Não gosto especialmente da bimbalhice dos mil nomes de "figuras públicas". No entanto, não posso deixar de apoiar a causa. Quem a apoiar também, clique na imagem.
Susan Boyle, que acho extremamente parecida com a velhota do Porquinho Babe, ficou em segundo lugar no Britains Got Talent. A shame. Aquela senhora, uma provinciana como cá lhe chamaríamos, conseguiu cativar o mundo por ter tido a coragem de, com 47 anos, perseguir o sonho da sua vida: ser uma estrela da música. Encantou quem a ouviu com a sua voz tão doce, aliada à sua pessoa tão genuína. Enfim, ganhou um grupo de dança, bom, divertido, mas quanto a mim menor. De qualquer modo, isso não interessa. O que interessa é que as notícias dos jornais não são: "os Diversity ganharam", mas sim "Susan Boyle ficou em segundo". Susan Boyle foi a estrela. Susan Boyle foi a surpresa. O tempo dará a Susan Boyle a vitória.
Em Portugal não se tem falado muito do escândalo que se está a passar em Inglaterra. Um verdadeiro escândalo, à moda antiga. O Daily Telegraph lançou-se à investigação, coisa muito bem aceite por terras de sua Majestade, ao contrário do que acontece nas nossas, e descobriu que o Parlamento Inglês está repleto de corruptos. A lista de nomes é interminável e toca a todos os partidos. Membros do Parlamento usaram dinheiros públicos para despesas suas. Situações graves como a compra de segundas casas pelos membros do IRA ou situações ridículas como a doação de 5 libras a uma Igreja - tudo isto foi pago pelos contribuintes. Obviamente, todo este escândalo, que foi primeiro denunciado em relação aos deputados trabalhistas e que depois foi alastrado a todos os partidos, está a causar reviravoltas consideráveis nas intenções de voto britânicas. Os trabalhistas, que estão há três mandatos no poder, estão prestes a alcançar o pior resultado desde 1987, passando a terceira força política atrás dos Liberais Democratas. Os conservadores, muito à custa de David Cameron, um senhor da política, estão a aguentar-se e é quase seguro que serão os próximos no poder.
Caem por terra essas teorias de que Inglaterra é um exemplo para o mundo de como as instituições funcionam muito melhor com monarquias constitucionais. O escândalo até levou a que o speaker da Câmara dos Comuns, Michael Martin, se demitisse - coisa que não acontecia desde 1695, quando John Trevor renunciou por ter aceite suborno. Afinal, são cães como nós.
[Originalmente publicado aqui]
"Querem vigiar tudo: bicicletas, triciclos... tudo o que ande e tenha rodas" - Manuela Ferreira Leite, presidente do PSD.
"Não tenho de fazer afirmações de roubalheira, nem de mais, nem de menos, mas os portugueses perceberam quais são as personalidades públicas que estão envolvidas no BPN" - Vital Moreira, cabeça-de-lista do PS nas eleições para o Parlamento Europeu.
“As elites do PS e do PSD são como a Pepsi e a Coca-Cola. São diferentes, pois claro, só que não se nota” - Miguel Portas, cabeça-de-lista do Bloco de Esquerda ao PE.
“Declaro que vou continuar a receber o mesmo salário, não vou aceitar o aumento" - Ilda Figueiredo, cabeça-de-lista da CDU ao PE
"Gostava de ver o primeiro-ministro na rua, sem seguranças, a ouvir as pessoas. Ele anda muito escondidinho" - Paulo Portas, presidente do CDS/PP.
Um homem de 55 anos pode ser condenado a dez anos de prisão por ter urinado várias vezes num elevador de um edifício público da cidade de Detroit, nos EUA, diz a Globo.
Michael Hicks foi acusado de dano mal-intencionado, um crime que pode ser punido até dez anos de prisão. Os estragos da sua urina foram avaliados em cerca de mil dólares.
O caso começou a ser investigado em Agosto de 2007, depois da Superintendência Geral de Administração Tributária do Tesouro se ter queixado à polícia que o seu elevador cheirava a urina.
O mistério prolongou-se até as autoridades terem colocado uma câmara de vigilância no elevador. Hicks foi apanhado e confessou o crime, não dando nenhuma explicação lógica para o sucedido.
in Portugal Diario
Ainda a propósito do que escrevi aqui, sugiro a leitura atenta deste post de Helena Matos: "Não sei como funciona agora o Conselho Deontológico mas sei como funcionou porque o integrava aquando do processso Casa Pia e não esqueci como foi aprovado o comunicado sobre o Processo Casa Pia : chegou por mail algures no meio do Verão aos membros do Conselho Deontológico e estava implícito que fosse unanimemente aprovado".
É o País que temos.
Pedro, estavas também tu cheio de razão quando me lembraste que ainda não tinha dado seguimento à corrente que lançaste no Delito de Opinião. Aqui ficam as quinze séries e programas que me vieram logo à cabeça. Lanço agora o desafio às cinco meninas do nosso blog. Alexandra, Ana Garcia, Filipa, Isabelinha e Teresa.
Sócrates acusa sindicatos de serem instrumentalizados e correias de transmissão de partidos. Eu, reparando nas posições titubeantes do secretário-geral da UGT, que é também membro da Comissão Política do PS, acho que ele está cheio de razão.
Apesar da presença Portuguesa ser muito antiga (há quem atribua o nome da Península do Labrador a João Fernandes ”o lavrador” que saiu da ilha Terceira em navegação para Oeste a mando do Rei Português) a verdade é que só em 1953 começou o grande fluxo migratório para aquele país e em 1957 a Canadian National Railway contratou perto de um milhar de homens para trabalharem na construção do caminho de ferro. Em condições de grande dificuldade, dormindo nos próprios vagões, com dificuldade de adaptação a um clima rigoroso, sem conseguirem comer a alimentação que lhes era dada, esses pioneiros de então, logo que terminavam o contrato ficavam pelo país na região onde o próprio caminho de ferro se encontrava. Talvez isto ajude a explicar essas comunidades tão dispersas como Vancouver, Winnipeg, Edmonton Toronto ou Montreal. Há mesmo uma longínqua comunidade Açoriana em Kitimat já perto do Alasca .
Uma estradinha
O meu plano é simples: vou percorrer o país para convencer os eleitores a votarem em mim.
Ao contrário dos outros candidatos, não me limito a ser cabeça-de-lista. Sou o único-da-lista do meu partido, cujo nome, francamente, já esqueci. Sei que a sigla é qualquer coisa entre MVPAE ou AEAPEEJ, o que daria, respectivamente Movimento Votem Por Adolfo Ernesto ou, em alternativa Adolfo Ernesto Ao Parlamento Europeu E Já.
Eu conheço o país irreal, que tenho palmilhado em feiras, ruas, sessões públicas e até comícios.
Falava eu desse belo país: palmilhei uma freguesia, acho que era em Vila Nova de Gaia e dei uma boleia a um sujeito simpático que subia a ladeira a pé, por uma má estrada.
"A estrada está muito má", disse eu, para início de conversa. E o bom cidadão explicou que o presidente da junta de freguesia local era socialista e tinha feito umas macacadas contra o estupendo presidente da câmara social-democrata e, por isso, não havia obras na estrada. "Paga a população pelas macacadas", disse ele. Ah, e acrescentou que seria candidato nas autárquicas, contra o tal socialista. Está ganho e a estrada talvez se arranje.
Adolfo Ernesto
Segundo o Expresso de hoje, o Cavaco Silva teve, entre 2001 e 2003, acções do grupo SLN. Era um entre 400 pequenos accionistas. Quanto ganhou, quanto pagou, isso não interessa. Ganhar com compra e venda de acções não é crime. O que tem de ser esclarecido é a ligação per se.
Bem sei que à participação em empresas não se segue responsabilidade na gestão. Afinal, os fundos de investimento em que investíamos incluíam imensas empresas e dificilmente nos poderiam responsabilizar por questões de gestão. Ainda assim, seria salutar que o Presidente da República prestasse algum esclarecimento. Afinal, ele não é um «gajo qualquer».
O debate público em Portugal é um caso perdido. Em primeiro lugar há a partidarização total e completa do debate - valha-nos a blogosfera - e depois, para além de os opinion makers serem todos nomes fortes de partidos, os proles, na boa velha novilingua orwelliana, vêem os partidos como clubes de futebol. Se fomos nós não é falta, se foram os outros dê-se-lhes cartão vermelho. Isto a propósito do meu texto sobre o que disse Vital Moreira. Basicamente eu acho mal o PS associar o PSD a actos criminosos. E as respostas, quais são? "Ah, o PSD fez igual!". A tudo, tudo mesmo, em política se responde com: "não-sei-quem fez igual". Nos debates no Parlamento, quando há um assunto em discussão, lá vem o governo anterior deste e daquele partido, lá vêm as responsabilidades passadas. Como se o facto de alguém ter feito mal no passado justificasse que fizessemos mal no presente. Só quando se deixar de fazer dos partidos clubes de futebol e da política uma gritaria surda em que ninguém se entende porque é fraqueza admitir o erro é que algo poderá mudar. Até lá, ficaremos assim.
Estou farto de ouvir falar em crise.
Oiço dizer que há falta de trabalho. Discordo. Faltam é empregos.
Oiço histórias de empresas que despedem empregados. Acho bem. Já dispensar trabalhadores, considero reprovável e deveria ser proibido por lei.
* (Desculpas ao Pedro Correia por ter usurpado o título)
"O Conselho Deontológico não pode deixar de reprovar o desempenho de Manuela Moura Guedes na condução do 'Jornal Nacional – 6.ª feira' e concitar a própria e a direcção da TVI ao cumprimento dos valores éticos da profissão". O Sindicato dos Jornalistas emitiu um comunicado - cujo ponto oito aqui reproduzo - que é a demonstração prática da sua inutilidade e falta de representatividade junto da classe. É por estas e por outras que acho que os jornalistas se deviam unir para criar uma Ordem dos Jornalistas. A decisão da ERC e agora esta são mais uma prova disso.
Sobre isto, tiro o meu chapéu à Maria de Belém.
Sócrates admitiu que estas eleições seriam um momento de avaliação ao Governo e também por isso tem marcado presença forte na campanha. Mas, em paralelo, apela a que seja feita uma avaliação da oposição, apontando o dedo a MFL, que se tem mantido o mais afastada possível da campanha. Uma forma de recentrar a campanha na líder do PSD e não no seu candidato. Aliás, Rangel tem mostrado um poder de captação de eleitorado muito superior ao da presidente do partido. Tendo como certo um bom resultado, haverá sempre alguém a questionar ‘e se fosse ele o candidato às legislativas?...’. No final, o resultado do CDS poderá ser determinante na vitória ou na derrota do PSD. Sendo que as sondagens publicadas hoje mostram que está tudo em aberto.
É de mim ou isto do voto forçado é do mais estúpido que pode haver?
O desespero por ganhar alguns votos está a atingir níveis inaceitáveis numa qualquer democracia. Ontem, na sua campanha eleitoral para as Europeias, Vital Moreira veio atirar responsabilidades ao PSD pelo caso BPN. Isto porque, segundo Vital, “Certamente por acaso e só por acaso todos aqueles senhores são figuras gradas do PSD" e, como tal, "Estamos à espera que o PSD se pronuncie sobre a roubalheira do BPN”. É vergonhoso para Vital e é vergonhoso para a democracia. E os socialistas sabem bem o que é ver o partido responsabilizado ou associado a crimes ou possíveis crimes de militantes e dirigentes seus: Casa Pia, Freeport ou o caso da Valor Alternativo, da qual são sócios Dias Loureiro e Jorge Coelho, e que, curiosamente, não tem sido propriamente tema de conversa.
Os números não são novos, mas colocados em pontos – desta forma, como o Expresso fez no site – é difícil não sentir arrepios. Só no primeiro trimestre de 2009 os investimentos publicitários sofreram um corte de €131 milhões.
Numa altura em que tanto se fala dos Conselheiros de Estado pergunto:
Não há mulheres Conselheiras para além de Leonor Beleza?
Que idade tem o mais novinho conselheiro?
E a partir de que idade é que se pode dar conselhos?
Não sei se já repararam. Vital Moreira praticamente não tem aparecido sem José Sócrates ao lado e Paulo Rangel praticamente não tem aparecido ao lado de Manuela Ferreira Leite. Está certo. São sinais inequívocos que se extraem da campanha: tanto o PS como o PSD querem mesmo ganhar estas eleições.
Como é que Paulo Rangel conseguiu evitar os espirros quando questionado sobre o imposto europeu, defendido por Vital Moreira, e não o fez quando lhe perguntaram o que achava da ausência de Rui Rio e Luís Filipe Menezes da sua campanha?
O Francisco Almeida Leite é um dos oradores na conferência organizada pelo NPF que decorre, entre hoje e amanhã, no hotel Tiara Park Atlantic em Lisboa.
O tema geral da conferência, que reúne diversos especialistas com provas dadas na área, é o de como «Preparar Estratégias de Comunicação Política Atractivas». Quanto ao Francisco, vai falar sobre a cobertura jornalística e «A influência do poder político na comunicação social». A coisa promete e, na parte que lhe diz respeito, começa já daqui a pouco, às 15.15H.
Que acontece se juntarmos o sensacionalismo ao sensacionalista?
Acontece o episódio Marinho Pinto VS Manuela Moura Guedes.
* A todos, as minhas desculpas pela ausência
O cabeça de lista do PS às Europeias sugeriu que se criasse um imposto europeu. O Público conta que Vital Moreira só dará pormenores quando for eleito para o Parlamento Europeu e puder apresentar propostas nesse sentido.
Primeiro, não me parece nada lógico que o principal candidato dos socialistas possa avançar com tal proposta (que de resto não é inédita) e não explique exactamente o que gostaria de propor quando se sentar em Estrasburgo. A campanha não serve para isto mesmo?
Segundo, pelo que li (não ouvi as declarações ), dá-me a impressão de que Vital Moreira ainda não sabe muito bem o que quer propor. A questão do imposto europeu não é nova e vai provavelmente tornar ao debate quando se começar a discutir a reforma do Orçamento Comunitário. Muitos dizem que se até aqui não foi possível uma proposta dessa natureza ter pernas para andar, não será num contexto de crise que alguém conseguirá impor a questão verdadeiramente na agenda.
Do imposto, Vital segue para a ideia de uma contribuição maior dos orçamentos nacionais, que me parece esbarrar exactamente no mesmo obstáculo. Naturalmente, nenhum país quer dar mais do que já dá para para o Orçamento Comunitário e não será agora que vão conseguir. Mais, acho que é demasiado simplista dizer às pessoas que a ideia é "ter um bolo maior" para ter "fatias maiores" para os estados-membros. É simplista e é demagógico, porque não se adivinha um orçamento maior e muito menos fatias nacionais mais generosas.
A questão de fundo, e parece-me que a que ganha mais terreno, é a necessidade de a UE ter receitas próprias - daí o imposto ou a outra ideia de enviar parte do IVA directamente para Bruxelas. É aqui que os candidatos têm de se posicionar com clareza, porque, a par do crescendo de poderes do PE se o Tratado de Lisboa for avante, há uma série de assuntos importantes a cair em cima da próxima legislatura (reforma do orçamento, da PAC, da Política Comum das Pescas, etc....) e os eleitores merecem saber, sem equívocos, de que lado estão os candidatos, que ideias têm e, de facto, o que sabem sobre os dossiers que lhes vão cair no colo.
Está a decorrer a audição parlamentar a José Oliveira Costa, antigo presidente do BPN, que resolveu desenterrar o machado de guerra contra Joaquim Coimbra, o "grupo dos quatro" e Miguel Cadilhe. Pelo menos até agora. Oliveira Costa já falou de três tentativas goradas de venda do BPN, antes da nacionalização, tendo sido uma delas da Carlyle. Já falou de sauditas e de sírios, envolveu escritórios de advogados e parece que não se vai ficar por aqui. Mas, depois de mais de uma hora a falar na Comissão de Inquérito Parlamentar, o ex-banqueiro pediu para fazer uma pausa.
Nessa altura, começou a "dança" de deputados, de todos os partidos, a apressaram-se a fazer declarações às televisões que estão a acompanhar a audição em directo. Pelo que tenho visto, falaram Hugo Velosa, Nuno Melo, João Semedo, entre outros. Todos comentaram o que se vai passando lá dentro e que todos estamos a ver em directo, pela televisão. Não sei porquê, estas figuras pareceram mais oriundas daqueles painéis de adeptos comentadores de clubes de futebol do que membros de um órgão de soberania. Os mesmos deputados que todos os dias são alvos das notícias e que depois vão às televisões de notícias debitar opiniões sobre o que fazem e sobre o que os outros fazem. É o admirável mundo novo da política espectáculo, que eles mesmos dizem querer combater e que rejeitam sempre que podem. Porque dá bom aspecto.
P. S. - Parece que o próximo visado é Manuel Dias Loureiro...
José Pacheco Pereira, num lamentável artigo no Público, parece acometido pela síndrome Marinho Pinto. À falta de melhor assunto, dispara contra o convite feito pelo eurodeputado social-democrata Carlos Coelho - seu companheiro de partido - a um grupo de autores de blogues que se deslocou recentemente a Bruxelas. Pacheco parte do princípio, como qualquer bom populista partiria, de que esta brigada de bloguistas estava sedenta de ser obsequiada com uma corrida à sede da União Europeia e veio de lá agradecida por uns jantarinhos e umas tantas visitas guiadas ao Parlamento Europeu. António Marinho Pinto, provavelmente, não diria nada de diferente, pronunciando-se contra a "promiscuidade" entre quem escreve, em blogues ou jornais, e quem faz política. Partindo do princípio de que, até prova em contrário, todas as pessoas são venais - algo próprio de quem alimenta o maior dos pessimismos sobre a natureza humana.
O ex-eurodeputado delira nestes seus considerandos que roçam a injúria. É um perfeito disparate imaginar que autores de blogues tão diversos como este, este, este ou este, feitos por pessoas habituadas a pensar pela própria cabeça e que não precisam do convite de ninguém para jantarem onde lhes apetece ou viajarem ao estrangeiro quando lhes dá na real gana, se deixariam instrumentalizar facilmente pelos correligionários de Pacheco Pereira em Bruxelas. O autor do blogue Abrupto, que foi deputado europeu, sabe bem que os grupos parlamentares representados em Bruxelas e Estrasburgo têm verbas comunitárias específicas ao dispor para a divulgação das instituições da UE junto dos líderes de opinião nos diversos estados-membros. Esta verba deve ser dispendida até ao fim da legislatura, sob pena de não ter servido para nada. Quando Pacheco lá estava, que eu saiba, nunca a usou para este fim. Fez bem o eurodeputado Carlos Coelho em ter adoptado outro critério, adaptado aos novos tempos, o que só confirma a crescente importância dos blogues na formação da opinião e a influência que exercem junto dos próprios jornais.
Alguns visados, como o João Villalobos e o João Gonçalves, já responderam a Pacheco Pereira - e fizeram bem. Outros optaram por não lhe dar troco - e talvez não tenham feito tão bem. A conversa não me diz directamente respeito, pois não integrei a referida delegação bloguista, mas entendo que vai sendo tempo de Pacheco deixar de exibir a sua pretensa autoridade moral nas mais diversas matérias lançando sempre as maiores suspeitas sobre quem faz opinião sem se submeter ao seu diktat. Todos são influenciáveis, todos são maleáveis, todos pecam por falta de convicções - menos ele. Marinho Pinto não diria melhor. Com tanta falta de razão como Pacheco Pereira.
Vamos por partes, que isto pode ser confuso:
1. As próximas eleições europeias vão eleger 751 deputados, apesar de no início da legislatura só 736 poderem assumir verdadeiramente o seu lugar no hemiciclo.
Dada a incerteza sobre o resultado do referendo ao Tratado de Lisboa na Irlanda - mas na convicta esperança de que seja desta que os irlandeses acertam na resposta -, há 18 deputados que vão ter o estatuto de "observadores" no Parlamento Europeu até que possam assumir funções.
2. O Tratado de Nice estabelece uma diminuição do número total de deputados dos actuais 785 para 736, mas Lisboa ordena o aumento para os 751. De Nice para Lisboa só a Alemanha é que perde, mas os quatro deputados que tem a mais - se o Tratado de Lisboa entrar em vigor em Janeiro de 2010 - vão cumprir mandato até ao final da legislatura.
3. Para que os 18 que ficam on hold possam de facto assumir na totalidade as suas funções como eurodeputados (votar etc...) tem primeiro de existir um documento de natureza jurídica que permita a alteração da composição do Parlamento Europeu e que tem de ser ratificado por todos os estados-membros da UE. Fala-se numa solução que passe por adicionar um protocolo ao Tratado de Adesão da Croácia... sabe-se lá para quando.
Muitos comentários se poderiam tecer acerca destas formas criativas de contornar os problemas, tornar a transição mais rápida, etc. E tenho a certeza de que até há argumentos muito válidos dos que aprovam esta forma de fazer as coisas. Mas posto isto, pergunto, há alguém que consiga refutar a ideia de que existem pressões sobre a Irlanda para que vote "Sim" em Outubro? É que entre 4 e 7 de Junho há 12 países que vão eleger gente que de facto não tem o direito de ser eurodeputado - só no universo paralelo que se constrói em torno de um Tratado que, por agora, e a meses ainda do referendo, não passa da realidade virtual.
«Portugal é uma manta de retalhos semanal. Cada semana é uma entidade autónoma, separada das semanas anteriores e sem continuidade nas seguintes. Nesta semana falou-se dos combustíveis. Na semana passada, discutiu-se o cigarro de Sócrates. Na outra semana abortou-se a subida dos juros. Na próxima semana, discutir-se-á o código laboral. E nunca aparece um fio condutor entre os temas. Portugal não tem uma visão política e uma narrativa histórica para enquadrar as diferentes discussões semanais. Às 23h59 de cada domingo, alguém carrega no «reiniciar»; feita esta tabula rasa, as segundas-feiras caem de pára-quedas em Lisboa, oriundas de um Olimpo ahistórico, apolítico e «aportuguês».»
Henrique Raposo, 24 de Maio de 2008 (retirado do livro A Caipirinha de Aron)
Hoje em dia não há gato-sapato que não resolva surgir em público sem gravata, muitos com o supremo mau gosto de não prescindirem do fato completo. Mas sem gravata. Sempre sem gravata. Os políticos já não a usam ao fim de semana, o que não acho mal, mas agora estão a banalizar, também durante a semana, o fatinho sem gravata. Os pivots de televisão fazem o mesmo, os comentadores também, sejam eles especializados em política, no mundo da bola ou no pseudo-jet set nacional.
Definitivamente, as gravatas caíram em desgraça. Dantes discutia-se o nó de gravata que cada um usava, a cor, o padrão, o bom ou mau gosto do conjunto fato-camisa-gravata. Agora, uns tantos papalvos eliminaram o acessório do guarda-roupa masculino e nem sequer avisaram. Um exemplo: não me choca nada que meia dúzia de pivots a tenha posto de lado, mas já me custa ver um programa de comentário político onde o único com gravata é o pivot! Aconteceu isso esta semana com Henrique Garcia e com o seu painel de comentadores na TVI. Ainda por cima, todos uns senhores que admiro e que me habituei a respeitar: Vasco Pulido Valente, Rui Ramos e Manuel Villaverde Cabral. Nem um levou gravata. Não estava nada à espera. Há que reconhecer que tudo muda.
O Marinho Pinto é que devia treinar o Benfica na próxima temporada.
Hoje, na reflectida e plácida imprensa diária, há já quem condene as atitudes de Marinho Pinto na entrevista concedida Àquela Cujo Nome Não Pronuncio. Ok, o homem é um bocado manhoso e exalta-se como um carroceiro; mas não se dão pérolas a porcos, e Aquela Cujo Nome Não Pronuncio é um porco dos grandes, daqueles que chafurdam selvaticamente no curral. Era preciso um homem com a virulência do bastonário para a meter na ordem, ou Aquela Cujo Nome Não Pronuncio continuaria impune a atirar-se à lama, conspurcando tudo em seu redor. Traduzido em miudezas: a mulher estava a pedi-las e já não era de hoje. O Marinho aviou-a. Há gente que só aprende assim.
Despedi-me oficialmente do Sporting versão 2008/2009. Ontem fui a Alvalade ver o jogo com o Nacional e fiquei com a sensação de que podíamos ter feito mais e melhor no jogo, como aconteceu aliás durante toda a época. O segundo lugar soube a pouco, mas a equipa e toda a estrutura não chegava para mais. O SCP 2008/2009 teve poucos bons momentos e momentos muito maus (as humilhações frente a clubes como o Bayern), agora há que pensar nesta nova fase que se pode abrir com as eleições que estão à porta. Dos candidatos possíveis, José Eduardo Bettencourt tem condições para fazer o Sporting regressar aos bons velhos tempos. Não sei se voltava a apostar em Paulo Bento, como ele parece querer fazer, mas, tirando isso, temos que ter confiança no futuro. Um presidente profissional, um treinador que conhece os cantos à casa, um leque base de jogadores que chega e sobra para o campeonato nacional (aos quais é preciso acrescentar jogadores de classe europeia) e uma massa associativa fantástica. Só falta uma coisa: mais ambição.
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