Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008
Somos uns tristes
Parece que somos nós, os homens portugueses, os campeões das quecas. Damos mais por dia do que um touro cobridor escalabitano. É verdade, rapaziada: Somos machos latinos da classe alfa elevada a 23. Os portugueses, pá!  
E lido isto, já estou a ver-vos a saltar da cadeira, virar a secretária, gritar «Hip, hip hurra»! e apalpar festivamente a directora de recursos humanos. Ou, de forma mais contida, a dar murraças no peito à Tarzan. Não é caso para tanto. Podemos ser os reis da selva púbica mas (há sempre um «mas», mesmo nestas coisas) essa posição de missionários do prazer não nos impede de liderar também a divisão dos mais infelizes. A dos enfiadinhos. A dos macambúzios.
«E daí? Post coitum, animal triste», dirão os mais versados na língua de Cícero (cujo nome, by the way, significa grão de bico e era na realidade uma alcunha ganha à conta do seu impressionante nariz. Mas divago…Adiante). Pois sim, dizia eu. Mas o que diz o revelador estudo da Global Health Survey, promovido pela revista Men’s Health e hoje destacado no Destak, é que nós coisamos à farta, coisamos dentro e fora de casa, coisamos com a legítima, a coleguinha, a vizinha e a “para-mim-é-como-se-fosse-um-homem” dita cuja do nosso melhor amigo e, no entanto, isso deprime-nos.
Não é normal, pensei eu. Há que encontrar um culpado, matutei. Provará este perturbante e apurado trabalho de investigação a existência de uma consciência moral? Revelará ele o verdadeiro peso da moral católica punindo o Eros e transformando-o num mortificador Thanatos? Ou a culpa é do governo? Ainda não tenho a resposta. Se puderem, ajudem-me a perceber.   
Adenda: Em alternativa, pensei intitular este post «Sim, nós podemos!». Mas depois teria que completá-lo como na anedota brasileira: «Pois podemos, meu pilho».


publicado por João Villalobos
link do post | comentar | partilhar

Comentários:
De João Távora a 21 de Fevereiro de 2008 às 18:04
Desgastamo-nos muito, e depois andamos por aí descorados com olheiras, é o que é. De notar que eu sou católico e não estou a sentir peso nenhum!
Olha; para os espanhóis: aquilo é só fachada – são uns frustrados (e também são católicos). :-)


De Manuel Leão a 21 de Fevereiro de 2008 às 18:56
João Távora escreveu: «De notar que eu sou católico e não estou a sentir peso nenhum! »
Peso de consciência por ser católico? Ou por se desgastar e ser católico?

Deve estar a escapar-me alguma coisa, porque não percebi.


De Miguel a 21 de Fevereiro de 2008 às 18:20
Só em relação ao Cicero , recomendo-lhe que leia a colecção Sangue sob Rosa, de Steven Saylor . Primeiro livro Sangue Romano, é delicioso, e podemos ver o Cicero a dar os seus primeiros passos no direito.

cumprimentos.


De João Villalobos a 21 de Fevereiro de 2008 às 18:23
Já li todos os da série editados cá. Empolgantes e muito bem escritos. Mas obrigado pela dica :)
Abraço


De Teresa a 21 de Fevereiro de 2008 às 20:38
João, não conheço a anedota brasileira. Podia contá-la?!


De suburbana a 21 de Fevereiro de 2008 às 20:39
Não percebo porque cargas de água mudaram para um servidor Sapo... mas enfim... nublosas razões por certo.
Adiante! já que a razão deste comentário relaciona-se com as relações humanas e não com os sapos com mania que são príncipes. O meu caro Villalobos quer mesmo saber porque cargas de água - de novo porque estamos numa época de cheias - a rapaziada apesar de poder anda macambúzia?
É muito simples.
Tem tudo a ver com a qualidade. E o controlo de qualidade nesta questão do convívio não existe como bem sabeis.
Quantidade já se sabe não é sinónimo de qualidade e aqui para nós que ninguém nos ouve: o mulherio português é muito disponível e até bem intencionado mas muito pouco caliente. Falta-lhe salero. Daí a tristeza do macho, percebe?
E nem queira saber da tristeza feminina... nem queira saber.


De João Villalobos a 21 de Fevereiro de 2008 às 22:33
Teresa,

É uma clássica Anedota do Pasquim, que existe já desde os tempos da ditadura brasileira. Algo assim:

O repórter de TV entrevista a mãe de uma daquelas gostosonas burras que fizeram sucesso num reality show, posaram pelada e coisa e tal:
- Dona Juvencreusa, como a senhora explica o sucesso de sua filha???
- Ah!!! isso não é para quem quer... é para quem PODE!!!
- Mas como ela pode do nada acumular um patrimônio tão grande???
- Ué, quem PODE, PODE, quem não PODE se sacode!!!
- E a popularidade dela??? Como a senhora explica o fato dela ser tão popular???
- Já disse, ela PODE... ela PODE muito!!!
- Eu não duvido da capacidade de sua filha... mas daria para a senhora ser mais objetiva?
- Eu já disse... Ela é o que é hoje por que ela PODE!!!
O repórter percebeu que não tinha mais jeito e deu a entrevista por encerrada e agradece:
- Muito obrigado por tudo dona, o café estava uma delícia e foi um prazer conhecê-la!!!
- De nada meu PILHO!!!"


De João Villalobos a 21 de Fevereiro de 2008 às 22:34
Esta, como se pode ver pela menção aos reality shows, é uma versão mais modernaça :)


De Sei da Relva a 21 de Fevereiro de 2008 às 22:46
Os próprios resultados do Global Health Survey fornecem uma pista para perceber o aparente paradoxo entre digamos... o quasi-priapismo lusitano e o não menos luso semblante macambúzio:

Ver noticia:


Os homens portugueses são os que dizem fazer mais sexo, mas estão em penúltimo lugar no item «Satisfação Sexual». (Diário Digital, 20/2) (http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=13&id_news=319597)

E noticias como esta também não ajudam:


Cientistas criam espermatozóide a partir de célula feminina. (http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=60&id_news=316587)


De será? a 23 de Fevereiro de 2008 às 01:44
Penso que não percebeu todas as implicações a retirar das conclusões desse estudo : estão tão ocupados os portugueses a fornicar que não têm tempo para a participação civica ? Ou sofrem todos do sindroma Socras e mentem até em inquéritos anónimos só para parecerem uns grandes machos? Será que contam as masturbações como actos sexuais? Porque é que as brasileiras fizeram tão grandes estragos nos casamentos portugueses? Com quem é que eles fornicam? Com as portuguesas parece que não , pois os inquéritos feitos a elas não dão esses resultados.
Há aqui qualquer coisa que cheira mal , suponho que é a mania portuguesa do parecer.


Comentar post

Corta-fitas
Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com

visitante(s) em linha
Extensões

 Corta-fitas no Facebook

 Corta-fitas no Twitter

 Canal de vídeos

Colaboradores
Pesquisar neste blog
 
Pela Liberdade

Todos pela Liberdade | 11 Fev | 13h30 | Frente à A.R.

Add to Technorati Favorites
Posts recentes

Sócras na escola

Seja de esquerda. Ca...

Ideias boas para o n...

Justiça formal é ist...

E eles gostam? E pre...

Frases que impõem re...

Só lhe fica bem...

Nestes dias vale a p...

Medo, hesitação, con...

A Europa já não lhes...

Levantemo-nos do chã...

Os amigos são para a...

Piadas fáceis

Yes, Prime Minister

Faltam menos de 48 h...

Não batam mais no ce...

Pela Liberdade - ass...

Como eu o percebo...

A matilha

Frases que impõem re...

5.ª feira vamos estr...

Liberdade e Fantasma...

O primeiro-ministro ...

Levantemo-nos do chã...

A democracia não é u...

Arquivos

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Subscrever feeds