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O único e legítimo herdeiro (continuação)

por José Mendonça da Cruz, em 18.04.14

A Câmara Municipal de Lisboa quer gerir a Carris, o Metro e a EMEL, noticiou ontem o Jornal de Negócios. E António Costa perfila-se, mais uma vez, como o único e legítimo herdeiro do despesismo socialista ao modo Sócrates. Melhor ainda do que a de Seguro, esta é que é a verdadeira «política para as pessoas» na genuína acepção socialista.

Uma política para as pessoas legitima e verdadeiramente socialista tem obrigatoriamente este postulado: ela deve ser insustentável. O que suscita a nobre tarefa de descobrir como sustentá-la.

Sócrates não conseguiu, nem no país, nem nos transportes. Quando o governo Sócrates foi mandado embora, as empresas públicas de transportes acumulavam um défice de 15 mil milhões de euros e as receitas não cobriam nem os custos dos salários; material circulante e manutenção eram sustentados com défice.

No país, pagámos nós. Nos transportes, idem idem. Mas, agora, António Costa vai tentar de novo.

Como?

A constante de partida é a mesma: as receitas não cobrem os custos, nem a prática socialista desejaria que cobrissem.

De onde vem então o dinheiro? Fácil, responderá Costa, das receitas de estacionamento. Junta-se a EMEL ao pacote, e temos os automobilistas a pagar os autocarros. É socialismo do melhor: o privado a pagar o público, uma política para umas pessoas paga com o castigo de outras.

E o dinheiro chega?

Não, claro que não chega.

Então onde se vai buscar mais?

Simples, responderá Costa: às receitas do IMI daqueles imóveis valorizados pela proximidade dos transportes. Ainda melhor socialismo: taxar a acessibilidade em abstracto, independentemente de as vítimas usarem ou não automóvel. Uma política para as pessoas paga por umas quantas pessoas escolhidas pela geografia.

Agora, o dinheiro chega, não é verdade?

Não, hélas!, ainda não chega!

E onde se vislumbra mais verba?

Ora, determinará Costa, na publicidade. Varrem-se de Lisboa os outdoors, cujos contratos terminam em 2015, e entrega-se o exclusivo às paragens, estações e veículos da carris e do Metro. É à maneira da política das energias renováveis, que termina com os protagonistas a colher rendas e os utentes a pagarem mais até quando usam menos. É o suco da barbatana socialista: substitui-se um mercado aberto por um monopólio e outorgam-se os respectivos proventos aos empreendimentos e amigos socialistas.

Após o que, perguntar-se-á, há-de bastar o dinheiro...

Mas não, ainda não, lamentavelmente.

E onde iremos apropriar mais fundos?

Claramente, proporá António Costa, a uma parcela do Imposto Sobre Produtos Petrolíferos e a uma porção das portagens da Área Metropolitana de Lisboa.

Mas os próprios transportes públicos não pagam combustíveis sujeitos a imposto? Sim, pagam, teremos que bonificá-los. E as portagens da Área Metropolitana de Lisboa proporcionam receitas bem distribuídas e justas? Não, teremos que reorganizá-las e construir portagens novas, com vantagem para o investimento e a criação de emprego. É uma política para as pessoas paga pelas pessoas que se movem, e uma política de crescimento paga pelos que cá vêm e cá circulam.

Agora, por fim, o dinheiro chega, não é verdade, agora o dinheiro abunda?

Sim, o dinheiro chega, agora. Sobra até para algumas iniciativas necessárias e urgentes, como a criação de uma empresa municipal para exploração de sinergias Carris-Metro; um organismo municipal de articulação entre transportes e empresa de estacionamento; uma agência municipal de gradação dos imóveis segundo a proximidade dos transportes; um observatório municipal para a publicidade em espaços e veículos públicos; uma comissão de análise e reestruturação do ISPP que funcionará em articulação com o governo; e um grupo de estudo para as portagens equilibradas da Área Metropolitana. Além, evidentemente, das instalações, automóveis, telemóveis e salários dos funcionarios e chefes de tais organismos.

Vai ser o pleno emprego socialista, o fim do empobrecimento dos nossos, uma política do nosso crescimento, uma política para as nossas pessoas. E haverá até aplausos e reverência por parte dos nossos media alfacinhas ao presidente da câmara de todos os portugueses. 

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Ambição, incompetência e cumplicidade

por Vasco M. Rosa, em 17.04.14

Há uma máxima no bom jornalismo brasileiro: a ficção jamais supera a realidade.

Pensei nisso, agora que li que a taça da liga dos campeões vai passear de eléctrico por Lisboa — os mesmos eléctricos em que turistas em pé, comprimidos em lata, sacodem ao longo dum percurso que não avistam e pelo qual pagam um bilhete de quase 3 € ! —, vai aos pastéis de belém e talvez ao pastel de bacalhau, mas AC e a sra. vereadora de cultura hão de estar felizes, porque isso é uma maneira que eles lá têm de acreditar que fazem algo que preste.

Enquanto isso, a remodelação do palácio Galveias como biblioteca (um erro) serve para gastar 15 milhões, quando qualquer bibliotecário lhes diria que um edifício de raiz e funcional custaria bem menos; mesmo quando a hemeroteca foi fechada para venda dum palacete degradado há duas décadas, e a sua instalação num pavilhão desportivo ser uma solução burra e sem fim à vista (um ano pelo menos de atraso sobre o prometido!!); o vereador Salgado diz que é importantíssimo criar uma residência de estudantes no Intendente, para o que se destinam logo dezenas de milhões; mas quando um dos melhores legados de João Soares, o centro de estudos olisiponenses (numa casa de brasileiro na estrada de Benfica) fica durante semanas com a tela da entrada estropiada por um temporal, sem ser reposta (embora, se se tratasse da fachada dum privado, em dois dias haveria de estar no seu devido lugar, sinal de inépcia e de indiferência que assusta!), somos capazes de pensar que não há gestão que garanta 100 € de tela microperfurada... — para já não falar, mas falaremos, da almofada de silêncio e CUMPLICIDADE com que conseguiram abafar o escândalo de Inês Pedrosa, que na Casa Fernando Pessoa fez o que se provou e talvez muito mais que importaria ter apurado, em defesa da respeitabilidade da própria autarquia. Esperam que tudo se esqueça, que tudo passe, para que as moscas fiquem as mesmas...

Como se não bastasse, António Costa quer mandar nos transportes de Lisboa, sem que alguém lhe pergunte como espera poder fazê-lo se nem o estado das vias consegue gerir com a dignidade que a carga tributária paga e exige. A segurança, a comodidade, a normalidade do trânsito, a higiene, são miragens em Lisboa, problemas crónicos, patológicos, mas o presidente deidica-se a delírios, quer ir além dos seus braços, quer dar passos maiores que as suas pernas, talvez para que assim possa convencer que está tudo bem e ele tem margem para ir mais além.

Está tudo mal.

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Foto-fitas do dia

por Luísa Correia, em 17.04.14

(Rossio)

 

Como é bem sabido, a Baixa é um território de aluvião, decorrente do sucessivo assoreamento da ribeira ou córrego que corria do actual Rossio em direcção ao estuário do Tejo. Este fio de água, por certo mais vivaz nas invernias, já estava bastante reduzido na sua amplitude à data da conquista de Lisboa, em 1147, como refere o cruzado R., na célebre carta a Osberno. No entanto, era ainda atravessado pelo menos por uma ponte que permitia a ligação entre as duas margens. Esta ponte, dita da Galonha, irá durar até ao definitivo encanamento da parte final do córrego, então já pouco mais do que um esgoto malcheiroso a céu aberto, que dará origem à parte terminal da então chamada Rua Nova d'El-Rei, ou, mais prosaicamente, Rua dos Ourives do Ouro, desde que os mestres deste ofício nela se instalaram. (José Sarmento de Matos e Jorge Ferreira Paulo, Um sítio na Baixa)

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O culminar da grande revolução

por João Távora, em 17.04.14

Evangelho segundo São João


Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim. No decorrer da ceia, tendo já o Demónio metido no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, a ideia de O entregar, Jesus, sabendo que o Pai Lhe tinha dado toda a autoridade, sabendo que saíra de Deus e para Deus voltava, levantou-Se da mesa, tirou o manto e tomou uma toalha, que pôs à cintura. Depois, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que pusera à cintura. Quando chegou a Simão Pedro, este disse-Lhe: «Senhor, Tu vais lavar-me os pés?». Jesus respondeu: «O que estou a fazer, não o podes entender agora, mas compreendê-lo-ás mais tarde». Pedro insistiu: «Nunca consentirei que me laves os pés». Jesus respondeu-lhe: «Se não tos lavar, não terás parte comigo». Simão Pedro replicou: «Senhor, então não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça». Jesus respondeu-lhe: «Aquele que já tomou banho está limpo e não precisa de lavar senão os pés. Vós estais limpos, mas não todos». Jesus bem sabia quem O havia de entregar. Foi por isso que acrescentou: «Nem todos estais limpos». Depois de lhes lavar os pés, Jesus tomou o manto e pôs-Se de novo à mesa. Então disse-lhes: «Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque o sou. Se Eu, que sou Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz, vós façais também».

 

Da Bíblia Sagrada

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O Financial Times trepidando sobre a mesa

por José Mendonça da Cruz, em 17.04.14

A edição de hoje do Financial Times proporciona alguns dos mais empolgantes momentos de leitura com que já deparei na imprensa. O tema empolgante é a situação política na Rússia e a ameaça para a Europa, a lenta anexação da Ucrânia, e a reacção europeia e americana. Se colocarmos o jornal sobre uma mesa ele contorce-se e agita-se. É que nas páginas interiores, em diversos artigos e colunas, decorre um debate entre herdeiros de Chamberlain e de Churchill, e um combate entre, por um lado, interesses económicos comprometidos com a Rússia e defensores da inacção do ocidente, e, por outro, pensadores que defendem que a política tem, em certos momentos, que prevalecer sobre tudo o resto, a fim de evitar maiores ameaças futuras. Para que a importância do tema não seja descurada, o FT cita até um think-tank americano, cujo director, um russo pró-Putin, afirma isto: que se Hitler se tivesse limitado a recuperar para a Alemanha a Áustria e os Sudetas seria hoje considerado um grande político. Com um saco de vento em Washington e a debilidade europeia, como se compreende bem o medo ucraniano de uma morte iminente e as justas preocupações da Polónia, entre outros.

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A segunda pior profissão do mundo

por Maria Teixeira Alves, em 17.04.14

A conclusão é do portal norte-americano CareerCast que, desde 1988, elabora um ranking com as melhores e piores profissões, com base em métricas como remuneração, perigosidade, níveis de stress e contratação, e dados que recolhe de vários organismos de estatística nos Estados Unidos.

 

Mas se o estudo fosse feito em Portugal o resultado não poderia ser muito diferente. Ser jornalista no país da corrupção velada, não é nada fácil. 

Voltemos ao ranking da CareerCast:

TOP 10 das piores profissões em 2014:

1. Lenhador

2. Jornalista (imprensa)

3. Militares

4. Taxista

5. Jornalista (rádio e televisão)

6. Cozinheiro chef

7. Assistentes/comissários de bordo

8. Recolha de lixo

9. Bombeiros

10. Guardas prisionais

 

I wonder why a imprensa escrita aparece em segundo lugar...

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Alcazares e Tapiocas

por João Afonso Machado, em 17.04.14

«Os Capitães de Abril não vão discursar» - oiço pela enésima vez  nos noticiários. Já com largo enfado, acrescente-se, posto os valorosos militares de há umas semanas a esta parte não fazerem outra coisa senão discursarem. O que não seria de esperar não ocorresse persistirem em se considerarem uma espécie de donos do Regime. E não são.

Vamos por partes. Todos devemos à Revolução abrilina a liberdade de dizermos o que pensamos. Obrigado, Srs. Capitães! Não fora V. Ex.cias e eu ver-me-ia a braços com a polícia política a tolher-me a voz sempre que a levantasse exactamente contra o Regime (republicano e ditatorial, é claro).

Daí o lugar na História a que os militares de Abril têm um indiscutivel direito. Assim a modos de quem põe coroas de flores aos pés da estátua do António José de Almeida.

Porque quem proporciona a liberdade não pode restringir a liberdade. Não pode apontar rumos a essa liberdade, quero dizer, não lhe é permitido, em nome de um desempenho histórico (sem dúvida), intervir institucionalmente nos caminhos escolhidos pelo povo a quem - e por quem, alegadamente, - movimentou o fim da autocracia. Até prova em contrário, o sistema eleitoral define a vontade popular.... Caso contrário, reeditariamos Gomes da Costa!

O Sr. Coronel Vasco Lourenço entenderá - se um dia participou no levante dos anseios silenciados dos portugueses -  como português resta-lhe usufruir desse benefício como cidadão que é, pronunciando-se a título pessoal ou no quadro de uma entidade política qualquer. O Conselho da Revolução foi um abuso e a Associação a que preside há muito parece arrogar-se de um direito potestativo abusivo também.

Indo sempre por partes, podemos todos abreviar. Quanto à intervenção dos militares abrilinos. Os quais só deveriam seguir o exemplo do exemplo ético e desinteressado que tantas vezes apontam - Salgueiro Maia.

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Foi nos últimos dois dias noticiado pelo Jornal de Negócios, uma novidade muito relevante. Passou despercebido, mas a transposição da directiva europeia sobre a solidez dos bancos (CRD IV, que significa Capital Requirements Directive IV) vai dar um poder quase absoluto ao Banco de Portugal. As alterações à lei bancária (RGICSF) que a transposição da directiva de capital vai trazer, prevê o aumento de sanções pecuniárias que a instituição hoje liderada por Carlos Costa pode aplicar aos banqueiros, e gestores de instituições financeiras que cometam irregularidades. Pode chegar aos 10 milhões de euros, imagine-se! Vamos ter uma geração de banqueiros potencialmente pobres. As coimas às pessoas colectivas (instituições financeiras) passam a ser ao nível do BCE. Isto é, passará a ser 10% do total do volume de negócios anual liquído do ano anterior à data da decisão condenatória. 

O Banco de Portugal vai passar ainda a publicar os condenados no site, e a infração cometida. Até agora o Banco de Portugal tinha a tradição de ser sigiloso. Era sempre uma tarefa árdua para qualquer jornalista de economia confirmar uma notícia de investigação e condenação que envolvesse a actividade de supervisão do Banco de Portugal. 

Mas o poder do Banco de Portugal vai mais longe: a nova versão da lei bancária (que ainda tem de passar pela Assembleia da República) vai dar ao Banco de Portugal o poder de avaliar os banqueiros e gestores de instituições financeiras de áreas chave como compliance; auditoria interna; controlo e gestão de riscos, etc, antes de serem admitidos. Ou seja a escolha dos gestores e administradores já não depende apenas dos accionistas e dos superiores hierárquicos, têm de passar no crivo do Banco de Portugal. Têm de ir a Deus saber se podem ou não ser aceites. Isto irá afectar já os sucessores dos banqueiros Ricardo Salgado (muito relevante este pormenor no processo de sucessão) e de Fernando Ulrich. 

O que é que vai estar em causa? Saber se o candidato a banqueiro (ou a gestor financeiro) actua de forma transparente e cooperante com a supervisão. Os maus resultados empresariais. Despedimentos no passado. Idoneidade em funções passadas. Características do seu comportamento e contexto em que decisões foram tomadas. No fundo, aquilo que hoje é feito sem base legal pelo Banco de Portugal vai passar a ser regra jurídica. Por exemplo, alguém que está a ser investigado num processo de corrupção, ainda que não tenha nada a ver com a sua actual actividade de banqueiro (ex: Armando Vara), até agora o Banco de Portugal apenas poderia dar "um conselho" de saída do banco. Tinha alguma força, mas não tinha base legal, no limite o banqueiro poderia não acatar. 
Uma investigação com base em suspeitas de inside trading, por exemplo, pode levar o Banco de Portugal a travar a pretensão de ser banqueiro se nessa altura ainda não houver um desfecho do caso que conclua pela inocência. 

O Banco de Portugal vai passar a fazer verdadeiras investigações aos gestores que se candidatem a banqueiro. Saber se no passado receberam kick-backs, mesmo que não tenha sido público; saber se receberam comissões de clientes por actividades de consultoria (se actuaram como banco de investimento por conta própria), tudo isto estará na folha do Banco de Portugal, que se encarregará de entrevistar os candidatos antes de serem propostos e eleitos para as funções. Restará alguém apto para sucessor de Ricardo Salgado e de Fernando Ulrich?

É uma revolução silenciosa. Porque poderá introduzir uma prática em desuso actualmente, que é a promoção de quadros internos a administradores. Hoje isso praticamente não acontece. Há um mercado de CEO que são sempre os mesmos. Mas no futuro poderão os discretos mas competentes Directores subir a administradores e a presidentes. 

 

P.S. O poder do Banco de Portugal passa pelo poder para entrevistar candidatos a gestores financeiros para avaliar a idoneidade e a adequação à função. A avaliação deve basear-se nas informações prestadas pelo interessado, pelo banco, e ainda pelas averiguações promovidas pelo supervisor bancário.

O parentesco pode determinar a falta de independência no contexto de administradores não executivos independentes. A detenção de uma participação qualificada (2%) na instituição também lhe retira a capacidade de independência. 

O pedido de licença bancária vai estar condicionado à composição do board, se o Banco de Portugal não considerar que são idóneos não concede a licença.

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Foto-fitas do dia

por Luísa Correia, em 16.04.14
(Amoreiras)

Ficou o céu descorado… 
E a Noite, que se avizinha, 
Vem descendo ao povoado, 
Como trôpega velhinha. 

Para a guiar com cuidado 
Veio-lhe ao encontro a Tardinha, 
Não fosse a Noite sozinha 
Perder-se em caminho errado. 

Vão as duas caminhando… 
E como o Sol já não arde, 
Para o caminho ir mostrando 

A primeira estrela brilha… 
Então diz a Noite à Tarde: 
– Vai-te deitar minha filha.
 

Armando Côrtes-Rodrigues, Anoitecer

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Fado de Coimbra em 1928

por João Távora, em 16.04.14

Fado do Anto, (de Francisco Menano - António Nobre) por Edmundo Bettencourt com Artur Paredes e Albano de Noronha nas Guitarras, Mário Faria da Fonseca à Viola . Disco Columbia wp 331 gravado no Porto em Fevereiro de 1928, no Palácio das Carrancas, antiga Casa Real. 

 

 

 

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Velhas cantigas

por José Mendonça da Cruz, em 16.04.14

Saboreei as afirmações feitas, ontem, pelo líder sindicalista francês Thierry Lepaon a propósito do programa governamental de controlo do défice anunciado pelo primeiro-ministro Manuel Valls.

Lepaon, secretário geral da CGT, confederação próxima dos comunistas, disse que o programa de «austeridade» traduz-se numa «política recessiva» e que o governo está a ser «forte com os fracos».

Não é admirável esta coincidência na falta de soluções e criatividade?

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Nós lá

por José Mendonça da Cruz, em 16.04.14

E agora, algo completamente diferente: com a devida vénia ao Libération, um pouco de bem-estar patriótico a propósito de França, do mundo da moda e do universo de um português «de um equilíbrio e de uma doçura absolutamente extraordinárias».

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Diz o que eles diziam, faria como eles fazem

por José Mendonça da Cruz, em 16.04.14

Não há como a realidade para calar os socialistas. Poucos dias passados sobre a tomada de posse do novo primeiro-ministro francês, Manuel Valls, já se sabe que o seu governo não pedirá a Bruxelas novo adiamento (seria o terceiro) na correcção do défice. O que se mantém é a necessidade de cortar 57 mil milhões na despesa do Estado. Já quanto ao anunciado alívio fiscal a empresas e privados, talvez leve um fim igualmente triste. Por cá, e no domínio das fantasias, o PS veio dizer mais uma vez, em reacção à entrevista do primeiro-ministro, que qualquer corte é uma coisa feia e má (e que, supõe-se, o défice haveria de ser corrigido por mágica ou por esmola estrangeira). Ainda não se arrependeram e continuam sem aprender.

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Mediterrâneo

por João Afonso Machado, em 16.04.14

O berço de muitos milénios, o mundo dos mitos construidos nos vagares dos trirremes. Onde a História se pode permitir nascer da imaginação tornada realidade pela posse contínua da crença. Gregos e troianos, a invencivel fronteira entre o Ocidente e o Oriente, por muito que muitos queiram agradar a uns e a outros...

Do lado de cá, o Mediterrâneo espraia-se no areal e - talvez pela força do hábito - sugere azuis longínquos, navegações pilotadas por deuses e heróis, vinho e rebanhos de cabras, olivais, sob a força do sol. Como que convidando a fundar cidades e sonhos, ciclos fabulosos e pacificadores entre os choques e os titãs do dia-a-dia.

 

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Ilustração Portuguesa 1906

 

A publicidade nos jornais online está de tal forma intrusiva e agressiva que estou em crer provoca o efeito contrário ao pretendido pelas marcas anunciantes, e acaba expulsando os leitores para outras leituras. Nada o justifica, tanto mais que vivemos mais de duzentos pacíficos anos em que os anúncios se exibiam sem saltar para a cara dos leitores. Além disso, com a tecnologia disponível aliada à imaginação, acredito serem hoje possíveis modelos de rentabilização bem mais eficazes.

 

Publicado originelamente aqui

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Ler os outros

por João Távora, em 16.04.14

(...) quarenta anos depois do 25 de Abril estamos politicamente no Verão de 1975: a legitimidade das urnas é inferior à da rua e à dos estúdios de televisão.

 

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Passos Coelho, Gomes Ferreira, a entrevista e o comentador incómodo

 

O primeiro-ministro Passos Coelho deu ontem uma entrevista à Sic e SicNotícias durante a qual prestou contas da sua governação, nomeadamente esclarecendo diversas confusões suscitadas pelos media a propósito de salários, pensões e impostos. O entrevistador foi José Gomes Ferreira, e a entrevista ocupou-se sobretudo de temas económicos, da vida económica dos portugueses, como é natural e útil nestes tempos de crise e dificuldades económicas. Neste sentido, a entrevista foi, felizmente, previsível.

Previsíveis foram, também, as reacções de três dos comentadores do painel de quatro que se seguiu na SicNotícias.

António José Teixeira, Graça Franco, Pedro Santos Guerreiro passaram, como era previsível, a criticar o primeiro-ministro por não ter falado das coisas que, segundo eles, seriam mais interessantes, e por não ter - como, segundo eles, devia - «mobilizado» para «uma nova fase» (que, ao menos e por fim, lá reconhecem).  

Mas imprevisível, ao menos para esses três comentadores, terá sido a reacção do quarto membro do painel, Miguel Sousa Tavares.

Inteligente, provando mais uma vez que há comentadores melhores que outros, Sousa Tavares começou por classificar de realmente confrangedoras as reacções da oposição, mais uma vez a opor-se a todos os remédios sem apresentar solução nenhuma. E, de seguida, Sousa Tavares insistiu de várias maneiras na necessidade de reduzir Estado, e défice e dívida, quase parecendo que, além da oposição, inquiria também os outros comentadores sobre se reconheciam ou não o problema, e sobre se reconheciam ou não que ele vem sendo combatido.

O nervosismo do socialismo encapotado de Teixeira e o súbito desconchavo do primarismo anti-governo dos outros foi, a partir daí, todo um delicioso espectáculo. Três ou quatro colheradas de realismo deixaram-nos titubeantes.

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Foto-fitas do dia

por Luísa Correia, em 15.04.14
(Parque Amália Rodrigues)

As for the human case, the generations of men come and go and are in eternity no more than bacteria upon a luminous slide, and the fall of a republic or the rise of an empire – so significant to those involved – is not detectable upon the slide even were there an interested eye to behold that steadily proliferating species which would either end in time or, with luck, become something else, since change is the nature of life, and its hope. (Gore Vidal)

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No mesmo País?

por João Afonso Machado, em 15.04.14

Em breves notas a lápis na espera do aeroporto: foram dias de muitos quilómetros a pé, para lá e para cá, ao longo do Parque imenso. Onde a cidade inteira descomprime durante o fim-de-semana, correndo, pedalando. A passear centenas de cães distribuidos por quantas idades possamos supor. O turismo é já uma marca da casa, há o "bioparque" e o "oceanográfico" nos dois topos, visitas incontornáveis. E, transposta a cidadela, a parte histórica ferve nas mesmas águas da Economia, surpreendentemente plana, desprovida daqueles últimos redutos cimeiros e usuais palcos do heroismo sem recompensa. Onde as horas passam devagar entre palácios renascentistas e a beleza ocre de tantas igrejas nas plazas.

No regresso, as avenidas comercialmente mais responsáveis, muito cheias de neo-classicismo e de trânsito ordeiro, exemplar. Depois de uma das várias pontes que ficaram de um rio encanado, seco, sepultado, a urbe nova decuplica a original. Decuplica? - dez vezes, decerto. O resto são contas... Hoteis atrás de hoteis, artérias amplas e cheias de àngulos rectos. Em redor, automóveis de marcas caras e o mundo inteiro passando ali. Às mãos cheias do futebol milionário. Como a extremidade noroeste da Espanha é diferente de Valência!!!

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DN, Expresso e a informação da treta

por José Mendonça da Cruz, em 15.04.14

A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, desmentiu hoje a «notícia» do chamado «Diário de Notícias» de que o governo pretende conseguir em 2014 um défice abaixo do acordado com a troika. Dizia o DN que Passos Coelho ia sujeitar o país a austeridade desnecessária para fazer um «brilharete». Mas era mentira. Era uma mentira alicerçada em ignorância. O Expresso online publica as declarações da ministra, mas, na mesma edição, repete a mentira do D.N. Num lado e noutro, o rigor informativo do costume.  

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Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

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