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Reflexo condicionado

por Pedro Correia, em 30.11.06
Vital Moreira gasta duas linhas e meia da sua tinta na Causa Nossa a contestar a falta de consideração do PCP pela "autonomia" e pela "situação pessoal" dos seus deputados e o dobro (!) desse espaço a desancar Luísa Mesquita, chamando-lhe "super-ortodoxa", sem sequer se dignar mencioná-la pelo nome, repetindo a deselegância cometida em Agosto, quando criticou o ex-presidente da Câmara de Setúbal, Carlos Sousa. Numa espécie de reflexo condicionado que parece provir dos tempos em que, enquanto deputado comunista na Assembleia Constituinte, chamava aos adversários políticos "demente" e outros mimos em boa hora recordados aqui, o constitucionalista vai ainda mais longe, destilando uma insinuação inqualificável contra Luísa Mesquita: "São Bento vale bem uma infidelidade partidária!"
Tratar-se-á de um "ajuste de contas", explica o Daniel Oliveira. Talvez só isso justifique tanto primarismo, na forma e no conteúdo. Nem os autocratas de serviço na Soeiro Pereira Gomes foram tão longe.

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Há coisas na vida que nunca vou entender

por Corta-fitas, em 30.11.06
Há certas coisas na vida que nunca vou conseguir entender. Uma delas é a morte de quem está no auge da vida. A Zé partiu para outro mundo, mas ainda tinha muito que fazer neste.
Conhecia mal a Zé, embora estivéssemos a trabalhar na mesma secção. Era uma miúda de sorriso doce, de facto reservada, de um humor inteligente. Admirava-lhe a postura, a actuação recta, o jeito inquestionável para a reportagem. Vai deixar saudades...

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A praga cor-de-rosa

por Pedro Correia, em 30.11.06
Confesso que já me enjoa a praga das gravatinhas cor-de-rosa. Marques Mendes aparece na televisão – e ei-lo de gravata monocolor, cor-de-rosa berrante, certamente julgando que assim está mais na moda (o histórico cor-de-laranja já terá sido definitivamente enterrado no PSD?). No congresso do PS, reparo em socialistas do Norte, como José Lello e Narciso Miranda, e lá os vejo também com o apêndice cor-de-rosa ao pescoço. O comentador Rui Santos, jornalista da grande área futebolística, surge com frequência na SIC Notícias com uma gravata da mesma cor. E nem Dias Ferreira, no programa desportivo O Dia Seguinte, ou o habitualmente elegante Nuno Rogeiro, comentador internacional do mesmo canal, escapam a esta praga: ambos apareceram na pantalha já convertidos ao inevitável cor-de-rosa. Qualquer dia começo até a sentir saudades das nauseantes gravatinhas azul-bebé...

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Socialistas "muy machos"

por Pedro Correia, em 30.11.06
A mudança de hábitos políticos introduzida há dois anos por Zapatero em Espanha começou a perder gás: o novo Executivo da Catalunha, que terça-feira tomou posse, tem apenas quatro mulheres em 14 postos governamentais, o que fez até torcer o nariz ao insuspeitíssimo El País. Lá se foi a apregoada "paridade" sexual, sob a égide do socialista catalão José Montilla. Em Barcelona, pelos vistos, quien manda son los machos...

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Os dôtores

por João Távora, em 30.11.06

Como bons latinos, nós os portugueses adoramos os tratamentos formais e deleitamo-nos com um bom “estatuto”, de preferência bem “cristalizado”. Receio que o fenómeno não tenha tanto a ver com vaidades pessoais, mas com o anseio secreto de mais uma fórmula de “providência social” e de amortecedor das agruras da competição profissional... e não só. Pouco dados a grandes liberalidades, genericamente somos gente insegura.

Crescendo num mundo bem português, sempre vivi rodeado de doutores e doutoras, a começar pelos “stôres” do ensino preparatório, ao “doutor” que vinha a casa receitar um antibiótico… Mais tarde aprendi que também havia “Professores Doutores” (o que não significava que leccionassem obrigatoriamente) e que havia um título, bacharel, este sem grande sucesso em Portugal. Assim cresci e assimilei as variadas e distintas formas de tratamento social. Às tantas, tive a sensação que o “dotôr” funcionava como mais um nome próprio, necessário a figurantes da minha vida profissional, sempre de estatuto hierarquicamente superior ao meu.

Agora os tempos mudaram. Desde há alguns anos, com as universidades e escolas superiores a debitarem dezenas de milhar de “dôtores” por ano, e porque não podemos ser todos “dôtores” e estragar o arranjinho, o título passou a ser atribuído consoante o lugar de cada um na hierarquia. Se a secretária é licenciada em línguas e literaturas modernas, o tratamento é simplesmente de “dona”. Já o chefe, que frequentou meia dúzia de cadeiras de uma obscura licenciatura “sem saber ler nem escrever”, é o “Sô-dotôr”. Esta foi a lógica que se implantou. O engenheiro, se é o “manda-chuva”, assim é tratado. O outro, o assistente com o mesmo curso da mesma universidade, é o Manel. Ai vida dura!

Acontece-me quando corrijo o meu interlocutor ao telefone, informando-o que não sou “dotôr”, sentir que fui inconveniente. Apercebo-me dum mal-estar do outro lado da linha, como quem diz que “isso” para o caso não tem importância nenhuma: o tratamento é mera reverencial-comercial. É então que caio em desgraça e num instante passo a ser apenas “o xôr João”.

Curiosamente, na indústria hoteleira em que trabalhei durante muitos anos, e que é um meio extremamente hierarquizado, até há poucos anos simplesmente não havia “dotôres”, talvez por essa carreira não oferecer grande consideração social. Mas hoje, ironicamente, integram-se nas chefias intermédias e cargos técnicos desta indústria muitos jovens licenciados cujo reconhecimento do título de “dotôr” ainda não

E tido em conta: têm de ir à luta para que o precioso tratamento um dia “conquiste” a luz do dia. E talvez, quem sabe, uma linha no cartão-de-visita.

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Postais blogosféricos

por Pedro Correia, em 30.11.06
1. Excelente, a ideia do Henrique Fialho de homenagear Mário Cesariny neste postal que constitui uma bela síntese do que foi publicado em vários outros blogues.
2. Ana Cláudia, fizeste muito bem em voltar aos teus Quatro Caminhos. Confesso: já andava com saudades...
3. O Hugo Alves é autor de um dos melhores blogues cinéfilos que conheço. Com um título inspirado em Fellini. A partir de hoje, temos o Amarcord na nossa lista de favoritos.
4. O Despropósito entrou no segundo ano de existência. Um abraço de parabéns, António.
5. Um abraço também ao Rui Castro por ter incluído o Corta-Fitas nas nomeações para melhor blogue e melhor blogue temático de 2006. Uma satisfação ainda maior por sermos fãs dos Incontinentes Verbais.
6. Mais três dias de greve no metropolitano, Helder? Não sabia. Mas vem mesmo a jeito, para o pessoal lá da empresa começar a fazer já umas comprinhas de Natal. E podiam fazer também greve àquelas notícias foleiras que os utentes têm de gramar enquanto esperam pelo metro. Se não existissem, ninguém perdia nada.
7. Esta Susaninha decidiu brincar aos crescidos. E está a conseguir dar nas vistas.
8. Para perceber melhor as teias da economia real e virtual, nada melhor do que vir aqui. Dá asneira, pela certa. Mas reciclada.
9. Agora que estão na moda as votações na blogosfera, aqui fica o meu prémio para o Luís. Pelo melhor sentido de humor, no seu jeito de franco-atirador.

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O "não" de Mendes e os seus riscos

por Francisco Almeida Leite, em 30.11.06
O PSD continua animadíssimo, enquanto faz o seu tirocínio de alguns anos de oposição. Marques Mendes, de volta do Brasil, após um período intenso de contactos (como se pôde ler no Expresso ou no Público), defendeu um investimento sustentado em barragens. Mas depois de ler isto fiquei com a sensação de que se estaria a referir a barragens para impedir o caudal de água que pode entrar a qualquer momento na São Caetano à Lapa...
Barragens à parte, Marques Mendes anunciou hoje a sua posição em relação ao referendo de 11 de Fevereiro: "vou votar 'não' neste referendo, tal como votei no referendo anterior. Não vejo razões para mudar de opinião e considero que a actual lei é equilibrada".
Aí está a resposta de Mendes à declaração de ontem do Presidente Cavaco Silva, que pediu um envolvimento da comunicação social no esclarecimento do que está em causa e pediu, sobretudo, mais trabalho aos partidos políticos e associações envolvidas na campanha. Atente-se às duas "observações" que o Presidente anotou: "em primeiro lugar, é imprescindível que o debate sobre uma questão deste alcance decorra com a maior serenidade e elevação. Nesse sentido, apelo a que a campanha que se vai realizar em torno deste referendo constitua uma oportunidade para que se realize um debate sério, informativo e esclarecedor para todos aqueles que irão ser chamados a decidir uma matéria tão sensível como esta. Em segundo lugar, é essencial que as diversas forças políticas bem como os movimentos da sociedade civil, disponham de tempo e condições para se organizarem e mobilizarem de modo a poderem manifestar e divulgar as suas ideias e convicções. Importa, no entanto, que o debate se não prolongue para além de um prazo razoável".
A verdade é esta. Mendes disse que vota "não", mas será que está disposto a envolver-se na campanha, a pugnar pelo esclarecimento dos votantes, como pediu Cavaco Silva? Duvido. O PSD irá ter liberdade de voto, muitos dos seus mais destacados dirigentes e ex-dirigentes estarão do lado do "sim" - como é o caso de Paula Teixeira da Cruz, Miguel Relvas, Ana Manso ou de Vasco Rato, para dar alguns exemplos emblemáticos -, portanto irá estar partido ao meio. Mas Mendes, se realmente pensa aquilo que diz, pode envolver-se como cidadão, tal como fará José Ribeiro e Castro. Ao fazê-lo estará a empenhar-se por aquilo em que diz acreditar, mas também estará a arriscar-se a ter a sua primeira derrota. Depois de umas autárquicas e umas presidenciais que lhe correram bem. Mas a vida, como a política, é feita de riscos. E há riscos que valem a pena. Sobretudo se quiser correr esses riscos em nome de convicções verdadeiras e não meramente ao sabor das tácticas.

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Porque amanhã é feriado

por Pedro Correia, em 30.11.06
Esqueçam o novo James Bond. Fixem antes a nova Bond girl: Eva Green. Inesquecível. For your eyes only.

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Picardias em tom laranja

por Francisco Almeida Leite, em 30.11.06
Parece que até Luís Filipe Menezes tem um blogue. Veja-se o que diz de Marcelo Rebelo de Sousa, num post de anteontem...

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Xmas in NY

por Corta-fitas, em 30.11.06

Uma patinadora passa por cima de um foco de luz em forma de floco de neve, durante a 74ª cerimónia anual de iluminação da árvore de Natal gigante no Rockefeller Center, em Nova Iorque. Foto: Justin Lane/EPA

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Tertúlia literária (104)

por Pedro Correia, em 30.11.06
- Ando a reler Redol.
- Já li. Era um pseudónimo do Cunhal.

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A menina da bilha na Baixa da Banheira

por Corta-fitas, em 30.11.06

Com os meus agradecimentos ao João Prata pelo envio e servindo também de ilustração para o meu outro post abaixo.

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De mau gosto o mau gosto*

por Corta-fitas, em 30.11.06
Ou li muito mal a crónica de hoje de Pacheco Pereira ou lhe deu para transformar-se em Maria Filomena Mónica. Escreve ele que «os filhos dos deserdados das cheias, os filhos dos operários do Barreiro, os filhos das criadas de servir, os filhos dos emigrantes de Champigny, os filhos da "canalha" anarco-sindicalista e faquista de Âlcantara mandam no consumo» (...) «Entraram pelos cafés dentro e transformaram-nos em snack-bars e em lanchonetes, entraram pelas televisões e querem os reality shows». «O que sobra?» de acordo com PP, é «uma nova forma de elitismo, a única que salva, no sentido bíblico, a criação».
Não percebo a associação feita entre os «filhos das criadas» e o descalabro cultural como se o berço determinasse o programa que se vê ou o gosto pelos azulejos. Nem sequer percebo se Pacheco Pereira fala a sério ou não, quando escreve sobre o tempo em que «a elite, que éramos nós (ele e Jorge Silva Melo e outros), decidia em questões de bom senso e bom gosto».
Parece-me é que a elite continua a decidir. Assumiu foi que o seu bom gosto é sustentado pelo que factura servindo o mínimo denominador comum que é o mau gosto da maioria. Agora se essa maioria é filha deste ou daquele, isso pede um trabalho de campo sociológico capaz de surpreender. Conheço muito boa gente no Restelo para quem a Literatura é «o Paulo Coelho». Os pais, no entanto, eram servidos à mesa. E conheço também filhos de «operários do Barreiro» que tiraram cursos e lêem as crónicas de Pacheco Pereira.
*Título roubado a Caetano Veloso.

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Sondagens, só no Continente

por Corta-fitas, em 30.11.06

Hoje sinto ter sobre os meus ombros a missão de avisar o Diário de Notícias de que o Verão acabou e estamos às portas de Dezembro. Não por causa do tema de capa «Comemos mais sal que os espanhóis» com frases como «O Kinder Bueno espanhol tem menos 60% de açúcar» mas por esta página intitulada «Maioria apoia o não à Madeira independente». A enfática legenda da foto que acompanha esta sondagem aos continentais é a seguinte: «Apesar de todas as declarações de Alberto João, os portugueses são claros: a Madeira deve continuar parte integrante de Portugal».
Meus amigos, caro João Pedro Henriques, senhoras e senhores do DN, não tendes mais tema nenhum para sondar? A Turquia? A reabertura do processo de Camarate? As salas de chuto?
Se os resultados fossem - por absurdo - os opostos, achais que isso provocaria o quê? E os madeirenses não são portugueses ou não são claros? Vamos ter uma sondagem só sobre o que eles pensam «apesar das declarações de AJJ»? Perguntas, perguntas...

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PCP: excepção à regra

por Pedro Correia, em 29.11.06
Se há coisa que me surpreende, quando estala um conflito entre comunistas, é a suspensão do juízo crítico num certo discurso jornalístico sempre pronto a disparar contra todos os partidos, a propósito de tudo e de nada, excepto contra o PCP. Esta característica não tardou a alastrar à blogosfera portuguesa, onde é possível ver uma pessoa de espírito acutilante, como o Filipe Moura, transferir eventuais críticas ao procedimento da direcção comunista... para os jornalistas que ousam criticá-la. Argumenta o Filipe, num postal do seu O Avesso do Avesso, que a deputada Luísa Mesquita violou um compromisso estabelecido com a liderança comunista que pressuporia a sua substituição a qualquer momento por mera vontade discricionária dos organismos centrais do partido.
Gostava de dizer ao Filipe o seguinte:
- Nenhum compromisso particular, de cariz partidário ou outro, pode sobrepor-se ao estabelecido na Constituição da República, que considera indelegável o mandato de deputado, que "representa a Nação".
- A direcção do PCP faltou ao contrato de transparência que deveria necessariamente ter estabelecido com o eleitorado nas legislativas de 2005, pois não informou então os portugueses de que tencionava "renovar" um quarto da bancada parlamentar ainda antes de concluída a primeira metade da legislatura.
- Luísa Mesquita considera não ter violado o pacto estabelecido com a direcção do partido, na medida em que esse acordo pressupunha que uma eventual substituição em São Bento só poderia decorrer de uma avaliação negativa (no plano político ou no plano técnico) da sua actividade parlamentar. Ora nenhum destes pressupostos se verificou, como o próprio secretário-geral do PCP admitiu. Se a sua competência como parlamentar é indiscutível e o seu desempenho político é inquestionável, para quê aceitar de ânimo leve uma substituição tão arbitrária que a deputada não solicitou (ao contrário do sucedido com Odete Santos, que pelo menos desde 2000 vinha pedindo para ser rendida no Parlamento)?
Disciplina partidária é uma coisa, deputados amestrados pelas máquinas dos partidos é outra - bem diferente. Não questiono a primeira, mas de modo algum posso aceitar a segunda, seja em que partido for. E estranho que o Filipe a aceite. Lamento informar, mas pela minha parte jamais suspenderei o juízo crítico. Sem excepções de qualquer espécie.

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Lamento dizê-lo

por Corta-fitas, em 29.11.06
Mas se progressivamente fui perdendo pachorra para ler Paulo Gorjão, ainda menos a tenho para as alturas cada vez mais recorrentes em que insiste no loop das suas obsessões e repetições ad nauseam. Que uma delas envolva pessoas que morreram em circunstâncias trágicas e não tiveram ainda sequer direito a funeral, parece-me doentio.
Não sei o que acha que consegue com isto mas, na parte que me diz respeito, só me resta desejar-lhe, como fazem os chineses, que atravesse «tempos tão interessantes» como aqueles que os camaradas, amigos e familiares dos falecidos neste momento infelizmente atravessam.

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Notícias do império

por Corta-fitas, em 29.11.06

A NATO está cada vez menos atlântica e já não consegue esconder os seus graves problemas militares no Afeganistão. Não sei se já repararam que o Presidente americano que mais bateu no peito, a afirmar que não precisava de aliados e que podia fazer tudo sozinho, conseguiu convencer os europeus (que desdenhou) a umas aventuras em terras bárbaras: há europeus no Afeganistão, há e houve no Iraque, no Kosovo e no Líbano. Estou-me a esquecer de alguma guerra? Os europeus têm acompanhado lealmente (outros diriam servilmente) todas as paradas, apenas para prosseguir o discurso arrogante de alguns que não entendem a natureza desta relação e se prolongar o mito de que a Europa não tem futuro, não passando de um caso perdido.

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Quem diria

por Corta-fitas, em 29.11.06
A revista FHM seleccionou 50 blogues e o nosso foi o 49º. Mas calma aí! Aparecemos entre os blasfemos e Pacheco Pereira num triunvirato com direito a caixinha vermelha (??) e ao lado do título «Política. Aqui se fala no Estado da Nação».
Como sei que os nossos/as leitores/as são incapazes de comprar ou sequer ler por cima do ombro revistas com maminhas, aqui fica a transcrição:
«Actualidade política e cultural, bem escrita (leram bem ó anonymous?) e provocadora, nem tanto à esquerda nem tanto à direita. É um colectivo, quase todos jornalistas, e tem a vantagem de podermos ter opiniões bem fundamentadas sobre o que vai acontecendo - das derrotas do Benfica (aqui tenho algumas dúvidas) às intervenções de Cavaco Silva (é verdade, basta ler o post do FAL já a seguir). À sexta têm uma miúda gira».
Ah, pois temos! E às vezes em outros dias também. Obrigado, ó gajos. É verdade que o artigo também menciona blogues que o pudor me impede de referenciar, mas lá que dá credibilidade à revista, lá isso dá. 31 da Armada, roei-vos de inveja (é verdade que na altura do fecho eles ainda não existiam, mas isso é um detalhe irrelevante).
P.S. Comprem a revista e, por mais 2,99, têm direito a um calendário pouco ou nada natalício mas muito estimulante.

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Referendo

por Francisco Almeida Leite, em 29.11.06
O referendo ao aborto deverá ser marcado para dia 11 de Fevereiro. Mas aguardemos pelas declarações de Cavaco Silva, a partir das 20h, sobre o que fundamenta a sua decisão. Não será ainda desta vez, com toda a certeza, que o Presidente da República dará algum sinal sobre o que são os seus princípios éticos, morais e também políticos na matéria. Cavaco Silva fará apenas o enquadramento jurídico-constitucional que o levou a decidir-se pela marcação da consulta. Nada mais. Arrancar uma palavra que seja ao Presidente sobre o assunto até Fevereiro será muito difícil, ou mesmo impossível. Apesar de todos sabermos que o PR foi associado a movimentos do "não" - a um em particular, onde militavam vários cavaquistas - no referendo de 1998. Agora é diferente. Cavaco está em Belém e a partir dali qualquer expressão fora do contexto irá colocar o principal e o primeiro órgão de Estado na luta referendária. O que certamente não se deseja. Mas os discursos, as intervenções, as aparições públicas serão analisadas à lupa, em busca de uma tirada, uma frase fora do contexto, nem que seja meramente indicativa. Cavaco Silva será, em certo sentido e em larga medida, um Presidente vigiado até ao dia 11 de Fevereiro, se a data se vier a confirmar.
O prazo é curto. Sobretudo para os defensores do "não", que, a avaliar pelos estudos de opinião, têm uma desvantagem a combater. Há o Natal, o Ano Novo, as festas, as idas para o estrangeiro, para a terrinha, há todo um alheamento que beneficia o "sim", mas que faz com que quem esteja do lado do "não" deva arregaçar as mangas desde já e partir para o terreno. Porque desta vez não há um PSD e um CDS/PP (sob as lideranças de Marcelo e de Portas) tão empenhados como em 1998. O PSD de Mendes irá partir-se ao meio entre o "sim" e o "não", enquanto José Ribeiro e Castro poderá ficar demasiado isolado na luta. Bem intencionado, irá para a rua quase sozinho, como presidente do CDS e como partidário dos movimentos do "não". Nenhum dos dirigentes do antigamente (muito menos Paulo Portas) irá com ele para o terreno, sob pena de estarem a ajudá-lo a ficar ao leme do partido. Na primeira consulta, Portas e Nobre Guedes criaram dezenas de pseudo-movimentos de cidadãos, todos com nomes diferentes, muitos made in Largo do Caldas. Agora os cidadãos terão que valer por si. Nos blogues, nos jornais, em conferências, jantares e almoços. Nas ruas, enfim. Contra um secretário-geral do PS e primeiro-ministro muito empenhado no "sim" (em 1998 Guterres estava do lado oposto e não fazia campanha), contra metade do PSD, contra o PCP e o Bloco. Com a ausência dos notáveis do CDS. Mas com a Igreja, que, domingo a domingo, poderá ajudar a tentar fazer a diferença. Desta vez o jogo não é fácil.

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Ondina, Ondina

por Corta-fitas, em 29.11.06

Admito que isso possa chocar algumas consciências, mas simpatizo muito com este grupinho. E não é só pela vocalista que dá o nome a este post. (Advertência: Os anonymous mais veteranos que não se atrevam a massacrar-me com as vampiras lésbicas)

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