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É o que dá contratar ministros do anterior governo

por henrique pereira dos santos, em 07.12.16

"Corte nos custos, "limpeza" de imparidades, juros baixos nos depósitos e venda de unidades no exterior" é, ao que parece, o que se pretende fazer na Caixa Geral de Depósitos.

Contratam ministros viciados em austeridade e logo que chegam aplicam ideologicamente a sua receita a qualquer organização, a única que conhecem e aplicaram no governo de que fizeram parte.

É incompreensível que não alinhem com o modelo Centeno que o Novo Tempo defende e aplica no país: aumento de remuneração dos trabalhadores, expansão do número de balcões, justa remuneração de trabalhadores e clientes, reforço do crédito concedido, enfim, expansão do negócio rapidamente para que os lucros assim aumentados possam recapitalizar a empresa sem serem sempre os mesmos a pagar os ajustamentos.

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No passado dia 28 de Novembro houve um Jantar de Estado oferecido pelo Presidente da República em honra de Suas Majestades os Reis de Espanha, no Paço dos Duques de Bragança, Guimarães.

Manda o protocolo que nas cerimónias solenes (como era o caso) os agraciados com diversas condecorações usem os distintivos e insígnias nacionais (as insígnias maiores das Ordens Honoríficas Portuguesas apenas podem ser usadas com traje de gala ou uniforme correspondente, sejam estes militares, diplomáticos ou académicos).

Não deixa de ser curioso, provavelmente coincidência, que quatro dias antes o Presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues,  tenha sido condecorado pelo Presidente da República com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, no dia 24, bem a tempo de ostentar a placa e a banda de seda  no jantar oferecido aos reis de Espanha. Uma história a fazer lembrar o romance Paixão de um Janota: Diário de um Fidalgo Lisboeta de Meados de novecentos de António Xavier de Brederode, que conta as peripécias de um fidalgo para arranjar condecorações porque não queria ir de peito nú buscar a rainha Dona Maria Pia a Itália.

E caso para dizer a vida emita a arte.

 

 

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A teoria low cost da relatividade

por henrique pereira dos santos, em 06.12.16

Passos Coelho, que tomou posse como primeiro ministro em Junho de 2011, é o único responsável pelas medidas de austeridade tomadas nesse ano e pelo orçamento de 2012, cegamente austeritário por opção estritamente ideológica.

Já Costa, um ano depois de tomar posse, ainda não é responsável por coisa nenhuma e continua a responsabilizar o governo anterior por todas as dificuldades que existem no país.

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A Rádio Renascença renascida

por João Távora, em 06.12.16

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Desde sempre um amante fascinado pelo fenómeno da rádio, em boa hora me chamou à atenção a nova dinâmica evidenciada pela Rádio Renascença que vem transformando não só a sua grelha de programação, mas a sua estratégia de comunicação: agora, o principal canal do Grupo Renascença parece finalmente interessado em alcançar um público cosmopolita que, sem preconceito contra a religião católica, procura estar a par da agenda política económica e social do país. Apresentando de forma muito dinâmica nos períodos de prime-time conteúdos de índole informativa, com notícias, transito, desporto, comentários e entrevistas a propósito dos temas candentes de sociedade e agenda política nacional e internacional, intercalados com apontamentos de música mainstream nacional e anglo-saxónica, a rádio Renascença assume por estes dias um posicionamento inédito, renovado e comercialmente afoito. Mas se essa mudança é a principal novidade desta rádio que se prepara para festejar os oitenta anos de existência, não menos interessante é de assinalar a inclusão nos radio-jornais de notícias de relevância sobre a Igreja com sintéticos comentários de especialistas, que assim, numa forma natural abrange um público muito mais alargado - e não apenas os cristãos convertidos, como antigamente sucedia, em pesados programas a eles destinados. Tudo isto parece-me tanto mais interessante quanto, em termos relativos, a rádio vem ganhando relevância no meio do modelo clássico de broadcasting e do jornalismo tradicional em acentuada decadência em virtude da sua inadaptação ao fenómeno da Internet e do advento dos média sociais. Não deixa de ser interessante que perante este panorama bastante adverso, a rádio apresente valores de audiência diária acima de 50% por cento da população (54,4% de "Audiência Acumulada de Véspera" segundo dados de Setembro último da Marktest é o número ou percentagem de indivíduos que escutaram uma estação, no período de um dia, independentemente do tempo despendido). E não deixa de ser curioso que o Grupo Rádio Renascença, uma rádio católica, dispute a liderança das audiências com 35,4% de share com o Grupo Média Capital com 35,5%. De resto, curioso parece-nos também o confronto entre a Radio Renascença que ostenta 8,2% de share contra os 5,7% da Antena 1 e os 2.9% da TSF, estações suas concorrentes directas.

Estes números significam uma responsabilidade acrescida que pesa sobre a Emissora Católica Portuguesa de se posicionar de forma consequente no espectro de oferta radiofónica nacional como uma verdadeira alternativa à fórmula laicista, relativista e politicamente enviesada com que a generalidade dos média de referência lêem o Mundo e a sua complexidade. Parabéns à Rádio Renascença, e que lhe não aconteça o fenómeno do árbitro que confrontado com a tarefa de arbitrar um desafio que envolva o seu clube de eleição, para calar as dúvidas sobre a sua isenção, acaba favorecendo o adversário.

 

Texto publicado originalmente aqui

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“Portugal pode tornar-se numa ilha na Europa para quem decidir recorrer à gestação de substituição conhecida como barriga de aluguer”. Assim se inicia o artigo do Expresso ontem publicado na edição semanal impressa. Refere o artigo (cuja leitura se recomenda pois apresenta várias informações até agora desconhecidas) que a regulamentação em curso admite o acesso de cidadãos não residentes em Portugal. Ou seja, os casais beneficiários podem ser estrangeiros e a mãe gestante (a “barriga”) pode ser portuguesa ou vir com eles. Para além, da prova de infertilidade, o único requisito será a realização dos tratamentos em Portugal, num centro acreditado, com o contrato entre o casal e a gestante em português.  Portugal vai, assim, tonar-se um concorrente direto da Ucrânia e da Geórgia, países onde a gestação de substituição se encontra autorizada e sem restrições significativas. Mais, a Ucrânia tem já uma empresa  - a Successfull Parents Agency – que gere todo o processo e que, segundo o mesmo artigo do Expresso, engloba “as barrigas” disponíveis, a recolha de material genético dos pais, fertilização in vitro, implantação dos embriões, acompanhamento da gravidez, parto e questões jurídicas”. Será isto um negócio? Obviamente que sim! Em Portugal os dirigentes do PS, do BE e do PSD (sim o Presidente do PSD votou a favor) defendem que não, que tudo será numa base genuína de ajuda e sem qualquer pagamento à grávida gestante. Definitivamente e com a internacionalização da atividade, agora em fase final de regulamentação, fica a porta aberta para a mercantilização do corpo da mulher

 

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No Brasil não há pesar que lhes diga respeito

por Vasco M. Rosa, em 04.12.16

Não há que duvidar: a fotografia das exéquias de Fidel Castro mostra tudo e todos, a quem queira ver. Lula e Dilma no seu melhor. E sempre bem acompanhados.

 

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Domingo (2º do Advento)

por João Távora, em 04.12.16

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus


Naqueles dias, apareceu João Baptista a pregar no deserto da Judeia, dizendo: «Arrependei-vos, porque está perto o reino dos Céus». Foi dele que o profeta Isaías falou, ao dizer: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas’». João tinha uma veste tecida com pêlos de camelo e uma cintura de cabedal à volta dos rins. O seu alimento eram gafanhotos e mel silvestre. Acorria a ele gente de Jerusalém, de toda a Judeia e de toda a região do Jordão; e eram baptizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. Ao ver muitos fariseus e saduceus que vinham ao seu baptismo, disse-lhes: «Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir? Praticai acções que se conformem ao arrependimento que manifestais. Não penseis que basta dizer: ‘Abraão é o nosso pai’, porque eu vos digo: Deus pode suscitar, destas pedras, filhos de Abraão. O machado já está posto à raiz das árvores. Por isso, toda a árvore que não dá fruto será cortada e lançada ao fogo. Eu baptizo-vos com água, para vos levar ao arrependimento. Mas Aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu e não sou digno de levar as suas sandálias. Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo e no fogo. Tem a pá na sua mão: há-de limpar a eira e recolher o trigo no celeiro. Mas a palha, queimá-la-á num fogo que não se apaga».

 

Palavra da salvação.

 

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Lisboa e o PSD

por Vasco Mina, em 03.12.16

O PSD tem, desse as autárquicas de 2013, uma grande dificuldade em se afirmar em Lisboa. Recorde-se que nessas eleições (em coligação co o CDS-PP) apenas conquistou 5 das atuais 24 freguesias de Lisboa (recorde-se que nas eleições anteriores a mesma coligação tinha ganho 26 das 53 freguesias). O último candidato à CML foi Fernando Seara que, na altura, concluía 3 mandatos sucessivos em Sintra e que esteve meses a aguardar a confirmação da admissibilidade da sua candidatura (em virtude da polémica em torno do limite de mandatos autárquicos). Depois desta colossal derrota o PSD deveria ter construído uma alternativa a pensar nas eleições do próximo Outubro 2017; mas não, optou por não ser uma oposição permanente e contundente de Fernando Medina e ficou à espera de Santana Lopes. Conforme aqui referi, no Corta-Fitas, o atual Provedor da Misericórdia já tinha sido “geringonçado”  por António Costa. Após o necessário tempo para manter a sua notoriedade na praça pública (verdadeiramente fóbico nesta matéria) assume agora (não com surpresa) que não é candidato. A Distrital de Lisboa fica sem candidato e, pior, sem alternativa e a recusar o apoio a Assunção Cristas que, dadas as circunstâncias, seria a melhor solução para todos aqueles que se opõem a um município socialista. Os interesses pessoais e a pressão do caciquismo local vão levar o PSD ao suicídio político em Lisboa e, por junto, à não construção de uma alternativa não socialista. O mesmo já aconteceu em Sintra (recordam-se da colossal derrota de Pedro Pinto?) e em Oeiras (ao ponto de a Distrital de Lisboa ter recentemente contactado Isaltino Morais). Com esta estratégia fica garantida a vitória socialista em Lisboa!

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Santana Lopes faz análise política

por José Mendonça da Cruz, em 02.12.16

Santana Lopes recusou candidatar-se pelo PSD à Câmara de Lisboa nas autárquicas de 2017. Essa recusa é a sua análise política, e ela diz-nos que Santana pensa...

... que não é possível uma aliança PSD/CDS para a CML;

... que a inexistência de aliança autárquica equivale a uma derrota, até porque, como opina, Fernando Medina «não é fácil de bater»;

... que, passando assim incólume pelas autárquicas, a geringonça está garantida pelo menos até 2019, termo do mandato do próprio Santana à frente da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Foram duas punhaladas em Passos Coelho num mesmo fim-de-semana. Uma, de quem analisou o futuro e optou pelo pássaro na mão. Outra, de quem se esqueceu do passado, e resolveu que a bancarrota nunca sobreveio e o memorando de entendimento nunca existiu.

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Do carisma

por Vasco M. Rosa, em 01.12.16

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Amigo meu fotografou JS na gare do Oriente à espera dum comboio para o Porto. Apanhei-lhe esta fotografia para a mostrar aqui porque acho que ela demonstra a falácia narrativa, ou a narrativa falaciosa, do soi disant carismático político e filósofo político.

Quem conhece o lugar perceberá ainda melhor, mas temos à direita o resguardo da escada rolante, significando que por ali sobem os passageiros, que tendencialmente esperam a chegada do comboio para perceberem onde entrar (raramente há assistentes da CP no cais). Seria natural que algumas pessoas se ficassem por ali mesmo, nessa expectativa. Todavia, o desagrado pela figura do político acusado de corrupção e por aí fora, é tão forte e evidente, que ninguém quis ficar por ali. Foram para longe: umas, perto das outras por afinidade, ou não, mas ninguém está perto de Sócrates — e a menos duma meia dúzia de metros. 

Havendo carisma, não restem dúvidas: é do mais negativo que pode haver. 

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Bloqueios

por João-Afonso Machado, em 01.12.16

Ao contrário, se calhar, de como a maioria dos portugueses reagiu, fiquei encantado com a atitude do BE na visita do Rei de Espanha ao Parlamento português. Por tudo quanto ela evidencia.

Fica claríssimo o que vai nas ideias daqueles pobres de espírito que medem o seu democratismo pelos colarinhos desapertados ou pela despreconceituosa t-shirt e a barba de dois dias; daquela duzia de rabos que se ergueram do assento, entretanto, em sinal de pesar pela morte do ditador Fidel.

Quanto à patriótica justificação que apresentaram para o seu comportamento (a não elegibilidade do monarca), havemos de saber se os pablos iglesias todos, lá em Espanha, procedem assim também. E se, portanto, tem o BE invocáveis razões de "solidariedade anti-fascista".

Além do mais óbvio. A Constituinte espanhola de 1976 foi eleita democraticamente e democraticamente aprovou uma Constituição que consagra o princípio dinastico na chefia do Estado. Aos espanhois bastará por isso, caso o pretendam, rever a Constituição, fazer uma nova Constituição, e mandar embora a Monarquia.

Na certeza de que a Monarquia não arrastará, na sua queda, os milhares e milhares de vidas como Fidel tratou da saúde aos seus opositores.

(P.S. Na argumentação-tipo do fenómeno "esquerda", talvez não faltem aqui os comentários sobre a Guerra Civil espanhola e a ditadura franquista...) 

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1º de Dezembro

por João Távora, em 01.12.16

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 O Chefe da Casa Real Portuguesa está preocupado com o envelhecimento da população portuguesa, afirmando que estamos próximo de um ponto "muito difícil de reverter".

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O BE tem um problema sério com regras democráticas

por henrique pereira dos santos, em 01.12.16

Com a má educação do BE não vale a pena perder tempo.

Mas talvez valha a pena sublinhar a profunda incompreensão que o BE demonstra de como funciona a democracia.

Uma coisa é o BE defender os seus pontos de vista, por mais minoritários que sejam.

Outra coisa é não compreender que a vinculação às regras a que todos estão obrigados não depende da opinião que temos sobre essas regras, mas sim da legitimidade da forma como foram decididas essas regras: as minorias, por mais direito que tenham a manifestar as suas discordâncias, e por mais direito que tenham a tentar mudar as regras de que discordam, não têm o direito a não as cumprir.

Quando a Assembleia da República convida um Chefe de Estado estrangeiro, o BE tem todo o direito a dizer que não concorda com esse convite. Mas uma vez tomada a decisão da Assembleia, respeitando naturalmente a vontade da maioria, esse Chefe de Estado é um convidado da Assembleia como um todo, incluindo o BE.

Que o BE não entenda que o Rei de Espanha também foi convidado pelo BE, mesmo contra a sua vontade, é muito mais que má educação, é mesmo incompreensão sobre a natureza da Democracia: a prevalência da vontade da maioria, o respeito pelas minorias e a submissão de todos às regras comuns definidas com respeito pelos processos democráticos.

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Da depressão

por henrique pereira dos santos, em 30.11.16

O PS redigiu um voto de pesar pela morte de Fidel Castro que é inqualificável.

Já de si, é muito mau.

O voto foi aprovado.

Já de si, é péssimo.

Mas, ao que me dizem (não verifiquei os factos em fontes independentes), foi aprovado porque a bancada do PSD se absteve, o que já de si seria absurdo.

A direcção parlamentar (o que significa, a direcção do partido também) impôs disciplina de voto, o que é absolutamente inimaginável.

O resultado é que houve muitos deputados a abandonar a sala no momento da votação (honra lhes seja), alguns a acatar a disciplina de voto mas a apresentar declarações de voto dizendo que votaram discordando do seu voto (o que enfim) e à meia dúzia, penso que cinco, que quebraram a disciplina de voto terá sido levantado um processo disciplinar.

Mesmo depois de morto Fidel continua a perseguir pessoas por delito de opinião, o que já de si é espantoso, mas que o faça usando como correia de transmissão a direcção do PSD é deprimente, muito deprimente.

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Estão a destruir o Serviço Nacional de Saúde

por José Mendonça da Cruz, em 30.11.16

Da Imprensa: «Os hospitais de Cascais, Hospital de Braga (ambos PPP), o Centro Hospitalar Gaia/Espinho e o Centro Hospitalar do Porto e Unidade Local de Saúde de Matosinhos são os cinco vencedores do ranking TOP 5 da empresa espanhola IASIST. Entre os critérios avaliados estão a mortalidade, as complicações, custos e tempo de internamento. Se todos os hospitais conseguissem os mesmos valores, a poupança para o SNS seria o equivalente aos custos operacionais de sete hospitais, ou seja mais de 700 milhões de euros.»

Apoiado por rankings enganosos que ainda não aderiram às técnicas do ministério Nogueira da Educação que finalmente coloca no topo as escolas mais miseráveis, o governo PS/PCP/BE está a destruir o SNS. As preocupações economicistas de alguns hospitais que, embora apresentando números alegadamente magníficos, no entanto obedecem a princípios de gestão capitalista põem em risco o futuro de todo o sistema e, aliás, dos próprios hospitais apresentados como exemplo.

A saúde não deve guiar-se por EBIDTAs nem poupanças, a Saúde é um serviço para as pessoas. Pela contratação de mais 3000 médicos, 30 000 enfermeiros e a abertura de 50 000 vagas de pessoal auxiliar, rumo à libertação das grilhetas da tecnocracia e das visões contabilísticas, e pela representação democrática dos conselhos de administração, lutemos contra a racionalidade nos hospitais. 

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A estratégida de empobrecimento

por henrique pereira dos santos, em 29.11.16

Uma das coisas mais estranhas no debate político é a facilidade com que se usam, se espalham, se aceitam e se não escrutinam argumentos evidentemente absurdos.

Há muito que ao ler qualquer coisa aparentemente absurda, ou que me parece mal contada, a minha posição base é partir do princípio de que é realmente absurda, ou que está mal contada.

A ideia de que um governo que depende dos votos tem uma estratégia de empobrecimento é uma ideia intrinsecamente absurda e, evidentemente, estúpida. E no entanto há anos que se ouve isto como argumento político o que me tem custado a perceber.

A morte de Fidel Castro, ou melhor, as notícias e comentários sobre essa morte ajudaram-me a perceber melhor a persistência de estupidezes destas.

A quantidade de pessoas que falam do grande progresso económico e social de Cuba durante o regime castrista (os mais contidos restrigem-se aos progressos sociais) não sentem a menor necessidade de verificar os dados que existem sobre o assunto (ver, por exemplo, um pequeno texto com gráficos expressivos).

Não sei o suficiente sobre a história económica e social de Cuba para avaliar a solidez dos argumentos dos que dizem que houve grandes progressos e dos que dizem o contrário, mas o que tenho lido ultimamente é bem diferente do que sempre ouvi dizer e, tendo em atenção aspectos paralelos que conheço melhor, suspeito de que realmente há por aí mais mitos que realidades que, aparentemente, pouca gente se dispõe a escrutinar.

Há em Portugal dois casos paralelos que vale a pena referir: o mito da reforma da educação feita pelo Marquês de Pombal e o mito do empobrecimento (e o voluntário obscurantismo) provocado pelo salazarismo.

No essencial a reforma do ensino do Marquês de Pombal terá sido feita no papel, na prática reduz-se à expulsão dos Jesuítas e à destruição do sistema de ensino existente, sem que nada de muito relevante tivesse substituído o sistema de ensino que existia. De tal maneira que o número de alunos que havia em Portugal em meados do século XVIII só voltou a ser atingido nos anos 30 do século XX, 170 anos depois, quando a população já tinha duplicado a que existia no século XVIII (para leitura mais completa, ver aqui).

A outra situação que conheço melhor diz respeito ao mito do empobrecimento do país pelo regime salazarista, incluindo a miséria dos seus indicadores sociais. A origem da persistência do mito, para além das motivações políticas, está na situação pouco brilhante, do ponto de vista social e económico, em que o país estava quando acabou o regime, quando se compara com os países mais desenvolvidos do mundo.

Por exemplo, uma taxa de analfabetismo perto de 20% é um péssimo indicador social.

Mas quando se compara com a taxa de analfabetismo no início do regime, por volta dos 60%, a avaliação do resultados do regime político então existente é, forçosamente, diferente. E seria ainda mais evidente se esta taxa fosse avaliada para a população menor de 15 anos, em vez da totalidade da população, uma vez que desde os anos 60 a população em idade escolar tem uma taxa de escolarização muito perto dos 100% (no que diz respeito ao ensino elementar).

Se se olhar para outros indicadores sociais, como a taxa de mortalidade infantil, ou para indicadores económicos (o maior período de crescimento económico e convergência com os países mais ricos nos últimos 200 anos, ver aqui para quem tiver dúvidas) a conclusão é a mesma: é verdade que no fim do salazarismo Portugal era um país pobre e com maus indicadores sociais, mas é igualmente verdade que era incomparavelmente menos miserável do que era no início do regime, tendo inclusivamente havido uma aproximação relativa aos padrões dos países mais desenvolvidos.

Dizer isto, que é estritamente factual, é imediatamente lido por dezenas de pessoas como uma defesa do regime salazarista, tal como se entende que para defender o regime castrista é fundamentel assegurar os seus êxitos económicos e sociais, seja ou não verdade.

A legitimidade dos regimes políticos não se mede pelos seus resultados económicos e sociais, mas sim pelo respeito pela vontade das pessoas comuns e pelo primado da lei, independentemente dos resultados económicos e sociais que se consigam apresentar (penso que não lembraria a ninguém justificar, ou sequer usar o famoso "mas" de cada vez que se referisse um aspeco negativo do regime nazi, com base nos resultados económicos e sociais da Alemanha de então)

É esta ausência de rigor, ou se quisermos, é a substituição da análise dos factos pelo preconceito, questão especialmente grave na imprensa e outros veículos de discussão pública massificada, o que permite que o combate político seja feito com argumentos tão estupidamente absurdos como a existência de estratégias de empobrecimento.

É assim que se abre o caminho ao populismo que sempre caracterizou a extrema-esquerda mas que agora, porque em crescimento do lado direito, parece preocupar muita gente.

Pela parte que me toca, lembro-me sempre da "assinatura" dos mails e afins de um dos meus orientadores de tese, e o primeiro português a receber o prémio Jaime I: ""L'objectif reste le même; détruire le préjugé. Mais pour l'atteindre il faux s'ouvrir a la raison des autres". Claude Lévi-Strauss

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Qual a lição de história que lhes falta?

por João Távora, em 28.11.16

Aqueles que como Ferreira Fernandes homenageiam Fidel por ter combatido Fulgêncio Baptista “Ao combatente de grande causa, honra. Ao tirano, vergonha” não estão indirectamente a justificar Oliveira Salazar que chegou ao poder para acabar com dezasseis anos de instabilidade miséria e tirania? Qual a lição de história que lhes falta?

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Em França, entretanto, uma direita mais inteligente...

por José Mendonça da Cruz, em 27.11.16

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 ... escolheu François Fillon como candidato às presidenciais do próximo ano. François Fillon, católico praticante e declarado, tem um programa de reformas e desfuncionalização para França, além de uma política de imigração, que o seu rival de área política, Alain Juppé - aliás, o preferido de Marques Mendes (et pour cause) - considerava «brutais» e «irrealizáveis». Mas parece que foi Fillon quem melhor entendeu a vontade de mudança e melhor leu os ares do tempo.

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Qual é a diferença entre equidistância e cobardia?

por José Mendonça da Cruz, em 27.11.16

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Ontem...                                  ... como hoje.

 

«Um dia se se investigasse, muita gente ia ficar mal na fotografia», diz, sem nomear partes ou nomes, Marques Mendes na Sic, sobre o lamentável caso da Caixa Geral de Depósitos. Após o que se atira a António Domingues por se ter atrasado a ir-se embora, para poupar o escrutínio às condições em que foi convidado e às garantias que lhe foram dadas. A culpa é, portanto, da vítima.

A confusão entre equidistância e pusilanimidade é uma das mais generosas fontes de toxinas no ambiente político português.

Outra, é a mixórdia de interesses titulados pela mesma pessoa. Por exemplo, a mixórdia do interesse particular de um comentador que se dispõe a colocar inteligência e juízo crítico entre parentesis, a bem de uma aparência de equilíbrio que lhe garanta as audiências e os proventos de uma aparição semanal em horário nobre televisivo; com o interesse partidário do mesmo comentador, interessado em poupar Costa para melhor proporcionar o afastamento de Passos Coelho; com o interesse jornalístico de gerir simpatias em todos os quadrantes, de forma a manter a disponibilidade das fontes do governo.

E é claro que tivemos direito a considerações sobre o «carisma», o «heroísmo romântico» e a qualidade do «contador de histórias» Fidel Castro.

É o protagonismo de personagens pardos assim que em alguns locais conduz à eleição de Le Pens e Trumps.

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Tempos modernos

por João Távora, em 27.11.16

My Fair Lady deveu parte do seu sucesso à história duma rapariga da rua que com esforço aprende a ser como uma princesa. Se a peça fosse feita hoje, para alcançar o mesmo sucesso teria que contar a história de uma princesa revoltada que sem muito esforço se tornava numa rapariga da rua.

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