Terça-feira, 31 de Outubro de 2006

Miguel, o absolutista (I)

Quando os computadores substituíram as velhas máquinas de escrever, Miguel Sousa Tavares redigiu uma apaixonada ode em prosa em louvor do vetusto instrumento que acabara de se tornar peça de museu, proclamando-se inimigo da informática. Passou-lhe então depressa o antigo amor. Mas ei-lo agora atacado por uma nova crise de passadismo, apregoando o seu ódio à blogosfera. Num artigo saído no último Expresso, a propósito de um cobarde ataque de que foi alvo, e que o deixou compreensivelmente agastado, vem agora, com o estilo a que já nos habituou, disparar mais rápido do que a própria sombra. Dizendo coisas fantásticas como esta: “Excepção feita ao correio electrónico e à consulta de sites informativos, a Internet interessa-me zero.” As “excepções” que menciona já são suficientemente relevantes para quem diz nada querer saber da Internet. Mas MST confessa ainda a sua alergia ao “universo dos chats e dos blogues”, por lhe parecer uma “preocupante manifestação de um processo de dessocialização e de sedentarização das solidões para que o mundo de hoje parece caminhar”. De novo o cenário apocalíptico, tão frequente nas reflexões deste comentador e de alguns outros que há décadas exprimem opiniões em regime de virtual monopólio na imprensa portuguesa, onde rende sempre mais o cenário que for pintado em tons bem negros.

publicado por Pedro Correia às 22:48
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Miguel, o absolutista (II)

Repito: tem MST razão em sentir-se ferido com o ataque soez que lhe fizeram. Mas daí até envolver toda a blogosfera no manto de “irresponsabilidade e impunidade” a que alude no Expresso vai uma distância que ninguém com seriedade intelectual devia percorrer. MST ignora que têm partido do mundo dos blogues que ele despreza as mais vigorosas afirmações de defesa que lhe exprimiram vários bloggers perfeitamente identificados. Gente tão diversa como o Carlos Abreu Amorim, o Daniel Oliveira, o Miguel Silva, o Rui Bebiano e o Rui Ângelo Araújo. Sobre isto, nem um sussurro dele.
A Internet tem incontáveis defeitos? Pois tem. Como têm a escolaridade universal e obrigatória (que, horror, “baixou a qualidade média do nosso ensino”, como as cassandras de serviço não cessam de proclamar), as férias pagas (que enxamearam o mundo de turistas, que MST já disse desprezar) e, em última análise, a própria democracia. MST e alguns outros como ele por vezes fazem-me lembrar aqueles oposicionistas espanhóis que, enterrada a ditadura, resmungavam entre dentes: “Contra Franco vivíamos mejor.”
Será mesmo? Apesar dos tarados que proliferam na Internet, não tenho dúvidas: este é um preço compreensível a pagar pelo progresso num mundo onde as máquinas de escrever, a televisão a preto e branco e o partido único são apenas memórias de um tempo que já passou.

publicado por Pedro Correia às 22:33
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Tertúlia literária (76)

- Vais sair a esta hora?
- Sim. Felizmente há luar.

publicado por M. Isabel Goulão às 18:45
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Dedicado ao Francisco

O que é preciso é tranquilidade.

publicado por Nuno Sá Lourenço às 18:10
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Após o referendo, a sesta


Datado de 1866 e erroneamente atribuído a Gustave Courbet, mas na realidade da autoria da pintora Jedis Céquevadansmatéte (Musée du Petit Palais, Paris).

publicado por Corta-fitas às 18:05
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O spórtengue que me desculpe...

Mas eu esta noite é mais Tokyo.

publicado por Nuno Sá Lourenço às 16:47
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Tertúlia literária (75)

- Já leste o Berlin Alexanderplatz ?
- Para quê? Sei perfeitamente onde fica.

publicado por M. Isabel Goulão às 16:39
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Notícias inúteis (3)

Manuel Pinho ainda é ministro da Economia.

publicado por Pedro Correia às 15:30
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Posso?

publicado por M. Isabel Goulão às 14:59
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Tertúlia literária (74)

- Conseguiu ler esse romance do Mário Cláudio até ao fim?
- Consegui. Até ao fim da primeira página.

publicado por Pedro Correia às 14:52
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Só tenho uma palavra a dizer

Safa!

publicado por Corta-fitas às 13:00
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Spoooorrrtiiiiing!

publicado por Francisco Almeida Leite às 12:28
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Semana "à Paulo Bento"

Nesta SEMANA “à Paulo Bento” – o feriado de Todos os Santos confere-lhe uma risca ao meio – desejo à equipa do Sporting toda sorte do mundo logo à noite na “batalha” de Munique. A rapaziada bem merece.

publicado por João Távora às 10:20
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Segunda-feira, 30 de Outubro de 2006

"Escolhas" - Uma questão de agenda?

Equívoca me pareceu a posição do professor Marcelo Rebelo de Sousa quanto à questão da despenalização do aborto, ontem nas suas “escolhas”. Ficou bem sublinhado o facto de o aborto ser matéria de referendo graças à sua iniciativa em 1996. Tudo bem; estamos-lhe gratos. Mas quanto ao assunto, eu ontem esperava uma sua posição mais… afirmativa. Hoje ao reler o resumo das suas “escolhas” no DN confirmei pelo texto a sua clara abstenção.
Entendi que aceita a pergunta a referendar como boa. Mas o que ficou a zumbir no meu ouvido foi que o professor considera precário o prazo das dez semanas de gestação na “humanitária tolerância” à mulher que aborta… E pareceu-me ouvir confirmada a minha tese de que o governo Sócrates consegue preencher a difícil agenda 2007, com mais ou menos legítimas manobras de diversão, entre a campanha para o referendo e a presidência da UE. Acho pouco.
Não conheço a agenda do professor, mas acho pouco.

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publicado por João Távora às 16:24
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Os livros de hipermercado e o outro...

Hoje Mário Soares, juntamente com Federico Mayor, e Rosado Fernandes lançam livros. Mas esses são livros de hipermercado, quando comparados com este.

As duas primeiras páginas do livro são cadeiras de todo o género e feitio. A ironia mantém-se a propósito do local da apresentação de hoje. Vai ser no ministério das Finanças...

publicado por Nuno Sá Lourenço às 14:59
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Perguntar não ofende, pois não?

Alguém me explica, como se tivesse 10 semanas, qual a razão para o Clube Safo se pronunciar a favor (ou já agora mesmo que fosse contra) da despenalização do aborto? Ou faltou-me aprender algumas coisas na escola?

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publicado por Corta-fitas às 12:51
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A César o que é de César

Normalmente evitaria polemizar com João César das Neves (JC das N). Tenho sempre a impressão de que discutir com ele é como discutir com um taxista e, no final, somos nós que pagamos a factura. Pode ser que me engane mas tenho dúvidas (ao contrário dele, pelo que parece).
Hoje, JC das N defende a geração que fez o 25 de Abril. Uma malta injustiçada pelas críticas que lhe fazem os jovens que «mesmo com cursos superiores, não conseguem carreira estável e andam no desemprego, a recibo verde ou trabalho temporário». Apesar disso, escreve JC das N, «a geração anterior sofreu muito».
Ora pode ser que tenha sofrido, pelo menos aqueles que não andaram nos copos na Sorbonne e em Oxford. Mas a verdade é que, de gestão e microeconomia, nenhum deles percebia nada. Veio a revolução e a ideia brilhante que tiveram foi obrigar quem sabia o que era uma empresa a sair do país e entregar a gestão ao Estado e aos “colectivos”. O ouro foi para o bandido e para o estrangeiro, como pagamento das dívidas das experiências marxistas-maoistas-leninistas e a agricultura ficou em cacos com as terras ao abandono.
Depois, foi o rebound. No rebound, em português a tabelinha, a bola da ideologia já estava enfiada no buraco e na mesa de bilhar restava outra bola: Os «tachos» do esquema rotativista criado pela dita geração. Uns TLP estatizados, por exemplo, tinham dois edifícios. Um para o partido no Governo e outro para os quadros na prateleira, que alternavam alegremente. A malta continuava a não perceber nada de gestão e microeconomia mas já sabia como gerir a sua conta bancária e os interesses entre as capelinhas.
Hoje, a geração seguinte quer governar isto e não consegue. Há facturas para pagar que nunca mais acabam e dívidas do tamanho do continente africano. JC das N vem falar-nos de «sofrimento»? Tenha dó! Quem sofre, todos os dias, somos nós. E temos sorte se não for até ao final da vida.

publicado por Corta-fitas às 12:00
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O andar de baixo

Hoje de manhã liguei a TSF no carro e não, como tem sido habitual, a Oxigénio ou a Nostalgia (depende dos estados de espírito). Pela rádio de notícias fiquei a saber que o Luís Inácio "Lula" da Silva considera que a sua vitória "é a vitória do andar de baixo sobre o andar de cima". Diz o reeleito Presidente da República do Brasil que este segundo mandato será dedicado aos pobres, que naquela terra são milhões. Claro que sim, até porque o primeiro mandato foi dedicado ao PT e a manobras de vários dos seus colaboradores mais directos. Mesmo assim, foi reeleito. Porque o País, dizem os especialistas, está em crescimento, respira saúde económica, a indústria passou a ser de ponta e houve um ataque ao gap que separa ricos e pobres. Claro que sim.

P. S. - Eu que vivo num segundo andar e nem conheço bem quem está no primeiro ou no R/C estou bem arranjado se a moda pega por cá...

publicado por Francisco Almeida Leite às 11:58
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On the street

Gravatas, caro João? Dê uma vista de olhos a este blog. No Sartorialist parece tudo muito casual. Parece, mas não é.

Nada como começar o dia com um passeio pelas ruas de Nova Iorque. Espero que o tempo esteja agradável.

Charvet Event At Saks San Francisco - Vintage Style, San Francisco

publicado por M. Isabel Goulão às 11:50
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Indo ao essencial


Marcelo Rebelo de Sousa considera que «Sócrates devia remodelar na Primavera». Eu não estou de acordo: A moda das gravatas monocromáticas já passou e o tempo de abandoná-las é agora, em pleno Outono/Inverno. Dizem que as cornucópias se preparam para regressar mas prefiro outro come back mais recente, as gravatas de linha com riscas horizontais. Para um ar professoral blasé, não há melhor e, ao que parece, Sócrates tomou-lhe o gosto de falar ex catedra.
P.S. Notem como consegui, num texto tão curto, incluir um termo anglo-saxónico, um francês e outro em latim. Tal António Lobo Antunes, se tivesse que escolher um homem culto, escolher-me-ia.

publicado por Corta-fitas às 11:31
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Domingo, 29 de Outubro de 2006

Ele é maior que o Camões

O imeeeeenso escritor Lobo Antunes, deslumbraaaaado com o Seu próprio umbigo, confessa hoje em entrevista à revista do Público: "Honestamente, se tivesse de escolher um escritor escolhia-me a mim." Frase fabulosa do Homem que com notório orgulho revela sentir-se "cada vez mais autista". Ele, que não hesita em comparar-se a Faulkner e Scott Fitzgerald, garante que se está nas tintas para o que se passa no mundo. "Não leio jornais, é muito raro ver um noticiário na televisão", admite, com natural enfado, o Monstro Sagrado da Literatura Portuguesa a quem a estúpida academia de Estocolmo vem negando o Nobel que há muito Lhe devia ter sido outorgado. "É óbvio que estou a escrever cada vez melhor", confidencia o Génio, com ar de quem nunca se engana e raramente tem dúvidas.
Cheguei ao fim desta entrevista rendido incondicionalmente ao talento do Artista que deu Os Cus de Judas à literatura portuguesa. Cesse tudo o que a musa antiga canta: o Antunes até ao Eça e ao Camões suplanta.

publicado por Pedro Correia às 20:43
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Grandes contos (8): Cardoso Pires

Estilista incomparável no romance, José Cardoso Pires foi também um excelente cultor da narrativa curta, atingindo a expressão máxima da sua arte de ficcionista num dos melhores volumes de contos de toda a literatura portuguesa: Jogos de Azar (1963). São oito histórias com raízes muito diferentes: umas tinham sido originalmente publicadas no livro de estreia do autor, O Caminheiro e Outros Contos (1949), de temática tradicional, embora inovadores e arrojados na escrita; outros constam da obra Histórias de Amor (1952), de cunho mais urbano e até político, que acabaria por ser apreendida pela PIDE. Exigente ao extremo, o autor viria a expurgar vários deles ao lançar esta colectânea. Foi mau juiz em causa própria, o que aliás é frequente em literatura.
Jogos de Azar é, na definição do escritor, um conjunto de "histórias de desocupados, de criaturas privadas de meios de realização", num país de horizontes estreitos e ansiedade à flor da pele, pastoreado por um ditador quase invísivel. Um país ainda acentuadamente rural e cheio de marcas campestres transplantadas para as malhas citadinas. É nesse terreno de inadaptados, verdadeiros apátridas, que circulam as personagens de um filme como Verdes Anos, de Paulo Rocha (estreado no mesmo ano de Jogos de Azar), e também as que José Cardoso Pires introduz nestes contos.
Um deles, o que me traz aqui, chama-se Week End: história de um amor fugaz que se dissolve na espuma dos dias, por imposição das circunstâncias. Uma história banal como as ondas do mar a rebentar na praia, mas também como elas de uma beleza indescritível. Cardoso Pires revigorou a técnica narrativa então vigente em Portugal, muito adjectivada e cheia de inúteis preciosismos literários, impondo um ritmo quase cinematográfico às suas histórias, assente num discurso directo credível por influência dos melhores autores americanos - Hemingway, desde logo.
É um estilo despojado, directo "ao osso" da intriga (para usar uma expressão a que JCP recorria com frequência), que nos apresenta as duas figuras centrais deste enredo: ele apaixonado e disponível, ela casada e incapaz de tornear o espartilho das convenções sociais. Despedem-se num quarto de hotel à beira da praia, numa tarde ardente de sol. Não podia ser mais acentuado o contraste entre a atmosfera exuberante de calor meteorológico e o gelo afectivo subitamente instalado naquele aposento, entre os "banhistas sentados na esplanada, perdidos no tempo", e os dois jovens desamparados que contam os minutos para o último capítulo de um romance chegado ao fim. "Nada disto faz sentido. O pior é estamos cercados por coisas sem sentido e termos de aceitar o cerco", diz-lhe ela, resignada.
Nesta admirável teia de metáforas, oculta em diálogos só na aparência banais, o cerco expandia-se das paredes daquele quarto, atingindo a dimensão do País submerso na ditadura. Linhas paralelas de uma linguagem afinal só tornada eficaz pelo talento sem medida de um escritor como Cardoso Pires.

publicado por Pedro Correia às 18:58
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Valem o que valem

Hoje, contra todas as sondagens, espero que Alckmin vença Lula nas eleições. E acho que ele tem hipóteses, porque já no primeiro turno era dado como vencido e foi o que se viu. Aliás, estou farto de sondagens, de políticos que se guiam por elas e, sobretudo, de comentadores e jornalistas armados em especialistas que dizem aquilo que a última sondagem indicou, como se fizessem grandes análises políticas. As sondagens, só para citar casos recentes que me vêm à memória, falharam nos EUA, na Alemanha, no Equador, no México, em Itália, no Brasil e em Portugal, nomeadamente nas autárquicas. Quando elas falham, os tais analistas e jornalistas, que diziam que não sei quem "não tinha hipóteses", surgem com a mesma desfaçatez de sempre a fazer novas análises, baseadas, muitas vezes, em novas sondagens. O pior é que há muita gente que orienta o seu sentido de voto em função de quem tem ou não tem as tais hipóteses e isso falseia completamente o sistema democrático. Por tudo isso, mesmo sem hipóteses nenhumas nas sondagens, que vença Alckmin.

publicado por Duarte Calvão às 17:16
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Postais blogosféricos

1. Há um ano que este excelente Andarilho anda exilado. Parece que ainda foi ontem que tudo começou...
2. Também este blogue arrancou há um ano. Um beijinho de parabéns, Paula. Com votos de que esse circo nunca perca as asas.
3. Entretanto, este já festejou dois anos. E pela pedalada que revela prepara-se para comemorar muitos mais. Parabéns a todos quanto o fazem, a começar pelo Jorge.
4. Joaquim Vieira está na blogosfera. O seu Observatório de Imprensa é já de consulta imprescindível. Entrou na nossa lista de favoritos.
5. As crónicas madrilenas da Rita têm cada vez mais salero. É um prazer lê-las por cá. Rititi surge também a partir de agora na barra lateral do Corta-Fitas.
6. Com selo de Bruxelas, Fátima Rolo Duarte envia-nos este blogue. Que é dos mais deslumbrantes, em termos visuais, que tenho conhecido até hoje.
7. O Carlos teve uma ideia genial: votar no Colombo como melhor português de todos os tempos. Uma "microcausa" hilariante, na montra do Small Brother. Fartei-me de rir.

publicado por Pedro Correia às 16:01
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Gostei de ler

1. Querido Líder. De João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.
2. Os copyright do PS. De Luís Novaes Tito, no Tugir.
3. A mulher do patrão. De Miguel Abrantes, na Câmara Corporativa.
4. Reconforto. De Luís Januário, n' A Natureza do Mal.
5. Anónimos & companhia. De Rui Bebiano, n' A Terceira Noite.
6. Zaroff. De Henrique Fialho, na Insónia.
7. Lou. De José Bandeira, na Bandeira ao Vento.
8. Regresso a casa. De Rita Barata Silvério, na Rititi.
9. Ética da personagem. De João Paulo Sousa, no Da Literatura.
10. Não sei como dizer-vos. De Carla Carvalho, no Welcome to Elsinore.
11. Os homens e o choro das mulheres. De Sofia Vieira, na Maresia.

publicado por Pedro Correia às 14:10
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Momentos Kodak (23)


Maria José Nogueira Pinto, vereadora do CDS em Lisboa, continua à espreita de uma oportunidade no primeiro plano da política portuguesa. Perfil para tanto não lhe falta. Se fosse ela a liderar os democratas-cristãos será que o partido andaria tão em baixo nas sondagens?
(Julho 2005)
Foto: Rodrigo Cabrita

publicado por Rodrigo Cabrita às 13:44
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Blogues em revista

Insónia: "Este é, sem dúvida, o país de quem muito acha e pouco pensa." (Henrique Fialho)

Tomar Partido: "Sócrates está em processo de santanização e a capitalização da oposição de esquerda à descida conjunta do bloco central(!) demonstra que não existe oposição à direita." (Jorge Ferreira)

Bicho Carpinteiro: "É caso para dizer que as sondagens se juntam às manifestações..." (José Medeiros Ferreira)

Bloguítica: "As gaffes de Manuel Pinho e Castro Guerra não foram verdadeiramente problemáticas. Afinal, a verdade é que um e outro são descartáveis. A única pessoa que não é descartável é o primeiro-ministro...O que nas últimas semanas abalou a relação de confiança entre José Sócrates e o eleitorado foi a introdução de portagens nalgumas SCUT e de taxas moderadoras nos internamentos e operações ambulatórias. Aqui, sim, a relação de confiança sofreu danos." (Paulo Gorjão)

Hoje Há Conquilhas: "Marcelo Rebelo de Sousa continua a brincar aos políticos, como a minha prima brincava com bonecas quando era pequenina, mas poucas dúvidas restam de que é mais um sinal da corrida à sucessão de Marques Mendes." (Tomás Vasques)

Vidro Duplo: "Era tão imaturo que nunca passou de espermatozóide." (Sara)

O Amigo do Povo: "Podia votar em D. João II. Mas D. João II, um dos maiores, senão o maior rei português, el hombre, como lhe chamava Isabel a Católica, apostou e perdeu. Foi uma pena. E que pena." (Fernando Martins)

Blasfémias: "A razão humana nunca conseguiu fundar uma civilização. Pelo contrário, a fé religiosa já fundou várias; na realidade, todas." (Pedro Arroja)

publicado por Pedro Correia às 11:53
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Notícias inúteis (2)

José Sócrates foi reeleito secretário-geral do PS.

publicado por Pedro Correia às 01:13
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Redundância à portuguesa (2)

"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"
Pergunta do referendo aprovado na Assembleia da República

publicado por Pedro Correia às 01:06
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Sábado, 28 de Outubro de 2006

Hora de Inverno


Modelos conservadores que resistem à mudança da hora.

publicado por M. Isabel Goulão às 20:01
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Machismo?

"Verdadeiramente, o tempo das mulheres está a chegar."

"As mulheres começam a não aceitar ficar na sombra dos 'grandes homens', querem ter existência própria."

"... o facto de as mulheres serem mais autónomas do que os homens poderá fazer com que estes se tornem apêndices dispensáveis." (Apêndices dispensáveis? Esta é a melhor de todas!!)

José António Saraiva (JAS) em "Casais do Futuro", no Sol (o link não está disponível, o que é lamentável. Quem quiser que compre a edição em papel).

publicado por Corta-fitas às 19:16
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Nas colunas


Maria Del Mar Bonet - L'àguila Negra

publicado por Corta-fitas às 18:23
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Os actores e os outros

Fernando Trueba, Óscar da Academia de Hollywood pelo filme Belle Époque (1994), ultima o lançamento de uma nova edição da sua obra Mi Diccionario de Cine (que, confesso, bem gostaria de ter na minha estante). Em recentes declarações ao El País, o realizador espanhol observa: “Os actores secundários são, de facto, os actores. Os protagonistas, os galãs, as estrelas ou qualquer que seja o nome que lhes damos, não são mais que seres privilegiados que, devido ao mistério da absorção dos rostos pela luz e à insaciável sede de beleza física dos humanos, conseguem cobrar salários muito superiores aos de um primeiro-ministro.”
Acreditem: ele sabe do que fala.

publicado por Pedro Correia às 16:45
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Palmas para Pacheco

É um dos melhores textos que tenho encontrado desde sempre na imprensa portuguesa: “A degradação da privacidade e da intimidade”. Foi escrito por José Pacheco Pereira e saiu no Público de quinta-feira. Pode ser lido aqui.

publicado por Pedro Correia às 13:54
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Postais blogosféricos

1. Uns partem, outros chegam. Entre os que estão quase a chegar, e que até já permitem uma espreitadela, inclui-se O Cachimbo de Magritte. Aqui ficam os meus votos de boas-vindas. E os parabéns pelo inspirado nome dado ao blogue.
2. Um regresso que merece ser assinalado: Lutz Brückelmann volta em forma, reactivando o Quase em Português.
3. O Francisco Valente, na linha do que já aqui escrevi, questiona n'O Acossado alguns critérios de João Bénard da Costa na organização do próximo ciclo de cinema da Gulbenkian. Tem toda a razão no que se refere ao Fellini: O Conto do Vigário é um bom filme, mas o mestre italiano fez muito melhor. Desde logo, As Noites de Cabíria, uma obra-prima que bem gostaria de rever no Grande Auditório da fundação.
4. Da "esquerda bem pensante", moi? Olhe que não, caro António Machado, olhe que não...

publicado por Pedro Correia às 13:29
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Redundância à portuguesa

"Voltamos com uma breve síntese à uma. Até lá."
SIC-Notícias, noticiário do meio-dia

publicado por Pedro Correia às 12:38
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Gostei de ler

1. Queda de Sócrates 2. De Pedro Magalhães, no Margens de Erro.
2. Grandes Portugueses, grande confusão. De Bruno Cardoso Reis, n'O Amigo do Povo.
3. Ministério da Cultura ou Ministério do Património? De Miguel Castelo-Branco, no Combustões.
4. A Mentira. De Carlos Carvalho, no César & Dama.
5. O bufo. De Daniel Oliveira, no Arrastão.
6. The Black Dahlia. De Francisco Valente n'O Acossado.
7. Mesa para sete. Da Isabel, na Miss Pearls.

publicado por Pedro Correia às 12:37
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Notícias inúteis (1)

Luís Filipe Vieira foi reeleito presidente do Benfica.

publicado por Pedro Correia às 12:33
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Mesmo sem ter visto o Dr. House *

No Alexandre Soares Silva, alguns sketches das séries "Yes, Minister " e "A Bit of Fry & Laurie":" Me deixe só dizer (me deixe, me deixe),(larga a minha blusa) que é a melhor comédia política que já vi - política no sentido de mostrar o que é o dia-a-dia da política e da burocracia. É brilhante."
E também 10 Melhores Séries de TV :"então é claro que você tem que ficar completamente atônito porque a lista não coincide completamente com a que você faria. "
* Imperdível, Alexandre.



Uma delícia, este comentário sobre a destruição do Palácio Monroe (Rio de Janeiro) em 1976:
"Quanto ao texto do Globo, como é que alguém em plena década de setenta ousa falar em "regras da estética"? Quem escreveu isso provavelmente usava costeletas e tinha um palitinho no canto da boca. Até consigo vê-lo datilografando isso com seus dedos ocres de Chanceller, "o fino que satisfaz". E devia usar uma camisa bem justa na barriga. "

publicado por M. Isabel Goulão às 11:00
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Fragmentos únicos da literatura (2)

«Falam os médicos, os notários, os empreiteiros, os varredores, os motoristas, os professores e toda a lista de profissões de estatística e não há corporação que fique de fora neste zunzunar do paleio, vendedores de automóveis, mediadores de seguros, sapateiros que passam a vida a cantar, empregados de mesa, agentes de autoridade, doentes de hospitais, operadores imobiliários, empregados forenses, e também engenheiros, sem-abrigo, vagabundos, telefonistas, padeiros, patinadores, engraxadores e vândalos. Imigrantes provindos de países sombrios aprendem aqui a soltar as línguas, aderem ao velho ofício de dar à taramela, por isto e por aquilo, por tudo, nada. Passam-se dias, meses, anos, remoem as depressões, adejam os perigos e o país a falajar, falajar».
Mário de Carvalho, Fantasia para Dois Coronéis e Uma Piscina

publicado por Corta-fitas às 09:55
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