Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2007
Benazir Bhutto (1953-2007)

Era, devemos reconhecer agora, uma morte anunciada: ela tinha a cabeça a prémio. Mesmo assim, não virou a cara aos desafios nem abandonou o povo paquistanês, que nela confiava. Foi assassinada de modo infame e cobarde - é a mais recente vítima da internacional terrorista, cada vez mais ramificada. Por isto me custa engolir a frase de Mário Soares: "Os terroristas são seres humanos como nós."
Olhe que não, doutor Soares. Olhe que não.

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publicado por Pedro Correia às 21:26
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15 comentários:
De Cristina Ribeiro a 29 de Dezembro de 2007 às 00:20
Terá razão, Caramelo. O poder quase sempre corrompe as pessoas, e não sei até que ponto a terá afectado. Mas nada, como aliás também diz, justifica este terrorismo que de humano, nem em pesadelos...


De caramelo a 28 de Dezembro de 2007 às 16:52
"Lá está o "mas" no seu comentário"

ui, ui... o Pedro Correia já lhe detectou um... ;)

Acho piada a quem acha que os seres humanos não cometem crimes e atentados de toda a sorte e que tal coisa é obra do demónio ;) É de uma candura extrema... e ainda falam do Rousseau ;)

Cristina, a Benazir não tinha como "único crime a luta de uma vida pelo bem-estar do seu povo...". Mas não fique chocada comigo. Sinceramente, peço imensa desculpa por não embarcar no tom politicamente correcto de incensar a morta. Não era figura que se recomendasse. Mas (ai, ai...) não merecia morrer.


De rms a 28 de Dezembro de 2007 às 12:33
Caro Pedro, o que não contribui, certamente, para acabar com a propagação da espécie é a suposta superioridade moral, que não reconhece, precisamente, a relatividade da moral. Venha ela de quem vier.

Não sei se sou do "Eixo do Mas", mas sei que o "mas" ajuda a combater as generalizações.

E combater o terrorismo concentrando-se em combater os terroristas é começar a construir a casa pelo telhado. Os actuais terroristas não vão deixar de o ser. Por isso, os seus crimes têm de ser prevenidos, mas não há forma de evitá-los.

O terrorismo futuro, esse sim, passível de minimizar, faz-se também com o combate à pobreza, à exclusão, à injustiça; através da educação, do direito a existir na diferença, seja ela política, religiosa, sexual, todas elas.

E, para isso, é necessário que existam estados verdadeiramente democráticos, que não tenham nas suas leis quaisquer escritos religiosos - bíblicos, corânicos ou outros.

Acreditar que as condições sociais envolventes a cada ser humano não condicionam o seu ser, é aceitar o Homem como completo e pré-formado à nascença.

Reitero o que disse anteriormente: O terrorismo não nasce nas árvores e o que nos leva a ser o que somos é indissociável do que vivemos. A corrente comportamentalista da psicologia explica isso bastante bem.


De O Réprobo a 28 de Dezembro de 2007 às 12:17
Meu Caro Pedro, lá pelo meu antro, em resposta a comentário indignado da Cristina, já expliquei por que razão não me espanta a frase soaresca.
Abraço


De Anónimo a 28 de Dezembro de 2007 às 11:55
O cavalheiro Pedro Correia devia deixar de ver filmes a preto e branco e talvez aprendesse alguma coisa, pelo menos a ser menos limitado nas suas análises. Um coisa é certa artigo por ele escrito no DN não deve valer a pena ser lido...


De Pedro Correia a 28 de Dezembro de 2007 às 11:41
Caro RMS, você também é do "Eixo do Mas". Lá está o "mas" no seu comentário: "Mas a racionalidade não nos acompanha, etc..." Esse relativismo moral, que encontra sempre causas justificativas para o terrorismo (do género, "os homens nasceram bons, mas a sociedade é que os perverte), só contribui para propagar a espécie.


De Cristina Ribeiro a 28 de Dezembro de 2007 às 09:23
Não consigo enxergar ponta de humanidade num ser que faz isto a uma mulher que tem como único "crime" a luta de uma vida pelo bem-estar do seu povo...


De ergela a 28 de Dezembro de 2007 às 08:39
Caro Pedro é sem dúvida uma perda enorme para o Paquistão, país fulcral asim como a India naquela parte do globo,investigue-se um dia o papel dos serviços secretos pasquitases e do actual presidente e talvez se chegue a uma conclusão.


Um excelente ano de 2008 para si, bem assim como para todos os corta-fiteiros.

Um abraço forte de amizade.


De Diogo a 28 de Dezembro de 2007 às 05:24
Talvez, se vir isto, lhe custe menos engolir a frase de Mário Soares: "Os terroristas são seres humanos como nós." (http://www.youtube.com/watch?v=58h0LjdMry0)


De rms a 28 de Dezembro de 2007 às 02:34
Os terroristas não nascem terroristas. Os terroristas muçulmanos são o que o Mundo que conhecem fez deles.

E nós, os do Eixo do Bem, vamos lamentando, morte após morte, desde o Vieira de Melo à Benazir Bhutto, sem por vezes nos lembrarmos que há outras Benazir Bhutto que morrem todos os dias, de fome, de sede, de outros atentados - este matou outros 15, alguém se lembra deles?

É evidente que a nossa racionalidade obriga a condenar esta morte. Mas a racionalidade também não nos acompanha 24/7, muito menos se olharmos para o lado e virmos outros que morrem por outros tipos de terrorismo, mais ou menos encapotado.


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