Quarta-feira, 31 de Outubro de 2007
Corrosão

Estou-me mais é marimbando se «Corrupção» tem uma, duas ou mil e quinhentas versões, sejam elas do realizador ou do produtor. O que acho menos dignificante nisto tudo – e foi a razão pela qual rasguei o meu convite para a ante-estreia nesse sítio que não lembraria aos meus amigos carecas que é o Freeport de Alcochete – é a similitude entre este filme e o «Conversa da Treta».
Na altura, escrevi aqui que o filme da dupla de actores era o que era e assumia-o. Não uma obra de cinema mas stand-up comedy filmada, pelo que um visionamento crítico só poderia confirmar o óbvio e a acção de eliminá-lo era, por isso mesmo, compreensível.
No caso de «Corrupção», a coisa pia mais fino. Entramos no território comercial numa versão linha dura. Armam-se aos cucos dos campeões de bilheteira. Escamoteia-se o realizador e mais quem seja, convida-se a vipalhada costumeira para atravessar a ponte com a exclusiva intenção onanista de se verem reflectidos nos olhos dos outros e o filme que se fecunde.
É uma escola que se faz? Então bem merece estar no fundo do ranking mais miserabilista, culturalmente falando. Porque «Corrupção» começou por querer ser um filme. E depois, ao longo do percurso, transformou-se em iogurte. Mas com um prazo de validade tão curto como a nossa, ou pelo menos a minha, paciência.
Reciclagem

Bem sei, já foi há quatro dias, mas só hoje, ao vê-los na capa de uma revista, é que me apeteceu registar o evento.
Este ditador vem a Lisboa (2)

Omar al-Bashir.
Presidente do Sudão desde 1993 (tomou o poder por golpe de Estado quatro anos antes). Tem 63 anos.
Segundo as associações internacionais de defesa dos direitos humanos, é actualmente o pior ditador do planeta. Foi ele o maior responsável pela tragédia do Darfur, que se arrasta há quatro anos e já provocou a morte de 200 mil pessoas, além de 5,3 milhões de desalojados. O terror é tanto que, durante o mesmo período, pelo menos 700 mil sudaneses fugiram do país. Foram os que tiveram mais sorte: os restantes morreram ou vegetam em busca dos alimentos mais básicos.
O currículo do cavalheiro é ainda abrilhantado pelos seguintes factos: dissolução compulsiva do Parlamento, extinção dos partidos políticos, fecho da imprensa independente e imposição da mais estrita lei islâmica, que tem vitimado sobretudo a população cristã, do sul do país.
Bashir é um tirano. Portugal prepara-se para recebê-lo com todas as honras.
Elites autofágicas


Antes de começar a ler o Rio das Flores não resisto a recordar um dos parágrafos mais brilha
ntes e demolidores que já li sobre alguém. É pena serem as nossas elites intelectuais a demolirem-se mutuamente.
"Fora a acusação de fraude (que me incomoda), Miguel Sousa Tavares trata com condescendência o meu putativo pessimismo e lamenta que o meu conhecimento do mundo não vá muito além de Oxford e do Gambrinus (para quem não saiba, um restaurante de Lisboa). Esta estupidez não é inocente, é profiláctica. Serve para me desqualificar, se por acaso eu disser o que penso (e não disser bem) sobre o Rio das Flores, um segundo romance que já saiu ou vai sair daqui a poucos dias. Mesmo vendendo como vende, Miguel Sousa Tavares não consegue suportar que diminuam o que ele julga ser o seu imenso brilho. A mim, não me aflige que ele se apresente como um génio literário. Desde que não ande por aí a espalhar mentiras".
Vasco Pulido Valente, Público 21 Out 2007
Há uns muito sentadinhos, lá isso há
«Alfredo Maia, presidente do SJ, pede aos jornalistas que vistam a camisola com a inscrição Levantem-se pelo Jornalismo». DN, Pág.62.
Ainda a (des)compostura de Sarkozy

Na república, o lugar da mulher do Chefe de Estado, a chamada "1ª Dama", é um tão ilegítimo como inevitável devaneio patrocinado pelos
media para gáudio da turba. Definitivamente o personagem colhe e garante um bom retorno no negócio do circo mediático. Não me parece viável que um candidato a chefe de estado oculte a sua realidade familiar e afectiva. O ideal será de facto que ela promova boa imprensa e simpatia popular à instituição e ao protagonista. Quer se queira quer não, a mulher dum candidato terá sempre o involuntário poder de promover ou estorvar a sua imagem pública. Um verdadeiro berbicacho.
Sendo por natureza o divórcio um penoso acontecimento do foro privado, sendo a figura do casamento alheia à instituição do cargo, indica o bom senso a um mediano jornalista que o assunto é impertinente e que extravasa claramente o interesse público.
Parece-me saudável a atitude de Nicolas Sarkozy perante a indiscreta jornalista americana. Parece-me inquietante o aparente descontrolo emocional que sobressai na tomada de posição do Presidente da República Francesa.
Galinhas, precisam-se

Amândio Santos só pode estar a fazer mal as contas,
como se pode ler nesta notícia assinada pela Cátia Almeida. Então o nosso «problema é a escassez de galinhas nacionais»?! É preciso ir a Espanha para encontrar galinhas? Eu cá farto-me de vê-as a pulular por aí cacarejando de contentamento, algumas do campo e outras de cidade mas, em comum, partilhando a mesma
galinhidade. Mas se há quem ache, mesmo assim, o número insuficiente, apresento já outra solução. Um verdadeiro ovo de Colombo, diria mesmo: Importem-se mais galinhas, caramba! Espanholas, ucranianas, italianas, o que for. Assim como assim, pelo cacarejar ninguém as distingue.
Palavras que odeio (21)
Resiliência
A verdade da guerra

Tenho acompanhado com atenção a série documental sobre a guerra colonial da autoria de Joaquim Furtado, que passa às terças-feiras na RTP. Ontem foi para o ar o terceiro episódio. Mais uma vez pude admirar a qualidade do trabalho daquele que para mim é um dos jornalistas que mais respeito me merecem nesta profissão. O retrato que se vai traçando, semana a semana, da nossa guerra, não poupa ninguém. Já se sabia das atrocidades que se tinham cometido de parte a parte. Mas confesso que ontem senti como nunca até que ponto somos hipócritas ou até cobardes quando nos convencemos de que a nossa ética é superior à dos nossos oponentes. Ontem aquela reportagem mostrou-me imagens de bizarras “árvores de Natal”, enfeitadas com cabeças de negros. Soube através de um depoimento que se espetavam pregos na cabeça dos prisioneiros até que eles morressem, que se matavam civis a propósito de nada, que os nossos militares se divertiam a fazer os turras atravessar pontes debaixo de fogo (nunca escapavam).
As nossas tropas também lançaram gente viva para o mar, como se fazia no Chile, no tempo de Pinochet, esquartejaram-se corpos, como nas guerras mais bárbaras dos povos mais primitivos; abriram-se valas comuns para fazer fuzilamentos em massa, como fizeram os nazis; torturaram-se presos sob assistência médica, como nos regimes mais tenebrosos.
Claro, já se sabe, guerra é guerra. Estarei a ser ingénua ou mesmo muito parva por revelar sem a mais leve ponta de cinismo toda esta minha indignação. Mas que querem? Há momentos em que me chateia ter que perceber e aceitar que em situações limite a raça humana é capaz de comportamentos inomináveis.
Escrevo isto confortavelmente sentada à minha secretária, no início de um dia que se adivinha calmo, regular. Já tomei o pequeno-almoço. O pior que me vai acontecer hoje é, provavelmente, ter que enfrentar as filas de trânsito na cidade.
A verdade é que, bem vistas as coisas, não me conheço.
O Paulo Gorjão está de volta
Como pode ser comprovado
aqui.
Terça-feira, 30 de Outubro de 2007
Como é que se diz cromo em francês?
- Ceci, isto vai correr bem, vais ver que vais gostar!
- Não sei, Nicholas, não sei. É tudo tão maçador...
- Olha, só para te animar vou-te confiar uma tarefa muito importante. Mas tens que estar concentrada, há vidas humanas em jogo!
- Que giro!
- Vais amanhã à Líbia convencer o Kadhafi a libertar as enfermeiras búlgaras.
- Sei, esse homenzinho amoroso. E o que devo levar vestido?
Por acaso correu bem. Já o casamento correu mal. E depois de ter mostrado a mulher durante a campanha, ter enchido páginas de revistas com a entrada da família no Eliseu, ao estilo Kennedy, e de a ter posto a representar o estado francês nas negociações com a Líbia, Nicolas Sarkozy interrompeu a meio uma entrevista para o programa 60 Minutos, da CBS americana, porque lhe perguntaram pelo divórcio, com uma declaração do género: "Os franceses elegeram-me para resolver os problemas da França e não para falar do meu casamento". Desculpe?
Postais blogosféricos
1. O meu amigo
João Severino tem um blogue novo. Já lá fui espreitar e recomendo-o. A começar no nome:
Pau Para Toda a Obra.
2. Conheci hoje
este blogue. E
este. E
este. Gostei de todos.
De fonte próxima
Luís Filipe Vieira vai demitir-se da presidência do Benfica.
Enquanto isso, no Brasil
«O programa cria relatórios de tudo que é digitado pelo teclado, sites visitados, conversas de chat, conversas de msn, skype, yahoo messenger, icq.
O software também fotografa a tela do computador em intervalos programados pelo cliente no painel de configuração do programa, tudo o que for registrado será armazenado em pastas ocultas do computador instalado.
E o que é que o PGR pretende fazer com isso?
Este ditador vem a Lisboa (1)

Robert Mugabe.
Presidente do Zimbábue desde 1986 (era primeiro-ministro desde 1980). Tem 83 anos.
Segundo o
Observatório de Direitos Humanos, os casos de detenções arbitrárias e de tortura policial são ali frequentes. O regime persegue e encarcera opositores políticos, estudantes, sindicalistas, jornalistas e activistas de direitos humanos. Quase toda a imprensa livre está silenciada. A inflação é a mais elevada do continente africano - e porventura do planeta: já atinge 1300 por cento. Segundo a Unicef, um quarto das crianças do Zimbábue são órfãs: a esperança de vida é a menor à escala mundial - 37 anos para os homens, 34 anos para as mulheres. A fome generalizou-se em todo o país, levando ao exílio forçado de dezenas de milhares de pessoas.
Nas colunas
Os tugas (37)
Estão-se a passar
Palavras que odeio (20)
Inexequibilidade
Momento fofinho
Se bem ouvi, Berardo chamou ontem «querido» a Fernando Ulrich. E em português.
(...)
O post anterior a este foi retirado por razões de Estado.
Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007
Começou o Prós & Contras
Fernando Ulrich, João Rendeiro, José Berardo e não sei mais quem. A diferença entre a pauta desta operação e a da OPA lançada por Paulo Teixeira Pinto está bem patente aqui. No circo. Na tentativa estapafúrdia que é explicar uma operação financeira desta dimensão à audiência de Fátima Campos Ferreira, dentro e fora do auditório. Não é preciso ser oráculo para prever que das duas uma: Se os senhores se portarem bem, daqui a meia-hora não há ninguém acordado ou sintonizado na RTP1. Se os senhores se portarem mal, há peixeirada de envergonhar as veteranas da Ribeira e audiências superiores às do «Casamento de Sonho». Ganhar, só ganham juízo. E mesmo assim a ver vamos.
Em resposta ao Adolfo, o Ernesto

A vida do Adolfo Ernesto dava um filme indiano em que todas as personagens fossem o Adolfo Ernesto. O Adolfo, o Ernesto, não tem dias sim, dias não, ou dias assim-assim. O Adolfo, o Ernesto, é bizarro. Ou, no mínimo, diferente. Mas se é para participar em correntes, alinho. Pelo-me por correntes. Quando me enviam aqueles mails a dizer que o céu me cai em cima da cabeça e todos os meus parentes morrerão de uma doença ainda sem nome, a não ser que envie logo o texto pejado de gralhas em brasileiro para 5, ou 7, ou 9 desgraçadas/os (um valor sempre numerologicamente ímpar), não sou de modas e encho a caixa de correio de 55, 77 ou 99 contactos da minha festiva listinha.
Confessado isto, aqui vai a frase que encontrei no livro mais à mão na minha periclitante estante (duas palavras que rimam de uma forma dolorosa e atroz). Intitula-se a obra: «A Revolução Portuguesa O Passado e o Futuro», de um autor cuja obra roçou o Nobel chamado Álvaro Cunhal. A página 187, linha 5 como impõe o desafio, reza assim: «As forças reaccionárias desenvolveram uma intensa actividade de conspiração, fazendo pairar na cena política a ameaça de um golpe de força».
Cadernos de filosofia política de Adolfo Ernesto (6)

Assunto corrente
Não sou menos do que o Pedro Correia e, como nunca fui convidado para uma corrente blogosférica, decidi fazer-me convidar.
Adoro correntes.
Já tive uma corrente e andava com ela ao pescoço, mas não dava bem com a minha tatuagem heavy metal e respectiva personalidade. A tatuagem foi na minha fase Gore, ou fase gótica, não confundir com a minha fase de Al Gore; é que também já fui ambientalista, mas era cansativo andar abraçado a árvores e uma vez fiquei colado a um pinheiro; aquilo deita uma resina que se agarra à pele; agora até acho muito bem que cortem as florestas, sobretudo as resinosas, que são um perigo público; nem de propósito, a tatuagem heavy metal ficou toda estragada, mesmo esfolada, e teve de ser raspada com uma lâmina de barbeiro, mas não vou entrar em pormenores, porque estávamos aqui a falar de correntes...
Uma vez entrei numa corrente para vender umas enciclopédias. Tinha de se pagar 500 euros para entrar. Paguei, mas nunca mais ouvi falar nos enciclopedistas...
É por isso que gosto mais das correntes blogosféricas. Não se paga jóia. Enfim, também é preciso ser convidado e nunca fui convidado, mas também acho isso dos convites uma cena-pequeno-burguesa-como-o-caraças.
Vai daí, o Pedro Correia entrou numa dessas correntes sobre o aspecto aleatório da literatura. Baril, também entro, não sou menos que o Pedro Correia.
Mas à partida não concordo com as regras instituídas. Isto da página 161 parece-me um bocadinho macabro, e tudo. 161 era o número da sala dos electrochoques e faz-me impressão. Como sabem, andei em tratamentos, porque a parte esquerda do meu cérebro não se distingue da direita. Tenho a tola fundida, sou anti-centrista e é por isso que me fascina o radicalismo político-cultural.
Assim, ainda pensei em inverter os termos das regras. Mas o inverso de 161 é 161. Foi então que me lembrei de colocar um zero. Ficou 1610. Quase cabalístico.
Fui à procura da página 1610, quinta frase, um livro ao calhas.
Que excitação! Parecia que estava numa cena à Código da Vinci. Talvez encontrasse um segredo ou uma frase que, vista de certo ângulo, desse para perceber um terrível mistério da humanidade, compreender as mulheres, uma coisa do camandro, sei lá, chekiraut.
Encontrei um livro ao calhas e as minhas mãos tremiam quando cheguei à página 1610. Abriam-se grandes perspectivas. Não conseguia esconder a minha perturbação. Li a primeira frase, li a segunda, engoli em seco, cheguei à quinta frase. Era um diálogo curto. E constava:
"Não".
Suspense. Pausa. Surpresa e perplexidade. Reli:
"Não".
Era isso. Era assim a quinta frase. Horror estupefacto. Comichão nociva. Constatação assombrosa. Apenas "não"?
Fechei o livro. Entreguei-o à estante, esquecendo até o título. Depois, peguei noutro. O mesmo método. A quinta frase dizia: "Silva, Luís, Ave. das Madressilvas, 44, 3º esq., tel. 54678922". Cruel decepção.
Mas tenho de levar o esforço às últimas consequências. De acordo com as regras, deixo aqui a corrente para os meus amigos Tó Zen, o poeta; Mike, o movie director; Vladimir, o espião; e João Villalobos, o ex-jogador de râguebi.
Adolfo Ernesto
Ainda há espaço na gaveta do socialismo?

Ainda há poucos dias o Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, se gabava - e bem - do segundo lugar de Portugal num estudo sobre a integração dos imigrantes na Europa e já levamos com um balde de água fria com a Lei da Imigração. Segundo o DN, a regulamentação da Lei levará a que as Autorizações de Residência sejam atribuídas de forma casuística e discricionária, prevendo-se que deixem na ilegalidade 200 mil imigrantes que já cá estão.
A manobra da regulamentação não é nova e está cheia de impressões digitais. O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, tal como as outras forças de segurança, precisa de agitar inimigos perigosos para conseguir reforço de pessoas e meios. Por isso, sempre que se fala de regulamentar a Lei de Imigração, tira do armário o fantasma do "efeito de chamada", segundo o qual por cada período de legalização que se faça, há milhões de bárbaros que aproveitam para marchar sobre a Europa. E, nesta lógica, atrás deles vem "o desemprego, o conflito social, o terrorismo".
Se há coisa que hoje em dia se sabe sobre as migrações é que os Estados podem legalizar, mas dificilmente fazem a gestão dos fluxos migratórios. Estes dependem quase só do mercado. Se houver trabalho, os imigrantes vêm; se não houver, vão-se embora.
Os 200 mil que o Governo deixa de fora da lei vão ser os novos escravos da sociedade portuguesa. Sem direitos, e em risco de serem expulsos a toda a hora. Mas sempre com trabalho. É o socialismo que temos.
Foto de João Gomes Mota
Apelidos Apelativos
Não sei eleger os apelidos mais estranhos que ouvi até hoje. Mas lembro-me da colega Rita Sim-Sim e da Inês Ratão. Um amigo recorda também o Formosinho, rapaz muito apreciado pelas meninas da sua escola secundária, um “pintas” jogador da bola – “Ele era o Formosinho, eu o “enjeitadinho”. Ontem, durante o telejornal da SIC, voltei a ouvir outro curioso nome: Maria Mil-Homens. Será que há algum Manuel Mil-Mulheres por aí?
Era inútil dar café a Salazar

O
André desafiou-me para entrar numa nova corrente blogosférica. Desta vez para sublinhar o papel do acaso na abordagem ao texto literário, se bem percebi a coisa. É uma proposta com cinco regras que passo a enumerar:
1. Pegue no livro mais próximo, com mais de 161 páginas – implica aleatoriedade, não tente escolher o livro;
2. Abra o livro na página 161;
3. Na referida página procurar a quinta frase completa;
4. Transcreva na íntegra para o seu blogue a frase encontrada;
5. Aumentar, de forma exponencial, a improdutividade, fazendo passar o desafio a mais cinco bloguistas à escolha.
Assim fiz. Peguei no primeiro livro que encontrei à mão: Quod Erat Demonstrandum, de José Pacheco Pereira. Mas nada feito: o livrinho tem apenas 142 páginas. O que me apareceu a seguir? O novíssimo Os meus 35 anos com Salazar, de Maria da Conceição de Melo Rita e Joaquim Vieira, com a chancela da Esfera dos Livros. Mais um título a juntar à já extensa bibliografia contemporânea sobre o fundador do Estado Novo.
Abro-o na página 161, eis a quinta frase completa: "Tanto na noite de Natal como em qualquer outro serão, era inútil dar a Salazar café para combater o sono ou o cansaço."
Fico ainda a saber, só pela leitura desta página, que Salazar "não gostava de possuir um guarda-roupa muito extenso". Apreciava receber pelo Natal o tónico capilar Nally e after-shave Floyd. Detestava tabaco mas era fã dos sabonetes Luxo Banho, da Ach Brito, e Feno de Portugal.
As coisas que a gente aprende com estas correntes blogosféricas...
Para cumprir totalmente as regras, resta-me passar a bola a outros cinco colegas, sugerindo-lhes que façam o mesmo que eu agora fiz: o
Tomás, a
Leonor, o
Jorge, a
Joana e a
Ana Cláudia. Boas leituras!
..........................................................
ADENDA: Tropecei na página em que se falava do gosto de Salazar pelos sabonetes da Ach Brito na mesma altura em que o João Villalobos aqui aludia à mesma marca. Raio de coincidência esta. Como diria a Teresinha ou a Francisquinha do anúncio: há coisas fantásticas, não há?
Lenha para me queimar

Ao contrário do Hélder, que «pouco ou nada ouvia dele até agora», eu já ouvi muito. Muito mesmo. Pertenço ao grupo dos felizardos que participou da gravação ao vivo do Palma's Gang no extinto Johnny Guitar e, antes disso, já eu e os amigos partilhavámos as suas canções de extensos e estranhos versos desde, pelo menos, a edição de «Acto Contínuo» em 1982. Em suma, gosto do Jorge Palma e não é de hoje. Mais: A minha mulher é fã do Jorge Palma. A minha ex-mulher é fã do Jorge Palma. Tirando as que nasceram na estranja, as minhas ex-namoradas também são fãs do Jorge Palma.
Dito isto, já não suporto ouvir o raça do single. Se a música é mais repetitiva do que o Night Train de Philip Glass, já a letra consegue a proeza de rimar «contigo» com «contigo» e incluir versos do calibre deste:
«vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for».
ou este
«enrosca-te a mim,
vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba,
quero adormecer».
Adormecer? Mas há alguma mulher que se deixe levar por alguém que, depois de expressar esse cúmulo de contenção amorosa que é «Quero-te bem», ainda tenha a lata de dizer que o que lhe apetecia mesmo era dormir uma sesta enroscado no colinho?
P.S. Já agora, alguma das rádios se importa, nem que seja uma vez, de pôr a tocar outra música qualquer do disco só para variar?
Palavras que odeio (19)
Idiossincrático
Crónica alternativa do Corta-Fitas

O Pedro Correia, ao comparar o sucesso dos inquéritos ao Tratado de Lisboa com o das miúdas da TV, afirma a vocação tablóide do
Corta-fitas. Não desfazendo, confesso que também tive dificuldades em dar uma opinião convicta ao questionário sobre o dito documento. Para mim é-me muito mais fácil despejar num clique o meu
wishful thinking no inquérito para futuro campeão da bola. Mais aprazíveis que os questionários “da bola” só mesmo os passatempos que versam mulheres bonitas.
Não tenho a certeza dessa vocação
tablóide para o Corta-Fitas. Mas parece-me evidente que os blogues, no seu formato enrolado de diário, posicionam-se como uma espécie escrita de irresistível
reality show. Mesmo ao acompanharmos as mais inócuas preocupações políticas das mais ou menos consagradas figuras blogosféricas, envolvemo-nos sempre num atmosfera folhetinesca, com o seu quê de sedutora bisbilhotice. Como num romance, onde até às vezes se admite a intromissão do leitor, numa tentadora caixa de comentários.
Depois há o Corta-Fitas, que, com os seus decorosos escrevedores, mais ou menos empenhados em dizer (e mostrar) coisas interessantes. Figuras pouco públicas, imaginam-se com dificuldade os seus privados perfis. Será a
cfa, uma tronchuda matriarca, portuguesa de Ranholas, com ambições secretas na concelhia do MRPP da Amadora? Ou o
Duarte Calvão, figura esguia e calva, fumador de cachimbos d’ água, com as suas longas barbas tisnadas de trotskista? E o
Luís Naves será na realidade o verdadeiro fidalgo contemporâneo, culturista de corpo e de espírito, um desprendido místico, amante de numismática e de tragédia antiga?

São estes enigmáticos escribas que debitam diariamente pérolas quase literárias para consumo imediato, e que alimentam a voracidade dum milhar de leitores diários. Pois no Corta-Fitas também há Sportinguistas e poetas. O
João Villalobos, antigo jogador de
rugby, é as duas coisas e consta que percebe de vinhos, ciência que não partilha com ninguém. Dizem as más línguas que após o ultimo congresso do PSD da Póvoa, desiludido com a política nacional, fez uma
sesta sabática, que o inspirou a mudar de gravata.
Por seu lado, a
Maria Inês de Almeida e a
Isabel Teixeira da Mota têm assumido progressivamente estéticas antagónicas: Maria Inês burila os seus agradáveis textos de tonalidades sólidas e transparentes. E de facto, não dá ponto sem nó. A Isabel ao que se vê, nem uma coisa nem outra, nem dá ponto nem dá nó. Que saudades.
E depois há a
Miss Pearls, elegante trintona oxigenada que por aqui abriu uma sucursal da sua joalharia de estilo – o negócio corre-lhe tão bem que há algumas semanas que não põe aqui os delicados pés.
Depois existem o
Pedro Correia e o
FAL, editores de política nacional por profissão, coisa que lhes confere uma natureza mais anacrónica que a um monárquico católico como
eu. Alvíssaras aos dois rapazes que garantem publicidade ao blogue, principalmente quando a generosa agenda política se agita. É à boleia dessas oportunidades que todos ganhamos um ar de “gente séria” e de causas elevadas, mesmo sabendo todos nós que o país está perdido. Serviço público, enfim. Finalmente há quem prefira as crónicas da
Teresa Ribeiro, a nossa
garçonne de boina guerrilheira, extremosa frequentadora da cinemateca em Lisboa e estandarte das mais fracturantes causas.
Uns almoços e jantares bastante ficcionados vão alimentando o mito desta gente catita e galharda, que no Corta-Fitas esgrimem em diferentes direcções, diferentes sermões para freguesias distintas. Todos diferentes e em nada iguais. Como aquele grupo que se encontra demoradamente e por mero acaso numa paragem de autocarro, durante uma tempestade. E aprendem a tolerar-se, às tantas com desconcertante simpatia.
Ou se calhar afinal nem existimos: somos todos personagens de

fantasia, mera ficção. Em todo o caso, caros leitores, voltem aqui amanhã, à cata de mais um pequeno texto, um imodesto vitupério ou apenas uma rocambolesca crónica. Para anuir, contraditar ou mesmo agredir com um anónimo e incisivo comentário. Voltem só na tentativa de completar um pouco mais este humano e desconforme
puzzle, para que o
show pareça cada vez mais real.
Duas lições

É sempre bom
ler notícias como esta, assinada pelo
Hélder Robalo. Tenho em comum com a
Catarina Portas um fascínio de infância pelas marcas que atravessaram gerações e a
Ach Brito é, desde que tenho memória, uma delas. Hoje, as embalagens dos sabonetes permanecem iguais ao que sempre foram desde tempos avoengos e o processo de produção continua assente num cuidado que não descura a intervenção humana. Lendo a notícia sobre o sucesso de uma empresa/marca que chegou às páginas da
Elle indiana e foi mencionada pela Oprah, não encontramos uma única linha sobre o Estado, nem as habituais lamúrias a ver com «os apoios», a falta dos mesmos ou a sua insuficiência. A marca reposicionou-se e colhe agora os frutos que ela mesma semeou.
Noutro campo, mais industrial mas similar como caso de sucesso, a
Renova internacionaliza-se em Espanha e França, tendo conseguido o que parecia impossível: Que rolos de papel higiénico fosse vendidos em Nova Iorque como produto de luxo e tivessem direito a páginas de elogios na
Wallpaper. Nem Paulo Pereira da Silva nem a Renova, ao longo dos anos em que consolidaram e expandiram a marca, beneficiaram do Estado ou lhe pediram batatinhas. Contaram, isso sim, com as parcerias que escolheram entre multinacionais como a
Wieden & Kennedy (a agência de publicidade que lançou a Nike) ou a Hill & Knowlton. Como estes, outros casos existem. Não são muitos mas merecem ser estudados para que sejam mais. Eles demonstram como a sabedoria e criatividade da gestão são um factor muito mais relevante do que o hábito, bem mais recorrente, de estender a mão.
Domingo, 28 de Outubro de 2007
Jangada de asneira
Absolutamente de acordo contigo,
João. O homem é de uma soberba sem limites.
Elogio da crónica (I)

Tenho pena que as crónicas estejam a desaparecer das páginas dos jornais. Habituei-me desde muito novo a ler alguns dos melhores cronistas da imprensa portuguesa – numa época em que a crónica era um género imprescindível. Lia textos do
Pedro Alvim, do
Rodrigues Miguéis, do
Baptista-Bastos, do
Carlos Pinhão, do
Abelaira, do
O’Neill e da grande
Alice Vieira sempre com uma ponta de deslumbramento. Era uma prosa diferente da escrita impessoal das notícias: paginada de modo especial e com um tom coloquial que não se vislumbrava noutros locais dos periódicos – estabelecendo um clima de convivência quase íntima com o leitor. Através dos anos, fui mantendo o meu interesse pela crónica, frequentando diversos autores – do
Miguel Esteves Cardoso ao
Pedro Mexia, passando pelo
Manuel António Pina, pela
Clara Ferreira Alves, pelo
Ferreira Fernandes e pelo
António Lobo Antunes. Vou também praticando o género, sempre que posso: é a disciplina jornalística que mais se aproxima da literatura. Tenho pena de vê-la à beira da extinção, substituída pelo comentário anódino e sensaborão ou pela fatigante “análise” política que muitas vezes não é mais do que um mero piscar de olho a “fontes” de circunstância.
Ao menos no Brasil o género está bem vivo e recomenda-se. Há mesmo quem reclame por lá a paternidade brasileira da crónica, que gerou verdadeiros autores de culto – de
Rubem Braga a
Luís Fernando Veríssimo, de
Carlos Drummond de Andrade a
Arnaldo Jabor, de
Nelson Rodrigues a
Millôr Fernandes, de
Fernando Sabino a
Roberto Pompeu de Toledo. É um prazer ler o português revigorado destas crónicas brasileiras, de ontem e de hoje.
Elogio da crónica (II)

Nos anos 50 e 60, os cronistas no Brasil eram uma tribo calorosa e solidária, como relata
Humberto Werneck, organizador da excelente colectânea
Boa Companhia: Crónicas, editada em 2005 pela Companhia das Letras. A tal ponto que, quando chegava a crise de inspiração, a mesma ideia servia de mote a diferentes cronistas forçados à rotina diária.
Fernando Sabino, que escrevia em
O Jornal, do Rio de Janeiro, relata o episódio da queda de um edifício na cidade, que originou uma troca de impressões à mesa de um bar com
Rubem Braga (cronista do
Diário de Notícias, também do Rio) e
Paulo Mendes Campos (que mantinha uma crónica no
Diário Carioca). No dia seguinte, “por coincidência”, as três crónicas tinham estes títulos: “Mas não cai?”, “Vai cair” e “Caiu”.
Melhor ainda é outro episódio que dois deles protagonizaram. Rubem, com falta de ideias, solicitou sem cerimónia uma crónica “emprestada” a Fernando Sabino, que foi à gaveta e passou-lhe a história de um garoto que pedia esmola para comer uma sopa, por um cruzeiro, numa casa de pasto. Intitulava-se
O preço da sopa. O outro publicou-a alterando três pormenores: o garoto foi a um restaurante, a sopa custou cinco cruzeiros e a crónica passou a chamar-se simplesmente
A sopa. Uns tempos depois, chegou a vez de Sabino pedir idêntico favor a Rubem Braga, que entendeu devolver-lhe a história da sopa. Que lá voltou a ser impressa, com a assinatura de Fernando Sabino e dois novos ingredientes: a sopa já custava dez cruzeiros e o título era
Esta sopa vai acabar. E acabou mesmo...
Fragmentos deliciosos de um tempo que parece tão irremediavelmente distante do nosso.
Postais blogosféricos
1. Gosto de te ver novamente por cá,
Fátima.
2. Três anos sempre a
Comunicar a Direito. É obra.
3. Parabéns,
Carla. Pelos quatro anos aí nesse palácio de Elsinore.
4. Passa a figurar na nossa barra lateral
este blogue que já cá devia estar há muito.
5. André, já respondo ao
teu desafio. É só o tempo de chegar à minha caótica biblioteca.
Palavras que odeio (18)
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Cinema Nostalgia (16)

Saí do velho cinema Berna contrafeita. Apesar de o filme ser longo e intenso, o que me apetecia verdadeiramente era dar meia volta e tornar a vê-lo. Se não estivesse acompanhada, era o que faria. Nos ouvidos ainda me ecoava aquele sinistro som do telefone a tocar, o telefone que vibrou naquele dia fatídico, num daqueles dias em que a vida parece que nos engole.
Era uma Vez na América tem em comum com outros tantos filmes que me marcaram uma narrativa labiríntica, em que passado e presente se misturam. Estou agora a lembrar-me de dois filmes assim: "O Paciente Inglês" e "O Padrinho II", neste último caso também com
Robert De Niro. Se formos a ver não há forma de narrar uma história de vida mais próxima da perfeição. Também a nossa se desenrola assim aos nossos olhos. Passado e presente sempre misturados, como um todo.
Sergio Leone, naquela que considero ser a sua obra-prima, conta-nos a história de Noodles (Robert De Niro), um rapazinho pobre que se faz nas ruas de Nova Iorque, com uma sensibilidade notável. Já vi muitos filmes sobre a América, nomeadamente filmes de gangsters (e é também disso que se trata aqui), mas este, mais do que um filme, é uma declaração de amor. Porque quando a realização é cuidada ao detalhe e os planos se sucedem sem pressas, não cedendo às conveniências comerciais, que aconselham uma certa agilidade na acção, quando as soluções encontradas para os avanços e recuos no tempo são sempre de uma elegância e originalidade suprpreendentes, percebemos que estamos a ver uma obra de arte.
Não fosse a sua magistral prestação em “Touro Enraivecido”, “Taxi Driver” e “O Padrinho”, eu diria que De Niro encontrou em Noodles o papel da sua vida. Mas este actor é de facto grande demais para caber todo num só desempenho. Felizmente para nós, amantes de cinema, depois de 1984, ano em que foi estreado "Era Uma Vez na América", reencontrámo-lo várias vezes em papéis inesquecíveis. Mas, confesso, é neste filme que gosto mais de o ver. Extraordinária a transposição que Leone faz no tempo através da mímica deste actor, nomeadamente na passagem para o presente, com Noodles já no limiar da velhice. É certo que a caracterização nos situa imediatamente. Mas o cabelo enbranquecido e as rugas só nos dizem em que fase da vida da personagem é que estamos, ao passo que os gestos lentos, o olhar desencantado nos falam de toda a amargura que acumulou, do percurso que fez até ali. Que contraste com o olhar ainda cheio de esperança de 30 anos antes...
James Woods, diga-se em abono da justiça, também assina aqui uma das suas mais impressionantes interpretações. Ele é Max, o amigo a quem Noodles se liga desde a infância e cuja ambição acaba por destruir tudo e todos à sua volta. A sua ânsia de subir na vida incorpora a sede de que é feito o sonho americano: poder ser tudo e chegar lá, no matter how... A América das expectativas, da violência e da ingenuidade passa por este par: o vencido e o vencedor (primeiro potencial, depois virtual vencedor). Daí que este filme seja muito mais do que a narrativa da passagem de um homem pela vida. A contextualização da história de Noodles, rica em detalhes, confere a "Era Uma Vez na América" a dimensão de um épico, sublinhado a traço grosso pela partitura do grande Ennio Morricone.
Porque saí eu tão contrariada daquela sala de cinema, sem paciência para voltar à minha realidade? Porque não há nada mais perturbador do que assistir numa cadeira às voltas que a vida pode dar a um homem. Afinal todos nós temos que fazer escolhas e ao fazê-las optamos irreversivelmente por um destino, deixando para trás outra vida possível, muito provavelmente outra identidade. Mas o que nos incomoda mais é saber que há escolhas que nos são impostas por acidentes de percurso pelos quais não somos responsáveis. Essa fibra de que é feita a sorte e o azar é que nos transtorna, porque nos traz à consciência a nossa vulnerabilidade.
A profunda tristeza, plasmada nos olhos perdidos de Noodles na cena final do filme, que é também a primeira a que assistimos, antes de ficar a saber tudo o que lhe aconteceu, deixou-me incapaz de encarar com um mínimo de interesse a estúpida perspectiva de em seguida ir lanchar à Versailles.
Domingo
Evangelho segundo São Lucas Lc 18, 9-14
Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros: «Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava assim: ‘Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’. O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu; mas batia no peito e dizia: ‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’. Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».
Da Bíblia Sagrada
Sábado, 27 de Outubro de 2007
À atenção do Adolfo Ernesto

Na última hora da sua visita, à saída do Oceanário e a caminho do aeroporto, Putin sorriu. Hoje de manhã os multibancos não funcionavam. Ninguém me convence de que as duas coisas não andam ligadas.