Quarta-feira, 29 de Novembro de 2006
Olhem para mim, a tentar escrever a sério
Dois excelentes post do Eduardo Pitta sobre o Processo de Bolonha e a reacção dos académicos. Tive ocasião de participar, há cerca de 3 anos, na organização de um debate interno para a adequação a Bolonha dos cursos da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova, no Monte da Caparica.
Na ocasião detectei, como menciona o Eduardo, algumas resistências às eventuais consequências de Bolonha essencialmente em dois níveis: Uma preocupação com a redução da formação específica nos cursos de Física e Química, por exemplo. E no efeito que teria na diminuição do peso, nos diversos cursos, das cadeiras das matemáticas e física. A
basezinha.
O que me pareceu positivo foi o cruzamento que permite aos alunos - entre o
Major e o
Minor -poderem conciliar cadeiras que se aproximam do que é desejado por quem estuda: Que não os obriguem a optar cedo demais por uma especialização limitadora dos seus interesses e opções futuras. O mercado de trabalho, aliás, também premeia cada vez mais um conhecimento de
crossover entre várias áreas sem abdicar, obviamente, das competências específicas que estão na origem da contratação.
Já o que achei, se não negativo pelo menos complicado, foi isto: Com a redução das licenciaturas e ficando o que até agora considerávamos como tal equivalente a um Mestrado, como conciliar os menos anos de curso com a aquisição do Saber? Quanto a mim, isto pedirá aos professores e ao conteúdo dos cursos maior exigência, maior adequação entre a componente teórica e a prática e muita, muita atenção à actualidade do conhecimento transmitido. Os professores terão de estudar, é o que me parece.
Curiosamente, a ideia com que fiquei foi a de que o Processo de Bolonha cria uma clivagem, isso sim, entre quem defende o papel da Universidade como «útero» para a investigação e quem quer, cada vez mais, aproximá-la das empresas e do mercado. Mas isto já é outro assunto, e não para mim de certeza.
De Anónimo a 29 de Novembro de 2006 às 16:53
Quem já fez um curso de mestrado "à antiga" sabe que não há comparação possível com os mestres fabricados a martelo pelo processo bolonhês. E a ideia de que as universidades têm necessariamente de desembocar nas empresas é uma ideia peregrina. As novas gerações é que irão pagar estas parvoíces...
De L. Rodrigues a 29 de Novembro de 2006 às 15:50
Eu pensei que era de propésito...
De Anónimo a 29 de Novembro de 2006 às 15:47
E também não era "toda arazão". Foi, sem dúvida, excesso de tolerância da nossa parte.
De João Villalobos a 29 de Novembro de 2006 às 15:32
Não era no reapro era no reparo. Olha, ninguém me deu uma reguada!?
De L. Rodrigues a 29 de Novembro de 2006 às 12:43
O Monte junto à Caparica?
Da minha experiência, podiam deixar de obrigar os alunos a decorar coisas para as quais existem bases de dados, e usar o tempo para ensinar coisas mais estruturantes e fundamentais.
Aprendi mais, e com mais gosto, numa cadeira dada num mês por um professor americano que tive do que numa semestral dada por um dos outros. (Isto era Biologia, nos anos 80, em Coimbra).
De errata a 29 de Novembro de 2006 às 12:38
"onde fica o Monte de Caparica"
De Anónimo a 29 de Novembro de 2006 às 12:25
Eu também não percebo como é que se concilia retardar tanto a escolha da especialização com cursos cada vez mais curtos, mas eu nem sei onde o Monte da Caparica, só o Montejunto.
De João Villalobos a 29 de Novembro de 2006 às 12:22
Ó segundo anonymous, tem toda arazão no reapro. Escrevi directamente no blogger e é o que dá. Já corrigi. Obrigado.
Primeiro anonymous (ou será o mesmo? :)
«As matemáticas» está no plural porque há cadeiras que não têm esse nome (estatística, cálculo algébrico, etc)que incluí na designação. Deveria, talvez, era ter escrito também «as físicas».
De isto é que é escrever a sério, anonymous a 29 de Novembro de 2006 às 12:12
"o cruzamento que permite aos alunos de poderem conciliar"
De Anónimo a 29 de Novembro de 2006 às 12:08
E porque é que matemáticas há muitas e física é só uma?
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