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O excesso de História nos Balcãs

por Pedro Correia, em 17.02.08

Churchill dizia que nos Balcãs há excesso de História. Lembrei-me disto ao ouvir há pouco as notícias sobre a "independência" unilateral do Kosovo, que faz desmoronar ainda mais o orgulho sérvio. As consequências para o continente europeu são imprevisíveis. Aos que abrem garrafas de champanhe, convém recordar que não muito longe dali, em Sarajevo, uma só bala, disparada no dia 28 de Junho de 1914, provocou uma guerra mundial. Um precedente suficientemente arrepiante para nos resguardar de todos os optimismos.

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10 comentários

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De Manuel Leão a 18.02.2008 às 19:00

O Sr. Castelo-Branco, como quem saboreia um doce, disse:

«A integração do Kosovo na Albânia não é novidade. Em 1941, quando da partilha da Jugoslávia entre alemães e italianos, o Kosovo passou a fazer parte da coroa albanesa, então na posse de Vítor Manuel III, rei de Itália».

Partilha…

Posse…

Coroa…

Para alguns foram tempos que certamente deixaram saudades.

Para esses, porém, foi um “ (…) engano d'alma ledo e cego”.

Passados escassos 4 anos foi apresentada a factura. E que factura!

A fortuna, de facto, não deixou durar muito.
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De Manuel Leão a 18.02.2008 às 11:53

Mais uma vez ficou provado. Esta é uma questão da Europa mas quem "mandou" foram os States.
Eles, bem lá longe, fazem a Europa bater a bola baixinho.

Europa, bloco político? Só para rir!
Até o Presidente Cavaco Silva criticou a independência unilateral.
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De Anónimo a 18.02.2008 às 08:32

Lá na geografia tivemos sorte, dois vizinhos, e num deles até dá para fazer surf.

JA
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De Francisco a 18.02.2008 às 01:52

Que o Tito manteve a unidade da então Jugoslávia por via de uma repressão implacável, é um facto. Mas, como ditador experimentado, também sabia usar "la carotte" quando presentia riscos e por isso engendrou um habilidoso estatuto de autonomia para o Kosovo o que acalmou as tensões. Foi Milosoviç, ditador "novato" ( e barato...) e pouco habituado a ser contrariado, quem pensou que resolvia o problema da insubmissão local extinguindo o estatuto de autonomia da região. O resultado está à vista.
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De Nuno Castelo-Branco a 18.02.2008 às 00:43

A integração do Kosovo na Albânia não é novidade. Em 1941, quando da partilha da Jugoslávia entre alemães e italianos, o Kosovo passou a fazer parte da coroa albanesa, então na posse de Vítor Manuel III, rei de Itália. A Croácia tornou-se num reino independente, com o duque de Spoleto como rei e Ante Pavelic como primeiro-ministro. A Eslovénia foi repartida entre a Alemanha e a Itália. A Bulgária recebeu a Macedónia, enquanto partes desta, habitadas por albaneses, passou para a posse da Itália. A Batchka, com uma forte maioría húngara, foi devolvida à Hungria. A Sérvia, ficou grosso modo, com as mesmas fronteiras de hoje (menos a voivodina-Batchka). Quanto à Bósnia, foi integrada no reino croata. O mapa de hoje é muito parecido com o de 1941. a unidade jugoslava foi conseguida sob um pulso de ferro, mas após o assassinato do rei Alexandre (1931) e a morte de Tito, afragmentação tornou-se numa questão de tempo. A França criou a Jugoslávia em 1919, a expensas da Áustria. A Alemanha liquidou-a de vez, quando se apressou a reconhecer a Eslovénia e a Croácia, sem consultar os outros membros da CEE. Os dados estão lançados. entretanto, o primeiro-ministro devia retirar todas as forças nacionais da zona. Há sítios onde são mais necesárias para a defesa de Portugal: Timor, por exemplo. Os outros... que tirem as castanhas do lume.
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De boemundo a 17.02.2008 às 18:16

A Jugoslávia de Tito era uma ditadura, tipo de regime comprovadamente mais estável do que a democracia, pelo que o mérito do dirigente comunista deve ser olhado com um bruto dum desconto.
A solução imposta pelo ocidente é, além de outras coisas, injusta. Para mim, é claro que se devia ter optado pela partição, uma vez que 10 por cento da população da província são sérvios, localizados principalmente no norte. Mas não, o Ocidente nem deu à Sérvia uma chance de salvar a face, mantendo uma parcela mínima do território.

Tudo isto me faz lembrar a atitude criminosa da Alemanha, e da União Europeia por arrasto, quando em 92 reconheceu a independência da Bósnia com aquela configuração territorial. Devido à distribuição geográfica das várias etnias, estava na cara que nunca, jamais, em tempo algum a Bósnia independente manteria a integridade das suas fronteiras, as da república federada da Jugoslávia.
17 anos depois (com a pior guerra europeia da segunda metade do século pelo meio) o resultado está à vista. Há duas Bósnias: uma croato-muçulmana e uma sérvia. E estas, ainda assim, só existem pela força das armas estrangeiras.

É revoltante a irresponsável hipocrisia da chamada comunidade internacional em relação ao Kosovo.
É claro que o Kosovo independente não é nada. A esmagadora maioria dos habitantes deste estado hoje independente é albanesa. Albanesa... Does it ring a bell? O país vizinho chama-se Albânia.
Li em qualquer lado que o Kosovo inventou recentemente uma bandeira. Nos festejos de hoje, não vi nenhuma dessas. Só vi as dos costume: a águia negra bicéfala em fundo vermelho, bandeira nacional da Albânia. Como é óbvio, o único futuro decente do Kosovo é perder rapidamente a independância, integrando-se no resto da Albânia.
É revoltante a irresponsável hipocrisia da chamada comunidade internacional, repito, e é chocante a cúmplice cegueira da imprensa.
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De Stalker a 17.02.2008 às 17:45

Acasos da vida, levaram-me hoje a falar, via MSN, com umas amigas que tinham acabado de passear um pouco no parque público de Skopje (capital da Macedónia). Disseram-me que não estava muito bom ambiente, pois a excitação de alguns albaneses era evidente. Acresce que há uns tempos atrás me confidenciaram o que parece óbvio para elas: com o Kosovo "independente", a guerra é uma questão de tempo. Podem ser meses, semanas ou anos, mas é uma certeza.
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De Pedro Correia a 17.02.2008 às 16:47

Tito, com todos os seus defeitos, manteve toda aquela zona estável durante 35 anos. Proeza notável, atendendo a tudo quanto o antecedeu e a tudo quanto se seguiu.
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De Mike a 17.02.2008 às 16:28

Bem sei que a História não se compadece com este tipo de questões e o seu rumo é implacável, mas porque é que nestas alturas, e o seu post foi responsável por isso, penso no Tito?
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De Cristina Ribeiro a 17.02.2008 às 16:19

Ao contrário do que sucedeu com, por exemplo, o Montenegro, que tem uma História de independência já desde o Império Otomano, parece-me que este "caso" em concreto atinge o âmago do brio sérvio, atendendo à importância, nomeadamente religiosa, que este território tem.
E claro que não sabemos que consequências poderá trazer a toda aquela zona, que foi sempre tão inflamável, e por arrasto ao resto da Europa,

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