Numa altura em que muitos continuam a desvalorizar o chamado "caso Freeport", sugiro uma olhadela ao site oficial da Procuradoria-Geral da República. Quem se der a esse trabalho constata que este ano o Procurador-Geral da República só emitiu quatro comunicados, todos eles sobre o "caso Freeport" ou com ele directamente relacionados: a 10 e 29 de Janeiro, a 9 de Fevereiro e a 31 de Março. No ano passado, até à mesma data, os primeiros três meses do ano, a PGR tinha emitido seis comunicados, nenhum deles sobre o "caso Freeport". A saber: sobre o Grupo de Direcção e Coodenação da Investigação, sobre o caso BragaParques, sobre o duplo homicídio ocorrido em Rio de Mouro, sobre o director nacional adjunto da Polícia Judiciária, sobre a sessão de 11 de Março do Conselho Superior do Ministério Público e sobre o "dossier Madeira". De resto, acrescente-se, no ano passado não houve um único comunicado sobre o "caso Freeport". Nem um.
A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, disse hoje que não há atrasos na distribuição dos Magalhães, computadores que são uma espécie de ícone da propaganda deste Governo. Segundo a ministra, os últimos 150 mil Magalhães vão chegar aos alunos depois da Páscoa. "Não há nenhum atraso, o que há é uma antecipação", garantiu Maria de Lurdes Rodrigues.
Quando hoje soube disto, lembrei-me de uma história que me contaram no fim-de-semana passado e que me chocou, pelos seus contornos rocambolescos. Segundo um amigo meu, as instituições encarregues de distribuir os computadores ficaram a saber que em algumas zonas do Alentejo os Magalhães têm aparecido em feiras à venda por 25 euros...
Sim, leram bem. Famílias que têm acesso a computadores vão depois transacioná-los em feiras e mercados. Eu também não quis acreditar. Mas quem contou não estava a brincar. É o País que temos. Não há ninguém que possa controlar para onde vai o dinheiro dos nossos impostos? Em tempo de crise devia haver ainda mais cuidado com a aplicação dos dinheiros públicos. Somos nós todos que pagamos os computadores que andam nas feiras a ser vendidos ao lado da t-shirt da moda e do DVD pirata.
Longe vão os tempos em que o PCP se assumia como vanguarda da classe operária, agora se olharmos de perto a Lista do PCP ao Parlamento Europeu os grandes arautos da extrema esquerda nacional são, antes de mais, professores sindicalistas, bolseiros associados, funcionários públicos e sindicais:
João Ferreira, logo em segundo lugar, atrás de Ilda Figueiredo, é bolseiro de investigação científica, classe que tem ainda um outro representante seu na lista, Inês Zuber, em oitavo;
Ana Rita Carvalhais, em terceiro, é uma bem conhecida dirigente do Sindicato dos Professores do Centro, da FENPROF e obviamente da CGTP-IN;
Ana Avoila, grande líder sindical da função pública e da CGTP-IN, é sexta;
E também integram a lista: Manuel Rodrigues, FENPROF, de Viseu; Margarida Leça, FENPROF, de Guimarães; Rogério Reis, Professor, do Porto; Carlos Ribeiro, Professor, dos Açores, Margarida Fonseca, FENPROF de Coimbra, Dulce Pinheiro, FENPROF, de Castelo Branco...
Isto é, mais de um terço dos candidatos do PCP ao Parlamento Europeu são professores e sindicalistas de topo. O primeiro e único operário da lista é Adelino Nunes, dirigente sindical dos metalúrgicos, em 25º. Um pescador, José António Amador, é 28º (candidato suplente).
Também estão na lista, claro, dois habituais “compagnons de route” dos Verdes, além dos carismáticos Padre Edgar Silva, resistente, e mártir, na Madeira, que ocupa a 7ª posição, e José Saramago, o grande escritor, em 10º.
Ficamos à espera das outras listas, em especial a do Bloco de Esquerda, cujo directório máximo de dez membros, tem oito professores e dois jornalistas.
Concordo inteiramente com o que escreve João Gonçalves neste post.
A oposição deve fazer o juízo político dos quatro anos de governação, não deve alimentar a estratégia de vitimização do primeiro-ministro. O caso Freeport pertence à justiça e deve ser discutido nesse contexto.
Nas próximas legislativas estará em causa aquilo que aconteceu nos últimos quatro anos. Os portugueses vivem melhor do que em 2005? A fragilidade anterior da economia não tornou mais grave a crise internacional? Foram feitas as reformas de que o País precisava? Mentiram-nos ou disseram-nos a verdade? Aproveitou ou não o PS a sua maioria absoluta para se apoderar de muitos sectores da sociedade? A oposição apresenta alternativas ao actual poder?
Estas é que são as perguntas.
Dire Straits, «Why Worry»
Fiquei a saber pelo Paulo Querido, via Twitter, que o jornal Público lançou um blogue especial para a cobertura das três campanhas eleitorais deste ano. Carlos Santos, Gabriel Silva, Luís Novaes Tito, Tiago Azevedo Fernandes e o próprio Querido são os autores dos posts.
Pela segunda vez em duas semanas, dei comigo a ver o programa de entrevistas de Alexandre Lencastre, na TVI24. E gostei, mais uma vez. O entrevistado era Marcelo Rebelo de Sousa, pelo que acabei por ficar literalmente agarrado ao programa. Alexandra ajuda. Faz perguntas e deixa falar, o que é um descanso. Não quer intervir e fazer-se notada como outros entrevistadores da concorrência.
Marcelo Rebelo de Sousa, esse, esteve igual a si próprio. Assumiu-se como "cristão heterodoxo", tendo dito que para ele dar aulas era como rezar. Pecador confesso, disse que o seu único medo era passar muito tempo no purgatório. Marcelo evitou falar de política e do PSD, só o fez quando disse que ia responder às perguntas "com verdade" glosando com o lema da sua líder, e deixou para o fim o melhor: "tenho mais vocação para primeiro-ministro do que para Presidente da República". Mas Cavaco Silva também tinha, como lembrou, e bem, Marcelo. O professor está nitidamente a fazer a rodagem para um dia avançar para Belém.
Assisti, ao longe, ao congresso do Sporting Clube de Portugal, em Santarém, de onde parece ter saído uma espécie de vaga de fundo a favor de uma recandidatura de Filipe Soares Franco. Com José Eduardo Bettencourt fora da corrida por razões profissionais, muitos estão a virar-se para a continuidade de Soares Franco, o que não me parece uma boa ideia. A tese começou a correr e ainda não ouvi o actual presidente dizer se aceita continuar depois do que se discutiu no congresso - muito pouco, aliás, à semelhança de alguns congressos partidários.
Mais importante foi, no entanto, uma corrente que começa a ganhar força para que o Sporting evolua para uma administração e gestão mais moderna. É óbvio que algo tem que mudar no clube. Não sei se o modelo de governance é ou não o ideal, mas parece-me evidente que o clube tem que definir melhor se faz sentido manter uma SAD com três ou quatro almas que mandam em tudo e mais de uma dezena de membros do conselho directivo, que são, na maior parte, meras figuras decorativas.
Concordo com Bettencourt e Rogério Alves, que ontem defenderam, na TVI 24, que o próximo presidente do SCP deve ser pago e deve ter uma equipa mais pequena e mais coesa. Já não concordo com a ideia, que aliás mereceu também a aprovação de Ernesto Ferreira da Silva, da próxima direcção manter a todo o custo o actual treinador, Paulo Bento. Nem acho que se deva sacrificar tudo com a perspectiva mirífica de estarmos a apenas quatro pontos do líder. Dificilmente lá chegaremos e as derrotas humilhantes que o Sporting já sofreu esta época vão pesar muito mais na História do clube do que qualquer sonho de chegar ao título. É preciso recentrar a discussão: primeiro, o clube, depois o novo presidente, a nova direcção e, por fim, um novo treinador. Nenhum destes patamares pode ser esquecido. Quem pretenda saltar um deles comete um erro estratégico.
Haverá sempre esmeraldas
As notícias dizem que a situação internacional é bem mais grave do que se supunha. Aliás, ao longo dos últimos meses temos tido surpresa atrás de surpresa: em cada momento, a situação é sempre pior do que se supunha. Os próximos dias serão importantes para o futuro do capitalismo e a sequência desta crise, com a reunião do G20.
Numa cena de A Cidade e As Serras, de Eça de Queiroz, um banqueiro tenta convencer a personagem principal, Jacinto, a investir numa exploração de esmeraldas algures na Ásia. Jacinto duvida e pergunta se foram feitos estudos, se encontraram esmeraldas. E o banqueiro responde: “Há sempre esmeraldas desde que haja accionistas”.
Certas coisas não mudam e talvez haja sempre esmeraldas. Mas foram capitalistas assim que nos trouxeram ao ponto onde estamos. Por outro lado, este será um daqueles momentos da história que mais tarde produzem a sensação de termos vivido algo de invulgarmente intenso. Os acontecimentos precipitam-se sem aparente relação entre si. Tal como aconteceu em outras ocasiões: após a queda do muro de Berlim, por exemplo, ou no final da década de 60 e início de 70, nos anos 30 ou antes da Primeira Guerra Mundial, nas décadas de 70 e 40 do século XIX, em sucessivos saltos de 20 ou 30 anos.
A consciência de termos vivido a História surge mais tarde, mas pelo menos desta vez não podemos ter a atitude de Jacinto e dizer "que é tudo uma seca".
Por lamentável erro, indisfarçável ignorância, chamei Joaquim à personagem Jacinto de Eça. Fica a correcção.
Voltámos à fase das contas neste cada vez mais falhado apuramento para o Mundial. Não precisamos de um seleccionador: precisamos antes de um bom contabilista.
Eu confesso aqui e agora que não aderi ao apagão ecológico que ontem se fez em Lisboa, à imagem do que se passou noutras cidades portuguesas e estrangeiras. Não o fiz por várias razões. A primeira: tinha um jantar em casa e não dava muito jeito fazê-lo à luz das velas entre as oito e as nove da noite. Mas a razão principal teve a fazer com o desperdício energético que existe nesta cidade e que me leva a pensar que António Costa só pode estar a brincar quando associa a capital a esta iniciativa. Um pouco por todo o lado a Câmara Municipal de Lisboa dá o exemplo oposto, ao deixar candeeiros acesos durante dias inteiros.
Não nos podem pedir para fecharmos as luzes de nossa casa, que somos nós que pagamos, quando a CML, gerida com o dinheiro dos nossos impostos nacionais e municipais, desperdiça energia. Não brinquem connosco, nem todos querem fazer figura de parvos. Quando quero economizar energia faço-o por vontade própria e não por causa de modas.
1. "Ainda estamos no intervalo...", do Afonso Azevedo Neves.
2. "As vaias nunca deram longevidade política", do Paulo Pinto Mascarenhas.
3. "A night at the opera", do Pedro Sales.
4. "Novo?", de Gabriel Silva.
5. "Breve nota acerca das pressões sobre os magistrados portugueses", de Carlos Vidal.
Queiroz disse no final do jogo que ainda podemos ir buscar pontos aos resultados dos outros. O que ele quer dizer é que temos melhores hipóteses de passar quando não estamos dependentes das decisões dele.
Não me parece estranho não irmos à África do Sul. Desde 1400* que Portugal tem problemas em dobrar o Cabo das Tormentas.
* (Uma adenda para os "chatos" que se irritam com tudo e já vieram comentar a falta de rigor no ano que Bartolomeu Dias dobrou o cabo. Desde 1400 no sentido de "desde há uma data de anos". Falo dos problemas que tivemos para o dobrar não do ano que o fizemos. Se quisesse o ano exacto saberia. E mesmo que não, sei fazer google)
Cristiano Ronaldo filosofando após o Portugal-Suécia (0-0) desta noite: "A bola não quis entrar. Futebol é assim: por vezes a bola não entra."
Tão bom a filosofar como a jogar pela selecção. Melhor que ele, só mesmo Carlos Queiroz a organizar a equipa contra o poderosíssimo onze sueco, pondo Deco a suplente. Na noite do apagão planetário, nada mais adequado. Com o resultado que sabemos.
1. "Ça Va De Soi", do João Gonçalves.
2. "Estamos no Intervalo", do Afonso Azevedo Neves.
3. "Olhó DVD Pirata", de Tony Almeida.
4. "TVI Divulga DVD, na posse da polícia inglesa (...)", de Mário Carneiro.
5. "Freeport, Sócrates e Smith", de Orlando Castro.
O Miguel Esteves Cardoso passa a partir de agora a escrever no Geração de 60. Grande aquisição, sim senhor.
O Insurgente tem um blogue sombra. Eu também quero!
Que me desculpem José Sócrates e a TVI (mais) um post umbiguista mas amanhã a partir das 10.00H vai para o ar na Antena 1 «Hotel Babilónia», programa do Pedro Rolo Duarte e do João Gobern, reunindo a conversa com um grupo divertido de Facebookianos no qual me incluo.
Falámos de para que serve, não serve e servirá esta rede social e tive a oportunidade de rever o João, meu ex-director no Se7e e uma pessoa única por muitas razões, todas elas amáveis e estimáveis. Já quanto à sua selecção musical no programa, as amizades ficaram um bocado à parte. Acordai cedo e "ouvide" que não vos arrependereis.
Na sequência deste post que escrevi ontem, gostaria de informar os leitores do Corta-Fitas que o Bloco de Esquerda vai retirar este fim-de-semana o cartaz em causa. Segundo uma fonte oficial do BE, com quem me dou muito bem (um tipo impecável), o cartaz já tinha recebido críticas de outras crianças, para além do meu filho. Mas ninguém ainda tinha feito nada. Não sei se foi do timing ou da denúncia, mas o BE revela bom senso político ao tirar das ruas aquele outdoor. E eu sou insuspeito de estar aqui a ceder ao elogio fácil...

Rute Penedo, «1ª playmate nacional», via JN.
Para a próxima era boa ideia mencionarem quem é o fotógrafo. Aliás, num projecto destes não entendo que apenas se fale nos nomes dos colunistas.
Flight of the Concords, «Friends» com um obrigado à Ana_Ana_Ana

Mónica Sofia, capa da 1ª edição da Playboy portuguesa. Disseram-me que lá dentro não há nu integral, mas ainda não tive ocasião de confirmar.
«Os liberais originais conceberam um mundo sem tiranos, e tinham um certo idealismo, dentro do qual exploraram as possibilidades de um mundo que então não existia.
O que no seu contexto histórico foi revolucionário, embora a sua posterior aplicação tenha tido toda a espécie de consequências, incluindo a emergência da sua nemesis: o socialismo, como contramovimento.
Já o neo-liberalismo é um projecto de poder, onde a liberdade é a retórica, mas a realidade é apenas outra tirania. Ao contrário dos liberais, os neolliberais não têm a desculpa de não saber ao que levam as suas ideias.»
L. Rodrigues em comentário ao meu post anterior.
Agora experimentem assim:
«Os socialistas originais conceberam um mundo sem tiranos, e tinham um certo idealismo, dentro do qual exploraram as possibilidades de um mundo que então não existia.
O que no seu contexto histórico foi revolucionário, embora a sua posterior aplicação tenha tido toda a espécie de consequências, incluindo a emergência da sua nemesis: o "neoliberalismo", como contramovimento.
Já o neo-socialismo é um projecto de poder, onde a liberdade é a retórica, mas a realidade é apenas outra tirania. Ao contrário dos socialistas, os neo-socialistas não têm a desculpa de não saber ao que levam as suas ideias.»
Se desde que o Liberalismo foi pensado pela primeira vez (se é que foi realmente pensado pela primeira vez alguma vez) existem liberais, porque é que agora se chamam neoliberais?
José Medeiros Ferreira mantém intacta a capacidade de análise que o celebrizou: "Vendo as imagens chega-se à fácil conclusão que a bola não foi jogada pela mão do peitudo Silva. Falta mal assinalada portanto. Como tantas outras. Faltavam vinte minutos para o fim da partida. Ninguém mais pensou em desempatar. As substituições indicavam que os dois treinadores, que dão o seu melhor a comunicar com o público, lançavam em campo os tecnicistas da marcação de grandes penalidades."
No futebol como na política, eis o nosso principal defeito: passamos a vida à espera que tudo se resolva com uma grande penalidade.
Minhas senhoras e meu senhores, esta sim é uma alegoria bem feita. Daniel Hannan no Parlamento Europeu, cara a cara com Gordon Brown.
[via 31 da Armada, via O Insurgente]
É inegável que o Bloco de Esquerda sabe fazer marketing político e que é um partido (ou uma federação de partidos) com uma mensagem clara e com apoio junto de um certo eleitorado de esquerda. Mas a última campanha do BE é, a meu ver, um desastre. O grupo liderado por Francisco Louçã tem nas ruas um outdoor que me suscita muitas dúvidas quanto aos efeitos colaterais que pode causar. Passo a explicar: há dias passei de carro por um desses cartazes e o sinal virou encarnado. O meu filho de cinco anos, esperto como tudo, disse-me do banco de trás: "Ó Pai, não se deitam crianças no lixo, o que é aquilo?"
Olhei com mais atenção para o cartaz (aqui reproduzido) e de facto a leitura visual oferece-se a várias interpretações, sobretudo para as crianças. É que a figura do suposto patrão é maior que o suposto empregado, logo, para uma criança, trata-se de um adulto e de uma criança. Má produção para explicar uma ideia. De resto, acrescento que o meu filho também se pronunciou sobre o símbolo do Bloco de Esquerda: "Pai, as estrelas não têm cabeça!"
Está visto que o Francisco Louçã, ou os seus sucessores, não têm ali um futuro eleitor...
A propósito desta notícia:«Qimonda Portugal declara insolvência», repesco aqui sem prazer algum o post publicado a 27 de Janeiro:
«Por mais que Manuel Pinho desejasse que não, a Qimonda já era. Quem passou por vários processos como este, sabe que declarações como as que constam desta notícia servem apenas de paliativo para o inevitável. O porta-voz do processo de falência, Michael Jaffe, diz que aguarda que surjam “investidores fortes”. Como as coisas estão, bem pode aguardar sentado. Aliás, ele provavelmente aguarda é que Pinho faça esse milagre por ele.
Em lugar de brincar com a esperança dos trabalhadores, era bom que o ministro focasse o seu discurso no plano social para os mesmos, em conjunto com os responsáveis da empresa: Indemnizações justas, um programa de outplacement, um gabinete de apoio psicológico aos colaboradores e famílias... Não se pode travar o inevitável. E muito menos com cortinas de fumo. Para todos aqueles que trabalham na Qimonda, desejo o melhor possível. E se eu estiver enganado e esta for a excepção à infeliz regra, melhor ainda. Desde que isso não suceda, claro está, à custa de mais panaceias e injecções de capitais públicos».
Espero, agora, que o Governo aplique as medidas sociais juntos dos trabalhadores e das suas famílias que, entretanto, certamente foram preparadas ao longo destes meses. Ou não?
Confesso que nos primeiros dias achei a TVI 24 mais do mesmo. Ou seja, não fugia muito ao conceito que a SIC Notícias implementou e que a RTP N também acabou por seguir. Falta de atenção minha. Nos últimos dias, em pleno gozo de folgas, acabei por ter mais tempo para dar uma vista de olhos na estação e ver, do princípio ao fim, alguns dos programas da grelha. E fui agradavelmente surpreendido. Por exemplo, achei um piadão à entrevista que Alexandra Lencastre fez a Manuela Moura Guedes. Excelente clima, respostas sinceras e desconcertantes, um óptimo momento de televisão.
Depois, ontem estive a ver a entrevista que a Constança Cunha e Sá fez ao prof. Adriano Moreira. Numa palavra: Excelente. Sei que sou suspeito porque sempre gostei do estilo e do jornalismo que a Constança praticou ao longo dos anos, mas a entrevista de ontem passou das marcas. Foi um consolo, aquela entrevista. Adriano Moreira a falar de Marcelo Caetano, do Antigo Regime e da Primavera Marcelista. Com uns brindes pelo meio, como a sua relação com Salazar, com Caetano e alguns desabafos, caso da noção que chegou a ter de que Antunes Varela teria dado um bom sucessor em 68 quando o presidente do Conselho caiu da cadeira. Tiro o chapéu à confissão que Adriano fez de que teria sido excessivo quando uma vez falou mal a Caetano, no seguimento de diatribes entre os dois.
Não contente com isto, a seguir vi o programa do António Peres Metelo, intitulado "Contas à Vida", com Jorge Braga de Macedo e Joaquim Pina Moura. Mais uma vez, uma lufada de ar fresco. Emitido mais ou menos à mesma hora em que um canal concorrente tinha no ar um programa de economia com, pasme-se, os omnipresentes (e soporíferos) Augusto Santos Silva e Paulo Rangel. A TVI 24 deu dez a zero. Gosto da sobriedade e do estilo técnico do José Gomes Ferreira, mas aqueles convidados não estão com nada. Santos Silva está em todo o lado e Rangel tinha estado uma hora antes com Mário Crespo em horário nobre e no mesmíssimo canal! De resto, Braga de Macedo comprovou a razão para alguns lhe chamarem "adiantado mental": conhecedor das matérias em causa e extremamente criativo, o antigo ministro das Finanças é um caso sério em televisão. Qualquer dia está a fazer sombra ao seu colega de curso Marcelo Rebelo de Sousa... Sem dúvida, ambos de 19 valores.
P. S. - Há uma coisa à qual ainda não me habituei na TVI 24: os décors! São simplesmente pavorosos... Aquela lareira no programa de Alexandra Lencastre não tem nome. Nem explicação.
Hoje às 22.00H, no Blues Cafe, a Exame comemora o seu 20º aniversário com Pinto Balsemão na bateria, acompanhado por Daniel Proença de Carvalho e António Pinto Barbosa. Tentem entrar, mesmo sem convite, porque uma coisa destas não se perde.
Estava aqui no café a ver a televisão sem som e aparece o PM com um púlpito a dizer «Plano para Salvar a Indústria da Cortiça». Para além da Corticeira Amorim, esta indústria envolve exactamente quem? O PM não lê a revista Forbes, ou quê?
Há uns dias, quando se retirou o anúncio da Antena 1 do ar por, diz-se, atentar contra o direito à manifestação, escrevi que era censura. E era. No entanto, a caixa de comentários é óptima para nos repensarmos e o facto de ser uma estação pública condiciona invariavelmente a sua actuação, por isso, neste momento considero que foi um mal menor o que se fez.
Chegado eu a esta conclusão, vou ao site do Público e leio que o BE utilizou o spot para um vídeo a apelar à manifestação (vídeo que está em cima). Coisa normal: partido político apela à manifestação. O problema, está no conteúdo do vídeo. Começando pela forma como se refere ao "patrão", figura tipo de todos os patrões no entender do Bloco, completamente sem sentido: "o patrão está contra si e contra o resto dos trabalhadores"?! Mais discurso populista, daquele a que já estamos habituados. Mas a cereja no topo do bolo é, a frase final: "a produção passou para a Eslováquia". Este é, quanto a mim, o tipo de discurso xenófobo que, esse sim!, atenta contra a Constituição e que nenhuma estação, pública ou privada, deveria passar. A haver politicamente correcto, pois que haja sempre: anúncios que apelam ao ódio (o Estaline também fazia umas coisas giras nesta área) e à xenofobia não deveriam entrar-nos em casa.
Deus abençoe os mártires sportinguistas, deles será o reino dos céus.
"Sócrates promete 40 mil estágios profissionais"
O que não bate certo nesta frase? Será: Socrates promete? Será o número parecer-se demasiado com os outros 140 mil? Será a frase toda?
Textos como o do Miguel Somsen, aqui em baixo, fazem-me ainda crer no futebol como sinónimo de desporto. Em perfeito contraste com as atitudes de Lucílio Baptista, que vem reconhecer que errou sem pedir desculpa aos espectadores que acompanharam a final da Taça da Liga no estádio ou em casa, vem diluir as suas responsabilidades num suposto parecer do seu auxiliar que só ele terá ouvido e vem reconhecer que não se apercebeu do facto de Pedro Silva lhe ter dado um forte 'encosto' com o peito, o que só comprova que não estava em condições de arbitrar aquele jogo. Quanto mais fala, mais se enterra. E o problema maior é que pessoas como ele enterram também o futebol com isto.
ADENDA - Não têm faltado portistas e até benfiquistas a reconhecer, com isenção, que não houve verdade desportiva nesta final. Como este. Ou este e este. E até este. Mas estranho o silêncio deste.
Que tal uma revisão constitucional que ponha termo a isso do Provedor de Justiça?
O João Tunes vem acusar-me, na caixa de comentários deste post, de ter "roubado o direito ao uso da inteligência por parte dos benfiquistas". Isto, vejam lá, porque me atrevi a escrever que o árbitro Lucílio Baptista, ao inventar um penálti, lesou o Sporting num título que vale um milhão de euros, roubando-lhe a vitória em campo e concedendo "um generoso brinde" a seis milhões de benfiquistas. É uma "indignação primária", assegura ele, dando a entender que ninguém embandeirou em arco com este monumental esbulho. Sugiro-lhe uma espreitadela a este blogue antes de chamar primários aos outros. E assim, sobre este assunto, ficamos conversados.
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