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Costa e o dilúvio

por José Mendonça da Cruz, em 23.09.14

 

Costa nunca perde a pena

Nenhum mal lhe cola em cima.

 

Costa que uma inundação

Aflige no alto momento,

Reage com distracção,

Nem se ocupa do tormento.

Nem a água nem o vento

Ferem o ardor que o anima,

Nenhum mal lhe cola em cima.

 

Quer voar a um alto posto,

Do que ora ocupa nem cura;

E põe em outrem a culpa dura

em caso de dilúvio e desgosto.

Alheia ao silêncio auto imposto,

Mais a imprensa o ilumina

Nenhum mal lhe cola em cima.

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É tudo o mesmo entupimento

por João Afonso Machado, em 22.09.14

ANTÓNIO SANTOS.jpg

A Baixa lisboeta inundou por entupimento e o edil-mor está no Porto Canal a dar uma entrevista seguramente contra - Seguro. O qual, já todos perceberam, estará noutro canal qualquer contra - Costa. Talvez acusando-o de não andar no terreno bombeando as águas. Tudo isto é caricato e, com alguma sorte, didactico. Se a turma nacional mantiver alguma atenção à aula.

Por uma simples razão: o que fetidamente se passa nos intestinos do PS não diverge do que acontece cá fora, num ambiente só de aparência mais saudável. A lógica (ou o pandemónio) partidário implica um confronto em que os interesses individuais ou de grupo (sendo o grupo algo sempre oscilante e resultante apenas de uma conjuntural reunião de interesses individuais) se sobrepõem ao bem nacional. Pela exacta razão de que a política há muito não é um serviço - antes um ofício.

Os portugueses tendem a maioritariamente perceber o drama em que assim vivem. E por isso abstém-se nas eleições em quantidades que envergonham a República. Mas é sempre bom acreditar em algo. Volto invariavelmente ao mesmo - este país só poderá ser reconstruído de baixo para cima. Isto é, começando nos municípios, onde boa vontade e a despartidarização (ou a desparasitação) ainda são viáveis.

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A moda do vinil

por João Távora, em 22.09.14

É no mínimo estranho como o recente interesse do jornalismo pelo Vinil e colecções de discos patente em diversos artigos e reportagens publicadas ultimamente se circunscreva à segunda metade do século XX, como se a motivação para esse olhar fosse tão só explorar a nostalgia dos leitores mais velhos por esse objecto icónico. Mas acontece que mundo não começou com a formação do nosso umbigo. 

Para contrariar essa perspectiva míope aqui vos apresento uma preciosidade, não só pela idade e rareza, mas pela excelência patenteada neste “Fado da Pallida Madrugada” de 1906 interpretado por Manassés de Lacerda um dos pioneiros da Canção de Coimbra. A investigação desta matéria deverá contemplar as suas origem nos finais do século XIX, tanto mais que a história e inventariação do espólio fonográfico nacional tem muito ainda por fazer. 

 

Originalmente publicado aqui

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O Presidente da Câmara de Lisboa onde andará?

por Maria Teixeira Alves, em 22.09.14

 

Lisboa está completamente inundada. Porque as saídas de água estão entupidas. A quem é que nós os lisboetas, que pagamos taxas de esgoto, e tudo o mais, pedimos contas? É que o Presidente da Câmara de Lisboa anda por aí à procura de um novo emprego.

 

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À Espera

por Vasco Mina, em 22.09.14

De repente e como que a confirmar que é muito difícil estimar o que acontece no dia seguinte, estamos e está o País à espera.

Aguarda-se pelas eleições primárias no PS, marcadas para o próximo dia 28 de Setembro, para saber quem vai liderar a oposição ao Governo.

O Governo terá de apresentar, até 15 de Outubro, a proposta para o OE de 2015 e por isso aguardamos todos pelas opções fiscais que afectarão os nossos rendimentos no próximo ano.

O salário mínio vai ser aumentado e há semanas que Governo e parceiros sociais abordam o assunto mas ainda não se sabe quanto aumentará e a partir de quando.

O Novo Banco tem uma administração recém chegada e espera-se que dê conta do recado, ou seja, que venda quanto antes o que de bom ficou do Ex-BES.

Estão, pelo menos, dois novos partidos em constituição e aguarda-se por se saber, nomeadamente naquele que resulta da iniciativa de Marinho e Pinto, quem é quem e de onde virá.

Os Tribunais aguardam que o sistema informático resolva os bug que estão a impedir o normal andamento dos processos.

Enfim, estamos à espera e o que marca os dias que correm é a incerteza. Para quem goste de rotinas e de estimativas (ou projeções) será melhor mudar de vida ou mesmo emigrar. Tudo, ou quase, pode acontecer e por isso este é também o tempo das especulações. Esperemos qua a poeira assente e que seja possível ver melhor o que teremos pela frente!

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O grande tribuno

por João Afonso Machado, em 21.09.14

Do político Marinho Pinto só por infelicidade lusa há muito a dizer. O seu sucesso político é apenas outra expressão da sua passagem pelo mais elevado cargo da Ordem dos Advogados e a anunciada renúncia ao Parlamento Europeu é, também, resultado dos seus dizeres e do tom de voz em que os diz.

O deputado Marinho Pinto percebeu, rapidamente, em Bruxelas andaria em absoluto anonimato. Os mandatos passam a correr (como tudo, à medida que os anos se sucedem...) e o regresso à Pátria não seria triunfal. Entre a escolha de uma família ideológica e a substância de um discurso oco ou preenchido por contradições, a carreira política de Marinho Pinto estaria à partida sempre condenada...

Acresce ser hoje inquestionável a sua falta de vontade em retomar a advocacia, abrir mão das entrevistas televisivas e reduzir a sua truculência à barra, ante magistrados, colegas e funcionários judiciais. É pouco, muito pouco, para quem andou este tempo todo nas parangonas dos jornais em guerra aberta com ministros.

Quanto ao mais, entre uma palavrinha de apreço a Sócrates e outra a Margaret Tatcher não há qualquer tolice, antes o jeito lampeiro de agradar a todos e manter a indefinição que lhe vale a sobrevivência à tona.

Por isso um partido que vem aí - Marinho Pinto costuma cumprir as imprevisibilidades que anuncia - e a sua provável eleição nas Legislativas. A áurea mantem-se, ninguém o pode acusar de nada ter feito porque só então é o momento de ele começar a fazer.

Mas, entretanto, viveu do ordenado europeu que se apressou a condenar por excessivo? Ora, se isso contasse, já neste País toda a gente se tinha decidido a trabalhar. Além do mais, os grandes tribunos nasceram para incendiar multidões e Marinho Pinto capacitou-se (sem qualquer rebuço) de tal predestinação.

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Happy birthday Mr. Cohen

por João Távora, em 21.09.14

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Domingo

por João Távora, em 21.09.14

Evangelho segundo São Mateus


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: «O reino dos Céus pode comparar-se a um pro­prie­tário, que saiu muito cedo a contratar trabalhadores para a sua vinha. Ajustou com eles um denário por dia e mandou-os para a sua vinha. Saiu a meia-manhã, viu outros que estavam na praça ociosos e disse-lhes: ‘Ide vós também para a minha vinha e dar-vos-ei o que for justo’. E eles foram. Voltou a sair, por volta do meio-dia e pelas três horas da tarde, e fez o mesmo. Saindo ao cair da tarde, encontrou ainda outros que estavam parados e disse-lhes: ‘Porque ficais aqui todo o dia sem trabalhar?’. Eles responderam-lhe: ‘Ninguém nos contratou’. Ele disse-lhes: ‘Ide vós também para a minha vinha’. Ao anoitecer, o dono da vinha disse ao capataz: «Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, a começar pelos últimos e a acabar nos primeiros’. Vieram os do entardecer e receberam um denário cada um. Quando vieram os primeiros, julgaram que iam receber mais, mas receberam também um denário cada um. Depois de o terem recebido, começaram a murmurar contra o proprietário, dizen­do: ‘Estes últimos trabalharam só uma hora e deste-lhes a mesma paga que a nós, que suportámos o peso do dia e o calor’. Mas o proprietário respondeu a um deles: ‘Amigo, em nada te prejudico. Não foi um denário que ajustaste comigo? Leva o que é teu e segue o teu caminho. Eu quero dar a este último tanto como a ti. Não me será permitido fazer o que quero do que é meu? Ou serão maus os teus olhos porque eu sou bom?’. Assim, os últimos serão os primei­ros e os primeiros serão os últimos».

 

Da Bíblia Sagrada

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Tudo como dantes

por João Afonso Machado, em 19.09.14

CLÃ.jpg

Uma minoria significativa de portugueses acompanhou encarniçadamente a campanha referendária na Escócia. O outra parte, a da esmagadora maioria, seguiu o seu desenvolvimento apenas interessadamente. O que é o mais recomendável.

Mas não assim à esquerda, porque a Esquerda, onde lhe cheire a estilhaços, está lá a atirar pedras; e, à direita, em certas alucinadas franjas ultra-direitistas que rejeitam a Família Real britânica, dizem-na herege, de origem semita - circuncidada, sob juramento, foi escrito! - e, como tal, uma Escócia soberana é o que há de (etnicamente?) melhor.

Felizmente os escoceses, decerto por distracção, não atentaram na exaltada solidariedade dos tugas. E, numa histórica lição de civismo - que os ditos tugas não terão aproveitado - trocaram argumentos em campanha e votaram fleumaticamente nas urnas. O "não" ganhou por margem superior às previsões das sondagens.

Nada disto nos diz respeito. Todavia, o filme não acaba aqui. Em 5,3 milhões de escoceses, 500 mil ainda se declaravam indecisos no dia do referendo. O Reino Unido, em boa verdade, tremeu, assustou-se, e Cameron prometeu já alargar a autonomia do Parlamento da Escócia. Mas a Coroa nunca foi posta em causa e, havendo juizo, não tombará.

No restante... como procederia a Escócia sem libra, fora da UE e sem exército? Necessitada de imigrantes por carência de população activa e sofrendo, porventura, um acentuado fluxo de emigração?

O mais provável é ter realmente prevalecido o bom-senso.

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Mais uma crónica moralista

por João Távora, em 19.09.14

Ontem á tarde, depois de umas voltas a pé pelo Chiado ocorreu-me o sugestivo achado de que, se até ao século XIX as crianças se ataviavam como adultos, hoje em dia os adultos querem é vestir-se como as crianças, por exemplo, com boné americano, t-shirt garrida com um excesso qualquer, calções e sapatilhas de Basquete (na melhor das hipóteses). 
De facto é especialmente durante o século XX que se verifica um crescente cuidado na diferenciação com o trajar infantil, na assunção da sua especificidade face aos adultos, expresso através de elementos coloridos e resistentes que evidenciassem a inocência dos petizes favorecendo a liberdade de movimentos que a brincadeira requer. Daí à proliferação de modistas e lojas especializadas foi um salto, e imagino que tardando em relação aos outros países ocidentais, nos anos sessenta já existiam em Lisboa pelo menos dois casos sérios na matéria, a italiana Brummel e a portuguesíssima sapataria Bambi para gáudio das mães mais extremosas e endinheiradas. Facto não despiciendo, é que o trabalho infantil só vem a ser proibido bastante mais tarde.
Democratizada como objecto de consumo acessível e transversal no ocidente, a moda é hoje inevitavelmente um reflexo do "espírito do tempo". Talvez por isso o adulto resista a qualquer formalismo e sofisticação, mais preocupado em vestir-se para chamar a atenção... pelo espanto. Idealizada a infância, acontece que ela é a representação aproximada do “bom selvagem” o devaneio de Rosseau, bem-aventurado, livre e inocente porque desligado de quaisquer normas e espectativas sociais que o corromperão (e quem é que inventou essa de que a infância é na sua natureza tempo de felicidade e inocência?!). Deste modo por estes dias a forma de vestir tende para uma cada vez maior informalidade, mas anacronicamente esmerada e até dispendiosa - todos diferentes, todos iguais, numa mensagem de emancipação e afirmação de inconsequência, exterioridade, descomprometimento, completa e inexoravelmente só. 

Em defesa deste discurso moralista tenho a dizer que me admiro tanto com uma garota de biquíni subindo a Avenida da Liberdade quanto um homem de fato e gravata no areal duma praia. E que acredito na liberdade de escolha individual como valor fundamental, e que ao fim do dia todos temos o direito de nos imaginar até um artista de rock. O que me parece trágico é que, se a evolução estética ocorrida na moda infantil durante o século XIX e XX reconhecia essencialmente a especificidades da criança com inequívocos direitos a um desenvolvimento no sentido da responsabilização e urbanidade, hoje os seus filhos ou netos parecem reclamar através das mais bizarros trajes um estatuto de total puerilidade, como uma geração que recusa ou resiste a crescer e assumir a sua quota de responsabilidade para o sustento ou avanço da civilização.
No outro dia duas pessoas à porta do colégio dos meus filhos, despedindo-se utilizavam uma expressão aparentemente vulgar e incipiente mesmo entre duas caricaturas de adultos: "Adeus, pá, porta-te mal se puderes!". Talvez pelo enquadramento a coisa deixou-me a pensar. Certamente não quer dizer nada e não me lembro de como estavam vestidos. 

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Nada

por José Mendonça da Cruz, em 19.09.14

 

Havia, na noite e pela madrugada de ontem, uma notícia de excepcional relevo: o resultado do referendo sobre a independência da Escócia, cujo desenlace começou a ser evidente por volta das 2 da madrugada. Foi, no entanto, enternecedor verificar que os canais televisivos de informação foram completamente omissos e estiveram inteiramente alheados, preferindo dar programas requentados das 7 e das 8 da tarde. A pura notícia desse referendo e seus resultados era o caso do dia. Se a pura notícia fosse acompanhada do contexto e explicação da própria notícia (relações dentro do Reino Unido para o futuro; relações Reino Unido- UE; influência sobre tentações paralelas em Irlanda e País Gales; reflexo sobre as pretensões independistas bascas e catalãs; influência destas na UE), então a notícia tornar-se-ia apaixonante -- para não falar do seu relevo, que é auto-evidente.

Mas não. À noite e de madrugada, os canais de informação repetiram programas; e na manhã e tarde de hoje, o referendo escocês (ou a visita do presidente da Ucrânia a Washington, ou a decisão francesa de participar na aliança anti «estado» islâmico) foram publicadas, quando foram publicadas, depois de um incêndio não sei onde, um jogo de futebol, uma discussão entre treinadores de futebol, e as inescapáveis patetices de Seguro (que mostra alguma contenção com o nosso dinheiro) e as inevitáveis patetices de António Costa (que, assumindo o legado de Soares, segundo quem «o dinheiro arranja-se sempre», propõe uma factura nova de cada vez que abre a boca -- desta vez, quer a regionalização, para ter mais rápido acesso «aos fundos»).

Esta maneira de estar dos assim chamados jornalistas de hoje, esta propensão que é quase um credo para o que é paroquial e insignificante, para o que é irrelevante mas dramático ou festivo ou rasteiramente polémico, obedece, segundo nos dizem, à necessidade de seguir as preferências do público, ao imperativo das audiências e, com elas, o acesso ao mercado publicitário. Ainda que esse público demonstrasse que agradece a atenção (e há quedas de audiências que mais parecem indicar o contrário), seria necessário ainda, demonstrar que é boa, para as televisões, para os jornais, para a informação em geral, essa política de menor denominador comum. E seria preciso, depois, sair do puro domínio da comunicação social e pensar algumas coisas mais sérias. Por exemplo, se essa política é boa para a formação e literacia política e cívica das pessoas comuns, para a capacidade intelectual e participativa da sociedade civil; se o país pode progredir e enriquecer assente nisto; ou se só uma elite reduzida deve ter acesso a informação e conhecimento (porque sempre tem os meios); e, ainda e sobretudo, se essa elite deve ficar livre, depois, para decidir que fins e que interesses satisfaz com esse conhecimento exclusivo, visto que o povo é pastoriciamente entretido com facadas, fogos e artifícios.

Na voz cava de Marlon Brando, o Kurtz meio moribundo exalava do fundo da alma «o horror ... o horror ...». Depois de um telejornal, um Kurtz desiludido e devastado pronunciaria debilmente: «a menoridade ... a menoridade...»    

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Começa a guerra jurídica… Vale tudo!

por Vasco Mina, em 19.09.14

ESFG avança para Tribunal se não receber receita da venda da Tranquilidade

 

A ESFG endividou-se junto BES e entregou a Tranquilidade como penhora. Não cumpriu com as suas obrigações, ou seja, não pagou. A seguradora passou, obviamente, de mãos. Agora quer receber a receita da venda. Por que não paga primeiro o que deve para receber a seguradora de volta? Começa a guerra jurídica do GES e… Vale tudo!

 

A seguir com interesse a entrevista da jornalista Maria João Gago à Renascença que conhece bem o processo BES / GES.

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Atenção aos Açores!...

por Vasco M. Rosa, em 18.09.14

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Em compensação,

por Vasco Lobo Xavier, em 17.09.14

o FCP marcou o terceiro, e o Zenit não. Desde ontem que fiquei um nadinha confuso sobre as regras actuais do futebol, mas parece-me que a equipa que perde por três não pode festejar vitória. A não ser que o facto de a derrota não ser em casa tenha qualquer influência...

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Mas...

por Vasco Lobo Xavier, em 17.09.14

...demorou mais tempo que o Zenit a marcar o segundo...

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FCP...

por Vasco Lobo Xavier, em 17.09.14

...mais rápido a marcar na Champions do que o Zenit!

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Se isto é pedir desculpa vou ali e já venho...

por Vasco Lobo Xavier, em 17.09.14

A comunicação social apregoa que a Ministra de Justiça pediu desculpa. Fui ver.

 

Ora, o que eu vi e ouvi foi a Ministra a disparar à queima-roupa que se soubesse, à data de 1 de Setembro, que existiam problemas na plataforma, teria dito, como sempre fez (sic), que existiam imprevistos e que então se iria adiar tudo uma, duas, três semanas, o que fosse. Não lhe ocorreu explicar-se sobre o que disse nos dias 2, 3, 4, 5 e por aí fora, nem sobre o motivo pelo qual não transmitiu explicações mais cedo nem travou tudo antes, nem a razão que a fez andar por aí a dizer aos quatro ventos que iria ficar tudo bem esta segunda e depois que estava tudo normalizado ou em vias disso quando todos os tribunais estavam parados, facto que só a ignorância, inépcia ou complacência da comunicação social silenciavam.

 

Disferiu ainda que não houve (nem há) caos algum, apenas alguns transtornos e dificuldades, e só por estes pedia desculpa, “em nome do Ministério da Justiça”. Não lhe ocorreu pedir desculpa em seu nome pessoal nem, no limite, em nome da Ministra da Justiça, e também se lhe afigurou desnecessária uma palavrinha de apreço aos funcionários judiciais, magistrados judiciais e do MP, bem como aos advogados, pelo esforço que têm feito para impedir a ruína e o caos completo do sistema. E porventura ter-se-á esquecido de informar o que se iria seguir.

 

Se isto é pedir desculpa, vou ali e já venho…

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É provável Nessie se abstenha

por João Afonso Machado, em 17.09.14

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A brincadeira hoje lida algures sobre «em quem vota o Monstro de Loch Ness?», no referendo escocês, faz todo o sentido. A dissolução do Reino Unido, pese embora todo o historial "independentista" da Escócia, é uma obra magna na desestruturação da civilização ocidental. Já lá iremos... A referida "boca" é pertinente na exacta medida que Nessie já não é um mero símbolo do Norte da grande ilha, mas de toda ela, a Grã-Bretanha. Nessie deve estar, efectivamente, confusa e hesitante.

Estavamos, pois, na fragmentação do Reino dito "inglês". Esse tal que aguentou as cargas mais fortes da avançada germânica nas duas guerras mundiais, puxou as orelhas ao desvario argentino nas Malvinas, bate o pé aos excessos unionistas da Europa e vem ajudando os americanos no que nos é útil e desobriga de intervenções bélicas.

Conforme parece, o resultado do referendo é incerto. Na política, em caso de dúvida, deve entregar-se o ouro ao bandido. Seja, pois, a Escócia um Estado soberano. Até ver, a Coroa não é posta em causa - e uma vez mais na Coroa reside o derradeiro argumento de agregação. O resto, o tempo dirá. Ou então é mentira a verdade vir sempre à tona.

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Coisas tristes difíceis de esquecer...

por Vasco Lobo Xavier, em 16.09.14

O problema que tem afectado os Tribunais e a realização da Justiça tem o que se lhe diga, independentemente do que cada um entenda quanto às opções políticas e jurídicas, que este texto não pretende dissecar.

 

Quer a questão quer a sua gravidade, a meu ver, não têm tanto a ver com as dificuldades sentidas por todos nem com o facto de os Tribunais só estarem a funcionar por via do empenho e carolice dos magistrados, funcionários judiciais e advogados, esquecendo por ora a paciência das partes e os custos que sofrem com tudo isto (já de si extraordinariamente gravosos para o serviço prestado). Têm a ver com a forma como a coisa foi apresentada e imposta.

 

É difícil esquecer que a Ministra da Justiça insistiu em algo que todos diziam ser altamente difícil de concretizar num curto espaço de tempo. É difícil esquecer a forma autoritária como tudo foi imposto ou a atitude arrogante da Ministra ao anunciar ser possível fazer operar a mudança de um dia para o outro, ou ainda a prepotência de, quase sem avisar, suspender o citius a 27 de Agosto. É então inesquecível a pesporrência com que apareceu nas televisões e jornais a 1, 2, 3 e 4 de Setembro, vangloriando-se do sucesso alcançado, garantindo a jornalistas cegos que tudo funcionava às mil maravilhas quando todos deveriam saber que era mentira. Claro que apregoava igualmente que todos imaginariam que poderiam verificar-se problemas informáticos no início mas, se era assim, e se todos sabiam, e ela também, ficou por se perceber o motivo pelo qual não os antecipou nem anunciou nem tomou medidas para os minorar. Ou a razão pela qual dizia que funcionavam. E também não se percebeu que não tenha assumido humilde mas honestamente que o sistema estava a funcionar minimamente apenas porque os operadores anteciparam as dificuldades e não marcaram diligências.

 

Fica também para os anais a cobardia revelada quando desapareceu dos palcos por ser impossível manter “a narrativa” com ar minimamente sério. E é inqualificável o anúncio de ontem ao fim do dia de que o citius passou a funcionar a 15 de Setembro, quando ele só serve para processos novos. É tão extraordinário como se o Ministro da Saúde viesse dizer que o sistema funcionava sem falhas nem esperas, mas apenas para os utentes que se acercassem dos hospitais a partir do momento, esquecendo todos os outros doentes.

 

Era possível esquecer-me de tudo menos da cobardia e mentira finais.

 

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Então vamos lá ver...

por Vasco Lobo Xavier, em 16.09.14

Como jurista e advogado não comento processos ou decisões judiciais que não conheço, onde não participei, de que não tenha os dados todos, e menos ainda as qualifico como boas ou más e, muito menos, como Augusto Santos Silva fez, as apelido de “opiniões políticas” ou “totalmente absurdas” (citado pelo Público).

Mas uma coisa é certa: como pessoa singular, não posso deixar de compreender que qualquer outro não possa deixar de achar estranho que o Ministério da Educação contrate por 220.000 euros uma pessoa para realizar o extraordinário e extenuante trabalho de elaborar uma “compilação de legislação na área da educação”, em 2005, com renovação em 2007. Já nem me detenho na questão de tal coisa não ter sequer sido concluída.

Pergunto-me apenas para que servirá aquela imensidão de gente no Ministério de Educação se nem consegue fazer trabalho tão miudinho. E o que faz aquela gente toda lá se nem sabe as regras do Ministério a que pertence (e deve cumprir e fazer cumprir) e precisa de pagar a alguém de fora, e que não é conhecido por dominar a área, para compilar as leis, por 220.000 euros. E a razão pela qual ninguém se incomodou pelo facto do trabalho não ter sido apresentado, não obstante os largos anos oferecidos. Ou pelo facto de o trabalho, que seria tão importante e necessário que justificava o ajuste directo, não ter sido feito. Morreu alguém por não ter sido feito? Aconteceu alguma desgraça? Atrasou-se a abertura de alguma escola? Ficaram alunos sem professor? O Ministério da Educação sem funcionar? A FENPROF a promover manif’s diárias?

É fácil dizer, como fez Augusto Santos Silva, que a decisão é política e absurda. Mais difícil é convencer a opinião pública de que os factos em si sejam razoáveis e assim possam ser tomados pela generalidade das pessoas.

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