Segunda-feira, 31 de Julho de 2006
Grande medricas
Alberto João Jardim desiludiu-me: esperava sinceramente que o Grande Líder madeirense aproveitasse mais uma festa do Chão da Lagoa - que nenhum presidente nacional do PSD visita desde 2000, não vá aquilo ser contagioso - para soltar enfim o grito do Ipiranga, quebrando as últimas amarras do Funchal ao jugo colonial de Lisboa. Nada disso aconteceu: Jardim limitou-se às arengas do costume, que já não aquecem nem arrefecem, perdendo assim uma excelente oportunidade para se declarar imperador da Madeira e seus domínios (Porto Santo, Desertas e Selvagens) e desperdiçando também a perspectiva de uma presença autónoma do arquipélago no próximo Mundial de Futebol. Só para nos vermos livres dele, até lhe cedíamos o Cristiano Ronaldo sem regatear...
Afinal ainda não foi desta. Grande medricas que aquele gajo me saiu.


publicado por Pedro Correia
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Não se coibiram de trocar carícias
O prato forte desta edição da Lux é a putativa aproximação entre dois jornalistas da SIC que a revista identifica depois de tê-los fotografado sem autorização numa discoteca. O texto que acompanha as fotos é digno de antologia: "A Lux pôde testemunhar o grande à-vontade e a enorme cumplicidade entre os dois. Embalados pelos ritmos quentes, A e B [a revista publica os nomes] não se coibiram de trocar beijos e carícias, dançando de forma sensual, com as mãos entrelaçadas." Depois, "já na zona dos poufs, onde se sentaram confortavelmente, [A e B] mantiveram-se afastados mas continuaram a conversar, trocando sorrisos amistosos". Lá ficaram até às 5 da manhã "e nem o cansaço de um dia de trabalho conseguiu ser mais forte do que a atracção que os aproximou naquela noite".
Claro que o facto de a Lux ser propriedade da Media Capital, o mesmo grupo empresarial que detém a TVI, canal rival da SIC, é pura coincidência. Claro que é. Só podia mesmo. Porque não haveria de ser?


publicado por Pedro Correia
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Coisas irritantes

A moda da chinela pegou, mas eu ainda não cheguei lá! Isso incomoda-me. Enfiar no dedo do pé um chinelinho é super fashion, mas eu sinto-me uma demodée total. Irrita-me ouvir shlac, shlac, shlac na rua, mas as pessoas vão felizes de chinela! E, pior, irrita-me mais ainda ver os homens com a marca do bronzeado no pé em forma de chanata, mas eles sentem-se como deuses...


publicado por Corta-fitas
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Introduzido por via periareolar
Adepta do rigor, a Lux dá voz ao médico "que fez a cirurgia do aumento mamário" a uma tal de Sara Aleixo, presumível actriz. Segue a transcrição na íntegra deste esclarecimento clínico, com a devida vénia do Corta-Fitas: "Contrariamente ao que Sara Aleixo disse à Lux, a cirurgia de aumento mamário a que se submeteu - na Clínica Faccia, em Campolide - foi executada com sedação e anestesia local e não com anestesia geral, e teve a duração aproximada de uma hora. Na mesma entrevista, a actriz referiu ainda: 'Colocaram-me a bolsa de silicone através de um corte no mamilo.' Mas o médico, António de Oliveira Nunes, corrige: 'Não se trata de uma bolsa, mas de um implante de silicone - unidade de gel coesivo - e, neste caso, introduzido por via periareolar'."
De novo a palavra à inefável Júlia Pinheiro, autoproclamada adepta da "filosofia de chinelo": "De que vale um corpo sem alma?"


publicado por Pedro Correia
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Mulheres num pântano de agitação
O mundo é cor-de-rosa visto nas páginas da Lux. "Dois meses depois de ter sido mãe pela primeira vez, Catarina Furtado continua a amamentar a filha", Maria Beatriz. A mãe da apresentadora televisiva, avó babada, segreda à revista: "[A bebé] já reconhece as vozes e sorri muito no banho." Mais enternecedor só o "momento de grande felicidade" que Piet-Hein Bakker está a viver ao lado da última (e grávida) namorada, Patrícia Silva. Isto depois de se divorciar de Alexandra Lencastre e de sucessivos affaires com Teresa Caeiro e Inês Barros, "colega de Patrícia", que é "a segunda namorada de Piet-Hein dentro da Endemol", de acordo com a contabilidade da Lux. Tudo bem diferente do tempo - já recuado - em que Maria João Lopo de Carvalho sofreu o primeiro desgosto de amor, com apenas 15 anos. O relato vem na primeira pessoa: "Ele acabou tudo comigo quando eu lhe contei que tinha dançado um slow com outro rapaz. Sofri imenso e até pus a hipótese de suicídio..." Como diz Júlia Pinheiro no consultório sentimental da última página, "muitas mulheres vivem mergulhadas num pântano de agitação".


publicado por Pedro Correia
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Manela e os macacos narigudos
Esta semana voltei a comprar a Lux: nada melhor para sacudir o tédio. Ainda bem que o fiz: a revista do grupo Media Capital é um poço de revelações. Fiquei a saber que a escritora light Maria João Lopo de Carvalho, "assessora da Direcção Municipal da Cultura da Câmara de Lisboa", está neste momento "muito tranquila a nível emocional". A actriz americana Kate Bosworth "é apaixonada por cavalos mas para lhe fazer companhia tem dois gatos, Louis e Dusty, e uma cadela chamada Lila". E Manuela Moura Guedes embarcou de férias para a Malásia com a intenção de ver "os famosos macacos narigudos, cuja imagem até tem no seu telemóvel", como assinala a Lux. "Espero não me apaixonar por nenhum, senão fico lá", confidenciou a jornalista, minutos antes de entrar no avião. Desconhece-se a reacção do marido, José Eduardo Moniz, que embarcou no mesmo voo.


publicado por Pedro Correia
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A primeira vez no duche
Já me tinha acontecido de quase tudo. No cinema, por exemplo. Ou num velório. Ou até no funeral do pai de um deputado socialista. "Estou agora mesmo a enterrar o meu pai. Ligue-me um pouco mais tarde, se não lhe fizer diferença", pediu-me ele, num sussurro. Deixando-me com um incómodo peso na consciência, como se eu tivesse podido adivinhar.
Mas só ontem telefonei a alguém que se encontrava no duche: ouvia-se a água a escorrer com toda a nitidez. Do outro lado da linha, a voz esclareceu-me: "Estou a tomar banho. Podes ligar daqui a dez minutos?" Juro que foi a primeira vez: nunca me tinha acontecido.
Está provado. A nossa vida tornou-se mesmo indissociável do telemóvel.


publicado por Pedro Correia
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Lido
Magnífica análise do Carlos Leone, no Esplanar. Mesmo concordando com parte, deixe-me pensar que aquele fio de jogo e aquelas vitórias são para ficar. E não são apenas para Guadiana ver... Carlos, saúdo-o como sportinguista que é e espero que desta vez não tenha razão. Já agora, reparou que o Deivid fez o gosto ao pé e que o Paredes está lento que se farta, mas tem presença em campo e sentido de posição (vi-o mandar o Tonel pairar noutras águas e tudo). Vamos ter calma e confiança, muita.

P. S. - Já estamos na recta final para nascer o Carlos Leone jr, não? Isso é que é mesmo importante.


publicado por Francisco Almeida Leite
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Excelente questão
"Escapa-se-me a razão por que se não tem discutido a Convenção de Genebra na lusoblogosfera", interroga-se a Ana Cláudia Vicente no cada vez melhor O Amigo do Povo. Uma excelente questão, sem dúvida.


publicado por Pedro Correia
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O ópio revisitado
Às vezes, é bom não ter auto-estima. Quando um dos nossos jogadores se comporta de modo vergonhoso, como o João Pinto no Mundial da Coreia, é merecidamente zurzido por cá e, fora meia dúzia de fanáticos, ninguém anda a justificar a boçalidade da atitude. Entretanto, na civilizada Inglaterra, a patada do Rooney no Ricardo Carvalho é vista com benevolência e atribuem a culpa da expulsão às palavras do Ronaldo, confirmando-o cientificamente com a posterior piscadela de olho... É incrível até que ponto o nacionalismo cego pode ser ridículo.Também na civilizada França, o coitadinho do Zidane não teve culpa nenhuma, o italiano é que foi mau e disse-lhe palavras feias. Se lessem os lábios a todos os jogadores de futebol e eles fossem punidos por isso, não sobrava um em campo. Qualquer pessoa que, como eu, na minha longínqua infância e juventude, jogou à bola, sabe que até entre irmãos se trocavam uns bons insultos, prontamente esquecidos mal aquilo acabava. Ridículo supremo foi ver uma série de comentadores portugueses, que se julgam muito politicamente incorrectos, andar a justificar a estupidez da cabeçada do Zidane (que, está fora de causa, foi um extraordinário jogador), como se isso tivesse sido mais um sinal da sua genialidade. Afinal, a nossa lamentada falta de auto-estima pode por vezes ser boa.


publicado por Duarte Calvão
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Domingo, 30 de Julho de 2006
Momentos Kodak (5)

Fsssssssstttttttttttttttttttttttt!!!!
(Oeiras, 25 de Janeiro de 2006)
Foto: Rodrigo Cabrita


publicado por Rodrigo Cabrita
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Impressões musicais (2)

The Lamb Lies Down On Broadway – Duplo “concept” album dos Genesis de 1974. Peter Gabriel, Steve Hackett, Tony Banks, Mike Rutherford e Phil Collins.

Este é sem dúvida um dos mais marcantes discos da minha vida. Não assisti ao célebre concerto no pavilhão dramático de Cascais. Em Maio de 1975 eu era uma criança. Quando pela primeira vez contactei com esta obra-prima, foi no Verão de 1976 em casa de amigos. Dava os meus primeiros passos de adolescente, o meu pai fora "saneado" da Torre do Tombo, e o PREC entrara-nos violentamente pela casa e vida adentro. O nosso gira-discos já não tinha agulha, a televisão avariara há mais de um ano e muitas outras "coisas" estiveram em perigo de “avariar” definitivamente.

Estranhos e loucos dias esses, em que o mundo dos meus pais desabava para sempre, e em que a minha ligação à música se cingia à transmitida pela telefonia. A toda a hora esta papagueava Fernando dos Abba, a Bohemian Rhapsody dos Queen, Fly, Robin, Fly, dos Silver Convention entre tantos outros super hits. Como alternativa, havia demasiada música de intervenção, e podia-se ouvir boa música, discos do princípio ao fim no programa “Dois Pontos” já não sei de qual emissora. Numa frequência FM ouvíamos as comunicações do COPCON, sempre actuante no “olho” da revolução, mas essa seria outra história.
Os tempos continuavam estranhos e uma estranha rebeldia apoderara-se da minha existência. Neste fabuloso álbum duplo dos Génesis, Peter Gabriel vestia a pele de Rael, um jovem e ingénuo "punk" Porto-Riquenho que inadvertidamente “aterra” na Broadway. Então começa uma louca aventura em busca de John (seu alter ego?). Cada música é um episódio mais ou menos surrealista, cada faixa mais fantástica e com ritmos mais endiabrados, com crescentes e sofisticadas melodias que narram uma série de experiências existenciais de Rael: do erotismo (Counting out time), à violência gratuita (Back in New York City), paisagens psicadélicas (Broadway Melody of 1974 ou The Carpet Crawlers), ou proféticas (The Chamber of 32 Doors) aos monstros míticos (The Lamia). Rael, de aventura em aventura caminha para o abismo final, uns agitados “rápidos” (In the Rapids) de onde resgata o (afinal) seu irmão John, que, surpresa das surpresas, não é mais do que o próprio, no outro lado do espelho. Termina a história com o tema It: "(…) It is Rael. it is Rael, Cos its only knock and knowall, but I like it". Um delírio.

Nessa época embrenhei-me e refugiei-me naquela música, com aquela delirante história, e com a voz única e inconfundível de Peter Gabriel. É que, num belo dia do início de Verão em 1976, na feira da ladra descobri uma bobine de fita magnética que servia num grande e velhíssimo gravador existente lá de casa. Nessa bobine (a única que eu tinha) com uns cabos emprestados, em casa de uns amigos consegui fazer uma “gravação directa” do álbum in-tei-ri-nho!
Durante esse Verão e meses seguintes, ouvi e explorei incansavelmente todo o disco. A voz de Peter Gabriel tornou-se para mim uma espécie de "fetiche". Uma sonoridade onde identifico muito do que a vida tem de bom e de lugar seguro para se estar. Sempre perdoei todos os “desvios artísticos” e “devaneios ideológicos” deste cantor e compositor que continuo a admirar. Nunca perdoei os Génesis não terem terminado com a sua saída.

No passado mês de Maio assisti pelo segundo ano consecutivo à performance dos “Musical Box” que repõe em palco todo o lendário espectáculo que é o The Lamb Lies Down On Broadway ao vivo, com uma minúcia e arte admiráveis. Tratando-se esta de uma música tão complexa quanto “cerebral”, a sua interpretação por outros protagonistas é bastante plausível, bastando para tal que estes sejam musical e tecnicamente evoluídos. Nesse espectáculo na Aula Magna confirmei e esclareci muitas das minhas fantasias no que refere ao mítico espectáculo do Dramático de Cascais que nunca assisti. Afinal com a vantagem de não estar pedradíssimo e esmagado com as pernas para o ar no meio de 10 mil loucos eufóricos que não sabiam ao que iam. E o meu prazer e consolação foram enormes, numa poltrona da Aula Magna.
E sempre em coro com os restantes fanáticos, apaixonados como eu, revisitei sentimentos e sonhos destas músicas já antigas. Trauteámos sílaba após sílaba, acorde após acorde, todos os noventa minutos desta louca obra-prima dos Genesis de Peter Gabriel: The Lamb Lies Down on Broadway.

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publicado por João Távora
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Maria João Pires: "toccata e fuga"
“Maria João Pires lanzarotou-se.”
António Costa Amaral, A Arte da Fuga

“Maria João Pires foi-se embora de Portugal, porque não gosta de certos malefícios lusos e do impacto de Morangos com Açúcar. Na sua nova terra, na Bahia, uma coisa é certa: ali nunca houve nem há qualquer vestígio de telenovela.”
Luís Carmelo, Miniscente

“A Bahia deve ser muito mais divertida do que Belgais.”
Eduardo Pitta, Da Literatura

“O Brasil costuma receber muito bem cidadãs portuguesas ligadas à música. Caso aceite tocar Chopin com um ananás na cabeça é provável que Maria João Pires vá parar a Hollywood.”
Leonardo Ralha, Papagaio Morto

“Há quem ostente a emigração como um acto político. Por achar que o ego é maior que a Pátria.”
Jorge Ferreira, Tomar Partido

“Eu já parti e nunca pedi ajuda. Parti, não me queixei, não tinha queixas a fazer. Voltei, continuei sem queixas. As queixinhas dão sempre para desconfiar.”
Francisco José Viegas, A Origem das Espécies


publicado por Pedro Correia
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Very true
«People used to explore the dimensions of reality by taking LSD to make the world look weird. Now the world is weird and they take Prozac to make it look normal».

Bangstrom


publicado por Corta-fitas
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As árvores e os frutos
Lá revi A Sombra do Caçador ontem à noite. A cópia não me pareceu nas melhores condições, o que acontece com excessiva frequência na Cinemateca, e a exígua Sala Luís de Pina está longe de ser a mais recomendável para exibir uma obra-prima do cinema. Mas a deslumbrante película de Charles Laughton resiste bem a estas pequenas adversidades logísticas. Com Robert Mitchum na perfeita encarnação do Mal e Lillian Gish - que foi a primeira estrela do cinema - a servir-lhe de contraponto. Há um sopro bíblico neste singular filme negro onde as crianças desempenham um papel central, numa espécie de celebração do triunfo da inocência. Com alusões ao Sermão da Montanha, talvez o mais belo texto de toda a Bíblia.
"Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes. Conhecê-los-eis pelos seus frutos. A árvore boa não pode dar maus frutos, nem árvore má dar bons frutos." É uma inesquecível passagem do Evangelho de São Mateus que serve de legenda implícita a este filme de óbvia matriz cristã que se indigna contra quem pratica crimes em nome de Deus - e de uma perene actualidade neste tempo de implacáveis predadores travestidos de arautos da virtude. A Sombra do Caçador é um grande filme também por isto.


publicado por Pedro Correia
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Os «Ecos de Aljustrel»
Tenho assistido ao debate sobre o conflito no Médio Oriente. Percebo muito pouco do que realmente está em causa e ao ler as diversas tomadas de posição nasce em mim a convicção de que discutir a moralidade da guerra é um labirinto de onde dificilmente se sai. Vem-me à memória um artigo do Vasco Pulido Valente (VPV) escrito em 1999 quando se debatia no parlamento português a intervenção da NATO na Jugoslávia. Nunca mais me esqueci. Levantavam-se então os mesmos dilemas morais(?) que exacerbam posições de um lado e de outro. Produziam-se manifestos anti-guerra, tal como hoje, e ecoavam as vozes dos grandes Soares, Freitas, Eanes e do inefável bispo Januário, entre outros. Na coluna que então escrevia no DN - "Faz de Conta" - o VPV ilustrou a cena com uma história deliciosa que o Eça contava sobre o director dos Ecos de Aljustrel. Quando Bismarck invadiu a França, o bom homem, a espumar de fúria, ameaçou com veemência: «Deixem estar que amanhã dou cabo dele nos Ecos.»


publicado por Corta-fitas
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Gostei de ler
1. Tomar Partido. De João Caetano Dias, no Blasfémias.
2. Samir Kassir. De Luís Januário, n'A Natureza do Mal.
3. Vidas Civis. De Bruno Cardoso Reis, n' O Amigo do Povo.
3. Torturada. De João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.
4. Uma Bola em Agosto. De Rui Bebiano, n'A Terceira Noite.


publicado por Pedro Correia
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Sábado, 29 de Julho de 2006
Tomar partido
Algumas das personalidades que se reclamam da "equidistância" no actual conflito israelo-árabe fazem-me lembrar aqueles que nos anos 70 e 80 gritavam nas ruas europeias: "Nem NATO nem Pacto de Varsóvia." Como se pudesse haver equivalência moral e política entre sistemas democráticos e totalitários. Não tomar partido, em diferendos como este, equivale a apoiar quem tem menos razão. Cometem-se crimes de ambos os lados? Certamente que sim: toda a inocência se perde em tempo de guerra. Mas, tal como Pacheco Pereira aqui nos advertia a propósito das recentes teses revisionistas sobre a Guerra Civil de Espanha (1936-39), toda a equidistância é imoral quando está em causa um conflito entre a legitimidade democrática, ainda que musculada por uma questão de sobrevivência, e a pura lógica do terror que faz tábua-rasa de básicos princípios civilizacionais. Basta recordar como o Comité de Não-Intervenção, durante a Guerra Civil de Espanha, beneficiou objectivamente os rebeldes de Franco contra as legítimas autoridades de Madrid. Quando recusamos optar entre um mal maior e um mal menor, acabamos - mesmo sem querer - por fazer a pior das escolhas.


publicado por Pedro Correia
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As palavras dos outros
“O amor é um desejo de atingir a plenitude. Sexo é o desejo de se satisfazer com a plenitude.”
Arnaldo Jabor, Amor É Prosa, Sexo É Poesia


publicado por Pedro Correia
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Saudades do "nosso" Maestro
Estou chocado. Morreu hoje aos 79 anos o Maestro Jorge Machado de quem eu era amigo e admirador. Tocava piano no hotel Tivoli Lisboa há quase quarenta anos, coisa que considerava “um trabalho prazenteiro”. Quase sempre notava-se bem o prazer com que o que fazia.
Às vezes, no Terraço, tocava para mim Grappelli, Lloyd Webber e Bach. Depois, conversávamos muito sobre música. Sobre “o apreciar” desta divina arte. Sobre a vida dos músicos, sobre o seu teatro musicado e os seus musicais. Eu sempre lhe ia dizendo, não sem uma ponta de inveja, que nós, "os melómanos", éramos uns privilegiados, pois gozávamos com infinito prazer do valoroso trabalho dos grandes músicos, quase sempre “da poltrona” e com tão poucos incómodos. Ele ria-se. E agradecia sempre (não sei bem o quê).
Eu é que lhe ficarei para sempre grato por me ter tocado tanto com a sua simpatia e música no meu coração.


publicado por João Távora
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Sexta-feira, 28 de Julho de 2006
Tatuagens para quê?
Ao ler alguns posts do João Villalobos - como o das cuecas dos homens ou o dos bigodes - fiquei com imensa vontade de revelar uma das minhas fobias de pele. Não suporto esta moda das tatuagens. Aliás, mesmo antes de estar na moda também já não as suportava. Há uns anos proliferavam as tatuagens nos músculos dos braços ou no peito que tinham dizeres como "Angola 68" ou "Amor de Mãe", hoje em dia é tão mau ou pior. Meninos e meninas usam e abusam dos símbolos e da numerologia chinesa, dos dragões, cobras, cruzes góticas, etc. Não se aguenta e dá um ar sujo.
Há casos em que as meninas mandam tatuar a dita coisa em sítios estratégicos, para revelar com uma roupinha pirosa mais atrevida. Eles optam pelo pescoço, pelas mãos ou pelas pernas (em especial se jogarem futebol). Os nomes das namoradas, mulheres ou dos filhos (normalmente com nomes que há uns anos nem eram autorizados) ganham também relevo nas peles, muitas vezes com batente, sombreado, brilho e por aí fora. Ninguém se enxerga?

P. S. - Veja-se aqui o exemplo da Elizabeth Hurley, onde é que já vai o menino Hugh Grant?.. E que bonita que ela fica sem aquilo ali.


publicado por Francisco Almeida Leite
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Bons e maus presos políticos
Achei tocante a preocupação, revelada pela bancada do PCP no debate parlamentar de ontem, quanto à eventual existência de "milhares de presos políticos" em Israel. Mas não acredito que esta preocupação seja genuína. Se o fosse, os comunistas portugueses estariam também preocupados com os presos políticos em Cuba, por exemplo: acontece que nunca lhes ouvimos uma palavrinha sobre este assunto. Já para não falar na Coreia do Norte, que Bernardino Soares, líder parlamentar do PCP, admitiu ser uma democracia. Quem confunde o ditador Kim Jong-Il com um democrata perde toda a autoridade moral para criticar o que quer que seja...


publicado por Pedro Correia
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Para a Ana Sá Lopes, com estima
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Nice Song !! | Tablature for Dire Sraits's : |
| ON EVERY STREET |
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(E)[---------------] Play the three used strings
(B)[---------------] Simultaneously.
(G)[----2----------]
(D)[------3--------]
(A)[---------------]
(E)[1--------------]

(E)[---------------] Play the three used strings
(B)[--------5------] Simultaneously.
(G)[-------4-------]
(D)[---------------]
(A)[---------------]
(E)[-----3---------]

(E)[---------------] Play the three used strings
(B)[---------------] Simultaneously.
(G)[----2----------]
(D)[------3--------]
(A)[---------------]
(E)[----2----------]

(E)[---------------] Play the used string + (G) & (E)
(B)[---------------] Simultaneously.
(G)[---------------]
(D)[----2----------]
(A)[---------------]
(E)[---------------]

(E)[---------------] Play the three used strings
(B)[---------------] Simultaneously.
(G)[----2----------]
(D)[------3--------]
(A)[---------------]
(E)[1--------------]

(E)[---------------] Play the used strings + (E)
(B)[---------------] Simultaneously.
(G)[-------4-------]
(D)[--------5------]
(A)[---------------]
(E)[---------------]

(E)[---------------] Play the three used strings
(B)[---------------] Simultaneously.
(G)[--------5------]
(D)[--------5------]
(A)[---------------]
(E)[-----3---------]

(E)[---------------] Play the three used strings
(B)[--------5------] Simultaneously.
(G)[-------4-------]
(D)[---------------]
(A)[---------------]
(E)[-----3---------]

& Repeat


publicado por Corta-fitas
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Três secos
A vitória de ontem do Sporting sobre outro clube da segunda circular merece alguma atenção. Primeiro, 3-0 já é uma goleada. Depois, impressiona porque a equipa treinada por Paulo Bento tem pouco mais de uma semana de trabalho nas pernas e já joga a sério.
Sobre a nova estrela, Yannick Djaló, que foi a figura do jogo, recomenda-se juízo. Espera-se que possa evoluir em Alvalade como João Moutinho ou Nani e que não seja uma explosão para vender no fim do ano ao desbarato, como aconteceu com Cristiano Ronaldo, Quaresma e um jogador que parece ter chegado a capitão do clube ontem goleado. Deixem Yannick jogar com a alegria e a sabedoria que já deu para ver que tem e aí ele passará de diamante em bruto a jogador a sério. Caso contrário, se o elevarmos ao Olimpo cedo demais, não passará de um Litos, um Mário Jorge, um Dani ou outros casos mais recentes de grandes jogadores que não crescem à altura de um Figo ou um Pedro Barbosa. Sobre este último recaem, aliás, grandes responsabilidades na condução da equipa de jovens talentos, a partir do seu novo cargo de director do departamento de futebol. Com falta de referências e com a braçadeira entregue a promessas como Custódio ou Moutinho (para além de Ricardo), é em Barbosa que os miúdos vão buscar o que precisam de saber. Deles, de Liedson e de contratações como Paredes, Farnerud ou "El Loco" se fará o grande Sporting 2006-2007!


publicado por Francisco Almeida Leite
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Já chegámos ao Dubai
A propósito desta notícia tenho a dizer que a expressão «a actual Marina não se revelou completamente bem sucedida» é dos maiores eufemismos que li na minha vida.
A Marina de Cascais foi um fiasco, de proporções equivalentes à altura do projecto que agora inventaram.
António Capucho, pelos vistos, acha que uma torre de vidro com 100 metros não vai afectar a paisagem. Como vivi anos e anos em Cascais, tenho tendência para já não rir com coisas destas. Deve ser da idade.


publicado por Corta-fitas
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Friday
Heidi Klum. Com uma música do Seal (qualquer uma) a ouvir-se baixinho, baixinho.


publicado por Francisco Almeida Leite
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Desplumados
Mais uma prova de como Portugal é manifestamente incapaz de reter os melhores talentos: Katrin Potoczek, a nossa «menina da bilha», partiu de vez para a sua Polónia natal.
Com 23 aninhos, a rapariga diz que vai estudar para dentista. Felizes os cariados da Polónia, porque deles será a destartarização sem dor.

Actualização: Pois, pois, já me esquecia, a Maria João Pires também decidiu emigrar para o Brasil. Incrível como não me lembrei dela antes da Katrin. Ele há coisas...


publicado por Corta-fitas
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Tenho isto em comum com o Tony Soprano
Gostamos ambos de Tony Bennett.


publicado por Pedro Correia
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Ter Visão
O Corta-Fitas é um blogue "sempre atento". Este qualificativo, que consideramos um saboroso elogio, veio ontem publicado na popular (e original) secção Blogomania, da revista Visão. Tudo a propósito desta posta em que se reproduzia uma brilhante primeira página do jornal The Independent. A Visão, que faz jus ao nome, reproduz a pergunta que aqui se formulou: "Será que uma capa destas venderia bem nas nossas bancas?"


publicado por Pedro Correia
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O meu pai bem me avisou...
...Mas agora surgiu a prova oficial. O Público incluiu a notícia na sua rubricazinha «O insólito», mas isto de insólito não tem nada meus amigos. Devia era ter sido primeira página, ó senhor director JMF.
Para acabar com uma praga de lagartas na Bélgica, a única solução encontrada foi, e passo a citar: «uma hormona sexual feminina que atrai os machos para as armadilhas. Uma vez aí, eles caem e morrem».
Não preciso de dizer mais nada, é evidente.


publicado por Corta-fitas
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Um governo, duas políticas externas
A estreia de Luís Amado como ministro dos Negócios Estrangeiros, no debate parlamentar de ontem, representou um virar de página na política externa do Governo socialista. Com Freitas do Amaral ao leme da nossa diplomacia, todo o discurso implícito e algum explícito visava reforçar o poder da União Europeia face aos Estados Unidos, em aproximação das teses da esquerda tradicional. Pelo contrário, Luís Amado vem agora destacar a componente atlantista da diplomacia portuguesa, demarcando-se claramente dos partidos situados à esquerda do PS. "Existe algum anti-americanismo primário nas análises que alguns fazem a este conflito [no Líbano], disse o ministro, dirigindo-se às bancadas do PCP e do Bloco de Esquerda. Mas estas palavras poderiam também ter como alvo o próprio Freitas do Amaral.
Para Luís Amado, qualquer iniciativa da União Europeia no Médio Oriente só deve ocorrer "em conjunto com outro actor, que são os Estados Unidos". Algo que Freitas nunca diria. Como também não afirmaria isto que o seu sucessor ontem enunciou: "Não se pode pedir aos Estados Unidos que fiquem fracos. Pede-se é aos europeus que fiquem fortes."
Enfim, há uma voz sensata na condução da politica externa portuguesa. Só custa a crer como José Sócrates apadrinhou dois protagonistas com visões tão divergentes no Palácio das Necessidades...


publicado por Pedro Correia
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Subscrevo
"Porque é que achamos normal que cada israelita, seja judeu ou árabe ou outra coisa qualquer, saiba que pode explodir no autocarro ou na pizzaria ou na bicha do cinema em qualquer dia da semana? Porque é que achamos normal que em Israel se viva no sentimento de cerco permanente?"
Fernanda Câncio, Glória Fácil

"É a primeira vez que, em estado de guerra, ouço fazerem-se críticas pela existência de uma 'resposta desproporcionada'. Como é então uma resposta proporcional na guerra?"
Martim Silva, Mau Tempo no Canil

"Nada de racional - ou sequer de afectivo - nos permite dizer, sem crítica ou autocrítica, que 'apoiar' a Palestina é de 'esquerda' e 'progressista' e que 'apoiar' Israel é de 'direita' e 'conservador'. Muito menos quando estas categorias derivam para os seus extremos - os Hamas e Hizbollahs fundamentalistas e/ou terroristas, ou certos governos mais belicistas de Israel."
Miguel Vale de Almeida, Os Tempos que Correm

"Nem tudo é relativo, por mais que possamos pensar o contrário."
Pedro Boucherie Mendes, Aos 35


publicado por Pedro Correia
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Gostei de ler
1. O Pasquim Digital. Do André Moura e Cunha, no Porque.
2. A. O. S. Do João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.
3. A Regra do Jogo. De Filipe Nunes Vicente, no Mar Salgado.
4. A Manifestação. De Tiago Barbosa Ribeiro, no Kontratempos.
5. Planeta Hezbollah. De Rui Bebiano, na Terceira Noite.
6. Conselho de Segurança. De Luís Januário, n'A Natureza do Mal.


publicado por Pedro Correia
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Momentos Kodak (4)
Dezenas de cabritas recém-nascidas amontoam-se por cima umas das outras por forma a não baixarem a temperatura do corpo.
(Tramagal, 21 de Fevereiro de 2006)
Foto: Rodrigo Cabrita


publicado por Rodrigo Cabrita
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Quinta-feira, 27 de Julho de 2006
Até já
O Pedro Boucherie Mendes prometeu e cumpriu. Hoje, dia em que festejou 35 anos, pôs fim ao blogue homónimo. Com um excelente texto de despedida, intitulado "35 coisas que aprendi em 35 anos". Daqui vai um abraço de parabéns para ele. Esperando que regresse rapidamente à blogosfera.


publicado por Pedro Correia
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Muito perto da perfeição
A crónica perfeita não existe. Mas algumas crónicas aproximam-se muito da perfeição. Como esta, assinada pela Ana Margarida de Carvalho - uma das pessoas que escreve melhor na imprensa portuguesa. Com textos como os dela a leitura torna-se sempre sinónimo de prazer.


publicado por Pedro Correia
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Um dos mais belos filmes de todos os tempos
É uma daquelas películas que nunca nos cansamos de ver. Único título de um cineasta singular que não voltou a sentar-se na cadeira de realizador - o actor britânico Charles Laughton, que em 1955 rodou esta obra-prima insólita e arrebatadora, longa toada nocturna, mais poesia que prosa, cruzamento do expressionismo alemão com cinema negro, de conto de fadas com romance gótico. É uma fita hipnótica, com um cortejo de actores em estado de graça - incluindo Robert Mitchum, Shelley Winters e Lillian Gish. Vai ser exibida sábado à noite, a partir das 22 horas, na Cinemateca. Nem me passa pela cabeça perder esta sessão: A Sombra do Caçador é um dos filmes da minha vida.


publicado por Pedro Correia
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Uma cidade roída pela solidão
Nos longos dias de Verão, quando muitos dos que aqui trabalham vão de férias, percebemos melhor como Lisboa está a transformar-se numa cidade povoada por velhos. Os jovens são cada vez mais empurrados para a periferia, tornando o centro da capital um domínio praticamente exclusivo de gente idosa, que quase nem sai à rua e se limita a espreitar o mundo pelo ecrã da televisão ou por um olhar furtivo à janela. Entre os recenseamentos de 1981 e 2001, Lisboa perdeu 20 por cento da sua população fixa. Há ruas onde não mora ninguém. No Rossio, conservam-se cinco residentes – o mais novo dos quais já septuagenário. E tudo isto, que devia ser tema de intenso debate público, parece não espantar ninguém. “On s’habitue, c’est tout”, cantava Jacques Brel numa das suas mais belas canções. É isso mesmo: vamo-nos habituando à invasão do insólito no nosso quotidiano e já não estranhamos rigorosamente nada.


publicado por Pedro Correia
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A palavra ao leitor
Sem correr ainda o risco de imitar o dr. Pacheco Pereira, que vai tendo o seu Abrupto cada vez mais produzido pelas pessoas que lêem o blogue, volto a publicar uma mensagem de um leitor, transcrevendo-a da caixa de comentários para este espaço. É um leitor muito especial: o proprietário do restaurante Luca, em reacção a esta posta que aqui deixei há dias. Sensibilizou-me o fair play que revela, pouco frequente numa sociedade como a nossa, que aceita tão mal todo o género de críticas. Tomo só a liberdade de limar o "sotaque" italiano da sua mensagem, aportuguesando-a um pouco mais:
"Estimado Pedro,
Agradeço a sua descrição de 'cozinha criativa com raiz tradicional', seguramente a mais acertada que tenho lido. Ficamos felizes por saber que gosta do nosso restaurante. Adoraríamos tê-lo de volta ao Luca. Posso assegurar-lhe que temos ainda muito trabalho à frente para sermos um restaurante de sucesso. Por isso, ainda não se despeça de nós, por favor. Ligue-nos ou envie-nos um e-mail (luca@luca.pt) para reservar.
Muito obrigado e boas férias (se for; senão, bom trabalho)."
Luca (& team)


publicado por Pedro Correia
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Ideia triste
Foi lançado esta semana e é um triste sinal destes tempos em que vivemos. Um insuflável ícone da solidão hodierna (ena, que frase portentosamente intelectualóide).
Chama-se «Buddy on Demand» e é um homenzinho que cabe no porta-luvas e depois se enche com um interruptor para acompanhar mulheres sozinhas ao volante, dizem os seus criadores.
82% das mulheres, afirmam eles, sentem-se mais seguras com alguém sentado a seu lado. Curiosamente, a porta-voz da empresa é uma mulher de nome Jacky Brown. Ao ler a notícia, vieram-me à cabeça diversas mulheres que, depois de insufladas, inspirariam muito mais confiança do que este homenzinho, mas decidi não nomeá-las. Também eu temo pela vida, e não só dentro do carro.


publicado por Corta-fitas
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Corta-fitas
Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

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