No momento em que escrevo, Nuno Morais Sarmento fala há cerca de meia hora na SIC Notícias, entrevistado por Mário Crespo. É a segunda entrevista numa semana ao mesmo canal: há poucos dias, também em horário nobre, tinha sido entrevistado por Ana Lourenço.
Não há jantares grátis. E entrevistas à hora de jantar também não.
Em resposta às questões que Paulo Portas lançou hoje no debate na Assembleia da República, o nosso primeiro-ministro resolveu dizer qualquer coisa como isto: "Neste Governo não há caloteiros e conversas de taberna". A afirmação de José Sócrates serviu, supostamente, para responder a Portas na famosa polémica dos dentes brancos. Recorde-se que o ministro da Agricultura, um tal de Jaime Silva, tinha sugerido que "há coisas que não se branqueiam numa cadeira de dentista". Moral da história: o primeiro-ministro não só subscreve o que disse o seu ministro, como ainda é capaz de fazer pior, ao colocar o tema na taberna. Bonito.
Foi um ano mágico para Hollywood. A sisuda Greta Garbo soltou pela primeira vez umas sonoras gargalhadas em Ninotcha, de Ernst Lubitsch – um filme que passou logo a ser conhecido pelo slogan publicitário: “Garbo ri.” John Wayne protagonizava o “primeiro western adulto”, como lhe chamou Peter Bogdanovich – era Cavalgada Heróica. James Stewart ascendia ao estrelato num papel inesquecível em Peço a Palavra (Mr. Smith Goes to Washington), de Frank Capra, pelo qual a exigente Associação de Críticos de Nova Iorque lhe deu o prémio de melhor actor. O produtor David O. Selznick trouxe de Estocolmo uma actriz muito jovem e muito tímida, a quem os jornais, com aquelas fórmulas demasiado fáceis a que gostam de recorrer, não tardaram a chamar “nova Garbo”. À beira do fim do ano, o mesmo Selznick estreou aquilo a que os mesmíssimos jornais se apressaram a intitular “filme da década”: E Tudo o Vento Levou.
O ano era 1939 – não houve outro assim na meca do cinema. Um ano em que as obras-primas se sucediam numa vertiginosa sucessão de estreias. Foi o ano em que William Wyler – ainda com o dedo de Selznick – mostrou ao mundo que o universo romanesco de Emily Brontë era filmável, dirigindo Laurence Olivier e Merle Oberon em O Monte dos Vendavais. O ano em que George Cukor (que liderou as filmagens de E Tudo o Vento Levou antes se incompatibilizar com o protagonista, Clark Gable) rodou Mulheres, só com papéis femininos. O ano em que Bette Davis, ferida no seu amor-próprio por não ter sido escolhida para o papel de Scarlett O’Hara, rapou as sobrancelhas para protagonizar Isabel de Inglaterra, de Michael Curtiz. O ano em que Henry Fonda fez de Abraham Lincoln em A Grande Esperança, de Ford. O ano em que Humphrey Bogart se firmava definitivamente no cinema, ao lado de James Cagney, em Heróis Esquecidos, de Raoul Walsh. Um ano em cheio para Judy Garland, que passou De Braço Dado (Babes in Arms, de Busby Berkeley) com Mickey Rooney e foi visitar O Feiticeiro de Oz (de Victor Fleming, o realizador de E Tudo o Vento Levou).
F
“Foi um ano extraordinariamente vigoroso para o cinema americano”; viria a sublinhar Bogdanovich, ele próprio nascido em 1939. A indústria cinematográfica americana estava no auge, a guerra desencadeada por Hitler ainda não ultrapassara o solo europeu, a máquina de sonhos estava bem oleada (nesse ano estrearam-se 476 filmes norte-americanos), estúdios como a MGM gabavam-se de ter mais estrelas sob contrato do que as existentes no firmamento. “Imaginem um realizador do calibre de Ford – mesmo que houvesse algum – hoje estrear três filmes por ano. E ninguém deu grande importância a isso nesses dias misericordiosamente naturais. Era apenas uma ‘missão cumprida’, como diria Ford.”
São ainda palavras de Bogdanovich, que nos lembra a forma como a chamada “imprensa de referência” ridicularizara um ano antes o filme As Duas Feras (Bringing Up Baby), de Hawks. O crítico do conspícuo New York Times chamou-lhe “fita tonta”, desaconselhando os espectadores de a verem por se tratar de “uma perda de tempo”. Foi preciso esperar duas décadas e o reconhecimento de respeitáveis críticos franceses como André Bazin e François Truffaut para que Hawks fosse enfim celebrado nos Estados Unidos como o grande autor que sempre foi e As Duas Feras ser enfim reconhecido em Nova Iorque como uma das mais geniais comédias de todos os tempos. Ninguém é profeta na sua terra...
Quantas obras-primas não passam hoje pelos nossos olhos sem estarmos preparados para as reconhecermos? E quantos críticos, munidos com arsenais de bolas pretas, chamarão hoje “fitas tontas” às obras-primas de amanhã?
Gostei de ir à festa do 20º aniversário da TSF, no Museu da Electricidade. O local foi muito bem escolhido: tem um espaço enorme. E só um espaço enorme podia ter acolhido tanta gente que passou por lá, antes e depois de ter sido cortado o bolo de aniversário. A tribo TSF - incluindo muitos jornalistas que hoje trabalham nas televisões - estava em peso. Havia também muitos políticos, de várias tendências. Só mesmo a TSF podia juntar no mesmo espaço Marques Mendes e Luís Filipe Menezes, como ontem aconteceu. Gostei de reencontrar amigos que já não via há muito. O Luís Costa Ribas, o Álvaro Mendonça, o João Carlos Barradas, o Luís Marinho, o Fernando Madrinha, o António Ribeiro Ferreira. E malta da rádio e da TV que me habituei a admirar, como o José Manuel Mestre, o Pedro Coelho, o Carlos Andrade, o António Esteves, a Carla Moita e o Emídio Fernando. E ex-colegas de redacção, como a Joana Horta e a Maria João Gago. E colegas de blogue, como a Cristina, o Francisco e o João Villalobos.
A TSF nasceu num ano bissexto, a 29 de Fevereiro. Mas não é uma rádio bissexta. Estás de parabéns, Paulo Baldaia - e todos quantos trabalham contigo. Foi bonita a festa, pá.
Gosto sempre muito das crónicas do Manuel António Pina. Desta gostei ainda mais.
O excelente Blasfémias faz hoje quatro anos. Desde que nasceu que está na minha lista de favoritos e é de leitura obrigatória todos os dias. Parabéns a todos, em nome do Corta-Fitas.
Reunida em sessão extraordinária, a comissão permanente do Conselho de Curadores do Corta-Fitas decidiu responder da seguinte forma à Teresa. Para os devidos efeitos é lavrada esta acta, a que se anexa uma expressiva fotografia. Publique-se já.
Daniel Day-Lewis
(E se o conselho de curadores do Corta-Fitas ousar contestar esta minha escolha, garanto que haverá sangue...)
«Que papéis é que me oferecem, por estes dias? Avós - pais, na melhor das hipóteses. E os avós estão sempre muito doentes no início do filme e depois morrem na página 25».
Max von Sydow, citado por Inês Nabais, no Público.
Enquanto aguardo o início do Festival da Lampreia que prevê servir 30.000 refeições em Montemor-o-Velho (Pedro, rói-te de inveja), reparo ao ler os jornais da região que o pessoal aqui leva o Dia Internacional da Mulher a sério no que toca às campanhas promocionais dos seus repastos.
Em Santa Luzia, O Leitãozinho mistura os prazeres da carne e promete "men strip" às senhoras enquanto degustam a iguaria que dá nome à casa ou, em alternativa, uma picanha. Já em Carqueijo O Manel do Castiço fica-se pela singela promessa de um "show masculino", mas ornamenta o anúncio com dois rapagões em cuecas. Dia 8 a coisa por estas bandas promete aquecer. Eu cá, depois de deglutido o arrozinho carolino do Vale do Mondego, já estarei longe. Mas se algum restaurante me quiser contratar para uma performance viril, estou disponível.
Aproveito também para divulgar que o Tribunal da Covilhã absolveu David Duarte num processo de difamação colocado pelo presidente da Câmara, não tendo ficado provado que era ele o autor do blogue Chicken Charles - O Anti-Herói. À saída do julgamento, de acordo com o Diário das Beiras, o designer David ainda disse "que gostaria um dia mais tarde de continuar a colaborar com a Câmara". Não me parece.
Californication é a série do momento e eu, confesso, gosto de quase tudo. Sobretudo da prestação de David Duchovny como Hank Moody, um escritor com um único best-seller, mas com o chamado writer's block, provocado pela separação da mulher e da filha. Moody está perdido na Califórnia, para onde se mudou, e vai tentando escrever, enquanto se mete em várias aventuras extra-literárias, a maior parte sexuais, violentas e alcoólicas. A série passa no canal Showtime nos EUA e por cá podemos vê-la às quintas-feiras à noite (acho que repete aos sábados) no FX, da TV Cabo. A pérola já valeu um globo de ouro a Duchovny e um processo milionário movido pelos Red Hot Chili Peppers pelo uso do título na série, o mesmo que era capa do sétimo álbum da banda, lançado no Verão de 1999. Em Californication estamos perante o mundo de hoje, com uma velocidade estonteante, mulheres bonitas, carros de sport (Moody tem um Porsche 911 Carrera dos anos 80 com um farol partido), noitadas, muito humor e uma dose q.b. de cheap literature. Imperdível.
cóco; ranhoca; lesma; avareza; pequenez; sermão; pesar; dor; doença; fractura; costura;morte.
É difícl responder ao desafio do Pedro Correia porque gosto de todas as palavras. Depois de muito pensar, acho que gosto menos das que não têm "i"s.
Relanço o desafio à Cristina Ribeiro, à Once in a While e às Cartas de Londres.
Por uma vez, o habitualmente sábio Tomás Vasques não tem razão. E confunde alhos com bugalhos. Esta é uma discussão sobre pessoas que dão a cara escrevendo livremente, em blogues ou noutro lado qualquer, sobre aquilo que bem entenderem. Esteja isso de acordo ou não com aquilo que o seu «empregador» pretende que deva ser a sua postura pública e publicada. O Tomás é uma pessoa inteligente. E por isso certamente distingue uma polémica sobre alguém que é encobertamente pago para reproduzir o discurso do patrão, de outro alguém que assina com o seu nome o próprio discurso. Dito de outra forma, certamente o Tomás sabe o que significa a liberdade. «Nefertiti não tinha papeira, Tutankamon apetite». Quem sabe o que isto é e porque surgiu, certamente não precisa de ouvir mais nada.
Ao folhear uma revista que dava dicas e sugestões de presentes originais, um jogo salta à vista. In Love! Contém 270 perguntas e desafios para jogar a dois, bem como 10 cartas de missão – não me perguntem que tipo de missão... Nesta competição amorosa o objectivo é ganhar uma recompensa: a carta-presente. Há 20 cartas-presente, como, por exemplo, ”Durante 3 dias vais servir-me o pequeno-almoço à cama”. Este era o único exemplo dado… Aos que têm habitualmente sorte ao jogo, porque não uma jogatina? É que o Trivial e Monopólio, já eram!
Irreverência
Quando li esta opinião do Eduardo Pitta, a minha primeira reacção foi a de resistir. Tive de reler, para concluir que era mesmo o que estava escrito.
A propósito de uma polémica sobre o encerramento de um blogue de Daniel Luís, Eduardo Pitta escreveu isto:
Acho que há aqui aspectos que convém discutir. Na qualidade de trabalhador assalariado, e ainda por cima jornalista, esta frase soa-me a uma espécie de epitáfio. Gosto de ser irreverente mas, se o Eduardo tiver razão, terei de guardar para mim toda a irreverência que gostaria de cultivar em público. Já que não posso ignorar o feedback das minhas irreverências face à imagem do empregador, preciso de saber até que ponto posso ir. Isto aplica-se certamente ao que escrevo no jornal, mas deverá aplicar-se em blogue? E se eu escrever um livro irreverente? O meu empregador tem alguma coisa a ver com isso? Como bem sabe o Eduardo, o que se ganha em livros ou blogues não chega para pagar a renda de casa, portanto, o meu empregador terá de me sustentar por mais algum tempo... E isso retira-me direitos? Fiz mal a alguém?
Mas este caso é interessante por outro aspecto. Os empregadores podem e devem interferir em blogues dos seus empregados se estes falharem no seu dever de lealdade ou se o contrato de trabalho limitar de alguma forma o direito de expressão do trabalhador. É tudo uma questão de bom senso.
De resto, aplica-se a regra da liberdade. Ninguém tem nada a dizer sobre a minha liberdade de expressão. Ponto final parágrafo.
Mas temo que a discussão não fique tão racional. Um dia virá em que jornalistas como eu não poderão escrever em blogue tudo o que pensam. Será um dia muito triste, garanto-lhe, Eduardo. A natureza dos blogues é esta, a de serem irreverentes com o poder, ou não serem, se lhes apetece. Estamos aqui a falar dos fundamentos da liberdade, que para todos nós não devem ser negociáveis, nem um milímetro, se tivermos sabedoria.
Estive à espera do habitual coro de virgens pudicas. Em vão: nem uma crítica das bempensâncias do costume ao Le Nouvel Observateur, esse prestigiado título de referência da imprensa francesa, que publicou um suposto SMS alegadamente enviado por Nicolas Sarkozy à ex-mulher, Cecilia. Ainda não há muito, as tais bempensâncias elogiavam os media franceses por não se imiscuirem na vida íntima das figuras públicas, sendo por isso um exemplo universal, blablablablablablablá. Afinal de nada valeu a reputaçãozinha: Le Nouvel Observateur agiu como o mais reles tablóide. Por mim, continuo a aguardar que as tais virgens soltem ao menos um grito de indignação. Mas, à cautela, esperarei sentado.
Je t'aime plus qu'hier moins que demain
Je te suivrai au bout du chemin
Tu es mon seul amour pour toujours
Laisse-moi t'aimer un peu plus chaque jour
Les semaines passent je ne vois plus le temps
Tout est différent avec toi
Je t'attendais depuis longtemps
Enfin, t'es dans mes bras
T'as changé ma vie, mes jours et mes nuits
Avec toi, je n'ai plus d'ennuis
Je pourrais tout te donner
Si tu restais à mes côtés
Car je t'aime plus qu'hier moins que demain
Je te suivrai au bout du chemin
Tu es mon seul amour pour toujours
Laisse-moi t'aimer un peu plus chaque jour
Tu es la femme que je veux
Et je suis très heureux
D'être gai triste avec toi
Car tout est si merveilleux
Quand tu es dans mes bras
Tu m'apportes la joie, le soleil dans ma vie
La magie lorsque tu souris
Et tout ce que j'oublie
Quand tu apparais là devant moi
Oui, je t'aime plus qu'hier moins que demain
Je te suivrai au bout du chemin
Tu es mon seul amour pour toujours
Laisse-moi t'aimer un peu plus chaque jour
Car je t'aime plus qu'hier moins que demain
Je te suivrai au bout du chemin
Tu es mon seul amour pour toujours
Laisse-moi t'aimer un peu plus chaque jour
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Acham que a Carla Bruni era capaz de dizer isto ao Nicolas Sarkozy? Ou vice-versa? Je t'aime plus qu'hier moins que demain foi a frase que o meu trisavô mandou gravar numa escrava de ouro que ofereceu à avó Mia. Os tempos, hoje, são outros, não são?
Folheio umas revistas cor-de-rosa. Fico-me pelos títulos, que são expressivos quanto baste.
Eis alguns:
- Modelo quer voltar para ex namorado
- X deu autógrafos nas virilhas
- Y é o novo dono do coração de W
- Amor tranca-a em casa
- Apaixonou-se por um amigo do pai
- K tem nova namorada brasileira
- J apaixonado
- A vitória do amor
Sempre me surpreendeu este jornalismo de fotonovela, que até agora tinha a evidente virtude de não se levar demasiado a sério. Receio, no entanto, que as coisas estejam a mudar. E que este seja um padrão que alastre a outros níveis. O que é a “assumida paixão” entre o “direitista” Nicolas Sarkozy e a “esquerdista” Carla Bruni (modelo perfeito de bloco central), documentada até à náusea, senão uma óbvia rendição aos padrões da fotonovela, que hoje contaminam tudo – a começar pela política?
Segundo consta por aí, Fernando Negrão terá sido indicado para presidir à comissão de inquérito parlamentar à supervisão financeira em Portugal. Uma comissão que irá analisar, com detalhe e pormenor, alegadas irregularidades em instituições bancárias como o BCP. Sabendo-se a dificuldade de Negrão em lidar com siglas - que ficou bem patente nas autárquicas quando trocou as voltas à EMEL, GEBALIS ou a EPUL -, só se espera que o deputado não troque o BCP com o BPI (pelos motivos óbvios), nem coisas do género. A segunda nota para dizer que só compreendo a opção por Negrão à luz da sua profissão: juiz. É que o deputado não domina muito bem as questões económicas e da banca, logo a escolha quererá dizer que o PSD pretende que os trabalhos da comissão funcionem como uma espécie de tribunal...
Calhou a mim fazer a estreia da eleição do blogue da semana do Corta-Fitas. Assim, já consta ali na barra lateral o Nocturno, blogue que descobri recentemente via Miguel Castelo Branco – honra lhe seja feita. Neste sitio mora uma Luísa que compõe primorosamente uma escrita com gente lá dentro. E as suas fotografias, magnificamente sedutoras, estão cheias de Lisboa, em diferentes ângulos, poses e esquinas. O Nocturno é um sítio cheio de luz. Uma dádiva enrolada nos dias, a usufruir com regularidade e prazer.
O ACOSSADO
(À Bout de Souffle, 1959)
Realizador: Jean-Luc Godard
Principais intérpretes: Jean-Paul Belmondo, Jean Seberg, Daniel Boulanger
"Godard faz tábua rasa. Tábua rasa da psicologia, da sociologia, da lógica, da moral e, claro, do cinema tradicional." (Jean Collet)
Será que António Costa, por conta das más contas, se esqueceu de que assegurou aos lisboetas uma cidade com o estacionamento disciplinado? É por falta de dinheiro que não se reprime eficazmente o estacionamento selvagem, ou simplesmente a autoridade receia a rebelião popular? É que, no bipolar entendimento bem português, a efectividade da lei tem no mínimo duas leituras, consoante se é vitima ou prevaricador.
"Os próprios professores verão uma mudança [na gestão das escolas] que atrairá os pais e a comunidade."
José Sócrates, ontem, na Guarda
Acho despiciendo responder a tais reptos, Helder. Mas urge problematizar esta tematização, que é incontornável. Outrossim, não serei eu a obstaculizar e muito menos a postergar o teu desiderato. Concomitantemente, há que implementar a listagem, sem mais resiliência.
E vão doze. Espero que sirvam. Se não servirem, tenho mais oitenta e três prontas a usar. Todas deste género, bem cheias de ranço. É incontornável, outrossim.
P. S. (sem conotações) - Passo a corrente aos meus colegas de blogue: digam lá também doze palavras de que não gostem mesmo nada. Ok?
1. Dois outros blogues fizeram como nós: o Janelar e a Controversa Maresia também já estão na plataforma Sapo. Sejam bem-vindos.
2. "Deslocalizar", Carlota? Pois: também odeio essa palavra.
3 de Outubro de 2006. A notícia da RTP: «Marques Mendes apresenta hoje 15 medidas para apoiar PME`s».
27 de Fevereiro de 2008. A notícia da RTP: «PSD apresenta 5ª feira pacote de 29 medidas de apoio às PME».
*Já agora, 30 teria sido um número mais redondinho.
Alguém aí falou em Europa unida? Por estes dias, o confrangedor espectáculo dos dirigentes europeus sem uma política concertada e coerente sobre a “independência” unilateral do Kosovo vem exibir com nitidez os limites da chamada “construção europeia”, ficção política sem tradução prática sempre que estão em causa os sacrossantos interesses nacionais no Velho Continente. A “Europa” divide-se quanto ao Kosovo: enquanto Alemanha, França, Itália e Reino Unido, a reboque de Washington, se apressam a aplaudir esta “independência” sem suporte jurídico internacional, países como a Espanha, a Grécia, Chipre, a Bulgaria e a Roménia já anunciaram que não reconhecerão o Kosovo como estado independente. Nuns casos joga-se aqui a esfera de influência russa: Moscovo não tolera o corte de laços políticos entre o Kosovo e a Sérvia, que abre um precedente às reivindicações autonómicas dentro do seu próprio território. Espanha, confrontada com a explosão quase incontrolada das “nacionalidades” no seu interior, também não quer tal precedente. E Atenas sabe bem que um Kosovo “independente” dá mais fôlego à chamada República Turca do Norte do Chipre que Ancara pretende impor desde 1974, contra a vontade dos cipriotas gregos.
O Kosovo pode ser um vírus pronto a alastrar na Europa. Veja-se a Bélgica, prestes a implodir devido ao interminável conflito entre flamengos e valões. Repare-se nos húngaros que se agitam na Voivodina e na Transilvânia. Ouça-se o clamor de bascos e catalães. Dentro das próprias fronteiras dos estados que se apressaram a reconhecer o Kosovo não faltam pulsões nacionalistas – desde a Escócia, cada vez mais distante de Londres, à Córsega e ao País Basco francês, já para não falar nas eternas clivagens regionais no frágil estado italiano e dos problemas territoriais entre a Polónia e a Alemanha.
Em pleno século XXI parece às vezes que recuámos duzentos anos na História. Eis-nos novamente no início do século XIX, nacionalista e fragmentário. Só nos falta um Lorde Byron, tendo numa mão a espada e noutra a pena…
Um amigo meu, militante do PSD ao longo de 30 anos, enviou agora a Ribau Esteves a sua carta de adeus ao partido. Conheço-o desde 1984. Durante todo este tempo, vi-o oferecer muitas e boas ideias que ou ninguém aproveitava ou outro alguém parasitava. Em simultâneo, observei como era convidado para cargos de relevo por personalidades socialistas ou independentes, que lhe reconheciam o valor que os seus companheiros partidários desdenhavam. Porque não fazia vida de secção, não bajulava pela sede e acreditava na meritocracia, o meu amigo demorou três décadas a perceber o óbvio. Mesmo assim, estive a ouvi-lo ao telefone durante meia-hora como quem ouve a penosa descrição de um luto recente. Podia tê-lo consolado com esta passagem do nosso Eça:
«Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição. Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações. A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse. A política é uma arma, em todos os pontos revolta pelas vontades contraditórias; ali dominam as más paixões; ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali há a postergação dos princípios e o desprezo dos sentimentos; ali há a abdicação de tudo o que o homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo; em volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes vaidosos, os especuladores ásperos; há a tristeza e a miséria; dentro há a corrupção, o patrono, o privilégio. A refrega é dura; combate-se, atraiçoa-se, brada-se, foge-se, destrói-se, corrompe-se. Todos os desperdícios, todas as violências, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva».
GANGSTERS FALHADOS
(I Soliti Ignoti, 1957)
Realizador: Mario Monicelli
Principais intérpretes: Totó, Vittorio Gassman, Renato Salvatori, Marcello Mastroianni, Memmo Carotenuto, Rosanna Rory, Carla Gravina, Claudia Cardinale
"Uma comédia deliciosa." (Charles Matthews)
Um filme onde Jesus enfrenta vampiras lésbicas. Existirá uma obra capaz de alcançar um nível de tão esmagadora transcendência pop? Oh, sim, se existe! Chama-se Jesus Christ Vampire Hunter e, na fita, o messias mostra o que vale combatendo ao lado de El Santo, um lutador de wrestling mexicano e de Mary Magnum, mulher fatal vestida de vermelho com paixão por canhangulos. "In the new millennium, vampires no longer fear the sun. Now they're going to learn it's time to fear the Son of God", anuncia com um trocadilho bem engendrado o trailer desta produção canadiana de baixo orçamento. Já estou a imaginar o nosso Távora com os pelos do braço todos arrepiados. Mas, no fundo, a mensagem não merece críticas: O Bem vence, a Luz derrota a sombra e as lésbicas deixam de ser atacadas por quem lhes quer mal. Final feliz, portanto.
Cobrar de qualquer jeito passou a ser um desporto do Estado - disse ontem Belmiro de Azevedo naquele tom meio agastado, meio displicente que lhe conhecemos e tanto irrita a nossa classe política.
Mas quem o pode censurar? Quem sabe gerir e criar riqueza é natural que sinta um certo desprezo por todos aqueles que só conseguem equilibrar as suas contas através do dinheiro que vão extorquindo aos outros, no caso os contribuintes.
O melhor comentário ao frente-a-frente Rajoy-Zapatero surgiu na edição de ontem do El Mundo e vem assinado por Raúl del Pozo, um comunista cheio de ironia e talento. "O ansiolítico que Rajoy tomou era melhor do que o de Zapatero. Este ficou com a língua pastosa e cara de vampiro pacífico. Não houve KO neste combate de cinco assaltos de 15 minutos cada. Rajoy ganhou aos pontos", escreve Raúl. Zapatero deve ter mandado imediatamente um dos seus assessores à farmácia para comprar um novo ansiolítico. O próximo debate com Rajoy é já na segunda-feira.
Serve esta para vos informar que podeis continuar a comentar livremente neste blogue. O endereço electrónico que vos é pedido na nossa nova morada é facultativo: só preenche quem quer. Fazei lá a experiência, por obséquio: não custa nada. Convosco por cá isto tem ainda mais graça.
(Obséquio? Odeio esta palavra...)
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