Elis Regina, «O bêbado e a equilibrista»
Confessava eu há umas horas que na semana passada houve notícias que me passaram ao lado. Foi o caso desta. A primeira das muitas que se publicaram sobre o caso já conhecido por Lisboagate. Por ter sido assinada por alguém cá da casa, esta minha omissão carecia de urgente reparo. Fica aqui feito, Francisco. Boa cacha!
"Levado aos seus extremos mais sanguinários, o islamismo integrista recorda-nos, sem dúvida - pela sua impermeabilidade ao pensamento crítico, pelo seu desprezo pela vida alheia, pelas suas pretensões de extermínio daquilo que odeia e pelo seu culto da morte, incluindo o suicídio - os piores traços dos totalitarismos que assolaram a Europa no século passado."
Fernando Savater, A Vida Eterna
Eis uma palavra que para mim não tem cor. «Sempre». Não acredito que «sempre» porque já sepultei eternidades mortas e até apenas feridas. Mas acredito que «agora». Ou que «ontem», se ainda estiver fresco na memória, esta memória que treinei para que consiga apagar os seus rastos como um índio.
A foto da estátua da Peixeira, em Vila Franca, foi publicada pelo Confrade Carneiro Aqui
A condenação do Dr. Jardim, por ter crismado de peixeirada uma opinião crítica da Eurodeputada Estrela suscita alguns reparos. Assim, não se percebe como pode ser considerada moralmente danosa a comparação com a actividade ou as características de uma profissão honesta, como é a das Peixeiras. Por outro lado, o Tribunal parece não ter admitido que, no caso de a referência haver sido feita a uma marca constatável nessa categoria social, louvando muito embora o escrúpulo da ex-Edil sintrense em não querer enfeitar-se com penas alheias, deveria ter determinado a indemnização à classe profissional que deteria o copyright da conduta.
É mais uma injustiça contra os mercadores de peixe. Coisa antiga, se pensarmos que o termo sakana significava precisamente esse ofício, em Japonês, tendo sido importado para o nosso idioma, pelos Descobridores, com a adulteração que se conhece...
“Agora, uma viagem aérea pode ser comprada e o check in feito em máquinas automáticas on line. Já é possível em vários estabelecimentos comerciais usar caixas automáticas, em que é o próprio cliente a registar as suas compras em scanners de códigos de barras e a fazer o pagamento. Com o self-service, as empresas tornam-se mais competitivas. Há já o exemplo dos call centers. E há outras vertentes. A primeira é a apetência que um certo grupo de consumidores, os early adopters, tem por experimentar e testar novas formas de oferta. E apenas 5 por cento de clientes de supermercados se recusaram a utilizar serviços de self-checkout. O feedback dos clientes é muito positivo porque o self-checkout permite uma passagem em caixa mais rápida, sendo que o sistema é user-friendly. Mas falta ainda uma espécie de incentivo, como um voucher que desse descontos, e colocar pequenos chips nos produtos, cuja informação pode ser lida automaticamente.”
Vivi para este dia?

"Elogio do Passeio Público abre um capítulo novo na literatura portuguesa contemporânea", por Baptista Bastos
Depois deste ano ter visto, pela primeira vez, no Algarve, aviões sobrevoando a praia promovendo a leitura, constato, ao tomar uma meia de leite, que as editoras também apostam num simples pacote de açúcar. Até deu pena rasgar o pacote... afinal estaria a torturar a capa de um livro.
E porque não um spa em Auschwitz? De Rui Bebiano, n' A Terceira Noite.
Divórcio. De Sofia Vieira, na Controversa Maresia.
Dia mundial da raiva. De Filipe Nunes Vicente, no Mar Salgado.
O socialismo traído. De Tomás Vasques, no Hoje Há Conquilhas.
Retrato de um regime. De Gabriel Silva, no Blasfémias.
Arranja-me uma casinha II. De Pedro Sales, no Arrastão.
O primeiro debate: empate técnico. De José Gomes André, no Bem Pelo Contrário.
Palin e os homens. De Sérgio Lavos, no Auto-Retrato.
Ruy Belo por Mexia. De Pedro Picoito, n' O Cachimbo de Magritte.
Um dos mais belos palacetes portugueses fica na Tailândia. De Miguel Castelo-Branco, no Combustões.
Como começou? Não sei, estive uns dias desligada. Mas pareceu-me que foi por uma conjugação de factores. Inimigos políticos de Santana Lopes, que o quiseram encostar à parede antes que pudesse avançar novamente para a presidência da Câmara Municipal de Lisboa, e o despeito de um funcionário camarário que decidiu denunciar favores feitos a colegas seus.
Em regra, só assim é que as irregularidades do sistema que todos conhecem, aceitam e até (alguns) aprovam com condescendência, se comentam em sede pública.
Notícia? A atribuição, digamos, irregular de fogos camarários a amigos, familiares e figuras públicas não é notícia para ninguém.
Candidamente Pedro Feist, em declarações ao Expresso, assumiu que desde que é vereador na C.M.L., há cerca de 30 anos, sempre foi assim. A banalização das irregularidades torna-as quase límpidas. Das suas palavras ressalta uma honesta surpresa por tanto barulho acerca de uma prática que salvo algumas excepções, até era simpática.
Ana Sara Brito, a actual vereadora da Habitação, acusada de ter usufruído durante vinte anos de um contrato de arrendamento estabelecido em 1987 com Krus Abecasis, vem agora a público dizer que está de consciência tranquila. O seu contrato de arrendamento de um apartamento no centro de Lisboa foi feito "de acordo com os critérios da época", afirma.
José Sá Fernandes, vereador do Bloco de Esquerda, apoia-a, confirmando as suas declarações. Ruben de Carvalho, vereador comunista, faz notar que neste caso "não há nenhuma irregularidade, porque não há regularidade" e opõe-se à ideia de retirar pelouros à sua colega de câmara.
António Costa não comenta o que foi feito no passado, mas garante que mudou o sistema que conferia poderes discricionários aos vereadores da Habitação na atribuição de casas e rendas. João Soares, ex-presidente da C.M.L., desvaloriza tudo, dizendo que não vai passar de fumaça. Carmona Rodrigues, outro ex-presidente , não fala sobre este assunto. Santana Lopes e Helena Lopes da Costa, já intimados a responder sobre a atribuição do património disperso pelo município lisboeta, espantam-se.
É que sempre foi assim! Porquê isto agora??
Uma história bem à portuguesa, que acabo de ler no Correio da Manhã. São casos destes que continuam a fazer deste país um imenso pátio das cantigas, mesmo sem Ribeirinho nem Vasco Santana.
Pânico em Wall Street
O mundo vai olhar com angústia para a evolução das bolsas nos próximos dias, pelo menos enquanto não houver um plano de salvamento dos mercados financeiros. Ontem, em Wall Street, volatilizaram-se 1,2 biliões de dólares (algo como 800 mil milhões de euros), muito mais dinheiro do que o custo do plano proposto por Bush. As consequências políticas também serão importantes: John McCain não deverá vencer as eleições, pois apostou demasiado no êxito do plano de salvamento, tendo sido abandonado pelo seu partido. A votação de ontem mostrou o pânico entre os republicanos, que estão sob ameaça de serem trucidados nas eleições para o congresso.
Mas a crise deve ser colocada na sua verdadeira dimensão. Está longe de ser o fim do capitalismo e não passa de uma das suas convulsões regulares.
Ontem, a bolsa de Nova Iorque caiu 7%. Os EUA têm uma taxa de desemprego de 6,1% e o ritmo de crescimento económico, este ano, deve atingir 1,6%. O país nem sequer está em recessão. Em comparação, o crash de 1987 representou uma quebra de 22% num só dia. Em 1929, a bolsa caiu 48% em dois meses, iniciando um fenómeno de depressão económica que originou, entre 1930 e 1932, uma nova queda de 86% no valor das acções. A grande depressão foi acelerada por um colapso bancário que destruiu as poupanças dos americanos e levou milhares de negócios à falência. O desemprego chegou a 30%. O contexto era também muito diferente. Não houve intervenção para salvar bancos e deu-se um colapso do sistema de comércio internacional. Nessa época, havia um bloco comunista e a crise alimentou a emergência de um bloco fascista, muito agressivo, que iria mais tarde provocar a guerra mundial.
No passado houve outras quedas bolsistas, sempre associadas a crises. A mais recente recessão foi entre 2000 e 2002. Tudo indica que esta será séria, talvez mais profunda e mais prolongada do que a anterior. Mas, no fundo, depende de tantos factores, que ninguém pode ter certezas.
Fica bem a António Costa defender a sua equipa, mas fazê-lo ao limite numa situação tão patética como aquela em que a senhora está metida - a vereadora da habitação beneficiou durante décadas de casa atribuída pela CML - é mais uma desilusão para os que vêem nele um sucessor de Sócrates.
Quando o New Deal foi decidido muita gente o contestou, acusando-o de inspiração nas políticas desenvolvimentistas de Mussolini, o que, para os ultra-liberais era crime monstruoso. Resultados efectivos e uma propaganda superior determinaram um novo princípio tácito dominante - a excelência e intangibilidade do Mercado, salvo quando tudo parecesse em decomposição, altura em que o Estado Federal poderia passar de vilão a super-Herói, evitando a derrocada com controlos e subsídios astronómicos.
Até ontem.
O que levou 133 Republicanos e 95 Democratas a contrariar os acordos e instruções das suas bancadas num assunto tão sério? À partida, a Câmara, ao contrário do Senado, é terreno mais favorável à "pureza ideológica" do que ao compromisso. Vendo os nomes, tem, porém, de ser mais do que isso. Entre os Dems há razoável coincidência entre os votantes sim e a ala mais solidarista. Porém, no GOP, a confusão é total, com muitos falcões económicos, quase libertários, a aprovar, e outros, menos esperados a recusarem. E se formos ver os candidatos que procuram desalojar parlamentares deste partido, também alguns esquerdistas Democratas desautorizaram a sua mais alta voz, a Speaker Pelosi.
É que esta cometeu um erro: quis que Obama aparecesse como um dos salvadores da Pátria e jogou-o para a frente, nas negociações com o Presidente, para que a este não ficasse reservada a exclusividade do feito. O problema é que, subitamente, a intervenção se revelou impopular, por significar carga enorme para os cofres públicos, à custa do contribuinte. Como a situação de perda ainda não se tinha generalizado, ao contrário de 1929, imperou o egoísmo sádico da sagacidade investidora, em que cada indivíduo acha não estar disposto a verter um dollar pela imprudência das aplicações do vizinho, Este sentimento de que é perder ao jogo fez, subitamente, muita gente escutar o canto de sereia que teoriza serem estas falências e desconfianças uma sangria que, pela santidade automática do livre funcionamento, devolverá a saúde ao animal que é o Mercado.
Pelosi não resistiu a, no discurso de apresentação da proposta resultante do acordo, culpar Bush e a desregulação da área financeira. Os mais empenhados garantes da impermeabilização ao Estado podiam tolerar o ataque à Casa Branca, de cujo ocupante sempre desconfiaram, por aumentar a despesa e a burocracia, com ele tendo entrado em conflito abafado nos casos Lott e Myers. Mas era demais pedirem-lhes que aguentassem uma diatribe contra os seus artigos de fé. Quando se juntam o extremismo do ideário de uns ao utilitarismo eleitoral de outros está reunido o material para catalisar a revolta.
O que tinha parecido uma abdicação inexplicável de protagonismo por McCain, na negociação do pacote que se pretendia panaceia, passou subitamente a ratice política e o seu principal conselheiro económico já veio a público culpar Obama, por ter responsabilidades neste falhanço retumbante. A situação está tão confusa que é impossível prever se a estratégia pagará e se, como poderia parecer, é esta a última oportunidade de passar novamente para a dianteira.
Caro Paulo: Tenho por hábito «consumir» toda a informação que me transmitem com «moderação». Vamos, pois, admitir que no PSD não vai esse «pandemónio» que os mentideros disseminam por entre os interstícios do silêncio de MFL. Nesse caso, vai o quê? Antecipadamente grato pela resposta, mantenho-me, ao seu dispor, aquele que se subscreve com toda a estima. Eu.
Belo título do The Economist, aqui reproduzido no La Gazette du Maroc que, na primeira página, esclarece: "2009, l'année de la crise mondiale". Parece que o mundo está de acordo sobre o nome da coisa: crise.
Esta noite comemora-se, no calendário judaico, o Rosh Hashanah. A todos aqueles que vivem a passagem para o ano 5769, desejo um ano feliz. «Abençoado seja o Senhor Deus, Rei do Universo, que criou o fruto da vinha».
O Bom Gigante (de Beja)
O que me faz espécie é o Sr. Stephane Rousson ter achado que poderia ser senhor de pedalada para atravessar o Canal da Mancha em balão. Queixa-se de ventos contrários, mas essa é apenas uma defesa natural da Albion contra os invasores ditos froggies. Por volta de 1800, o projecto fantástico de Thilorier, ao lado, visando, através do balonismo, transportar exércitos inteiros para invadir a Inglaterra, fez com que grande parte da oposição se unisse ao governo de Pitt. A coisa não passou adiante. Acredito que um solitário desportista não fosse capaz de causar tamanha ondulação política, mas unicamente porque é vencido por uma primeira barreira, a aragem. Past and Present não andarão assim tão distantes...
A leitura deste texto de Miguel Sousa Tavares fez-me pensar sobre a responsabilidade dos comentadores. A opinião é do autor, mas a um leitor atento não escapará a premissa ilógica em que se baseia a prosa. O que mais me interessou neste texto não foi a sua leviandade e contradições internas, mas outros dois aspectos: o anti-americanismo primário, que conduz à conclusão (“visionária”) da Europa ser construída contra a “perigosa” América (fonte de todos os problemas); e a sensação de perigo iminente, uma espécie de hipocondria europeia, que a meu ver, está na origem do populismo que nos vai dominando.
Anti-americanismo primário
Há mil razões para não se gostar da administração Bush, mas penso que em muitos autores uma transição na Casa Branca não mudará o essencial: para eles, a América continuará a ser um império perigoso, agressivo e brutal. Os EUA atraíram sobre si, muito justamente, a fúria do mundo islâmico e dos anti-imperialistas. Com a sua economia de casino, criaram uma situação de fim do mundo. Segundo a mesma tese, os americanos são profundamente incultos e até um pouco estúpidos. O corolário é simples: a Europa deve separar-se deste aliado pouco confiável e assumir o seu destino de potência benévola, cujo modelo social de capitalismo bondoso constitui um farol para os outros povos. Pena que faltem, por enquanto, os líderes visionários.
A hipocondria europeia
A Europa nunca foi tão rica e nunca esteve tão segura. A História deste brilhante continente, que deu ao mundo a civilização mais avançada de sempre, consiste num fio de conflitos, quase sem interrupções. Entre 1914 e 1945, as potências europeias tentaram um suicídio colectivo. Durante a Guerra Fria que se seguiu, a Europa esteve dividida em duas partes e viveu em ansiedade permanente, pois seria o campo de batalha em caso de nova guerra. Essa fase terminou em 1989, quando o colapso do bloco socialista introduziu outro factor de medo, pois a leste surgiam regimes frágeis e países fragmentários.
Em 2008, os conflitos criados pela queda do Muro de Berlim estão praticamente cicatrizados. A Europa é estável, rica, e não se vislumbra nenhum perigo.
E, no entanto, dois partidos populistas de extrema-direita conseguem quase 30% dos votos na pacata Áustria (o que resta de um país que já liderou um império multi-étnico e multi-cultural que é uma das fontes de inspiração da União Europeia).
O que se passou? Não há comida nos supermercados? Não há empregos? O país está arruinado? O facto é que não se vislumbra um problema austríaco que justifique a votação.
Imagino o dilema do médico visionário: está perante uma pessoa consciente da sua doença e cujos sintomas são verdadeiros ou perante uma pessoa saudável que acredita estar doente?
Cânticos tribais
Em relação à Áustria, Portugal tem desvantagens, mas felizmente o nosso sistema político ainda não chegou a um impasse daqueles.
Talvez seja uma questão de tempo, pois vi uma coisa notável na televisão: uma reportagem sobre uma claque de futebol que ia assistir a um jogo e que, no caminho, entoava um grito de guerra insultando as mães dos adeptos adversários. Não protestavam contra injustiças sociais ou falta de empregos, não, era contra pessoas iguais a eles.
Acho bizarro que alguém no seu perfeito juízo insulte a família dos adeptos da equipa adversária, mas mais peculiar ainda que a televisão mostre isso como se fosse uma qualquer curiosidade antropológica, como um hábito daquelas tribos que colocam ossos no nariz ou reduzem cabeças de pessoas.
O estranho era que ninguém achasse estranho.
Em conclusão
Países onde claques de futebol ditam leis e populistas tresloucados ganham eleições parecem estar pouco preparados para cooperar uns com os outros.
Mas Portugal e Áustria são parceiros num clube que pretende ter ambições políticas compatíveis com o seu potencial económico. O debate é deprimente: alguns acham que a Europa não deve sequer unir-se, outros defendem que isso deve ser feito contra a América, embora quando se pergunta de quantos porta-aviões vamos necessitar (custo unitário, cinco mil milhões de dólares) geralmente haja compreensível hesitação.
Não sei como será na Áustria, mas em Portugal o anti-americanismo é uma ideia poderosa. Salazar detestava os americanos e o nosso regime democrático nunca morreu de amores por Washington.
A desconfiança tem talvez raízes na dificuldade com que os portugueses admitem a liberdade dos outros. Ultimamente, o anti-americanismo primário tornou-se algo esquizofrénico, pois as elites consomem todos os produtos culturais americanos, que citam em inglês no original, mas politicamente a América continua a ser uma versão actualizada da “pérfida Albion”.
Acho que este sentimento tem uma ligação directa ao oportunismo político. E penso também que Portugal e a Europa estão maduros para aceitarem as piores formas de líderes populistas. E se a Europa já tentou suicidar-se uma vez, porque não duas?
Pensava que o líder parlamentar do PCP já não conseguia espantar ninguém. Engano meu. Em entrevista à última edição do semanário Sol, Bernardino Soares bateu o seu próprio recorde pessoal conseguindo não responder a uma só pergunta sobre a Coreia do Norte (depois de ter levado nas orelhas, de vários sectores, quando há uns anos admitiu que a ditadura mais feroz do planeta pudesse ser uma democracia).
Reparem só nestas pérolas:
Ainda pensa que a Coreia do Norte é uma democracia?
Essa pergunta já não merece resposta.
Mas é ou não?
Já disse o que tinha a dizer sobre isso.
Relembre.
Não. Essa pergunta já está gasta.
Preferia almoçar com Kim Jong Il ou com George Bush?
Nem com um, nem com outro.
Mas, se tivesse oportunidade de conhecer algum deles, qual escolheria?
Não escolho nenhum.
Qual dos dois é mais democrata?
Essa pergunta é idêntica à primeira. Também não vou responder.
Desculpe, mas esta pergunta é diferente.
No fundo é a mesma.
Sem me dizer qual, no seu íntimo considera um deles mais democrata do que o outro?
Não respondo.
Avancemos, então. Sei que nos últimos tempos voltou a andar de bicicleta.
Sim.
E por aí fora...
Os meus parabéns ao José Fialho Gouveia, autor da entrevista. Quanto ao camarada Bernardino, mais parece um gato fedorento. Um génio do humor involuntário, como há poucos em Portugal. Não dá mesmo para levar a sério.
E um jardim, nessa casa em que moramos embora em sonhos apenas? Um lugar onde, em cada manhã, persista a memória da chuva na relva molhada e, no seu exacto centro, uma árvore partilhada por gerações e cuja copa, ampla e frondosa, filtre o calor por entre ramos como braços de mãe.
1. "Uma articulada intervenção em Castelo de Vide? Seja, e depois? Já conhecemos de cor os diagnósticos. Nervo político? Não consta. Convicção? Nem sombra. Uma equipa? Ainda não há. Outra geração? Apesar de necessária como o pão para a boca, não se adivinha. Ideias? Tardam."
2. Uma minoria - os modestos 30 e tal por cento da drª Manuela - que não constrói nem agrega - nunca passará a maioria. Nem será capaz de reconstruir a confiança, indispensável utensílio sem o qual nunca haverá mudança digna dessa ambição."
3. "Entretanto Agosto já passou e Outubro está à porta."
Maria João Avillez, Sábado
- Felicidade? É uma dessas obras que nunca respeitam o PDM. E nestes casos, para espanto, não há suborno que nos sirva.
- Na verdade, com o problema do subprime, já nem essa é uma boa razão para casar...
«É um problema transversal, vamos da esquerda à direita, o meu ideal era ter connosco um comunista» declarou o nosso João Távora ao Público. Daqui a 10 minutos (são agora 14.50H), tanto ele como o também nosso Paulo Cunha Porto (o Duarte penso que ainda se encontra de férias) vão estar em conferência de imprensa no York House, prontos para começar a morder as canelas da comissão oficial responsável pelas comemorações do centenário da República. Não partilho a causa, mas espero que tudo corra bem. Quanto a ti, camarada que me lês, se és comunista e monárquico junta-te a eles!
Na fotografia, podem ver-se Carlos Bobone e João Távora, preparados para barricar a entrada na conferência a indivíduos suspeitos envergando avental.
O melhor título que li na imprensa internacional sobre a morte de Paul Newman veio no El País: "Los ojos del cine ya non son azules."
O Primeiro-Ministro declarou, após umas vigorosas passadas atléticas, que nestes convívios embora algumas pessoas o apupem, a maioria poupa-o bastante.
Como é desigual o significado de um mesmo acto, ou, no caso, abstenção! Para o Político, no poupar é que está o ganho. Àqueles que se reprimiram resta uma outra previsão da sabedoria popular: Quem seus inimigos poupa nas mãos lhes morre.
«Sei que em ambiente de comício devemos dar algum desconto ao que se diz. Mas, tratando-se do líder socialista que é também chefe do Governo, é desejável esperar algum cuidado, sobretudo quando são abordados temas tão sensíveis como são as pensões dos portugueses e o mercado de capitais.
Ora, a afirmação produzida, no meio do deslumbramento mediático de que tanto gosta, é perigosa, primária e politicamente pouco honesta».
António Bagão Félix, no Público
Fotografia: José Boldt
José as desculpas estão aceites ;)
«A classe média é um aglutinado social com escassas luzes de civismo, subalternizado à procura do pão, e sem mais virtudes que não sejam uma sórdida defesa de interesses pessoais. Toda esta gente, em vez de dar parasita mais ou menos, roubando o Estado, na mais perfeita indiferença do que sejam virtudes extrafamiliares e deveres dos cidadãos».
Fialho D'Almeida, 1910
Comecei a ser um homenzinho no dia em que descobri que BB não era só uma gasosa...
Nascida a 28 de Setembro
O Cavalo de Tróia, de Tiepolo
Os dirigentes Social-Democratas austríacos, após a zanga com os Conservadores, parece terem tirado mais ganhos da ruptura, mesmo num cenário de ingovernabilidade previsível. Os dois partidos mais hostis à UE tiveram crescimentos enormes. Significa isto uma divisão de tendências no eleitorado? Nem por sombras, a delegação da Internacional Socialista em Viena passou de repente a defender que todas as alterações substanciais aos textos jurídicos que regem a Europa institucionalizada passassem, doravante, a ser sujeitas a referendo. Esta posição, num partido de Direita, seria uma lamentável cedência ao populismo, um extremar de posições desviante do ideário de Schuman e Monet, sabe-se lá mais o quê. Sob uma bandeira vermelha não há tanta margem para increpar. Mas qualifico eu este desenvolvimento, tão importante como pouco debatido por cá: é, potencialmente, um cavalo de Tróia, dentro dos partidos do arco governativo europeu. Para já, com o Sr. Brown em bolandas, nada garante que não venha a constituir reivindicação similar uma espécie de linha de força de algum coup contra ele, entre os Trabalhistas. E, sem que consiga provar a ligação, desconfio muito de que a atmosfera emergente não seja de todo estranha à escalada das posições eurocépticas dos Tories, com Hague a defender o referendo das disposições do Tratado de Lisboa, mesmo após a rectificação parlamentar.
Sabe-se lá quantos demónios se soltaram, para os eurocratas e conselheiros europeus. Bruxelas vai-se entretendo a fustigar jornais irlandeses e bloguistas que se lhe opõem. Vai ser um fartote ver como se desenvencilhará de inimigos inesperados.
Eles não regulam bem
A lareira largava mornas espirais de fumo. Na inércia da sala, ao fim da tarde, formavam-se vapores etéreos que exalavam eflúvios pensativos. Lentamente, mesmo a frente a mim, a dança aérea começou a formar o espectro do meu tio Alfredo, cuja assombração habita o palacete da família Suave. E, sem transição, ali estava ele, com a barba pontiaguda e a voz que se elevava das trevas:
“Em que pensas, sobrinho?”, perguntou o meu fantasmal tio.
Acordara, ainda a tremer, e respondi:
“Estava a lamentar o fim da minha carreira na blogosfera, tio Alfredo”.
“Mas anteontem parecias tão entusiasmado…”
“Sim, mas agora vivo no medo, pois a doutora Estrela Serrano pode invocar o direito de réplica. Na realidade, qualquer pessoa pode, e por isso, temo ofender alguém, que depois me obrigue a publicar um desmentido.”
“No meu tempo, as ofensas lavavam-se com sangue, em duelo”, disse o tio Alfredo.
“Credo, tio. Agora, há reguladores para isso. A dona Estrela, por exemplo, da entidade reguladora da comunicação, que entrou numa saudável polémica com Blasfémias e com Arrastão. Os 50 mil blogues passam a ser como jornais, com tempo de antena, direito de resposta e equidade no tratamento dos partidos políticos. E, sobretudo, critérios jornalísticos”.
“Mas os blogues não serviam para cada um dizer o que queria? A dona Estrela que crie um blogue para responder ao Blasfémias. Quem a impede?”
“É complicado, tio. É preciso controlar estes novos meios de comunicação. A doutora Estrela foi assessora e sabe do que fala. É uma especialista em comunicação. Antes da blogosfera, juntava-se um grupo de líderes de opinião num almoço e salvava-se a pátria. Agora, isso é impossível, pois teriam de ser convidados os blogueiros todos, que não cabem no Pavilhão Atlântico, isto tirando os cromos, que não cabem no estádio da Luz, e metade não se dá com a outra metade e depois havia uma arruaça, com pancada no meio do catering. Por isso, é preciso mais regulação. A blogosfera é uma questão de polícia”.
“Mas, o que não percebo, ó lerdo sobrinho: este teu hobby não tem a ver com a liberdade de expressão? E isso regula-se?”
“Então, não regula, tio? Nos jornais, na rádio e na TV…”
“Mas esses meios são escassos. Compreendo que seja necessário garantir que ouçam todos os sectores da sociedade. Agora, nos blogues, parece-me diferente: cada pessoa que ache que não está a ser ouvida é livre de iniciar o seu próprio blogue. Não se deviam aplicar as mesmas regras”.
“Diz o tio, que não percebe o problema. Se cada um pode dizer o que lhe vai na alma, é a anarquia”.
“Sempre que se conquistou uma liberdade, chegou alguém a dizer que era a anarquia e acabou com ela”, respondeu o meu tio Alfredo.
“Eu acho que o respeitinho é muito bonito, até no outro dia, estava a falar com o senhor Naves, que publica este meu diário…”
“Por falar nessa pessoa… Se vais deixar de escrever no Corta-Fitas, achas que o tal Naves me publica as memórias? Será que ele se assusta muito se eu aparecer lá em casa dele? Já estou a pensar no título: memórias de um fantasma”.
Cornélio Suave
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