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Navegações

por Luís Naves, em 30.04.09

No sempre excelente Hoje Há Conquilhas, Tomás Vasques refere os números da crise em vários países. O autor não vai além da enumeração do problema, no entanto tenho visto na área socialista tendência para concluir que a dimensão das dificuldades dos outros iliba os nossos governantes de qualquer responsabilidade na actual situação.

A tese esquece um detalhe: quando a Alemanha, a Irlanda ou os Estados Unidos terminarem o período de crise, Portugal ainda continuará a sua. Os nossos problemas não se vão resolver quando o crédito e o consumo recomeçarem a circular. Será difícil atrair investimento externo e recuperar o emprego, mas haverá demasiados desempregados. Teremos de cumprir os critérios do euro e cortar nas despesas, o que até agora ninguém conseguiu. Os subsídios europeus deverão diminuir depois de 2014. O crescimento lento dos últimos anos era sintoma de uma doença mais funda, que não está curada: em conjunto, o País vive acima das suas posses e o dinheiro dos impostos está mal distribuído.

A Alemanha recuperará quando os seus mercados de exportação recuperarem e a Irlanda logo que recomece o investimento internacional. O caso português será bem mais difícil.

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Perdido na tradução

por Luís Naves, em 29.04.09

A influência dos jornalistas na mensagem é um tema que nos levaria longe, mas julgo que o exemplo escolhido neste post de José Pacheco Pereira, que cita outro com a mesma tese, de João Gonçalves, não apenas é errado mas confunde o sintoma com o vírus.

Neste exemplo, houve uma interpretação de uma frase de Manuela Ferreira Leite suficientemente ambígua para ser interpretada de várias formas. Além disso, o PSD enredou-se na explicação da explicação. Perdeu-se a excelente mensagem sobre os problemas do país, escreve José Pacheco Pereira, mas sem razão para o afirmar. Como o Tiago escreve em baixo, a mensagem passou, para quem ouviu a entrevista ou tenha lido os artigos de jornal sobre ela (eu ouvi e li e acho que a mensagem foi clara).

A questão é que a líder do PSD consegue ser eficaz quando fala de economia, mas não o consegue em temas de estratégia partidária, devido às divisões internas da sua formação, de lutas que as lideranças do PSD têm cuidado com carinho e que não foram os jornalistas a inventar.

No futuro, o jornalismo poderá interferir com a mensagem, mas isso não tem a ver com Santos Silva (que no máximo será um político a tentar fazê-lo, como aliás acontece com Pacheco Pereira). Acima de tudo, este não é um fenómeno português e resulta da actual velocidade dos média. Faz parte da natureza das sociedades contemporâneas. Parece-me que esta é a reflexão que falta nos dois posts citados. Quando Obama, Berlusconi ou o Papa não são claros nas suas afirmações, toda a gente tenta interpretar as palavras e a mensagem perde-se inevitavelmente na tradução. Eles devem considerar os efeitos como um erro da sua lavra.

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Se perder, perdi

por Tiago Moreira Ramalho, em 29.04.09

Acredito que porei os teóricos do passoscoelhismo-corta-fiteiro com a cabeça à roda, mas achei a entrevista de Manuela Ferreira Leite excelente. Discordo, portanto, do Bernardo Pires de Lima e subscrevo totalmente o texto do André Abrantes Amaral. No entanto, vou mais longe. Manuela Ferreira Leite é constantemente apontada como uma má comunicadora. É verdade. Não faz parte da sua natureza a política espectáculo e isto não é novidade para absolutamente ninguém. Por outro lado, José Sócrates é tido como o mestre do marketing político. Pessoalmente pensava assim até há uns meses atrás.

A entrevista que José Sócrates deu à RTP mostrou um Sócrates igual, mas entediante. O registo de herói, salvador, pai do povo (não dos povos, que não o tenho assim em tão má conta), de quem sabe de tudo e vai à televisão explicar-nos, a nós e aos jumentos dos jornalistas, que aquilo que defende é o que está certo, aquele tom de professor primário a falar para os jovens pupilos, a mim, e julgo que a muitos mais, já não convence. Passou. Foi novidade durante uns tempos, mas tudo o que é demais enjoa.

Por seu turno, a entrevista de Manuela Ferreira Leite mostrou alguém que, pelo menos, não pareceu estar a pensar na resposta mais polida - se perder, perdi - e deu uma reconfortante sensação de genuinidade, coisa rara na política. Para além deste lado humano, que muitos se calhar não apreciarão, mostrou um discurso sólido e ideias concretas. A diminuição da taxa social única, que me parece ser uma proposta excelente, a recuperação da rede ferroviária nacional, total ou parcialmente, em vez do TGV, a proposta de um verdadeiro corte na despesa pública, já para não falar do desmascarar dos sucessivos pacotes de apoio às famílias que acabam por resultar em nada; tudo envolto numa aura de autoridade na matéria - ela sabe do que fala, pensei quando a ouvi, nomeadamente na parte em que afirmou considerar possível a entrada numa situação irreversível daqui a alguns anos.

Eu sei que José Sócrates tem o carisma, a imagem, o vigor e o facto de ser Primeiro Ministro do seu lado. Eu sei que muitos portugueses ainda vêem o investimento público como uma forma de criação de emprego, a única, ou pelo menos a melhor, e, portanto, defendem essa via, mesmo sem saber as restantes consequências. Mas seria interessante prestar um bocadinho de atenção ao que Manuela Ferreira Leite propõe como alternativa. É verdade que as diferenças não são muitas, não nos enganemos, nem nos deixemos enganar, mas são, quanto a mim, mais que suficientes para se perceber quem deve e quem não deve governar nos próximos quatro anos.

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Por toutatis!

por Luís Naves, em 29.04.09

Sei que os leitores deste blogue já andam deprimidos com os nossos posts, não queria agravar a situação, mas se sobrevivermos ao actual governo, aos candidatos europeus em geral, à crise financeira em particular e sobretudo à gripe mexicana, ainda temos este encontro celestial com o asteróide Apófis. Leiam aqui como o céu continuará a cair em cima da nossa cabeça.

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Tudo ao lado

por Tiago Moreira Ramalho, em 29.04.09

É comovente ler a eurodeputada Ana Gomes mergulhada na sua especialidade: a economia. Melhor é constatar que é a prova viva de que Jorge Coelho está certo quanto à fraca memória na política e nos políticos (sim, porque o PS de Guterres não está em nada relacionado com o défice do princípio da década). A cereja no topo do bolo é comparar a economia portuguesa (nomeadamente ao nível do endividamento em percentagem do PIB e ao nível das despesas do Estado) com as economias ocidentais na sua generalidade. Um must aquele texto.

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A entrevista

por Tiago Moreira Ramalho, em 28.04.09

Ainda não li nada sobre a entrevista, mas normalmente notícias sobre entrevistas acabam sempre por sair uma coisa meio estranha. Por isso, deixo aqui para quem estiver interessado a entervista dada ontem pela Manuela Ferreira Leite ao Mário Crespo. Serviço público, do bom.

 

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Graças do twitter

por João Villalobos, em 28.04.09

@ruitavares MFL queixa-se de ser mal entendida. "Não desista! Somos todos imprecisos" http://is.gd/v8rT

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O oráculo

por Luís Naves, em 28.04.09

Não entendo de política o suficiente para extrair interpretações múltiplas de frases menos claras sobre estratégia partidária, como se esta fosse física quântica. Gosto de coisas simples. Vi a entrevista de Manuela Ferreira Leite à SIC e ouvi a frase que está a ser tão discutida e à qual o João Villalobos alude mais abaixo neste blogue. Na altura, interpretei o que foi dito da mesma forma que refere Carlos Abreu Amorim neste post. A líder do PSD não excluiu nenhum cenário e não especificou as hipóteses que considerava desfavoráveis. Qualquer observador sabe que o resultado das próximas eleições legislativas será incerto e admitirá que o Bloco Central está entre as possibilidades finais. É lícito escrevê-lo e acho lamentável que um líder político seja suficientemente ambíguo para, cada vez que fala, parecer o Oráculo de Delfos e exigir explicadores.

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A Drª Ferreira Leite lá saberá o que diz

por João Villalobos, em 28.04.09

Estou com Marcelo, Passos Coelho, Santana e Morais Sarmento. Não vi a entrevista de Mário Crespo à Drª Ferreira Leite. Na sua compreensível estratégia de autopromoção, a entrevista divulgou o único fragmento que entendeu ser minimamente interessante e digno de menção: A Drª Ferreira Leite terá afirmado que se sentiria «confortável com qualquer solução em que acredite». Leia-se (ou outros leram) uma solução que passasse inclusive por uma coligação com o PS.

Houve quem tratasse a entrevista com o destaque que merece - caso do Público -  e quem lhe desse protagonismo de primeira página - caso do Diário de Notícias. E foi neste  estimável jornal, onde escrevem respeitáveis pessoas desta casa corta-fiteira e também a igualmente respeitável Paula Sá, que li a  citação da Drª Ferreira Leite dizendo o seguinte: «O País está a evoluir para pior». Não pude deixar de reparar que o jornal cita a referida frase como se ela fosse - digamos - normal. Tal como, aliás, foi considerado normal que um dos comentadores de  jogo recente do FCP contra uns gajos estrangeiros tenha afirmado que algo (não me recordo o quê) se tratava de uma «ascensão meteórica».

Enfim...Todo este post  é uma tergiversação tonta e, vai-se a ver,  talvez a Drª Ferreira Leite nem conheça aquele político brasileiro que prometia «O Brasil está à beira do abismo. Comigo vai dar um passo em frente». Vai-se a ver também e talvez a Drª Ferreira Leite acredite mesmo - à semelhança de tantos conservadores por nós conhecidos - que é possível evoluir para pior e, num lapso freudiano, tenha apenas revelado todo o seu horror ao progresso.

Ou talvez, afinal, o que parece seja. Isto é, a Drª Ferreira Leite tenha dito o que disse sem ela própria se dar conta do significado das palavras que proferiu. A ter sido assim, não me parece avisado da parte do DN (ou de outro qualquer jornal) encher páginas de caracteres com os eventuais siginificados das polissémicas afirmações da Drª Ferreira Leite. Pela simples razão de que, lendo bem, elas mesmas - entrevista após entrevista - não evoluem para melhor.

 

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Blogue da Semana

por Tiago Moreira Ramalho, em 27.04.09

O nome é sombrio, parece uma célula de um qualquer movimento monárquico. Nada disso. É o excelente blogue do Henrique Raposo e do Rui Ramos, dois dos melhores comentadores políticos da actualidade em Portugal. O Clube das Repúblicas Mortas vale muito a pena e, por isso, é o nosso blogue da semana.

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Complexos irracionais

por Tiago Moreira Ramalho, em 27.04.09

 

É incompreensível que haja tanta gente neste país a passar noites em claro pelo facto de a Assembleia da República ter feito um voto de congratulação pela canonização de D. Nuno Álvares Pereira. Sim, porque não acredito que consigam dormir de noite, tal é o escândalo e o horror que mostram durante o dia.

A ideia de que a secularidade do Estado está posta em causa devido a isto é tão absurda como julgar que poderíamos estar a prestar vassalagem à Suécia quando nos congratulámos pelo prémio Nobel atribuído a José Saramago. É uma distinção, a maior feita por um Estado, e isso deve ser sempre motivo de orgulho. Do mesmo modo que seria um motivo de orgulho uma distinção feita por uma outra religião ou por um outro Estado.

O pior é que à conta de toda a pressão destes grupos de idiotas, ontem, no Vaticano, Portugal estive unicamente representado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, por D. Duarte Pio de Bragança, pelo Paulo Portas e pela Matilde Sousa Franco. Uma parvoíce, tudo.

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Partidocracia

por Tiago Moreira Ramalho, em 27.04.09

Neste trigésimo quinto aniversário desta nossa terceira República, existe um defeito que lhe é apontado, muito bem evidenciado pelo João Távora: o da manifesta partidocracia. A verdade é que, tirando a extrema-esquerda, onde houve algumas mudanças, o panorama político nacional manteve-se quase estático. Os mesmos partidos, as mesmas pessoas e a asfixiante sensação que o poder está na mão das mesmas pessoas ganhe quem ganhar, que o círculo é restrito e está vedado à alternativa não demagógico-populista. Mas para além do diagnóstico da situação, que se afigura desastrosa e que me leva a mim e não só a temer pelo futuro, é necessário procurar as causas. A verdade é que ao longo dos últimos anos têm surgido alternativas aos partidos existentes, tal como o Movimento Intervenção e Cidadania, o Movimento Esperança Portugal, o Movimento Mérito e Sociedade, o Partido Nova Democracia, o Partido da Terra, o Partido Humanista, o Partido Operário de Unidade Socialista, o Partido Nacional Renovador e provavelmente haverá outros para além dos que referi. O importante é que só aqui há oito partidos, oito, com um espectro ideológico bastante alargado: desde os socialistas do POUS aos nacionalistas do PNR e nenhum tem assento parlamentar.

Muitos imputam as culpas à comunicação social, como se a SIC e a TVI tivessem algum tipo de obrigação para com estes partidos. A RTP, por ser pública, já é diferente. Mas, ainda assim, isto não é motivo suficiente.

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A nossa Europa (5)

por Luís Naves, em 27.04.09

A pergunta certa

Recomendo vivamente este post de Gabriel Silva, em Blasfémias, sobre as perguntas que deviam ser feitas aos candidatos às eleições europeias. Sabemos que não serão estes os temas discutidos, pois a votação transformou-se já numa espécie de mega-sondagem que vai condicionar o período até às legislativas. Mais tarde ou mais cedo, os partidos terão de discutir as vantagens e inconvenientes de um governo económico europeu, do Tratado de Lisboa, da harmonização fiscal, de uma política comum no ambiente, da convergência dos sistemas de segurança social, do imposto a 27, da defesa europeia, da adesão da Turquia. Tudo isto faz parte da discussão sobre o futuro da união. Mas, neste caso, os eleitores continuarão a ver uma eleição interna, sem custos para o utilizador, ideal para mostrar cartões amarelos ou para a abstenção inócua.

Não estou a valorizar, é uma constatação. E, no entanto, com estas ou outras perguntas, Portugal ainda terá um destino europeu, pelo menos nas próximas décadas. Os portugueses parecem não se dar conta disso, que tudo mudou. Em 2006, a mortalidade infantil era de 3,3 por mil nascimentos, contra 17,8 em 1985. No mesmo ano, a educação superior abrangia um terço dos jovens em idade de terminar a universidade; a proporção, dez anos antes, era de 15%. Os números são da OCDE e estes são apenas dois exemplos de mudanças brutais, comuns a quase todos os indicadores. Sim, há excepções: as contas públicas são caóticas, o que se deve ao facto de Portugal não cumprir os critérios obrigatórios da zona euro, algo que não continuará por muito tempo depois da crise acabar.

O facto é que ninguém deseja discutir temas complexos quando a ameaça está à porta de casa. A Europa é difícil de explicar, não dá manchetes e não é de todo sexy, excepto quando se fala nos aspectos anedóticos (por exemplo, que serve para medir bananas). As perguntas sugeridas são as importantes, mas garantiam que a audiência ia mudar de canal.

 

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O coice do dia

por João Villalobos, em 27.04.09

«Se os processos contra jornalistas avançarem mais depressa do que as investigações do Freeport, a mensagem será muito clara».

Mário Crespo, no Jornal de Notícias

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Navegações

por Luís Naves, em 26.04.09

Sempre tive grande admiração pelos bloggers que em quatro ou cinco frases conseguem dizer o essencial. Fazem lembrar os grandes couraçados que podiam resolver uma batalha numa rápida salva de canhão.

Gostava de saber dominar esta arte. Nesta casa há várias pessoas que sabem escrever assim, em poucas palavras, mas isto é sobre navegações e recomendo quatro exemplos recentes da concorrência:

Gosto muito deste autor, João Morgado Fernandes, que um dia me mostrou como é que se fazia isto dos blogues (infelizmente, não aprendi na altura).

Neste exemplo, Filipe Nunes Vicente consegue, numa única frase, sintetizar todo um programa político. A isto chama-se acutilância.

José Medeiros Ferreira é possivelmente um dos grandes mestres nesta arte (tão perfeita para o mundo dos blogues) de saber dizer muito em poucas linhas.

E, finalmente, um exemplo de um autor com quem raramente concordo mas que nunca desilude. Luis Rainha é mordaz e devastador. Veja-se este texto notável.

 

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Leituras de Abril

por Tiago Moreira Ramalho, em 26.04.09

Neste 25 de Abril, mais que escrever, apeteceu-me ler. E li coisas de que gostei e coisas que me desagradaram profundamente. Apenas das primeiras falarei, que para coisas más já chega a memória do passado. Começo picante, com o Miguel Marujo a revisitar os acontecimentos de há 35 anos na sua forma bastante particular. Prossigo com o Rui Ramos a deixar-nos um relato bastante pessoal. E porque não é só o Abril que importa, mas também o que no Abril se faz, sugiro-vos o texto de Vítor Pimenta sobre uma certa praça de Santa Comba. As vivências pessoais são sempre deliciosas, principalmente quando revelam a ingenuidade da época, é disso que nos dá a Ana Vidal. Posso dizer que penso exactamente da mesma forma que Carlos Abreu Amorim, sem tirar, nem por. Não, ainda não acabou, que venha o Paulo Pinto e o seu excelente texto. É agora. Termino com o texto do Tomás Vasques, mais para pensar no futuro, esse gigante ponto de interrogação, que revisitar o passado, esse ponto de interrogação ainda maior.

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Há muito que digo que não percebo a abstenção para as eleições do Parlamento Europeu e vendo o gráfico do Tiago Moreira Ramalho ainda fico mais atónito.
Todos os Portugueses deveriam querer votar nas únicas eleições que servem para mandar políticos daqui para fora.

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Sábias palavras

por Tiago Moreira Ramalho, em 25.04.09

Ramalho Eanes disse hoje que a nossa democracia é "muito eleitoral, pouco participativa, quase nada deliberativa".

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Europeias (1)

por Tiago Moreira Ramalho, em 25.04.09

 

 

O Resultado da Abstenção

 

A primeira sondagem para as eleições europeias em Portugal mostra uma terceira mancha bastante grande: o Bloco de Esquerda. Não é propriamente uma grande surpresa, tal como escrevi neste post, considero que o Bloco tem, à esquerda, a melhor lista. No entanto, julgo que este resultado não se deve apenas à qualidade da lista apresentada. Sim, o Bloco segurou o eleitorado e, provavelmente, captou alguns indecisos, mas ainda assim isso não seria suficiente. A principal razão que encontro para este resultado verdadeiramente extraordinário é a abstenção. Existe um abandono generalizado por parte dos portugueses das questões europeias. Não conhecemos a Europa e não fazemos questão de a conhecer. O resultado é que acabamos por assistir a uma abstenção que rondará, segundo uma outra sondagem, os 75%. Num quadro em que apenas 25% dos eleitores exercerão o direito de voto e em que um partido cria uma lista verdadeiramente capaz de agarrar o eleitorado, o resultado só pode ser este. Parabéns ao Bloco. Os meus pêsames, Portugal.

 

Direitos de autor: gráfico roubado ao João Lopes, grafismo roubado ao Pedro Correia.

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Absolutamente

por Luís Naves, em 25.04.09

Segundo afirmou Vital Moreira, numa entrevista a emitir amanhã, se o PS não tiver maioria absoluta nas próximas legislativas, o Governo "será derrubado à primeira circunstância" e terá de ir a Belém "apresentar a sua demissão".

Pelos vistos, neste país é impossível negociar uma coligação. Os socialistas serão incapazes de fazer cedências, quando se confrontarem com um panorama bem diferente do actual: as sondagens mostram que o PS pode até não ganhar as eleições, sobretudo no caso de continuar por muitos mais meses o actual colapso económico. Se vencer as legislativas, tudo indica que o PS terá de se entender com o Bloco de Esquerda ou com o PSD. Em cada semana que passa, o bloco sobe mais um bocado nas sondagens.

O candidato socialista sabe bem que nos dois anos seguintes a estas legislativas não haverá repetição da eleição, pois a Constituição só o permitirá num curtíssimo período entre Abril e Junho de 2010 (o que não dá tempo para as organizar). Novas eleições só serão possíveis seis meses depois das presidenciais, em Junho de 2012. Sendo Verão, estamos a falar de Outubro de 2012.

Ao saber desta declaração infeliz, lembrei-me da forma como Medina Carreira, numa entrevista à TVI, explicava como foram más para a nossa democracia as maiorias absolutas dos dois partidos. Concordo. Esta gente adora a palavra "absolutamente" e precisa de um banho de humildade.

 

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