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Uma entrevista fundamental e fabulosa

por henrique pereira dos santos, em 25.06.17

Obrigado ao António Salgueiro, pelo que diz, obrigado à Carla Castelo pelas perguntas que faz mas, acima de tudo, pela genuína vontade de compreender que é patente na entrevista.

Talvez mais de metade dos posts que tenho escrito aqui criticam, às vezes acidamente, a comunicação social, mas neste momento gostaria de realçar a poderosa demonstração do que é a utilidade do jornalismo e da comunicação social.

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A pressão jornalística portuguesa ao El Mundo

por Maria Teixeira Alves, em 24.06.17

Os jornalistas portugueses não se conformam. O El Mundo atreveu-se, tamanho desplante, a pôr em causa o Governo das esquerdas unidas. Mas que sacrilégio.

Tudo por causa do El Mundo ter noticiado na passada quarta-feira as críticas crescentes à "gestão desastrosa da tragédia" por parte do Governo do primeiro-ministro António Costa, prevendo até "o fim da carreira política" do governante português. No mesmo artigo, o jornal espanhol refere ainda que as principais reivindicações tem caído "em particular" sobre a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa.

O artigo desta quarta-feira, intitulado "Caos no maior incêndio da história de Portugal: 64 mortos, um avião fantasma e 27 aldeias evacuadas", pretende fazer um rescaldo da situação em Portugal ao quarto dia do incêndio em Pedrógão Grande. São ainda apontadas falhas "na coordenação das autoridades, tanto a nível dos trabalhos de extinção, como da comunicação com os media".

Eis que de repente há investigações e denúncias ao jornalista (imagine-se). Queriam identificá-lo para o ostracizar? Para o banir? Para descobrir algum podre que o desacreditasse? Descobrem que não o descobrem e com tamanha lata questionam o El Mundo, como se o jornal não tivesse competência para escolher jornalistas, ou para decidir a credibilidade das reportagens que publica.

Mas o conteúdo da notícia é falso? Isso nem é tema.

O importante é expô-lo na praça pública. Os portugueses queriam queimá-lo na fogueira do mediatismo. Mas lamentavelmente não têm uma cara para acusar, um cadastro, um currículo. Querem obrigar o jornal a revelar o culpado de ter criticado um governo de esquerda. O El Mundo não sabe que isso é imperdoável a um jornalista em Portugal.

Chega ao cúmulo de os jornalistas portugueses, representados pelo Sindicato, pedirem explicações a um jornal espanhol, fundado em 1989 e que vende mais do que o Correio da Manhã  (vou rever a minha condição de sindicalizada), e que não recebe lições dos jornalistas portugueses. Quem é o jornalista que assina como Sebastião Pereira o jornalista que escreveu o artigo? A Comissão da Carteira também questiona.

O El Mundo nem queria acreditar e a editora de internacional vê-se obrigada a desligar os meios de contacto.

Respondeu ao sindicato de jornalistas portugueses. "Nada fizémos de errado, recorremos a um jornalista que utiliza pseudónimo e que já conhecemos bem". Respondeu a editora da secção de Internacional do 'El Mundo' ao português Sindicato dos Jornalistas. "Párem de me atacar no Twitter! Párem de me enviar emails! Párem de tentar telefonar-me! Em 22 anos nesta secção nunca me aconteceu algo assim, nem nos casos da Venezuela ou da Turquia!" Nem mais.

Mas o importante agora é saber quem escreve? Ou o importante e refletir-se sobre o que está escrito? Algum leitor lê a assinatura dos artigos? O importante é confiar no jornal e na credibilidade editorial de um jornal. Se o jornalista assina com pseudónimo, ou se não assina sequer não é importante.

Cito um comentário que li no Facebook. "Não consigo perceber que no ano 2017 quando não estamos de acordo com o que se escreve se comece a chamar de facho".

Está ao nível de uma Venezuela, no doubt!

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Mea culpa

por henrique pereira dos santos, em 24.06.17

Num primeiro momento, desvalorizei o enésimo comentário a responsabilizar o neoliberalismo e o capitalismo pelos fogos, mas depois percebi que era só preconceito meu: se o chavismo conseguiu por a Venezuela com escassez de petróleo, seguramente conseguiria por Portugal com escassez de fogos.

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Eucaliptocratas, diz ele

por henrique pereira dos santos, em 24.06.17

Normalmente não perco grande tempo com o que escreve Francisco Louçã, mas nestes dias tenho-me cruzado com uma ou outra coisa que escreve sobre fogos, como aconteceu hoje como texto que está no Público onde usa o neologismo que eu trouxe para o título do post.

Resolvi pois fazer um post sobre a profunda ignorância em que assentam discursos como este que, se fossem apenas de Louçã, não traziam mal ao mundo.

Infelizmente, por razões históricas e sociais, a diabolização do eucalipto tem fundas raízes sociais, acabando por influenciar o desenho de políticas públicas de uma forma completamente irracional.

Ouçamos pois os intocáveis (na intensa cobertura noticiosa, quantas vezes foram ouvidos bombeiros da Afocelca, operacionais das celuloses, responsáveis pela gestão do eucalipto, responsáveis por agrupamentos de produtores, como a Unimadeiras ou a Abastena, grupos de certificação florestal das associações de produtores?), através de uma mistura entre comentários informais do meu amigo Henk Feith, penso que director florestal da Altri Florestal (uma das duas celuloses que existem no país), que assinalarei entre aspas, e comentários meus, sem aspas. Mesmo tendo havido situações em que o meu português já foi corrigido, e bem, pelo Henk, num ou noutro pormenor pode haver um certo desvio do padrão da língua, dado que a língua materna do Henk é o neerlandês (holandês para os amigos, mas não para os próprios falantes da língua).

"se tirarmos os eucaliptos da paisagem portuguesa, também tiramos a única corporação profissional de bombeiros florestais do país da equação. Sabiam que 95% das intervenções de combate a incêndios da corporação Afocelca são fora do património das empresas de celulose. Já imaginaram as estatísticas dos incêndios em Portugal sem Afocelca? Estive estes dias no incêndio de Gois. Os únicos bombeiros que eu vi combater os fogos na floresta foram os Espanhois,que estiveram connosco a combater. Os colegas Portugueses estavam todos juntos às casas à espera do fogo lá chegar. É assim que está definida na estratégia da ANPC. Eu não discordo das prioridades estabelecidas, discordo com a estratégia para as concretizar. Para defender as casas, é preciso combater o fogo na floresta, e não ficar á espera dele junto das aldeias."

"Estivemos trÊs dias a combater e o dano (em propriedades da Altir, entenda-se) ficou limitado a 14 hectares numa propriedade de 600, dos quais 200 de pinheiro bravo e 400 de eucalipto (Propriedade Vale Lapão, por sul do parque eólico). Mas o que travou o incêndio foram as plantações de eucalipto, porque quando o incêndio la bateu em força vindo do sul, rapidamente abrandou e foi controlado por nós. Estivemos três dias a combater o incêndio fora da propriedade, sem apoio de ninguém a não ser os Espanhóis na segunda feira, em áreas abandonadas, com eucaliptos e pinheiros. Quando chegou à área devidamente gerida (por nós), o assunto ficou resolvido em poucas horas. E sim, passámos lá mais 24 horas para controlar reacendimentos, algo que também mais ninguém faz. E sim, meus colaboradores tiveram lá 36 horas seguidas a combater, a defender a sua casa, sem olhar para cansaço nem família. Porque eles sim acreditam na floresta Portuguesa e estão dispostos para a defender contra tudo e todos. Como era costume no mundo rural há décadas"

"Para nós, uma taxa de incêndio de 0,5% é aceitável em termos de gestão empresarial (é um KPI clássico). Acima disto, o dano por incêndio começa a constituir-se uma ameaça à sustentabilidade da nossa atividade empresarial. Ficámos acima deste valor em 2003, 2005, 2016 e 2017 (já). Mas em média estamos abaixo deste valor. Bem abaixo (0,3%). Estou convencido se a floresta que nos vizinha fosse gerida como a nossa, ficávamos facilmente abaixo dos 0,1%. Extrapola isto para o panorama nacional..."

"em 2017 estamos já acima dos 0,5%. Em Figueiró e Penela fomos fortemente atingidos. Estive lá. Foi impossível de travar devido à falta de gestão de grande parte da área que ardeu. Curiosamente, uma plantação nossa de 2015, Feteira, passou intocado enquanto tudo em redor ardeu. Em breve voupublicar no YouTube um vídeo sobre o efeito benéfico das plantações recentes nos incêndios, com um exemplo correto de um incêndo em 2016 em Castelo Branco"

Por umas contas que fiz aqui em cima do joelho, se a média nacional de área ardida ficasse pelos 100 mil hectares previstos (e não fica), a taxa de incêndio que teríamos no país, para comparar com os 0,3% desta empresa de celulose, seria um pouco mais de 1,5% se contarmos os matos, e entre os 3 e os 3,5% se contarmos só os povoamentos. Fiquemos pelos 1% (se é verdade que o que interessa é a área total de povoamentos, também é verdade que tipicamente mais de 50% da área ardida são matos) para comparar com os 0,3% e concluímos que o Senhor Louçã, do fundo do seu sofá, responsabiliza pelos fogos em Portugal os que ele chama de eucaliptocratas, isto é, as pessoas que conseguem ter uma taxa de incêndio de 0,3% para comparar com o que nós, como sociedade, temos para apresentar em termos nacionais, 1% (contas muito por baixo).

"eu defendo uma visão de "créditos de biodiversidade", em que as espécies produtivas como eucalipto, pinheiro bravo, pinheiro manso e sobreiro suportam a gestão das espécie "não-comerciais". Um pouco como o mercado de carbono, mas para floresta nativa. Uma fábrica que emite CO2 tem de comprar créditos de carbono; uma floresta comercial pode ter de comprar créditos de floresta de conservação. Quem planta 10 ha de floresta de produção tem de ter ou financiar 1 ha de floresta de conservação. Assim, o investimento florestar impulsiona a conservação da floresta. Em vez de proibir, promove-se o equilíbrio."

Ou seja, o eucaliptocrata que anda há três dias a bater com os costados no meio do fogo (não, não é na estrada, à volta das aldeias, é mesmo lá, nos sítios em que sabem que há oportunidades criadas pela gestão para parar o fogo), afinal defende uma solução de onerando a exploração permite financiar a conservação, mas o senhor Louçã, do fundo do seu sofá, acha que o mais eficaz é proibir a actividade económica que permite a libertação de recursos para a gestão, entregar mais não sei quantos milhares de hectares ao abandono que potenciam a dimensão social catastrófica dos fogos, liquidar a mais eficiente e a única estrutura profissional de bombeiros florestais e diminuir o rendimento de 400 mil pequenos proprietários.

Eucaliptocratas, diz o senhor Louçã. Obrigado Henk, obrigado Tiago Oliveira, e muitos outros, direi eu.

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Tais quais, oliveiras, olivais

por henrique pereira dos santos, em 23.06.17

"eucaliptais intensivos jogam na mesma equipa que olivais intensivos em matéria de esgotamento de solos, biodiversidade, etc. Mas não tem, de perto nem de longe, o mesmo comportamento em fogos!"

Este comentário foi-me feito por uma pessoa informada, séria, bom rapaz e com formação e conhecimento em gestão de paisagem, a propósito do facto de eu ter dito qualquer coisa sobre a quase irrelevância da questão do eucalipto para a gestão dos fogos.

Vale a pena comentá-lo porque traduz um conjunto de mitos que toldam a discussão racional da gestão do território.

Olivais intensivos, eucaliptais intensivos, milharais intensivos, pomares intensivos, pecuária intensiva, etc., são tudo opções dos produtores que devem ser livres num mercado livre.

Mas é perfeitamente razoável que sejam impostas restrições quando a decisão de interesse individual colide com o interesse público: se, de facto, os eucaliptais tivessem alguma importância decisiva para a gestão racional do fogo, poderia fazer sentido limitar a sua expansão (na realidade, o que seria aconselhável, nesse caso, seria o seu arranque, e não meramente a limitação da sua expansão, porque a situação existente, pelos vistos, já seria incomportável). Não havendo qualquer relação relevante entre gestão do fogo e a presença de eucaliptos, faz tanto sentido aprovar a limitação à sua expansão como atirar balões de água para as frentes de fogo.

Mas poderia fazer sentido aprovar limitações à expansão de eucalipto como à expansão de olivais intensivos se, como é dito no comentário, houvesse perdas relevantes para o solo, a biodiversidade, etc..

Grande parte da fundamentação para este tipo de afirmações baseia-se num método de análise absurdo que consiste em comparar a biodiversidade de espaços produtivos com espaços não produtivos, concentrando-se num dos lados da equação (por exemplo, a biodiversidade) mas omitindo o outro lado da equação (o valor económico).

Os espaços produtivos são simplificações dos sistemas naturais (mais ou menos profundas depende do modelo de gestão desses espaços) e por isso, inevitavelmente, têm um menor grau de naturalidade e, normalmente, um maior valor económico. Há sempre uma troca entre estes dois valores, portanto o que faz sentido não é comparar os dois extremos do gradiente de "naturalidade" mas sim procurar encontrar pontos de equilíbrio que sejam socialmente óptimos, satisfazendo necessidades económicas e ambientais.

Comparar os efeitos dos eucaliptais intensivos (que são uma minoria dos eucaliptais do país) com os dos olivais intensivos é interessante.

Nos olivais intensivos existe rega, o que desde logo corresponde a uma alteração muito mais profunda dos sistemas, mas a existência de água permite arrelvar as entrelinhas, o que pode ser mais interessante para alguns grupos de fauna (por exemplo, coelhos, invertebrados, etc.). Por outro lado, com operações constantes e cargas humanas maiores no olival, para além de um maior uso de fitofármacos e adubos de síntese, é muito mais fácil encontrar grandes rapinas em eucaliptais, à procura de tranquilidade, que em olivais intensivos.

Portanto, do ponto de vista de biodiversidade não é nada verdade que os eucaliptais intensivos joguem no mesmo campeonato dos olivais intensivos: os dois têm, de maneira geral, uma relativamente baixa diversidade biológica, mas os primeiros são mais úteis para espécies mais ameaçadas e os segundos são mais úteis para espécies comuns, podendo, no entanto, ser importantes por produzirem uma base da cadeia trófica mais robusta.

Em relação ao solo os problemas são muito diferentes, mas quer num, quer noutro, os efeitos negativos, e a sua magnitude, dependem essencialmente das técnicas de gestão (por exemplo, haver ou não arrelvamento da entrelinha no caso o olival, passar uma grade de discos ou fazer um fogo controlado no caso do eucaliptal, podem gerar consequências bem diferentes na qualidade do solo).

O interessante disto, e as comparações com pomares de pera rocha ou campos de milho iriam dar ao mesmo, é que enquanto conseguimos discutir todas estas questões numa base relativamente racional para quase todos os usos do solo, o eucalipto tem um estatuto à parte: não é, objectivamente, uma espécie florestal cujo uso deva ser discutido com base na melhor informação disponível e de forma racional, é simplesmente uma bandeira política que se defende, ou não, sem qualquer relação com os factos verificáveis.

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A cínica e indecorosa montagem mediática a que o IPMA se prestou

por henrique pereira dos santos, em 22.06.17

Tenho procurado evitar, agora, a discussão de responsabilidades políticas no fogo de Pedrógão Grande: é cedo, tenho pouca informação e prefiro não correr o risco de ser injusto.

Mas o que é de mais é moléstia.

O Governo num primeiro momento ensaiou a clássica estratégia mediática de contenção de danos, desvalorizando o que se estava a passar. Até aqui está dentro do cinismo típico de quase todos os governos nestas circunstâncias. E a probabilidade de ter sucesso nesta operação de comunicação seria muito elevada, não se desse o caso de ser impossível desvalorizar a dimensão da catástrofe humana.

Rapidamente o governo virou a agulha e passa agora todo o tempo a procurar consolidar a ideia de que condições meteorológicas excepcionais e imprevisíveis ocorreram e ninguém pode estar preparado para o desconhecido.

Nessa tentativa de manipulação (infelizmente não há jornalista que pergunte "se assim foi, o governo está a dizer que quando houver outra vez condições extremas como estas, as pessoas comuns que se amanhem porque o Estado não sabe o que fazer?") desempenha um papel essencial a credibilização científica da teoria de que ocorreram condições meteorológicas absolutamente excepcionais e imprevisíveis ("um nevão no Algarve em Agosto", para usar o exemplo de João Miguel Tavares).

É absolutamente indecorosa a utilização de serviços técnicos do Estado, como o IPMA (António Costa fez parte de um governo que usou o mesmo esquema com o Banco de Portugal a calcular défices virtuais para abrir espaço político ao aumento do défice do primeiro ano dos governos Sócrates, portanto sabe muito bem como isto se faz e acha normal) da forma como está a ser feita, prestando-se o IPMA e o seu presidente a colaborar no embuste.

O que o IPMA tinha a fazer era simplesmente dizer o que é tecnicamente razoável, que sim, que houve condições meteorológicas extremas, relativamente raras, mas que sempre existiram e sempre existirão.

Ao prestar-se à pura manipulação política como a que foi montada, com o primeiro ministro a fazer perguntas formais retóricas e o IPMA a mandar respostas encenadas (quem não se lembra das encenações de Costa fingindo estar a negociar com a coligação que ganhou as eleições, ao mesmo tempo que montava uma solução alternativa que pressupunha a ausência de resultados dessas supostas negociações), o IPMA diminui-se a si próprio e mina a sua credibilidade, contribuindo para a desconfiança das pessoas comuns em relação a um Estado completamente enfeudado à conveniência política do governo.

O IPMA resolveu contribuir para a chuva dissolvente que cai sobre as instituições públicas em Portugal, infelizmente.

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Comunicado da Casa Real Portuguesa

por João Távora, em 22.06.17

Aproveito para divulgar aqui o comunicado que o Senhor Dom Duarte Pio enviou de Dili a propósito da tragédia de Pedrógão Grande cuja divulgação e partilha me parece de grande pertinência:

 

armas reais.jpg

 Comunicado

 

Em visita de trabalho ao interior de Timor-Leste, só tardiamente tive conhecimento dos incêndios que destruíram tantas vidas e bens na região de Leiria. Com a minha Família peço a Deus que acompanhe as Almas das vítimas e dê esperança aos sobreviventes.
Mas depois da ajuda imediata a quem precisa, teremos que tomar, com conhecimento científico e coragem política, as medidas necessárias para combater eficazmente estas tragédias que todos os anos atingem as populações e destroem as nossas florestas.
Há anos que são conhecidas as causas e as soluções, mas as medidas de fundo não são aplicadas...
O combate continua a ser heroicamente conduzido pelas nossas Corporações de Bombeiros, enquanto a maioria se lamenta mas não atua.
Temos a obrigação de agir já, com iniciativas cívicas e políticas, práticas e eficientes.
É preciso convencer os Governantes, por nós eleitos, a acabar com este estado de desordem do território e de abandono do mundo rural, bem como de frequente impunidade dos criminosos.
Nós somos capazes de grandes feitos perante situações dramáticas; desta vez a morte e sofrimento de tanta gente não pode ser em vão!

 

Dom Duarte de Bragança
Dili, 18 de Junho de 2017

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António Salgueiro

por henrique pereira dos santos, em 22.06.17

Nestes dias, em que até eu, seguramente não especialista em fogos (o que estudei é evolução da paisagem e os fogos surgem no meu caminho apenas pela sobreposição que existe nos dois assuntos, procurando eu usar a melhor informação disponível nas matérias que não conheço directamente, sobertudo servindo-me do trabalho de Paulo Fernandes e José Miguel Cardoso Pereira), devo ter dado mais de dez entrevistas, em diferentes formatos, a diferentes jornalistas, António Salgueiro não tinha dito nada até hoje.

Sei que não foi por falta de esforço dos jornalistas envolvidos na produção de informação sobre fogos porque eu próprio sugeri a vários que falassem com António Salgueiro, que esteve sempre na lista de pessoas que vale a pena ouvir sobre o assunto de cada vez que me pediam indicação de quem poderia contribuir seriamente para a discussão. Muitas vezes ouvi de volta que o António não queria falar naquele momento.

Mas hoje tem uma entrevista ao Público e à Renascença, que provavelmente lhe vai sair cara do ponto de vista pessoal e é fundamental neste momento.

O que eu queria era mesmo agradecer publicamente a coragem do que é dito, a ponderação do que é dito e a liberdade de espírito do António.

Obrigado.

 

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A comunicação social que temos:

por Vasco Lobo Xavier, em 22.06.17

 Parece que afinal “o inquérito não terminou e não podemos afirmar se houve ou não mão criminosa. Dizer isso é leviano”, afirmou a Ministra da Administração Interna. Disse também na entrevista que precisa de dados de que não dispõe. Aos jornalistas ainda não ocorreu perguntar duas coisitas muito simples e evidentes. A primeira é evidente: se não pode afirmar se houve ou não mão criminosa, se já lhe ocorreu perguntar ao responsável da Polícia Judiciária o motivo pelo qual este veio a correr dizer aos quatro ventos que não havia mão criminosa e que tudo decorreu de um relâmpago sobre uma árvore que já teria sido encontrada e tudo. E quem lhe mandou dizer tal coisa, isso também é importante. A segunda é quem mandou o Presidente da República deixar-se queimar logo nas primeiras horas do incêndio com tudo o que disse. Eu sei que o PR um dia se iria queimar com todo o apoio que tem dado a esta gente, mas parece-me ser do interesse público (com excepção para o Paulo Baldaia) saber quem o mandou atirar-se para a fogueira. Nem que seja pelo pequeno gozo, sempre importante num momento de tristezas.

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Nem todos são parvos:

por Vasco Lobo Xavier, em 22.06.17

O IPMA já respondeu a António Costa. Afinal podemos todos descansar porque estava tudo previsto e tudo correu dentro (da margem de erro) das previsões efectuadas pelo IPMA. Que bom! O problema foi só com as situações complexas e excepcionais que se verificaram. Ah..., bom...

Parece que estas explicações já foram até colocadas no portal do Governo na internet. Aparentemente ninguém se apercebeu da incongruência ou contradição entre um grupo de afirmações e o outro.

Ora, que o IPMA tome o Primeiro-Ministro, os governantes socialistas e os responsáveis políticos da geringonça (bem como variados jornalistas e comentadores) por parvos que engolem coisas deste tipo, eu até posso perceber e concordo plenamente, mas irrita-me que tome todos os portugueses por parvos. Irrita-me solenemente.

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Da falta de vergonha

por henrique pereira dos santos, em 21.06.17

"Aos microfones do Fórum TSF, Jaime Marta Soares, presidente da Liga dos Bombeiros, revelou acreditar não ter sido a trovoada a causadora do incêndio de Pedrógão Grande. Até prova em contrário, o presidente diz-se convicto de que o fogo teve origem criminosa.
“O incêndio já estava a decorrer há cerca de duas horas”, disse Jaime Marta Soares, acrescentando: “Eu tenho para mim de que o incêndio teve origem em mão criminosa.”".

O vergonhoso aqui não é o que diz Jaime Marta Soares, na verdade não se pode esperar das pessoas mais do que podem dar.

O vergonhoso é que afirmações deste tipo, sem qualquer base, sejam acefalamente repetidas pela imprensa.

Que Jaime Marta Soares diga isto no Fórum TSF é uma questão que apenas lhe diz respeito, mas que imediatamente isto seja repetido por grande parte da imprensa já é uma coisa que nos diz respeito a todos.

Desde quando propagar boatos é função da comunicação social?

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Da falta de pudor

por João Távora, em 21.06.17

Na sua entrevista à TVI, o cândido do António Costa - cujo governo tinha apontado "zero mortes" como principal objectivo do Dispositivo Especial de Combate a incêndios - além de afirmar-se convicto de que tudo decorreu regulamente na gestão da tragédia de Pedrógão Grande e que a sua ministra é apenas uma vítima do duro cargo que exerce, disse sem se rir, que não se pode exigir que se faça em poucos dias aquilo que não se fez em décadas, como se ele não tivesse tido um papel político preponderante nessas mesmas décadas, desde logo ministro Estado e da Administração Interna do governo Sócrates. Nem que seja por isso exige-se-lhe um pouco de pudor.

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Exemplos Socialistas a Seguir

por Vasco Mina, em 21.06.17

Em 2001 e após a tragédia da queda da ponte de Entre-os-Rios, o então Ministro de Estado e do Equipamento Social, apresentou a sua demissão ao PM António Guterres. Jorge Coelho declarou que “a culpa não pode morrer solteira nesse sentido têm que se tirar as consequências políticas", afirmou o ministro de Estado e do Equipamento Social."Não ficaria bem com a minha consciência se continuasse" disse ainda Jorge Coelho, explicando que como o é o mais alto responsável do ministério impunha-se que apresentasse a demissão. Morreram, então, mais de 60 pessoas

Temos agora outra tragédia, a do fogo em Pedrógão Grande. As falhas registadas são já inúmeras (SIRESP com falhas, não fecho de estradas, avisos vermelhos do IPMA que não terão sido tomados em devida consideração, alertas das populações que só tardiamente foram tidos em atenção…). Estou convencido que todos fizeram o seu melhor, ou seja, não coloco em questão o empenhamento e a generosidade de todos quantos se envolveram no combate deste fogo. Manifesto a minha tristeza pelas vidas perdidas, pela situação trágica em que se encontram os feridos e por todos aqueles que perderam familiares, as suas casas e todos os seus bens. É a hora de manifestar os nossos afectos, ou seja, de ajudar todos os necessitados. Mas é também o momento, tal como fez Jorge Coelho, de se tirarem as consequências políticas pois como o próprio bem salientou a “culpa não pode morrer solteira”. Já se percebeu que António Costa, conforme bem refere aqui o José Mendonça da Cruz, se considera   “incólume, que não sabia nada, nem do seu governo, nem dos amigos, nem do Siresp, nem dos Khamov, ele que tem o mérito de tudo e nunca tem culpa de nada, como insistem os canais e jornais de reverência”.

Não haverá ninguém no Governo que siga o exemplo de Jorge Coelho?

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A inversão das coisas:

por Vasco Lobo Xavier, em 20.06.17

O PM pede explicações a diversas entidades.

 

Julgo que o PM é que deve explicações aos portugueses.

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Isto, a uma leiga, soa a negligência e pouca perícia

por Maria Teixeira Alves, em 20.06.17

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Eu ouvi ainda agora na SIC que a estrada IC8 foi cortada às 19 horas da tarde (o fogo começou às 14h) e segundo um bombeiro "não houve tempo para cortar a nacional 236", a chamada estrada da morte. Isto parece-me inadmissível.

Reparem, diz o Expresso que António Costa já recebeu a resposta a uma das três perguntas que colocou a entidades públicas, neste caso à Guarda Nacional Republicana, que terá indicado como ponto de fuga ao fogo a estrada 236-1, onde,afinal, dezenas de pessoas acabaram por morrer queimadas.

Porque é que a estrada não foi encerrada? Segundo a GNR, "o fogo atingiu esta estrada de forma absolutamente inusitada e repentina", ” que “surpreendeu” todos, "incluindo os próprios militares", leu o primeiro-ministro, esta noite.

Mas que resposta é esta?! Que surpreendeu tudo e todos está a vista de toda a gente. É óbvio. 

Mas a questão é porquê não anteviram aquilo que os surpreendeu? Em termos abstratos, todos os chefes e mesmo os operacionais, têm a missão de antever os acontecimentos antes deles surgirem. Mas Portugal é avesso a visionários. Toda a sociedade se une para desacreditar os visionários, os que não estão alinhados com o mainstream, e isso desencoraja a iniciativa de se reagir prematuramente, e isso às vezes é decisivo.

Estive ainda a ouvir Clemente Pedro Nunes (professor do IST-Técnico) a analisar na SIC o incêndio de Pedrógão. Diz, que dos contactos que fez com locais lhe contaram que desde as 14 horas da tarde de sábado que habitantes das aldeias telefonaram para a proteção civil de forma lacinante. Numa das aldeias a proteção civil só chegou no dia seguinte, quando já havia 11 pessoas mortas. O que aconteceu entre as 14 h e as 20h, quando os sistemas de comunicação funcionavam? Os incêncios combatem-se nos primeiros 45 minutos a uma hora, depois perde-se o controle e é preciso mobilizar recursos, indo à cadeia de comando e chamando a atenção para a gravidade do assunto. O que terá acontecido aparentemente é que os responsáveis não transmitiram essa gravidade. A primeira intervenção não funcionou, disse o professor que já ajudou a combater fogos, porque é empresário agro-florestal.

"Parece que há uma televisão com uma entrevista com um popular que às quatro da tarde já dizia que não estavam a ser respondidos os seus telefonemas, e terá feito uns comentários críticos menos agradáveis ao primeiro-ministro, e depois essa entrevista já voltou a passar, mas sem as críticas contudentes", disse.

A cadeia de comando não funcionou, disse o catedrático e perguntou "Como é possível cortar a IC8 e não se declara o Estado de emergência no distrito de Coimbra e de Leiria. Não se mobilizam os recursos todos?"

Independentemente de ser apenas uma opinião, não me custa a imaginar a resistência da cadeia de comandos de recorrer na primeira hora à situação de Estado de emergência. Portugal funciona assim, não anda à frente dos acontecimentos. 

A outra teoria é que o sistema de comunicações falhou. Parece-me ter ouvido que o sistema de comunicações com a hierarquia falhou. O Siresp. O Siresp existe para criar uma comunicação de rádio comum a todas as forças de segurança e proteção civil (53 ao todo) mas que, por contrato em 2006, usa cabos da MEO, e portanto quando não há telemóvel, não funciona. As alternativas seriam rede satélite ou por cabo, mas isso seria muito mais caro. Mas pergunto eu, não valeria a pena uma solução mais eficaz, ainda que fosse mais cara?

 

 

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Já vão rolar (inocentes) cabeças

por João-Afonso Machado, em 20.06.17

SENHORA E HORIZONTE.JPG

Este é o País que temos. Melhor: que vamos mantendo. Mesmo sem a ajuda da jihad, bastando-nos a nós próprios, de drama em drama até à catastrofe nacional. Com a confluência dos distritos de Leiria, Coimbra e Castelo Branco totalmente em chamas. E uma estrada, dita nacional, macabramente coalhada de carros e os respectivos ocupantes carbonizados, assim a modos de um filme americano de terceira extração.

Não tinham chegado ainda as perdas de vidas dos anos transactos. Os «pacotes» de medidas preventivas dos incêndios florestais, sabemos agora, continuarão mais este Verão nas gavetas dos ministérios.

Mas desta vez haverá responsabilização: António Costa já ordenou inquéritos severos e urgentes à GNR, à Protecção Civil, aos bombeiros e à imensidade de siglas em que o sistema se enreda. A culpa não é solteira, mas também não casou com ele. Com ele casou a Esquerda leninista-trotskista, e consta por amante o déficit. Diz a esposa atraiçoada que é alemão e trabalha num banco.

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A desministra

por José Mendonça da Cruz, em 20.06.17

A ministra da Administração Interna recusa ajuda galega acorrida aos desastres incendiários portugueses porque vê nessa ajuda «excesso de voluntarismo» e ausência de «enquadramento». Isto depois de, perante as câmaras de televisão, chorar obscenamente as vítimas da sua incompetência. Obviamente, devia demitir-se, mas verte lágrimas, em vez disso; mostram-se «afectos», julga ela, e fica tudo sarado. Sabe, sobretudo, que é digna do seu primeiro-ministro, e António Costa dela, ele que agora pede «esclarecimentos urgentes» directamente a serviços tutelados pelos seus ministros, que, uns, lacrimejam, outros estão «de coração destroçado». Ele, incólume, que não sabia nada, nem do seu governo, nem dos amigos, nem do Siresp, nem dos Khamov, ele que tem o mérito de tudo e nunca tem culpa de nada, como insistem os canais e jornais de reverência. Diz que há muito quem goste deste tipo de governação. Quem gosta merece-a.

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Foto de Joaquim Casqueiro.

Até agora ainda não percebi porque é que a GNR não cortou o trânsito na estrada nacional 236, já chamada como a estrada da morte?

Será que ouvi bem alguém dizer que as pessoas foram encaminhadas pela GNR para aquela estrada?

Não deviamos já ter prática em incêndios ao ponto de haver especialistas a orientar as populações para as melhores práticas a adoptar?

 

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É a despudorada exploração da desgraça alheia, com câmaras deleitadas fixas sobre gente prostrada no chão, microfones atirados à cara de quem possa chorar um bocadinho aqui para as alegadas audiências.

É a ignorância descabelada, sobre fogos, sobre estradas, sobre meteorologia, sobre governo, sobre território, sobre populações, sobre políticas, sobre a própria língua, como a da jornalista (enfim...) da Sic que dizia que há carros queimados nos sentidos ascendente e descendente porque «as pessoas não conseguiram fugir deste conclave», ou a da CMtv que dizia que já não sei o quê era «profundamente essencial».

É a figura patética e despropositadamente vestida de Judite recuando excitadamente estrada fora a dizer coisas como a Georgina para terminar com um pezinho sobre o reboque que carrega o esqueleto ardido de um automóvel.

É o insuportável linguajar radiofónico, cheio de plurais arrastados e bengalas e tautologias e vacuidade -- oshecarrosshequeentãoestãoaquinestasheentãoflorestashesqueentãoexibemtodaa-a-entãoprofundidadedoshaaadramasshevividosheporessashegentesheaquiondeofogoentãolavraainda  -- a ser envergonhado pelo português articulado e bem pontuado de cada bombeiro entrevistado.

Marcelo distribui platitudes e sentimentos melados? Sim; conhece o povo melhor do que nós. Para o ano arde tudo outra vez? Sim, mas enquanto Marcelo atrair as câmaras ouvimos ao menos português de lei e somos poupados às reportagens.

 

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PedrogãoGrande.jpg

1. O registo emocional em que muita gente prefere permanecer no que à tragédia de Pedrógão Grande diz respeito não é  bom conselheiro: sabemos bem que mais fácil é arranjar um bode expiatório, um alcoólico incendiário para cima de quem canalizar a fúria e a indignação, mas isso não serve para nada – não alivia a dor dos vivos nem ressuscita as vidas tombadas. 

2. Dar ênfase à questão da ignição que deu origem ao fogo, se foi um raio ou um maluquinho, é uma forma de evitar a questão principal, que é a de perceber porque é que Portugal é campeão em fogos florestais para que - de uma vez por todas - se concentrem as políticas na prevenção, promovendo reformas para um ordenamento do território de acordo com o clima que nos coube em sorte.

 

3. “Hoje, através da actuação da Autoridade Nacional de Protecção Civil, verificamos uma enorme evolução em termos da segurança da população e da salvaguarda do património, com melhorias significativas em termos de capacidade de resposta operacional, mas também com o necessário aprofundamento das políticas de prevenção, investindo-se no planeamento de emergência, na minimização de riscos e nos sistemas de alerta e de aviso às populações.” Estas palavras eram proferidas pela ministra da Administração Interna Constança Urbano de Sousa em Março do Ano passado por ocasião do 15º aniversário da Tragédia de Entre-os-Rios. Passado pouco mais de um ano, esse "país das maravilhas" não resistiu à realidade das coisas. 

 

4. Numa democracia avançada todos os factos de uma tragédia desta envergadura têm de ser escrutinados e tiradas as consequências, não é preciso esperar três dias para se questionar tudo o que houver para questionar. Para que é que serve um Estado que não sabe, não consegue, proteger os seus cidadãos? Como bem refere aqui o nosso Henrique Pereira dos Santos, “Aquilo a que na maior parte das vezes se chama “imprevisibilidade” em matéria de fogos é, na verdade, ignorância. Uma das armas mais letais que existem.

 

5. A par da assinalável mobilização da sociedade civil no apoio material às populações afectadas pela tragédia e aos bombeiros acredito na importância da oração. As minhas orações por estes dias vão para as vítimas e para as famílias enlutadas.

 

Fotografia - Observador

 

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