Quinta-feira, 31 de Julho de 2008
Um país adiado (parte II)

Tanta expectativa afinal para isto. Foi preciso esperar pelas oito da noite para quê?


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publicado por Pedro Correia
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Blog da semana

É difícil escolher um blog da semana. Há muita qualidade na blogosfera e tenho um grave problema com decisões.

Gosto de blogs individuais e aqui segue uma escolha clássica, a Senhora Sócrates. Tem posts curtos onde a autora, Adriana Freire Nogueira, escreve sobre pequenas coisas, com surpreendente cultura.

É difícil obter um equilíbrio entre o moderno e o antigo. Mais difícil ainda escrever sobre clássicos (que lemos tão pouco) sem se ser aborrecido ou parecer diletante.

Adriana criou um blog com sentido de humor, sabedoria e muita simplicidade. Um blog onde se pensa.

Esta é uma visita que vale a pena.



publicado por Luís Naves
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Mãos largas

Enquanto o Presidente da República fala e não fala - à hora que escrevo já falta menos de uma hora - gostava de perguntar aqui se alguém sabe a razão que levou Manuel Pinho, o nosso desastrado ministro da Economia, a dar duas entrevistas para serem publicadas no mesmo dia e em revistas concorrentes? Confesso que só li a da Visão, onde o ministro revela, em primeiríssima mão, que "o Governo vai oferecer 4,5 milhões de lâmpadas". O quê? Depois dos computadores a preço de amigo para os estudantes, depois do Magalhães e dos grandes negócios com a Líbia, a Venezuela e Angola, agora vamos ter lâmpadas à borla? E ninguém se espanta? O major Valentim Loureiro, coitado, foi acusado de populismo por oferecer electrodomésticos nas autárquicas de Gondomar, mas Sócrates desata a oferecer bens de consumo doméstico privado em período pré-eleitoral e fica tudo mudo e quedo? Isto começa a não ser normal.



publicado por Francisco Almeida Leite
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Embirrações 3

Detesto objectos com vontade própria. É contra-natura. Os objectos têm como característica essencial a inanidade. É essa condição que os torna facilmente manipuláveis e constantes. Um objecto digno desse nome dá-me segurança e conforto, pode mesmo tornar-se uma referência na minha vida (acontece tanto com certas peças de mobília) ou até numa dependência, como as minhas almofadas, tão queridas, sempre prontas a amaciar-me quando ao fim do dia me encosto a elas, cheia de contracturas musculares.
Os livros, apesar de saberem mais do que eu, nunca me fazem sentir diminuída. Passam-me todos os seus conhecimentos sem hesitações com uma generosidade enternecedora. E até da televisão nada tenho a dizer. A caixa que mudou o mundo é, se formos a ver, uma simplória que obedece a um simples toque de comando.
Gosto de olhar à volta e de me sentir senhora da situação. De os ter à minha disposição vulneráveis e submissos, de os tiranizar, se me apetecer. Os objectos nasceram para isto. Estão na base da nossa “cadeia alimentar”. É por isso que odeio aquele idiota, que se nega quando mais preciso dele, que me questiona, exige conhecimentos e até – onde já se viu?! – me dá ordens! Tem a mania que é gente: bloqueia, tem quebras de tensão e apanha vírus. Qualquer dia ainda descubro que sofre de asma. O meu amigo, especialista em informática, diz que ele tem tudo para me fazer feliz. Não concordo. Ao meu computador falta aquilo que mais aprecio num objecto: humildade.


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publicado por Teresa Ribeiro
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E o prémio de "Especulação Mais Consistente" vai para...

Vítor Dias, Tempo das Cerejas (aplausos e assobios)



publicado por João Villalobos
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Um país adiado

O Presidente da República manda anunciar, por interposto jornal, que falará às oito da noite. Compreende-se: é a essa hora que o país político começa a funcionar, de olhos postos nos telediários. É um retrato perfeito do atraso português. Até lá, ficamos todos em suspense. Até lá, não sucede nada. Até lá, adiamos - matéria em que nos tornámos especialistas.

Somos da Europa só no mapa. Em tudo o resto, estamos ainda muito longe de lá chegar.


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publicado por Pedro Correia
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Palavras que odeio (169)

Ajaezado


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publicado por Pedro Correia
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Já agora

Queria recordar a quem comenta a notícia no site do Público que, uma hora depois da comunicação ao País na televisão, Cavaco vai discursar perante uma plateia de talentos nacionais espalhados pelo mundo (rede à qual aliás pertenço e por isso lá estarei também com mais 700) no Campo Pequeno. Não é crível que, sem ter retirado da sua agenda este último discurso, o PR vá minutos antes anunciar algo de bombástico, muito menos que está doente, que vai retirar-se ou outros cenários apocalípticos sugeridos pela rapaziada. Tenham juízo.



publicado por João Villalobos
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A não perder

O dia em que os jornalistas da Sábado tentaram ir aos Jogos Olímpicos. (Os resultados são publicados na edição de hoje da revista)



publicado por João Villalobos
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O coice do dia

«Maioria socialista já legislou tudo e o seu contrário». Título do DN para notícia de João Pedro Henriques sobre a discriminação de pessoas com deficiência no acesso a seguros de vida.



publicado por João Villalobos
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O suspense de Cavaco

Vamos ficar em suspenso até às oito da noite? Eu aposto, dobrado contra singelo, em como o discurso vai ser a resposta do PR à descrença histórica dos portugueses na melhoria das suas condições de vida, revelada pelo INE ontem mesmo. Confirmando o que diz o assessor da Presidência não identificado (leia-se muito provavelmente Fernando Lima), essa seria no meu entender a única «razão verdadeiramente importante».

No entanto, há um outro assunto na agenda que quanto a mim justificaria inclusão no discurso do presidente: A pressão dos grupos de interesses no dossier do nuclear está a aumentar a uma velocidade inaudita. Cavaco bem podia explicar melhor onde se situa entre aquilo que uns chamam «debate» e outros, melhor informados, a preparação do caminho para que o Sr. Patrick Monteiro de Barros veja finalmente atendidos os seus interesses. 


publicado por João Villalobos
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Quarta-feira, 30 de Julho de 2008
Revolta urbana 1

Quando o Bairro Alto Hotel começou a ser recuperado havia duas faixas de rodagem à volta do largo de Camões, e os tapumes da obra ocuparam uma. Inaugurado o hotel, nota-se, frente à fachada, uma discreta elevação de milímetros no chão, preenchida com umas pedras pretas - semelhantes ao resto do pavimento mas muito certinhas e com um ângulo um nadinha diferente. Parece normal. Começa-se a circular por lá e aquela faixa está sempre ocupada com taxis e carros a recolherem e largarem clientes. É maçador, mas acontece. Passa-se lá agora e alguns reluzentes veículos estão mesmo estacionados ali. Pensa-se "fixe, afinal pode-se estacionar aqui" mas, iniciadas as manobras, o porteiro do hotel aparece a dizer que não, que não se pode. Os polícias assobiam para o ar. Mais uns dias e vai surgir uma placa discreta a indicar que a rua do largo de Camões é parque do hotel. Escrevam o que vos digo. Aliás, não é preciso, que eu já escrevi.



publicado por Cristina Ferreira de Almeida
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Uma boa notícia, para variar

Em sessão de Câmara, com os votos dos vereadores de toda a oposição e de José Sá Fernandes, foi hoje rejeitado o projecto que previa a construção de um edifício que simplesmente, como referiu Ruben Carvalho, destruiria o Largo do Rato como o conhecemos. Margarida Saavedra reconheceu o erro do seu partido, o PSD, na aprovação do projecto de arquitectura ao tempo em que Santana Lopes era presidente da CML e Eduarda Napoleão vereadora do Urbanismo. Será que, finalmente, as forças partidárias vão estabelecer consensos para salvar o que ainda pode ser salvo em Lisboa e evitar, conforme disse Gonçalo Ribeiro Telles noutros tempos, que a cidade se transforme numa "Dallas parola"?



publicado por Duarte Calvão
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O primeiro beijo

Esta notícia de hoje explica o porquê de, no meu modesto entender, ser necessário que o PSD comunique já a partir da rentrée pelo menos as linhas estratégicas do que é o seu programa no campo económico. «As famílias portuguesas continuam a não ver luz ao fundo do túnel para o fim da crise económica no País. E, simultaneamente, não perspectivam melhorias para a sua situação financeira – outra componente do índice que, neste mês, voltou a renovar um mínimo histórico», escreve a Eva Gaspar. Pois.

Pacheco Pereira bem pode ter razão quando confia no descalabro económico como o principal factor para uma eventual bandeira vermelha do eleitorado ao PS. Mas, para isso, é necessário que os eleitores tenham uma alternativa com a qual se sintam seguros. Para já, vêem de um lado alguém «que vai fazendo» e do outro alguém que diz ser capaz de melhor mas não revela como. Ora recuperar a confiança do eleitorado num sprint final, como parece ser a estratégia de Manuela Ferreira Leite e da sua equipa, é uma aposta com um risco imenso. MFL não pode querer partir para o casamento sem a fase do namoro. Principalmente quando, até agora, não existiu sequer o primeiro beijo. 



publicado por João Villalobos
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Saiu-lhe do corpo

Acontece raramente mas quando acontece é do caraças. Vamos a passar, entramos,  e deparamo-nos com a oferta sacrificial de alguém que nos oferece as entranhas, arrancadas sem anestesia e sem que saibamos porquê ou para quê. Como aqui.


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publicado por João Villalobos
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O coice do dia

«O fundamentalismo anti-Porto (incluindo a soberba de Lisboa rotular o Porto com o mesmo complexo de inferioridade que sente face a Madrid) é tão cego como o pró-Porto».

Pedro Santos Guerreiro, no Jornal de Negócios.



publicado por João Villalobos
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Cambada de pata-tenras

A Ana Cláudia que me perdoe mas, todos os anos sem excepção, há um conjunto de totós do Corpo Nacional de Escutas que se perde acoli para ser «resgatado» acolá. Por esta altura de férias, lá vão eles de mochila manhosa às costas arrumada às três pancadas, sem outra farda para além do lenço ao pescoço, acampar sem a mínima noção do que é um azimute, onde fica a Ursa Menor ou como orientar-se pelo relógio (sim, é possível e até bastante fácil). Na gíria escotista criada por Baden Powell, chama-se aos neófitos como o retratado na ilustração os pata-tenras. Que, desta vez, cinco deles sejam adultos, já nem me espanta.



publicado por João Villalobos
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Emoções básicas (4)

 

Por razões técnicas, só agora posso responder ao post de Henrique Raposo, em Atlântico. Esta nossa conversa surgiu por causa de um texto sobre corrupção, onde o Henrique fazia uma ligação entre o sistema político e esse fenómeno. No post de ontem, ele explica ainda melhor o seu pensamento.

Não discordo do que escreve Henrique Raposo sobre as limitações da democracia e a excessiva ligação entre partidos e instituições do Estado. A prática tem numerosos inconvenientes. As formações políticas são também centros de emprego, onde singram numerosos medíocres. Muitas instituições do Estado estão povoadas de belas carreiras políticas, com arrivistas, incompetentes e também corruptos. Mas há os outros: os capazes e honestos.

Ao contrário do Henrique, penso que Portugal não é muito diferente dos restantes países, no que respeita à ligação entre sistema político e partidos. As instituições do Estado, a imprensa, os bancos privados têm militantes partidários, cujas carreiras são facilitadas. A história repete-se na Suécia, no Reino Unido, em França ou na Polónia. Em alguns países, as instituições são fortes e mostram independência em relação aos poderes partidários; há outros onde a autonomia não é tão nítida. Mas tudo isto acontece em sistemas muito parecidos com o nosso, com leis idênticas.

Em resumo, se a corrupção portuguesa é mais elevada do que a média das democracias parlamentares (não digo que o seja, mas penso que o Henrique acredita nisso), então teremos de encontrar outras razões, para além da falta de leis ou fiscalização.

A ocasião faz o ladrão e a oportunidade tem certamente um papel. A ausência de receio de ser punido terá de ser factor importante.

Mas a corrupção nacional tem raiz na forma como alguns pecados são aceites. Tantas vezes fechamos os olhos a pequenos delitos e desculpamos faltas de civismo ou abusos, para não arranjarmos chatices ou porque não compensa a queixa. Em Portugal, a denúncia não é bem vista. E não falo de coisas graves, mas das pequeninas. Um delator escandaliza muito mais do que um chico-esperto.

Isto, claro, não faz o sistema político-partidário. É apenas um caldo cultural onde também os partidos têm de viver.

 

Ilustração: pintura de James Ensor (1860-1949)

 



publicado por Luís Naves
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O que os jornais não escrevem

 

"Não faço ideia se a cobertura dos acontecimentos da Quinta da Fonte, particularmente o atraso do Público na cobertura dos acontecimentos, será mais tarde objecto de estudo. Mas deveria sê-lo. Tal como o deveria ser tudo o que não escrevemos sobre a partida dos portugueses de África.

Entre Agosto de 1974 e o início de 1975 os portugueses em fuga de África mal se vêem nas páginas dos jornais. É claro que se fala deles mas com o incómodo e os rodeios de quem tem de dar uma má notícia no meio duma festa. Esta é a fase em que os fugitivos são necessariamente brancos pois assim facilmente se integram no estereótipo que deles traçam homens como Rosa Coutinho que os classifica como “elementos menos evoluídos que têm medo de perder as suas regalias” ou Vítor Crespo que os define como “pessoas racistas que não abdicam dos seus privilégios”.
Os jornalistas portugueses usam então tranquilamente expressões como “brancos ressentidos”, “brancos em pânico” ou pessoas que “reivindicam um desejo de viver num mundo que já acabou” para referir a maior fuga de portugueses nos seus muitos séculos de História."
 
Excertos de um excelente texto de Helena Matos no Público. Leiam-no aqui todo, que vale a pena.

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publicado por Pedro Correia
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Não está fácil

Novidades do Blogómetro: o Abrupto caiu para 12º lugar. Logo abaixo do Não Está Fácil.


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publicado por Pedro Correia
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Palavras que odeio (168)

Envidar


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publicado por Pedro Correia
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Nas colunas

 

Eu e o nosso João Távora lá estivemos, lado a lado.

E ouvimos isto e muito mais 


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publicado por João Villalobos
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Terça-feira, 29 de Julho de 2008
Uma palavra faz toda a diferença

A censura torna os jornalistas mais hábeis. Millôr Fernandes lembrou há pouco um exemplo ocorrido no Pasquim, uma das publicações mais visadas pelos censores da ditadura militar brasileira nos anos 70 – uma censura que não se limitava aos temas políticos: exercia o domínio repressivo também no capítulo da moral e dos costumes.
Em certa edição da revista, havia que escrever sobre o romance Iracema, de José de Alencar – um clássico da literatura romântica brasileira, que entre outras expressões popularizou à época a “virgem dos lábios de mel”. Convidava à malandrice. E assim foi: o Pasquim lá se debruçou seriamente sobre o romance, numa das suas enésimas edições, tendo no entanto o cuidado de acrescentar uma palavra. Uma palavrinha apenas – no caso, um adjectivo. Grande. A virgem de Alencar passou a ter “grandes lábios de mel”.
A censura, bronca como costumam ser as censuras, nem reparou. Uma singela palavra pode fazer toda a diferença.

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publicado por Pedro Correia
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Gostei de ler

 

 

Reis Agoas quer proibir o Governo. Do Jorge Ferreira, no Tomar Partido.

Um partido numa galáxia distante. Do João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos. 

O populismo silencioso 1ª parte. De Pedro Marques Lopes, na Atlântico.

Falar claro aos portugueses. De Paulo Gorjão, no Vox Pop.

O 'Expresso' não gosta de Ferreira Leite. Do Coutinho Ribeiro, n' O Anónimo.

A CPLP nada ganha. De Ana Gomes, na Causa Nossa.

Aos poucos o homem revela-se. Do Carlos Manuel Castro, na Palavra Aberta.

Impunidades. Do Pedro Rolo Duarte.

Eu veto. Da Ana Vidal, na Porta do Vento.

Tropa de Elite. Do Francisco José Viegas, n' A Origem das Espécies.

 

(em actualização)


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publicado por Pedro Correia
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O caso Moutinho

Desculpem voltar a falar do assunto, mas há bocado uma carrinha enorme veio para cima de mim numa rotunda e, como não pude deixar de reparar nas letras garrafais e na cara lá estampada, volto ao "caso João Moutinho". Isto para dizer que me apercebi que o jovem de 21 ou 22 anos tem uma escola com o seu nome, patrocinada e com o apoio total das academias do Sporting. Por isso é que não se perdoa a um capitão de equipa, que é o segundo jogador mais bem pago do plantel (a seguir a Liedson), as declarações que fez, querendo sair do clube para rumar ao Everton, mesmo que este clube não esteja disposto, como parece, a pagar a cláusula de rescisão acordada no contrato. Moutinho era um líder, um ídolo dos mais novos sportinguistas, agora está a gerar problemas no balneário por causa de uma decisão infantil motivada apenas pelo simples facto de só pensar em si. Se perder a braçadeira de capitão, não me admira. Já deixou de a merecer.



publicado por Francisco Almeida Leite
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Sugestão ao Conselho de Curadores

Esta mulher tem que ser nossa!  Salvo seja e com o devido respeito que é todo. Ou, vá lá, é imenso.



publicado por João Villalobos
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Eu sou, tu és, nós sumos...Cristalina

Agradeço aos amigos e inimigos, os quais muito estimo de igual forma, o favor de explicarem ao maradona quem eu sou nesta caixa de comentários se de tal façanha forem capazes. Obrigado. É só para ver se ele aceita o meu convite para um almoço de debate sobre formas de vida passariformes. 


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publicado por João Villalobos
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A melhor década do cinema (131)

O FALSO CULPADO

(The Wrong Man, 1956)

Realizador: Alfred Hitchcock

Principais intérpretes: Henry Fonda, Vera Miles, Anthony Quayle, Harold Stone, John Heldabrand

"Um filme tenso, excitante e fascinante." (Clayton L. White)


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publicado por Pedro Correia
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O insulto da semana

"José Casanova é director do Avante!"

Ferreira Fernandes, DN


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publicado por Pedro Correia
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O panegírico da semana

De Vital Moreira, evidentemente.


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publicado por Pedro Correia
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Emoções básicas (3)

Num post abaixo, o João Villalobos fez uma crítica a um texto do Henrique Raposo, do blog Atlântico. E recebeu uma resposta curiosa. Estavam os dois a falar de corrupção, mas parece que o Henrique vê em Portugal uma singularidade. Diz ele: “Os partidos colonizaram Portugal, colonizaram o sistema político”; “sistema partidário não pode ser sinónimo de sistema político”; “numa democracia liberal decente, os partidos actuam num sistema político. Não são donos dele. Em Portugal, não é assim”.

A resposta do Henrique Raposo parte de uma ideia que me parece errada: temos mais corrupção do que os outros porque o nosso sistema é diferente. O Henrique até faz a extraordinária observação de que temos partidos a mais.

Parece-me que é ao contrário em ambos os casos: temos partidos a menos e o nosso sistema não difere daquele que existe na maioria dos países.

Se houvesse mais partidos, havia coligações (como na Alemanha) e não seria preciso maioria absoluta, uma tentação.

Na realidade, temos um sistema político bipartidário, igual ao dos vizinhos, incluindo EUA, Reino Unido (que sendo quase tri, é na realidade bi), Espanha (onde as autonomias alteram essa divisão ao meio) ou Suécia. Portugal não tem nada de especial na matéria e apenas imitou os outros.

As carreiras políticas fazem-se através de partidos. É assim na democracia. Há poucos independentes nos EUA e um candidato independente não conseguirá ser eleito presidente. No Irão, para ser líder, basta saber muito de teologia.

Em todas as democracias parlamentares, os partidos são donos do sistema político. Incluindo nos EUA, onde a disciplina partidária é menor do que na Europa. Os partidos políticos têm grande controlo sobre a imprensa, a economia e a cultura. Em todos estes países se discute o financiamento dos partidos e a corrupção.

Não há singularidade portuguesa e se o país é mais corrupto, as causas serão outras, nomeadamente a forma como o eleitorado desculpa abusos. Há um aspecto cultural: os portugueses estão dispostos a perdoar. Na Suécia, uma ministra demitiu-se por usar o cartão de crédito do Estado para comprar fraldas para o filho; em Portugal, isso era impossível. No máximo, haveria um encolher de ombros.

 



publicado por Luís Naves
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Com a verdade me enganas

Hoje, Diário de Notícias e Correio da Manhã reproduzem a mesma deprimente fotografia, a propósito da inauguração de um centro de oncologia em Vila Real. O deprimente da imagem não tem a ver com o ar enfastiado de um primeiro-ministro com as mãos nos bolsos enquanto a ministra olha atentamente para o chão sabe-se lá porquê. O deprimente tem a ver com o que se vê por detrás deles, a ocupar o exíguo quarto com chão de linóleo: Uma poltrona de napa barata ao canto, uma cama daquelas que se vêem nos filmes da Segunda Guerra e uma janela de alumínio sem cortinas. Em suma, o «novo» centro de oncologia ainda mal abriu as portas e já tem aspecto de ser mais velho do que a Sé de Braga. Ao que leio, Sócrates escolheu aquele preciso lugar para afirmar que «Não se podem ter serviços de excelência em todo o lado». Palpita-me que, muito cedo, os visitantes do «novo» centro de oncologia vão perceber que - pelo menos desta vez - o PM não mentiu.



publicado por João Villalobos
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Palavras que odeio (167)

Resiliente


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publicado por Pedro Correia
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O "se" de Portugal*

 

Uma eterna frase condicional, que se exerce na norma do conjuntivo.
Uma hipótese, uma concepção ou um desejo
Conjugação irresponsável do verbo na pessoa do outro e nunca na primeira.
Um pretérito que se perpetua
 
 
* Ao cuidado de quem me lê e de quem me comenta


publicado por Filipa Martins
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Nas colunas

 

Asteria, «Quant la doulce jouvencelle»

 


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publicado por João Villalobos
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Segunda-feira, 28 de Julho de 2008
Trevas medievais na idade atómica

 

“Justiça” no Irão: oito mulheres e um homem foram condenados à morte e aguardam execução. Os seus “crimes”? Prostituição, incesto e adultério – no caso das mulheres, segundo considerou o tribunal islâmico. O homem, professor de música, foi condenado por ter mantido relações sexuais com uma estudante.
Elas têm entre 27 e 43 anos, ele tem 50. Se as penas se cumprirem, como tudo indica, num dos próximos dias as vítimas serão executadas da forma mais bárbara e cruel: por lapidação.
Assim vai o Irão – mergulhado nas trevas medievais, à mercê do Ministério da “Virtude”, enquanto procura fabricar a bomba atómica.

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publicado por Pedro Correia
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O xô guarda desculpe

Que fazem os polícias que não estão entretidos a rebocar o meu carro? Minuciosa pesquisa permite-me fornecer a resposta ao curioso leitor:

1 - Estão aos magotes nos festivais de música ao ar livre a empurarrem-se uns aos outros e à risadas, como meninos no primeiro dia da colónia de férias;

2 - Circulam na Baixa em cima de umas trotinetes ridículas, para espanto dos turistas;

3 - Estão plantados perto de uma obra ou à porta de um prédio. Mandam mensagens no telemóvel e bocejam;

4 - Estão nas corridas de toiros. Enquanto dois circulam nas trincheiras, outro senta-se na varanda, muito direito, ao lado do Inteligente.

5 - Defendem com zelo a entrada em qualquer rua, praça ou avenida cortada ao trânsito para finalidades comerciais;

6 - Roubam-lhes as pistolas no Entroncamento. Perseguem os bandidos até Abrançalha de Baixo. Provocam, em Abrançalha de Baixo, grande fuzilaria. Queixam-se de que um deles ficou ferido. Prendem o suspeito. O suspeito não tem arma.

Já não falo nas investigações, e nos livros, e no resto. A sério: sou só eu que me envergonho destas figuras?

 



publicado por Cristina Ferreira de Almeida
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Melhor deputado do PCP

ANTÓNIO FILIPE

É acutilante sem jamais ser deselegante. Estuda as matérias, sabe argumentar, é uma das presenças mais assíduas no hemiciclo. E, sem dúvida, um dos deputados que mais trabalha: na sua bancada, que tem poucos elementos, é especialista em diversas áreas. É uma pessoa de convicções, mas ao longo destes anos nunca o vi resvalar para o insulto a um adversário político - e muito menos a um camarada de partido que pense de maneira diferente da direcção. O PCP fez muito bem em designá-lo vice-presidente da Assembleia da República, função que cumpre com todo o mérito.

Há quem entenda que todos os deputados são iguais. Eu não. Por isso voto nele.


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publicado por Pedro Correia
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Guerra de Sexos VI

 

 - Em qualquer caso as minhas confissões serão feitas, se as quiser ouvir. A vantagem é que são breves, ou, como aprendi quando me confessava, respeitando os quatro “Cs”: claras, concisas, concretas e completas.
 
As narrativas têm de ter um começo e a presente poderia ter sido inaugurada com a declaração que se acaba de fazer. Não tenho a soberba de admitir que tudo o que foi escrito é apoucado e sem sentido e o que se segue esclarecedor e consequente. À ausência de soberba junta-se, quem sabe, pouca coragem.
 
  
Um homem quando soma décadas julga-se sábio. Sensação de falsa segurança que o deixa incauto. É, portanto, a história de um homem colhido pela surpresa a que se segue. A ofensiva, dotada da rapidez felina e da suavidade da passagem do tempo, não tem origem renal ou pulmonar, apesar de a respiração poder ser momentaneamente arrítmica. Dá-se, contudo, no músculo que os poetas garantem tornar-se inexpugnável com o passar do tempo. Gente pouco credível.
 
O homem de que vos falo era confesso amante das ciências exactas, habituado ao lugar das coisas, circulava entre divisões com funções catalogadas mentalmente. As regras nasciam com naturalidade própria, não sendo impostas ou ditatoriais, mas sendo sempre respeitadas. Os objectos dessas salas, de épocas que pululam na linha temporal, interagiam com a memória deste homem. Paciência houvesse para o detalhe de prosa, e à boa maneira académica as peças eram descritas com a paciência resgatada do Museu de Arte Antiga. Este discurso de pormenor escondia uma característica menos nobre, mas humana. O conhecimento adquirido sobre as coisas só se exercia em pleno quando associado à posse das mesmas. Nada que se tornasse um problema para este homem, que longe estava de ter parcos recursos. A vertigem da compra era calculada e a partir daí a retórica sobre o objecto encetada.
 
Ninguém lhe merecia tanto detalhe de prosa. A surpresa colheu o homem quando ele se viu capaz de falar de alguém como falava das coisas. E ao contrário das coisas, esse alguém nem sempre se deixava possuir. Foi, desta forma, que foi privado do objecto de retórica, de uma ou outra faculdade racional e dos freios do comportamento. O impossível tinha acontecido.   


publicado por Filipa Martins
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A boutade que faltava

Não percebo a indignação de alguns ou por que razão Cravinho havia de ser a excepção: Há muito tempo que se sabe que José Sócrates não recebe lições de ninguém. 



publicado por João Villalobos
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Corta-fitas
Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com

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