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"Operação Marquês"

por João Afonso Machado, em 25.11.14

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Enganei-me. A medida de coacção aplicada foi a mais grave: Sócrates está em prisão preventiva. E a Esquerda de cabeça perdida. Tudo conforme a noite televisiva de ontem.

Depois lembrei-me - «Operação Marquês»... Com acento circunflexo, logo não era «Marques», um Marques qualquer. Ocorreu-me, salvaguardadas as devidas distâncias, também o Marquês de Pombal, logo após a morte d'El-Rei D. José, se viu desterrado para os seus domínios, longe da Côrte onde durante décadas impusera a sua vontade e aonde jamais regressou. Exercera, até à subida ao trono de D. Maria I, o cargo de Secretário do Reino. Foi o 1º Ministro de então.

É claro, nos 16 anos da I República multiplicaram-se os casos de ministros e chefes de Ministérios a passarem pelos calabouços. Mas isso era fruto das sucessivas revoluções, não de processos judiciais nem da prática de algum ilícito em concreto. Não, o caso de Sócrates é diferente e não parece a República da corrupção se assuma inspirada na República da vandalização.

Sócrates protagoniza uma situação histórica ímpar, portanto. (Mesmo porque nem se aproxima do grande estadista que o Marquês foi - PPP's para auto-estradas competindo com a reconstrução de Lisboa?). Politicamente, Sócrates é um fantasma; um"careto", personagem de que ele ainda não estará esquecido.

Nada disto é importante, salvo a prisão de um ex-1º Ministro num país dito civilizado, europeu. Também parece óbvio que a pregação da não interferência nas decisões do Tribunal Constitucional não se aplicará ao juiz Carlos Alexandre. A rapaziada é assim. Nesta altura, o fundamental é a Direita saber comportar-se...

 

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Terra queimada

por João Távora, em 25.11.14

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As posições que vão sendo assumidas pelos principais actores da indústria do comentário político, desvalorizando o facto inédito de um ex primeiro-ministro se encontrar detido em prisão preventiva acusado de crimes graves, missão em que a jornalista Clara Ferreira Alves se assumiu como ponta-de-lança, diz-nos muito sobre o que aí vem no debate politico em anos de eleições. Esse é o chão em que vai correr a narrativa subjacente ao discurso socialista: onde começa e onde acaba a disputa, e se são ou não os políticos todos iguais. E vai ser curioso verificar como a facção daqueles que convenientemente acham que ninguém se destaca da nebulosa podridão, são os mesmos que, reclamando uma justiça incapaz de punir os poderosos, jamais perderam a oportunidade de lançar as mais odiosas suspeitas e assassinatos de carácter sobre os seus opositores. A esses cuja retórica sempre se alimentou do pântano e da insidia, convém agora fazer passar a mensagem de que "somos todos iguais” na política. E ai daquele que se atrever destacar da putrefacção geral. Estranho instinto de sobrevivência que os impele para o suicídio…  

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Não é uma crise do regime, é uma crise do socialismo

por José Mendonça da Cruz, em 25.11.14

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 Os primeiros ministros não são todos iguais; os corruptos também não

O engano começou quando um pateta cunhou a frase «É a primeira vez que um primeiro-ministro é preso em democracia», e continuou quando outros o imitaram. A frase seria uma mera constatação de facto e, como tal,  irrelevante, se não viesse carregada da intenção de desculpar generalizando aquilo que é particular, como se a estrutura e a circunstância pessoal, política e moral de Sócrates fosse a mesma de Cavaco, Soares, Barroso, Guterres, Mota Pinto, ou Santana Lopes. Como se a Justiça, cega e volúvel, tivesse decidido ter agora um capricho ad hominem. Sejamos claros: o que realmente se passa tem pouco a ver com «a primeira vez que um primeiro-ministro foi preso em democracia»; e tem tudo a ver com a primeira vez que um primeiro-ministro suscita suspeitas fundadas de corrupção, fraude fiscal e lavagem de dinheiro no exercício do seu mandato.

O engano continuou quando algum Teixeira ou algum Marcelino, ou alguma SicNotícias ou alguma TSF proclamaram que havia uma crise do regime, manifestada na sucessão de crises, a dos vistos gold e agora esta. A mesma intenção generalizadora e desculpabilizante preside a estes lamentos. E só essa intenção explica que se compare um caso (grave, sem dúvida, mas restrito a um domínio administrativo) de corrupção de altos funcionários do Estado  (os vistos gold) com aquilo que será, caso Sócrates venha a ser declarado culpado, a actuação de um primeiro-ministro cuja governação seria determinada não pelo bem público mas pela vontade de enriquecimento pessoal, acompanhada de manobrismo para ocultação dos meios ilícitos para esse enriquecimento.

O regime não está em crise. Com a justiça a funcionar e a penalização dos negócios obscuros que antes eram a norma, o regime está, sim, em rejuvenescimento -- como se viu no desmascaramento do BES, no ruinoso fim dos enredos da PT, e ainda mais claramente se suspeita que está a acontecer agora.

 

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 Não se trata apenas de uma questão judicial; ela é política, política, política

Sob alegação de defesa da autonomia energética e de promoção da modernidade e das energias renováveis, os governos Sócrates outorgaram rendas excessivas a alguns operadores, submetendo os consumidores a tarifas pesadas e a um esquema absurdo em que pagam mais ainda que consumam menos. Mas, agora, é legítimo perguntar se as intenções virtuosas com que foi justificado esse sistema irracional e injusto não seriam apenas disfarces para uma vontade de proporcionar ganhos ilegítimos aos beneficiários da decisão, as eléctricas, e compensações pessoais para o decisor político.

Sob alegação de combate à interioridade, de modernização, de criação de emprego, de incentivo ao crescimento, os governos Sócrates promoveram Parcerias Público-Privadas rodoviárias com encargos líquidos futuros da ordem dos 8,7 mil milhões de euros, cujo peso se começaria a fazer sentir em 2014. Depois, inexplicavelmente, o governo Sócrates renegociou alguns desses contratos aumentando os ganhos dos privados e agravando os custos para o Estado. E, agora, é legítimo perguntar se estávamos apenas perante uma vontade de mostrar obra adiando os custos para futuros governos -- se estávamos perante mera leviandade, se estávamos perante mera e inexplicável incompetência -- ou se havia uma intenção de gerar negócios e colher percentagens.

Sob alegação de «estímulo à economia» o governo Sócrates aprovou em 2009 um pacote de investimento de dois mil milhões de euros -- obtidos a crédito no exterior porque nem Estado nem privados tinham já poupança interna suficiente --, aplicando a maior fatia na Parque Escolar, no que com irresponsabilidade ululante Maria de Lurdes Rodrigues classificou de «uma festa» para as escolas e para o país. Mas, hoje, é legítimo perguntar se a festa não terá sido mais unipessoal e clandestina.

Sob a alegação de «política de crescimento», os governos Sócrates lançaram Portugal na ruína económica e financeira (suspeitando-se hoje, enquanto Sócrates enriquecia). Esta política de TGVs, aeroportos e auto-estradas, esta política de vulgata keynesiana mal digerida, estes estímulos de milhões, estas «políticas de crescimento» saldaram-se (ao menos em termos nacionais) num falhanço retumbante e ruinoso. A taxa de crescimento do PIB per capita a preços constantes em 2009 era negativa: - 3,07%. O défice montou a 10%, fora as parcelas ocultas. A dívida pública subiu 20 pontos.

Ora estas políticas, estes métodos, estes resultados foram defendidos e em alguns casos até protagonizados pelo presidente do grupo parlamentar socialista e muitos deputados socialistas, por muitos membros da direcção do PS, e pelo novo líder socialista, António Costa. António Costa foi o número dois do primeiro governo Sócrates. Defendeu, protagonizou, subscreveu e promoveu estas políticas e estes caminhos. Defende-os e subscreve-os ainda agora, em declarações públicas e na sua moção ao congresso socialista. É, portanto, legítimo exigir de António Costa que explique como é que políticas falhadas teriam sucesso quando repetidas, e que razões tão prementes tem para insistir nelas.

Não, os membros do governo Sócrates e os dirigentes e militantes socialistas não serão todos criminalmente responsáveis caso José Sócrates venha a ser considerado culpado. Mas são todos responsáveis politicamente, e essa responsabilidade é ainda menos relevável no caso dos que protagonizaram, defenderam e ainda defendem as políticas do primeiro-ministro da bancarrota. No mínimo, avaliaram mal o carácter do primeiro-ministro e a bondade das suas políticas. No máximo, foram cúmplices.

(E, se se confirmar a culpa de Sócrates, e após considerarmos os corolários políticos, devemos exigir que a justiça se ocupe do que se passou... na justiça e na investigação criminal. Ou seja, qual foi ou não foi o papel de Pinto Monteiro, na PGR, de Noronha do Nascimento, no STJ, e de Candida de Almeida, no DCIAP, nos estranhos obstáculos, prescrições, arquivamentos e destruição de provas em processos que envolviam José Sócrates.)

 

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 Ainda há votos para os profetas do passado?

Têm razão Vasco Pulido Valente e Fátima Bonifácio, tem razão o primeiro-ministro francês Manuel Valls, o socialismo é arcaico (e presunçoso), e perdeu qualquer utilidade ou papel no mundo moderno, que não compreende e enjeita. É assim em todo o lado. Os socialistas do nosso torrão penduram-se em alguns estribilhos: a «solidariedade», as «políticas de crescimento», a «defesa do Estado Social». São noções vazias de sentido, ou que falharam sempre que foram tentadas, e que sempre pressupõem uma redistribuição da riqueza que não existe. Perante essa falência, e para se preservarem alguma noção de vanguarda, os socialistas enveredam por «questões fracturantes», as quais, além de lhes proporcionarem um pouco com que se engalanarem, produzem sobretudo desarticulação nas sociedades, nomeadamente envelhecimento da população, decréscimo da população activa e das contribuições sociais, e desestruturação das famílias e das comunidades. Politicamente, o socialismo é passado. Economica e financeiramente, o socialismo é a ruína. Mas os estribilhos e as ilusões ainda embalam muita gente. Legitimamente, devemos perguntar-nos hoje quantos serão os iludidos, e quantos e quem serão os venais e cínicos escondidos sob a capa da demagogia.

Em 2005, votaram num Sócrates que nada recomendava 2 588 312 eleitores. Em 2009, votaram num Sócrates que tudo recomendava que fosse afastado 2 077 695 eleitores. Pode ser que em 2015 o número de iludidos e burros (e a hoste dos corruptos) ainda ultrapasse o milhão.

 

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TENHO PENA!

por Vasco Lobo Xavier, em 25.11.14

Tenho pena de que Miguel Sousa Tavares se preste a coisas destas. Eu vi e ouvi, ninguém me contou. Ele disse que a prisão preventiva é só para situações gravíssimas, não para casos de colarinho branco.

Eu, de colarinhos, só sei que não os quero apertados, sejam brancos ou coloridos. Mas um primeiro-ministro de um país (que por ele foi levado à bancarrota, embora isso seja um pormenor no meio desta treta toda) que se abotoa com 25 milhões de euros, segundo uma investigação que se imagina minimamente cuidada, pratica, a meu ver, crimes gravíssimos, sejam eles de colarinho branco ou de t-shirt.

E, neste caso concreto, como diria Ferro Rodrigues, “há que salientar uma pessoa, um nome: José Sócrates!”

No mais, ter-se-ão seguido as regras processuais que os recursos avaliarão e as subsequentes investigações demonstrarão ou não.

Mas MST não esteve no seu melhor nos seus comentários, nem perto disso. Tenho pena, pois gosto dele. Desejo-lhe uma boa noite de copos com a Clara Ferreira Alves e que escolham os táxis para regressarem às respectivas casas.

 

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Este país era uma Sicília

por Maria Teixeira Alves, em 24.11.14

1- Ricardo Salgado deixou as instalações do Central de Instrução Criminal sob caução, de três milhões de euros. O ex-presidente do BES seguiu para casa como arguido, sob acusação de burla, falsificação de documentos e branqueamento de capitais e abuso de confiança, após cerca de sete horas de audição.

2- Três dos arguidos no caso dos vistos gold estão em prisão preventiva desde sexta-feira à espera de uma decisão do juiz de instrução criminal Carlos Alexandre para saberem se podem ir para casa com pulseira electrónica. Ex-director do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras deverá ir para casa com pulseira electrónica, tal como ex-secretária-geral do Ministério da Justiça e empresário.

3- José Sócrates vai aguardar julgamento em prisão preventiva. O ex-primeiro-ministro é acusado de fraude fiscal, corrupção e branqueamento de capitais, no âmbito de um processo por crimes económicos. Esta é a primeira vez que é aplicada prisão preventiva a um ex-primeiro-ministro em Portugal.

4- Duarte Lima foi hoje formalmente acusado de homicídio pelo Ministério Público brasileiro. Na acusação, a que a SIC teve acesso, o ex-deputado é apontado como o autor dos disparos que mataram Rosalina Ribeiro. O Brasil quer a prisão preventiva de Duarte Lima e já pediu à Interpol para pôr o nome na lista dos procurados internacionais, ao abrigo do artigo 121 do Código Penal brasileiro. Isto porque não existe acordo de extradição entre Portugal e Brasil.

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CASABLANCA:

por Vasco Lobo Xavier, em 24.11.14

"Teremos sempre Paris...", disse Humphrey Bogart para Lauren Bacall enquanto se despediam com dor no nevoeiro do campus da justiça.

 

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As coisas são como são

por Vasco Lobo Xavier, em 24.11.14

Os jornalistas estão furiosos com o sistema judicial. Hoje, uns quantos queriam exigir que os Tribunais fossem obrigados a fazer uns relatórios periódicos para os jornalistas que estão para ali a secar. Esta exigência era defendida antes desta espera nocturna. Admito que deve ser chato para aquela multidão, que pouco ou nada percebe de direito e das regras processuais e debita disparates por nada mais ter a dizer, estar ao frio e chuva, com medo de ir fazer xixi ou beber um fino e assim perder um directo, um carro celular que saia com espavento, uma foto de um nariz no fundo do carro que seja reconhecível, qualquer coisa. Deve ser chato. Mas devia ser facilmente compreensível que os magistrados e os advogados estão ali para tratar dos arguidos, e não dos jornalistas. Um magistrado que, num reduzidíssimo espaço de tempo, tem de tomar decisões importantíssimas relativamente à vida das pessoas, tem mais de se preocupar com elas e com uma boa decisão do que com os jornalistas e os horários dos directos. É uma chatice para os jornalistas, mas é assim mesmo.

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Um argumento sem jeito:

por Vasco Lobo Xavier, em 24.11.14

 

Para evitar discutir o essencial, jornalistas, comentadores e os amigos de Sócrates atacam a forma como ele foi detido para ser interrogado (não obstante essa detenção ter sido tão discreta que nenhum câmara, sequer de telemóvel, a apanhou e a maior parte da comunicação social ter ficado a apanhar bonés).

Uma das críticas que fazem à detenção é deliciosa. Não era necessário ter detido o homem porque ele, mesmo sabendo que iria ser detido quando pisasse o solo português, veio para cá. Até Marcelo Rebelo de Sousa afirmou estar convencido de que ele sabia que iria ser detido e, ainda assim, escolheu vir para Portugal. Alguns vão ao ponto de dizer que isto deveria constituir uma atenuante.

Mas, pergunte-se: como saberia ele que iria ser detido?

Sabia, alegam todos em coro, porque os seus amigos tinham sido todos detidos na véspera.

Ora bem. O argumento é bonito mas só serve como demonstração de culpabilidade. Se eu, ou o comum dos mortais, receber a notícia de que alguns amigos foram detidos ficarei preocupado com eles e com pena deles, mas não me passa pela cabeça imaginar que a seguir serei eu. É um pensamento que não me ocorreria. A que propósito? Só se tivesse rabos-de-palha.

 

Portanto, a questão é: se, como muitos dos seus defensores apregoam, Sócrates, face à detenção daqueles três amigos, sabia que iria imediatamente ser detido também, algum motivo ele teria para pensar isso (isto é evidente). Qual?

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Coincidências (2)

por Vasco Mina, em 24.11.14

Informação recolhida pelo Observador indica que terão sido os sucessivos adiamentos do voo de regresso que levaram as autoridades a avançar com a detenção no aeroporto. A intenção inicial seria pedir ao ex-primeiro ministro que os acompanhasse em diligências, como as buscas que ocorreram sábado na casa de Sócrates. Outro sinal foi o almoço privado entre Sócrates e o antigo procurador-geral da República, Pinto Monteiro, que decorreu no início da semana.

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Coincidências (1)

por Vasco Mina, em 24.11.14

Segundo avança o Semanário Sol, o ex-primeiro-ministro teria 20 milhões de euros numa conta num banco suíço, a UBS, que estava em nome de amigo e quadro do grupo Lena, Carlos Santos Silva. Esse património terá sido transferido para Portugal, para uma conta do Banco Espírito Santo

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Eu admito!

por Vasco Lobo Xavier, em 23.11.14

Aos que me acusam e me consideram excessivo. Considero existirem três coisas (sim, "coisas", e até passei a deixar 1910 de fora do pódio, vejam lá...), que foram muito más para Portugal: Alcácer Quibir, o PREC, e Sócrates. Não tenho culpa do meu teclado concordar inteiramente comigo.   

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Coisas que ninguém se interroga....

por Vasco Lobo Xavier, em 23.11.14

E os sobrinhos, filhos do falecido irmão, também supostamente herdeiros milionários, vivem com igual fausto?  

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Um pouco de ficção? Ou talvez não?

por Vasco Lobo Xavier, em 23.11.14

 

Vamos que estávamos sob governo socialista.

Quinta e sexta-feira ter-se-iam sucedido telefonemas entre os mais altos membros das cúpulas. Talvez mesmo para o Ministro da Justiça e para o próprio Procurador Geral, que se lamentaria pelo facto de o processo já estar ao cuidado do juiz de instrução, pelo que não haveria nada a fazer para evitar a detenção.

Comissões e grupos de especialistas nomeados à pressa estariam já a preparar alterações de várias disposições dos Códigos Penal e de Processo. E legiões de funcionários limpariam, embelezariam e engalanariam com sumptuosos arranjos florais a Assembleia da República para o dia, que imaginariam breve, em que se festejasse com enorme fausto a esplendorosa recepção do herói libertado.

E partindo no acto umas quantas mobílias da casa da democracia.

 

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Dito de outra forma...

por João Távora, em 23.11.14

Que o "regime" não é bom já sabemos, mas as alegadas trafulhices de José Sócrates descredibilizam-no unicamente a ele e aos seus indefectíveis. Pretender pôr tudo e todos no mesmo saco é prestidigitação política de intenções duvidosas.

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Quem tramou Sócrates...

por João Afonso Machado, em 23.11.14

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De acordo com a célebre entrevista ao Expresso, há treze meses, o que tramou Sócrates foi a morte do cãozinho da sua mãe, e o facto de a senhora, em consequência, ter comprado um apartamento na Rua Braamcamp a uma off-shore para não ficar sozinha. Mas parece que as sucessivas recargas, por outrém, da sua modesta (e única) conta bancária na CGD com avultadas quantias também não ajudou... E os três milhões, preço da sua residência en Paris, outrossim terão embasbacado, mais ainda, a Justiça. Decerto acabrunhada pela determinação do Presidente do STJ referente à destruição total da gravação das famosas escutas.

O "caso José Sócrates" é uma realidade, são já duas noites dormidas na cela. Nada indica aqui excesso de zelo da PJ. Muito provavelmente, findos os interrogatórios, Sócrates, constituido arguido, prestará substancial caução (a família ajuda...) e não poderá ausentar-se do País. E, a não se dar o milagre do Mapa Judiciário de Paula Teixeira da Cruz ser mesmo eficaz, o processo arrastar-se-á por toda a próxima década. Para concluir em qualquer coisinha muito consentânea com o esquecimento e a apatia dos portugueses.

Em síntese, o Poder Judicial (um Poder sem cara mas com muitas cabeças), aparentemente, resolveu lavar o Regime por dentro. Sucedem-se os "casos" no mundo dos poderosos. Mas tem pela frente a fortaleza maçónica.

Assim a novela Sócrates não tenha o mesmo desfecho que teve a de Paulo Pedroso... Resta aguardar. E gozar o brinde: logo à noite, a RTP não transmitirá a costumeira vergonha paga por todos nós.

 

(Fotografia tirada na manifestação anti-Governo Sócrates em 14.MAR.2011).

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Silêncio ruidoso

por João Távora, em 23.11.14

Falta-nos ouvir a vigilante Dra. Ana Gomes falar sobre a promiscuidade entre a política e os negócios, offshores e corrupção.

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Qual problema do regime, qual carapuça…

por Vasco Lobo Xavier, em 23.11.14

 

Do Bloco de Esquerda ao Partido Socialista, passando por alguns do PSD (e ainda uns jornalistas inconsoláveis), tudo anda a querer dourar esta pílula dizendo que é um problema de regime, amenizando a coisa sublinhando a fraude fiscal (mais compreensível, julgam eles) e esquecendo a corrupção que lhe fez entrar nos bolsos vinte milhões de euros, dizem ainda que são todos iguais, que é tudo a mesma coisa.

 

Mas não, não é. Trata-se de uma pessoa, que infelizmente foi primeiro-ministro de dois governos socialistas deste desgraçado país e o levou à falência, uma pessoa que se abotoou com vinte milhões para viver à grande e à francesa, literalmente, que terá criado regimes jurídicos para deles se aproveitar.

 

Trata-se da pessoa que ainda há dias Ferro Rodrigues e Vieira da Silva endeusavam na Assembleia da República, da pessoa que António Costa elogiava, da pessoa que a grande maioria dos socialistas elogiava, da pessoa que queriam que fosse condecorada pelo PR (menos Augusto Santos Silva, que considerava que essa condecoração seria uma nódoa no fabuloso currículo de Sócrates), da pessoa que muitos socialistas queriam ver na Presidência da República, da pessoa que muitos da bancada socialista da AR, bem como no Parlamento Europeu, idolatrava.

 

Um problema de regime?!? Isto é um problema dele e dos que o apoiaram e apoiam, o regime não tem nada a ver com isso, para lá de ter sido espoliado em 20 milhões e sabe-se lá quanto mais.

 

E não acredito que ninguém daquele partido socialista nunca se tenha interrogado sobre o modo como ele vivia, o luxo, as viagens, as despesas, tudo sem fazer um chicote. Deviam andar todos ceguinhos.  

 

 

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a surpresa:

por Vasco Lobo Xavier, em 23.11.14

 

A única coisa que me surpreende neste caso da detenção de Sócrates é haver quem se diga surpreendido com o sucedido.

Surpreendidos? Relativamente a uma pessoa cuja vida é um chorrilho de casos mal explicados, uma colecção de estranhas coincidências que a mais ninguém era possível? Um tipo que sem rendimentos se atira para um ano de luxo em Paris? De mercedes e viajando em executiva? Com férias escolares pelo mundo fora? Qualquer um sabe o que custa ganhar a vida e pagar as contas e os estudos dos filhos e vê-se um matulão preguiçoso com idade para ter juízo a viver à grande em Paris, supostamente com a mesada da mamã? A minha última discussão conjugal foi por causa dos preços dos restaurantes que escolhi (exigi) para uns quatro dias em Paris e anda aquele badameco a estoirar eypos em notas pelos melhores restaurantes parisienses e a fazer de parolo a pagar as contas das mesas vizinhas?

Estranho é que tenha demorado tanto tempo a passar dos hotéis de 5 ou mais estrelas para o calabouço arejado das instalações da PSP, em Moscavide. Claro, claro, claro, eu sei que há a presunção de inocência mas isso é apenas uma presunção que o modo de vida do homem afasta completamente.

Surpreendidos por ser a primeira vez que um ex-primeiro-ministro foi detido? É simples: é que foi a primeira vez que tivemos um primeiro-ministro deste calibre. E ainda queriam os socialistas que o PR o condecorasse e lhe colocasse ao peito uma medalha. Nem de pechisbeque. Dêem-lhe antes um número e um fato às riscas, horizontais, que lhe ficam tão bem.

 

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O fim da Era Sócrates

por Maria Teixeira Alves, em 23.11.14

O Grupo Lena começa a soar campainhas pela primeira vez em 2009, quando toda a gente falava de um novo jornal de um belo design que surgiria no mercado, na altura com uma equipe de jornalistas de luxo. Quem seria o dono do jornal I, quem seria? Todos se perguntava. Era um grupo de construção de Leiria denominado grupo Lena o dono do jornal I. Ninguém estranhou na altura que um grupo de Construção fosse o dono do I. O novo jornal diário generalista da imprensa portuguesa, cujo primeiro número foi lançado em 7 de Maio de 2009, viria a ser vendido em Junho de 2011 a Jaime Antunes.

Hoje vem se a saber das ligações entre o Grupo Lena e Sócrates e reparem na coincidência, 2009 é quando Sócrates precisa de ganhar o segundo mandato e 2011 é quando Sócrates sai do Governo, chega a troika e Pedro Passos Coelho, por esta ordem.

O grupo Lena foi uma das empresas que mais beneficiou das viagens oficiais do governo liderado por Sócrates, tendo ficado famosos os contratos assinados na Venezuela, ainda durante a presidência de Hugo Chavez. O ex-administrador do grupo Lena, Carlos Santos Silva, o advogado Gonçalo Ferreira e João Perna, motorista, foram os outros detidos, a par com Sócrates, segundo uma nota da Procuradoria-Geral de República.

Estão a ver o estilo? PT tenta comprar TVI, Grupo Lena com jornais, etc, etc, etc, não falemos de outros casos.

Este estilo Sócrates/Salgado está a acabar. Graças a Deus, mas ainda não acabou totalmente, é certo.

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Água na fervura, vá...

por João Távora, em 22.11.14

"Uma sociedade livre define-se pela abundância de escândalos - as ditaduras é que não têm escândalos"

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