Domingo, 29 de Janeiro de 2012
Domingo

 

(...) desejo partilhar convosco algumas reflexões sobre um aspecto do processo humano da comunicação que, apesar de ser muito importante, às vezes fica esquecido, sendo hoje particularmente necessário lembrá-lo. Trata-se da relação entre silêncio e palavra: dois momentos da comunicação que se devem equilibrar, alternar e integrar entre si para se obter um diálogo autêntico e uma união profunda entre as pessoas. Quando palavra e silêncio se excluem mutuamente, a comunicação deteriora-se, porque provoca um certo aturdimento ou, no caso contrário, cria um clima de indiferença; quando, porém se integram reciprocamente, a comunicação ganha valor e significado.

O silêncio é parte integrante da comunicação e, sem ele, não há palavras densas de conteúdo. No silêncio, escutamo-nos e conhecemo-nos melhor a nós mesmos, nasce e aprofunda-se o pensamento, compreendemos com maior clareza o que queremos dizer ou aquilo que ouvimos do outro, discernimos como exprimir-nos. Calando, permite-se à outra pessoa que fale e se exprima a si mesma, e permite-nos a nós não ficarmos presos, por falta da adequada confrontação, às nossas palavras e ideias. Deste modo abre-se um espaço de escuta recíproca e torna-se possível uma relação humana mais plena. É no silêncio, por exemplo, que se identificam os momentos mais autênticos da comunicação entre aqueles que se amam: o gesto, a expressão do rosto, o corpo enquanto sinais que manifestam a pessoa. No silêncio, falam a alegria, as preocupações, o sofrimento, que encontram, precisamente nele, uma forma particularmente intensa de expressão. Por isso, do silêncio, deriva uma comunicação ainda mais exigente, que faz apelo à sensibilidade e àquela capacidade de escuta que frequentemente revela a medida e a natureza dos laços. Quando as mensagens e a informação são abundantes, torna-se essencial o silêncio para discernir o que é importante daquilo que é inútil ou acessório. (...) Por isso é necessário criar um ambiente propício, quase uma espécie de «ecossistema» capaz de equilibrar silêncio, palavra, imagens e sons.

Grande parte da dinâmica actual da comunicação é feita por perguntas à procura de respostas. Os motores de pesquisa e as redes sociais são o ponto de partida da comunicação para muitas pessoas, que procuram conselhos, sugestões, informações, respostas. Nos nossos dias, a Rede vai-se tornando cada vez mais o lugar das perguntas e das respostas; mais, o homem de hoje vê-se, frequentemente, bombardeado por respostas a questões que nunca se pôs e a necessidades que não sente. O silêncio é precioso para favorecer o necessário discernimento entre os inúmeros estímulos e as muitas respostas que recebemos, justamente para identificar e focalizar as perguntas verdadeiramente importantes. Entretanto, neste mundo complexo e diversificado da comunicação, aflora a preocupação de muitos pelas questões últimas da existência humana: Quem sou eu? Que posso saber? Que devo fazer? Que posso esperar? É importante acolher as pessoas que se põem estas questões, criando a possibilidade de um diálogo profundo, feito não só de palavra e confrontação, mas também de convite à reflexão e ao silêncio, que às vezes pode ser mais eloquente do que uma resposta apressada, permitindo a quem se interroga descer até ao mais fundo de si mesmo e abrir-se para aquele caminho de resposta que Deus inscreveu no coração do homem.

No fundo, este fluxo incessante de perguntas manifesta a inquietação do ser humano, sempre à procura de verdades, pequenas ou grandes, que dêem sentido e esperança à existência. O homem não se pode contentar com uma simples e tolerante troca de cépticas opiniões e experiências de vida: todos somos perscrutadores da verdade e compartilhamos este profundo anseio, sobretudo neste nosso tempo em que, «quando as pessoas trocam informações, estão já a partilhar-se a si mesmas, a sua visão do mundo, as suas esperanças, os seus ideais» (...)

Devemos olhar com interesse para as várias formas de sítios, aplicações e redes sociais que possam ajudar o homem actual não só a viver momentos de reflexão e de busca verdadeira, mas também a encontrar espaços de silêncio, ocasiões de oração, meditação ou partilha da Palavra de Deus. Na sua essencialidade, breves mensagens – muitas vezes limitadas a um só versículo bíblico – podem exprimir pensamentos profundos, se cada um não descuidar o cultivo da sua própria interioridade. Não há que surpreender-se se, nas diversas tradições religiosas, a solidão e o silêncio constituem espaços privilegiados para ajudar as pessoas a encontrar-se a si mesmas e àquela Verdade que dá sentido a todas as coisas. O Deus da revelação bíblica fala também sem palavras: «Como mostra a cruz de Cristo, Deus fala também por meio do seu silêncio. O silêncio de Deus, a experiência da distância do Omnipotente e Pai é etapa decisiva no caminho terreno do Filho de Deus, Palavra Encarnada. (...) O silêncio de Deus prolonga as suas palavras anteriores. 

(...) Se Deus fala ao homem mesmo no silêncio, também o homem descobre no silêncio a possibilidade de falar com Deus e de Deus. «Temos necessidade daquele silêncio que se torna contemplação, que nos faz entrar no silêncio de Deus e assim chegar ao ponto onde nasce a Palavra, a Palavra redentora». Quando falamos da grandeza de Deus, a nossa linguagem revela-se sempre inadequada e, deste modo, abre-se o espaço da contemplação silenciosa. Desta contemplação nasce, em toda a sua força interior, a urgência da missão, a necessidade imperiosa de «anunciar o que vimos e ouvimos», a fim de que todos estejam em comunhão com Deus (cf. 1 Jo 1, 3). A contemplação silenciosa faz-nos mergulhar na fonte do Amor, que nos guia ao encontro do nosso próximo, para sentirmos o seu sofrimento e lhe oferecermos a luz de Cristo, a sua Mensagem de vida, o seu dom de amor total que salva.

Depois, na contemplação silenciosa, surge ainda mais forte aquela Palavra eterna pela qual o mundo foi feito, e identifica-se aquele desígnio de salvação que Deus realiza, por palavras e gestos, em toda a história da humanidade. 

(...) Palavra e silêncio. Educar-se em comunicação quer dizer aprender a escutar, a contemplar, para além de falar; e isto é particularmente importante paras os agentes da evangelização: silêncio e palavra são ambos elementos essenciais e integrantes da acção comunicativa da Igreja para um renovado anúncio de Jesus Cristo no mundo contemporâneo. (...) 

 

Papa Bento VI Vaticano, 24 de Janeiro – dia de São Francisco de Sales – de 2012.


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Sábado, 28 de Janeiro de 2012
Qual a escolha mais racional?

 

Uma achega ao Rui C. Pinto: A instituição Real, tal coma uma Nação, até pode ser uma questão de Fé, mas um "presidente da república neutral" é definitivamente uma "ficção"... à qual um dia destes o Miguel Morgado apelidou de "benigna". Pela minha parte tenho profundas dúvidas quanto ao adjectivo. 


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A ler

"A ascensão de uns é sempre a queda (relativa) de outros"



publicado por Rui Crull Tabosa
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Duelo em Forte Apache

De passagem por Forte Apache apercebi-me de algum burburinho entre-muros. De olho numa frincha, logo topei mais um pronuciamento republicano. Ricardo Vicente acusava os monárquicos da falta de racionalidade dos seus argumentos, do rídiculo do seu ideário assente numa pretensa superioridade imposta pelo nascimento, da sua propensão para a desigualdade de tratamento... E proclamava às tropas gaffes protocolares tremendas, em que abundavam Senhoras Donas Marquesas e Meninas Viscondessas. A fazer lembrar as anedotas (que Ricardo Vicente decerto desconhece) sobre as fífias do mesmo calibre de Madame Fragoso Carmona, ou mesmo a bucólica Morgadinha de Júlio Diniz.

Do lado monárquico, João Gomes de Almeida segurou muito bem os seus pontos de vista e com duas descargas - uma visando o crime de que nasceu esta República, outra a lista dos mais ricos países, esmagadoramente de chefias de Estado dinástica - rapidamente pôs cobro a estoutra manobra de caserna.

Pelo que, a bem dizer, não houve novidade. Já nos vamos habituando. E, sempre fieis ao princípio da soberania popular, resta-nos esperar que a Povo - a esmagadora maioria do Povo, não a aritmética do 50%+1 - opte pelo Trono como símbolo e representação da Nação, em vez de um Presidente reeleito sistemáticamente - ou vitalíciamente, se a Constituição o permitisse.

João Gomes de Almeida - pela minha parte, além de felicitar a sua intervenção, venho daqui lembrar-lhe onde estão os que se batem também por convicções como as suas.



publicado por João Afonso Machado
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Não vai ser fácil, mas ninguém lhe pediu que fosse primeiro-ministro

 

O Dr. Passos Coelho "tem de cortar seriamente na despesa do Estado. Tem de fechar departamentos, direcções-gerais e regionais, gabinetes, comissões de estudo e de análise. Tem de pôr um ponto final em muitas das funções do Estado. Vai ter de despedir funcionários públicos, porque em 2013 já não lhes poderá dizer que não paga os subsídios de férias e de Natal. Fazê-lo não seria justo para os muitos que trabalham no sector público e que são precisos. Vai ter de privatizar escolas, para que o Estado possa reabrir as que fechou no Interior. São medidas duras e o senhor terá de ser duro. Não vai ser fácil, mas ninguém lhe pediu que fosse primeiro-ministro. Foi o senhor que quis este trabalho. Ler mais»»»

 

Por André Abrantes Amaral, Jornal I 28 Jan 2012 


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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012
Visto de fora... "da caixa"

 

Por detrás duma aparentemente equilibrada apreciação à polémica da eliminação dos feriados, o editorial de hoje do jornal i da autoria da Ana Sá Lopes esconde algumas contradições que eu gostaria de aqui salientar.
A cronista defende um esvaziamento simbólico das duas efemérides, nomeadamente que a República, “é um dado adquirido e irreversível”, cujas comemorações “já não comovem ninguém”, e na mesma lógica, uma suposta minoria de monárquicos não justifica a continuidade do dia da Restauração da Independência. Estes dois argumentos confluem num surpreendente equívoco: então porquê o ribombante remate ao texto, com a afirmação de que, a confirmar-se a eliminação dos dois feriados civis, “a derrota da UGT foi mesmo em toda a linha”? Precisamente porque estamos no âmbito do simbólico é que esta conclusão me parece contraditória.
Mas no final de contas eu até entendo a avaliação da Ana: dispersados em diferentes partidos, prioridades e causas, tantas vezes concorrentes entre si, os monárquicos de facto raramente dão notícia, são gente pacata o que é uma clara desvantagem competitiva face aos poucos republicanos: não parecem ser capazes que matar ninguém, muito menos o chefe do Estado. Apesar disso parece-me um erro subestimar o seu número e o seu potencial. E depois está errado concluir que apenas existe “o que é notícia”, para mais se considerarmos os alvoroços pueris com que se preenchem as manchetes da espuma dos dias nos media de consumo. 

De resto a vida dá muitas voltas, e em 1907 a força e representatividade dos republicanos era pouco mais do que barulhenta, assim a modos como Bloco de Esquerda nos dias de hoje. Nessa altura nenhum analista ou cidadão informado se atreveria a prever o caminho vertiginoso que a História acabou tomando.
Finalmente uma palavra sobre a suposta “escandalosa submissão do governo à Igreja Católica”: até os comunistas do PREC aprenderam com a História (da 1ª República) que afrontá-la só serve para a fortalecer. A grande ameaça ao cristianismo está na decadência da Europa, e na sua negação de berço duma ética perene, valores ofuscados por uma alucinação colectiva de hedonismo estéril. Em sentido contrário, a expansão da Igreja de Cristo está, sempre esteve e estará, onde houver sofrimento humano e repressão, ou simplesmente existências inquietas, exigentes. 



publicado por João Távora
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Sexta-feira sem 5 de Outubro nem 1º de Dezembro


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publicado por Corta-fitas
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Humor britânico

Portugal, back in the frame

 

Felix and Arianna want to move Davos to Patmos [Greece], but what about the Azores?

 

Have a look at the yields on the Portuguese 3-years…

 



publicado por Maria Teixeira Alves
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A perspectiva do Santander

NUNO GAMADO

 





publicado por Maria Teixeira Alves
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Onde está Canas de Senhorim?

Não vai muito tempo. O das camionetas rumo à Assembleia da República, partidas de madrugada para um dia inteiro, Canas de Senhorim queria a sua independência administrativa de Nelas, queria ser concelho, levava na jornada garrafões e chouriço, berrava que se fartava...

E de repente o silêncio... Mais ou menos quando o Poder Central, irremediavelmente falido, começou a pregar o contrário, a concentração das autarquias.

De asneira em asneira, lá fomos prosseguindo esta vida ligeira...

Ontem, por acaso, Rui Rio, Presidente da C. M. do Porto, focou o assunto. Conhecedoramente. Quanto à fusão de freguesias urbanas (nos grandes centros metropolitanos, creio), nada a opor. Agora nos meios rurais...

Pois é. Ainda há pouco debati o tema com gente da minha terra. Congregação de freguesias? Nem pensar! Nós temos o nosso orago, o nosso nome e a nossa história, a nossa identidade. Possivelmente, as nossas rivalidades. E a agremiação desportiva de cada um, uma peleja prometida semana a semana... Junção autárquica? Jamé!

A realidade é mais ou menos esta. Pessoalmente, não acredito sejam dados passos significativos nesse propósito abstraído das gentes. E que nada resolve, aliás. O Poder executivo mais não fará senão abordar esse assunto enquanto o empurra para a frente com a barriga.

De outro modo o Noroeste (pelo menos) entraria em convulsão. Até porque o que está em causa é, somente, a simplificação administrativa tout court. E os computadores estão lá para isso...



publicado por João Afonso Machado
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Manobras de diversão?

 

Álvaro Santos Pereira veio ontem "anunciar" que Governo vai propor aos parceiros sociais a eliminação do 5 de Outubro e do 1.º de Dezembro. A procissão voltou ao adro, esta notícia podia ler-se há três meses e o 5 de Outibro jamais deveria ser comemorado. Mas é assim que se mantêm as hostes radicais de esquerda entretidas a rasgar as vestes em indignações de substituição. Suspeito que tudo isto não passa de uma triste manobra de diversão, enquanto se protelam as urgentes reformas ao sistema.

 

Imagem daqui


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Pensamentos do Dalai Lima

As pessoas sujeitam-se a operações plásticas para ganhar reconhecimento público.

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publicado por Jorge Lima
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Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012
Quadratura de hoje

António Costa, da Câmara de Lisboa, é exímio em traduzir a realidade económica do país em arma política de defesa de Sócrates (o tal que endividou o país acima dos 80% do PIB) e de ataque ao Governo de direita.... que tendencioso!

Depois, parece sair da sua intervenção que o mal do país mesmo, mesmo, é o fim do 5 de Outubro. Será que António Costa é descendente de Afonso Costa?

 

P.S. Não percebi bem o que quis dizer António Lobo Xavier com essa de ser conceptualmente mais próximo da ideia socialista para a Europa. Parece-me que está a pôr o pé em águas turvas.



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Read my lips

Carlos Santos Ferreira vai deixar de ser CEO do BCP

 

Acções do BCP sobem mais de 2% com a saída iminente do CEO



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Resiliência e... Paciência

Pensavam que eu vinha para aqui escrever sobre o Mourinho, o Cristiano Ronaldo e o Real de Madrid?! Desenganem-se, pois já tenho muito com que me ralar! Sim, demorei algum tempo a recompor-me da frustração sofrida com a abrupta espiral em queda do Sporting, pois tinha as expectativas altas face aos resultados que a equipa vinha alcançado até ao recontro com o Benfica. Mas temos que ser realistas, existe mesmo essa coisa chamada azar, com frutos mais funestos numa equipa em construção. Na verdade, a lesão do pivot defensivo Rinaudo teve efeitos imediatos no jogo da equipa, e desde então nenhuma adaptação resultou em pleno com prejuízo na fluidez das "transições" e na segurança defensiva. De então para cá é o que se sabe: juntaram-se na enfermaria aos lesionados Jeffrén e Izmailov, o ponta-de-lança Wolfswinkel e Schaars cuja paragem se prevê para três semanas. Perante este panorama, mesmo dando de barato  que Izmailov ganhará forma e se integrará rapidamente, resta-nos uma equipa altamente fragilizada e... muita apreensão. Sempre com a nossa proverbial esperança, a alma das nossas cores, alicerce dum Sporting grande apesar da vida difícil dos últimos, digamos... 40 Anos. Resta-nos a resiliência como agora se usa chamar. E os melhores adeptos do mundo… valha-nos isso.
Publicado originalmente aqui

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Pensamentos do Dalai Lima

Por aqueles dias, saiu um édito da parte de César Augusto para ser recenseada toda a terra. Este recenseamento foi o primeiro que se fez, sendo Quirino governador da Síria, e José Manuel Trigoso presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa.

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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012
É raro mas desta vez concordo com o PP

Paulo Portas: Limite ao endividamento deve ser inscrito na Constituição



publicado por Maria Teixeira Alves
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As declarações de Cavaco Silva vistas de fora

Não acho que o Presidente da República tenha sido particularmente feliz nas declarações que proferiu sobre a sua reforma. Não teve pose de Estado e a emenda foi mesmo pior que o soneto. Mas, como Português, chateia-me horrores que seja esta a imagem que é vista lá fora:

 



publicado por Francisco Mota Ferreira
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É assim...

De antologia, a entrevista televisiva ontem, de Zita Seabra. O tema envolvia a conduta da CGTP nas recentes negociações da chamada "Concertação Social". No fundo, ficámos a saber o que já todos sabiamos. Desta feita, confirmado por voz autorizada e insuspeita.

A abrir, a constatação de que dirigentes da central sindical afecta ao PCP teria aconselhado os seus homólogos da UGT a votarem favoravelmente o dito acordo. Estranho? Traição aos interesses do proletariado?

Simples manobra de bastidores, afinal. A CGTP está ciente de que a concertação era - e é - incontornável. Somente - não quer participar nela, meio único de poder manter a sua voz reivindicativa e agitadora nas ruas. Para a História ficará apenas a sua recusa em negociar. O seu clamoroso "não!".

Quer dizer: Carvalho da Silva e os seus apaniguados funcionaram a dois carrinhos. Por um lado, interessava-lhes o consenso, sob pena de um afundamento geral; por outro, a ausência da sua assinatura nesse papel consente-lhes continuar a descer a Avenida da Liberdade clamando pela defesa dos direitos dos trabalhadores. Eles já - como sempre - tinham avisado que...

A história não é de agora. Conforme Zita Seabra referiu, a ligação entre os dirigentes da CGTP e o Comité Central do PCP é estreitíssima. De tal modo que as reuniões deste usualmente contam com a participação daqueles. Sucede, apenas, que no momento da fotografia para a Imprensa... os sindicalistas se refugiam na casa-de-banho. Regressando depois, porventura para lancharem juntos.

Convenhamos que Estaline utilizava métodos mais radicais: em vez de enviar camaradas para o WC, espetava com eles na Sibéria... A moderação dos tiques comunistas é uma feliz realidade.



publicado por João Afonso Machado
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A mensagem e o mensageiro

 

Ainda a respeito das desgraçadas declarações de Cavaco Silva sobre as suas reformas, Ricardo Costa assumido céptico das novas plataformas de comunicação, ontem na SIC Notícias atribuía a profusão de vitupérios publicados nas redes ao lado perverso da utilização do Facebook. Compreende-se e respeita-se o seu conservadorismo, mas o director do semanário Expresso incorre no erro vulgar de confundir a mensagem com o mensageiro, o conteúdo com a ferramenta que afinal não é um fim em si mesma. O problema do presidente ou do seu gabinete, nunca foi, antes pelo contrário, o da utilização da popular rede social como veículo de proximidade com os cidadãos, mas o conteúdo da sua intervenção por sinal feita e em directo para as camaras e microfones dos media tradicionais. Julgo até que Belém, definitivamente beneficia do fenómeno Facebook que permite a ilusão de proximidade a mais de dois milhões dos seus utilizadores activos ao desabafarem, manifestarem as suas razões e emoções ao mais alto magistrado da nação na respectiva página pessoal, esvaziando assim "a rua", essa sim um palco tradicionalmente determinante na estabilidade dos regimes. De resto o problema foi a extraordinária aselhice com que Cavaco comprou uma ruidosa e evitável borrasca... virtual.

 

Publicado originalmente aqui



publicado por João Távora
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O silêncio é parte integrante da comunicação


(...) Quando palavra e silêncio se excluem mutuamente, a comunicação deteriora-se, porque provoca um certo aturdimento ou, no caso contrário, cria um clima de indiferença; quando, porém se integram reciprocamente, a comunicação ganha valor e significado. 

O silêncio é parte integrante da comunicação e, sem ele, não há palavras densas de conteúdo. (...) Ler mais»»»»

 

In Silêncio e palavra: caminho de evangelização, Papa Bento XVI a propósito do Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2012.


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«Eh pá, porque é que não experimentas o nosso contador bi-horário?» – Catroga para Cavaco

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Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012
Coisas verdadeiramente importantes

Coisas verdadeiramente importantes:

 

1 - "Reino Unido admite reforçar meios militares no Estreito de Ormuz"

 

2 - Irão reforça ameaça de fechar Estreito de Ormuz após novas sanções

 

3 - Romney: Irão cometerá "acto de guerra" se fechar Estreito de Ormuz

 

4 - Austrália embarga petróleo do Irão

 

5 - Navios de Guerra dos EUA, França e Grã-Bretanha cruzam estreito de Ormuz

 

Assim vai o mundo, quiçá se não está à beira de uma guerra mundial, e os maluquinhos dos portugueses discutem as despesas e as pensões de Cavaco Silva, o pastel de nata do Ministro da Economia, e por aí fora...

 

Já agora e porque as coisas verdadeiramente importantes não são apenas más, aqui vai uma notícia verdadeiramente importante de portugueses que não se preocupam com a reforma de Cavaco Silva:

«Cinco portugueses distinguidos nos EUA para serem "futuros líderes científicos"»

 

P.S. Não vou dizer o valor do Prémio que os cientistas ganharam, para não os ostracizarem.



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Blogues em revista

 

O João Gonçalves arribou de malas e bagagens na plataforma Sapo e o seu Portugal dos Pequeninos para lá das palavras apresenta um novo visual bem atractivo. Keep Calm and carry on, João (desde que não chateies os monárquicos!). 


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Nunca é tarde para um acto de justiça

 

O Presidente da República acaba de assinar o despacho em que atribui a condecoração de Grande Oficial da Ordem do Mérito a D. Maria Adelaide de Bragança em véspera do seu centésimo aniversário. A infanta de Portugal, neta do rei D. Miguel, afilhada da Rainha D. Amélia e de D. Manuel II, é um verdadeiro exemplo de profunda Nobreza aliada a uma invulgar bravura e irreverência.



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Cavaco parlamentando com o indígena

Não duvido que Cavaco Silva não flutue absolutamente à deriva ao longo do seu mandato presidencial. Se mais não for porque os seus conselheiros hão-de ser, pelo menos, razoáveis cartógrafos. E, quando provenientes do pulpito (sempre com aquele malfadado rubro-verde pano de fundo...), as suas intervenções discursivas até se percebem: está lá a preocupação de não ser excessivamente irmanado ao Governo de Direita, estão lá as suas convicções sociais-democratas, a percepção de que, à tardinha, esclarecerá com os mais indignados parceiros do PSD qualquer matinal dito mais alevantado. Vamos no sexto ano de Cavaco presidencial e ainda ninguém morreu afogado.

O pior - o pânico da tripulação - é quando o Chefe de Estado resolve descer a terra sozinho para parlamentar com o indígena!

Quando, enfim, se lhe descobrem as ruinas ainda não soterradas da Vivenda Mariani. E então o nosso secular bolo-rei foge-lhe pela boca fora, o gado açoreano sorri de felicidade e - deselegância das deselegâncias - começamos a falar de dinheiros pessoais. Na mais inocente entrega do ouro aos piratas em solo firme, de tocaia ao "comandante".

Que atire a primeira pedra a Cavaco o político que viva com mais dificuldades do que ele. Que aufira menos rendimentos ou menos pensões.

No mais... Cavaco tem já lugar cativo no anedotário dos Presidentes desta anedótica República. Isso é certo. Mas nenhum Rui Mateus escreverá acerca dele o que escreveu sobre Mário Soares.



publicado por João Afonso Machado
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Pensamentos do Dalai Lima

«Jesus amarem-te.» - Outro Jesus

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Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012
A Esquerda anda nervosa

"Petição que pede a demissão de Cavaco Silva tem já 6 mil subscritores"



publicado por Maria Teixeira Alves
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Publicidade enganosa

 

Pelo seu papel na história, respeito o PPM, partido do qual fui militante nos anos oitenta. Mas nessa época como hoje, trata-se de um equívoco atribuir-se-lhe a representação dos monárquicos. É isso que transparece na notícia do jornal Público sobre um comunicado a respeito das declarações de Cavaco Silva. Os monárquicos são simpatizantes e militam nos diferentes partidos políticos... ou em nenhum. 
De uma vez por todas: os "realistas" defendem diferentes e às vezes antagónicas soluções políticas, une-os tão só a defesa dum modelo de Chefia de Estado (o que não é pouco, convenha-se). Afirmar que um partido os representa, é pretende-los proporcionais a uma insignificante representação eleitoral. Um mau serviço de jornalismo, um barrete que só tapa as vistas a quem o puser na cabeça. 

 

P.S.: Esta nota não pretende criticar a postura da actual direcção do PPM ou conteúdo do comunicado que resulta na notícia em referência, que é na forma e conteúdo inatacável.

 


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Preocupante

A entrevista do candidato presidencial Vladimir Putin ao Nezavissimaia Gazeta deixa adivinhar tempos muito difícieis. Quem é que achava que a Guerra Fria tinha acabado? O Urso Russo está de volta e parece cheio de força. 


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publicado por Francisco Mota Ferreira
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Esta esquizofrenia já vem de trás, quando o PS fazia oposição ao PS na campanha de Alegre

Com a devida vénia ao 31 da Armada


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publicado por João Távora
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O que faz um século

Terá cem anos, mais coisa, menos coisa. É da idade de muita boa gente ainda conservando o necessário para, na maioria dos casos, viver os seus dias com dignidade e aquele encanto especial de quem já conheceu um século de mundo.

Pois aqui a voiturette também. E, se calhar, não a levamos tanto a sério. O motor ainda funcionará?

Obviamente, sim. O motor funciona à velocidade das ideias e das invenções e da criatividade e da tecnologia que, sempre mais aceleradamente, nos trouxeram de então ao conforto e à segurança do presente.

Apenas... e porque referi a segurança (por exemplo), se dirá que restam ainda algumas arestas por limar... Andar muito depressa tem os seus inconvenientes, desde logo quando as máquinas começam a mandar em nós, ao contrário do que seria suposto ser.



publicado por João Afonso Machado
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Danos colaterais

 

Findo o mandato de representação mais ou menos sectário da parte parte da Nação que o elegeu, cada presidente da república tem direito a um gabinete com secretária e assessor da sua confiança, a um carro com motorista e combustível para serviço pessoal e ajudas de custo para as deslocações oficiais fora da área de residência, €300.000,00 ano tudo somado. O povo, habituado ao desgoverno, esse paga e não bufa. 

Fonte DN


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Pensamentos do Dalai Lima

Chineses assinalam fim do Ano do Coelho



publicado por Jorge Lima
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Domingo, 22 de Janeiro de 2012
A ho(n)ra de Portugal

Tratar os mortos como se nunca tivessem sequer nascido é um princípio do ateísmo moderno que ameaça fazer-se moda em Portugal. O que somos ou não somos, e temos ou não temos, devemo-lo aos que antes de nós por aqui passaram, a muitos pela positiva, a alguns pela negativa. Uns e outros merecem ser chamados ao presente.

 

Se numa determinada família se esquecem os mais velhos, ela é um ajuntamento, mas não uma família. Se uma nação passa por cima da história em favor de um qualquer benefício imediato, estamos, mais uma vez, a falar de um aglomerado de seres humanos, mas não de uma nação.

 

São índices da nossa identidade colectiva enfraquecida: não termos bons políticos, não sabermos falar de uma pátria, não termos ideia do que podemos prometer aos nossos filhos.

 

Portugal merece ter bons líderes, que, sem se preocuparem com popularidades, apontem os caminhos e sigam adiante; que, persistentes na humilde teimosia do amor, sem ofensas nem imposições, façam o que tem de ser feito para bem de todos. Que nos lembrem quem somos, sem paternalismos nem esquecimentos.

 

Custa-me que haja tantos portugueses preocupados com um acordo ortográfico, e assim esquecidos de que a nossa identidade não são vogais nem consoantes, que se prestam, noutros fóruns, ao desplante de teorizar soluções que passam por ouvirmos os nossos netos e bisnetos falar castelhano. Somos Portugal. Devemos todos, sem excepção, sentir o dever de respeitar quem antes de nós por nós morreu. Senão que emigrem. 

 

 

(publicado no jornal i - 21 de janeiro de 2012)

 

foto daqui



publicado por José Luís Nunes Martins
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Domingo

 

(...) O amor na verdade — caritas in veritate — é um grande desafio para a Igreja num mundo em crescente e incisiva globalização. O risco do nosso tempo é que, à real interdependência dos homens e dos povos, não corresponda a interacção ética das consciências e das inteligências, da qual possa resultar um desenvolvimento verdadeiramente humano. Só através da caridade, iluminada pela luz da razão e da fé, é possível alcançar objectivos de desenvolvimento dotados de uma valência mais humana e humanizadora. A partilha dos bens e recursos, da qual deriva o autêntico desenvolvimento, não é assegurada pelo simples progresso técnico e por meras relações de conveniência, mas pelo potencial de amor que vence o mal com o bem (cf. Rm 12, 21) e abre à reciprocidade das consciências e das liberdades.

A Igreja não tem soluções técnicas para oferecer e não pretende « de modo algum imiscuir-se na política dos Estados »; mas tem uma missão ao serviço da verdade para cumprir, em todo o tempo e contingência, a favor de uma sociedade à medida do homem, da sua dignidade, da sua vocação. Sem verdade, cai-se numa visão empirista e céptica da vida, incapaz de se elevar acima da acção porque não está interessada em identificar os valores — às vezes nem sequer os significados — pelos quais julgá-la e orientá-la. (...)

 

Papa bento XVI - Encíclica Caritas in Veritate, excerto da introdução. 


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publicado por João Távora
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Reportagem da entrega dos Prémios Combate de Blogs 2011

 

 

Aqui com depoimentos dos vencedores


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publicado por Corta-fitas
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Manhãs de galinholas

Não são excessivamente madrugadoras. Nem muito tardias no regresso a casa. Faladoras quanto baste, por vezes empenhadas na travessia dos silvados ou de amontoados de lenha. Quando decidem interromper a conversata. Gozam os progressos das cadelas e tomam-se de excitação quando alguma dá sinal: será o quê? Galinhola?

Sonhada silhueta, sempre mais apenas isso - sonhada silhueta. Os tempos já não são de fetos e folhas acamadas, como a vida antigamente decorria debaixo dos arvoredos. Essa praga das silvas, do mato, das ramagens no solo... Vai-se acabando a arte para os artistas.

São assim as manhãs às galinholas. Sob um frio que as pernas e o andar ajudam a esquecer. Com o anedotário próprio das marchas lentas porque os dias resultam nisso mesmo: em colecções de episódios onde raramente o caricato não está presente. São assim essas manhãs. Estimulantes de um bom almoço, frondosas, sem ambições de façanhas, bem respiradas. As cadelas é um gosto vê-las em acção. E uma vez chegará que...



publicado por João Afonso Machado
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Sábado, 21 de Janeiro de 2012
A Dona Lurdes *

 

O meu prédio, o meu bairro, o meu mundo hoje despertou triste e mais pobre: a D. Lurdes morreu durante a noite no hospital. Vi-a sair uma destas manhãs frias para uma ambulância, pequenina e enregelada, levada numa cadeira de rodas. Não cuidei que fosse muito grave, algum tratamento quem sabe. Há pessoas que se instalam na nossa vida e que julgamos eternas.

Quase centenária, a minha vizinha morava no rés-do-chão, num esconso de arrecadação adaptado a residência. Chegada em 1975 na ponte aérea das ex-colónias instalou-se aqui em S. João com o marido, nove filhos e uma indómita força de viver. O seu homem não se refez do choque duma vida perdida do outro lado do oceano. Desistente, por entre as entregas de chamuças que a mulher fazia às centenas, passava o tempo à porta de casa a fumar com os olhos fixos em lado nenhum, conta quem o conheceu. Sem vontade, morreu cedo, e a D. Lurdes continuou obstinadamente a fazer chamuças e a criar os filhos que aos poucos foram indo às suas vidas.

A D. Lurdes vivia pouco mais do que sozinha com a modéstia que lhe permitia uma magra pensão de sobrevivência e um filho problemático, que só não conseguiu consumir a determinação e o amor da sua mãe. Ela era uma senhora muito, mesmo muito pequena mas só no tamanho, com pele escura e enrugada, muito curvada pelo peso duma vida arrancada a ferros. Inspirada numa resoluta Fé cristã, exibia com generosidade um dos sorrisos mais francos e bonitos aqui do bairro.

Quando nos encontrávamos logo me perguntava pelo “seu amigo”, referindo-se ao meu miúdo pequeno, com quem mantinha uma viva relação: a D. Lurdes era das poucas pessoas a quem o meu rebelde filhote cumprimentava de beijinho com boa vontade. Com a minha mulher, a D. Lurdes partilhava confidências, dores e contrariedades. Visitava-nos por vezes para nos dar umas chamuças, ou algum doce caseiro que teimava em manufacturar apesar das suas aflitivas limitações físicas. O seu sorriso, o seu “bom dia senhor João”, nas escadas ou à mesa do café saboreando a sua preciosa bica, vai fazer muita falta à nossa vida. A sua falta vai notar-se dramáticamente na preceta, no bairro… e na humanidade. Porque são estas pessoas que dão uma coluna vertebral e um sentido de rotação certo ao nosso mundo insano. 

D. Lurdes hoje juntou-se ao seu marido e aos  filhos que viu partir, algures onde com a infinita misericórdia de Deus finalmente descansará em paz.

 

* D. Lurdes é um nome fictício que utilizo para testemunhar uma pessoa e factos reais. 


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publicado por João Távora
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O acessório (ou apêndice)

 

Cavaco Silva tem feito mais pela Causa Monárquica do que os seus antecessores, todos eles mais ou menos medíocres, cujo cargo sem dignidade e basicamente inútil não ajuda. Para a "má imprensa" que o presidente ostenta, contribui não só a sua proverbial aselhice, mas a sua explosiva matriz provinciana e conservadora. Algo que curiosamente constitui uma afronta, principalmente à cultura esquerda caviar predominante.


 

*O video, uma reportagem do cerimonial da Páscoa militar no palácio real do Reino de Espanha evidencia a importância do Chefe de Estado, (basta verem os últimos segundos).



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publicado por João Távora
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