Segunda-feira, 30 de Junho de 2008
Ou não...

Skank - "Te Ver"



publicado por Francisco Almeida Leite
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Vitórias morais

Ao longo dos últimos anos assisti com prazer ao fim das vitórias morais no futebol português. Por um lado, passámos a ganhar mais vezes, a jogar melhor. Por outro, o comentário desportivo também se desenvolveu. Tornou-se mais enxuto, um pouco mais independente. Ontem, porém, regredimos. Depois da vitória da Espanha sobre a Alemanha, por 1-0, com a consequente consagração dos nuestros hermanos (odeio a expressão) como campeões europeus de futebol, voltaram as explicações e as justificações para o desaire da equipa nacional, às ordens daquele selecionador que todos (menos eu e uns poucos) achavam verdadeiramente genial.

Depois da entrega da taça e dos abraços do Rei Juan Carlos a Casillas, fiz um ráido zapping para a SIC Notícias e então não é que me deparo com o comentador habitual a riscar num quadro electrónico onde constavam os nomes de vários jogadores portugueses contra a Alemanha? Pensei: estou a ver mal, não percebi o ponto. Mas era isso mesmo. Não sei quantos dias depois as televisões ainda se dão ao trabalho de analisar o que se passou num jogo que já está mais que enterrado. Isto em prime-time. Estão os jogadores mais entretidos com as namoradas espanholas (ou não) e os especialistas da matéria ainda os estão a pôr num quadrozito de um lado para o outro a tentar ver onde é que falharam!? Isto é análise? É jornalismo? O que eu ontem queria saber era o número de passes certos do Iniesta e do Xavi. Isso sim...



publicado por Francisco Almeida Leite
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Nova Iorque na Madeira

O mar a perder de vista: está tão perto que parece sempre ao alcance da nossa mão. Uma piscina enorme, em varanda sobre o mar. O hotel espraiando-se como um anfiteatro em redor da piscina.

O jardineiro rega os canteiros de begónias com desvelo de mãe a cuidar de um recém-nascido. Passam três gatos, hóspedes permanentes do jardim, em busca de uma sombra.

Oito espreguiçadeiras ocupadas por alemães ociosos, em ressaca futebolística. Chegam-me palavras desgarradas: essen, trinken, schlafen.

Dois quilómetros para oriente, a cidade do Funchal, irradiando o esplendor de sempre. Abro um romance de Don DeLillo, com um belíssimo título: O Homem em Queda. Excelente romance - talvez o melhor que já se escreveu sobre o 11 de Setembro. Data limite, data seminal. Que libertou demónios antigos como o mundo e pôs "o nome de Deus a um tempo nas bocas dos assassinos e das vítimas", inaugurando um cortejo de vingança e devastação.

No momento em que o segundo avião colidiu contra a torre, que parecia tão forte e era afinal tão débil, "ficámos todos um bocadinho mais velhos e mais sensatos", diz uma personagem do romance.

Pouso o livro, olho de novo o mar - este incomparável oceano da Madeira. A vida é tecida por fios muito frágeis: há que aproveitar bem cada instante. A longa piscina está agora vazia, convida-me ao mergulho. Vou ao encontro dela.



publicado por Pedro Correia
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Uns reis felizes

A vitória do troféu europeu de futebol ajudará certamente à consolidação do grande reino da Espanha tal como a conhecemos hoje. Um orgulho contra todos os separatismos. Eu, por mim, sofro de inveja... duas vezes.


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publicado por João Távora
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Mais um que percebeu

"Não é por acaso que Manuela Ferreira Leite precisou de reagir tão enfaticamente à hipótese de, após as eleições de 2009, se formar um governo de 'bloco central' entre os dois maiores partidos nacionais, o PS de José Sócrates e o seu próprio PSD. 'Alianças com o PS', perguntou ela, 'só se eu estivesse doida!'.

A resposta é enfática no estilo porque não o pode ser no conteúdo.

Em primeiro lugar, era preciso matar o assunto, por razões externas. Seria muito desagradável, a um ano das eleições, dar já como comprometido o partido que supostamente deve competir pelo governo. Ao PSD cabe desempenhar aquele papel, por pouco que acredite nele, sob pena de tornar as eleições ainda menos competitivas do que elas ameaçam ser.

E em segundo lugar, era preciso matar o assunto, por razões internas. Ninguém duvide de que, dentro do PSD, pouca gente se incomodaria com um governo de 'bloco central'. O PSD não é um partido de alternativa, é simplesmente um partido que acha que deve estar no governo. Se for sozinho, óptimo; se for acompanhado, menos mal. Se der muito trabalho, lá terá de ser; se não der trabalho nenhum, melhor ainda."

 

"Agora o conteúdo. Como já alguém notou, Manuela Ferreira Leite respondeu que nunca faria alianças com o PS - a não ser que estivesse louca -, mas o mais interessante é que a pergunta não era essa. 'Alianças com o PS' significa os dois partidos concorrerem juntos às eleições. Um governo de 'bloco central' significa os dois partidos governarem juntos após as eleições não tererm dado uma maioria absoluta, meia-dúzia de comentadores sisudos decretarem que esta é a coisa mais 'responsável' a fazer e o Presidente da República aparecer em público com um ar pesaroso."

 

Rui Tavares, no Público de hoje (última página)



publicado por Francisco Almeida Leite
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Só aqui entre nós

Isto é, entre mim e os melhor informados eborenses: Alguém me explica porque voltou agora à baila a história do «Príncipe da Transilvânia»? É que parece muito sumarenta mas deixei o livro a meio e já não percebo ponta de um chavelho.



publicado por João Villalobos
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Palavras que odeio (150)

Paulatinamente


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publicado por Pedro Correia
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Os especialistas

Andaram a "vender-nos" a Holanda, que iria arrasar tudo e todos. E a Croácia - selecção-maravilha do Europeu. De caminho, apostaram na Itália, "como sempre acontece". Resignaram-se depois a vaticinar o triunfo da "imbatível" Rússia. E, enfim, garantiram que a Taça seria dos alemães, graças ao seu "poderio atlético" e à sua "incomparável disciplina táctica". Nunca os ouvi mencionar a Espanha entre os favoritos. Nem vaticinar, como técnico vencedor, o "velho" Luis Aragonés (quase com 70 anos), casmurro e obstinado, que teimou em não seleccionar o "astro" Raúl e em manter na defesa os "inábeis" Puyol e Marchena, que "toda a gente sabia" serem jogadores cheios de insuficiências.

São os especialistas em futebol cá do burgo. Falam e falam e falam e falam. Mas nunca acertam.

 


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publicado por Pedro Correia
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Pelos espanhóis, por uma vez

Não me lembro de ter torcido pela selecção espanhola, com a qual sempre embirrei. Até ontem. Espanha apresentou, sem dúvida, o melhor futebol deste Campeonato da Europa: demonstrou talento nos relvados sem deixar de ser consistente. E foi sobretudo um exemplo de determinação, com uma equipa cheia de excelentes jogadores que jogam maioritariamente nas equipas do seu país e não pecam por vedetismo (como aquele craquezito ainda em Alvalade que já dá entrevistas a dizer que "sonha" com o Manchester).

Os espanhóis mostraram um colectivo coeso e tremendamente eficaz, como já se tinha provado nos dois jogos contra a Rússia (vitórias por 4-1 e 3-0) e ao afastarem a Itália, que mesmo quando joga mal - o que acontece com muita frequência - é sempre uma selecção temível.

O espectáculo espanhol culminou na vitória de ontem, em Viena, contra a selecção alemã, que afastou Portugal do Europeu e depois eliminou a sensacional Turquia. Afinal a gabada  "máquina" alemã emperrou aos olhos de milhões de espectadores: o que dela mais sobressaiu foi o mau comportamento disciplinar de Ballack, o campeão das faltas num Europeu onde o fair play e o desportivismo foram notas dominantes, a par da grande qualidade técnica da generalidade das equipas.

Este onze-base espanhol que justamente se sagrou campeão é uma das melhores selecções que vi jogar desde sempre. Com o seguríssimo Casillas, na baliza. O eficaz lateral esquerdo Capdevila. A muralha formada pelos defesas centrais Marchena e Puyol. O arrojo do lateral direito Sergio Ramos, que ontem mais parecia um extremo. O fabuloso meio-campo, em que se destaca o baluarte Senna, talvez o melhor jogador deste Europeu. Mas também Xavi e Fábregas, com os seus passes certeiros e milimétricos, e a criatividade da dupla Iniesta-Silva, que destroçou as linhas defensivas alemães, alternando lances ofensivos à esquerda e à direita. E ainda os avançados, David Villa (melhor marcador do Europeu) e Fernando Torres (autor do golo de ontem, em que demonstrou o que é um ponta-de-lança àqueles que por cá continuam a enaltecer os méritos de Nuno Gomes).


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publicado por Pedro Correia
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Bicicletas em Lisboa

 

Não me entusiasmam muito as noticias que por aí circulam anunciando projectos de ciclovias para a cidade de Lisboa. Antes preferia conhecer desenvolvimentos quanto aos prosaicos problemas da limpeza ou do estacionamento caótico na cidade. Por mais politicamente correcta que seja a ideia, trata-se quanto a mim de uma caprichosa veleidade provincianamente importada das eficazes e planas cidades europeias.

Acontece que Lisboa, cidade bela e charmosa apesar de arruinada, à conta das suas inúmeras e radicais colinas é tudo menos apropriada para esse salutar meio de transporte. Lembro-me bem  quando outrora circulavam mais bicicletas na capital, elas eram maioritariamente utilizadas pelos amoladores e pelos estafetas da Marconi:  os primeiros limitavam-se a empurrá-las indolentemente assobiando no pífaro, os segundos arrastavam-nas empoleirados nos eléctricos ou nos autocarros. A avisada regra desses ciclistas era respirar um pouco, fosse a subir a Calçada do Combro, a Avenida da Liberdade ou  percorrendo a 24 de Julho.
Morei uma vida inteira em Campo d’Ourique e sei bem como era ingrato sair do bairro na minha linda bicicleta verde metalizada. Sob pena de ter de me esfalfar a voltar para casa, era-me impossível descer abaixo do Jardim da Estrela e o bom senso impedia-me de me aventurar mais abaixo do que a Meia Laranja por mais sedutor que se me apresentasse aquele fantástico  declive. Reconheço que optando por um percurso ali pelas Amoreiras pudesse chegar até ao Campo Pequeno sem prolongados ou abruptos desníveis. Acontece que nada me atraía para essa zona da cidade, os meus interesses situavam-se noutros pontos bem mais acidentados.
Às vezes ponho-me a pensar de onde até onde se pode ciclar por Lisboa sem se ter pernas e pulmões à Joaquim Agostinho. Haverá por certo alguns percursos possíveis, mas que simplesmente não vão dar a lado nenhum. A única solução que vejo será  ter-se um Jeep ou uma carrinha no destino escolhido para se recolherem as bicicletas e assim os ciclistas voltarem  para casa em paz, sem o perigo duma fatal apoplexia, que é algo que nenhum atleta amador deseja.

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publicado por João Távora
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Os donos do mundo

 

A discussão sobre quebra de disciplina e de valores nas escolas está ao rubro em França, depois de um professor ter dado um estalo a um aluno que o chamou de imbecil na sala de aula. O caso ocorreu em Berlaimont, uma cidade do norte do país, e ontem foi conhecido o seu desfecho na justiça. O professor, José Laboureur, de 49 anos, foi julgado e punido com 800 euros de multa e o aluno castigado com três dias de suspensão e transferência de escola.
Há 30 anos a leccionar, José Laboureur alegou que nunca um aluno lhe tinha falado assim. Porém, a promotoria não foi sensível à sua argumentação, classificando a agressão como “uma cena de violência onde houve vontade de humilhação”. O aluno em causa tem apenas onze anos.
De acordo com a lei francesa, este professor arriscou cinco anos de prisão. O facto de ter sido considerado pela generalidade dos encarregados de educação um bom professor e de não ter, na sua já extensa carreira, um precedente que envolvesse agressão, contribuiu para que o estalo lhe ficasse apenas em 800 euros.
À partida, baseando-me no que consta através da Imprensa sobre este assunto, parece-me que a justiça francesa não se saiu mal. A não ser em legítima defesa, não se pode aceitar que um professor chegue a vias de facto. Já o discurso da promotoria sobre a “vontade de humilhação” de José Laboureur não me soa nada bem. Para ser mais precisa, irrita-me. Porque trai o espírito que por cá também se usa - incensado como politicamente correcto, desde que as novas correntes da pedagogia vieram subverter a tradicional relação de poder entre professor e aluno - e que confere às crianças um estatuto de privilégio.
Vontade de humilhar? Então e como podemos classificar a atitude do rapazinho? O que vai na cabeça de um miúdo de onze anos quando decide desafiar a autoridade do professor durante a aula, chamando-lhe imbecil perante a turma?
Ungidas como estrelas da companhia, as crianças têm que ser protegidas, compreendidas, seduzidas, ensinadas e educadas pelos professores. Até prova em contrário são sempre o elo mais fraco, as vítimas do sistema e da sociedade. Nesta perspectiva, os professores existem na escola para as servir.
Como é que uma criança de onze anos ousa, em plena aula, chamar imbecil ao seu professor? É justamente porque já intuiu toda esta relação de forças e sabe que está em vantagem. Esta parte do “programa” não é preciso ensinar. Eles aprendem-na sozinhos, por instinto, e desde a mais tenra idade.

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publicado por Teresa Ribeiro
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E ainda dizem que o Bloco Central é impossível

«A vida de José Sócrates vista por um barão do PSD».

Ana Sá Lopes, no DN.



publicado por João Villalobos
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O coice do dia

«O facto de estarmos em plena fase de debandada das bolsas significa que as economias vão continuar a desacelerar por muitos meses mais e que não há qualquer perspectiva de recuperação: nem como, nem quando, nem onde».
Paulo Ferreira, no Público.



publicado por João Villalobos
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Inutilidades (42)

Casamento (enquanto actividade precária)



publicado por Teresa Ribeiro
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Carnalidade

Não te peço fidelidade, mas desejo
Deixa as magnólias no banco do jardim, os costumes brandos
As ciências botânicas, astronomia de ponteiro ou dedo em riste
Daedalus, Cassiopeiae, Chi Cygni
Bocejos
Destrói o romantismo, o humor pardacento e mole de enamorado 
O  humedecer das mãos juntas na escuta do evangelho
Das escrituras, só se herda fantasmas e cegueira
Dos poetas, só ambiciono o pó dos livros
Uma frase de circunstância
E que não incomodem



Não te peço respeito, mas volúpia
Carne quente, um arfar prudente, dominante
Dois goles de vinho branco intermitentes
Outro na tua boca. Antes, depois, durante.
E no final, um despedir superficial, pedante



publicado por Filipa Martins
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Domingo, 29 de Junho de 2008
Nas colunas

Nick Cave, «Into My Arms»

I don't believe in an interventionist God
But I know, darling, that you do
But if I did I would kneel down and ask Him
Not to intervene when it came to you
Not to touch a hair on your head
To leave you as you are
And if He felt He had to direct you
Then direct you into my arms


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publicado por João Villalobos
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Excesso de história

Acontece com as pessoas, acontece com as famílias, acontece com os povos. O excesso de história é causa de entropias fatais, de decadência, de extinção.  Agarrados a velhos mitos e traumas, cultivam desavenças e incompatibilidades pueris. Qual amargo solteirão que não se liberta de vazios rituais e trôpegas manias, é atraído para o abismo da estéril solidão. Sem futuro nem esperança, mistificam um passado glorioso, e esperam um improvável messias, uma miraculosa lotaria que os  resgate da ameaçadora decadência.

Cheios de história, feitos e conquistas ancestrais, as pessoas, as famílias ou todo um povo, almejam direitos e honrarias vitalícias. Com excesso de história não se conformam com os ingratos deveres rotineiros, repugnam-lhes as pequenas maçadas e as mais básicas práticas de subsistência. Alienados, impotentes para com a realidade, assim se esvai toda a motivação e a auto-estima, o gosto pela vida, enfim. Isto acontece com os povos, com as famílias e até com as pessoas.

 



publicado por João Távora
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Embirrações

A cozinha é uma mulher pérfida, que gosta de me trazer pela arreata. À mínima distracção queima-me e corta-me. Estou cheia de marcas feitas pela sua tropa de choque, chapeada a inox. As facas são as mais falsas e perigosas. Parecem cobras, sempre prontas a morder ao menor deslize. Mas os tachos ainda me irritam mais, porque são sonsos e perversos. Se os olho nos olhos não acontece nada, mas mal viro costas desatam a ferver. Se me distraio, queimam tudo. Ah, como eu os odeio! Como odeio a disciplina a que tenho de me sujeitar para que essa analfabeta que só quer saber de sopas e de couves não se fique a rir dos meus desastres culinários!
Só quem não tem a experiência é que pode imaginar que numa cozinha há menos disciplina que num escritório. Acaso a fotocopiadora desata a soprar se nos esquecemos lá dos nossos prints? Porventura nos queimam e esfaqueiam só porque nos desconcentrámos? Alguma vez o nosso chefe inutilizaria por completo o nosso trabalho só porque não estava no ponto?
Não me venham com conversa mole. A cozinha é uma sargenta que não admite falhas. É uma bronca que me obriga a levar a sério um refogado e não tolera divagações.
Como escapismo só vale pela extrema concentração que exige aos seus amadores. Para isso serve. Pode ser boa como desporto, mas não a desejem em permanência porque é absorvente, possessiva e caprichosa como só uma mulher insuportável sabe ser!


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publicado por Teresa Ribeiro
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A melhor década do cinema (116)

JORNADA DE HERÓIS

(Bend of the River, 1952)

Realizador: Anthony Mann

Principais intérpretes: James Stewart, Arthur Kennedy, Julia Adams, Rock Hudson, Lori Nelson, Jay C. Flippen

"Um western inteligente, cheio de acção e tensão." (Brian Koller)


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publicado por Pedro Correia
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O coice do dia

"...os juízes de Palermo, da Sardenha e do País Basco não são suicidas, nem aqui os chamaria se fossem heróis tolos. Não misturam é o cu com as calças: o facto de serem alvo dos bandidos não os impede de exercer o que são. Não fecham as portas ao primeiro susto. Combatem quem os assusta tornando-se mais eles, mais juízes. Porque o susto os convenceu ainda mais que são necessários. As agressões do Tribunal da Feira deviam ter convencido os juízes, assim: "Olha, sou mesmo necessário." Em vez disso, suspenderam-se." - Ferreira Fernandes no DN.



publicado por Teresa Ribeiro
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Leituras

"Num mundo onde a vida vai tão naturalmente ao encontro da vida, onde as flores se unem às flores até no próprio leito do vento, onde o cisne conhece todos os cisnes, só os homens constroem a sua solidão."

Antoine de Saint-Exupéry, Terra dos Homens


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publicado por Pedro Correia
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Domingo

Leitura da Segunda Epístola do apóstolo São Paulo a Timóteo 
 

Eu já estou oferecido em libação
e o tempo da minha partida está iminente.
Combati o bom combate,
terminei a minha carreira,
guardei a fé.
E agora já me está preparada a coroa da justiça,
que o Senhor, justo juiz, me há-de dar naquele dia;
e não só a mim, mas a todos aqueles
que tiverem esperado com amor a sua vinda.
O Senhor esteve a meu lado e deu-me força,
para que, por meu intermédio,
a mensagem do Evangelho fosse plenamente proclamada
e todos os pagãos a ouvissem;
e eu fui libertado da boca do leão.
O Senhor me livrará de todo o mal
e me dará a salvação no seu reino celeste.
Glória a Ele pelos séculos dos séculos

 

Da Bíblia Sagrada


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publicado por João Távora
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Inutilidades (41)

Educação (que sacrifica a qualidade do ensino à obsessão das estatísticas)



publicado por Teresa Ribeiro
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Sábado, 28 de Junho de 2008
A descobrir nas colunas

Alexia Bomtempo


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publicado por João Villalobos
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O coice do dia

«Se as elites não estudam os problemas, não criam as soluções e não lideram a mudança, mais ninguém o poderá fazer. Um país em que as elites protestam, reivindicam, pedincham, exigem, vai ser liderado por quem? Se todos pedem, quem dá? Se os melhores entre os melhores não assumem a responsabilidade pelo seu destino, se esperam que alguém lá no topo os dirija e lhes resolva os problemas, quem é que devemos colocar no topo»?
João Miranda, no DN



publicado por João Villalobos
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Feminismo

Ainda bem que ela participou na promoção disto. Se tivesse outro perfil e outra filiação partidária neste momento já choviam bocas sobre queima de soutiens.



publicado por Teresa Ribeiro
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Não é uma questão de gostos

Não podem existir, como é óbvio, «brincadeiras de mau gosto» no que respeita a situações relacionadas com a segurança do Primeiro-Ministro e, por isso, foram algo levianas as palavras da Governadora Civil de Faro, na tentativa de relativizar o sucedido com os disparos no pavilhão Arena, após a saída do local de Sócrates. É bom que a PJ diga depressa o que apurou. Estivesse ali na qualidade de secretário-geral ou não, tivessem os disparos sido dados vinte minutos depois da sua saída ou não, com coisas destas ninguém pode andar a brincar.



publicado por João Villalobos
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No Zimbábue é pior

Reagindo (tarde e a más horas) à agressão aos juízes de Santa Maria da Feira que chocou o País, o ministro da Justiça não conseguiu melhor que isto: "Em muitos países do mundo existem incidentes desta natureza e em número bastante mais elevado." É capaz de ter razão: consta que no Zimbábue as coisas são piores...

Cada vez me convenço mais que Sócrates terá de fazer uma remodelação governamental, seguindo o exemplo de Zapatero, que substituiu quatro ministros a seis meses das legislativas de 9 de Março. É quase uma questão de sobrevivência política: nem a sua boa estrela consegue já protegê-lo de tantos dislates que os Pinhos, os Linos, os Costas e os Silvas vão propagando em doses imoderadas.


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publicado por Pedro Correia
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À atenção da Ritinha

Este novo blogue, dedicado à poesia, com um nome de que gosto muito: A Invenção da Palavra. Mas cuidado com o excesso de leitura por causa das ruguinhas no meio da testa.


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publicado por Pedro Correia
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Provincianos até à medula

Amanhã disputa-se a final do Europeu: estou a torcer pelos espanhóis contra os alemães. Mas, lendo a imprensa desportiva portuguesa, ninguém diria que a Europa do futebol ainda mexe: os três diários da especialidade dedicaram ontem os mais microscópicos títulos das suas capas à grande vitória da Espanha na meia-final contra a Rússia, selecção que quase todos consideravam favorita. Enquanto Cristiano Ronaldo e os restantes patrícios estavam na Suíça, as parangonas patrioteiras eram de ir ao vómito; mal a turma de Scolari foi excluída, nos quartos-de-final, os "desportivos" varreram o Euro para os rodapés. A vidinha dos clubes cá da terrinha é mais importante, para esta imprensa, do que a alta roda do futebol internacional, num dos melhores certames de sempre. Nisto, como em tanta outra coisa, somos provincianos até à medula - o nosso olhar nem consegue chegar a Badajoz.


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publicado por Pedro Correia
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Inutilidades (40)

Ignorar a influência das técnicas de marketing na nossa vida, incluindo a amorosa



publicado por Teresa Ribeiro
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O tempo está do lado de Manuela Ferreira Leite

Aquilo que se critica a Manuela Ferreira Leite é exactamente aquilo que acho que ela tem feito melhor. Com a crise dentro de portas a ameaçar Sócrates, MFL tem que se preparar para uma corrida de fundo. Os camionistas paralisam o país? O melhor é ir ver o neto (ninguém pode defender que se ponha do lado dos camionistas); Antes do congresso é empurrada para tomar posições? Alivia a pressão, explicando que as mulheres têm mais com que se preocupar. Não arrebatou o congresso com discursos visionários? Já ninguém acredita em vendedores de banha da cobra, como a Teresa bem escreveu aqui em baixo.

Manuela  já provou o que tinha que provar como governante. Tem que fazer oposição, mas não pode encostar Cavaco à parede. Com a gasolina e os juros a aumentar e inflacção sem crescimento económico, acabou-se o show time e começou a época e que temos que nos preocupar a sério. A época dela.



publicado por Cristina Ferreira de Almeida
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Sexta-feira, 27 de Junho de 2008
Nas colunas

Shirley Horn, «If you love me».


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publicado por João Villalobos
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Se há boas razões para gostar dos russos*

algumas estão no filme Alexandra, de Sokurov. Fotografia quase a preto e branco, diálogos que parecem banais, uma história à beira de ser simples, tudo tão suave que nem se percebe como é que aquela avó é tão carnal e porque é que os olhares dos soldados ganham singularidade na sépia da guerra.  É mais o que une a velha russa e as velhas tchetchenas do que o que as separa. Não fixei a frase correcta, mas a certa altura o absurdo da situação vem da boca de uma das mulheres feirantes: os homens fazem a guerra mas nós, mulheres, somos naturalmente irmãs. Tão simples que parece que estava lá, à espera de ser filmado.

 

*excepto do Putin, claro



publicado por Cristina Ferreira de Almeida
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Mais um Waterloo (12)

Tudo na Ritinha é verdadeiro, desde a raíz dos cabelos louros de trigo (que poeta sou. Quase me comovo) até às unhas azul cobalto dos pés. O que vemos é aquilo que agarramos. Por exemplo um par de coxas tão sedosas que nem um Cohiba se enrolaria nelas sem exclamar algo de prazenteiro. Ena! Upa upa! Ou assim.

Era nisso que eu meditava ainda há poucos minutos enquanto ela me enxotava os avanços, tão concentrada que estava na leitura do portátil enroscado entre as pernas. Quando lê, o que é coisa rara, nascem-lhe umas ruguinhas mesmo no meio da testa que…mas enfim, saiu-se desta maneira:
- O teu amigo escreve muito bem.
- Quem? O Adolfo? Já teve melhores dias. Aquela cabeleireira com quem ele finge que anda deve ter dado uma tesourada fatal nos poucos neurónios que lhe restavam por fundir.  
- Não é esse, é o outro. O João Távora. Olha aqui o que ele escreveu: «Somos gente matreira, irresponsável, preguiçosa e por consequência deprimida». Tem toda a razão. Ele diz que devíamos mobilizarmo-nos.
- Agora? Só se for daqui a 2 anos, por altura do Mundial. E a chamar-nos preguiçosos? Ainda por cima com esta canícula?! Mas o homem gosta de trabalhar ou quê!? Não tarda um fósforo ainda dá em protestante.
- És é invejoso. Eu gostava muito de conhecê-lo. Podíamos convidá-lo para jantar…
- Estás doida? Mas por quem te tomas? Achas que podia dizer ao Távora que a minha amante o quer convidar para jantar?
- Eu não sou tua amante. Tu não és oficialmente casado.

- Hã?

(…)



publicado por João Villalobos
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Tire a mãe da boca *

O verdadeiro problema de Portugal, maior do que todos os seus “desgovernos”, é os portugueses. Salvo honrosas excepções, genericamente somos gente matreira, irresponsável, preguiçosa e por consequência deprimida.
Exceptuando os anos de António Guterres (que está reformado graças a Deus), desde que me conheço que oiço falar em “crise”: há séculos que todos os estudos e estatísticas teimam revelar o nosso país bem no fundo de quase todas as tabelas.
Ora parece-me que aquilo de que Portugal precisa, mais do que bem intencionadas reformas “ortopédicas”, é de uma mudança radical de mentalidades. Que começa pela assumpção de cada um da responsabilidade que o próprio tem pela sua vida, pelo seu projecto, pelo seu país. Com ambição, com vontade, sem desculpas. Há séculos que vivemos a responsabilizarmo-nos uns aos outros pelos nossos insucessos. Responsabilizam-se os ministros, responsabilizam-se os empresários, responsabilizam-se os empregados, responsabilizam-se as elites e os trabalhadores, responsabilizamos o clima, a religião e a vizinha do lado.
É tempo de deixarmo-nos de pieguices e de cada um encher o peito de ar e fazer-se à vida com ambição e responsabilidade. É tempo de incutirmos princípios, aspirações e força de vontade aos nossos miúdos, dar-lhes o exemplo. Ensinar-lhes que eles são os primeiros e últimos responsáveis pela sua vida e pelo seu sucesso. Que o único verdadeiro poder que detêm é sobre os seus comportamentos e atitudes.
Por patriotismo, devíamo-nos todos deixar de tretas e juntos mobilizarmo-nos para uma  enorme campanha pela auto-responsabilização e motivação dos portugueses. Só com uma profunda reforma dos portugueses acredito que algum dia possamos sair  do buraco. O resto são balelas, politiquices e pura perda de tempo.

 

* "Tire a Mãe da Boca” é o título de um ensaio e de um antigo programa radiofónico da autoria de João de Sousa Monteiro.

 

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publicado por João Távora
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Mal amada

À medida que as democracias envelhecem, instala-se nos povos uma progressiva insensibilidade à retórica. A maturidade democrática leva à perda da inocência dos eleitores que aprendem a relativizar o que ouvem e a exigir cada vez maior correspondência entre as palavras e os actos por parte dos políticos. O povo torna-se desconfiado, cínico e no limite céptico, daí as elevadas taxas de abstenção nos actos eleitorais.
Como reacção a este crescente afastamento dos eleitores, da retórica política passou a fazer parte a censura à vacuidade do discurso e da actuação da classe no seu todo ou em parte.
É neste contexto que nascem, entretanto, os políticos que pretensamente se opõem a esta forma de estar na vida e preferem os actos às palavras. E ser consequentes.
O problema é que esta estratégia, embora capitalize no plano da credibilidade e honestidade, é muito exigente. Começa por implicar o escrutínio constante e com efeitos retroactivos do comportamento dos protagonistas no plano ético (de que Sócrates foi vítima), já que este género de políticos costumam reclamar uma certa superioridade moral. Mas o principal obstáculo, é que governar a seco, reduzindo a comunicação e dispensando os serviços das agências, especialistas em desenhar fa(c)tos à medida, (recordo que em campanha Manuela Ferreira Leite disse não saber muito bem para que serviam essas agências) é viver sob a espada de Dâmocles. Político que não fala é acusado de arrogância e antipatia e acaba por ter má imprensa. A não ser que haja bons resultados para apresentar, o que nem sempre é possível.
Longe de ser uma sedutora, Manuela Ferreira Leite encaixa neste estilo. Se chegar ao poder, mesmo que se revele uma governante esforçada será sempre uma mulher mal amada.



publicado por Teresa Ribeiro
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Retratos de Lisboa (7)

Instantâneo na calçada Marquês de Abrantes no final do séc. XIX 

Fotógrafo não identificado, imagem daqui.


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publicado por João Távora
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Ideias para o país (1)

 

Aumentar a duração dos mandatos do Governo, para que as reformas tenham consequências.


publicado por Filipa Martins
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Duplas

"Codinome Beija-flor" - Barão Vermelho e Cazuza



publicado por Francisco Almeida Leite
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