Sábado, 30 de Setembro de 2006
Momentos Kodak (20)
Para quem quiser adivinhar, deixo umas dicas. Fica em Lisboa, já nem sei quando começou a ser construído, não se sabe quando fica pronto e está tudo à espera para perceber se realmente é útil ou não à cidade.
(Setembro 2006)
Foto: Rodrigo Cabrita


publicado por Rodrigo Cabrita
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Confissões de um fura-greves
O procurador-geral da República cessante, Souto Moura, dá à edição de hoje da revista Tabu, publicada com o semanário Sol, uma entrevista que é muito esclarecedora sobre a sua personalidade. Justificando o facto de em 1969 ter "furado" uma greve universitária em Coimbra, quando frequentava a Faculdade de Direito, Souto Moura fornece o pior dos argumentos: não agiu assim por convicção, o que seria discutível, mas por mera conveniência, o que é inaceitável. Na idade de todos os idealismos, já se comportava deste modo: "A minha preocupação principal era não chumbar o ano." Palavras dele próprio, para que não haja equívocos. Fica tudo dito sobre a personagem...


publicado por Pedro Correia
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A esquerda mais exótica da Europa
Sem menosprezo para o "bate-papo" de Ana Paula Azevedo e Vítor Rainho com Souto Moura, a melhor entrevista desta edição do Sol é com o escritor chileno Luis Sepúlveda, grande amigo de Portugal. Gosto dos livros dele e discordo de muitas das suas ideias políticas - a começar pelo incondicional apoio que tem dado à ditadura cubana. Mas, em resposta às perguntas da jornalista Maria Francisca Seabra, Sepúlveda faz uma das melhores caracterizações que já vi até hoje da esquerda portuguesa, considerando-a "a mais exótica da Europa". E justifica porquê: "São apenas dois e a cada meia hora dividem-se! Portugal é um país de barões políticos. Qualquer pessoa de esquerda que ache que tem pedigree sente-se moralmente autorizada para ser um líder."


publicado por Pedro Correia
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Frases do "Sol"
"Quantos de nós conhecemos homens de 40, 50 e até de 60 anos que acabam com casamentos de décadas por um par de mamas de uma lambisgóia com metade da idade deles?"
Margarida Rebelo Pinto

"Uma mulher desmazelada não serve para nada."
Maria José Nogueira Pinto

"Muitos gostam os portugueses - e eu não sou excepção - de temas como gravidezes, bebés e dramas domésticos."
Marcelo Rebelo de Sousa

"Não me lembro, em toda a minha vida, de ter visto um episódio sequer de uma telenovela, portuguesa ou brasileira, do princípio ao fim."
António-Pedro Vasconcelos

"As insónias são criativas."
Vasco Graça Moura


publicado por Pedro Correia
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Espelho meu...
Tenho sangue de barata, sou um resistente. Sou monárquico, do Sporting, conservador, de direita (com as letras todas), casado e católico praticante. Habituado a duras batalhas, sempre com fé, sempre empenhado. Habituado a levar muita porrada, sim!
Mas agora é demais: chegado à charmosa idade dos 45 anos, com as minhas respeitáveis entradas, cabelos grisalhos e apurada sabedoria, no auge do meu convencimento, sou surpreendido pela insolente Margarida Rebelo Pinto. Afirma ela na sua catedrática e sexy coluna do Sol, que afinal as mulheres da moda, modernas, maduras e inteligentes, provavelmente as que contam, hoje em dia preferem os rapazes mais novos. Agora deu-lhes para isso… Diz que têm mais graça sem traumas e descomplexados… que são uma fonte inesgotável de… Arghh! Não sei se aguento mais esta contrariedade.
O que me vale é que sou monárquico, do Sporting, conservador, de direita, casado e católico praticante!


publicado por João Távora
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Cavaco valoriza 5 de Outubro*
Parece-me natural… Lá diz o povo: “Não mordas a mão a quem te dá de comer.”

* Titulo de capa do Sol sobre as iniciativas para a efeméride


publicado por João Távora
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Critérios editoriais
No dia 27 de Abril de 1937, o repórter britânico John Steer visitou, horrorizado, as ruínas ainda fumegantes da histórica cidade basca de Guernica, barbaramente destruída pela aviação nazi, aliada das forças falangistas de Franco. Em poucos minutos, com a sua máquina de escrever portátil, redigiu aquele que viria a ser o mais célebre despacho da Guerra Civil de Espanha - o texto que revelou ao Mundo um dos piores massacres de civis registados no século XX. "Às duas da manhã de hoje, quando visitei a cidade, esta oferecia uma visão horrorosa e ardia de lés a lés", relatava o jornalista.
A prosa de Steer foi de imediato enviada por telefone para Londres e Nova Iorque, onde viria a ser publicada nas edições da manhã seguinte. Mas os critérios editoriais adoptados nas duas margens do Atlântico foram antagónicos: o Times londrino escondeu a notícia numa página interior, sem chamada de capa; o New York Times publicou-a em manchete. O jornal americano assumiu a decisão correcta, conseguindo um scoop à escala planetária. O diário britânico, pelo contrário, inutilizou uma das matérias mais relevantes de todos os tempos por incapacidade técnica ou manipulação política.
Esta é um dos muitos episódios relacionados com a cobertura jornalística do sangrento conflito de 1936-39 que podemos encontrar na exposição Correspondentes da Guerra Civil de Espanha, no Instituto Cervantes, em Lisboa. Uma exposição que bem merece ser visitada por todos os leitores de jornais. Ficamos a perceber melhor que os duvidosos critérios editoriais dos nossos dias têm antecedentes remotos - alguns dos quais tristemente célebres, como o do Times que escondeu a notícia do massacre de Guernica.


publicado por Pedro Correia
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Sexta-feira, 29 de Setembro de 2006
História de algibeira (5)
No dia de Natal de 1903 Raul Brandão publica no jornal “O Dia” uma comovedora reportagem sobre uma visita da Rainha D. Amélia às pobres crianças tuberculosas internadas no Dispensário de Alcântara. O evento terá marcado por certo a miudagem delirante. A ceia compôs-se de “Canja, Peru corado, fruta e bolos”. Raul Brandão, às tantas descreve o diálogo entre a Rainha e um residente de 5 anos durante a distribuição dos presentes:
“- Que queres tu? – pergunta Sua Majestade”
“- Um cavalo – replica imediatamente o bambino indócil”
“- Isso é difícil, mas vamos lá procurá-lo”

Lá se descobre um "por entre um turbilhão de mil fantasias de folha colorida”. Por fim Sua Majestade entrega-o ao “pequenote. E ele vai, sobraçando o brinde, rindo, numa correria de gamo perseguido”.

Fonte e citações: Raul Brandão – Paisagens com Figuras. Inéditos 1887-1930
Organização Vasco Rosa - Âmbar 2006

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publicado por João Távora
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Um herói do século XX
É um acontecimento editorial, com repercussão simultânea em diversos países – incluindo Portugal. Mandela – O Retrato Autorizado, álbum que reúne uma vasta colecção de fotografias de Nelson Mandela e cerca de 60 depoimentos sobre o ex-presidente da África do Sul, terá lançamento à escala internacional na próxima segunda-feira (em Lisboa, no Corte Inglés, às 18.30 desse dia). Uma obra que consagra Mandela como um dos maiores políticos do século XX, autêntica lenda vida do nosso tempo. No prefácio, Kofi Annan diz tudo nesta frase: “Se estivermos à altura de uma pequena parte do que Mandela é, o mundo será um lugar melhor.” E o ex-presidente americano Bill Clinton, num comovido testemunho, acrescenta: “O que torna Mandela tão especial é o facto de ser um verdadeiro ser humano. Ri, chora, enfurece-se, apaixonou-se por Graça Machel. Tem uma vida a sério. E o facto de ser tão verdadeiro, tão real, torna a sua grandeza, o seu sacrifício, a sua sabedoria e a sua coragem face a tudo aquilo que lhe aconteceu ainda mais extraordinário.”
Mandela – O Retrato Autorizado tem chancela portuguesa da editora Quidnovi e tradução de Jorge Almeida e Pinho.


publicado por Pedro Correia
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Para apurar o nosso grau de beleza

Só regresso algures para a semana. Tenho o cérebro em pousio que é como quem diz em intervalo. Depois virá esse dia de acender a lareira com a lenha guardada dos dias anteriores e de cozinhar o que levedado resistiu e cresceu (se crescer) apesar da humidade das noites.
Não consigo escrever até lá, mas consigo ler e ver a beleza aliás indisfarçável que existe em lugares como este. Aqui, onde a Alice habita e a Lebre espreita, com os olhos sempre muito abertos às maravilhas subtis para muitos invisíveis e para outros luminosas, de tão evidentes. Vão lá se quiserem, mas não profanem a melancólica inocência do lugar. É só o que vos peço. Obrigado.


publicado por Corta-fitas
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O "mercado"
A propósito daquilo que eu e o Pedro aqui temos escrito sobre o aparecimento de novos títulos, a concorrência e o "esticar" das audiências (dos jornais, não dos blogues), chamaram-me à atenção para o que João Marcelino, director do Correio da Manhã, escreveu na edição da semana passada da Sábado: "Quando as empresas jornalísticas são criativas, os nomes inspiram confiança e sobretudo a informação é de qualidade, as pessoas interessam-se e aderem. Nunca se leu tanto em Portugal, entre jornais e revistas, e isso pode ser demonstrado com números. A crise existe? Existe, claro. Mas nos títulos do costume, desculpada por palavras mágicas como 'mercado' e por razões que só um cego não vê".
Uma reflexão que, confesso, me tinha escapado, mas que aqui deixo na véspera de mais um fim de semana de "guerra" entre o Expresso e o Sol. Para já, ambos garantem querer manter os 410 mil exemplares de tiragem que somam juntos.


publicado por Francisco Almeida Leite
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Friday





















Kerry McGregor.


publicado por Francisco Almeida Leite
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Apetece-me ridicularizar...
Já aqui se brincou com o Bush.
Está na altura de gozar com os terroristas.


publicado por Nuno Sá Lourenço
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Iniciativa privada
Esta manhã, o engraxador brasileiro que costuma exercer o ofício na esquina da Duque de Loulé com a Barata Salgueiro estava na esquina oposta. Vendendo guarda-chuvas a quem passava.


publicado por Pedro Correia
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A Marca do coração
Eu trabalho (com entusiasmo) para uma grande “marca” nacional. Esta empresa foi fundada nos anos 30 pelos senhores Cardoso e Machaz, dois irredutíveis beirões, que com a sua coragem, esforço e empreendedorismo granjearam ao seu projecto uma inegável reputação internacional, hoje símbolo de uma “escola” e “produto” de sucesso em Portugal.
Agora, já não gosto da ideia de chamar “marca” a um clube de futebol. Eu percebo a ideia, e porventura é até bem razoável. Mas não gosto, não fica bem; é uma questão estética.
A relação de um adepto com um clube de futebol é normalmente um razoado de afectos, que atribuem um estatuto quase místico ao seu clube de eleição. Assim, com esse toque de mágica, o espectáculo de 25 galfarros atrás de uma bola, com meia dúzia de tácticas e regras mais ou menos básicas, ganha um sentido quase superior. Um clube de futebol não é com toda a certeza uma entidade metafísica. Mas é uma paixão, uma ilusão benigna, não compatível com os conceitos materialistas e empresariais de Marca, Produto. Que os clubes sejam geridos como empresas, com competência e racionalidade, rumo ao sucesso, claro que sim!
Mas nessa relação única de adepto, não nos matem o sonho. O meu clube não é uma marca. É o Sporting.

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publicado por João Távora
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Momentos Kodak (19)
Para descansar a vista...
Paisagem em Vila Velha de Ródão
(Julho 2006)
Foto: Rodrigo Cabrita


publicado por Rodrigo Cabrita
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Gostei de ler
1. Tempos interessantes. De Pedro Mexia, no Estado Civil.
2. Novidades? De João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.
3. Notícias do medo. De Jorge Ferreira, no Tomar Partido.
4. A ver se nos entendemos. De Tiago Barbosa Ribeiro, no Kontratempos.
5. Uma ópera responsável. De Luís Januário, n'A Natureza do Mal.
6. Da leitura. De Tiago Galvão, no Diário.
7. Livros malditos: no inferno das bibliotecas. De Miguel Castelo-Branco, no Combustões.


publicado por Pedro Correia
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Quinta-feira, 28 de Setembro de 2006
Cavaco: as coisas são o que são
Tomás Vasques e Jorge Ferreira reagiram, nos respectivos blogues, às reflexões que aqui deixei a propósito das relações entre Cavaco Silva e a direita que esperava dele a condução das acções de oposição ao Governo socialista.
O que escreveram suscita-me os seguintes comentários:
1. Estamos de acordo no essencial, caro Tomás. Não faço, no entanto, uma leitura tão tacticista dos supostos desígnios de Cavaco Silva. Desde logo porque, como já anotei no Corta-Fitas, não creio que o actual Presidente ambicione um segundo mandato, introduzindo assim uma inovação nos nossos hábitos políticos. Também me parece evidente que Cavaco "não acredita nos méritos governativos da actual direcção do PSD", o que ajuda a reforçar a boa relação institucional que estabeleceu com José Sócrates. Falta sublinhar um aspecto que não mencionei anteriormente: Cavaco revê-se no perfil psicológico de Sócrates, sem dúvida semelhante ao seu em aspectos decisivos. Às vezes estes pormenores ajudam a explicar melhor determinados comportamentos do que as mais elaboradas análises políticas. A muitos que votaram nele, pensando que de Belém partiriam os disparos decisivos contra o estado-maior socialista, estes primeiros seis meses de mandato só podem ter sido frustrantes. Pois é: o tiro saiu-lhes pela culatra.
2. Naturalmente, "o facto de Cavaco Silva ter tido o voto da direita não significa que ele seja de direita", caro Jorge. À direita, concedo, "só teve ilusões quem quis". Mas convenhamos que foi muita gente. Alguns já andam aí a rosnar as primeiras pragas contra Belém na blogosfera, o que me parece lógico. Como gostava de dizer Victor Cunha Rego, as coisas são o que são.


publicado por Pedro Correia
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Pensamento do dia
Apenas os meteorologistas conseguem superar os economistas a falhar previsões.


publicado por Pedro Correia
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Os três grandes










De realçar aquele traço encarnado aqui em baixo. É o SLB.
Fonte: A Bola


publicado por João Távora
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Soldados jornalistas
O exército canadiano está a treinar alguns dos seus soldados para poderem trocar as suas armas por microfones, câmaras de filmar e computadores portáteis em teatros de guerra como o Afeganistão. A importância da propaganda militar conhece hoje novos desenvolvimentos, com técnicas de manipulação nunca vistas. Sublinho aqui propaganda e não informação. É por estas e por outras que os grandes órgãos de informação mundiais não podem abster-se de enviar profissionais para a cobertura dos grandes acontecimentos.


publicado por Francisco Almeida Leite
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Momentos Kodak (18)
Já há muitos anos Salazar tinha razão, temos de trabalhar mais e melhor...
(Setembro 2006)
Foto: José Carlos Carvalho


publicado por José Carlos Carvalho
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Mozart censurado
Depois das erupções de violência provocadas no mundo islâmico contras as caricaturas surgidas num jornal dinamarquês, depois dos apelos à morte em nome de Alá suscitados por uma citação descontextualizada do Papa, surge agora a autocensura ocidental em todo o seu esplendor: a vergonhosa retirada de cartaz da ópera Idomeneo, de Mozart, por decisão da direcção da Ópera de Berlim. Desta vez não foi preciso sequer haver protestos: bastou o vago temor de que os radicais islâmicos pudessem irritar-se com uma cena que mostra Idomeneu, rei de Creta, a exibir a cabeça decapitada de Maomé, no final do espectáculo. “Foi um erro retirar a ópera. É preciso dar prioridade à liberdade de expressão”, criticou a própria chanceler alemã, Angela Merkel. Em vão: 215 anos depois da sua morte, Mozart acabou mesmo censurado naquela que já foi uma das cidades mais livres do planeta. Na ópera, surgiam também as cabeças decapitadas de Buda e de Jesus. Mas isso não interessava nada: Maomé voltou a ser o problema.
Depois disto ainda haverá quem pense que a expressão “choque de civilizações” é exagerada?


publicado por Pedro Correia
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Anda tudo trocado
No debate mensal no Parlamento, "o primeiro-ministro fez um ataque cerrado ao projecto do PSD para a reforma da segurança social", esclareceu-me o pivô da SIC Notícias. Pensava eu que o PSD fazia oposição ao Governo. Afinal é o Governo que faz oposição à oposição.


publicado por Pedro Correia
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Foi à Eusébio
O belo golo de Nani em Moscovo, contra o Spartak, no jogo que ontem deu ao Sporting o quarto ponto na Liga dos Campeões.


publicado por Pedro Correia
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Quarta-feira, 27 de Setembro de 2006
Momentos Kodak (17)

Foto: Rodrigo Cabrita


publicado por Rodrigo Cabrita
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Gostei de ler
1. Eu, que só sei a tabuada e mal. De Ana Cláudia Vicente, n'O Amigo do Povo.
2. O melhor de Portugal. De Rita Barata Silvério, na Rititi.
3. Carta aberta a um secretário de Estado. De João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.
4. Crónicas do Sistema (XI). De Rui Costa Pinto, no Mais Actual.
5. Ricas vidas. De Isabel Goulão, na Miss Pearls.
6. O enermúgno. De Rui Bebiano, n'A Terceira Noite.
7. Fazer barulho por Darfur. De Sabine, na Insustentável Leveza.


publicado por Pedro Correia
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Benzida esquerda (1)
Parece ter causado grande escândalo o facto de José Sócrates se ter benzido numa cerimónia pública. As críticas vieram sobretudo de uma certa esquerda que apregoa a “modernidade” aos quatro ventos enquanto policia os mais ínfimos pormenores do comportamento alheio. E se neste domínio há atitudes recentes de governantes portugueses realmente passíveis de crítica, como o ministro da Economia detectado em flagrante excesso de velocidade numa auto-estrada, não consigo entender porque é que o facto de Sócrates se ter persignado escandalizou tanto estas vestais preocupadas com os rumos da “laicidade”.
É nestas alturas que me lembro de Franklin Delano Roosevelt e Winston Churchill orando juntos no navio Prince of Wales, ao largo da Terra Nova, em plena II Guerra Mundial. Ou de Charles de Gaulle e Konrad Adenauer ajoelhados em 1962 na catedral de Estrasburgo, pedindo a iluminação divina na magna tarefa da edificação de uma Europa unida e em paz perpétua. Ou, muito mais recentemente, o presidente brasileiro Lula da Silva – esse símbolo da esquerda contemporânea, esse arauto de uma certa “modernidade” progressista – participando numa missa de acção de graças ao Senhor do Bonfim logo após a sua investidura, em Janeiro de 2002, não perdendo então uma oportunidade de comungar defronte de fotógrafos e operadores de imagem. O mesmo Lula que termina os seus comícios na actual campanha presidencial brasileira lançando este brado piedoso aos seus apoiantes: “Que Deus vos abençoe!”
E reparem que nem precisei de mencionar o precedente aberto por António Guterres para concluir que Sócrates se encontra afinal em boa companhia...


publicado por Pedro Correia
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Benzida esquerda (2)
Não resisto a transcrever aqui o emocionado relato que Churchill fez do serviço religioso em que participou com Roosevelt ao largo da Terra Nova, nesse dia 10 de Agosto de 1941, quando ambos firmaram o que viria a ser conhecido por Carta do Atlântico – pioneira da futura Organização do Tratado do Atlântico Norte. Até pela prosa, que é de inegável qualidade (não esqueçamos que Churchill foi galardoado em 1953 com o Prémio Nobel da Literatura, depois de Mauriac e antes de Hemingway). Em nenhum momento certamente ocorreu aos dois estadistas que a “laicidade” americana ou britânica estariam a ser postas em perigo com esta notória manifestação de fé.

“Na manhã de domingo, 10 de Agosto, Roosevelt subiu a bordo do 'Prince of Wales' e, acompanhado dos oficiais do seu estado-maior e de algumas centenas de representantes de todas as fileiras da marinha norte-americana, assistiu ao Divino Serviço no convés da ré. Todos sentimos esta cerimónia como uma expressão profundamente comovente da unidade na fé entre os nossos dois povos, e ninguém que nela tenha participado alguma vez esquecerá o espectáculo proporcionado pela luz solar no apinhado convés – o simbolismo da Union Jack e da Stars and Stripes drapejando lado a lado no púlpito; os capelães americano e britânico partilhando as leituras; as mais elevadas patentes da Marinha, do Exército e da Força Aérea da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos reunidas como um só corpo atrás do Presidente e de mim; os marinheiros, em linha compacta, partilhando Bíblias e juntando-se fervorosamente nas orações e nos hinos familiares a todos eles.
Eu próprio escolhi os hinos – 'For Those in Peril on the Sea' e 'Onward, Christian Soldiers'. Terminámos com 'O God, Our Help in Ages Past' (…). Cada palavra parecia vir do fundo do coração. Foi um grande momento que ali vivemos. Cerca de metade dos que cantavam naquele instante iriam morrer em breve.”


(Winston Churchill, The Second World War, volume III, “The Grande Alliance". Penguin Books, 1988, página 384. Tradução minha)


publicado por Pedro Correia
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Uma campanha alegre
Exemplos de política bem humorada não faltam no Brasil, como se pode verificar na campanha eleitoral em curso. Espreitem só isto (com a devida vénia ao Eurico de Barros, que "importou" as imagens) e preparem-se para soltar umas boas gargalhadas.


publicado por Pedro Correia
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Pai tirano (finale)
Caro João Villalobos:

Não pretendo dar receitas sobre educação a ninguém. Mas justifico-me: nessa matéria, em minha casa, cada decisão é tomada em liberdade, a seu tempo, e tendo em conta uma realidade que não é estática. São opções feitas em consciência e da exclusiva responsabilidade da minha mulher e minha, tendo como fim único, o bem das crianças.
Sem querer entrar na discussão sobre o valor (e valores) daqueles conteúdos - Morangos com Açúcar e quejandos , do que conheço deste novo género de novelas, é que chegam a durar quase três horas seguidas, de manhã, à tarde e à noite; numa fórmula alienante que de facto prende as crianças, principalmente as mais pequenas. Acontece que elas têm que estudar, por exemplo, e a Natália, a nossa leal empregada, tem algumas limitações no campo da pedagogia. Assim, considero o bloqueio de canais uma bela ferramenta de controlo parental à distancia.
Assim como o João, eu também sempre “li tudo o que apanhei pela frente” (a minha mulher igualmente, o que faz da minha casa um pequeno mundo de livros). Isso é diferente. E os meus miúdos (refiro-me evidentemente aos mais velhos, com 14 e 16 anos) sabem que são livres de ler (quase) tudo o que apanhem pela frente. Fico muito contente até. E desde que acompanhados, também podem ver (quase) todo o cinema. Acho que são crianças livres porque não são alienadas. Na literatura, cinema, televisão ou internet, só reprimimos a estupidez.
Aliás, em nossa casa vigora uma saudável meritocracia de que me orgulho. Assim saibam os miúdos gerir a liberdade que têm, e tudo corre bem. Dá trabalho mas preferimos assim.
De resto, caro João, parece-me cruel deixar uma criança de cinco anos entregue à sua "pouco treinada" vontade. A ser “educada” pela televisão (os outros já não vão nessa, não têm pachorra). Aquilo (os Morangos e a Floribela) está feito de forma a prender os miúdos, e os mais pequenos são as vítimas mais fáceis. Prefiro que a Carolina termine a tarde a meter-se com os irmãos mais velhos, a pintar, a escrever palavras no frigorífico com as letrinhas coloridas. Ou, num dia de sorte, comer um "yogurt surpresa" na cozinha a ouvir a Natália a contar-lhe histórias enquanto engoma, enquanto a mãe não chega.

Com amizade,


publicado por João Távora
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De morangos já o Bergman falava
Eu, quando era miúdo, li tudo o que apanhei à mão. Na biblioteca dos meus pais e, quando se esgotaram, nas bibliotecas públicas. Certo dia, um bibliotecário quis impedir-me de requisitar livros porque, dizia ele, «não eram para a minha idade». O senhor, diga-se de passagem porque podia ser de outro partido qualquer, era comunista. Queixei-me em casa e tive carta branca para ler o que entendesse, com reprimenda severa à direcção da biblioteca.
Hoje, é a televisão. Codificar canais ou proibir ver, é não confiar no discernimento dos nossos filhos nem na educação que lhes damos. Entender esses programas e dar-lhes o enquadramento que merecem, é confiar na nossa capacidade de acompanhamento da contemporaneidade e da sociedade que temos, queiramos ou não que ela fosse diferente. O mundo sempre foi perigoso e perverso. Hoje, é-o mais claramente que ontem. E isso é bom. Não há redomas que o façam ser de outra maneira.
Por isso, caro João, eu dialogo, explico e digo o que tenho a dizer. Mas não codifico, nem proibo, nem me armo em Maria Filomena Mónica como se habitasse num Xanadu intocável pela realidade que me cerca e às pessoas com quem vivo. Não tome isto como um comentário pessoal. É apenas o respeito muito grande que me merece que faz com que o escreva. De coração aberto. E sem códigos.


publicado por Corta-fitas
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Mostra-me o teu cachecol
"O Benfica fez uma excelente primeira parte, vulgarizando a equipa do Manchester", disse ontem um comentador da RTP-N. O comentador era António-Pedro Vasconcelos, o programa era o Trio d'Ataque. Vasconcelos é benfiquista, o que pelos vistos o abalizava a "comentar" o jogo Benfica-Manchester, em que os "encarnados" foram derrotados por 0-1. Pus-me a pensar: se a moda pega, e alastra do futebol à política, lá teremos "comentadores" socialistas a avaliar a prestação do Governo ou sociais-democratas a pronunciar-se sobre o desempenho de Marques Mendes. Esta tendência para pôr um cachecol ao pescoço ou um emblema na lapela é que está a dar. A isenção não vende...


publicado por Pedro Correia
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Estou contigo, Kate
Queria prestar aqui a minha homenagem a Kate Winslet. A estrela de Titanic tirou-me as palavras da boca ao criticar as esqueléticas que se pavoneiam em Hollywood impondo um padrão de beleza que nada tem a ver com a nossa saudável tradição latina. Ela, Kate, está-se nas tintas para esta moda que não tardará a ser atirada para o caixote de lixo da História. "A moda da magreza deixa-me com muita raiva e incomoda-me", desabafou a bela actriz, que não quer saber de jejuns forçados. O facto de ser casada com o realizador Sam Mendes, de ascendência portuguesa, talvez ajude. É que nós não confundimos beleza feminina com expositores de ossos...


publicado por Pedro Correia
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Conversa de praxe
Esta manhã, no metro, dois estudantes universitários - obviamente caloiros - falavam em alegre alvoroço do "tribunal". Às tantas percebi a que "tribunal" se referiam, com tão manifesta benevolência - para não dizer mesmo com visível entusiasmo. Era ao "tribunal da praxe". Ao ouvi-los acolher assim tão de bom grado uma das práticas mais aberrantes que subsiste na sociedade portuguesa, não contive um pensamento politicamente incorrecto: aqueles dois mereciam que os "veteranos" lhes aplicassem uns calduços no cachaço. Seria muito bem feito.


publicado por Pedro Correia
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Pai tirano
Em minha casa, tenho a TVI codificada de forma que só com a anuência dos adultos se acede a esse canal de televisão. Ainda não decidimos codificar a SIC (já esteve mais longe) pois Floribela parece não ter pegado entre a miudagem. Connosco os Morangos e outros lixos são devidamente filtrados, para que os miúdos tenham tempo para estudar, ler e brincar de forma saudável. A única criança que ainda “estrebucha” um bocadinho é a Carolina, de cinco anos, em quem o programa exerce uma extraordinária atracção. Mas acontece que não cedemos ao seu capricho, pois a sua prioridade é o desenvolver da motricidade fina, brincadeira e outras coisas próprias da idade dela. Estimulamos antes o convívio com outros miúdos, livros, muitos livros, vídeos de contos e outros clássicos da Disney. De resto, sem mostra de qualquer trauma psicológico, ela até conhece os heróis, e canta feliz as cançonetas mais populares dessas novelas. Nada a fazer, aprende na escola com as coleguinhas.


publicado por João Távora
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Terça-feira, 26 de Setembro de 2006
Da Republica de Dubrovnik
Voces estao fartos de escrever, e calculo que bem. Vou ter muito que ler quando voltar, porque por enquanto a patria, felizmente, e uma realidade distante (nem sequer tenho os acentos adequados). Abracos a todos.
p.s.: um beijo a republicana f. o guia tem dado um jeitao. e voltara em excelentes condicoes


publicado por Duarte Calvão
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Triste remake
Confirma-se aqui. Com o encerramento da Johnson Controls, vão mais 875 postos de trabalho directos ao ar, juntando as fábricas de Nelas e de Portalegre. Depois da GM, a saga da deslocalização do investimento estrangeiro continua. É o mesmo filme, com os trabalhadores a prometerem formas de luta, quando o que se passa é inelutável, na parte que lhes diz respeito. Portugal perde competitividade, atrás da Estónia, República Checa e Eslovénia, quanto mais da Espanha. Enquanto isso, o Governo sonha. Mas ao contrário da canção, Portugal não avança. E só pula em direcção ao abismo. Sem pedra filosofal à vista.


publicado por Corta-fitas
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Uma dor de alma
A respeito da posta do João Villalobos aqui em baixo, acontece que eu, integrado na organização, acompanhei de perto algumas cimeiras de Chefes de Estado. Sempre deu para constatar o grau de anonimato dos nossos representantes, já para não falar do nosso insignificante peso político nos variados contextos. Nestas “feiras de vaidades” não fossem os protocolos e banquetes organizados, ou então a patriótica lealdade dos jornalistas, corpo diplomático e restante staff acreditados, muitas vezes os nossos mais altos dignitários ficariam a falar para o boneco.
Não mais me esqueço do que vi quando em Dezembro de 1997 eu integrava a comitiva de António Guterres na Cimeira Ibero-Americana na Ilha Margarita (Venezuela): à passagem da comitiva de Juan Carlos, o povo em vinha à rua em festa, tapetes nas janelas e “vivas ao Rei”. Aliás, para os venezuelanos, tão popular quanto o monarca dos seus ex-colonizadores só o amigo Fidel. Dá que pensar.


publicado por João Távora
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Teste 1, 2, 3
Estou a aprender a pôr vídeos aqui. Como o Nuno e outros fazem. Comecemos por este, para dar sorte para amanhã em Moscovo.


publicado por Francisco Almeida Leite
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