Tanta expectativa afinal para isto. Foi preciso esperar pelas oito da noite para quê?
É difícil escolher um blog da semana. Há muita qualidade na blogosfera e tenho um grave problema com decisões.
Gosto de blogs individuais e aqui segue uma escolha clássica, a Senhora Sócrates. Tem posts curtos onde a autora, Adriana Freire Nogueira, escreve sobre pequenas coisas, com surpreendente cultura.
É difícil obter um equilíbrio entre o moderno e o antigo. Mais difícil ainda escrever sobre clássicos (que lemos tão pouco) sem se ser aborrecido ou parecer diletante.
Adriana criou um blog com sentido de humor, sabedoria e muita simplicidade. Um blog onde se pensa.
Esta é uma visita que vale a pena.
Enquanto o Presidente da República fala e não fala - à hora que escrevo já falta menos de uma hora - gostava de perguntar aqui se alguém sabe a razão que levou Manuel Pinho, o nosso desastrado ministro da Economia, a dar duas entrevistas para serem publicadas no mesmo dia e em revistas concorrentes? Confesso que só li a da Visão, onde o ministro revela, em primeiríssima mão, que "o Governo vai oferecer 4,5 milhões de lâmpadas". O quê? Depois dos computadores a preço de amigo para os estudantes, depois do Magalhães e dos grandes negócios com a Líbia, a Venezuela e Angola, agora vamos ter lâmpadas à borla? E ninguém se espanta? O major Valentim Loureiro, coitado, foi acusado de populismo por oferecer electrodomésticos nas autárquicas de Gondomar, mas Sócrates desata a oferecer bens de consumo doméstico privado em período pré-eleitoral e fica tudo mudo e quedo? Isto começa a não ser normal.
Detesto objectos com vontade própria. É contra-natura. Os objectos têm como característica essencial a inanidade. É essa condição que os torna facilmente manipuláveis e constantes. Um objecto digno desse nome dá-me segurança e conforto, pode mesmo tornar-se uma referência na minha vida (acontece tanto com certas peças de mobília) ou até numa dependência, como as minhas almofadas, tão queridas, sempre prontas a amaciar-me quando ao fim do dia me encosto a elas, cheia de contracturas musculares.
Os livros, apesar de saberem mais do que eu, nunca me fazem sentir diminuída. Passam-me todos os seus conhecimentos sem hesitações com uma generosidade enternecedora. E até da televisão nada tenho a dizer. A caixa que mudou o mundo é, se formos a ver, uma simplória que obedece a um simples toque de comando.
Gosto de olhar à volta e de me sentir senhora da situação. De os ter à minha disposição vulneráveis e submissos, de os tiranizar, se me apetecer. Os objectos nasceram para isto. Estão na base da nossa “cadeia alimentar”. É por isso que odeio aquele idiota, que se nega quando mais preciso dele, que me questiona, exige conhecimentos e até – onde já se viu?! – me dá ordens! Tem a mania que é gente: bloqueia, tem quebras de tensão e apanha vírus. Qualquer dia ainda descubro que sofre de asma. O meu amigo, especialista em informática, diz que ele tem tudo para me fazer feliz. Não concordo. Ao meu computador falta aquilo que mais aprecio num objecto: humildade.
Vítor Dias, Tempo das Cerejas (aplausos e assobios)
O Presidente da República manda anunciar, por interposto jornal, que falará às oito da noite. Compreende-se: é a essa hora que o país político começa a funcionar, de olhos postos nos telediários. É um retrato perfeito do atraso português. Até lá, ficamos todos em suspense. Até lá, não sucede nada. Até lá, adiamos - matéria em que nos tornámos especialistas.
Somos da Europa só no mapa. Em tudo o resto, estamos ainda muito longe de lá chegar.
Queria recordar a quem comenta a notícia no site do Público que, uma hora depois da comunicação ao País na televisão, Cavaco vai discursar perante uma plateia de talentos nacionais espalhados pelo mundo (rede à qual aliás pertenço e por isso lá estarei também com mais 700) no Campo Pequeno. Não é crível que, sem ter retirado da sua agenda este último discurso, o PR vá minutos antes anunciar algo de bombástico, muito menos que está doente, que vai retirar-se ou outros cenários apocalípticos sugeridos pela rapaziada. Tenham juízo.
O dia em que os jornalistas da Sábado tentaram ir aos Jogos Olímpicos. (Os resultados são publicados na edição de hoje da revista)
«Maioria socialista já legislou tudo e o seu contrário». Título do DN para notícia de João Pedro Henriques sobre a discriminação de pessoas com deficiência no acesso a seguros de vida.
Vamos ficar em suspenso até às oito da noite? Eu aposto, dobrado contra singelo, em como o discurso vai ser a resposta do PR à descrença histórica dos portugueses na melhoria das suas condições de vida, revelada pelo INE ontem mesmo. Confirmando o que diz o assessor da Presidência não identificado (leia-se muito provavelmente Fernando Lima), essa seria no meu entender a única «razão verdadeiramente importante».
Quando o Bairro Alto Hotel começou a ser recuperado havia duas faixas de rodagem à volta do largo de Camões, e os tapumes da obra ocuparam uma. Inaugurado o hotel, nota-se, frente à fachada, uma discreta elevação de milímetros no chão, preenchida com umas pedras pretas - semelhantes ao resto do pavimento mas muito certinhas e com um ângulo um nadinha diferente. Parece normal. Começa-se a circular por lá e aquela faixa está sempre ocupada com taxis e carros a recolherem e largarem clientes. É maçador, mas acontece. Passa-se lá agora e alguns reluzentes veículos estão mesmo estacionados ali. Pensa-se "fixe, afinal pode-se estacionar aqui" mas, iniciadas as manobras, o porteiro do hotel aparece a dizer que não, que não se pode. Os polícias assobiam para o ar. Mais uns dias e vai surgir uma placa discreta a indicar que a rua do largo de Camões é parque do hotel. Escrevam o que vos digo. Aliás, não é preciso, que eu já escrevi.
Em sessão de Câmara, com os votos dos vereadores de toda a oposição e de José Sá Fernandes, foi hoje rejeitado o projecto que previa a construção de um edifício que simplesmente, como referiu Ruben Carvalho, destruiria o Largo do Rato como o conhecemos. Margarida Saavedra reconheceu o erro do seu partido, o PSD, na aprovação do projecto de arquitectura ao tempo em que Santana Lopes era presidente da CML e Eduarda Napoleão vereadora do Urbanismo. Será que, finalmente, as forças partidárias vão estabelecer consensos para salvar o que ainda pode ser salvo em Lisboa e evitar, conforme disse Gonçalo Ribeiro Telles noutros tempos, que a cidade se transforme numa "Dallas parola"?
Esta notícia de hoje explica o porquê de, no meu modesto entender, ser necessário que o PSD comunique já a partir da rentrée pelo menos as linhas estratégicas do que é o seu programa no campo económico. «As famílias portuguesas continuam a não ver luz ao fundo do túnel para o fim da crise económica no País. E, simultaneamente, não perspectivam melhorias para a sua situação financeira – outra componente do índice que, neste mês, voltou a renovar um mínimo histórico», escreve a Eva Gaspar. Pois.
Pacheco Pereira bem pode ter razão quando confia no descalabro económico como o principal factor para uma eventual bandeira vermelha do eleitorado ao PS. Mas, para isso, é necessário que os eleitores tenham uma alternativa com a qual se sintam seguros. Para já, vêem de um lado alguém «que vai fazendo» e do outro alguém que diz ser capaz de melhor mas não revela como. Ora recuperar a confiança do eleitorado num sprint final, como parece ser a estratégia de Manuela Ferreira Leite e da sua equipa, é uma aposta com um risco imenso. MFL não pode querer partir para o casamento sem a fase do namoro. Principalmente quando, até agora, não existiu sequer o primeiro beijo.
Acontece raramente mas quando acontece é do caraças. Vamos a passar, entramos, e deparamo-nos com a oferta sacrificial de alguém que nos oferece as entranhas, arrancadas sem anestesia e sem que saibamos porquê ou para quê. Como aqui.
«O fundamentalismo anti-Porto (incluindo a soberba de Lisboa rotular o Porto com o mesmo complexo de inferioridade que sente face a Madrid) é tão cego como o pró-Porto».
Pedro Santos Guerreiro, no Jornal de Negócios.
A Ana Cláudia que me perdoe mas, todos os anos sem excepção, há um conjunto de totós do Corpo Nacional de Escutas que se perde acoli para ser «resgatado» acolá. Por esta altura de férias, lá vão eles de mochila manhosa às costas arrumada às três pancadas, sem outra farda para além do lenço ao pescoço, acampar sem a mínima noção do que é um azimute, onde fica a Ursa Menor ou como orientar-se pelo relógio (sim, é possível e até bastante fácil). Na gíria escotista criada por Baden Powell, chama-se aos neófitos como o retratado na ilustração os pata-tenras. Que, desta vez, cinco deles sejam adultos, já nem me espanta.
Por razões técnicas, só agora posso responder ao post de Henrique Raposo, em Atlântico. Esta nossa conversa surgiu por causa de um texto sobre corrupção, onde o Henrique fazia uma ligação entre o sistema político e esse fenómeno. No post de ontem, ele explica ainda melhor o seu pensamento.
Não discordo do que escreve Henrique Raposo sobre as limitações da democracia e a excessiva ligação entre partidos e instituições do Estado. A prática tem numerosos inconvenientes. As formações políticas são também centros de emprego, onde singram numerosos medíocres. Muitas instituições do Estado estão povoadas de belas carreiras políticas, com arrivistas, incompetentes e também corruptos. Mas há os outros: os capazes e honestos.
Ao contrário do Henrique, penso que Portugal não é muito diferente dos restantes países, no que respeita à ligação entre sistema político e partidos. As instituições do Estado, a imprensa, os bancos privados têm militantes partidários, cujas carreiras são facilitadas. A história repete-se na Suécia, no Reino Unido, em França ou na Polónia. Em alguns países, as instituições são fortes e mostram independência em relação aos poderes partidários; há outros onde a autonomia não é tão nítida. Mas tudo isto acontece em sistemas muito parecidos com o nosso, com leis idênticas.
Em resumo, se a corrupção portuguesa é mais elevada do que a média das democracias parlamentares (não digo que o seja, mas penso que o Henrique acredita nisso), então teremos de encontrar outras razões, para além da falta de leis ou fiscalização.
A ocasião faz o ladrão e a oportunidade tem certamente um papel. A ausência de receio de ser punido terá de ser factor importante.
Mas a corrupção nacional tem raiz na forma como alguns pecados são aceites. Tantas vezes fechamos os olhos a pequenos delitos e desculpamos faltas de civismo ou abusos, para não arranjarmos chatices ou porque não compensa a queixa. Em Portugal, a denúncia não é bem vista. E não falo de coisas graves, mas das pequeninas. Um delator escandaliza muito mais do que um chico-esperto.
Isto, claro, não faz o sistema político-partidário. É apenas um caldo cultural onde também os partidos têm de viver.
Ilustração: pintura de James Ensor (1860-1949)
"Não faço ideia se a cobertura dos acontecimentos da Quinta da Fonte, particularmente o atraso do Público na cobertura dos acontecimentos, será mais tarde objecto de estudo. Mas deveria sê-lo. Tal como o deveria ser tudo o que não escrevemos sobre a partida dos portugueses de África.
Novidades do Blogómetro: o Abrupto caiu para 12º lugar. Logo abaixo do Não Está Fácil.
Reis Agoas quer proibir o Governo. Do Jorge Ferreira, no Tomar Partido.
Um partido numa galáxia distante. Do João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.
O populismo silencioso 1ª parte. De Pedro Marques Lopes, na Atlântico.
Falar claro aos portugueses. De Paulo Gorjão, no Vox Pop.
O 'Expresso' não gosta de Ferreira Leite. Do Coutinho Ribeiro, n' O Anónimo.
A CPLP nada ganha. De Ana Gomes, na Causa Nossa.
Aos poucos o homem revela-se. Do Carlos Manuel Castro, na Palavra Aberta.
Impunidades. Do Pedro Rolo Duarte.
Eu veto. Da Ana Vidal, na Porta do Vento.
Tropa de Elite. Do Francisco José Viegas, n' A Origem das Espécies.
(em actualização)
Desculpem voltar a falar do assunto, mas há bocado uma carrinha enorme veio para cima de mim numa rotunda e, como não pude deixar de reparar nas letras garrafais e na cara lá estampada, volto ao "caso João Moutinho". Isto para dizer que me apercebi que o jovem de 21 ou 22 anos tem uma escola com o seu nome, patrocinada e com o apoio total das academias do Sporting. Por isso é que não se perdoa a um capitão de equipa, que é o segundo jogador mais bem pago do plantel (a seguir a Liedson), as declarações que fez, querendo sair do clube para rumar ao Everton, mesmo que este clube não esteja disposto, como parece, a pagar a cláusula de rescisão acordada no contrato. Moutinho era um líder, um ídolo dos mais novos sportinguistas, agora está a gerar problemas no balneário por causa de uma decisão infantil motivada apenas pelo simples facto de só pensar em si. Se perder a braçadeira de capitão, não me admira. Já deixou de a merecer.
Esta mulher tem que ser nossa! Salvo seja e com o devido respeito que é todo. Ou, vá lá, é imenso.
O FALSO CULPADO
(The Wrong Man, 1956)
Realizador: Alfred Hitchcock
Principais intérpretes: Henry Fonda, Vera Miles, Anthony Quayle, Harold Stone, John Heldabrand
"Um filme tenso, excitante e fascinante." (Clayton L. White)
"José Casanova é director do Avante!"
Ferreira Fernandes, DN
De Vital Moreira, evidentemente.
Num post abaixo, o João Villalobos fez uma crítica a um texto do Henrique Raposo, do blog Atlântico. E recebeu uma resposta curiosa. Estavam os dois a falar de corrupção, mas parece que o Henrique vê em Portugal uma singularidade. Diz ele: “Os partidos colonizaram Portugal, colonizaram o sistema político”; “sistema partidário não pode ser sinónimo de sistema político”; “numa democracia liberal decente, os partidos actuam num sistema político. Não são donos dele. Em Portugal, não é assim”.
A resposta do Henrique Raposo parte de uma ideia que me parece errada: temos mais corrupção do que os outros porque o nosso sistema é diferente. O Henrique até faz a extraordinária observação de que temos partidos a mais.
Parece-me que é ao contrário em ambos os casos: temos partidos a menos e o nosso sistema não difere daquele que existe na maioria dos países.
Se houvesse mais partidos, havia coligações (como na Alemanha) e não seria preciso maioria absoluta, uma tentação.
Na realidade, temos um sistema político bipartidário, igual ao dos vizinhos, incluindo EUA, Reino Unido (que sendo quase tri, é na realidade bi), Espanha (onde as autonomias alteram essa divisão ao meio) ou Suécia. Portugal não tem nada de especial na matéria e apenas imitou os outros.
As carreiras políticas fazem-se através de partidos. É assim na democracia. Há poucos independentes nos EUA e um candidato independente não conseguirá ser eleito presidente. No Irão, para ser líder, basta saber muito de teologia.
Em todas as democracias parlamentares, os partidos são donos do sistema político. Incluindo nos EUA, onde a disciplina partidária é menor do que na Europa. Os partidos políticos têm grande controlo sobre a imprensa, a economia e a cultura. Em todos estes países se discute o financiamento dos partidos e a corrupção.
Não há singularidade portuguesa e se o país é mais corrupto, as causas serão outras, nomeadamente a forma como o eleitorado desculpa abusos. Há um aspecto cultural: os portugueses estão dispostos a perdoar. Na Suécia, uma ministra demitiu-se por usar o cartão de crédito do Estado para comprar fraldas para o filho; em Portugal, isso era impossível. No máximo, haveria um encolher de ombros.
Hoje, Diário de Notícias e Correio da Manhã reproduzem a mesma deprimente fotografia, a propósito da inauguração de um centro de oncologia em Vila Real. O deprimente da imagem não tem a ver com o ar enfastiado de um primeiro-ministro com as mãos nos bolsos enquanto a ministra olha atentamente para o chão sabe-se lá porquê. O deprimente tem a ver com o que se vê por detrás deles, a ocupar o exíguo quarto com chão de linóleo: Uma poltrona de napa barata ao canto, uma cama daquelas que se vêem nos filmes da Segunda Guerra e uma janela de alumínio sem cortinas. Em suma, o «novo» centro de oncologia ainda mal abriu as portas e já tem aspecto de ser mais velho do que a Sé de Braga. Ao que leio, Sócrates escolheu aquele preciso lugar para afirmar que «Não se podem ter serviços de excelência em todo o lado». Palpita-me que, muito cedo, os visitantes do «novo» centro de oncologia vão perceber que - pelo menos desta vez - o PM não mentiu.
Que fazem os polícias que não estão entretidos a rebocar o meu carro? Minuciosa pesquisa permite-me fornecer a resposta ao curioso leitor:
1 - Estão aos magotes nos festivais de música ao ar livre a empurarrem-se uns aos outros e à risadas, como meninos no primeiro dia da colónia de férias;
2 - Circulam na Baixa em cima de umas trotinetes ridículas, para espanto dos turistas;
3 - Estão plantados perto de uma obra ou à porta de um prédio. Mandam mensagens no telemóvel e bocejam;
4 - Estão nas corridas de toiros. Enquanto dois circulam nas trincheiras, outro senta-se na varanda, muito direito, ao lado do Inteligente.
5 - Defendem com zelo a entrada em qualquer rua, praça ou avenida cortada ao trânsito para finalidades comerciais;
6 - Roubam-lhes as pistolas no Entroncamento. Perseguem os bandidos até Abrançalha de Baixo. Provocam, em Abrançalha de Baixo, grande fuzilaria. Queixam-se de que um deles ficou ferido. Prendem o suspeito. O suspeito não tem arma.
Já não falo nas investigações, e nos livros, e no resto. A sério: sou só eu que me envergonho destas figuras?
É acutilante sem jamais ser deselegante. Estuda as matérias, sabe argumentar, é uma das presenças mais assíduas no hemiciclo. E, sem dúvida, um dos deputados que mais trabalha: na sua bancada, que tem poucos elementos, é especialista em diversas áreas. É uma pessoa de convicções, mas ao longo destes anos nunca o vi resvalar para o insulto a um adversário político - e muito menos a um camarada de partido que pense de maneira diferente da direcção. O PCP fez muito bem em designá-lo vice-presidente da Assembleia da República, função que cumpre com todo o mérito.
Há quem entenda que todos os deputados são iguais. Eu não. Por isso voto nele.
Não percebo a indignação de alguns ou por que razão Cravinho havia de ser a excepção: Há muito tempo que se sabe que José Sócrates não recebe lições de ninguém.
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