Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007
Ainda é sexta-feira?
Sarai Givati, numa produção do
Daily Mail.
Este ditador vem a Lisboa (13)

Meles Zenawi
Primeiro-ministro da Etiópia desde 1995 (onde o cargo de presidente é quase só cerimonial). Tem 51 anos.
Numa guerra, como é sabido, a primeira vítima é a liberdade de imprensa. Uma regra válida para a Etiópia, que tem andado em guerra com a vizinha Somália. Prisões e deportações de jornalistas são uma constante neste país que passou sem transição do domínio de um monarca absoluto para um dos mais asfixiantes regimes marxistas-leninistas do continente africano. A promessa de democracia nunca passou do papel: a "eleição" de 2005 foi considerada fraudulenta pela comunidade internacional. Todos os jornais que ousaram denunciar a fraude foram encerrados enquanto os mais destacados opositores do chefe do Governo eram detidos. Existem centenas de presos políticos, parte dos quais nunca submetida a julgamento. Têm melhor sorte do que os 193 mortos em 2005, pelas forças de "segurança", durante uma manifestação de protesto contra o Executivo.
Os métodos de tortura da polícia etíope, de acordo com a
Amnistia Internacional, incluem choques eléctricos e violentas cacetadas nos pés das vítimas, penduradas de cabeça para baixo. "Na prisão de Kaliti, pelo menos 17 detidos foram liquidados nas suas celas", denuncia aquela prestigiada organização, galardoada com o Nobel da Paz.
Homo Socraticus (2)
José Luis Rodríguez Zapatero é líder incontestado do
PSOE (socialistas espanhóis) e o quinto presidente do Governo desde a mudança para a Democracia (que diferença connosco, contem quantos primeiros-ministros tivemos). Ganhou as eleições em 2004 (um ano antes de Sócrates) e desde aí mandou regressar as tropas do Iraque (e mandou outras para o Afeganistão), começou a negociar com os terroristas da ETA e legalizou o casamento entre homossexuais. É um modernaço e, como já me disseram alguns "periodistas" do país vizinho, é "um clone" de Sócrates.
Tive acesso ao "
índice presidencial e de cenários políticos" em Espanha de Outubro, da autoria do conhecido consultor político José Luis Sanchís e fiquei meio surpreendido, meio conformado. Sanchís, para quem não sabe ou não se lembra, foi o homem que ajudou Francisco Sá Carneiro a ganhar as legislativas de 1979 e que inaugurou a comunicação política em Portugal. Ele diz que Zapatero (59%) tem mais hipóteses que Rajoy (41%) de vencer as próximas legislativas. Mas alerta para o facto de alguns temas ainda poderem baralhar as contas: a presidência do Tribunal Constitucional e a sua decisão sobre o estatuto da Catalunha; a ocorrência de algum atentado da ETA ou de cariz islâmico; uma crise de infraestruturas em Barcelona; e as posições "soberanistas" face à Catalunha e ao País Basco.
Ao menos, por lá, ninguém dá nada por adquirido. Por mais adquirido que possa parecer, à primeira vista.
Uma sexta-feira altruísta

Este belíssimo Baby Doll que suspira «classe» foi fabricado com
chifon multifibras e é ideal para completar qualquer celebração. Agora que o Natal se aproxima, oferte-o à sua cara-metade e termine o ano de forma mais cor de rosa.
(Modelo não incluída)
Para eles, isto é uma coisa boa
Se não é, parece
Intitula-se «A Culpa dos McCann». O autor é Manuel Catarino, chefe de redacção do Correio da Manhã e quem escreve o prefácio é Francisco Moita Flores. Livro, capa e mais informações têm embargo até dia 3 de Dezembro, mas a editora Guerra & Paz vai avisando: «O título deste livro, A Culpa dos McCann, não é um ponto de chegada, mas um ponto de partida. Este livro é essencialmente um trabalho jornalístico (…) Não aponta um dedo acusador aos McCann». Claro que não. Que disparate! Enfim…Há notas de imprensa capazes de ensinar spin ao vigário.
As leis do mercado (4)

Nas últimas duas décadas as dívidas à banca substituíram os filhos como garante da estabilidade matrimonial. Prevê-se que a situação se inverta à medida que o mercado de arrendamento se for animando.
Zzzzzzzzzzzzz
Falemos de coisas sérias

Alguém tem aí 500 notas destas que possa dar a António Costa? Estou um bocadinho farto de eleições.
Friday's special

Pouco depois de Liduvina ter saído, entrou o cão.
Vem cá, Orfeu – disse o dono – vem cá! Pobrezito, que já tens poucos dias para viveres comigo! Ela não te quer lá em casa. Mas aonde te vou largar? que vou fazer de ti? que serás tu sem mim? És capaz de morrer, eu sei! Só um cão é capaz de morrer quando não vê o seu dono. E eu fui mais que o teu dono, fui o teu pai, o teu deus! Ela não te quer lá em casa, afasta-te de junto de mim! Porque tu és o símbolo da fidelidade, estorvarás lá em casa? Quem sabe!... Acaso um cão surpreende os mais secretos pensamentos das pessoas com quem vive e embora se cale... Mas eu tenho de me casar, não tenho outro remédio senão casar-me... De contrário, sabes, nunca mais deixo de sonhar! E tenho de despertar.
Mas porque me olhas desse modo, Orfeu? Parece que choras sem lágrimas... Queres dizer alguma coisa? Vejo que sofres por não poderes falar. Mas depressa me apercebi que tu não sonhas! Tu é que me estás a fazer sonhar, Orfeu! Porque é que existem cães, gatos, cavalos, bois, ovelhas e animais de toda a espécie e sobretudo domésticos? Na falta de animais domésticos para descarregar o peso da animalidade da vida, o homem podia chegar à sua humanidade? Se o homem não tivesse domesticado o cavalo, não andaria uma parte da nossa linhagem às costas da outra metade? Sim, é a vós que se deve a civilização. E também às mulheres. Mas não será a mulher outro animal doméstico? E se não houvesse mulheres, os homens seriam homens? Ah, Orfeu, vem de fora quem da casa te põe fora!
E apertou-o contra o peito e o cão, que parecia estar de facto a chorar, lambia-lhe a barba. – Miguel de Unamuno in Névoa
Já, pois!

Esperem aí! Acho que a
Susan Ward que procurava era outra...
Thank God it's Friday
Já é sexta-feira?

Consegui chegar a tempo?
Quinta-feira, 29 de Novembro de 2007
Declaração de voto
Para além do bem escrito que está, da reconstituição brilhante de uma época e tudo o mais, o que me intrigou em Glória, de Vasco Pulido Valente, foi o "chico-espertismo" do herói do livro. Porque é que alguém perde anos de vida a biografar uma figura menor é algo que me escapa. E se as crónicas semanais do VPV são de adesão imediata - amar ou odiar - a entrevista que deu ao Expresso é, para mim, um mistério. O cronista que não esconde o quanto ficou aborrecido com as inconfidências factuais do livro de memórias de Maria Filomena Mónica não pestaneja quando faz declarações surpreendentes sobre assuntos que temos como íntimos, como é o caso da relação com a filha ou com as mulheres com quem casou. Qual a linha que separa o íntimo do privado? Pulido Valente não explica, temos que adivinhar. É perturbante, sem dúvida. Voto nele. Vou lá clicar.
Palavras para ocasiões especiais (5)
Façanhudo
Nas colunas
Cinema Nostalgia (19)

No tempo em que na lua havia rios
Há aparições na tela que ficam para sempre gravadas na memória do cinema. Uma das mais inesquecíveis é a de Audrey Hepburn à janela do seu apartamento novaiorquino, de viola na mão, cantando uma melodia que Henry Mancini compôs para ela como se estivesse em estado de graça: “Moon River”.
Cantava num sussurro, ao jeito da bossa nova. Talvez não por acaso: nesse filme – Breakfast at Tiffany’s (1961) – ela representava uma “boneca de luxo”, pronta a rumar ao Brasil, onde daria um presumível golpe do baú. E chega até a pronunciar umas frases num português bem perceptível.
O golpe jamais se concretiza: Audrey troca a miragem da fortuna por um amante sem dinheiro. E em nenhuma outra actriz isso soava tão credível. Da novela ácida de Truman Capote, Blake Edwards fez uma deliciosa comédia romântica que ainda hoje parece não ter ganho rugas. Um filme só possível por incluir Audrey à cabeça do elenco: ela deixava sempre um rasto de fascínio na tela. Todas as películas que protagonizou perduram no subsconsciente do espectador.
O que havia nela de tão especial? Uma espantosa fotogenia que desafiava os padrões de Hollywood à época, sem dúvida. Mas, mais que isso, dela se poderá dizer o que Truman Capote escreveu sobre Holly Golighly, a rapariga de província que desembarca em Nova Iorque para satisfazer todos os sonhos: “Ele triunfava sobre a fealdade, o que tantas vezes é mais sedutor que a verdadeira beleza.” Como se o autor de Música Para Camaleões soubesse de antemão quem encarnaria a sua criação literária na adaptação para cinema.
Com aquela silhueta esguia e um par de olhos capazes de iluminar a escuridão de uma viagem ao fim da noite, Audrey Hepburn triunfou sobre a fealdade numa sucessão de obras-primas que a transformaram num dos maiores ícones da modernidade forjados nas salas de espectáculo. Quer fizesse de manequim (Funny Face, de Stanley Donen, 1957) ou de religiosa (A História de uma Freira, de Fred Zinnemann, 1959), em épicos como Guerra e Paz (de King Vidor, 1956), em westerns como O Passado não Perdoa (de John Houston, 1960) ou até em fitas de espionagem (Charada, outra vez de Donen, 1963). Milhões de jovens dos anos 50 imitaram-lhe o original penteado quando a viram cortar o cabelo numa cena de Férias em Roma (William Wyler, 1953), filme que lhe valeu o Óscar com apenas 24 anos. Lançaria uma nova mode de calçado baptizada com o nome da sua personagem ao interpretar Sabrina (Billy Wilder, 1954). E deu uma sofisticação sem par ao cockney londrino com a sua fabulosa Eliza Doolittle, em My Fair Lady (George Cukor, 1964).
“As pessoas julgam que uma estrela de cinema tem necessariamente um ego gigantesco. Na verdade, é essencial não ter ego nenhum.” São ainda palavras de Capote nesse tratado sobre as luzes e sombras da sedução que é Breakfast at Tiffany’s. Palavras que parecem aplicar-se em cheio à tocante fragilidade de Audrey, actriz mais etérea do que carnal, nos antípodas de várias divas suas contemporâneas, como Kim Novak ou Ava Gardner.
Tantos anos depois, é ainda o fio da sua voz que irrompe entre as nossas melhores recordações das noites de cinema: “Oh dream maker, you heart breaker, / Wherever you’re going I’m going your way...”
Onde quer que vamos, ela acompanha-nos. E se ela nos disser que existem rios na lua, nem por um instante somos capazes de duvidar.
Homo Socraticus (1)
O senador norte-americano
Barack Obama é uma figura de proa do Partido Democrata, entrou na corrida às presidenciais de 2008 e, dizem, tem
sex appeal. Também usa aqueles fatinhos escuros muito apertadinhos, gravatas monocolores e tem um discurso feito à medida. Usa a comunicação como ninguém. Ah, ao fim de semana usa o tal fatinho completo com camisa branca e sem gravata. É o mais descontraído que o conseguem apanhar.
Cadernos de Filosofia Política de Adolfo Ernesto (IX)

Conversa em futebolês
Adoro discutir futebol, porque ninguém consegue ser racional durante uma discussão sobre futebol e, como sabem, tenho fascínio pelo irracional. Mas há sempre saborosas excepções. No bar futebolândia, onde costumo passar nas noites de derby, só há inteligentes análises e os utentes usam uma linguagem específica, o futebolês, nas suas sofisticadas conversas.
Também vão lá algumas pessoas que usam gel no cabelo.
Ontem, o Pedro e o Francisco estavam a discutir o seleccionador nacional e aquilo contagiou toda a gente. De súbito, não havia ninguém que não estivesse a discutir os méritos do senhor Scolari. Excepto eu, que estava sentado no bar, minding my own business, quando chegou um tipo (de gel na cabeça e cabelo espetado) que me perguntou o que eu pensava das tácticas do senhor Scolari.
“De facto, interessa-me mais a estratégia dele”, expliquei.
“Sem eggs no Hamlets, não acha?”
Fiquei calado, a saborear o meu uísque, enquanto ele desatava numa procastinação sobre acessibilidades, tecnicidade, a cobrança de cantos e a estatística de jogadas de cabeça.
“Acho fundamental poder encostar para o golo, reforçar o flanco esquerdo, mais talento e polivalência”, disse ele, com grande convicção. “Da primeira vez que tocou na bola, o senhor selecionador transformou um defesa de raiz num segundo poste, ainda por cima em crise de forma, apesar do remate forte e colocado. É preciso alavancar mais ataques e vitórias, não acha?”
“Se fala das clássicas vitórias morais, concordo”, respondi, para não parecer indelicado.
“E não teme que isso possa colidir com a nossa tradição da crítica permanente do sucesso?”, perguntou o desconhecido.
“A tradição evolui, como sabe”.
Ele ficou a pensar naquilo, com um ar muito sério.
“E o que acha do quatro, três, três?”
“Sou favorável... em princípio”
“Então, nesta questão, estamos os dois do mesmo lado. É preciso colocar mais unidades junto à baliza adversária, numa lógica de apostar em novos valores com grande categoria e confirmar a liderança com magia e individualismo”.
“Sim”, concordei, “numa palavra: Vencer”.
“Nesse ponto, discordamos. O importante é despedir o treinador”.
Bebi mais um gole (ou seria golo?) do meu uísque. Reflecti. Percebera, naquela conversa, que o sujeito não era adepto do meu clube favorito.
Ele deve ter percebido o mesmo e afastou-se, sussurrando um insulto irrelevante. Notei que tinha dois pés esquerdos, o tipo, além de gel na cabeça.
Adolfo Ernesto
Pacheco em baixa
José Pacheco Pereira, com 42 votos, desceu para o quinto lugar no nosso inquérito. Atrás de Vasco Pulido Valente (173 votos), Miguel Sousa Tavares (71), Rui Ramos (50) e Alberto Gonçalves (46). Isto promete.
Palavras que odeio (46)
Rentabilidade
Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007
Palavras para ocasiões especiais (4)
Castanholas
Nas colunas
Um erro
Como devem imaginar, se há coisa sobre a qual não me apetece escrever é sobre o Manchester United-Sporting Clube de Portugal, de ontem. Mas devo a mim mesmo uma ou outra observação. Digo apenas e só que o Sporting jogou lindamente na primeira parte, podia ter marcado um segundo golo (aliás marcou um, mal anulado) e acabou por cair depois do intervalo. Não sei o que se passa, mas a equipa não é a mesma. Sobre Paulo Bento, que tem feito do melhor e do pior nos últimos tempos, só uma nota: não percebi durante muito tempo a insistência em Djaló (que ainda tem que comer muita papa para ser um Jogador a sério), tal como não compreendi a aposta insistente no Purovic em Old Trafford. Num jogo rápido, de taco-a-taco, Purovic foi um jogador perdido na frente de ataque, que nem sequer prendia os defesas do United. A substituição que devia ter sido feita ao intervalo era a saída deste para entrar Vukcevic. Leandro Romagnoli, esse, ficaria sempre em campo. É por estas e por outras que Paulo Bento começa a ver a sua cabeça no cepo.
Sobre
a "polémica" entre
Filipe Soares Franco e
Carlos Queirós, só me ocorre de momento pensar e dizer que um Presidente de um clube como o
Sporting não entra em "diálogo" com um treinador-adjunto de um clube. Seja ele qual for. Mesmo que esse treinador-adjunto tenha em tempos trabalhado em Alvalade e tendo em atenção que o clube em causa é só o nosso melhor "cliente". Por falar em cabeça no cepo...
Este ditador vem a Lisboa (12)

Mswati III
Rei da Suazilândia desde 1986. Tem 39 anos.
Ao contrário dos monarcas europeus e asiáticos, cujos poderes são drasticamente condicionados pelas constituições dos seus países, o da Suazilândia é um monarca absoluto: cabe-lhe a última palavra nos domínios legislativo, executivo e judicial. A "liberdade de expressão", a "liberdade de reunião" e a "liberdade de manifestação" são reconhecidas por lei, mas podem ser suspensas por decisão discricionária do monarca, como tem acontecido com excessiva frequência. Os partidos políticos estão proibidos neste país que regista a maior taxa mundial de infectados com o vírus HIV - 42%. A corrupção é outro dos problemas mais graves deste pequeno reino da África Austral, onde a violência policial e a tortura fazem parte do quotidiano, segundo denuncia a
Amnistia Internacional.
Os homens e os sacos ou nós e os sacos…

Podes trazer-me um saco para colocar os sapatos? Podes trazer-me um saco para colocar uns brinquedos? Podes trazer-me um saco para colocar uma roupa? Qualquer uma destas perguntas feita a um homem só tem um resultado: eles aparecem sempre com um saco de plástico, daqueles que nos são dados no hipermercado em quantidade e que utilizamos, posteriormente, para forrar o caixote de lixo. Confesso que não entendo porque um saco para um homem é sempre um saco de plástico, independentemente da função que lhe vai ser dada. Depois, voltam para trás, com um ar muito enfadado, como quem diz: what ever. Mas quando, finalmente, trazem a nova versão de saco e exclamamos “Isto sim é um saco!”, percebemos que não é por mal. São só as diferenças entre o cérebro feminino e o masculino a vir ao de cima.
O chá ou a falta dele
O primeiro-ministro acha muito mais importante cumprimentar Bernard Kouchner, Javier Solana, Nicolas Sarkozy, Angela Merkel, Gordon Brown, José Manuel Durão Barroso, entre outros, do que o seu "ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros". Kouchner, por acaso MNE francês, reparou e não deixou Luís Amado de mão pendurada. Um Senhor. A Euronews fez esta bela peça, que realmente diz tudo, na sua rubrica No Comment. E não é preciso, pois não?
Por que não te calas?
Há um palerma de um blogue chamado
Câmara Corporativa que insiste em visar-me. Ora alega que fui, enquanto editor, um "censor", ora dá a entender que sou muito amigo do dono de uma agência de comunicação (por acaso até sou, mas de várias agências, concorrentes entre si). No limite até disse que eu, "pela calada", tinha apagado o
link para o seu blogue de terceira categoria da nossa lista lateral. Na verdade nem fui eu, mas aplaudo a medida. Este palerma, que não tem outro nome, não dá a cara. Atreve-se a chamar os piores nomes e a lançar as piores infâmias sob a capa do anonimato. "Miguel Abrantes", nome que nem merece usar, é na verdade um pequeno grupo de dois ou três
boys ligados ao Governo, uns
spin-doctors de meia tigela que, a soldo de quem bem sei, resolvem denegrir quem bem lhes apetece, deixando sempre impoluto o seu governozeco. Ó "Miguelito", faça o que lhe apetecer, a mim é-me perfeitamente indiferente o que escreve, diz e lança para aí. Vocês, situacionistas, não me conhecem, mas eu sei quem vocês são. A diferença entre nós é só essa. Se conhecessem, não diriam as bestialidades que têm dito ou que têm dado a entender.
A má educação
Parece-me de quase total ineficácia a catequização da moral cívica oficial, pregada pelo regime no ensino escolar. Sei por experiência própria os resultados práticos das “lavagens de cérebro” efectuadas aos miúdos, massacrados desde a creche pelos bons princípios do amor à natureza, do amor à reciclagem e à solidariedade universal - bem mais bombástica e fácil do que a mesquinha e concreta “caridade” (palavra maldita) doméstica.
Sempre me pareceram deprimentes aquelas festas das escolas dos nossos miúdos (tenho em casa quatro saudáveis exemplares) em que as criancinhas, sob o olhar nervoso e cúmplice do pedagogo, ao ritmo duma dança étnica qualquer, apontam os ensaiados dedinhos aos progenitores babados, acusando-os pelo racismo ou a fome existentes no mundo... Ou no Natal aqueles bem intencionados presépios vivos, em materiais reciclados, ao som dum hino à “solidariedade”, em karaoke, contra a injustiça global. Incrédulo, ouvi os meus miúdos, chegados à 2ª classe, declamarem durante meses a "roda dos alimentos", também pintada a lápis de cera numa enorme cartolina. Isto até à próxima indigestão de chocolates ou gomas. Quanto ao seu amor à natureza, estamos conversados: sempre que nos distraímos, os higiénicos rotineiros “duches” dos miúdos dão para encher uma piscina municipal. Mais; há infindáveis anos que todos os dias de todos as semanas lembramos os adoráveis petizes para desligar as luzes que se acendem magicamente por onde passam. Quanto à propalada solidariedade é o que se sabe: basta observar atentamente a miudagem à pêra no recreio, a fanarem os cromos uns dos outros ou a gozarem até à náusea o mais fragilizado colega. Lá em casa, se não houver uma “ortopédica” voz de comando, bem vejo como funciona esse solidário cívismo principalmente se isso implicar o sacrifício dum interesse pessoal. Até a nossa mais pequenita, na hora de pôr a loiça na máquina, já aprendeu a refugiar-se “aflita” na casa de banho. Os irmãos, que não gostam de passar por otários, rapidamente reclamam, e lá se vai a preciosa harmonia no lar.
A batalha da “educação” trava-se principalmente em casa, e depende, além das referências do meio, da persistência e do exemplo categórico dos pais. Na escola, de onde Deus foi definitivamente banido, ensina-se o Mundo de acordo com a cartilha do regime. Na política, o que é importante é a ilusão de que vamos mudá-lo, amestrá-lo, mesmo que saibamos como desde sempre esse Mundo teima manter-se imutavelmente desconcertante, à imagem dos seus protagonistas.
É fácil arguir contra a violência ou injustiça, queimar automóveis e partir as montras na rua em prol da harmonia no mundo. Difícil, difícil, é olharmo-nos com humildade cristã para melhorarmos o pouco que seja em nós mesmos - a única fórmula para benignamente influenciarmos o nosso pequeno meio. Organicamente. Mas essa tarefa, tão anónima quanto imensa, quase sempre esbarra com o nosso orgulho e interesse imediato. Para nos revolucionarmos “por dentro” quase sempre somos demasiadamente comodistas e dificilmente encontramos uma motivação peremptória. E cristalizamo-nos a um passo da verdadeira redenção, e a verberar contra os outros, contra o Mundo tão injusto, num acto de desesperada catarse.
Scolari e as carpideiras

Já que puxas o assunto, FranciscoUma das piores características que noto em muitos portugueses é uma espécie de
apologia permanente do insucesso: adoramos os derrotados, os perdedores, os deserdados. Paralelamente, abunda entre nós a inveja pelo mérito alheio. As caixas de comentários deste blogue estão cheias de proclamações raivosas contra Luiz Felipe Scolari em reacção a textos que aqui tenho escrito há mais de um ano. Dir-se-ia que
toda esta gente convive mal com o facto de se tratar do treinador com melhor currículo da história do futebol português, a nível internacional. Não é matéria de opinião: é matéria de facto.
Há muito de xenofobia nestas críticas: no Fórum da TSF e na "Opinião Pública" da SIC Notícias não faltaram sequer apelos ao ministro dos Negócios Estrangeiros para "deportar o brasileiro" de território nacional na sequência do Portugal-Sérvia. São opiniões tão irracionais que não merecem mais comentário: mas funcionam como um sintoma. Esclarecedor.
O que pretendiam muitos detractores de Scolari? O seu insucesso - mesmo que isso acarretasse, obviamente por extensão, o insucesso da selecção portuguesa. Isso ficou bem patente, vezes de mais, nos sucessivos atestados de incompetência passados ao técnico por todo o género de treinadores de bancada.
Tudo serviu para o denegrir: ou porque não sabia escolher a equipa, ou porque lia mal o jogo, ou porque tinha mau feitio, ou porque "não via os jogos do campeonato português", ou porque ousou confrontar "o senhor Jorge Nuno Pinto da Costa", ou porque convenceu os portugueses a pôr bandeiras às janelas num sinal de perigoso "populismo".
Ouviu-se de tudo. Na TV, em pleno Mundial da Alemanha, não faltaram sequer os pessimistas encartados - com ou sem gel no cabelo - prevendo sempre o pior resultado de jogo para jogo.
Foi assim? Infelizmente para eles, não.
Scolari, depois de levar o Brasil à reconquista do Campeonato do Mundo, transformou Portugal numa das equipas mais admiradas e mais temidas à escala planetária. Este é o seu maior feito, superior até aos resultados em campo, ainda assim nada negligenciáveis: vice-campeão da Europa em 2004, quarto lugar no Campeonato do Mundo de 2006 (com o dobro das equipas em torneio, comparado com o mítico Mundial de 1966, em que Portugal ficou em terceiro).
Mais que isso: com Scolari não houve Saltillos, não houve a vergonha do Mundial de 2002 na Coreia do Sul que deixou a imagem de Portugal pelas ruas da amargura. O "sargentão", como lhe chamam, construiu uma equipa, moralizou-a e disciplinou-a. Mais ainda: chamou para os estádios portugueses milhares e milhares de mulheres, anteriormente divorciadas do desporto-rei. Depois dele, o futebol entre nós não voltará a ser um desporto só para homens.
Cometeu erros? Claro - a começar pela absurda exclusão de Vítor Baía da baliza da selecção, nunca explicada. Mas de homens infalíveis está o inferno cheio. E de infalíveis génios domésticos cobertos de "vitórias morais" está cheia a história do nosso futebol.
Cansámo-nos desse futebol que nos dava uma alegria fugaz de vinte em vinte anos. Eu, pelo menos, fartei-me. Estou com Scolari, estou com a selecção. Contra o coro de carpideiras que têm falhado sucessivas profecias, vaticinando desaire após desaire para depois poderem dizer que foram as primeiras a prevê-los. Azar dessas carpideiras: Scolari soma muito mais triunfos que derrotas. Por isso o apoio. Faço questão de não ser ingrato.
Postais blogosféricos
1. Vim a
este blogue. E gostei do que li.
2. Tem sotaque nortenho e orgulha-se disso. É a
Bússola, um novo blogue que recomendo. Até porque já tinha saudades da boa prosa do
Jorge Fiel. 3. O
Arrastão tem endereço novo. Será que também recebe correspondência endereçada ao Senhor José Pinto de Sousa?
4. Faz
você muito bem em gostar da nossa cor.
José Pinto de Sousa
Encontrei ontem na minha caixa do correio uma carta destinada a um tal José Pinto de Sousa. É a prova que faltava para me convencer: os correios portugueses estão muito longe de funcionar com a eficiência que deviam.
Catedráticos do esférico

"Especialistas" encartados, quase todos com o nó da gravata bem apertado, peroram na pantalha sobre o Benfica-Milan, de logo à noite. Com ar dramático, como se não houvesse assunto mais relevante. Quase como se estivesse em causa a sobrevivência de Portugal como nação independente. E o que dizem? Coisas como esta:
"O Benfica tem que ganhar. Não vai ser nada fácil."São "especialistas", repito. Falam pelos cotovelos, com tempo de antena ilimitado. Falam falam falam falam falam falam falam falam falam. Sem dizer nada.
Cobertos de razão
Este parte, aquele parte

Ao enviarmos soldados de uma tropa de elite para um cenário de guerra, há algo que devemos ter presente nas nossas consciências: Há fortes hipóteses de algum deles morrer. E há também algo mais a ter em consideração:
Quando se voluntariam para um Corpo como os pára-quedistas e em seguida para integrar missões como a do Afeganistão, os soldados sabem ao que vão. Que o soldado Pedrosa tenha morrido aos 22 anos num desastre de viação durante uma patrulha nocturna, é estúpido e chocante. Fosse uma bala que o atingisse numa emboscada seria igualmente estúpido e chocante?
Não existem, nunca existiram, guerras sem mortos. Sem jovens soldados a regressar em caixões entre as lágrimas dos familiares, camaradas e amigos. É bom que os portugueses se apercebam de algo, no meio de toda esta catarse de luto em torno do que aconteceu ao soldado Pedrosa. Como reagiríamos se, num confronto com fogo inimigo, tivessem morrido bastante mais? Quando entenderemos que, quando uma Nação envia os seus melhores para a batalha, o faz para que morram por ela se preciso for, ou se aqueles contra com quem combatem forem superiores no terreno? Ou os soldados partem, ou não partem. Essa decisão é nossa. A partir daí, o que acontece tem muito de imprevisível. Mas também uma antecipada e negra certeza ensombrando a missão de todos e cada um.
Palavras que odeio (45)
Alavancagem
O que me vale é que sou católico...

Ontem à noite, depois do jogo Manchester vs Sporting, telefona-me o meu sogro, bem humorado, e diz: "Eh pá, você é sportinguista, de direita e monárquico - é bom que não tenha tendências suicidas, hem!”
.
.
Há coisas lixadas, não há?

É injusto! Tanto que se investe em propaganda para manter a moral e na volta acontece isto: de vez em quando lá vem uma estatística europeia, ou da ONU, medir-nos e pesar-nos e - o que é verdadeiramente embaraçoso e inconveniente para os nossos rapazes que governo após governo tanto se têm esforçado por nós - comparar-nos com os outros!
O índice de desenvolvimento humano de Portugal desceu entre 2000 e 2005, o que acontece pela primeira vez nos intervalos quinquenais desde 1975. Portugal foi mesmo o único país da União Europeia e do conjunto da Europa onde esta tendência se registou nesse período, de acordo com o Relatório do Desenvolvimento Humano de 2007-2008, divulgado ontem pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Entre os 13 países que acompanharam Portugal nesta tendência estão sobretudo Estados africanos, como a África do Sul, o Zimbabwe e outros da região, ou ainda o Gana, o Quénia, o Togo e o Chade.
Terça-feira, 27 de Novembro de 2007
"SIS avisa Manuel Monteiro...
... da existência de elementos de extrema direita no seu partido"

- Tá lá? Xenhor Manuel Monteiro?
- Sou eu. Quem fala?
- Icho não interecha. Xó quero avijá-lo da ejistênxia de elementos de extrema-direita no xeu partido.
- Quem é o senhor?
- Chame-me Xis. Apenas Xis.
Na paz de Estaline

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ADENDA Ler também:
- Um saneamento é sempre um saneamento, de Rui Costa Pinto, no Mais Actual