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Certidão de carácter

por José Mendonça da Cruz, em 20.10.17

Para se apreciar plenamente os contorcionismos a que os aliados da geringonça são capazes de entregar-se, não perder esta pequena confissão involuntária 

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Ainda ignições e afins

por henrique pereira dos santos, em 20.10.17

Todos os dias há milhares e milhares de ignições no mundo rural, das mais variadas origens, desde o tipo que vai queimar o pinhal do vizinho porque acha que ele dorme com a sua mulher, até às faíscas da lâmina do corta-matos que bate numa pedra, passando pelo escape de motores de combustão (que não são só de motas e carros, são de motoroçadoras, motosserras e etc.), queima de sobrantes, queimadas de pastores, operações de manutenção de parques eólicos (refiro explicitamente esta por esta ter sido a origem de um fogo de milhares de hectares há uns anos), limpeza de bermas de estradas, mais o habitual cortejo relacionado com o recreio, pic-nics, cigarros, brincadeiras idiotas, etc., etc., etc..

Mas não são estas as ignições de que se fala quando nos referimos às mais de 500 ignições de Domingo, mas apenas da pequeníssima percentagem delas que dão origem a focos de incêndio suficientemente visíveis para serem registadas no sistema.

O que faz variar a quantidade de fogos que se tornam visíveis em cada dia não é a quantidade de ignições originais, que se admite que seja mais ou menos estável num nível muito elevado, mas sim as condições de propagação do fogo, isto é a meteorologia e os combustíveis disponíveis.

Com as condições meteorológicas de Domingo, 500 ignições é valor que se pode esperar sem surpresa.

Provavelmente uma boa parte foram reacendimentos dos fogos dos dias anteriores com rescaldos mal feitos, já que com o vento forte e seco que se fez sentir no Domingo muito facilmente geram novos focos de incêndio. Estes reacendimentos são cerca de 10% das causas de fogos, mas naquelas circunstâncias é bem possível que tenham sido mais.

Tal como as queimadas de pastores e as queimas de sobrantes agrícolas terão tido um peso maior que o habitual dada a altura do ano e a previsão das primeiras chuvas.

E até pode ter havido uns fogos postos por meia dúzia (ou uma dúzia, é irrelevante o número) de doidos, bêbados, pessoas de maus fígados e outros que tais.

O que se passou nesse Domingo é absolutamente fora do normal, não pelas ignições, mas pelas circunstâncias meteorológicas (vento forte e muito forte, seco e numa direcção que não é a mais habitual nos dias que ardem, criando um potencial para arderem áreas que habitualmente não ardem tanto e têm combustível acumulado) e pela continuada secura dos combustíveis, fazendo com que em dois ou três dias tenha ardido o dobro do que é a média anual.

Existindo, como existe, continuidade de combustíveis, nenhum dispositivo de combate a fogos florestais, por melhor que fosse, teria deixado de colapsar.

Questão diferente é a dos fogos de Agosto (Alvaiázere, Mação, Nisa e etc..) onde a dimensão das áreas afectadas parece ter sido influenciada por um dispositivo com um desempenho muito abaixo do que seria necessário para um combate florestal eficaz.

Que a propósito disto, da absoluta excepcionalidade do fim de semana passado e respectivas consequências, haja quem cave trincheiras partidárias a partir das quais procura explicações mirabolantes para obter ganho de curto prazo, ou limitar estragos, é um mistério para mim.

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Lamiré para os canalhas

por José Mendonça da Cruz, em 19.10.17

Por uma vez, a incompetência ululante do governo e a sua negligência criminosa deixou coibidos os canalhas das redacções. Queriam apoiar os seus perigosos amigos, mas faltavam-lhes argumentos, não sabiam que dizer, tiveram muito medo ou um resquício de vergonha. Mas agora PS+PC+BE deram o mote: criticar a incompetência e a negligência criminosas é «aproveitamento político». E eis que já vislumbramos os canalhas a porem a cabeça de fora nas notícias e no comentário: é «aproveitamento político» criticar os responsáveis por 100 mortes, dizem eles; e «habilidade» política, dizem eles, dizer que as mortes vão repetir-se. São como os seus donos, os canalhas: fazem a cama falida em que hão de deitar-se.

(E sobre os 500 mil euros doados por cidadãos para as vítimas de Pedrógão e desviados abusivamente pela Caixa para hospitais públicos, sobre isso nem um sobressalto, nem uma palavra).

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Livro de reclamações

por henrique pereira dos santos, em 19.10.17

Passei por uma agência da Caixa Geral de Depósitos e pedi o livro de reclamações (pedi mesmo, escrevi mesmo, não é uma figura de estilo para introduzir o texto que ficou no livro de reclamações, à espera de uma resposta).

"Tive conhecimento de que a CGD decidiu entregar meio milhão de euros do fundo de apoio às vítimas dos incêndios aos hospitais de Coimbra.

Parece-me uma atitude absolutamente indigna.

1) As pessoas que contribuíram com certeza queriam apoiar directamente as vítimas e não o Estado que lhes falhou;

2) Esta decisão corresponde a desviar meio milhão de euros da economia destas regiões deprimidas para uma das zonas mais ricas do país, investindo num serviço que esmagadoramente serve as populações urbanas não afectadas;

3) Financiar o seu accionista nesta base é vergonhoso".

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Solidariedade socialista?

por Vasco Lobo Xavier, em 19.10.17

É conhecido o enorme sentimento de solidariedade dos portugueses e a sua imensa generosidade. Mesmo nos piores momentos da última bancarrota socialista, as ofertas, os movimentos de solidariedade e a generosidade dos portugueses eram notícia. Aquando da tragédia de Pedrógão Grande, a generosidade foi igualmente imensa, enorme e imediata, até com concertos de artistas, espectáculos fabulosos.



Uns meses passados, sem que o produto dessa generosidade chegasse às vítimas, com o governo socialista a fechar-se em copas sobre o destino dessas verbas, dei comigo com medo a pensar que os portugueses iriam começar a desconfiar do resultado da sua generosidade natural e que, da vez seguinte, e por uma vez (a primeira!...), já não seriam tão generosos. Tentei afastar de mim tais pensamentos tão negros.



Após a tragédia que se deu nos últimos dias não vi (pelo menos publicitada ou noticiada) tanta e tão rápida angariação de verbas e de bens como há quatro meses, não vi tanto voluntarismo. Voltaram-me os pensamentos tristes e negros.


 Claro que há sempre e tem havido enorme generosidade e ofertas e voluntariado excelente que são noticiadas e divulgadas nas chamadas “redes sociais” (a comunicação social está mais preocupada em segurar António Costa) e certamente milhares de pessoas têm estado a ajudar as pessoas mais afectadas com tudo isto. Tenho visto e tomado devida nota. Mas não é igual ao que vimos há quatro meses.

 Hoje vi noticiado que parte da generosidade dos portugueses com o desastre de Pedrógão Grande foi parar – não directamente às pessoas necessitadas mas – a instituições do Estado, que são (e são e assim deviam ser) alimentadas com os nossos impostos. Segundo se diz, a hospitais de Coimbra e para unidades de queimados.

 É necessária uma declaração de interesses: nasci e vivi belíssima parte da minha vida em Coimbra, sou de Coimbra, sinto Coimbra, vou imensas vezes a Coimbra, tenho casa em Coimbra, familiares, amigos, ameixas, laranjas, limões e uvas americanas, para já não falar de uma garrafa permanente no Quebra-Costas. E tenho enormes dívidas de gratidão a vários hospitais de Coimbra, a médicos (amigos ou desconhecidos), enfermeiros e demais profissionais de saúde de Coimbra, para além de admirar profundamente o seu imenso profissionalismo. E conto lá morrer.

 


Agora uma coisa tenho por certa: quando a generosidade dos portugueses os fez oferecer o que quer que seja (1, 10, 100, 1000 euros) em benefício das vítimas de Pedrógão Grande não foi certamente para o governo socialista utilizar essas ofertas naquilo que já deveria ser suportado pelos elevadíssimos impostos que os portugueses já hoje suportam.


 Aquelas ofertas eram feitas para as pessoas directamente ligadas à tragédia de Pedrógão, não para este governo fazer face às suas despesas no Ministério da Saúde.

 Mas posso estar enganado.

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“Se querem ouvir-me a pedir desculpas, eu peço desculpas” (via Expresso), disse António Costa numa resposta, no meio de um debate, na Assembleia da República, sob aplausos dos seus (e, imagino, da extrema-esquerda).

Já nem me interessa explicar a esta gente que a gravidade do que ocorreu exigia um pedido de desculpas que não fosse algo referido, de passagem, no meio de uma discussão.

Mas não saber, como qualquer criança de 8 anos sabe (pois ouve-o de quaisquer pais minimamente sensatos), que dizer “se querem ouvir-me a pedir desculpas, eu peço desculpas” não é nenhum pedido de desculpas, isso é de uma ignorância indesculpável.

Aliás..., isto nem pode ser ignorância, é impossível: isto é um completo desprezo e total falta de sentimentos pelas pessoas que estão a sofrer. Atingiu o limite do inacreditável!

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Não têm perfil para os cargos

por Corta-fitas, em 18.10.17

costa_constanca.jpg

Parto do pressuposto de que não é sua responsabilidade, que têm currículos extraordinários, que os Deuses conspiraram, que os elementos são do contra, que foi um azar tremendo, etc. Enfim, todos os pressupostos possíveis e imaginários que protejam uns tipos que andam por aí e que se dizem ministros e secretários de estado. E até estendo a benevolência ao ponto de me abster em reclamar responsabilidades políticas.

Mas há um ponto impossível de contornar. Perante a tragédia dos fogos do último fim-de-semana preferir frases como: “Para mim seria mais fácil, pessoalmente, ir-me embora e ter as férias que não tive, mas agora não é altura de demissões”, “Têm de ser as próprias comunidades a ser proactivas e não ficarmos todos à espera que apareçam os nossos bombeiros e aviões para nos resolver os problemas. Temos de nos autoproteger, isso é fundamental”, “O país tem de ter consciência que a situação que estamos a viver vai seguramente prolongar-se para os próximos anos. O pacote florestal vai produzir efeito ao longo de uma década. Se julgam que há alguma solução mágica estão completamente enganados”, “O governo não tem nenhuma varinha mágica”. Quem profere estas frases na circunstância que todos sabemos não pode assumir cargos de responsabilidade pública.

A comparação pode não ser perfeita, mas imagine-se um alcoólico em último grau com uma cirrose tremenda e que agoniza desesperadamente no leito da morte, ou um doente com cancro do pulmão que fumou anos a fio três maços de tabaco por dia e que nos últimos minutos de vida vão ouvindo de quem tem obrigação de lhe segurar a mão “se não tivesses fumado não estarias assim” e “não tivesses bebido tanto”. Acaso achar-se-ia que essas seriam pessoas com perfil para acompanhar essas almas nesses terríveis minutos finais? Por mais fantásticos que fossem os currículos e por maior razão que lhes assistisse, nunca, mas nunca seriam pessoas com perfil adequado para acompanhar aqueles que agonizam.

Não sou pela política do afecto que entendo ser contra procedente e bastante irritante. Mas também sou contra gozar com todas as pessoas e desrespeitar aqueles que acabaram de viver experiências desesperantes.

Pelo exposto, entendo que há que demitir os ministros e secretários de estado que tiverem ser demitidos. Quanto ao primeiro-ministro, que é da mesma cepa, que fique. Precisamos de saber em eleições o que valem os Portugueses de hoje.

 

Pedro Bazaliza

Convidado Especial

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Só agora vi...

por João Távora, em 17.10.17

Pedro Santos Guerreiro e Bernardo Ferrão comentaram na SIC um discurso só ouviram parcialmente (por causa de uma anomalia técnica). Claro que deu asneira e o Pedro Santos Guerreiro deve um pedido de desculpas a Marcelo.

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A minha leitura é diferente das que ouvi dos vários comentadores. Penso que Marcelo Rebelo de Sousa não fez um discurso para crucificar o primeiro-ministro socialista, que fez sim um discurso para ajudar António Costa a ultrapassar esta fase negra da sua governação (cheio de falhas e sem ninguém para servir de bode expiatório - já que saiu Passos Coelho). Por um lado para lhe dar o argumento que lhe faltava para não cumprir o compromisso que assumiu com Constança Urbano de Sousa, sua amiga, de a manter como Ministra da Administração Interna, apesar das tragédias dos incêndios. Por outro para o reforçar no Parlamento durante a moção de censura apresentada pelo CDS, quando diz: "Se há, na Assembleia da República, quem questione a atual capacidade do Governo para realizar estas mudanças inadiáveis e indispensáveis então que, nos termos da Constituição, esperemos que a Assembleia diga soberanamente se quer ou não manter este Governo”. Sabendo que jamais uma moção de censura do CDS recebe votos do PCP e do Bloco de Esquerda, o acto parlamentar vai servir para reforçar a legitimidade do Governo. Em troca o que vai dar Costa? A cabeça da Ministra, já no próximo sábado, no Conselho de Ministros extraordinário. O motivo para quebrar a promessa com a amiga? O discurso do Presidente da República.

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Dizem-me que o PS...

por Vasco Lobo Xavier, em 17.10.17

... vai queimar e deixar arder a Ministra da Administração Interna. É o seu modo de lidar com o fogo, deixar arder, deixar queimar.

Acontece que o que se passou agora, depois do que se passou há apenas quatro meses, não é só responsabilidade daquela Ministra.

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Pode e deve...

por Vasco Lobo Xavier, em 17.10.17

…acontecer que os portugueses realizem, finalmente, que para se ser bom governante não basta ter um ar bonacheirão e parecer andar sempre na galhofa. Governar a vida dos portugueses é coisa séria, não pode nem deve ser uma brincadeira permanente.

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Mais valia ter ficado calado...

por Vasco Lobo Xavier, em 17.10.17

Dizer-se, nas actuais circunstâncias e perante elas, que "vamos passar das palavras aos actos" e que "nada vai ficar como dantes" é de uma vacuidade insultuosa. 

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Ou basmati?

por João Távora, em 17.10.17

"Quando uma jornalista lhe perguntou se gostava mais de arroz carolino ou de quinoa, o primeiro-ministro recordou que o governo vai realizar um conselho de ministros extraordinário a fim de analisar o relatório que lhe foi entregue e avançar para a reforma das florestas e da protecção civil."

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A do Capoulas

por João Távora, em 16.10.17

A maior reforma da floresta desde D. Dinis está quase completa.

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Ardam e tenham paciência

por José Mendonça da Cruz, em 16.10.17

Costaantonio-costa.jpg, esse oneroso arremedo de primeiro-ministro, preocupa-se com a quantidade de sal no pão, com a felicidade dos cãezinhos nos restaurantes, com todos os aumentos de despesa necessários para manter os apoios que o mantêm lá. Mas garante que nada pode fazer quanto à segurança dos portugueses. Arderam mais de 60 em Pedrógão, arderam mais de 40 ontem... habituem-se, diz ele, não há varinhas mágicas, ele não tem culpa, diz que disse não sei quê em 2011. Arderam 100 pessoas... Por ele, «vai seguramente repetir-se». . Entretanto, benevolentemente, oferece aquilo de que considera merecedor o povo: três dias de luto.

Constanimages.jpgça, esse farrapo choroso que verte lágrimas pelas vítimas da sua própria inimputabilidade, essa nulidade fatídica que tutelou o trágico falhanço da Protecção Civil, diz que não se demite. Lamenta-se de não ter tirado férias, visto terem ardido 60 portugueses. Descansa as famílias dos mais de 40 que arderam agora, meses depois, dizendo que fica. Promete que é sob a tutela da sua competência e saber que decorrerão quaisquer mudanças que impeçam mais portugueses de arder.

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 «Auto-protejam-se», diz Gomes, o secretário de Estado nulo. Não esperem aviões nem bombeiros, não esperem protecção de ninguém, não deduzam que o Estado socialista cumpre as funções primordiais de um Estado. Protejam-se, fujam, salvem-se, tratem de vocês como nós tratamos de nós.

patricia gaspar proteccao.jpg

 Patrícia Gaspar foi nomeada porta-voz da Protecção Civil. «Dura, inteligente, desenrascada, com perfil militar», chamou-lhe babadamente o Observador. Vinha para «centralizar» a informação -- a terminologia socialista para significar censura de informação. Mas, hoje, Gaspar não é mais do que a cara do fracasso e inoperacionalidade terminais (e irresponsavelmente criminosos) da chamada Protecção Civil. Nem «dureza», nem «inteligência», nem «desenrascanço» a salvam desse perfil. 

A Protecção Civil lança avisos laranjas de fogo, e, perante a previsão de aguaceiros, desde logo avisos amarelos contra a chuva. É escusado. Os portugueses necessitam acima de tudo de avisos vermelhos contra tais «Protecção» e governo. 

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Mme Constance de la Palisse

por João-Afonso Machado, em 16.10.17

Também tinha sido muito mais fácil as populações das terras atingidas pelos incêndios terem ido para férias e não verem as suas vidas e bens destruidos pelos fogos.

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Os"meios aéreos" chegam amanhã e a chuva também

por João-Afonso Machado, em 16.10.17

043.JPG

Na minha última ida à Lousã, há dois anos, vendo o cerrado do arvoredo na serra, não pude deixar de pensar naquela pobre gente, em caso de incêndio...

O dia fatídico chegou ontem. Aliás a todo o Centro e parte do Norte deste desgraçado país de comissões e relatórios, que Costa "quer" à viva força passe das palavras aos actos.

Tal não acontecerá. Este é o cantinho de uma Ministra a bastar-se com o aspecto suado de quem vem de apagar um fogo onde nunca esteve; dum CIRESP, Protecção Civil & Cª já encerrados, pensando que estes desastres obedecem aos calendários oficiais; e de um 1º Ministro que até na tragédia aproveita a oportunidade da propaganda política, incapaz de uma expressão compungida, ao menos.

Parece, entretanto, um importante melhoramento vem aí, para ser "implementado" no combate às chamas - a chuva.

 

 

 

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Estamos zangados

por João Távora, em 16.10.17

fosgosLusa.jpg

Por ironia do destino a horrível mortandade causada pelos fogos que assolaram ontem no País (32 pessoas até à hora em que escrevo) aconteceu poucos dias após a divulgação do relatório independente sobre Pedrogão Grande que divulga como então se instalou o caos na Protecção Civil, como o sistema não funcionou como seria de esperar, fruto de uma incompetência generalizada. Os dados disponíveis indicam que desde então não aprenderam nada tendo a barafunda se repetido ontem. O Secretário de Estado da Administração Interna teve até o desplante de assumir em declarações à SIC que o Estado não tinha condições para proteger as pessoas, que tinham elas próprias a se “autoproteger” porque "não podemos ficar à espera dos bombeiros e dos aviões". Hoje da parte Ministra Constança Urbano de Sousa ficamos a saber que não se responsabiliza por nada do ocorrido, e que o mais fácil era ir gozar as férias que não teve. 

Perante todo este desastre e o ruidoso silêncio dos comunistas e do Bloco de Esquerda, não seria esta a hora de a oposição propor uma Moção de Censura? De que é que estão à espera?

 

P.S.: António Costa no seu discurso aos portugueses usa técnica da picareta falante, para abater o  pelo cansaço e fugir ao que interessa: assumir as responsabilidades do seu governo nesta catástrofe.

 

Foto: Paulo Novais - LUSA

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Fogo furtivo

por henrique pereira dos santos, em 16.10.17

É razoavelmente impreciso saber se vai arder este terreno e não o terreno a 3 quilómetros de distância, é razoavelmente impreciso saber até onde irá a intensidade de um fogo que se declare, é razoavelmente impreciso, a algum tempo de distância, saber o dia, o mês ou mesmo o ano em que vai arder e a região em que vai arder.

Mas é perfeitamente possível saber quais são as áreas de maior risco estrutural, isto é, aquelas onde a acumulação e continuidade de combustíveis finos garantem que, em condições meteorológicas extremas, qualquer ignição, seja ela originada pelo que for, produz uma progressão rápida e intensa de um fogo.

E é também possível, com alguns dias de antecedência, saber com bastante precisão, onde irão ocorrer condições meteorológicas extremas, susceptíveis de originar, nas tais áreas de risco estrutural elevado, fogos brutais, aumentando a precisão dessa previsão meteorológica na medida em que diminui o tempo que nos separa do momento que queremos avaliar.

No essencial, o que podemos dizer é que, nas nossas condições, o fogo é uma certeza, não é uma probabilidade, o que é uma probabilidade é o momento em que esse fogo vai ocorrer num determinado sítio, mas é uma questão de tempo até que esse fogo ocorra.

Paulo Fernandes, das pessoas com quem mais aprendo sobre fogos e que ouço quase religiosamente quando fala do assunto, perguntava-me num comentário: "estando o contexto presente é preciso agir em conformidade. É mais fácil, rápido e barato sensibilizar e vigiar o povo e ter prontidão ou gerir giga toneladas de combustível?".

É uma pergunta fulcral para os próximos meses e vale a pena explicar o contexto da pergunta.

Num post sobre o facto de mesmo em circunstâncias meteorológicas como as de ontem e hoje, com grande parte do país (e da Galiza, onde também houve mortos) a arder ser muito vulgar encontrar dezenas de pessoas a fazer pequenas queimas nesta altura do ano, sejam pastores ou agricultores, eu insurgi-me contra a ideia central do post e, sobretudo, dos comentários subsequentes, que punham a tónica nas ignições em vez de se concentrar totalmente no contexto que as tornas importantes, referindo eu que já em meados do século XIX o Relatório Geral da Arborização  do Paiz se insurgia contra essas queimas (vamos esquecer a estupidez da mão criminosa e das organizações terroristas e parvoíces dessas, estou mesmo a falar da falta de sensatez no uso corrente do fogo em mundo rural).

A pergunta do Paulo reaje ao meu comentário.

O contexto que temos no país é especialmente favorável à ocorrência de fogos e há já vários anos que vou escrevendo que temos tido sorte em não ter havido, ainda, um episódio de quinze dias ventos fortes de Leste (na verdade não foram exactamente quinze dias de Leste porque num dos dias o vento rodou e voltou depois à direcção anterior, o que tem um efeito brutal no aumento da dimensão dos fogos), como em 2003, porque quando isso acontecer, aquilo a que estamos a assitir agora pode muito bem ser rapidamente relegado para um segundo plano, porque a situação será verdadeiramente assustadora e devastadora.

Daí a relevância da questão do Paulo que resume as opções políticas com que estamos confrontados como sociedade: sendo este o contexto, o que podemos fazer rapidamente, enquanto mudamos as políticas estruturais (admitindo que existe capacidade política para fazer alterações estruturais na política para o mundo rural, do que tenho as minhas dúvidas).

Embora a pergunta do Paulo parece ter duas opções, na verdade tem três linhas de trabalho substancialmente diferentes:

1) Reduzir as ignições. Educar, reforçar a aplicação da lei e essas coisas todas, ideia em que se encontram quer os lunáticos da mão criminosa, quer os sensatos do combate ao uso negligente do fogo;

2) Melhorar o combate;

3) Alterar as condições estruturais de acumulação e continuidade de combustíveis.

É absolutamente consensual que a terceira linha de trabalho, sendo a prioritária, será sempre a menos urgente, a que não tem visibilidade social, a que não gera ganho político, daí o meu cepticismo em relação ao que virá a ser feito neste domínio que, para mim, passa, para usar uma forma ligeira de pôr o assunto, por transferir os apoios ao mundo rural da produção dirigida aos mercados, para a produção de serviços de ecossistema que o mercado não remunera, resolvendo a falha de mercado que está na origem do padrão de fogo que temos;

Melhorar o combate é razoavelmente consensual, embora com uma linha de clivagem social muito marcada: a) as pessoas ligadas aos bombeiros e protecção civil acham que é preciso pôr mais músculo num sistema que deve ter como objectivo liquidar todos os fogos à nascença, a ideia absurda e trágica que nos tem guiado até aqui; b) as pessoas ligadas à gestão do fogo e do território, que sabem que o fogo é um elemento natural que não pode ser retirado do sistema, tem defendido a profissionalização e autonomização do combate florestal em relação às dimensões de protecção e socorro, ao mesmo tempo que defende que essa profissionalização, assente em maior conhecimento do fogo e do seu comportamento, permite que o combate faça um uso inteligente das acções de prevenção, o que actualmente não ocorre.

Onde estou quase isolado é na ideia de que insistir nas ignições é perder tempo e dinheiro, desresponsabilizando politicamente qualquer governo pelas suas falhas nas duas dimensões que referi antes.

Eu tenho um verdadeiro pavor de todas as soluções que parecem lógicas e sensatas mas que têm, como condição prévia, fazer um homem novo.

Ora se é verdade que existe muita, muita margem para um uso mais sensato do fogo no mundo rural, isso faz-se sobretudo com apoio aos produtores, com trabalho de proximidade, com extensão rural se se quiser, faz-se reforçando os laços de confiança entre as pessoas e o aparelho do Estado.

Continuar a insistir que as ignições são um problema de legislação, de coimas mais pesadas, de fiscalização eficiente, de aplicação da lei, tem sobretudo um efeito: o crescimento exponencial do "fogo furtivo", isto é, do uso do fogo para actividades ancestrais, nas quais o fogo sempre foi um instrumento de trabalho normal, e que o Estado tem vindo a criminalizar e a impôr uma pesada carga burocrática a que as pessoas normais respondem como respondemos todos os que somos normais: ignorando o Estado, tanto quanto possível.

O que implica usar o fogo ilegalmente, o que implica usar o fogo em circunstâncias que não são escolhidas pela sensatez e pelo conhecimento, mas em circunstâncias que são definidas pelo medo da repressão do Estado.

Essas são as piores e mais perigosas circunstâncias para usar um instrumento com o poder destrutivo do fogo.

Infelizmente a psicose das ignições é um consenso nesta matéria e por isso temo que o uso furtivo do fogo seja a consequência natural da nova geração de políticas de gestão do fogo que, forçosamente, começaram ontem.

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Há vários sinais de alarme em Rui Rio", disse Pedro Mexia, no Governo Sombra, a propósito da afirmação do candidato à liderança do PSD de que o partido não era de direita, por necessidade de posicionar o PSD ao centro. Dizer que o PSD não é direita é dizer que o PSD é centro esquerda. Então isso significaria que quem não é de esquerda é do CDS apenas (aquele foi um dia em cheio para o CDS). É evidente que não há só 10% de direita em Portugal. Ou então pior, as pessoas de direita e de centro direita estão a votar enganadas num partido que não defende os seus valores. O PSD é do PPE faz parte da família europeia dos partidos conservadores e democrata cristãos. Logo é um partido de direita, por muito que isso desagrade a Rui Rio que parece querer um PS com outro nome só para poder ganhar eleições. Isto é, no cenário de Rui Rio os partidos no poder eram os mesmos, a alternância seriam apenas as pessoas que assumiriam o lugar mais desejado de primeiro-ministro. Parece-me non sense. É terrível confinar à social democracia as preocupações sociais. Muitas áreas políticas têm preocupações sociais. A direita tem preocupações sociais. A Democracia Cristã tem preocupações sociais. A social democracia no sentido literal do termo é aquilo que é o PS, tal como o SPD alemão de Martin Schulz. Logo o PSD de Rui Rio é um PS com outras pessoas e com outras cores.

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