Quinta-feira, 30 de Novembro de 2006
Reflexo condicionado
Vital Moreira gasta duas linhas e meia da sua tinta na Causa Nossa a contestar a falta de consideração do PCP pela "autonomia" e pela "situação pessoal" dos seus deputados e o dobro (!) desse espaço a desancar Luísa Mesquita, chamando-lhe "super-ortodoxa", sem sequer se dignar mencioná-la pelo nome, repetindo a deselegância cometida em Agosto, quando criticou o ex-presidente da Câmara de Setúbal, Carlos Sousa. Numa espécie de reflexo condicionado que parece provir dos tempos em que, enquanto deputado comunista na Assembleia Constituinte, chamava aos adversários políticos "demente" e outros mimos em boa hora recordados aqui, o constitucionalista vai ainda mais longe, destilando uma insinuação inqualificável contra Luísa Mesquita: "São Bento vale bem uma infidelidade partidária!"
Tratar-se-á de um "ajuste de contas", explica o Daniel Oliveira. Talvez só isso justifique tanto primarismo, na forma e no conteúdo. Nem os autocratas de serviço na Soeiro Pereira Gomes foram tão longe.


publicado por Pedro Correia
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Há coisas na vida que nunca vou entender
Há certas coisas na vida que nunca vou conseguir entender. Uma delas é a morte de quem está no auge da vida. A Zé partiu para outro mundo, mas ainda tinha muito que fazer neste.
Conhecia mal a Zé, embora estivéssemos a trabalhar na mesma secção. Era uma miúda de sorriso doce, de facto reservada, de um humor inteligente. Admirava-lhe a postura, a actuação recta, o jeito inquestionável para a reportagem. Vai deixar saudades...


publicado por Corta-fitas
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A praga cor-de-rosa
Confesso que já me enjoa a praga das gravatinhas cor-de-rosa. Marques Mendes aparece na televisão – e ei-lo de gravata monocolor, cor-de-rosa berrante, certamente julgando que assim está mais na moda (o histórico cor-de-laranja já terá sido definitivamente enterrado no PSD?). No congresso do PS, reparo em socialistas do Norte, como José Lello e Narciso Miranda, e lá os vejo também com o apêndice cor-de-rosa ao pescoço. O comentador Rui Santos, jornalista da grande área futebolística, surge com frequência na SIC Notícias com uma gravata da mesma cor. E nem Dias Ferreira, no programa desportivo O Dia Seguinte, ou o habitualmente elegante Nuno Rogeiro, comentador internacional do mesmo canal, escapam a esta praga: ambos apareceram na pantalha já convertidos ao inevitável cor-de-rosa. Qualquer dia começo até a sentir saudades das nauseantes gravatinhas azul-bebé...


publicado por Pedro Correia
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Socialistas "muy machos"
A mudança de hábitos políticos introduzida há dois anos por Zapatero em Espanha começou a perder gás: o novo Executivo da Catalunha, que terça-feira tomou posse, tem apenas quatro mulheres em 14 postos governamentais, o que fez até torcer o nariz ao insuspeitíssimo El País. Lá se foi a apregoada "paridade" sexual, sob a égide do socialista catalão José Montilla. Em Barcelona, pelos vistos, quien manda son los machos...


publicado por Pedro Correia
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Os dotôres
Como bons latinos que somos, nós os portugueses adoramos os tratamentos formais e valorizamos incrivelmente um bom “estatuto”, de preferência bem “cristalizado”. Receio que o fenómeno não tenha tanto a ver com vaidades pessoais, mas antes com o anseio secreto de mais uma fórmula de “providência social”, e de amortecedor das agruras da competição profissional. Pouco dados a grandes liberalidades, parece-me que genericamente somos uma gente insegura.
Crescendo no meu mundo bem português, sempre vivi rodeado de doutores e doutoras, a começar com os “Stôres” do ensino preparatório, ao “Doutor” que vinha à nossa casa para receitar um qualquer antibiótico… para mais tarde aprender que também havia “Professores Doutores” (o que não significava que leccionassem obrigatoriamente qualquer cadeira) e depois descobrir que havia um título, “Bacharel”, que não tinha grande sucesso em Portugal.
Assim cresci e assimilei as variadas e distintas formas de tratamento social. Às tantas, tive a sensação que o "dotôr" funcionava como mais um nome próprio, necessário para alguns figurantes da minha vida, quase sempre com um estatuto hierarquicamente superior ao meu.
Agora os tempos mudaram. Desde há alguns anos, com as universidades e escolas superiores a debitarem dezenas de milhares de "dotôres" por ano, e porque não podemos ser todos "dotôres" e assim estragar a panelinha, o título passou a ser atribuído consoante o lugar de cada um na hierarquia. A secretária é licenciada em línguas e literaturas modernas, mas é simplesmente da D. Carolina que se trata. Já o chefe, que frequentou meia dúzia de cadeiras de uma obscura licenciatura, é o "Sôdotôr", literalmente “sem saber ler nem escrever”. Esta foi a lógica que se implantou. O Engenheiro, se é o "manda-chuva", assim é tratado. O outro, o assistente com o mesmo curso da mesma universidade, será, sempre e simplesmente, o Manel. Ai vida dura!
Acontece-me muitas vezes, quando corrijo o meu interlocutor ao telefone informando-o que não sou "dotôr", sentir quão inconveniente eu fui. Apercebo-me nessa altura de um mal-estar do outro lado da linha, como quem me diz que “isso” para o caso não tem importância nenhuma. Que esse tratamento me fora atribuído como mera formalidade reverencial. É então que caio em desgraça e vertiginosamente passo a ser apenas o Xôr João.
Curiosamente, na indústria hoteleira em que trabalho, um meio extremamente hierarquizado, até há poucos anos pura e simplesmente não havia "dotôres". Talvez por esta carreira nunca ter sido considerada muito prestigiante, antes algo servil.
Mas hoje, ironicamente, integram-se nesta indústria, nas chefias intermédias e cargos técnicos (recepção, comercial etc.), muitos jovens licenciados cujo reconhecimento do título de "dotôr" ainda não tem sentido, nem é valorizado. Têm que ir à luta, conquistar um lugar cimeiro na hierarquia para que o precioso tratamento um dia “conquiste” a luz do dia. E talvez, quem sabe, um lugar no cartão de visita.

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publicado por João Távora
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Postais blogosféricos
1. Excelente, a ideia do Henrique Fialho de homenagear Mário Cesariny neste postal que constitui uma bela síntese do que foi publicado em vários outros blogues.
2. Ana Cláudia, fizeste muito bem em voltar aos teus Quatro Caminhos. Confesso: já andava com saudades...
3. O Hugo Alves é autor de um dos melhores blogues cinéfilos que conheço. Com um título inspirado em Fellini. A partir de hoje, temos o Amarcord na nossa lista de favoritos.
4. O Despropósito entrou no segundo ano de existência. Um abraço de parabéns, António.
5. Um abraço também ao Rui Castro por ter incluído o Corta-Fitas nas nomeações para melhor blogue e melhor blogue temático de 2006. Uma satisfação ainda maior por sermos fãs dos Incontinentes Verbais.
6. Mais três dias de greve no metropolitano, Helder? Não sabia. Mas vem mesmo a jeito, para o pessoal lá da empresa começar a fazer já umas comprinhas de Natal. E podiam fazer também greve àquelas notícias foleiras que os utentes têm de gramar enquanto esperam pelo metro. Se não existissem, ninguém perdia nada.
7. Esta Susaninha decidiu brincar aos crescidos. E está a conseguir dar nas vistas.
8. Para perceber melhor as teias da economia real e virtual, nada melhor do que vir aqui. Dá asneira, pela certa. Mas reciclada.
9. Agora que estão na moda as votações na blogosfera, aqui fica o meu prémio para o Luís. Pelo melhor sentido de humor, no seu jeito de franco-atirador.


publicado por Pedro Correia
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O "não" de Mendes e os seus riscos
O PSD continua animadíssimo, enquanto faz o seu tirocínio de alguns anos de oposição. Marques Mendes, de volta do Brasil, após um período intenso de contactos (como se pôde ler no Expresso ou no Público), defendeu um investimento sustentado em barragens. Mas depois de ler isto fiquei com a sensação de que se estaria a referir a barragens para impedir o caudal de água que pode entrar a qualquer momento na São Caetano à Lapa...
Barragens à parte, Marques Mendes anunciou hoje a sua posição em relação ao referendo de 11 de Fevereiro: "vou votar 'não' neste referendo, tal como votei no referendo anterior. Não vejo razões para mudar de opinião e considero que a actual lei é equilibrada".
Aí está a resposta de Mendes à declaração de ontem do Presidente Cavaco Silva, que pediu um envolvimento da comunicação social no esclarecimento do que está em causa e pediu, sobretudo, mais trabalho aos partidos políticos e associações envolvidas na campanha. Atente-se às duas "observações" que o Presidente anotou: "em primeiro lugar, é imprescindível que o debate sobre uma questão deste alcance decorra com a maior serenidade e elevação. Nesse sentido, apelo a que a campanha que se vai realizar em torno deste referendo constitua uma oportunidade para que se realize um debate sério, informativo e esclarecedor para todos aqueles que irão ser chamados a decidir uma matéria tão sensível como esta. Em segundo lugar, é essencial que as diversas forças políticas bem como os movimentos da sociedade civil, disponham de tempo e condições para se organizarem e mobilizarem de modo a poderem manifestar e divulgar as suas ideias e convicções. Importa, no entanto, que o debate se não prolongue para além de um prazo razoável".
A verdade é esta. Mendes disse que vota "não", mas será que está disposto a envolver-se na campanha, a pugnar pelo esclarecimento dos votantes, como pediu Cavaco Silva? Duvido. O PSD irá ter liberdade de voto, muitos dos seus mais destacados dirigentes e ex-dirigentes estarão do lado do "sim" - como é o caso de Paula Teixeira da Cruz, Miguel Relvas, Ana Manso ou de Vasco Rato, para dar alguns exemplos emblemáticos -, portanto irá estar partido ao meio. Mas Mendes, se realmente pensa aquilo que diz, pode envolver-se como cidadão, tal como fará José Ribeiro e Castro. Ao fazê-lo estará a empenhar-se por aquilo em que diz acreditar, mas também estará a arriscar-se a ter a sua primeira derrota. Depois de umas autárquicas e umas presidenciais que lhe correram bem. Mas a vida, como a política, é feita de riscos. E há riscos que valem a pena. Sobretudo se quiser correr esses riscos em nome de convicções verdadeiras e não meramente ao sabor das tácticas.


publicado por Francisco Almeida Leite
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Porque amanhã é feriado
Esqueçam o novo James Bond. Fixem antes a nova Bond girl: Eva Green. Inesquecível. For your eyes only.


publicado por Pedro Correia
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Picardias em tom laranja
Parece que até Luís Filipe Menezes tem um blogue. Veja-se o que diz de Marcelo Rebelo de Sousa, num post de anteontem...


publicado por Francisco Almeida Leite
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Xmas in NY

Uma patinadora passa por cima de um foco de luz em forma de floco de neve, durante a 74ª cerimónia anual de iluminação da árvore de Natal gigante no Rockefeller Center, em Nova Iorque. Foto: Justin Lane/EPA


publicado por Corta-fitas
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Tertúlia literária (104)
- Ando a reler Redol.
- Já li. Era um pseudónimo do Cunhal.


publicado por Pedro Correia
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A menina da bilha na Baixa da Banheira

Com os meus agradecimentos ao João Prata pelo envio e servindo também de ilustração para o meu outro post abaixo.


publicado por Corta-fitas
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De mau gosto o mau gosto*
Ou li muito mal a crónica de hoje de Pacheco Pereira ou lhe deu para transformar-se em Maria Filomena Mónica. Escreve ele que «os filhos dos deserdados das cheias, os filhos dos operários do Barreiro, os filhos das criadas de servir, os filhos dos emigrantes de Champigny, os filhos da "canalha" anarco-sindicalista e faquista de Âlcantara mandam no consumo» (...) «Entraram pelos cafés dentro e transformaram-nos em snack-bars e em lanchonetes, entraram pelas televisões e querem os reality shows». «O que sobra?» de acordo com PP, é «uma nova forma de elitismo, a única que salva, no sentido bíblico, a criação».
Não percebo a associação feita entre os «filhos das criadas» e o descalabro cultural como se o berço determinasse o programa que se vê ou o gosto pelos azulejos. Nem sequer percebo se Pacheco Pereira fala a sério ou não, quando escreve sobre o tempo em que «a elite, que éramos nós (ele e Jorge Silva Melo e outros), decidia em questões de bom senso e bom gosto».
Parece-me é que a elite continua a decidir. Assumiu foi que o seu bom gosto é sustentado pelo que factura servindo o mínimo denominador comum que é o mau gosto da maioria. Agora se essa maioria é filha deste ou daquele, isso pede um trabalho de campo sociológico capaz de surpreender. Conheço muito boa gente no Restelo para quem a Literatura é «o Paulo Coelho». Os pais, no entanto, eram servidos à mesa. E conheço também filhos de «operários do Barreiro» que tiraram cursos e lêem as crónicas de Pacheco Pereira.
*Título roubado a Caetano Veloso.


publicado por Corta-fitas
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Sondagens, só no Continente

Hoje sinto ter sobre os meus ombros a missão de avisar o Diário de Notícias de que o Verão acabou e estamos às portas de Dezembro. Não por causa do tema de capa «Comemos mais sal que os espanhóis» com frases como «O Kinder Bueno espanhol tem menos 60% de açúcar» mas por esta página intitulada «Maioria apoia o não à Madeira independente». A enfática legenda da foto que acompanha esta sondagem aos continentais é a seguinte: «Apesar de todas as declarações de Alberto João, os portugueses são claros: a Madeira deve continuar parte integrante de Portugal».
Meus amigos, caro João Pedro Henriques, senhoras e senhores do DN, não tendes mais tema nenhum para sondar? A Turquia? A reabertura do processo de Camarate? As salas de chuto?
Se os resultados fossem - por absurdo - os opostos, achais que isso provocaria o quê? E os madeirenses não são portugueses ou não são claros? Vamos ter uma sondagem só sobre o que eles pensam «apesar das declarações de AJJ»? Perguntas, perguntas...


publicado por Corta-fitas
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Quarta-feira, 29 de Novembro de 2006
PCP: excepção à regra
Se há coisa que me surpreende, quando estala um conflito entre comunistas, é a suspensão do juízo crítico num certo discurso jornalístico sempre pronto a disparar contra todos os partidos, a propósito de tudo e de nada, excepto contra o PCP. Esta característica não tardou a alastrar à blogosfera portuguesa, onde é possível ver uma pessoa de espírito acutilante, como o Filipe Moura, transferir eventuais críticas ao procedimento da direcção comunista... para os jornalistas que ousam criticá-la. Argumenta o Filipe, num postal do seu O Avesso do Avesso, que a deputada Luísa Mesquita violou um compromisso estabelecido com a liderança comunista que pressuporia a sua substituição a qualquer momento por mera vontade discricionária dos organismos centrais do partido.
Gostava de dizer ao Filipe o seguinte:
- Nenhum compromisso particular, de cariz partidário ou outro, pode sobrepor-se ao estabelecido na Constituição da República, que considera indelegável o mandato de deputado, que "representa a Nação".
- A direcção do PCP faltou ao contrato de transparência que deveria necessariamente ter estabelecido com o eleitorado nas legislativas de 2005, pois não informou então os portugueses de que tencionava "renovar" um quarto da bancada parlamentar ainda antes de concluída a primeira metade da legislatura.
- Luísa Mesquita considera não ter violado o pacto estabelecido com a direcção do partido, na medida em que esse acordo pressupunha que uma eventual substituição em São Bento só poderia decorrer de uma avaliação negativa (no plano político ou no plano técnico) da sua actividade parlamentar. Ora nenhum destes pressupostos se verificou, como o próprio secretário-geral do PCP admitiu. Se a sua competência como parlamentar é indiscutível e o seu desempenho político é inquestionável, para quê aceitar de ânimo leve uma substituição tão arbitrária que a deputada não solicitou (ao contrário do sucedido com Odete Santos, que pelo menos desde 2000 vinha pedindo para ser rendida no Parlamento)?
Disciplina partidária é uma coisa, deputados amestrados pelas máquinas dos partidos é outra - bem diferente. Não questiono a primeira, mas de modo algum posso aceitar a segunda, seja em que partido for. E estranho que o Filipe a aceite. Lamento informar, mas pela minha parte jamais suspenderei o juízo crítico. Sem excepções de qualquer espécie.


publicado por Pedro Correia
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Lamento dizê-lo
Mas se progressivamente fui perdendo pachorra para ler Paulo Gorjão, ainda menos a tenho para as alturas cada vez mais recorrentes em que insiste no loop das suas obsessões e repetições ad nauseam. Que uma delas envolva pessoas que morreram em circunstâncias trágicas e não tiveram ainda sequer direito a funeral, parece-me doentio.
Não sei o que acha que consegue com isto mas, na parte que me diz respeito, só me resta desejar-lhe, como fazem os chineses, que atravesse «tempos tão interessantes» como aqueles que os camaradas, amigos e familiares dos falecidos neste momento infelizmente atravessam.


publicado por Corta-fitas
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Notícias do império

A NATO está cada vez menos atlântica e já não consegue esconder os seus graves problemas militares no Afeganistão. Não sei se já repararam que o Presidente americano que mais bateu no peito, a afirmar que não precisava de aliados e que podia fazer tudo sozinho, conseguiu convencer os europeus (que desdenhou) a umas aventuras em terras bárbaras: há europeus no Afeganistão, há e houve no Iraque, no Kosovo e no Líbano. Estou-me a esquecer de alguma guerra? Os europeus têm acompanhado lealmente (outros diriam servilmente) todas as paradas, apenas para prosseguir o discurso arrogante de alguns que não entendem a natureza desta relação e se prolongar o mito de que a Europa não tem futuro, não passando de um caso perdido.

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Quem diria
A revista FHM seleccionou 50 blogues e o nosso foi o 49º. Mas calma aí! Aparecemos entre os blasfemos e Pacheco Pereira num triunvirato com direito a caixinha vermelha (??) e ao lado do título «Política. Aqui se fala no Estado da Nação».
Como sei que os nossos/as leitores/as são incapazes de comprar ou sequer ler por cima do ombro revistas com maminhas, aqui fica a transcrição:
«Actualidade política e cultural, bem escrita (leram bem ó anonymous?) e provocadora, nem tanto à esquerda nem tanto à direita. É um colectivo, quase todos jornalistas, e tem a vantagem de podermos ter opiniões bem fundamentadas sobre o que vai acontecendo - das derrotas do Benfica (aqui tenho algumas dúvidas) às intervenções de Cavaco Silva (é verdade, basta ler o post do FAL já a seguir). À sexta têm uma miúda gira».
Ah, pois temos! E às vezes em outros dias também. Obrigado, ó gajos. É verdade que o artigo também menciona blogues que o pudor me impede de referenciar, mas lá que dá credibilidade à revista, lá isso dá. 31 da Armada, roei-vos de inveja (é verdade que na altura do fecho eles ainda não existiam, mas isso é um detalhe irrelevante).
P.S. Comprem a revista e, por mais 2,99, têm direito a um calendário pouco ou nada natalício mas muito estimulante.


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Referendo
O referendo ao aborto deverá ser marcado para dia 11 de Fevereiro. Mas aguardemos pelas declarações de Cavaco Silva, a partir das 20h, sobre o que fundamenta a sua decisão. Não será ainda desta vez, com toda a certeza, que o Presidente da República dará algum sinal sobre o que são os seus princípios éticos, morais e também políticos na matéria. Cavaco Silva fará apenas o enquadramento jurídico-constitucional que o levou a decidir-se pela marcação da consulta. Nada mais. Arrancar uma palavra que seja ao Presidente sobre o assunto até Fevereiro será muito difícil, ou mesmo impossível. Apesar de todos sabermos que o PR foi associado a movimentos do "não" - a um em particular, onde militavam vários cavaquistas - no referendo de 1998. Agora é diferente. Cavaco está em Belém e a partir dali qualquer expressão fora do contexto irá colocar o principal e o primeiro órgão de Estado na luta referendária. O que certamente não se deseja. Mas os discursos, as intervenções, as aparições públicas serão analisadas à lupa, em busca de uma tirada, uma frase fora do contexto, nem que seja meramente indicativa. Cavaco Silva será, em certo sentido e em larga medida, um Presidente vigiado até ao dia 11 de Fevereiro, se a data se vier a confirmar.
O prazo é curto. Sobretudo para os defensores do "não", que, a avaliar pelos estudos de opinião, têm uma desvantagem a combater. Há o Natal, o Ano Novo, as festas, as idas para o estrangeiro, para a terrinha, há todo um alheamento que beneficia o "sim", mas que faz com que quem esteja do lado do "não" deva arregaçar as mangas desde já e partir para o terreno. Porque desta vez não há um PSD e um CDS/PP (sob as lideranças de Marcelo e de Portas) tão empenhados como em 1998. O PSD de Mendes irá partir-se ao meio entre o "sim" e o "não", enquanto José Ribeiro e Castro poderá ficar demasiado isolado na luta. Bem intencionado, irá para a rua quase sozinho, como presidente do CDS e como partidário dos movimentos do "não". Nenhum dos dirigentes do antigamente (muito menos Paulo Portas) irá com ele para o terreno, sob pena de estarem a ajudá-lo a ficar ao leme do partido. Na primeira consulta, Portas e Nobre Guedes criaram dezenas de pseudo-movimentos de cidadãos, todos com nomes diferentes, muitos made in Largo do Caldas. Agora os cidadãos terão que valer por si. Nos blogues, nos jornais, em conferências, jantares e almoços. Nas ruas, enfim. Contra um secretário-geral do PS e primeiro-ministro muito empenhado no "sim" (em 1998 Guterres estava do lado oposto e não fazia campanha), contra metade do PSD, contra o PCP e o Bloco. Com a ausência dos notáveis do CDS. Mas com a Igreja, que, domingo a domingo, poderá ajudar a tentar fazer a diferença. Desta vez o jogo não é fácil.

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publicado por Francisco Almeida Leite
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Ondina, Ondina

Admito que isso possa chocar algumas consciências, mas simpatizo muito com este grupinho. E não é só pela vocalista que dá o nome a este post. (Advertência: Os anonymous mais veteranos que não se atrevam a massacrar-me com as vampiras lésbicas)


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Francamente
O PS de Vila Franca de Xira tem o sentido de humor de uma retro-escavadora enxertada com o cérebro do Noddy. Leio, numa notícia assinada no Público por Jorge Talixa, que o Ministério Público «decidiu constituir arguido» o ex-presidente da Concelhia do PSD local, Rui Rei (não confundir com Rui Rio - eh,eh, já vos estraguei os trocadilhos).
Aconteceu que cinco senhores socialistas se queixaram de uns cartazes de rua que «incluíam expressões como dolorosa, polvorosa e vagarosa». Certamente pensando que quem não sente não é filho de boa gente - e sabendo que o polvo é um animal com poucas simpatias, excepto quando cozinhado à lagareiro ou com arrozinho malandro (eh pá, escrevi agora “malandro” mas foi sem querer) - os senhores sentiram-se. Porque era ofensivo e punha em causa a honorabilidade e tal. A imagem que acompanhava os cartazes era a de uma rosa com GRANDES espinhos.
Ora, esta atitude é muito parvinha (e agora já podem processar-me porque foi de propósito). Não sei quem fez a campanha mas o PSD perdeu, o que diz algo sobre a sua eficácia apesar da sintética jocosidade. O PS ganhou mas, mesmo assim, processaram o senhor para absolutamente nada, como é bom de ver, além de darem trabalho ao tribunal local e perderem tempo que pelos vistos lhes sobra. «O Ministério Público decidirá se deduz ou não acusação contra Rui Rei», de acordo com a notícia. Espero sinceramente que decida não o fazer. Estas coisas em campanha respondem-se na mesma moeda. O PS devia era ter feito cartazes com as frases «Não queremos uma vila com o Rei na barriga», ou «O que o Rei quer é o bolo». Humor com humor se paga.


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A questão turca
Concordo com esta opinião de Miguel Vale de Almeida: a posição do Vaticano em relação à Turquia é a mais correcta e terá certamente um poderoso impacto na opinião pública europeia.
A visita do Papa à Turquia está a motivar numerosos comentários na Imprensa, TV e blogosfera e li textos onde se dá importância (a meu ver excessiva) às actuais dificuldades da negociação entre europeus e turcos.
Desde o momento em que se decidiu avançar com as negociações, no ano passado, que estas negociações estão a decorrer. Os progressos são lentos e há vicissitudes. Mas não se pode falar de recuos, pois o processo de negociação prossegue. A ameaça de suspensão por causa da questão de Chipre faz parte desse processo e já aqui escrevi sobre o assunto sublinhando que os europeus também estão a quebrar uma promessa. Mas a decisão de suspender o processo ainda não foi tomada, apesar da ameaça. E, se isso acontecer, as negociações ainda podem recomeçar, quando a questão de Chipre desaparecer do horizonte.
Foi neste contexto que surgiu a nova opinião do Vaticano, favorável à adesão da Turquia, e que inverte uma posição com dois anos. O Vaticano não é membro formal da UE (o território faz parte da UE e tem mesmo moedas de euro, embora sem poderes ou participação nas decisões).
Mas a visão do Papa Bento XVI vai facilitar o processo de adesão da Turquia, através da influência. Por exemplo, Áustria e França, dois dos países com opinião pública menos favorável à entrada dos turcos, são ambos católicos.
A prazo, a posição do Vaticano ajudará a mudar a percepção que os europeus têm da Turquia. A adesão desta nunca acontecerá antes de 2015, portanto, haverá muito tempo para mudar a sociedade turca e para acabar com a crise interna da UE.

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Ou não acha?
Olhe que não, fernanda. Perdoar é sermos fiéis à realidade. Daquilo que somos, daquilo que o outro é. Daquilo que deixámos que nos tornássemos ambos. Perdoar é compreender. E a vingança um prato que não se serve mas antes se come frio e, por isso, não tem sabor. Não se deixe também seduzir pelo charme mafioso dos Tonys da vida. Matar é morrer.


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Olhem para mim, a tentar escrever a sério

Dois excelentes post do Eduardo Pitta sobre o Processo de Bolonha e a reacção dos académicos. Tive ocasião de participar, há cerca de 3 anos, na organização de um debate interno para a adequação a Bolonha dos cursos da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova, no Monte da Caparica.
Na ocasião detectei, como menciona o Eduardo, algumas resistências às eventuais consequências de Bolonha essencialmente em dois níveis: Uma preocupação com a redução da formação específica nos cursos de Física e Química, por exemplo. E no efeito que teria na diminuição do peso, nos diversos cursos, das cadeiras das matemáticas e física. A basezinha.
O que me pareceu positivo foi o cruzamento que permite aos alunos - entre o Major e o Minor -poderem conciliar cadeiras que se aproximam do que é desejado por quem estuda: Que não os obriguem a optar cedo demais por uma especialização limitadora dos seus interesses e opções futuras. O mercado de trabalho, aliás, também premeia cada vez mais um conhecimento de crossover entre várias áreas sem abdicar, obviamente, das competências específicas que estão na origem da contratação.
Já o que achei, se não negativo pelo menos complicado, foi isto: Com a redução das licenciaturas e ficando o que até agora considerávamos como tal equivalente a um Mestrado, como conciliar os menos anos de curso com a aquisição do Saber? Quanto a mim, isto pedirá aos professores e ao conteúdo dos cursos maior exigência, maior adequação entre a componente teórica e a prática e muita, muita atenção à actualidade do conhecimento transmitido. Os professores terão de estudar, é o que me parece.
Curiosamente, a ideia com que fiquei foi a de que o Processo de Bolonha cria uma clivagem, isso sim, entre quem defende o papel da Universidade como «útero» para a investigação e quem quer, cada vez mais, aproximá-la das empresas e do mercado. Mas isto já é outro assunto, e não para mim de certeza.


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Excepção à regra

Bem sei que hoje não é sexta-feira mas, com a breca, Gena Lee Nolin perfaz hoje 35 primaveras. E ainda há quem não acredite que foi Deus quem criou a mulher! Parece impossível. Também hoje, muito menos atraente do que ela na parte que me diz respeito, faz 45 anos o meu amigo João Gonçalves. Parabéns, João. Já comparaste a tua carta astral com a da Gena?


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Boa vida
Gostava de saber a opinião do nosso Duarte sobre este Grandezas & Misérias da Invicta no A Cozinha da Joana. Um blogue onde, para além da crítica e das receitas de fazer àgua na boca - mesmo a esta hora matinal em que escrevo - a coluna de links gourmet também convida a viagens paralelas de exploração gustativa.


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Terça-feira, 28 de Novembro de 2006
Gostei de ler
1. A morte e o lixo. Do Pedro Mexia, no Estado Civil.
2. Um amor de Bond. Da Fernanda Câncio, na Glória Fácil.
3. Lenine está vivo e habita em São Bento. Do Pedro Soares Lourenço, na Arcádia.
4. A caricatura. Do Daniel Oliveira, no Arrastão.
5. Noi siamo forti. Do João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.
6. IVG. Do Sérgio Lavos, no Auto-Retrato.
7. Tásse, butes lá? Do José Raposo, no Dolo Eventual.
8. The Misfits. Do Hugo Alves, no Amarcord.
9. As circunstâncias e eu. Da Helena Botto, nos Tristes Tópicos.


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Salve, Fernando!
O meu grande amigo Fernando Sobral sofreu uma «camoeca» que me preocupou bastante, mas agora está a recuperar da melhor forma. A prova disso é o seu novo blogue, que promete aquecer a já fervilhante blogocoisa. Chama-se O Pulo do Gato, como a sua coluna diária agora interrompida no Jornal de Negócios e vou linká-lo aqui logo que possa. Visitem-no, pois.


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Castro vs Oliveira

Lido isto, aposto dobrado contra singelo num empate técnico ao terceiro assalto.


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Patrocínio histórico

A New Line Cinema, empresa pertencente à Time Warner, viu respondidas da melhor forma as suas orações. Num gesto sem precedentes, o Vaticano ofereceu-se como local para uma estreia mundial do novo filme «The Nativity Story», a qual contará com a presença de 7.000 fiéis e a presença do próprio Papa.
De acordo com a revista Ad Age, este é «um endorsement de valor incalculável». «Tinhamos esperança que o Vaticano aprovasse e apoiasse o filme, mas podermos fazer lá a nossa estreia vai para além de tudo o que pudéssemos desejar», afirmou Camela Galano, presidente da New Line International.


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Nós por cá todos bem
Selon les chiffres du Conseil économique et social cités par "Génération-Précaire", 800.000 stages sont effectués chaque année. L'organisation affirme que 100.000 emplois équivalents à des temps pleins sont déguisés en stage.
Tradução para português não disponível no site do Ministério do Trabalho


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Auto-entrevista não autorizada
Cansado de esperar pelo convite do Luís Carmelo aqui fica, não solicitada mas muito «proactiva» como agora soe dizer-se, a minha entrevista ao miniscente.

O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Nada. Normalmente sou que a digo. Tenho uma tendência para proferir palavras e não para as ouvir, mas admito que possa dever-se a mais um dos meus muitos problemas de infância.

Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Sem dúvida o Darfur. Espere, voz amiga está aqui a dizer-me que ainda ninguém falou do Darfur…hmmm…então não me lembra.

Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Destruíram-na. Só não me queixo porque passei a viver a vida pessoal de outras figuras, muito mais interessantes do que eu. Mas estou a tentar melhorar. Já me esforço por ouvir duas em cada dez frases proferidas pela minha mulher, enquanto navego nas águas pejadas de perigosos recifes da blogocoisa.

Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Claro que sim. Mesmo na imprensa, ou no audiovisual, os editores sempre foram livres de cortar ou acrescentar o que lhes desse na veneta.


publicado por Corta-fitas
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Uma vacina contra a depressão
A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê «uma autêntica pandemia depressiva» nos países ocidentais nos próximos 20 anos, disse hoje à agência Lusa João Marques Teixeira, da Ordem dos Médicos.

Movido pelo meu espírito filantrópico, deixo já aqui a dica de que, a ser assim, uma das melhores formas de combatermos a pandemia na parte que nos toca é aplicarmos a massa em acções das farmacêuticas. Aqui fica o gráfico do histórico de dividendos distribuídos pela Roche, proprietária do famoso Lexotan:


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Est ce que l'on peut oublier son première amour?

A rapariga que se vê na foto, de compridos cabelos louros, foi a minha primeira paixão do pequeno ecrã (aliás, a primeira paixão, ponto final). A personagem tinha o poético nome de Marion de la Neige e hoje é vendedora imobiliária no Canadá. Na altura, em que nem VHS ou Beta existiam, tudo o que consegui foi gravar-lhe a voz numa cassete velhinha que resiste ainda à passagem do tempo. Recentemente, a série foi editada em dvd e agora posso vê-la, imaginem, a cores. Um prémio a quem acertar no título destes episódios, que a RTP Memória bem podia recuperar um destes dias. Estou certo de que não estou sózinho neste pedido desinteressado.


publicado por Corta-fitas
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«Provavelmente» é uma palavra bonita

A não perder a leitura de hoje da coluna no Público «Quase memórias...Umas verdades», assinada por Carlos Vale Ferraz (pseudónimo literário do Coronel na Reserva Carlos Matos Gomes) e com pérolas como esta:
«Com honestíssima modéstia o doutor Almeida Santos reconhece que os políticos portugueses estiveram mais uma vez fora dos grandes assuntos da História de Portugal, entretidos, como lhes é próprio, a tratar da vidinha e dos negócios».
Ou, a propósito da ausência de relações politicamente eficazes com os movimentos de libertação:
«Que andaram os oposicionistas a fazer por França, por Argel e Roma se não foram reconhecidos, nem respeitados, nem tidos em conta passou a ser um mistério que a participação do doutor Almeida Santos não esclarece, antes adensa».
No artigo de Adelino Gomes que a crónica acompanha, parece que o Dr. Almeida Santos terá comentado - a propósito da transferência de bens para a metrópole - «que terá sido, provavelmente (negrito meu) "o único residente de Moçambique que não trouxe tudo quanto podia trazer"».
É verdade que todos trouxeram o que «podiam trazer», como me parece óbvio. A questão, como o Dr. Almeida Santos bem sabe, é o que não puderam trazer todos aqueles que, provavelmente, hoje não podem ouvir o nome do Dr. Almeida Santos sem proferir alguns adjectivos que aqui me escuso de repetir.


publicado por Corta-fitas
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Terei sido enganado?
Ontem, dei comigo a ver o Prós e Contras, que era sobre o ensino superior, até às 2 h da manhã. À partida, ao ver não sei quantos reitores contra o ministro Mariano Gago, esfreguei as minhas mãos laranjinhas de contente e pensei: isto vai ser um massacre. Mas não é que achei que não só Mariano Gago se saiu muito melhor, como estou de acordo com ele e parece-me que está, e irá, fazer realmente um bom trabalho? É claro que ele foi prejudicado pela ridícula propaganda do Governo a anunciar grande orçamento para a Ciência, mas a verdade é que justificou os cortes que fez no dinheiro para as universidades, mandou-as ir buscar dinheiro noutros lados que não no Estado, quer diminuir o absurdo número de licenciaturas que temos (em Comunicação Social sabemos bem o que isso é), fazer com que se cortem despesas, se tornem mais eficientes na investigação, etc. É claro que isto de socialista e de esquerda não tem nada, mais parecendo o programa de um partido considerado de direita. Até que enfim que, depois da demissão de Campos e Cunha, vejo um ministro deste Governo em que acredito.


publicado por Duarte Calvão
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Tertúlia literária (103)

- Onde leste a notícia?
- Ali em frente. Disse-me o dono da tabacaria.
(Café Savigny-Berlim)


publicado por M. Isabel Goulão
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Segunda-feira, 27 de Novembro de 2006
Gato Fedorento, versão Gestapo
Um clássico

Anúncio para a PT


publicado por Nuno Sá Lourenço
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A pérola da casa
«Desconfio que um blog corresponde ao ponto de cruz da minha mãe» e outras deliciosas respostas da nossa Miss Pearls, em entrevista ao Miniscente. Para ler aqui , tout de suite.


publicado por Corta-fitas
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Desculpem lá
Eu admito que possa ter uma mente muito, muito pervertida. Mas a fotografia que hoje acompanha a entrevista de Maria José Nogueira Pinto, na página 11 do Público, parece-me obviamente impublicável. Que os editores a tenham deixado passar é algo que extravasa a minha compreensão. Honni soit qui mal y pense mas há limites.


publicado por Corta-fitas
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Corta-fitas
Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

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