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Sócrates detido

por João Távora, em 22.11.14

Cá em casa parece o 25 de Abril. Até acordámos as crianças! Amanhã não vão à escola, está decidido.

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As pessoas prestam-se a cada coisa...

por Vasco Lobo Xavier, em 21.11.14

“Em nome do bom senso, os proponentes da proposta pedem que seja retirada”, anunciou Couto dos Santos, recebendo uma salva de palmas (in Público).  

 

Este país é único. Simplesmente delicioso. Os dois deputados que ainda ontem tinham apresentado uma proposta, pedem hoje que seja retirada, "em nome do bom senso"?!?... E ontem não tinham bom senso?!? E atiram-se assim propostas para a Assembleia da República sem bom senso? E reconhece-se com esta facilidade que as propostas que ainda ontem apresentaram não tinham bom senso? Eu fico pasmo e só imagino a coisa assim:

 

"Eh pá... ontem fui almoçar pelo largo com o Lello e depois deu-nos para aquilo..., na altura até parecia porreiro. Hoje, já com bom senso, entendemos dever retirar a proposta". 

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Vistos Gold: 6 mentiras e 6 verdades

por João Távora, em 21.11.14

O mais difícil é desmontar o preconceito...

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Les beaux esprits ...

por José Mendonça da Cruz, em 21.11.14

A propósito do EIIL, da Revolução Francesa, da presunção da esquerda, dos crimes fascistas e comunistas, e da política em geral, duas leituras cristalinas:

 

Henry Kissinger sobre governação, no luminoso livro A Ordem Mundial, que a D. Quixote vai publicar a tempo do Natal:

A tradição importa porque a nenhuma sociedade é permitido evoluir na história como se não tivesse um passado e como se todo e qualquer curso de acção lhe estivesse autorizado. A trajectória anteriormente seguida só autoriza uma curta margem de desvio. Os grandes estadistas actuam nas franjas exteriores dessa margem. Se ficam aquém dela, a sociedade estagna. Se a ultrapassam, perdem a capacidade de moldar a posteridade.

 

João Pereira Coutinho, no indispensável Conservadorismo, publicado pela mesma D.Quixote:

O conservadorismo como ideologia pluralista reconhecerá, assim, a imperiosa necessidade de «valores primários»: linhas morais mínimas que uma sociedade civilizada não deve cruzar (não por acaso Isaiah Berlin prefere designá-las como «fronteiras da humanidade») … É importante evitar certos males, mas é também importante conservar e perseguir o que (John) Kekes designa por «valores secundários»: valores que expressam a forma como diferentes sociedades vivem e se organizam em busca de fins particulares.

A função do estadista, abstendo-se de acrescentar à lista de «males primários» alguns males da sua lavra, passa em seguida por identificar os «valores secundários» que são úteis para a comunidade hoje. (…) Em política, o motivo pelo qual não existem rotas traçadas a priori é porque a actividade política é ela própria o processo contínuo que permite a definição de uma rota em consonância com as necessidades reais de uma comunidade real.

Mas não só: o facto de não existir uma rota para a navegação política não significa que não haja também uma tradição capaz de informar a rota da navegação presente. Roger Scruton é particularmente enfático sobre este ponto: «Os políticos podem ter objectivos e ambições para os povos que eles procuram governar. Mas uma sociedade é mais do que um organismo mudo. Ela tem personalidade e vontade. A sua história, as suas instituições e a sua cultura são repositórios de valores humanos.»

Procurar impor sobre a comunidade um programa elaborado a priori sem ouvir antes o que ela tem para nos dizer (…) é quebrar o elo fundamental de confiança que deve existir e presidir à relação entre governantes e governados.

 

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Pessoas que ladram

por João Távora, em 21.11.14

Isabel Moreira sabe bem do que fala - por afinidade de linguagem, talvez. 

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Fica a nódoa

por João Távora, em 21.11.14

Afinal a revogação da suspensão das subvenções foi suspensa. Parece que a Isabel Moreira e a sua "ética republicana" fica a falar sozinha

 

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Falta de educação ou reumático intelectual

por João Afonso Machado, em 21.11.14

JAZIGO.JPG

Comentando a morte recente do representante de uma ilustre e histórica família portuguesa, constava dessa autêntica universidade que é o Facebook, um dito (acompanhado da fotografia do defunto) mais ou menos como isto: «Para quem gosta de circo, foi realmente uma grande perda»!!!

Com algum alívio, creio ter percebido que o iluminado autor desta boutade não é nacional. Fica assim no ar a probabilidade de, cá na nossa terra, a memória dos que partiram ser ainda merecedora de todo o respeito. Mesmo a memória de pessoas que em vida foram, por alguma razão, controversas. Ou, simplesmente, se atreveram a pensar diferente de alguma omnisciência indignada.

É a hodienta questão do fanatismo e do radicalismo. Da rigidez do espírito ou da total incapacidade para compreender o mundo, aliás feito ou desfeito por nós e pelos nossos próximos.

Transpondo ainda para o universo político - porque é lá que vamos sempre dar - percebe-se claramente como Portugal não consegue equilibrar os pratos da balança. De um lado o império da partidocracia. Da corrupção, numa palavra. Do outro, o salazarento resmonear dos incapazes de sararem feridas esquecidas há século e meio. Dos que se afirmam detentores da panaceia miraculosa, a "ressurreição" da Pátria, mas se limitam à maldicência entre o grupo dos sempre mesmos amigos. Os tais para quem a "salvação" reside na extinção dos partidos - sem se aperceberem, eles próprios os criadores do Partido Contra os Partidos. Um PCP como outro qualquer...

RIP, Portugal!...

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Ana Gomes metida na ordem

por José Mendonça da Cruz, em 19.11.14

A «monumental tareia» de que fala Helena Matos, no blog Blasfémias, levada por Ana Gomes na AR, suas mentiras e calúnias - e uma explicação de por que se esconde a deputada atrás da imunidade.

Vale a pena divulgar, porque seguramente não haverá notícia disto na comunicação social-socialista

 

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O résvés das notas...

por João Afonso Machado, em 19.11.14

FAC. CIÊNCIAS.JPG

Suponho, um recorde: dois ministros do actual Executivo meus antigos professores. Às vezes arrependo-me de não ter sido bom aluno...

Rui Machete, em Direito Administrativo, presenteou-me com o maior "baile" alguma vez dançado nas minhas provas orais. Lá passei... Enfim, está bem conservado, creio a vida coxeia-lhe menos do que a mim.

Anabela Rodrigues, a nova Ministra do Interior, é um caso diferente. Contas feitas, ainda não ultrapassava a idade dos 30 quando leccionou Processo Penal na minha Faculdade. Namorava então com galhardia e apertou-me também (salvo seja!) no exame final. Parece, o Prof. Costa Andrade enalteceu agora a sua «Firmeza». Eu que o diga! E a pauta das notas também... Lá passei...

Não sei se Machete merece a remodelação por tantos preconizada. Na dúvida, dou-lhe a notazinha do desenrascanso. A Anabela Rodrigues, nesta aula de apresentação, só lhe posso desejar boa sorte. Tanto mais que, não sendo discutida à esquerda, as suas responsabilidades são redobradas. A nota que me deu, há trinta e tal anos, com a inflacção equivale a chumbo certo...

(Só para terminar: o Regime tem coisas únicas! Sem argumentos para criticar a escolha - Anabela Rodrigues - de Passos Coelho, caiu em cima do Governo por não se remodelar mais amplamente!).

 

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Pondo entre parêntesis toda a discordância política, agradeço e aplaudo profundamente e de todo o coração aos autores da acção judicial popular contra a aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 ao sistema de ensino público primário e secundário. Em meu nome, em nome da minha filha em idade escolar, e em nome da literacia em geral, muito obrigado a Manuel Alegre, Diogo Freitas do Amaral, António Arnaut, António Bagão Félix, Isabel Pires de Lima, José Pacheco Pereira, Miguel Sousa Tavares, António Victorino d’Almeida, João Braga, Pedro Abrunhosa, Pedro Barroso, Rão Kyao, Joaquim Pessoa, Teolinda Gersão, Lídia Franco, Miguel Tamen, Raul Miguel Rosado Fernandes, Vítor Aguiar e Silva e a todos os cem autores, proponentes, patrocinadores e colaboradores desta acção de higiene contra o disparate de uma minoria presunçosa e a passividade de vários governos.

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Resumo do inquérito ao presidente do ISP

por Maria Teixeira Alves, em 18.11.14

Hoje de manhã o presidente do Instituto de Seguros de Portugal está a ser inquirido pelos deputados na Comissão Parlamentar de Inquérito. Reparem no desfile de boas intenções:

ISP não foi avisado do penhor sobre a Tranquilidade

O ISP só teve conhecimento em Junho dos investimentos feitos desde Abril, por parte da Tranquilidade, em títulos de várias empresas do GES. A deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, defendeu que Ricardo Salgado utilizou a companhia para fugir ao escrutínio do Banco de Portugal que tinha há muito dado já instruções para se pôr fim ao contágio entre o BES e o GES. Diz então o presidente do ISP: "Fazemos um acompanhamento dos activos detidos nas carteiras das companhias, para verificar se obedecem aos critérios de uma gestão sã e prudente. Com base trimestral", explicou Almaça. " Só soubemos a 6 de Junho porque a administração nos disse em reunião", acrescentou.

Por isso só a 6 de Junho, em reunião com a administração da Tranquilidade, o ISP [Instituto de Seguros de Portugal] tomou conhecimento de operações de financiamento num total de 150 milhões de euros, susceptíveis de comprometer seriamente a situação de provisões técnicas da Tranquilidade e T-Vida". 

No dia 18 do mesmo mês, numa nova reunião com a comissão executiva da Tranquilidade, liderada por Pedro Brito e Cunha, o ISP soube que 85 dos 150 milhões foram colocados em papel comercial da Esfil (que pertence à ESFG), 50 milhões de euros em papel comercial do Espírito Santo Financial Group e 15 milhões de financiamento de tesouraria à Espírito Santo Financial (Portugal), de acordo com o presidente do regulador. Também foi adquirido 10% do capital da gestora de fundos do GES, a ESAF.

ISP ameaçou retirar licença à Tranquilidade (9:56)

O Instituto de Seguros de Portugal ameaçou retirar a licença de atividade à Tranquilidade, por forma a forçar a venda, tendo como argumento que «se essa fosse a única forma de salvaguardar os interesses dos seus tomadores de seguros, segurados e beneficiários», avançaria com essa decisão.

José Almaça disse hoje no Parlamento que só a 28 de Junho soube que a Tranquilidade tinha sido dada como garantia pela ESFG ao BES (10:08)

O Supervisor está a apurar responsabilidade de gestores da Tranquilidade (10:36)

O presidente do ISP foi questionado pelos deputados sobre a aparente ausência de actuação a propósito do apuramento das responsabilidades pelas aplicações financeiras feitas pela Tranquilidade em dívida do GES. José Almaça explicou que a preocupação principal foi salvaguardar a situação da companhia. E que se está ainda a "averiguar de quem é a responsabilidade do quê, o que ainda não terminámos". Mas clarificou que "quem tem o poder de tomar estas decisões é a comissão executiva", explicou José Almaça. "Em devido tempo vamos tratar desse assunto. Estamos a recolher informações", acrescentou, lembrando que não se pode "cair no erro de ter uma companhia sem accionistas e sem administradores".

António Leandro Soares sai da BES Vida depois de ISP travar operação com activos do BES (10:50)

"Foi o próprio que pediu a autorização para fazer a operação. [Administrador] ‘Quero fazer esta operação’. [ISP] ‘Olhe que não pode ser assim. Temos de ver.’ E quando pediu a autorização, fez a operação. Logo a seguir dissemos que não. E ele anulou".

 Em causa estava uma operação cujo valor José Almaça não se recorda. Mas envolvia a compra de obrigações do BES pela BES-Vida. A operação foi feita, segundo informações dadas pelo presidente do ISP, a 28 de Julho. Poucos dias antes da Resolução, determinada a 3 de Agosto. Ou seja, um financiamento da seguradora ao banco. 

"Depois de o ISP não ter dado autorização, foi o próprio que apresentou a demissão", diz o presidente do ISP depois de lhe terem perguntado se impôs a demissão do administrador da BES Vida.

O ISP chegou a ponderar intervir na Tranquilidade (12:06)

José Almaça admitiu que chegou a ser ponderada a intervenção na Tranquilidade, com a nomeação de administradores por parte do supervisor. Mas os danos previsíveis na companhia levaram a escolher outro caminho

"O supervisor equacionou a decisão de nomearmos um administrador ou dois provisórios. Mas a ponderação pendeu para não o fazermos".

 

 

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Há tolice para todos os gostos

por João Afonso Machado, em 18.11.14

BECO DA CARIDADE.jpg

Era uma presença diária na Faculdade, vão lá tantos anos. Chamava-se Luís e, invariavelmente, vestia um fato impecável, calça, casaco e colete, gravata lustrosa, a pasta "à diplomata" na mão e lugar cativo numa mesa do bar. Não havia assunto em que não manifestasse doutíssima opinião e era a imagem bem acabada de um assistente. Previa invariavelmente o fim do mundo, tal a nojeira dos costumes, e os mais incautos tratavam-no por "Sr. Dr.".

E, no entanto, sequer era aluno. Ou estudante em outro lugar qualquer. Nada. A sua vida era aquilo: o fato, a presença constante no bar da Faculdade e uma pasta cheia de papeis amarrotados sem, ao menos, o ar severo de documentos, dossiers.

Mais assegurava ser de uma família da maior nobreza, primo chegado do Rei de Espanha, um dos possiveis herdeiros do Trono espanhol.

De tudo ficou-lhe uma alcunha: o Rei de Espanha. Assim a modos do Imperador Smith do Lucky Luke.

Não foi além do bar da Faculdade. Nada mais soube dele, três décadas é muito tempo, talvez não tenha sido internado no lugar próprio para cuidar de tais megalomanias. E a inexistência de redes sociais, então, tolheu-lhe a projecção de que tanto gostaria.

O Luís, se ainda vive o mesmo culto de si mesmo, há-de decerto andar hoje pelo Facebook. Isto a avaliar pela muita loucura que lá grassa. Pelos muitos reizinhos que povoam aquelas páginas e grupos, completamente à solta a tolice e a imaginação. E, o que é bastante mais grave, a maldicência e a total ausência de educação.

Entenda-se: não é o Facebook que está em causa; o mal reside em os imensos excêntricos que pululam de volta dos computadores desconhecerem como se comportam os seus congéneres britânicos no Speakers Corner.

O mais é apenas uma questão de tolerância e caridade.Coitados!

 

 

 

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Não acho que Miguel Macedo tenha posto a fasquia mais alta quando se demitiu. Antes pelo contrário, tal como Jorge Coelho quando pediu a demissão por causa da queda de uma ponte com a qual nada tinha a ver, Miguel Macedo pôs a fasquia mais baixa: ao nível da reportagem ululante e do comentário do popular indignado que pedem responsabilidades com a mesma atrabiliária fúria com que nos filme do Tarzan os feiticeiros exigem o sacrifício de um membro da tribo pala aplacar os vulcões.

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Direito, Ética e Política

por João Távora, em 17.11.14

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Nem de propósito, eu diria, amanhã às 19,00hs o Prof. Doutor Paulo Otero estará no IDL - Instituto Amaro da Costa para falar sobre o tema "Direito, Ética e Política" em mais uma sessão de "À Volta dos Livros" que é um ciclo de encontros coordenado e apresentado por Filipe Anacoreta Correia e João Vacas com vista a promover a divulgação de obras de Ciência Política e Relações Internacionais da Biblioteca do IDL.

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Uma saída de emergência

por João Távora, em 16.11.14

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 Julgo não exagerar se afirmar que o filme Interestellar, o prodigioso resultado deste épico de ficção científica dirigido pelo realizador Christopher Nolan, está ligado também à magistral banda sonora de Hans Zimmer, já consagrado nestas andanças de músicas para filmes. De resto a obra que suspeito resultará num clássico, coloca de forma magistral o mito da adopção do Universo infinito no lugar do limitado e escuso planeta Terra como casa materna da humanidade. O filme lembrou-me várias vezes o meu saudoso Pai, historiador que nos intervalos das suas investigações embrenhadas em documentos arcaicos e pesados volumes impressos, consumia gulosamente e deixava espalhados pela casa romances de ficção científica, cuja temática estou convencido constituía um escape de uma realidade material que tanto o atormentava.

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Bodes expiatórios

por João Távora, em 16.11.14

Rael.jpg

 O mundo é aquilo que cada um de nós faz dele e cada vez acredito menos nos sistemas e ideologias, que o mais das vezes servem de expiação para as pessoas que na sua sombra se isentam de responsabilidades e se escusam de pôr mãos à obra dentro do seu perímetro de influência. Se é verdade que um bom regulamento não isenta de perversidade os protagonistas, já uma comunidade de pessoas criteriosas e auto exigentes resultará certamente numa sociedade mais justa e fecunda. A histriónica berraria com que nos deparamos no espaço público, parece-me resultar mais de um exercício de catarse de existências frágeis e frustradas do que outra coisa qualquer. Não é um problema de lideranças e como é bom de ver o “progresso” não resolveu coisa nenhuma. Porque a haver salvação, ela está unicamente dentro de cada um de nós.

 

(E desculpem se me repito, tenho a nítida sensação que desde comecei estou sempre a escrever a mesma coisa)

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Uma desilusão!

por João Afonso Machado, em 16.11.14

ESQUINA CHIADO-GARRETT.jpg

É certo, em carta de 12 de Junho de 1888, Eça recomendava a Oliveira Martins folheasse apenas Os Maias, «coisa extensa e sobregarregada, em dois grossos volumes»; que lesse «As cem primeiras páginas; certa ida a Sintra; o desafio; a cena no jornal A Tarde e, sobretudo, o sarau literário».

João Botelho há-de ter seguido o conselho, mas folheou Os Maias com pressa excessiva e o seu filme saiu uma bodega. Ou então concebeu-o propositadamente assim, isto dos estilos e das tendências fala sempre mais alto do que a razoablidade.

Mas estavam todos péssimos, com uma palavra abonatória para Craft e Cruges. Ega, o meu amigo Ega, de algum modo transformado em personagem principal no enredo - galardão que Eça não lhe atribuiu - esgasgou o filme inteiro, confundindo a sua histórica verve com uma vulgar histeria. Dâmaso não era aquilo, perdeu - esse sim - irrequietude e a bochecha corada de todos os roliços. A barba de Carlos recortava-se noutro rigor, bem como a sua atitude de príncipe renascentista, Afonso da Maia só no fim deixou os ombros cair, Alencar... pobre Alencar, tão mal desenhado!,  e quer a Gouvarinho quer Maria Eduarda, tudo lhes faltou, «a carnação eburnia», o ardor, «o frou-frou das saias»...

Acrescem pormenores até hoje ignotos: Garrett afinal fazia parte da galeria de antepassados do Ramalhete, Craft era aparentado com Gomes Freire, a avaliar pela heráldica dos reposteiros da sua casa, e o Conde de Gouvarinho nada mais do que Par do Reino!... A tela desculpa-se, não seria exigivel mandar parar o trânsito no Chiado ou na Rua do Alecrim para filmar, nem a "crise" proporciona orçamento para cenários e figurantes.

Mas o pior ficaria ainda reservado para o fim. Para o regresso de Carlos, dez anos depois. Quando «isso» da politica «tornara-se moralmente e fisicamente nojento, desde que o negócio atacara o constitucionalismo como uma filoxera» - bradava Ega - num reencontro que faz a história nova, o paradoxo da imutabilidade dentro da novidade. Era já o tempo da Avenida da Liberdade, do desaparecimento de tantos, mesmo das ironias do Destino. Aquele passeio final, antes do jantar no Braganza, não podia ter perdido o pio, falhou o crayon, o Turf nascera já e as saudades por narrar despontavam aqui e ali, muito antes do americano passar - coitadas, coitadinhas, coitadíssimas...

 

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Domingo

por João Távora, em 16.11.14

Evangelho segundo São Mateus


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: «Um homem, ao partir de viagem, chamou os seus servos e confiou-lhes os seus bens. A um entregou cinco talentos, a outro dois e a outro um, conforme a capacidade de cada qual; e depois partiu. O que tinha recebido cinco talentos fê-los render e ganhou outros cinco. Do mesmo modo, o que recebera dois talentos ganhou outros dois. Mas o que recebera um só talento foi escavar na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. Muito tempo depois, chegou o senhor daqueles servos e foi ajustar contas com eles. O que recebera cinco talentos aproximou-se e apresentou outros cinco, dizendo: ‘Senhor, confiaste-me cinco talentos: aqui estão outros cinco que eu ganhei’. Respondeu-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu senhor’. Aproximou-se também o que recebera dois talentos e disse: ‘Senhor, confiaste-me dois talentos: aqui estão outros dois que eu ganhei’. Respondeu-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu senhor’. Aproximou-se também o que recebera um só talento e disse: ‘Senhor, eu sabia que és um homem severo, que colhes onde não semeaste e recolhes onde nada lançaste. Por isso, tive medo e escondi o teu talento na terra. Aqui tens o que te pertence’. O senhor respondeu-lhe: ‘Servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei e recolho onde nada lancei; devias, portanto, depositar no banco o meu dinheiro e eu teria, ao voltar, recebido com juro o que era meu. Tirai-lhe então o talento e dai-o àquele que tem dez. Porque, a todo aquele que tem, dar-se-á mais e terá em abundância; mas, àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado. Quanto ao servo inútil, lançai-o às trevas exteriores. Aí haverá choro e ranger de dentes’».

Da Bíblia Sagrada

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Admirável mundo novo

por João Távora, em 14.11.14

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Tenho Anastásia Romanov a pedir-me amizade no Facebook. Se Lenine me fizer o mesmo, juro que promovo um encontro histórico de reconciliação.

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Fractura exposta

por João Távora, em 14.11.14

 Pelo tom das intervenções dos comentadores políticos ontem (António Costa ou Pedro Adão e Silva, por expº) conclui-se que os funcionários detidos do caso "Vistos Gold" são da esfera do Partido Socialista. Ou estou a ver mal a coisa?

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Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

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