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É muita coisa!

por João Afonso Machado, em 24.06.16

A matinal surpresa (só para quem não atentou na campanha ontem porta a porta da facção perdedora...) Brexit; as imediatas declarações independentistas de escoceses e irlandeses do Norte; o entusiasmo referendário de Marine Le Pen e o pânico de Hollande; o ministro Santos Silva invocando a nossa antiga aliança com os britânicos (sim, nesta hora convém esquecer o Ultimato de tantos préstimos à República); e um súbito propósito espanhol de co-soberania sobre Gibraltar...

Isto tudo num dia só! Para onde voamos?

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As forças do descarrilamento

por José Mendonça da Cruz, em 24.06.16

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Os votos de que se vivam tempos interessantes hão-de ser, de facto, a pior maldição, e a vitória do Brexit no referendo do Reino Unido promete os tempos mais «interessantes» que poderíamos desejar ou temer, conforme o gosto. Com o voto de saída britânico a Europa é agora um comboio cujas carruagens querem, cada uma delas, seguir uma direcção diferente. E dentro de cada carruagem dissidente estarão grupos com programas antagónicos.

No epicentro do terramoto, primeiro: Londres, Escócia e Irlanda votaram pela permanência; contra a permanência votou, grosso modo, o resto do país. E Escócia e Irlanda quererão agora, no mínimo, ter protagonismo nas concertações para a saída, e, no máximo, um Scotexit ou um Irishexit do Reino Unido.

Na Europa continental as pulsões de discórdia vieram expeditas à boca de cena : aplausos à saída vindos da extrema-direita francesa por causa da imigração, aplausos da extrema esquerda grega e portuguesa que quer menos disciplina orçamental e mais «solidariedade», avisos vindos da Europa do Norte cujos povos estão fartos da indisciplina orçamental dos outros e da «solidariedade» com eles. Em Espanha, aguarda-se o forte ressurgir dos independentismos catalão e basco.

E da apagada e vil governação portuguesa veio a reacção previsível, pequena e oportunista: a partir de agora, dizem-nos Costa, César e Silva, ficamos a saber que qualquer desgraça económica deve-se não às políticas internas suicidas, mas a caprichos ingleses e a insuficiências europeias.

Ou seja, com a inflamação inevitável das pulsões contraditórias nacionalistas e solidaristas, isolacionistas e liberais, populistas de direita e esquerda, orçamentalistas ou solidaristas a Europa ficará à mercê de todos os oportunismos e pressões.

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Hello, Boris

por José Mendonça da Cruz, em 24.06.16

... e eis que a aposta limpa e forte foi ganha. Sai Cameron. Entra o antigo jornalista político da Spectator, biógrafo de Churchill e anterior mayor de Londres?

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There is no Alternative?

por João Távora, em 24.06.16

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Enganei-me nas minhas previsões, fruto talvez dum desejo de ver o meu país fazer parte dum clube digno do Reino Unido - mesmo que com um pé de fora. Com o Brexit adivinham-se grandes desafios não só para os britânicos mas para a União Europeia que vai enfrentar fortes pressões populistas para a desagregação. Mas convenhamos que o estado a que isto chegou é (também) o resultado da muita demagogia utilizada em tempos de crise pelos partidos que na ansia da capitalização do descontentamento não hesitam e menosprezar ganhos obtidos na UE e endossar-lhe a factura por falhanços próprios e frustrações nestes tempos de inevitável ajustamento. Certo é que a UE não se pode tornar num grupo de pedintes contestatários. “There is no Alternative”? Pelos vistos há o Brexit.

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Gente realmente importante

por João Afonso Machado, em 24.06.16

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Está de frente para a serra do Montesinho, junto à saída da Cidadela de Bragança. É um lugar de passagem, Espanha é logo ali. Estacionam matrículas de nacionalidades diversas, grupos de motards... É sobretudo um lugar de paragem.

E um poiso de «petiscos, vinho e conversa», como se inscreve na tabuleta da Tasca do Zé Tuga. Cá fora, grelha-se e assa-se. Depois é a esplanada e o interior fresquinho, catita. A posta tem a marca da casa, mas em viagem assenta mais leve o garnizo - um garnizé por boca, escancarado em cima do assador -  e uma salada russa como acepipe. E a conversa também se instala à mesa, além dos perdigueiros (com direito de entrada) e da pesca no Sabor, creio que qualquer outro poderia ser tema.

Luís Portugal já veio a Lisboa ganhar uns prémios culinários e apresentar na televisão as suas proezas gastronómicas. Depois tornou à terra. A sua Tasca aproxima Bragança, lá no alto, das tardes folgazãs de que todos gostamos.

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Ai mata, mata!

por João Távora, em 23.06.16

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Ontem pelo minuto 80 do Hungria vs Portugal ainda fiz sinal do meu sofá para a equipa médica a pedir assistência e substituição. Por isso não sei se estou em condições no próximo sábado para assistir àquilo que se prenuncia um desastre. 

Aquela defesa e meio campo tremem como varas verdes, não há coração. Acontece que na hora certa faltou coragem a Fernando Santos para por a rodar um meio campo entrosado e rotinado a jogar para a frente, como pede o nosso sistema de jogo e os grandes artistas que fazem a diferença no ataque. A insistência em João Moutinho em baixo de forma desautorizou qualquer outra solução perante a restante equipa e ontem na segunda parte notou-se que faltou àquele sector um patrão. Essa autoridade não se confere de um dia para o outro e o que ontem vimos foi um meio campo transformado numa geringonça periclitante, que é o que está a dar. Foi o que aconteceu quando o treinador em desespero colocou um miúdo de dezoito anos a liderar aquele sector nevrálgico. Fernando Santos improvisou mais uma vez e a desconfiança entranhou-se entre os jogadores do meio-campo que parecem estar jogar sobre brasas. Este estado de coisas conjugadas numa eliminatória com a Croácia, uma equipa coesa e determinada, não augura na da de bom. Oxalá eu me engane.  

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Bye Bye Boris

por José Mendonça da Cruz, em 23.06.16

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O meu único receio é que o mais interessante personagem da vida política inglesa tenha enterrado no Brexit a sua promissora carreira. Nas democracias é assim: aposta-se forte e limpamente, e as derrotas têm custos.

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A figura que o Estado faz

por José Mendonça da Cruz, em 23.06.16

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O governo socialista quer retirar aos contribuintes 5 mil milhões de euros para remendar o buraco que anos de negociatas e má gestão socialista cavaram na Caixa Geral de Depósitos (o tal banco estratégico e bom). Quer fazê-lo pela calada e sem escrutínio, e, no seu modo alvar e sempre tão inesperadamente revelador, João Galamba já explicou por quê: os partidos podiam ficar sujos. Perceberam bem: não se deve escrutinar porque podia descobrir-se muito de condenável.

Ferro Rodrigues, secundaríssima figura de Estado, prestou-se, portanto, a ajudar. E pediu à Procuradoria Geral da República que se pronunciasse com «a máxima urgência» sobre a admissibilidade da Comissão de Inquérito que o PSD exigiu. Fê-lo porque, diz ele, tem dúvidas jurídicas. E explicou que essas dúvidas vinham do facto de o Inquérito, tendo como um dos seus fins clarificar os motivos da recapitalização da Caixa, poder prejudicar... a recapitalização da Caixa.

Perceberam bem: segundo Ferro não se deve analisar uma situação suspeita, obscura e gravosa porque a análise pode prejudicar a situação gravosa, obscura e suspeita. É como se a Polícia dissesse que não deve investigar um ladrão visto ele estar agora mesmo a preparar-se para roubar.

Neste peculiar «tempo novo», é o Estado a que chegámos que vomita sobre os contribuintes aquilo mesmo que os contribuintes mais passivos não se cansam de dizer: «São precisos mais apoios». 

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Remain

por João Távora, em 23.06.16

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Hoje em Inglaterra, a mais antiga democracia parlamentar de todas, vai a votos um referendo sobre a permanência ou não do país na União Europeia. É curioso que sejam os mesmos que nos últimos anos vêm vilipendiando a tirania de Bruxelas que nos impõe regras e condições, aqueles que mais se insurgem contra o atrevimento do governo inglês fazer depender do veredicto popular a decisão sobre um assunto que classificam como demasiado melindroso e intrincado, o abrir de uma caixa de pandora que pode conduzir à debacle da periclitante geringonça que sempre foi a Europa. A democracia tem afinal um preço que as domésticas elites nem sempre se dispõe a pagar.

Estou convicto que a sabedoria dos britânicos resultará numa vitória clara da permanência, que passará a estar legitimada pelo voto e cujas condições os seus representantes saberão, comos sempre souberam, negociar. Se o exacerbar dos nacionalismos é um inegável potenciador de conflitos e de bloqueio económico num mundo em imparável processo de globalização, subestimar as particularidades e o caracter de cada nação europeia em troca de uma federação artificial e antidemocrática é um atalho para a queda no abismo do visionário projecto de Jean Monet.
É nesse sentido que estou convencido que devemos confiar no bom senso reformista e conservador dos britânicos, que em muitos aspectos deveríamos ter como exemplo.

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Almas de lacaio

por José Mendonça da Cruz, em 23.06.16

Não sei porquê a decisão do governo de mandar a nova pide espiolhar as poupanças bancárias, e os pressurosos comentários sobre a bondade deste «combate à evasão fiscal» fizeram-me lembrar a peça deste cantor/diseur sobre povos que são como «mexilhões fechados na concha e tranquilos» e «ovelhas que correm para o matadouro, quase orgulhosas».

 

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Um verme, dois vermes...

por José Mendonça da Cruz, em 22.06.16

Hoje na RTP, Perez Metelo* expendeu a teoria de que o buraco da Caixa Geral de Depósitos resultou de uma conspiração para a debilitar a fim de a privatizar.

Não há abjecção, vilania ou estupidez a que esta gente não desça para defender os desastres do socialismo e qualquer um que ameace desmascará-los.

 

* o mesmo que em 2010 defendia na TVi que os fundamentals da economia estavam todos bem.

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Viva Cristiano e o mérito, abaixo o circo e as ilusões

por José Mendonça da Cruz, em 22.06.16

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Uma das facetas mais confrangedoras deste campeonato europeu está na constatação de como o futebol serve ao manobrista que temos por primeiro-ministro como circo -- a geringonça diria, no  seu arcaico papaguear, «ópio do povo» --, e como essa distracção serve bem melhor este «tempo novo» do que serviu o Estado Novo.

A segunda faceta mais confrangedora deste campeonato europeu está na constatação de como o povo se ilude com o circo, crendo que também aí (tal como, julga ele, acontece na vida) a sorte, o deixa andar, o bacalhau basta e a mediocridade magicamente conquistarão bem-estar,  felicidade e taças.

A terceira faceta mais confrangedora deste campeonato europeu está na constatação do ressentimento vil que move comentadores de televisão e de bancada contra um dos dois melhores jogadores do Mundo, Cristiano Ronaldo, tão diferente de Messi, tão melhor em tantas coisas, e naturalmente pior em algumas. As palavras desses comentadores ressumam uma inveja pegajosa e malevolente, que lhes vem de CR trabalhar e se esforçar como eles nunca se esforçaram, nem trabalharam, nem se esforçarão, nem trabalharão; fruto de CR ter uma qualidade e um crédito mundial que eles nunca tiveram nem terão; de CR ganhar por mês o que eles nunca ganharam nem ganharão numa vida; de CR ser desejado pelas maiores empresas mundiais do ramo como eles nunca foram nem serão; de CR ter exibições e estatísticas que desmentem as críticas ressabiadas, como eles nunca tiveram nem terão; de CR ter sucessos pessoais e profissionais como eles nunca viveram nem viverão.

Em aspectos bem relevantes, CR devia ser olhado como modelo, que é como o olham em todo o Mundo milhões de pessoas. Aqui, no pequeno mundo das geringonças e do malabarismo, impera a mesquinhez.  

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Saber unir

por Vasco M. Rosa, em 21.06.16

Os ataques contra a Igreja Católica nunca irão acabar, e Francisco sabe-o bem, mas com a sua qualidade humana consegue por gestos desconcertantes unir católicos e mostrar que mudanças podem ser feitas sem absoluta reversão. Sectores tradicionalistas podem afligir-se, mas não há dúvida que os radicais de esquerda terão de resfrear os seus ímpetos fraticidas, impotentes para contestar a gentileza humana deste Papa lúcido e afectuoso. Preferiam ter pela frente um adversário fixo e retrógrado, agora vão precisar de mudar de língua, se é que lhes vá servir de alguma coisa...

 

Francisco e o massacre de Orlando. 

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Porquê alinhar com o BE?

por Vasco Mina, em 21.06.16

Comissão de inquérito à Caixa: Bloco não alinha com PSD

 

Acompanho a posição de Passos Coelho e do PSD em avançar com uma comissão de inquérito à CGD. Depois das comissões de inquérito ao BPN e ao BES era o que faltava não sermos (nós os que pagamos impostos e que, por junto, suportamos os desmandos do setor financeiro) devidamente esclarecidos sobre a situação do Banco do Estado. O que eu não entendo é a opção (ainda que tática) do PSD em alinhar com o BE. É que não é possível estar, em simultâneo, nos dois lados. Aconteceu com as barrigas de aluguer e volta a verificar-se agora. Será que a Direção do PSD ainda não percebeu que o BE nunca foi, não é e não deveria ser nunca parceiro político?

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A escola Sócrates no seu esplendor…

por Vasco Mina, em 20.06.16

“A proposta de comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos tem como objetivo principal lançar mais outro ataque de caráter sobre mim e sobre o Governo que liderei”

 

“Esta jornalista ainda não foi despedida por escrever factos falsos?”

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Canavilhas

por João Távora, em 20.06.16

centenario.jpgNão se entende o espanto que por aí anda com o juízo de Gabriela Canavilhas partilhado ontem sobre a jornalista do Público que descreveu algo que ela não concorda. Não deveria ser preciso recuar à sangrenta Revolução Francesa, à tirania da Primeira República ou ao PREC de má memória para sabermos que as esquerdas não têm qualquer predisposição ou simpatia particular no que respeita à liberdade de expressão… dos outros. Por isso é que me parece que a antiga ministra socialista não caiu numa ratoeira, a Direcção Editorial do Público é que tarda a libertar-se dela. 

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Lisboa lisboeta (6)

por João Távora, em 20.06.16

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 Xabregas. Lisboa tem muito estilo. 

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A prova dos nove

por João Afonso Machado, em 19.06.16

Fonte da maior confiança garantiu-me; a descer a Avenida da Liberdade ontem, pela «escola pública», não mais do que 5.000 pessoas. As mesmas 80.000 das mentiras de Mário Nogueira. E entre elas Arménio Carlos e a fina flor dos sindicalistas, algumas excursões e comboios fretados oriundas de todo o país, e a incontornável Catarina Martins (mesmo sendo impossivel alguma vez estarmos de acordo, quão preferivel é a rusticidade amestrada de Jerónimo!) explicando ao mundo como é que o mundo, obedecendo aos seus desejos, doravante se há de comportar.

No Porto a manifestação pró ensino livre pareceu mais genuína, menos politizada. Não sei quantificar os pais, professores e alunos participantes e tendo a desculpar a audácia destes últimos, trocando as usuais beijocas aplicadas aos dirigentes das massas nas arruadas da Esquerda pela defesa das suas escolas. Não creio grave esta «manipulação pelos interesses capitalistas» de que terão sido alvo. Consta - não estive lá -  compareceram somente nortenhos,e não se viram Ferraris.

No mais, a conclusão é a mesma de sempre - nenhuma. A Esquerda é dona desta razão toda e pronto. Mas aguardemos o inicio do ano lectivo e as peripécias que se adivinham. Talvez o adolescente ministro vá recambiado para casa, sem experimentar outros exames, e talvez cá na terra caiam mais alguns muros de berlim...

 

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Saltos

por Vasco M. Rosa, em 19.06.16

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Diz o Expresso, e eu acredito, que na visita à exposição de Amadeo de Souza-Cardoso no Grand Palais de Paris, AC saiu de cena e voltou com um pequeno envelope para oferecê-lo a MRS, pedindo-lhe que o abrisse ali, diante de todos, jornalistas incluídos.

O envelope continha um postal com um quadro de ASC, O Salto do Coelho, para mais um fait-divers mediático a juntar à vaca voadora e a outras maravilhas nativas. «Uns [Coelhos] saltam, outros não...»

A cultura é só para isso: coisa instrumental para golpes baixos e imbecis, além de clientelas instaladas e servis, caladíssimas quando a sensatez pedia intervenção (no que toca a câmara de Lisboa e o património e urbanismo da cidade, por exemplo). 

Não se vai a bom sítio com isso...

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O meu amigo José Maria André escreve hoje, no Correio dos Açores, um texto em que nos dá a conhecer quer o Movimento “Scholas Occurrentes” quer uma carta recente do Papa Francisco sobre o fenómeno da corrupção. Nesta missiva, o Papa considera que caminho da corrupção “é um escorregar suave, quase sem a pessoa se dar conta, e que depois continua como todas as tentações: cresce, contagia e justifica-se... e no final ficamos pior que no princípio». Mais contundente ainda: “é um caminho resvaladiço, suave e cómodo... e teremos mil razões para o justificar, mas é um caminho que mata”. Depois e a título de exemplo recorre ao futebol: “Prefiro um jogo de futebol improvisado pelos rapazes num pátio do bairro, com uma bola comum e com alegria limpa, a um grande campeonato num estádio famoso, encharcado de corrupção (lembrem-se da FIFA do ano passado)». Remata ainda: “para fugir do risco da corrupção é preciso austeridade, pobreza e trabalho nobre”. Porque hoje é Domingo, dia do Senhor para os Cristãos, com o futebol na ordem do dia, é por isso mesmo o momento certo para refletirmos sobre o que o Papa nos diz sobre a corrupção. Quem tenha olhos para ler, que leia!

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Corta-fitas

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