma questão polémica e de muitos se levantarem contra uma discriminação que existe e que o IPS pratica (e da qual se orgulha). À interpelação da jornalista "Em 2006, o IPS mudou as regras.", Olim responde que o que o IPS fez " foi retirar a palavra homossexual e substituir por comportamento de risco. Politicamente correcto. Na prática, manteve-se o mesmo." Ora aqui é que fiquei mesmo de boca aberta. Não só não entende e pede (várias vezes durante a entrevista) que a sociedade aceite o que estipulam os especialistas, como nos toma a todos por parvos. Há várias teorias que dizem que é também pela repetição que se aprende - vou tentar, pode ser que ajude: a homossexualidade não é um comportamento de risco. É que ele há coisas que enervam, e ainda bem que somos muitos a ficar de cabelos em pé com demonstrações abjectas. Infelizmente, só consigo concordar com uma colega que dizia há tempos que esta é uma luta para cem anos.

Aqui o nosso João Tordo conseguiu o prodígio de escrever um livro viciante. Levem esta sugestão para as férias e não digam que vão daqui.
Adenda: é só para avisar que a malta invejosa que vier falar mal levará com o gigantesco e extremamente poderoso lápis azul ramalhiano.
Não sei se já repararam nos anúncios às grandes entrevistas que a Judite de Sousa faz, mas parece-me pouco correcto que um anúncio de uma estação pública de televisão fale de Paulo Portas como um dos «mais combativos deputados» ou dê equiparáveis mimos a Francisco Louçã como deu na sua vez. Ainda sou do tempo em que os anúncios da Grande Entrevista (com maiúsculas, respeito) eram anúncios limpinhos, sem mimos despropositados.
O debate de ontem, mais que um duelo titânico de dois eternos sempre-em-pé, mostrou, ou melhor, voltou a mostrar algo de extraordinário. Se Lisboa espirra, Portugal estremece.
A receita de envolver personalidades conhecidas do grande público em iniciativas de campanha é tudo menos nova, especialmente em Portugal, onde as marias-vão-com-as-outras abundam. Os apoios apartidários dão sempre momentos de comunicação interessantes, aumentando por vezes a visibilidade de temas que não seriam notícia ou que dariam apenas para uma breve. Esta iniciativa, contudo, não será dessas. Como diria o meu amigo F: "denota trabalho específico".
Depois de José Sócrates ter utilizado como arma para a campanha eleitoral o facto (não é bem facto, já explico) de terem sido avaliados 90% dos funcionários públicos, este tipo de coisa cai mal. O Paulo Guinote denunciou falhas nos números e eu aproveitei para colocar a questão a José Sócrates na blogoconferência que foi dada. Hoje o Correio da Manhã divulga que os númeors foram mesmo inflaccionados e que a taxa de avaliação dos funcionários públicos real não é de 90%, mas apenas pouco acima dos 50%. Podem saber de tudo aqui.
Concordo em absoluto com o que Carlos Barbosa de Oliveira escreveu ontem no Delito de Opinião sobre o silêncio de Joana Amaral Dias a propósito do convite que terá recebido por parte de alguém do Partido Socialista. E para que se prove que a ex-dirigente do Bloco de Esquerda é dotada de "uma rara e forte personalidade política", impõe-se que, sem mais demoras (e já vem tarde), venha esclarecer tudo o que diz respeito ao episódio do convite.
Na blogoconferência de ontem fiquei com a sensação que José Sócrates, com todos os seus defeitos que bem conhecemos, consegue ser muito, mas muito melhor que a generalidade dos seus acólitos. Assim é que é, pá!
Nasceu o Rua Direita, um blogue de apoio do CDS. Tenho algumas coisas a dizer: em primeiro lugar admiro a frontalidade de quem, num país canhoto, tem a coragem de se assumir sem qualquer tipo de pruridos de direita. Não dou valor aos termos, para ser sincero; mas admito que haja uma espécie de adequação das ideias a esse arco de 180º que vai da esquerda à direita. Em segundo lugar, tenho a dizer que o grupo tem imensa qualidade. Para nomear alguns, e os outros que não fiquem tristes que vai daqui um beijinho também para eles, temos o for ever fiteiro João Távora, o Adolfo Mesquita Nunes, o Henrique Burnay, o Nuno Miguel Guedes e o Tiago Loureiro. Se o CDS defendesse realmente aquilo que alguns dos que ali estão defendem, eu não hesitaria. O problema é que não é tanto assim.
E eis que, de súbito, me lembro de Malcolm Lowry. Autor daquele que é, possivelmente, o mais pungente, dilacerante, hipnótico e arrebatador romance de todos os tempos. Debaixo do Vulcão (1947), assombrosa descida aos infernos de um homem absolutamente incapaz de ser feliz, acompanhou-me noites a fio em tempos que jamais conseguirei esquecer. Ninguém fica incólume após ter mergulhado a fundo neste livro, dominado pela figura do Cônsul afogado em mescal enquanto relia a derradeira carta da única mulher que alguma vez amou nesse México povoado de luzes e sombras em Dia de Finados.
Que é o homem senão uma alma pequenina dentro de um cadáver?
Faz hoje cem anos que nasceu um dos escritores mais perturbantes e geniais de que há memória. Cheers, Malcolm.
Imagem do filme 'Debaixo do Vulcão' (1984), realizado por John Huston, com Albert Finney e Jacqueline Bisset
Este post (genuinamente com graça) e o primeiro comentário (nem sei como adjectivar). Que pérola!
O Henrique Burnay tem um aquecimento central "socialista". Quem diria? Fiquei a saber pelo novíssimo Aparelho de Estado.
Ideologia e cultura
Este post de Palmira F. Silva, em Simplex e Jugular, pega num dos mitos mais interessantes da “esquerda” portuguesa: segundo essa ideia, a direita não é apenas ignorante, mas também anti-intelectual, demagoga e populista.
A autora, obviamente, nem se apercebe da arrogância intelectual do seu texto ou do desprezo que lança sobre os adversários. Aparentemente, estas são reflexões sobre um livro de Sinclair Lewis, Babbitt, e um segundo romance do mesmo autor (que desconheço) mas o objectivo do texto está nas últimas linhas: a vitória do PSD nas legislativas seria equivalente a uma espécie de fascismo ou ao triunfo da classe média analfabeta, gananciosa e sem horizontes. Estaríamos a escolher entre um partido descerebrado, de gente inculta, e outro que nos trará brilhantes políticas do pensamento.
Não vale a pena gastar muitas palavras a comentar esta curiosa concepção de democracia. Para mim, isto é elitismo disfarçado. É dizer que os intelectuais é que sabem e que o povo se deixa manipular com facilidade. Palmira F. Silva esquece o contexto da época de Lewis, onde as lutas ideológicas eram mais intensas e o realismo social fazia sentido. No nosso tempo a cultura não serve ideologias. É interessante verificar que quando se deu o choque ideológico entre fascismo, comunismo e democracia liberal, com os dois últimos a derrotarem o primeiro, cada beligerante reivindicava para si a superioridade e a pureza. Mas agora as ideologias esbateram-se e a cultura está fragmentada. Convivem milhares de espécies e nenhuma domina. Muitas vivem em nichos quase invisíveis. Não me parece que haja cultura de esquerda ou de direita ou que um dos lados da política local possa reivindicar superioridade. Aliás, o que trouxe de novo este mandato? Alguma coisa melhorou no património, na ópera, nos teatros, nos museus, no cinema, nas artes plásticas ou na literatura? Ao lermos esta autora, até parece que sim, que houve notáveis mudanças.
«Os partidos tomaram de assalto a blogosfera» (não encontro o link) e «os bloggers forçaram a sua entrada na opinião publicada». Entre o título do artigo de abertura do DN por Filipa Ambrósio de Sousa e o editorial não assinado, eis duas afirmações que importa esclarecer.
Em primeiro lugar, a criação de blogues de cariz político não é uma novidade. Eles sempre existiram e, se hoje ganham mais relevância, isso apenas decorre do natural amadurecimento da blogocoisa, do processo de aprendizagem da comunicação política sobre esta e outras novas ferramentas (como o Facebook ou o Twitter) e, também da incapacidade da comunicação social em discutir ideias e conteúdos, para além do soundbyte e da sua própria agenda. Relevância essa acrescida, aliás, pelo comportamento dos próprios meios de comunicação.
Os bloggers não «forçaram a sua entrada». Foram os media tradicionais que começaram por desconfiar primeiro da informação circulante nos blogues, para depois começarem por aproveitar algumas das notícias sem muitas vezes mencionar a fonte até, finalmente, passarem não só a colocá-los muitas vezes no centro das mesmas notícias como ainda integrarem convidados para espaços de opinião mais ou menos nobre, de forma graciosa ou paga. No fundo, a imprensa escrita foi (e vai) entendendo que os blogues podiam ser uma fonte preciosa e uma mais-valia para os seus conteúdos, em lugar de os encarar como inimigos às portas e ladrões de audiências.
A blogocoisa não é um cenário de «guerra». É um território com zonas mais ou menos selvagens, anónimas ou perfeitamente identificadas, com agenda transparente, obscura ou nenhuma de todo. Existem rivalidades e amizades, amores e ódios. Como entre a comunicação social, aliás. Nada de novo, portanto. Apenas um reflexo do que somos, todos nós.
Os meus textos no Jamais:
3. Os caminhos da Educação - Uma Introdução
4. Os caminhos da Educação (2) - O Estatuto do Aluno (Parte 1)
Conheço os Padres Mário Rui e João Seabra. Com o primeiro tive oportunidade de trabalhar recentemente num projecto que engrandeceu Lisboa e Portugal. O segundo, há já mais algum tempo e num registo mais, diria, espiritual. O cónego Armando Duarte acho que conheço, ao de leve, mas não associo, assim de repente, a cara ao nome. Confesso, por isso, que isto me surpreendeu, e muito. É evidente que podem, e devem, ter opinião. Mas sabendo que as suas opiniões contam, para muita gente, a avaliação do que dizem e do como dizem, deveria, humildemente o digo, ter sido mais ponderada e muito mais reflectida.
Espero que as declarações de voto dos párocos de Lisboa parem por aqui, porque Igrejas classificadas, ou a precisar de obras, também as há fora da Baixa (há freguesia/paróquia de Lisboa que não as tenha?) e porque se a coisa se torna “num tema”… enfim, perdem os lisboetas, perde a Igreja e perde a Cidade.
Já chega a política nacional para discutirmos non-issues, não precisamos que isso aconteça em Lisboa. E eu, que me preocupo com a Igreja, espero que a Igreja se preocupe com outras coisas.
Este vídeo, de um programa que nunca tinha ouvido falar (e provavelmente a esmagadora maioria dos portugueses também não) demonstra de forma sublime o argumentário favorável à Interrupção Voluntária da Gravidez. Eu sei que se revestem naquela capa de «estamos só a brincar», mas tudo isto é ilustrativo do rasteiro debate que houve (tanto de um lado como de outro, diga-se). Aqui está tudo: «votei sim porque sim», «quem vota não são os tipos da Lapa», «quem votou não foram os senhores católicos», as mulheres a votar não «tinham bigode e eram desdentadas à frente». É por isto que me envergonho do estado desta terra. O progressismo tarado destes tipos tem todo que ver com estilo. É fash votar sim, é moderno, a gente quer é modernismo. Enfim, uns tristes.
Maria João Marques elenca aqui, uma pequena parcela do que deveria ter sido o trabalho do PSD durante este último ano e pouco. Criar um repositório, inteligível e sectorial, das propostas de Manuela Ferreira Leite. O PSD viveu, nos últimos anos, tempos conturbados. Desde o estertor de Marques Mendes, passando pela liderança de Luís Filipe Menezes, até à disputadíssima eleição de MFL, foram muitas as críticas ao Governo, ainda mais as alternativas apresentadas e as propostas anunciadas.
Compreendo que, MFL, querendo reinar, para além de “rasgar” tudo o que cheire a PS, também tenha “rasgado” algumas das meritórias propostas dos seus antecedentes (harmonização fiscal progressiva com Espanha de LFM, p.e.). Não compreendo, no entanto, como é que quem tem responsabilidades ao nível da comunicação do partido, insista em tornar num exercício de infinda paciência, algo que deveria ser simples que é o de informar adequadamente que posições tem o PSD sobre que matérias. Volto a dizer o que disse há uns tempos atrás: “se o eleitorado se comportar como em 2005, a pouco mais de um mês das eleições terá já decido o seu voto, antes até de se entrar propriamente em campanha. Não sei como será Agosto e se alguém a banhos decidirá alguma coisa, mas Julho será o mês em que os portugueses farão a sua escolha. Setembro confirmá-la-á”.
É incompreensível que não se consiga ter uma ideia estruturada do que o PSD quer para o país, além do óbvio, que é não querer o PS e o Eng.º Sócrates a governar. Maria João, agradece-se a atitude militante de, por áreas, ir compilando aquilo que o PSD, incompreensível e teimosamente, esconde do eleitorado. Fica o desafio e o antecipado reconhecimento da prestação de um enorme serviço público.
Aqui, Eduardo Pitta, pretende a subversão total e completa da natureza da eleição parlamentar que Alegre tão bem definiu ontem (por uma vez, há que citar Alegre e leiam, por favor, a resposta imputada a Mário Soares quando lhe perguntaram quem seria Primeiro-Ministro, que vale a pena). O que há que fazer é um back to basics, e não o querer a institucionalização definitiva de uma eleição nominal para o cargo de PM. Não há vantagens de serem dados “passos em frente” e definir equipas de governo. Em limite, estamos a discutir pessoas e não políticas, estilos e não conteúdos. É uma visão que além de simplex, é simplista.

Ana Carolina Reston
Vou armar-me em Pacheco Pereira e analisar os dois blogues institucionais criados para defender a política do Governo (Simplex) e para defender as ideias do maior partido da oposição, (Jamais).
As duas iniciativas reuniram gente estimável, incluindo desta casa, mas há posts suficientes para podermos dizer que se trata de rotundos fracassos. Os dois blogues antecipam o tom agressivo que irá ter esta campanha das legislativas, com distorções de factos, exageros histéricos e tiradas panfletárias.
Querem exemplos?
Lendo este post de Maria João Marques, até parece que o PSD já ganhou as eleições.
Este outro, da mesma autora, é incompreensível, de fugir: o que impede a senhora referida de participar nas listas do PS? Trata-se de uma artista trabalhadora, conhecida. Que raio de crítica é esta? Será por ser mulher e bonita?
Vendo este post de João Coisas, que é suposto ter graça, teme-se o pior sobre o debate de políticas que tirem este país do buraco.
E este post, de João Galamba, suscita-me um comentário: o pretenso milagre referido pelo autor foi conseguido à custa da transformação de parte da administração em organismos públicos, que o Estado paga na mesma, mas em contas diferentes das do funcionalismo. Se forem incluídos estes trabalhadores, cujos salários são pagos pelos contribuintes, o número de funcionários até aumenta. Chama-se a isto estatística martelada, para enganar papalvos. O défice está na mesma em parafuso e o endividamento externo descontrolado.
Enfim, há um aspecto em que o Jamais ganha ao Simplex: fez links, incluindo do rival.
Há blogues que é sempre um prazer ler. Deixo aqui uma sugestão, à qual cheguei através do Francisco José Viegas. Chama-se Senhor Palomar e é uma delícia.
Através do Senhor Palomar, cheguei ao blogue da Carla Maia de Almeida, O Jardim Assombrado.
Naveguem por lá.
A partir de hoje, oficialmente, eu e o João Villalobos estaremos num novo blogue. Um blogue que à pergunta «mais quatro anos de governo Sócrates?» apenas consegue responder de uma forma: Jamais!
Enquanto suturava um ferimento na mão de um velho (cortada por um caco de vidro indevidamente jogado no lixo), o médico e o paciente começaram a conversar sobre o País, o governo e, fatalmente, sobre Sócrates...
O velhinho disse:
- Bom, o senhor sabe, o Sócrates é como uma tartaruga em cima do poste...
Sem saber o que o velho quis dizer, o médico perguntou o que significava uma tartaruga em cima do poste.
Ao que o velho respondeu:
- É, quando o senhor vai por uma estradinha, vê um poste. Lá em cima está uma tartaruga a tentar equilibrar-se. Isso é uma tartaruga em cima do poste.
Perante a cara de espanto do médico, o velho acrescentou:
- Você não entende como ela chegou lá; não acredita que ela esteja lá; sabe que ela não subiu para lá sozinha; que ela não deveria nem poderia estar lá; que não vai fazer absolutamente nada enquanto estiver lá e não entende bem porque a colocaram lá.
Então, tudo o que temos a fazer é ajudá-la a descer de lá e providenciar para que nunca mais suba, pois lá em cima definitivamente não é o seu lugar!
Dois blogues incontornáveis na consulta quotidiana – pelo menos até dia 28 de Setembro (o dia pós-eleições, ganhe quem ganhar, será de antologia, não se duvida…). Um e outro, a não perder. Espero que entrem, muitas vezes, em diálogo. Cá estaremos para os cortar, sem dó nem piedade, seja a torto, seja a direito. Desde já, a premissa deste primeiro parágrafo é nada mais que um palpite (embora o partilhe, pede-se demonstração da mobilidade inter-bloco, porque o que mais existe por aí é eleitorado mal caracterizado ou não caracterizado de todo e a justificação, embora plausível, carece de demonstração) e as afirmações deste, enfim – tirando a lágrima fácil do “voto em liberdade” – se são verdade quanto à ausência gritante de programa do PSD, deveria com honestidade dizer que o PS também não apresentou nada, ainda (tudo o resto serão, igualmente, ideias desgarradas e o que vale para um, vale para o outro).
Amanhã daremos novidades, apesar de uns desbocados de serviço sofrerem de ejaculação precoce.
«Se o resultado de 27 de Setembro for uma maioria relativa do PS, é possível que o PCP e o BE viabilizem o programa de governo, deixando Sócrates governar mais uns tempos, com toda a instabilidade daí decorrente. Mas se a maioria relativa for do PSD, supõe a actual direcção do PSD que o conjunto da esquerda (maioritário) permitirá a passagem de um governo seu?»
Eduardo Pitta, no Da Literatura
"Helena levantou-se e aproximou-se de Tertuliano Máximo Afonso. Pareceu que o ia beijar, mas não, que ideia, um pouco de respeito, por favor, ainda não nos esquecemos de que há um tempo para cada coisa. Tomou-lhe a mão esquerda e, devagar, muito devagar, para dar tempo a que o tempo chegasse, enfiou-lhe a aliança no dedo. Tertuliano Máximo Afonso puxou-a levemente para si e ficaram assim, quase abraçados, quase juntos, à beira do tempo." José Saramago, O Homem Duplicado
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