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sem nome.pngOs fãs mais vocais do Syriza não têm graça nenhuma. Onde quer que os deixassem pôr a mão na governação reduziriam o país a cinzas (sempre proclamando, é claro, que a culpa era dos outros), exactamente como faz o Syriza.

Os fãs envergonhados do Syriza no PS, na Sic, no Público, na Visão e no Expresso, esses são mais engraçados. Admitindo tardiamente que o governo Tsipras empurrou a Grécia para o desastre, choram agora uma Europa mitológica em que haveria solidariedade, coesão e estadistas.

Ora é isso que, com a crise grega, fica provado que a Europa continua a ter em saudável proporção e medida.

A Europa tem feito provas da mais firme solidariedade. Todos os países da União Europeia e todos os membros do Euro têm sido absolutamente solidários na rejeição do comportamento errático e irresponsável dos gregos. Ter uma UE ou uma Zona Euro compatível com as pretensões da Grécia syrizica não seria solidário, seria suicida.

A Europa tem dado sinais evidentes, também, de grande coesão, ao rejeitar as aventuras revolucionárias sonhadas por Tsipras, seus risíveis rapazes e seus admiradores estrangeiros. E, sim, é uma coesão ideológica, de defesa e afirmação da economia de mercado, em que pessoas e países livres têm que ser responsabilizados pelas suas contas; de defesa e afirmação da democracia, democracia ponto final, não aquela democracia que se mascara de «real» ou «popular» para exercer a tirania.

E, sim, a Europa tem estadistas como Merkel ou Cameron. Estadistas como Merkel capazes de defender a Grécia até onde é tolerável, mas capazes também de optar por profundas mudanças na arquitectura do Euro e nas fronteiras geopolíticas da Europa para manter a UE e a moeda única.

E, por fim, simpatizantes do Syriza, não soltem lágrimas de crocodilo pelo futuro sombrio que sonham e desejam para Portugal. Não só Portugal tem um governo que fez o trabalho de casa para defender o país de novas emergências financeiras, como a Europa estará disponível e desejosa de tudo para blindar a posição portuguesa (ou espanhola, ou italiana, ou irlandesa). 

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Gago Coutinho

por Vasco M. Rosa, em 04.07.15

Há cerca de dez anos tive a veleidade de escrever uma biografia de Gago Coutinho. Não consegui criar as condições para dedicar alguns anos a esse empreendimento, que me parecia justíssimo diante da esquecida figura de um dos últimos grandes portugueses modestos. Não consegui mas fui sempre recolhendo materiais utéis, na esperança de que um dia pudesse retomar. Mas não.

Folheei com supresa, júbilo e alguma frustração uma biografia que lhe foi dedicada o ano passado, e hoje no Público apareceu mais um artigo sobre esse herói, que me fez pensar que esse gap entre o que somos (as nossas convicções e os nossos sonhos) e o que podemos fazer (a realidade sem fantasia) torna-se ano após ano um assunto central. O tempo esvai-se como água entre dedos.

Tiro, portanto, o meu chapéu imaginário ao autor do artigo, que recomendo a todos, e à persistência de alguns pela salvaguarda duma memória nacional acerca dessas figuras verdadeiramente simples que ficaram para a história, pelos fabulosos feitos cometidos e pela humildade da sua consciência de seres vivos, entre tetramilhões. 

Para mais, Gago Coutinho tinha muito humor, o que é um diploma de excelência humana a que ninguém pode ficar indiferente. 

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Lugares

por João Afonso Machado, em 04.07.15

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Os patos no lago e os coelhos entre as ervas. A uma distância prudente, atávica. Mal-agradecida a quem os tem de estimação. É na cidade, em vez da espingarda a máquina fotográfica aguardando os bandos a rasgar as águas e as cabriolices de orelhas fitas, nas alentejanadas vizinhanças da cerca.

Provavelmente, sanguinários contingentes de camuflados e armas automáticas sonham com a matança, indiferentes à beleza dos fins de tarde no Parque. Planeando eventuais razias clandestinas, quiçá. Num insano Outono venatório presente no mais pequeno movimento animal.

Por entre a órbita dos peões e das bicicletas descobrem-se estes momentos de genuína natureza despertada por todo o silêncio que se consiga ajuntar. Provavelmente não há, como os caçadores, quem mais aprecie e goze, respeite, a vida das espécies e o seu lugar, fora do lugar onde deviam vigorar as ancestrais leis da caça.

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Não pode ser só uma questão de educação…:

por Vasco Lobo Xavier, em 04.07.15

Gostei de ver na SIC N o Diogo Feio a colocar a Helena Roseta na ordem. Roseta estava sempre com apartes e a páginas tantas resolveu dizer e repetir à exaustão “isso não é verdade” sobre o que Diogo Feio falava (assunto era a Grécia). Como qualquer pessoa de bem, Diogo Feio, que tinha ouvido delicadamente calado toda a exposição anterior de Helena Roseta, e todos os apartes e comentários que se iniciaram mal ele começou a falar, deve ter-se cansado daquilo (e da ofensa) e inquiriu: “o que é que não é verdade?” E não saiu dali até ser esclarecido. Roseta não conseguiu explicar e fugiu do tema. Ficámos nós todos esclarecidos.

 

Fiquei também a pensar que não é caso único. As pessoas mais à direita ouvem com respeito os outros e as mais à esquerda interrompem constantemente a pessoa com quem discutem. É diário. Pouco depois ouvia no Expresso da Meia Noite Paulo Rangel a falar do mesmo tema (Grécia). Pois esteve sempre a ser interrompido, a cada frase, a cada ideia, a cada raciocínio. E quem quer que tenha visto um debate entre, por exemplo, João Galamba e Francisco Mendes da Silva, já deve ter sentido o mesmo. Não sei se isto é técnica da esquerda (“Eh pá, o que é preciso, pá, é não deixar os gajos, pá, alinhavarem uma ideia, se não estamos lixados….”), aproveitando-se da simpatia e boa educação das outras pessoas.

 

Mas não pode ser só uma questão de educação, até porque não me parece que a boa educação dependa de se ser mais à esquerda ou à direita (comparemos Manuel Alegre e Miguel Relvas, por exemplo). Pacheco Pereira, outro exemplo, que é uma pessoa extremamente educada, ninguém coloca isso em dúvida, depois de dar a sua opinião aos que a ouvem delicadamente durante largos minutos, calados, atentos e interessados (porque as suas opiniões são sempre interessantes, goste-se ou não delas nos últimos 3 anos), invariavelmente a meio da primeira frase do seu interlocutor (geralmente o Jorge Coelho, segundo julgo, mas posso estar equivocado) começa logo a mexer-se nervosamente na cadeira, a gesticular e com apartes. Não é bonito, mas ele não o faz seguramente por lhe ter faltado chá em menino. Não é, portanto, uma questão de educação ou de falta dela. Não sei o que seja. Há um grupo de pessoas que interrompe os outros com toda a naturalidade, e há um outro grupo que se deixa interromper permanentemente, como se isso fosse natural, e sem se indignar ou sequer se incomodar. Acho que esta realidade deveria ser estudada, podia ser que desse uma tese ou mesmo um doutoramento. Mas para isso seria talvez preciso que a realidade fosse ao contrário.

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António Costa que se cuide

por João Távora, em 04.07.15

A crise grega evidencia um curioso fenómeno mediático Portugal: a bipolarização entre a Coligação... e o Bloco de Esquerda.

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O costume 2

por José Mendonça da Cruz, em 03.07.15

Ao contrário do que estava previsto Sá Fernandes não ganhou as eleições primárias do muito Livre/Tempo de Avançar no Porto. Ganhou antes Daniel Mota. Sendo assim, foram detectadas irregularidades, e agora Sá Fernandes já ganhou. Visto isto, o Movimento Intervenção e Cidadania (MIC) do Porto abandonou o Livre/Tempo de Avançar, avançando para outra coisa qualquer certamente mais livre e mais avançada e pura.

É  como o palerma das finanças gregas dizia à palerma da jornalista da TVi que lhe perguntava se tinha um conselho para Portugal: confiem no voto Livre, que com eles a democracia funciona sempre como deve ser.

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O costume

por José Mendonça da Cruz, em 03.07.15

Seja «Sim» ou seja «Não» o Syriza já deu em seis meses os passos necessários e intencionais para o desastre. Segue-se o segundo acto: culpar os outros. Em Atenas como em Lisboa não faltam os idiotas úteis.

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"O painel de comentadores parecia tudo menos monocromático, mas o debate revelou-se pouco plural porque todos estavam de acordo. Vindos da esquerda, falaram Francisco Louçã, fundador do Bloco de Esquerda, Marisa Matias, eurodeputada bloquista e Manuel Alegre, histórico do PS; depois havia Pacheco Pereira, ex-deputado do PSD mas afastado da linha do partido há muito tempo, e Diogo Freitas do Amaral, fundador do CDS e antigo ministro de um governo PS. O economista Eugénio Rosa, que esteve ligado à CGTP, e a escritora Hélia Correia também não fugiram ao convite e, apesar das diferentes origens políticas, todos ajudaram definir o tom do debate: a Europa “autoritária” dos tecnocratas não pode deixar a Grécia cair, sob o risco de ver o projeto europeu cair com ela."

 

Bolas.... com toda esta gente, se não queriam um debate monocromático e preferiam uma discussão acesa, deveriam ter convidado para o debate também o Mário Soares e o António Capucho, com o Bagão Félix a suplente. E talvez a Manuela Ferreira Leite, para haver um representante da Direita liberal mais alinhada com o Governo. Isso é que seria um debate à séria!

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"Bocas"

por João Afonso Machado, em 03.07.15

Jean François Revel trouxe à luz do dia Como acabam as democracias em 1983, ainda o Muro de Berlim todos o julgavam bem sólido. As suas reflexões têm por base o imperialismo soviético pelo que a adaptação da nomenclatura e das circunstâncias obviamente é necessária. Resta apenas o naturalmente imutável:

«O socialismo é por essência  pacífico. Não pede nada mais do que poder avançar pacíficamente, sem encontrar resistência. É só a partir do momento em que encontra resistência, pelo que não tem qualquer culpa, que a paz se encontra em perigo».

Traduzindo a proposição de JFR à escala de um pequeno instante, aqui ou no mais remoto lugar, o mal não está em derrubar gradeamentos e insultar ou apedrejar as forças de segurança; o mal ocorre no preciso momento em que as ditas forças de segurança, respondendo, carregam sobre os manifestantes.

Ou então: o mal não está em o Governo grego (apreciaremos, a seu tempo, as efabulações da nossa Esquerda se as forças especiais de intervenção forem chamadas a intervir em Atenas...) esfarelar ainda mais as migalhas dos seus pensionistas; o mal está na nossa «hipocrisia» quando lamentamos o facto.

E o resto são atoardas. É fazendo algazarra que se tolhe a voz à razão. A maré sobe assinalavelmente em "bocas". "Bocas", "bocas" e só "bocas".

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Um regresso inesquecível

por Vasco Mina, em 03.07.15

Um regresso de Barroso e os amigos de Relvas

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A comunicação social que temos:

por Vasco Lobo Xavier, em 02.07.15

Uma das piores coisinhas de Portugal é a comunicação social que tem. É simplesmente uma vergonha! Quando a realidade não é como ela quer, toca de a alterar. Dois casos num só. Relativamente à situação das negociações com a Grécia, o Ministro das Finanças francês disse à RTL que “os mais duros não são os alemães, mas os pequenos partidos”, indicando mesmo e logo ali a Eslovénia e a Eslováquia. A comunicação social portuguesa esqueceu-se dessa referência, ou omitiu-a deliberadamente, e sugeriu ou declarou mesmo que dentro desses pequenos países estaria Portugal. Logo, essa comunicação social ou mente declaradamente aos seus leitores ou é manifestamente incompetente, não sendo capaz de traduzir uma notícia até ao fim. Em qualquer dos casos, é uma vergonha.

 

Não contente, o jornal Público veio hoje admitir que Portugal não integrava esse grupo, mas como isso não cola com a realidade que vai na cabecinha da jornalista Leonete Botelho, logo se adianta que Portugal não está entre os bons nem entre os maus, “quando muito foram os vilões”. E porquê? Porque, segundo a sua fonte em Bruxelas (deve ser o Manneken Pis, só pode…), esta posição moderada de países como Portugal, de apoiar a coisa e esperar pelo resultado do referendo grego, não faz destes países “bonzinhos” porque “o que Portugal, Espanha e Irlanda querem é colocar Tsipras em maus lençóis, pois qualquer que seja a resposta ao referendo, coloca o ónus sobre a Grécia, e não sobre a Europa”. E continua o seu extraordinário raciocínio: “Se vencer o sim à manutenção no euro, isso desautorizará o governo do Syrisa. Se vencer o não, a responsabilidade por uma eventual saída do euro será assacada unicamente aos gregos”, e não às instituições europeias.

 

Leonete Botelho não se apercebeu da completa estupidez do raciocínio que fez imprimir no Público, seja ele da própria jornalista ou da sua fonte (seguramente imprópria para beber, como qualquer criança perceberia em segundos): Portugal, Espanha ou a Irlanda não têm nada a ver com o referendo! Foi o próprio Syriza quem se colocou nessa situação de se correr o bicho pega, se ficar o bicho come! Se quer o sim quer o não são maus para o governo grego, talvez os garotos que o governam devessem ter pensado nisso antes de interromper as negociações para ir fazer o referendo. É evidente que com o referendo que o Syriza quis, qualquer que seja o resultado as consequências foram determinadas pelo povo grego e pelo Syriza. Acusar Portugal, Espanha ou a Irlanda disso é estupidez pura. Ou mentira descarada. Em qualquer das hipóteses, uma vergonha.

 

Segundo caso. Ouvia distraidamente a RTP i quando, pelas 21h35, de hoje, mais de 24 horas depois de se saber que Portugal não estava na mente do Ministro francês, que ele tinha até referido outros países, que toda a gente minimamente informada sabia disto, esta RTP i vem com a mesma notícia, acusando Portugal de ser mauzinho, tomando até declarações de António Costa, muito incomodado com o assunto. É uma vergonha, tamanha incompetência! Às 21h35 do dia 2 de Julho já toda a gente sabia que isso não era notícia, ou era notícia falsa! Não há ninguém na RTP i que tivesse reparado nisso e a retirasse da grelha? Eu fico sempre na dúvida se este tipo de casos é pura incompetência ou má fé declarada, mas sempre uma vergonha!

 

(adenda: às 24h26, ou seja, às 00h26 do dia 3 de Julho, a RTPi volta a dar a mesma "notícia". Incluíndo o Ministro francês e tudo, com as mesmas omissões e imperfeições e falsidades, até com as opiniões de António Costa sobre uma mentira. E nós, pobres contribuintes, ainda temos de pagar esta incompetência total. É bonito.)

 

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Aos revolucionários de sofá

por João Távora, em 02.07.15

A política é arte do possível. Quantas vezes nos confrontamos com esses limites na vida, com a família, com os filhos, com o trabalho. Lidar com o poder é enfrentarmos a nossa real falta de poder, que trocamos por consensos, pelos equilíbrios, contra as rupturas, cujas consequências têm de ser sabiamente pesadas. Por forma a salvaguardar um bem comum, mais valioso que a nossa vontade.

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Por uma vez...

por Vasco Lobo Xavier, em 02.07.15

...Marcelo defende a coligação. Desinteressadamente, claro.

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Afinal...:

por Vasco Lobo Xavier, em 02.07.15

...o FMI defende o alargamento da maturidade grega.

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Grécia: Jogo de sombras

por Maria Teixeira Alves, em 02.07.15

Tudo o que se tem passado na Grécia tem qualquer coisa de teatral. Há um jogo de sombras.Terão as negociações entre os representantes do Governo Grego e os representantes dos credores, Comissão Europeia, BCE e FMI sido verdadeiras negociações? Não me parece. Houve troca do que cada lado pensa e as exigências dos credores para darem mais dinheiro à Grécia, com os gregos a tourear os credores, porque estão protegidos pela certeza que na Europa ninguém quer expulsar os gregos e aliás não há na legislação forma de o fazer contra a vontade do Governo grego. A saída da Grécia do euro teria de ser feita por iniciativa desta, passando a emitir dracmas e a transaccionar nesta moeda.

Para os líderes gregos, uns rapazes que estão inebriados com os holofotes do mundo, esta situação dá-lhes a força negocial que o dinheiro, que não têm, não lhes dá. Por isso desafiam permanentemente os líderes do Eurogrupo. Quando tudo está à beira do colapso, Tsipras ainda atiça mais os gregos contra as medidas de austeridade e apela ao voto do Não no referendo de domingo. Para mostrar quem manda ali. Os gregos querem ficar no euro, mas se não lhes fazem a vontade votam em referendo contra a Europa. 

Pedro Passos Coelho confidenciou um dia que se fosse Alexis Tsipras estaria preocupadíssimo, porque não há dinheiro nos bancos, nem nos cofres do Estado grego para pagar salários da função pública, para pagar pensões, para já não falar em pagar aos credores. O problema é que com quase 200% da dívida publica sobre o PIB, a Grécia não consegue pagar, não consegue produzir (não exporta quase nada) e precisa de dinheiro. Portanto o que a Grécia quer é ser subsidiada pelos credores europeus, mas continuar com a sua irreverência, para não perder o charme.

Mas consta, que ao contrário dos credores ricos, e dos credores que têm cofres cheios, o primeiro-ministro grego não está preocupado. Todos estão preocupados com a Grécia menos Tsipras e Varoufakis. Quando hoje Wolfgang Schäuble, ministro das Finanças da Alemanha, revelou que tinha pena do povo grego era disso que falava, dessa irreverência irresponsável dos seus governantes. Evidentemente que todos esperam um novo perdão de dívida à Grécia. Mas o problema é que a Grécia quer que lhe emprestem mais, mas para voltar a não pagar. De hair-cut em hair-cut até ao infinito. A Grécia nunca mais será autónoma financeiramente. Nunca mais voltará aos mercados, acreditem.

Mas o mais engraçado de tudo isto é ver que paradoxalmente a Grécia tem um dom raro: que é o de cativar a simpatia e a caridade. O mistério da emocionalidade. Não que a emocionalidade não seja provocada por interesses egoístas, que é, mas a Grécia tem o dom que algumas pessoas têm e outras não conseguem ter, que é o de inspirar a caridade, de inspirar a simpatia, de inspirar o amor. Não tem nada a ver com a razão. Muitas vezes quem tem razão não inspira o amor e não o consegue cativar. Mesmo que esteja certo e faça tudo bem.

As emoções (que nem sempre nascem de nobres actos) são um mistério insondável.

Todos querem ajudar a Grécia. Então assistimos a um fenómeno curioso: pessoas em todo o mundo estão a mandar dinheiro para a Grécia. Mesmo que nos seus próprios países se revoltem cada vez que os seus governos lhes peçam dinheiro (em impostos e taxas) para ajudar o país a pagar as suas próprias dívidas aos seus credores.  Mas a Grécia tem este dom, que não se explica. Qualquer líder se transforma num Che Guevara, e todos se apaixonam pela Grécia, que é um país pouco cumpridor e cheio de manhas. Até os credores cedem ao charme dos gregos. Não há país que tenha recebido tanta tolerância dos credores europeus como a Grécia, tanta benevolência. E perante tudo isto não pagam e querem mais dinheiro. Por seu turno os parceiros europeus, que é quem menos se devia preocupar, tentam a todo o custo manter a Grécia no euro. Vá lá a gente perceber isto.

Portugal não tem essa sorte. Ninguém se apaixona por Portugal e a caridade não nos bate à porta, A Irlanda não tem essa sorte. Não cativa o amor que os Gregos cativam. 

Noutros pontos do globo, a Islândia não cativou simpatias do mundo quando foi à falência. 

Mas os gregos sim, todos querem tirar os gregos do  sufoco que os próprios criaram, eles sabem disso e tiram disso vantagem.

Lucky Bastards!

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Sugiro um jogo novo, é muito simples:

por Vasco Lobo Xavier, em 01.07.15

É assim: sentam-se todos na sala e vai-se à SIC N do dia um de Julho e puxa-se a emissão para o noticiário das 22h01. Aparece o enviado especial à “capital grega”, de seu nome Anselmo Crespo, que debita sem parar até às 22h07, perante o silêncio embevecido da Ana Lourenço. O jogo é rápido, portanto. O objectivo do jogo é encontrar factos naquele mar de opiniões. Encontrando algum (o que já mereceria um queijo), descobrir se é verdadeiro ou falso. Se alguém descobrir um facto verdadeiro, ganha. Se ninguém encontrar, vence o que tiver descoberto o facto falso. Cá em casa foi renhido.

 

Citando de memória, aqui deixo parte do relato. Dizia então o rapaz: Varoufakis declarou que “o governo grego está comprometido com a procura de um entendimento com os parceiros europeus, enquanto faz campanha pelo não”. “(…) parece contraditório mas na verdade não é assim tão contraditório”, porque o “grande objectivo é ganhar ainda mais (sic) legitimidade para poder negociar com os credores e dar uma bofetada de luva branca aos parceiros europeus”. Boa!

 O problema, prossegue ele, é que em todas as cartas que manda o governo grego pretende sempre a renegociação da dívida e isso é um obstáculo para os parceiros europeus (esses malvados). E explica, depois, o versado na matéria: é que “é óbvio que os principais líderes europeus não gostam do governo da Grécia”.

E é tão “fácil de entender o que pretende a Grécia, quer apenas mais tempo, juros mais baixos, que se dê tempo à Grécia para respirar e permitir à Grécia respirar”. E porque é que os líderes europeus não querem isso? Porquê? Também é “óbvio”, diz ele: os líderes europeus querem “manter a política de não aceitar ultimatos e ser o Eurogrupo (dizem que a Alemanha - sic) a ditar as regras e a impor condições.”

Daí que o PM da Grécia queira que “o povo grego legitime novamente (sic) a posição que ele tem assumido perante os parceiros europeus”.

 

E então? Alguém descobriu algum facto até agora? Hum?... Alguém se acusa? Nada, não é? É o que facto vem só no final, já às 22h05, para acabar em beleza. Diz o rapaz: por isso “Tsipras decidiu avançar para um referendo porque os parceiros europeus decidiram retirar a proposta que estava em cima da mesa”. Será um facto, talvez, mas é redondamente falso: todos nós (menos o Anselmo Crespo) nos recordamos da sexta-feira passada quando a Grécia decidiu retirar-se das negociações para ir fazer o seu referendo, apelando ao não e recusando, ela sim, a proposta que estava em cima da mesa.

 

A SIC N afirmou-se em Portugal como sendo o top dos noticiários; estranho que dê tempo de antena a jovens repórteres para estes dizerem o que lhes vai na cabeça e exprimirem os seus desejos, em vez de informarem devidamente as pessoas dos factos reais.

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António Tsipras e o pecado

por José Mendonça da Cruz, em 01.07.15

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 António Costa proclamou hoje no Rato que o actual governo cometeu sete pecados capitais. A cada pecado capital que vislumbra e anuncia, Costa confessa e proclama que, a governar, governará como o governo grego de Tsipras: chamando «austeridade» às boas contas e apostando no «investimento» com o dinheiro dos outros.

Segundo Costa, o primeiro pecado foi a mentira, por «ter prometido não subir os impostos que subiu e ter prometido não cortar os salários que cortou». Como o grego inimputável, Costa branqueia os milhões de dívidas e calotes escondidos que o governo de Sócrates, a que pertenceu, deixou como legado. Não devíamos pagar, diz ele.  

O segundo pecado, diz Costa, foi «o desemprego, a precariedade e a emigração». O terceiro, a «asfixia da classe média». O quarto, o «aumento da pobreza e das desigualdades». Para Costa, como para o grego inimputável, os anos de governação ruinosa não deveriam ter consequências, e a correcção das contas públicas não devia ter sido feita.

O quinto pecado foi, segundo Costa, o «desinvestimento na Educação, na Ciência e na Cultura». Para Costa são virtuosas, sim, as «festas» perdulárias como as da Parque Escolar, os «investimentos» como os das «Novas Oportunidades» e, obviamente, a subsidiação dos amigos.

O sexto pecado, diz ele, foi o «ataque aos serviços públicos, em particular na área da Saúde e da Justiça». A OCDE já disse que Portugal fez, na Saúde, melhor com menos dinheiro, e quanto ao «ataque» na Justiça deve ser isso que Costa chama a toda a racionalização e poupança.

O sétimo pecado, diz Costa, foi a «quebra de mais de 20% no investimento, quer público, quer privado». Ora este não é, na verdade, um pecado do governo, é antes um sintoma de Costa: o sintoma de que não percebeu nada, não se arrepende de nada e, como Sócrates, quer despejar dinheiro nosso nos problemas dele.

No fim de um mandato em que herdou uma bancarrota socialista o Governo conseguiu um défice abaixo de 3% e um saldo primário positivo, a baixa do desemprego, a reestruturação discreta da dívida, uma almofada financeira para distúrbios nos mercados, um brutal e consistente aumento da contribuição das exportações para o PIB, a melhoria da competitividade da economia, o saneamento de cancros económicos como a TAP, os transportes públicos ou os Estaleiros de Viana (para além do desmembramento dos dois maiores coitos de malfeitores no país). Para Costa, evidentemente, o governo «falhou os objectivos». Com a «alternativa» a que Costa convida, Portugal conheceria, sem dúvida nenhuma, o progresso luminoso da Grécia.

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Saem quando, tristes figuras?

por José Mendonça da Cruz, em 01.07.15

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 O inimputável a quem os gregos confiaram a governação e que declarou que um referendo na Grécia equivalia à saída da Grécia do Euro convocou um referendo para pôr em sentido todas as negociações e conversas. (Agora dizem-lhe muito justamente que outras conversas e negociações só são possíveis após o referendo que decidiu.)

O inimputável que dizia ser impensável um terceiro programa de resgate negociado com a troika acaba de propor um terceiro programa de resgate a negociar com a troika, a que ele chama «instituições». (As «instituições» respondem que sim, com certeza, a Grécia pertence à UE e vamos lá conversar, se é conversar que quer o inimputável.)

O inimputável que considerava um ultraje, uma chantagem, uma vergonha as propostas europeias da semana passada diz agora que quer aceitar as propostas europeias da semana passada com umas correcçõezitas de somenos. (Recordam-lhe que as propostas caducaram no prazo que o inimputável bem conhece e por vontade do inimputável.)

O inimputável vai à televisão e, depois de proclamar que aceita as propostas caducadas e pede um terceiro resgate, diz ao povo que o escolheu para governar que vote «não», contra as propostas e o resgate. E acrescenta que a Europa -- um conjunto de chantagistas, segundo ele, -- chantageia agora o povo grego em vez de o governo. (O ministro alemão das finanças comenta, com inultrapassável cortesia e cristalino bom senso, que o inimputável diga afinal o que pretende.)

A espécie de jornalistas e comentadores que adoptou nos media a grosseria, a alarvidade e a má fé próprias dos tempos políticos de Sócrates, e que do alto do seu cinismo entenderam que Maria Luís Albuquerque «ajoelhara» perante Schauble quando a ministra foi elogiada pelo alemão, escolha agora os adjectivos para classificar as contradições de Tsipras e as desgraças a que se sujeita, a si e à Grécia.

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Chiado

por João Távora, em 01.07.15

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Hoje como há 150 anos é um prazer requintado subir ou descer o Chiado: a animação mundana, as esplanadas, as livrarias, o comércio, as igrejas, os forasteiros, as caras conhecidas e com alguma sorte… o reencontro de um velho amigo. 

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Coisas que não devemos esquecer:

por Vasco Lobo Xavier, em 01.07.15

http://portugalglorioso.blogspot.pt/2013/11/socrates-embusteiro.html

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