Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007
Muito barulho para nada
O ódio dos intelectuais à televisão é antigo e não se vai resolver nesta geração. Só assim se explica que
Pedro Santana Lopes reúna, de repente, à sua volta
um coro de loas por se ter recusado a continuar uma entrevista em directo.
Visto de fora, como fazem as agências de notícias estrangeiras, o episódio só vale por se tratar de um ex primeiro-ministro. Mas em que é que este incidente difere dos que acontecem diariamente com a imprensa escrita? Quantos entrevistados já se recusaram a continuar por não gostarem da pergunta, quantos jornalistas pararam os gravadores porque o entrevistado está a ser mal educado, ou não está a responder às perguntas? Quantas cartas de desmentidos, telefonemas de desagrado e ameaças de "nunca mais" se seguem à publicação de notícias e de entrevistas? Nunca em directo, claro, porque imprensa não pisa nessa corda bamba.
PSL enfrentou um jornal televisivo sem a atitude reverencial e sacralizada do costume. O resultado final é bom para a informação televisiva, porque permite que se discutam critérios editoriais (que, obviamente, são sempre discutíveis). Acontece a toda a hora, em todo o mundo, com todos os orgãos de comunicação social. Não justifica, a meu ver, a nomeação de PSL para o cargo "até que enfim há alguém que põe esses bandalhos no lugar".
Guardem as bazucas. É só televisão, feita por pessoas.
De Zé Luís a 28 de Setembro de 2007 às 16:17
cfa, também deve ter preferido a Brzezinski recusar-se a ler a notícia da Paris Hilton numa tv americana?
Pois, não encontra paralelo em jornalista alguma na tv, não é?
Ao menos que seja um entrevistado a fazer algo de "pôr esta gente na linha", que "essa gente" não é capaz de nada, a ver pela reacção histérica do Ricardo Costa...
De ni a 28 de Setembro de 2007 às 15:11
o anónimo das 11:53 tem razão. falei em comentário pois os posts de um blogue funcionam como os comentários dos jornais. foi extensão de conceito. mas atenção, aqui, até o Pedro Correia (s.e.) prefere referiri-se aos seus textos como artigos e não como posts. Para desfazer equívocos: era ao post de cfa que me referia e não ao comentário das 10: 28
De alexandre lagoa a 28 de Setembro de 2007 às 13:19
A blogosfera também tem destas coisas: há sempre um "intelectual" pronto a sair das sombras para expor que, afinal, naquelas ocasiões em que todos os outros "intelectuais" param de discutir uns com os outros e concordam em algum ponto, só podem estar todos a não ver bem a questão.
É dificil dizer algo de novo quando tanta gente diz tudo de velho, não é? Resta saber qual é, no meio disso tudo, o lugar que resta ao bom senso. Nessa resposta, talvez se encontre também a resposta para aquela velha pergunta:
"Mas afinal, o país não anda para a frente porquê?" É justamente por isso. A concordância parece-nos estranha. Especialmente quando surge de forma insuspeita. Tivesse Pedro Santana Lopes arrotado em directo, seria certamente - e unanimemente - motivo de chacota, da esquerda à direita. Se tomou uma boa atitude, porque não há-de ser louvado? Isto não é uma eleição directa para o recolocar de volta ao cargo de primeiro ministro, é apenas o louvar de um momento em que esteve bem.
E esteve muito bem.
De Sofia Loureiro dos Santos a 28 de Setembro de 2007 às 13:14
Não concordo. De facto não acontece a toda a hora, acontece quase nunca. Por isso é de louvar, mesmo que não se goste do protagonista.
De Anónimo a 28 de Setembro de 2007 às 11:53
Não convém confundir posts com comentários nem alhos com bugalhos.
De ni a 28 de Setembro de 2007 às 11:40
alhos com bogalhos, este comentário. Compara o incomparável. Só vontade de ser diferente?
De Anónimo a 28 de Setembro de 2007 às 10:28
cfa que me perdoe, mas a própria está a comparar o que se passa na imprensa escrita (fora dos olhares do público) com o que se passou em directo numa TV.
Claro que PSL, como já foi afirmado, foi a pessoa errada que teve a atitude certa (atendendo às suas tropelias televisivas, que passaram por participar na «Cadeira do Poder», ser comentador desportivo enquanto Presidente de Câmara - acho extraordinário que também Seara o seja, não só por sê-lo enquanto ocupa um cargo daqueles, mas por demonstrar o tempo de que um presidente de câmara afinal dispõe para estar a par de qualquer fait-divers do pontapé na bola -, ou chegar a convocar os jornalistas para a sua residência oficial em S. Bento sem ter nada para lhes dizer e mostrar-se apenas).
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