Domingo, 31 de Dezembro de 2006
Blogo, logo existo
Foi bom para mim, o ano que agora termina: dificilmente haverá outro igual. Entre outros motivos porque marcou a minha iniciação à blogosfera. Cheguei, experimentei... e gostei. Deu-me muito gozo fundar o Corta-Fitas, em Fevereiro, com o Duarte Calvão, o Francisco Almeida Leite e o Luís Naves. Gostei de ver esta equipa ampliar-se, com gente que conhecia bem e ainda com este excelente trio que passei a conhecer e a cuja tribo também pertenço agora: a Maria Isabel, o João Villalobos e o João Távora.
A par da escrita partilhada, houve muitas (e boas) leituras. Horas e horas preenchidas a ler blogues de inegável qualidade. Uns mais sérios, outros mais divertidos, uns mais profundos, outros preferindo aflorar a espuma dos dias. Com votos de feliz ano novo, deixo aqui a lista de bloggers que acompanhei com particular atenção em 2006, numa homenagem simbólica a este meio de comunicação que nos aproxima diariamente.
Discordei de vários, concordei com muitos. Aprendi alguma coisa com todas elas, com todos eles.

Ana Cláudia Vicente
Ana Sá Lopes
André Azevedo Alves
André Moura e Cunha
Bárbara Baldaia
Bruno Cardoso Reis
Carla Carvalho
Carla Quevedo
Carlos Abreu Amorim
Carlos Albino
Carlos Manuel Castro
Coutinho Ribeiro
Cristóvão do Vale
Daniel Oliveira
Dina Soares
Eduardo Pitta
Fátima Pinto Ferreira
Fernanda Câncio
Fernando Martins
Fernando Venâncio
Filipe Nunes Vicente
Francisco Costa Afonso
Francisco José Viegas
Francisco Valente
Gabriel Silva
Helena Ayala Botto
Helena Matos
Henrique Fialho
Henrique Raposo
Hugo Alves
Joana Amaral Dias
João Caetano Dias
João Gonçalves
João Luís Pinto
João Morgado Fernandes
João Paulo Meneses
João Paulo Sousa
Jorge Ferreira
José Bandeira
José Mário Silva
José Medeiros Ferreira
José Raposo
Leonardo Ralha
Luís Januário
Luís M. Jorge
Luís Novaes Tito
Lutz Brückelmann
Marta Romão
Miguel Abrantes
Miguel Castelo-Branco
Paulo Cunha Porto
Paulo Pinto Mascarenhas
Pedro Lomba
Pedro Mexia
Pedro Picoito
Pedro Soares Lourenço
Rita Barata Silvério
Rodrigo Adão da Fonseca
Rui Bebiano
Rui Castro
Rui Costa Pinto
Rui Tavares
Sara Pais
Sérgio de Almeida Correia
Sérgio Lavos
Sofia Loureiro dos Santos
Sofia Vieira
Susana Barros
Tiago Barbosa Ribeiro
Tomás Vasques


publicado por Pedro Correia
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Crónica à maneira de balanço

Não sou particularmente devoto das festividades do Ano Novo, acontecimento que leva aos píncaros da euforia muitos dos meus ilustres concidadãos. O tempo a mim parece-me mais uma linha recta (ou, admito, ligeiramente curva segundo a representação de Einstein) do que circular, por mais conveniente que esse formato seja para nossa orientação temporal. Mas pronto, vamos completar o círculo de 2006 e eu não resisto a fazer o meu pequeno balanço.
Este ano foi indubitavelmente marcado pela minha feliz incursão e descoberta da blogosfera. Um novo e fascinante mundo marcado pelo conhecimento de novas gentes, escritas, ideias e até de novos amigos.
Musicalmente, em 2006, entretive-me muito com o álbum “Aerial” da Kate Bush, e apaixonei-me pela georgiana Katie Melua. Dos poucos concertos a que tive o privilégio de assistir, guardo a boa recordação de Dee Dee Bridgewater no grande auditório do CCB. Uma mulher e uma voz que encheram por duas horas a sala e a minha alma. Na música clássica (e sob o protesto da minha sensível mulher), o meu ano de 2006 foi um ano de Tchaikovsky. Fabuloso este compositor russo do Séc. XIX que magnificamente promoveu o fulgor dos metais na música sinfónica.
Para um empenhado pai e padrasto, ir ao cinema com regularidade, foi “chão que já deu uvas”, e este ano a maior parte das vezes que fui, foi com as crianças às matinées infantis. Assim não admira que o meu destaque vá para a “Idade do Gelo – O Degelo” de Carlos Saldanha. Mas foi em 2006 que descobri o filme “Anjos no Inferno”, do realizador Ryan Little. E mesmo que politicamente incorrecto, atrevo-me a adjectivar de belíssimo o filme “O Nascimento de Cristo” de Catherine Hardwicke, a adicionar à minha prateleira de DVDs assim que seja posto à venda.
Nas leituras, os meus destaques do ano vão para “D. Pedro V” de Maria Filomena Mónica, e para “D. Carlos” de Rui Ramos ambos da colecção “Reis de Portugal” do Circulo de Leitores. Nos romances, David Lodge voltou a fazer-me boa companhia, em detrimento do retomar de Proust “Em Busca do Tempo Perdido”… encalhado algures “À Sombra das Raparigas Em Flor”. Uma vergonha.
Em termos profissionais, tratou-se de um ano de decisivas mudanças nas estruturas da empresa em que trabalho. Esse facto tem requerido grandes esforços de adaptação por parte de todos nós. A mudança não é fácil, para ninguém, tanto mais quando os resultados são diferidos e destes dependem alguma da estabilidade.
Finalmente, o ano termina com a “família pipocas” preparada para acolher um novo membro, já daqui a pouco mais de um mês. Ontem com a miudagem convidada a presenciar a penúltima consulta de gravidez da minha mulher, a nossa filha mais pequena garantiu ter visto no monitor as “pistanas” do José Maria a “muxer”. “Ano novo, vida nova” - no nosso caso, tudo indica será literal.
Feliz e próspero ano novo 2007 para todos, são os meus sinceros os votos.

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publicado por João Távora
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Sábado, 30 de Dezembro de 2006
No silêncio, entre cadáveres

Albert Camus escreveu um dos mais fabulosos textos que conheço para uma alocução proferida em Novembro de 1948, num encontro internacional de escritores. Este texto, intitulado "O Testemunho da Liberdade", tem uma espantosa actualidade perante os vertiginosos acontecimentos que se sucedem no mundo de hoje. É uma reflexão que devia constituir uma espécie de código de conduta para todos os intelectuais contemporâneos.
Passo a transcrever alguns trechos*:

"Os verdadeiros artistas não dão bons vencedores políticos, pois são incapazes de aceitar levianamente, ah, isso sei eu bem, a morte do adversário! Estão do lado da vida, não da morte. São os testemunhos da carne, não da lei. (...) No mundo da condenação à morte, que é o nosso, os artistas testemunham o que no homem é recusa de morrer. Inimigos de ninguém, a não ser dos carrascos! (...) Um dia virá em que todos o hão-de reconhecer e, respeitadores das nossas diferenças, os mais válidos de nós deixarão então de se dilacerar, como hoje o fazem. Hão-de reconhecer que a sua profunda vocação é a de defender até ao fim o direito dos seus adversários a não terem a mesma opinião que eles. Hão-de proclamar, consoante o seu estado, que mais vale uma pessoa enganar-se, sem assassinar ninguém e permitindo que os outros falem, do que ter razão no meio do silêncio e pilhas de cadáveres."

Hoje, mais que nunca, estas palavras devem merecer-nos profunda meditação.

* Tradução (excelente) de Luiza Neto Jorge e Manuel João Gomes para a editora Contexto (2001)


publicado por Pedro Correia
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A capa do dia (3)
Há dias sui generis, como hoje, em que um só tema constitui a manchete dominante um pouco por todo o mundo. Só o tom vai variando conforme os quadrantes - geográficos e ideológicos. Em Chicago, a cidade onde Hemingway nasceu para o jornalismo (e para a literatura), a morte de Saddam Hussein foi noticiada assim.


publicado por Pedro Correia
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Previsões 2007 (As figuras)

A dupla Nicolas Sarkozy e Angela Merkel vai dominar o ano político.
Sarkozy deverá vencer as eleições presidenciais em França, na segunda volta, em Maio. Penso que o candidato de centro-direita, em relação à sua rival socialista (Ségolène Royal) tem duas vantagens e uma desvantagem: Por um lado, Sarkozy é um político mais experiente do que Ségolène e parece ter soluções sólidas para os três problemas franceses mais óbvios (segurança, economia e futuro europeu); a desvantagem tem a ver com o seu anti-elitismo.
Porque esta eleição será renhida e até atípica, há dois excelentes candidatos de centro, o que vai minar a influência das franjas. O candidato do centro-direita constitui um problema grave para a extrema-direita; e a de centro-esquerda será uma catástrofe para os grupos radicais à sua esquerda. É por isso que só a segunda volta conta.
Curiosamente, Ségolène foi discípula de François Mitterrand e teve a melhor formação possível (é de esquerda, mas énarque, portanto, das elites, o que em França costuma ser excelente mistura). Mas, ao contrário de Mitterrand, falta-lhe uma carreira política para poder vencer estas eleições.
Sarkozy é o oposto dela. Um pragmático, político tarimbeiro, que por vezes parece arriscar tudo numa única jogada. Tem a seu favor uma importante carreira prática, tendo pegado com êxito nos piores problemas do país (finanças descontroladas e insegurança). Contra si, terá o excesso de ambição (é demasiado visível) e o que nos media surge como “populismo”, mas que consiste, de facto, em não pertencer às elites políticas locais.
Há outros aspectos importantes: a França necessita de reformas e já sabe disso; as carreiras políticas francesas são longas, pelo que este será apenas o primeiro round de futuros combates entre Ségolène e Sarkozy. A dupla vai dominar a próxima década.
O que nos leva à Europa (a próxima década será europeia). Sarkozy parece ter uma resposta para a crise na UE, enquanto Ségolène tem fugido do tema, porque ele é demasiado embaraçoso para os socialistas.
Poderá ocorrer algo de inesperado, como um deslize nos debates televisivos (Ségolène será talvez mais hábil), mas penso que estes serão factores decisivos numa vitória final para Sarkozy, sempre por pequena margem.
Entretanto, na Alemanha, estarão a terminar os dois anos da grande coligação governamental. Após a mudança em França (e isto vale para qualquer resultado), Angela Merkel terá esgotado as virtudes da união entre CDU e SPD. Ou seja, haverá forte tentação para eleições antecipadas. Merkel deverá vencê-las com facilidade e Outubro será boa ocasião para o conseguir.
França e Alemanha estarão então em condições de impor uma saída para o impasse constitucional europeu. Talvez já em Dezembro de 2007, talvez só em Junho do ano seguinte.

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publicado por Corta-fitas
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Recuo civilizacional
Não abri uma garrafa de champanhe há poucos dias, quando faleceu Augusto Pinochet: nenhuma morte de um ser humano me alegra, mesmo que se trate de um torcionário. Qualquer manifestação de regozijo pelo desaparecimento de alguém torna-nos moralmente equivalentes ao pior que existe na nossa espécie. Por este motivo, também não sinto nenhuma satisfação pela execução de Saddam Hussein, ocorrida esta noite: sem sequer discutir os aspectos processuais do caso, que aliás me parecem muito duvidosos, começo desde logo por contestar a chocante falta de justiça por detrás de cada execução "judicial". E lembrar honrosos precedentes históricos que deviam ter deixado rasto: a pena de morte decretada a Pétain no pós-guerra, de imediato comutada por De Gaulle; a execução a que foi poupado Ezra Pound, como colaboracionista do fascismo, na sequência dos apelos de várias dezenas de intelectuais, com Hemingway à cabeça. Tantas décadas depois, recuámos em termos civilizacionais. Que satisfação podemos sentir com isto?


publicado por Pedro Correia
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Sexta-feira, 29 de Dezembro de 2006
A vida humana é um valor absoluto
No domínio dos valores, não devemos ser relativistas. Para mim, a vida humana é um valor absoluto: sou radicalmente contra a aplicação da pena de morte. A sentença capital decretada ao ex-ditador iraquiano Saddam Hussein - por mais execrável que tenha sido o seu regime e por maior "canalha" que ele próprio fosse no exercício do seu poder despótico, para usar esta expressão cara à eurodeputada Ana Gomes - fere os mais elementares princípios civilizacionais, tornando os seus juízes e os seus algozes numa espécie de equivalente moral do antigo tirano de Bagdade. Nenhum dos crimes cometidos por Saddam, por mais repugnantes que tenham sido, poderá ser reparado com a sua execução, ditada pela "justiça dos vencedores", neste caso equivalente a pura vingança, mesmo que camuflada pela necessária respeitabilidade de um tribunal. Não devemos ser magnânimos com os ditadores, mas devemos ainda menos imitá-los nos instintos carniceiros. O respeito por uma vida humana, seja ela qual for, deve funcionar sempre como linha divisória entre a civilização e a barbárie. E não me venham dizer que tudo isto é relativo. Porque não é.


publicado por Pedro Correia
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Postais blogosféricos
1. O Tiago decidiu fechar o seu Telescópio. Lamento, pois era um blogue que me habituei a visitar com frequência. Fico à espera de um novo projecto, que não deverá tardar.
2. Também a Teresa aproveitou este fim de ano para fechar os Sapatos Negros, justificando falta de disponibilidade. Outra partida que lamento. Mas nos blogues, tal como na natureza, nada se perde - tudo se transforma.
3. Agradeço estas palavras amigas do João. Até porque, tal como ele, sei que não é fácil dizer bem...
4. O Eduardo deu-se ao trabalho de lembrar aqui alguns bloggers com quem mantém "relações de amizade, cumplicidade, cordialidade ou simples afinidade electiva". Segue-se uma lista que por mim subscreveria quase na totalidade. Mas se fosse eu a elaborá-la incluía certamente mais um nome, em troca com o meu: o dele. Com todo o mérito.


publicado por Pedro Correia
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Outras cinco coisas que detesto
- Atender chatos ao telefone.
- Receber sms "tipificados", com mensagens de Ano Novo iguais às que toda a gente recebe.
- Ver o Pai Natal comprado nas lojas chinesas pendurado de milhares de varandas e janelas.
- Os motoristas de táxi que andam a pedir "um novo Salazar" enquanto passam os sinais vermelhos.
- A "maior árvore de Natal da Europa", com 72 metros de altura, que engarrafa o trânsito na Baixa de Lisboa.


publicado por Pedro Correia
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Afinal, a polémica com Luciano Amaral não existia
Luciano Amaral respondeu em O Insurgente a um post aqui publicado sobre um seu artigo no DN e reclama que eu interpretei abusivamente algumas das suas posições. Quanto a isto, não há remédio. Se tresli, só me resta pedir desculpa e deixar aqui o link com o artigo original.
No final da sua resposta, Luciano Amaral deixa duas questões interessantes. No meu post tento defender a opinião de que uma Europa reduzida ao seu mínimo dará origem a uma evolução perniciosa para Portugal: certos países (que estão sempre a proteger os respectivos interesses, como é óbvio) tentarão criar um núcleo duro com integração mais acelerada. Coloquei nesse hipotético núcleo duro Holanda e França, que rejeitaram o tratado em referendo. Ora, Luciano Amaral pergunta qual a lógica de tal inclusão. Parece-me importante esclarecer. O Tratado Constitucional resulta de uma negociação em que todos os países fizeram cedências. Por isso, não é o melhor cenário para ninguém, permitindo evitar a Europa a que chamei “minimalista” e a de várias velocidades (uma e outra com potenciais benefícios para alguns países). O tratado é algo de intermédio que, se não existir, resultará na busca de outras soluções, outra União Europeia, onde haverá diferentes patamares de integração. Os ingleses quererão a tal UE minimalista e os franceses a mais integrada. Só há uma hipótese: a fragmentação em círculos concêntricos.
Seria um novo projecto, talvez até melhor que o anterior, quem sabe? Mas, para Portugal, representava uma péssima evolução.
Interpretei o texto de Luciano Amaral como tendo defendido uma Europa “minimalista”. Na sua resposta à minha crítica, o autor diz que quer a Europa “como está, com melhores mecanismos de decisão”, que podem até resultar de um novo tratado. É relativamente próximo do que eu defendo, pelo que não merecia esta polémica. Mas, se o novo tratado fracassar (aquele que vai ser negociado no próximo ano, com base no texto rejeitado em França e Holanda) não me parece que a Europa fique como está. Acho que avançará o tal projecto da UE a várias velocidades, com países de primeira e países de segunda. Por acreditar nisto, reagi ao texto de Luciano Amaral, acabando por maçar o meu interlocutor e, de caminho, os leitores do Corta-Fitas.


publicado por Corta-fitas
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A capa do dia (2)
A edição de hoje do El Mundo conta que a "Junta obriga os professores a apresentar o seu plano docente em galego". Aí está Emilio Pérez Touriño no seu melhor. Quem tem saudades do bom do Fraga?..


publicado por Francisco Almeida Leite
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Vemo-nos por aqui em 2007


Despeço-me de 2006 e dos leitores do Corta-Fitas com uma fotografia da Juliana Paes, considerada já um verdadeiro ícone deste blog. A fotografia aqui ao lado não será certamente das "melhores", mas foi uma das poucas que encontrei no google com a miúda vestida. Sorry.

A todos os colaboradores deste blog cheio de inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios, um grande Ano Novo com muita saúde e muita felicidade. Um grande beijinho a todos.

Nada como festejar com Bolo de Natal de Moçambique , uma taça de Loridos Clássico e até para o ano.

Um excelente 2007 para todos.



publicado por M. Isabel Goulão
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A pedir internamento
Vasco Baptista Marques assume-se claramente como candidato ao título do mais caricato "crítico" de cinema português. Especialista na distribuição de bolas pretas a tudo quanto é filme produzido nos Estados Unidos, fugiu desta vez à regra, atribuindo quatro estrelas(!) ao banal Déjà Vu, de Tony Scott. Mas ficou-lhe a má consciência. De tal maneira que termina o seu texto sobre este filme, publicado na última edição do caderno "Actual", do Expresso, da seguinte forma: "Não insisto. Aliás, tenho mesmo de ficar por aqui. É que já estou a ver a enfermeira a caminhar para o meu quarto em passos largos com o colete-de-forças na mão."
Linda auto-ironia, não acham? Nem quero imaginar o que sucederá daqui a dois ou três anos, quando VBM atribuir finalmente cinco estrelas a um filme...


publicado por Pedro Correia
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O nazi das sopas*

1. Interrompo as minhas braçadas na piscina apenas para estrebuchar contra o que transparece neste artigo, a propósito da acção que reuniu uma modelo loura, uma galinha poedeira e Miguel Moutinho, líder da associação Animal. Basicamente, não gostei de sentir o regozijo na afirmação do senhor de que "muito brevemente em Inglaterra os não vegetarianos serão uma minoria malvista" e imaginei-o - enquanto dizia isto - com um sorrizinho irritante e torto, igual àqueles dos nazis nos filmes que têm sempre uma cicatriz na cara. Só por causa disso, vou almoçar um bife tártaro!
2. Aproveito também para felicitar, um por um, os membros do «Movimento de Libertação dos Pais Natal das Varandas», responsáveis pelo rapto de várias dessas animálias em Bérgamo. Infelizmente, os bicharocos foram depois colocados num jardim público quando, neste caso, só a incineração se apresenta como caminho e destino justos.
P.S. O título é roubado a uma famosa personagem da série Seinfeld.


publicado por Corta-fitas
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Sexta-feira
Eva Green (a Vesper Lynd do novo 007).


publicado por Francisco Almeida Leite
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Previsões 2007 (Portugal)


O próximo ano será marcado por quatro acontecimentos principais: o referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, a época de incêndios, a presidência portuguesa da UE e, estando nós na futebolândia, a disputa do Campeonato da Europa.
Em relação ao primeiro tema, penso que haverá uma vitória fácil do “sim”. Não querendo entrar em polémica com alguns dos meus queridos companheiros de blogue que defendem o “não”, abstenho-me de justificar esta previsão. Limito-me a dizer que votarei pelo “sim”.
Em relação à época de incêndios, será o drama habitual, com as também habituais discussões estéreis sobre se este Governo é melhor do que o anterior, com as respectivas estatísticas deturpadas sobre o número de hectares ardidos.
Há vinte anos, quando era estudante do Instituto Superior de Agronomia, os professores já ensinavam que haveria incêndios florestais em Portugal enquanto a floresta fosse a errada, ou seja, plantada com espécies de crescimento rápido, mas sem adaptação ao clima. Entretanto, todas as tendências da época se agravaram: há mais desertificação humana, proliferam as matas com uma única espécie (sempre a mais errada para o clima seco) e interesses económicos incendiários. O ministro da Agricultura, Jaime Silva, que conhece o problema, tentou dizer isto, mas foi imediatamente calado pelos lobbies.
A luta contra os incêndios (a obsessão de Governo, oposição e comunicação social) é um pouco como curar uma infecção com aspirinas: pode baixar a febre e reduzir os sintomas, mas nunca curará o mal. Com ou sem spin doctors.
Por falar em spin, o actual Governo continuará, sem êxito, a tentar controlar a informação. Tentará, sem êxito, fazer algumas reformas pouco significativas e prosseguirá, sem êxito, a sua governamentalização da administração pública.
Do lado mais sensato, continuará o esforço de consolidação orçamental, num ajustamento económico doloroso para a população, que se prolongará além de 2007.
O desemprego desafiará as leis da física, mantendo-se estável numa economia em crescimento deficiente, graças a estatísticas no mínimo notáveis.
A presidência portuguesa será uma boa ocasião para propaganda, mas as regras mudaram (agora, está sempre presente um país grande num trio) e penso que a Alemanha tentará controlar não apenas o seu semestre, mas o ano e meio que teoricamente é gerido por três países a coordenarem a agenda entre si. Como só existe um tema a sério, a reforma institucional da UE, a senhora Merkel estará no comando do essencial até Junho de 2008. Portugal ficará com algumas migalhas, nomeadamente a cimeira UE-África, que a realizar-se será uma boa ocasião propagandística, embora a relação entre Europa e África não vá mudar um milímetro: eles serão fonte de matérias-primas baratas, governados por elites corruptas que fazem compras de produtos de luxo em Paris, e nós continuaremos a estimular o grande negócio humanitário.
Finalmente, coisas sérias e uma nota optimista: o apuramento para o Euro 2008. O grupo é muito mais difícil do que parece e a Polónia assume-se como rival sério, mas penso que a nova geração de craques estará à altura do desafio.
Afinal, apesar da conjuntura, Portugal é um País muito resistente. Como as pilhas Duracell.



publicado por Corta-fitas
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007: o vício é uma virtude
Confesso-me rendido ao desempenho de Daniel Craig no último filme da série 007: ao contrário do xaroposo Pierce Brosnan, que abusava dos tiques de salão, Craig retoma a personagem dura, cínica e profundamente amoral que Sean Connery em boa hora criou no princípio da saga. Os primeiros filmes foram de longe os melhores - nada a ver com a pirotecnia acéfala, boa para consumir pipocas, em que o agente de Sua Majestade se foi transformando, sobretudo nas duas últimas décadas. Agora dá-se o regresso às origens com excelentes cenas de pancadaria (dignas dos Keystone Cops, ou seja, dos primórdios do cinema) e de perseguição, polvilhadas com um humor próprio de quem não se leva demasiado a sério. James Bond, apesar de ter ordem para matar, não deve, de facto, ser levado demasiado a sério. Só isto nos permite desfrutar da melhor maneira Casino Royale, um filme com uma produção irrepreensível que me fez ter uma súbita vontade de conhecer Montenegro, de regressar com urgência a Veneza e de adquirir residência nas margens do Lago Cuomo um dia destes, quando me sair o euromilhões. Brinde suplementar: a película tem excelentes diálogos. O meu preferido é este, entre Bond e a deliciosa Vesper Lynd (interpretada pela actriz Eva Green):
- Você não faz o meu género (diz ele).
- Por ser inteligente? (pergunta ela).
- Por ser solteira (remata ele).
Como nos ensinou Vasco Pulido Valente, o mundo está perigoso. Não admira que M, a superior hierárquica de Bond, confesse ter "saudades da Guerra Fria". Num planeta ameaçado pela praga terrorista, o mais famoso agente secreto britânico deixou-se de punhos de renda e ganhou uma destreza a lidar com o crime que mal o distingue afinal de um verdadeiro criminoso. Claro que há quem deite olhares de outro género ao filme, mas de momento o que me interessa é este: nos dias que correm, são cada vez mais ténues as fronteiras entre bons e maus. Bond está no meio, mas personifica muito mais o vício do que a virtude.
Se virmos bem, como poderia ser de outra forma? Quem lhe paga o ordenado é Tony Blair, um dos grandes jogadores de póquer político à escala mundial, que se tem mantido como fiel parceiro de George W. Bush em todas as jogadas. Bom rapaz, este Blair. Capaz, tal como Bond, de transformar qualquer vício em virtude - e de nos fazer pagar bilhete para o aplaudirmos. Comparado com ele, Daniel Craig é um menino de coro.


publicado por Pedro Correia
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O prazer de ler
No meio de muita verborreia presunçosa e de algum lixo acumulado nos cantos do costume, tropeçamos de vez em quando com algumas pérolas na blogosfera. Como este texto da grande Clarice Lispector, que em boa hora o Eduardo Pitta recuperou. Para ler. E pensar. E sentir. E guardar.


publicado por Pedro Correia
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Quinta-feira, 28 de Dezembro de 2006
Colecção de crónicas (III)

Há cidades mais literárias, locais que despertam a fantasia dos escritores e que parecem palpitar da mesma forma desvairada que os corações subitamente arrancados a corpos indefesos. Lisboa é literária, como são Nova Iorque, Praga, Paris ou Budapeste. Mas estes são casos raros. Não apetece inventar histórias em Genebra ou Bruxelas.
Ao tentar explicar isto pela razão, encontro a possibilidade de as pedras terem também uma espécie de alma, como se fossem pessoas, embora o ciclo de vida (nascimento, crescimento e decadência) seja tão longo que nem nos apercebemos da sua respiração inaudível. E assim é com certas cidades ou locais, onde se pode imaginar a vasta circulação humana separada daquela que pertence exclusivamente às pedras. A forma desliza, como se fosse maré; e as personagens ganham vida autónoma, pois a imaginação liga-se, por um instante, à poderosa magia desses corpos a que chamamos cidades.
Adem ou Alexandria têm ressonâncias magnéticas. Mas estas vibrações interiores não são um exclusivo de cidades habitadas. O deserto mais vazio pode produzir inconcebíveis fantasias, talvez porque aí estamos perante a nudez absoluta da pedra.
Ao escrever estas linhas, lembrei-me da atmosfera densa e exótica, cheia de luz e sombra, de Morocco, o filme de Josef von Sternberg sobre o abismo da paixão e o carácter inelutável da consequente queda. O mesmo abismo que li em O Céu que nos Protege, de Paul Bowles, que por sua vez me faz lembrar um pequeno conto de Camus, também sobre o deserto como paisagem, visto a partir de uma muralha numa cidade na orla do nada. Nesse texto, o vento é praticamente a personagem principal.
Em Morocco, Marlene Dietrich viaja sem bilhete de volta, só o de ida, porque em busca destas cidades perdidas andam personagens à deriva, peregrinos que não voltarão jamais do seu destino fatal.

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publicado por Corta-fitas
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É fogo?
Depois da discussão que aqui houve sobre as máquinas de café e a Bimby, devo confessar que há uma coisa que me faz uma certa espécie: as lareiras com "recuperador de calor". Aquelas de onde nem sequer sai o cheiro a lenha. Para mim, é como o café de balão e a Nespresso. Prefiro as lareiras à séria e o café de balão. Chamem-me conservador, mas quem me tira uma lareira verdadeira, tira-me tudo.


publicado por Francisco Almeida Leite
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O futuro é vermelho
Há um país onde os comunistas parecem ter um futuro auspicioso. E esse país fala o nosso idioma. Refiro-me ao Brasil, onde a nova atracção do partido da foice e do martelo é esta senhora que podemos ver na foto. Passo a apresentá-la: Manuela Pinto Vieira d'Ávila, uma gaúcha de 25 anos e diplomada em jornalismo. No blogue dela, que bem merece uma visita, justifica assim a sua adesão ao comunismo: "Em 2001, após longo debate, ingressei nas fileiras do Partido Comunista do Brasil. Somente lutar pela educação e pela juventude era fundamental. Mas eu senti a necessidade de debater mais a fundo as questões relativas a construção de um Brasil socialista. Um Brasil de igualdade."
Uma lutadora, portanto. Ou não fosse uma nativa do signo Leão. Ex-vereadora em Porto Alegre, Manuela d'Ávila acaba de ser eleita deputada federal pelo Rio Grande do Sul, recolhendo a maior votação de todo o Brasil. A moça promete, a bem do partido. Gostava de a ver por cá, como convidada no próximo congresso do PCP. E ofereço-me desde já para entrevistá-la. É uma forma de me redimir dos vários posts anticomunistas que tenho escrito. O primeiro passo para a minha conversão acaba de ser dado.


publicado por Pedro Correia
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Palavras no vácuo
Cheguei a um estado de quase angústia do vazio só de ler o seguinte parágrafo do comunicado de apresentação do Fórum Não Governamental para a Inclusão Social (nome pomposo dado ao conjunto das associações que colaboram no famoso Plano Nacional de Inclusão Social):
A experiência acumulada ao longo dos anos recentes, no âmbito nacional e internacional, aconselha que se avance no reforço de uma colaboração entre o sector público, privado e 3.º Sector, articulando um sistema de participação no diagnóstico de necessidades e no estabelecimento de prioridades que facilite a cooperação no desenvolvimento de objectivos e dando impulso a estratégias que tenham demonstrado ser eficazes para as políticas de acção social, especialmente as que se dirigem aos sectores mais vulneráveis da população, enquadrando formas de solidariedade cidadã, bem como facilitando e promovendo o aparecimento de novas alternativas como resposta a novas necessidades; tudo isto sem menosprezar ou inverter as responsabilidades que cabe a cada sector individualmente.


publicado por Corta-fitas
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A capa do dia (1)
O Le Monde faz hoje uma manchete dizendo que a "Europa convida os seus membros a privilegiar o nuclear civil". É caso para dizer que Patrick Monteiro de Barros tinha razão antes de tempo. Volte, está perdoado...


publicado por Francisco Almeida Leite
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A seguir o Sporting
Luís Figo deixou o Inter de Milão, aparentemente por problemas com Roberto Mancini (que não o punha a jogar com a assiduidade pretendida), e assinou por seis meses pelos sauditas do Al-Ittihad. O contrato é de cerca de 6 milhões de euros. Espera-se que a seguir o destino possa ser o Sporting, na próxima época, para acabar a carreira em grande, já com 35 anos. Temos capitão para a época 2007-2008.


publicado por Francisco Almeida Leite
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Um mal nunca vem só
Estar doente, na semana do Natal, já é castigo suficiente. Mas como se isto não bastasse os doentes internados no Hospital de São José e no Instituto Português de Oncologia, em Lisboa, receberam este ano algo pior do que a fava no bolo-rei: o ministro da Saúde decidiu "visitá-los" na noite de Natal, num desvelo de caridade cristã. E para que toda a gente ficasse a par de tão caritativo gesto o gabinete de Correia de Campos "convocou" os jornalistas para cobrirem o acontecimento, ao jeito do que sucedia no ancien régime, quando Suas Excelências recorriam aos préstimos de jornalistas a propósito de coisa nenhuma só para provarem que existiam. A irrelevância, neste caso, era de tal ordem que Correia de Campos atravessou o São José "em passo de corrida", na deliciosa descrição de Joana Latino, que demonstrou na SIC como é possível (e desejável) dividir as águas que devem sempre separar o jornalismo de qualquer tempo de antena do Governo. Do mal o menos: os internados em São José tiveram de suportar os holofotes mas não a prédica pseudo-curativa de um ministro com sede de protagonismo e necessidade de recuperar nas sondagens. Em noite de consoada, despachada a acção de propaganda, Correia de Campos tinha mais que fazer...


publicado por Pedro Correia
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Até para o ano!
E os desejos para todos vós de uma entrada em 2007 recordando as palavras do mestre Chesterton: «O objectivo do Ano Novo não é o de termos um novo ano. É o de termos uma nova alma». Se precisarem de mim, estarei na piscina.


publicado por Corta-fitas
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As palavras dos outros
"Se você conhecer uma pessoa muito idosa esquerdista, é porque está com problema. Se você conhecer uma pessoa muito nova de direita, é porque ela também está com problema."
Lula da Silva (61 anos)


publicado por Pedro Correia
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Gostei de ler
1. A nostalgia da liberdade. Do Francisco José Viegas, no Jornal de Notícias, via A Origem das Espécies.
2. Liberdade e poder. De Pedro Caeiro, no Mar Salgado.
3. Todos odeiam a liberdade. De Carlos Manuel Castro, no Tugir.
4. Dois pesos. Da Marta Romão, no Astro que Flameja.
5. Perceber a Europa. De Eduardo Pitta, no Da Literatura.
6. A mensagem. Do João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.
7. Questões de saúde. De Coutinho Ribeiro, no Anónimo.
8. As canções (34). De Henrique Fialho, na Insónia.
9. Livros (2). Do Tomás Vasques, no Hoje Há Conquilhas.
10. Dos modernos. Da Carla Quevedo, na Bomba Inteligente.
11. Os desastres dos defensores do "sim"... Do Nuno Simas, no Glória Fácil.
12. Espírito e sensibilidade. Do Paulo Cunha Porto, n' O Misantropo Enjaulado.


publicado por Pedro Correia
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Crítica a Luciano Amaral
Devo dizer que detesto truques de retórica, como os que são tão evidentes neste texto de Luciano Amaral. Segundo o autor, o “impasse” europeu “tem apenas que ver com a ideia abstrusa, vinda não se sabe muito bem de onde, segundo a qual a UE precisa de uma Constituição”. O autor segue por ali fora a elogiar o alargamento, afirmando por exemplo, que “só um quadro institucional flexível permite integrar países tão diversos”. Não quero entrar na discussão da forma usada por Luciano Amaral para caricaturar os argumentos daqueles que defendem mudanças institucionais na Europa, referindo (entre outras pérolas) uma suposta intenção de criar um novo bloco anti-americano (ideia, sim, abstrusa, que nunca existiu).
A tese do texto é clara: temos a ganhar com um sistema europeu muito “flexível” e penso que isto significa, para Luciano Amaral, uma UE limitada ao menos possível, uma simples “coligação de democracias”, como ele escreve. Nada de política externa comum ou de defesa. É a Europa minimalista, enquanto tudo o que seja mais integração é a Europa “problema”.
Acho que tudo isto se resume à única frase com a qual concordo no texto de Luciano Amaral: “a má qualidade do debate”.
Veja-se esta pergunta: “Alguém vê algum problema em deixá-la [à UE] como está, melhorando apenas os mecanismos de decisão para acomodar mais países?”.
Pois bem, eu vejo. Eu e 25 países.
Sem novo tratado, estará em vigor o de Nice, cujos mecanismos de decisão (só podem ser alterados por tratado) não agradam a nenhum país e, sobretudo, estão longe de servir para as necessidades da tal coligação de democracias (por exemplo, nas questões de imigração, segurança interna, política externa, defesa). É óbvia a necessidade de políticas comuns nestas áreas. Se não há fronteira entre Vilnius e Lisboa, é de elementar bom senso que haja regras no acesso à fronteira em Vilnius. O argumento sobre a defesa foi muito usado na altura em que alguns países (como a França e a Alemanha) se opuseram à Guerra do Iraque, sendo na altura acusados de quererem torpedear a aliança com os Estados Unidos. Luciano Amaral: em relação ao Iraque, o senhor estava enganado e estes países estavam certos.
Mas a razão mais importante para se defender uma alteração institucional e um novo tratado é o facto, evidente, de que se não houver novo tratado, os países continuam a defender os seus próprios interesses.
Uma Europa minimalista, como a que defende Luciano Amaral, é do interesse do Reino Unido; uma federalista, como defende, por exemplo, o primeiro-ministro belga, é do interesse da Bélgica e da França. Mas nenhuma das duas interessa verdadeiramente a Portugal.
Se não existir um tratado semelhante ao que foi rejeitado pelos franceses, haverá qualquer coisa mais próxima de uma Europa a várias velocidades, com um núcleo duro que terá França, Alemanha, Bélgica, Holanda e Luxemburgo, além de, talvez, Itália e Espanha. Portugal estará fora deste grupo, que tentará acelerar a sua integração. O Reino Unido terá todo o interesse (e a capacidade) para ficar fora do núcleo duro, assim como os países escandinavos. Em relação aos mais pobres e atrasados, não existe alternativa: ficarão no segundo patamar.
É por isso que temos de apoiar a entrada da Turquia com plenos poderes e deveres, e não como simples parceira de uma hipotética segunda divisão, que criará uma Europa a várias velocidades.
Se houver diferentes ritmos de integração, Portugal estará no ritmo inferior.
Ao defender a Europa minimalista e criticar um novo tratado (este ou outro qualquer) que garanta a igualdade entre os Estados-membros, Luciano Amaral está a defender a Europa a várias velocidades. E deve afirmar isso com clareza.

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publicado por Corta-fitas
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Repórter XXX
Graças ao comentário de um dos nossos anonymous fui ler este relato da visita do jornalista Paulo João Santos ao «Calor da Noite», publicado hoje no Correio da Manhã. Há reportagens mais fáceis do que outras e esta parece ter causado algum stress pós-traumático ao Paulo João. Atente-se quando ele diz que o decote de Suzy é «capaz de despertar os sentimentos mais íntimos e secretos» e «de povoar o imaginário dos mais exigentes», como o jornalista deduzo que seja (e eu também sou, não pensem!).
Mais à frente, partilha-se de forma ainda mais expressiva o sofrimento padecido por PJ. Sim, porque trabalho é trabalho e whisky marado é whisky marado:
«O ambiente deste ardor de mulheres deslumbrantes é agradável» (Só agradável, ó Paulo João!?). «Está quente, mas não em demasia. O suor escorre da pele por outros motivos, que não propriamente pela temperatura interior» (Interior à pele ou ao estabelecimento, quem sabe? Por esta altura ainda o PJ não recuperou da taquicardia e a escrita ressente-se).
Imagino, suado mas agradado, o nosso jornalista trocando confidências com a talvez não tão jovem assim Suzy, a mesma que «não precisa de usar minissaia nem vestido justo para deixar em brasa quem procura companhia». Atrás, brotam tacinhas de espumante e cocktails embandeirados cor de rosa. Robbie Williams geme das colunas e uma diáfana moça espirala no poste, revolteando os longos cabelos de raízes mal oxigenadas. E Paulo João, quase finda a noite, regressa à redacção. No lead do artigo escreve, ainda tremente: «As mulheres são todas de encher o olho, a ponto de não deixarem grandes opções. Mas não é um sítio barato». Ó Paulo João, é para isso que servem as facturas.


publicado por Corta-fitas
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Aprender, aprender, sempre aprender
Visitar o Herdeiro de Aécio é para mim aprender sempre algo de novo. Hoje e aqui, fiquei a saber mais sobre o conflito entre a Etiópia e a Somália. E o A. Teixeira nem me passou trabalho para casa!


publicado por Corta-fitas
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O género
O Abrupto decidiu dar-nos um final de ano ocupado:
«Trabalho de Casa: na Rede, que blogues envelhecem mais rapidamente, os que têm género ou os que não têm? Ou, o que é quase a mesma coisa, os de homens (sem género) ou os de mulheres (que se classificam como tendo muito género)?».
Mas o que é isto? O que significa «muito género» e quem é que classifica? E por que é que os blogues de homens não o têm? Então não falamos de moçoilas, bola e política? Estes são temas que envelheçam, por amor da santinha? Já não bastava a eleição que houve para aí ter dividido os blogues em masculinos e femininos e continuamos a malhar no mesmo?
Confesso que não entendo nada deste TPC e vou certamente chumbar por falta de entrega do trabalho, mas é preciso ver que, no mesmo post, também se pode ler isto:
«Na categoria GMail de "Recentes", a fotografia de Margarida Rebelo Pinto que ilustra a sua crónica do Sol é muito representativa. Como todo o presente, está muito cheia de significado: cheia de Moda. Densa, intensa, falando por todos os poros da roupa. Aquela roupa não se usava há dois anos (há dois anos Margarida Rebelo Pinto far-se-ia fotografar numa saia de folhos e não nuns calções de ganga), e está a começar a deixar de se usar».
Cá para mim, isso que «fala por todos os poros da roupa» (ou será através?) não me parece ser moda, mas sim um par de pernas. Mas que sei eu, que nem género possuo?


publicado por Corta-fitas
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Mais pinguins

"Happy feet"



publicado por M. Isabel Goulão
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Quando o ar dança
Às vezes apetece começar o dia com músicas assim, capazes de nos fazer levitar logo pela manhã. Saudades da Orquestra do Café Pinguim.


publicado por Corta-fitas
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Quarta-feira, 27 de Dezembro de 2006
Lisboa à noite a várias mãos

Hoje, no Diário de Notícias, uma longa reportagem a várias mãos e a vários copos: cinco jornalistas escrevem sobre a noite de lisboa, ou melhor, enfrentam a árdua tarefa de viver ou reviver noitadas, vidas até altas horas, enfim, uma maçada.

Jazz numa noite de Inverno é (bem) escrita por um jovem com escandalosos vinte e poucos anos, que relata a sua experiência iniciática no Snob, histórias de clubes de jazz, passagem pelo Napron (já estive em algumas dessas festas de que fala), pela Bicaense, B.Leza, Tóquio, antigo Texas Bar e final da noite no Lux.
Agora experimentem ler A boina negra e a boina branca, ou seja, as mesmas voltas da noite escritas e descritas por um tipo de quarenta e tal anos (sic). Coisas do passado, nunca saberemos se "aquela boina branca vagamente conhecida saía do Bicaense antes de eu confirmar se era mesmo um sorriso de outrora." Também gostava de escrever assim.
A Ana Sá Lopes escreve uma crónica sobre o bairro alto, quando A Revolução já passou por aqui. Cara Ana, "o meu companheiro (também) era um rapaz lindíssimo e brilhante mas nunca se vestiu de preto monocolor, que eu me lembre" e eu uma conservadora da Faculdade de Letras (oxímoro?), por isso nunca compreendi porque não passei pela mesma humilhação para entrar no Frágil. Uma vez lá dentro, entrei sempre que quis, furando pelo meio dos "ultrajados" a quem era barrada a entrada.
Ainda há outra crónica sobre espreguiçadeiras e Cafés com 'design' que inauguram novas rotas e mais Bairro Alto com Histórias de copo na mão.
Um reparo: e a noite "betinha? Em querendo, estou disponível para uma city sightseeing dos restos mortais da noite queque. Pensando bem, ainda se arranjam um ou dois locais de culto já não tão gloriosos como no passado, mas ainda com espelhos, veludos e com serviço à antiga.
Prometo que deixo as pérolas e o chanel 5 em casa ao lado das pantufas.


publicado por M. Isabel Goulão
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Colecção de crónicas (II)


Serve esta crónica para louvar o cinema europeu. Não se trata da visão do historiador de arte, ou algo do género. Será visão ingénua, de quem se deixou maravilhar tantas vezes por filmes inesquecíveis. Será resistência, também, pois o cinema europeu tem momentos que rivalizam com os melhores de Hollywood. E nós, europeus, esquecemos isso facilmente.
Escrevi em cima que os filmes eram inesquecíveis, mas não é bem assim. Acho que um dos encantos do cinema é que pode tocar-nos a alma e, mesmo assim, sendo fracção de um todo, acaba por nos iludir. Escapa sempre parte do drama, pedaço da alegria que nos contagiou. Sim, é isso. O esquecimento faz parte do encanto, até quase imaginarmos o filme que verdadeiramente vimos.
Queria aqui referir alguns dos que me comoveram ou tocaram e dos quais posso ter esquecido, sem querer, alguns dos farrapos.
Baisers Volés, de François Truffaut, ou Disparem sobre o Pianista; I Vitelloni, de Fellini, ou Amarcord, ou ainda Roma. Cinzas e Diamantes, de Andrzej Wajda. Korhinta, de Zóltan Fábri (a que se refere a imagem); lembro Jean Renoir (A Regra do Jogo); Ingmar Bergman (Morangos Silvestres). E há tantos outros!
E o que me marcou em cada um destes filmes foi um momento, a ligação efémera ao mais essencial do humano. O instante da levitação, em que nos transformamos em algo de alheio, que habita outro universo. Enfim, não será isso mesmo a arte?
Niente d’Amore, Noites Brancas, um leopardo, a polonaise, um velho a recordar o passado. De Kohrinta: A cena da dança, alucinada e obsessiva, rodando, rodando. E a cara que se transforma; um homem que tem um machado na mão; primeiro assassino; depois cedendo à sua humanidade, submetendo-se à melancólica desistência. E o machado a tombar no solo lamacento...


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A pagar pelo destinatário
Este Governo mostra bem a conversão socialista, da fase do diálogo do Engenheiro Guterres para a do monólogo do Engenheiro Sócrates. Antes, todos falavam e ninguém se entendia. Hoje, há só um que fala e não entende quem quer que seja. Entre estes dois extremos, é altura de dar lugar ao bom senso.
Se não o fizermos, continuamos personagens de um filme onde a principal figura é um verdadeiro Harry Potter aritmético, capaz de fazer magias com os números mas onde são os outros a ficar com as cicatrizes.
Enquanto o senhor primeiro-ministro avança com os seus anúncios, fecha os olhos à realidade que os desmente. Isso tem um nome: Sonambulismo. Dizem que não se deve acordar os sonâmbulos mas, neste caso, não estou de acordo. Alguém deve acordá-lo e depressa. Ou então, continuamos numa lógica igual às chamadas de valor dito acrescentado. O Governo faz os seus anúncios, mas nós é que os pagamos.


publicado por Corta-fitas
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Previsões 2007 (outros continentes)


Infelizmente, há vastas regiões do globo onde 2007 será mais um ano mau. Em África, a instabilidade política está a provocar grande violência num vasto arco que vai do Chade à Somália, passando por Etiópia, sul e oeste do Sudão, incluindo Eritreia. Esta vasta região está perante uma gigantesca crise humanitária, que ameaça alastrar à República Centro-Africana, Uganda e Quénia. Mais a sul, o Congo continua fragmentado, apesar do relativo êxito das eleições controladas pelas Nações Unidas. ONU que está muito activa também na Serra Leoa, o que talvez permita ali eleições livres. Zimbabwe e, sobretudo, Nigéria, são dois outros países onde 2007 promete correr mal. No caso da Nigéria, que terá eleições presidenciais, com possíveis consequências globais ou, no mínimo, efeitos regionais importantes.
A América Latina parece ter vivido um importante ciclo nos últimos anos, com várias eleições onde foram escolhidos líderes populistas moderados ou, em oposição, dirigentes cuja plataforma política é de confronto com os Estados Unidos. O México promete alguma instabilidade, consequência de uma crispação política que não parecia possível. Chile e Argentina estão em boas condições económicas, mas no segundo caso a situação pode não ser inteiramente favorável. O primeiro finalmente tem condições para construir a sua democracia normal, após o desaparecimento de um ex-ditador que impediu o ajuste de contas com a História. O Brasil deverá entrar num ciclo de transição e preparar a era pós-Lula. Nos restantes países, não haverá boas notícias. O trio Chávez-Morales-Ortega é bastante imprevisível.
A maior incógnita será sobre a transição em Cuba. É evidente que Fidel Castro já não exerce o poder. Como será a transição? Uma lenta agonia ou o regime vai desmoronar-se?
Há muitas outras regiões em perigo. Na Ásia Central, o controlo político é disputado por Rússia e China; no sudeste asiático, continuará o silêncio sobre um dos regimes mais delirantes do mundo (Myanmar).
Coreia do Norte e Irão prosseguirão os seus esforços para fabricarem armas nucleares. Os feiticeiros brincam com o fogo.



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2007 odisseia nos preços

Vamos pagar mais 2,1% pelos transportes públicos, 6% pela electricidade, 1 a 5% pelos medicamentos, mais pelos combustíveis, mais (muito mais) pelo tabaco, aumentam as taxas de juro e por aí fora. Os ordenados, esses, não aumentam (para os privados) ou aumentam uma ridicularia face à inflação (para os funcionários públicos). Feliz 2007.
É assim que, de acordo com o primeiro-ministro, caminhamos passo a passo para a recuperação colectiva. Só é pena que, individualmente, corramos a passo de corrida para um saldo negativo permanente na conta bancária. Podem já não existir amanhãs que cantam mas, pelo menos, ainda há políticos dotados para o canto lírico.
P.S. Dizem-me que José Sócrates escolhe nos almoços com a sua entourage o prato que todos comem. Faz sentido. Nós também acabamos por engolir o que ele nos impõe. Em alguns casos, infelizmente, apenas as migalhas que restam sobre a mesa.
Como complemento ler aqui: «Sócrates tornou-se a costureirinha de Portugal». Esta só podia vir do Fernando, pois claro.


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Tertúlia literária (119)
- São textos sobre música pop?
- Sim, é Escrítica Pop.


publicado por M. Isabel Goulão
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Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

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