Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Queimar pinhais hoje, para os ter amanhã

por henrique pereira dos santos, em 23.11.17

No mesmo dia em que se anunciava o chumbo do financiamento a dezenas de projectos para prevenção de fogos, por falta de verba, o governo falava nuns milhões generosos para as áreas ardidas.

Ainda ontem me perguntavam o que há a fazer já, para começar a mitigar as consequências dos fogos dos próximos anos (não ardeu tudo, não, falta o Algarve, falta o Alto Alentejo, falta a Arrábida e faltam ainda uns milhões de hectares não geridos um pouco por todo o lado) e a minha resposta é a que tenho dado ultimamente:

esqueçam as áreas ardidas e concentrem recursos a trazer oportunidade de gestão ao que sobra do pinhal, queimando agora, no Outono/ Inverno, o muito que há a queimar nesses povoamentos.

Nesse processo perder-se-ão algumas árvores? Sim, é verdade, perdem-se algumas, dependendo das circunstâncias, do estado do povoamento e da capacidade técnica de quem faz o fogo controlado, podem perder-se mais ou menos árvores, mas é bom ter em atenção que a alternativa a essas perdas não é ter mais árvores, é ter menos árvores, queimadas todas pelos fogos de Verão.

Os milhares de hectares de pinhais sem gestão, por exemplo, na área da centro do país que não ardeu este ano, não têm hipótese de ser geridos sem que seja feita a redução da carga de combustível que têm neste momento, o que só pode ser feito, de forma economicamente sustentável, com fogo controlado.

Mas preferimos gastar os milhões que existem, e não são muitos, a recuperar áreas ardidas, isto é, a prepará-las para o fogo daqui a dez anos quando, sem gestão, a recuperação que fizermos hoje as voltar a pôr onde estavam quando arderam, que o mesmo é dizer, a pô-las onde estão hoje os pinhais que não arderam e que não são geridos.

Tolamente, vamos, mais uma vez, tal como fizemos de 2003 a 2005 e anos seguintes, esperar que o que existe arda para, então, gastar, em recuperações, o dinheiro que poderia ter sido usado a aumentar a capacidade do território conviver com o fogo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Infarmed - retrato dos oportunistas

por José Mendonça da Cruz, em 22.11.17

Enquanto todo o funcionalismo público é embalado com promessas de descongelamento de carreiras, tão irresponsáveis como obscuras, cerca de 400 funcionários do Infarmed foram vítimas directas e tomaram súbita consciência da soberba, do cinismo, da opacidade e da incompetência com que um colectivo de oportunistas desgoverna o país.

Compreendo o esforço que os mansos e os aliados da geringonça nos media fizeram ontem e fazem hoje para secundarizar a notícia da mudança do Infarmed para o Porto. Às indignações de ontem por questões de lana caprina teriam que suceder hoje, perante isto e comparativamente, aberturas de telejornais arrasadoras, reportagens especialmente condenatórias, títulos de primeira página ululantes e fúrias sagradas. 

Caso tivessem honra e espinha os alegados jornalistas não deixariam de registar e classificar os passos deste extraordinário processo.

Primeiro. Um chefe de governo e um presidente de câmara negoceiam um acordo que arruina as já módicas hipóteses de acolher em Portugal a sede de uma agência europeia. Lisboa poderia alimentar esperanças; o Porto não tinha nenhumas. O interesse nacional era evidente, mas os dois homens trataram do seu, e ficaram satisfeitos.

Segundo. Os mansos dos media alimentaram até à última hora a ilusão dessa vitória impossível. Mas o mesmo chefe de governo e o mesmo autarca, bem conscientes do logro, acertaram sigilosamente uma compensação para a derrota: o Porto não teria a agência, obviamente, mas ficaria com o Infarmed.

Terceiro. Sem conhecimento da direcção, sem conhecimento dos funcionários, sem conhecimento do público, sem consideração dos prejuízos financeiros, de funcionamento e de credibilidade é anunciado que uma instituição respeitada nacional e internacionalmente é mudada de sopetão da primeira para a segunda cidade do país. Costa chama a isto «descentralização» -- algo normal para quem chama «fim da austeridade» ao aumento de impostos indirectos que absorve largamente as supostas reposições de rendimentos.

Quarto. Aos 400 funcionários do Infarmed e respectivas famílias, chocados com a conspiração e a ligeireza do decreto, o ministro da saúde explica de que raça é o seu governo: se os trabalhadores não gostam, arranjam-se outros.

Temos, portanto: uma decisão ao arrepio do interesse nacional; opacidade e negociações de bastidores; outra decisão ao arrepio de considerações financeiras e do prestígio de uma instituição; e, por fim, um ministro que -- para ser-se tão brutal como ele - manda os trabalhadores à merda.

Visto isto, como reagem os mansos e os vendidos dos media?

A Sic faz a cobertura... do governo, entenda-se. Abre o telejornal das 13 referindo que os trabalhadores do Infarmed foram surpreendidos, após o que dá voz a um antigo director, ao autarca do Porto e ao ministro da Saúde para explicar que isto é descentralização, que é bom para todos, que tudo foi sopesado. Às 20 horas fez ainda melhor: só chegou a tempo do período de perguntas e respostas da conferência de imprensa dos funcionários do Infarmed. Chegou tarde porque antes teve que: a) deter-se demoradamente sobre a 5ª derrota do Benfica na Champions; b) misturar as críticas da Comissão Europeia ao OE com sonhos sobre o cargo estrangeiro de Centeno; e c) truncar afirmações do PR, de forma a que «o caminho que serve os portugueses», que Marcelo disse ser o da «sensatez orçamental», parecesse ser o caminho de Costa. 

A TVi é mais tímida. Fez um directo à porta do plenário dos trabalhadores, mais gaguejadamente e com a habitual menor competência, e passou pressurosamente à premente e fugidia questão da seca.

A RTP serviu o dono. Sem tempo para transmitir as objecções dos funcionários do Infarmed, às 20 horas, cortou o directo e anunciou que convidara para uma entrevista sobre o tema o autarca do Porto, Moreira.

O Público online escolhe para manchete a Bósnia; o Diário de Notícias, a prisão de agentes da GNR.

E, assim, ao menos 400 funcionários públicos ficam a saber o que muita gente sabia e outra vai aprendendo lentamente: que o governo que espolia a economia privada para alimentar as suas clientelas é capaz do mesmo desprezo por eles, funcionários públicos; e os alegados jornalistas que trazem o funcionalismo nas palminhas só o trazem assim enquanto e nos estritos casos em que isso favoreça a sua parcialidade, o seu interesse e a geringonça.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

A gastar por conta

por João-Afonso Machado, em 22.11.17

Portanto - como diria o célebre eng. Santos Silva - querendo saber como as coisas se passam na AT, conta-se em dois tempos:

Primeiramente, instaurada ou revertida uma execução fiscal, os serviços de finanças atiram-se como lobos ao património do contribuinte. Penhoram.

Depois, caso o contribuinte pretenda defender-se na Justiça, deduz oposição a essa execução em que é vítima, a qual, porém, prosseguirá se não forem prestadas garantias.

Segue-se o longo calvário judicial.

E, quantas vezes, a sentença, enfim, julgando procedente a oposição e ordenando a extinção da execução fiscal.

O passo seguinte consistirá em, junto da AT, recuperar os valores penhorados. Outra via sacra, ainda mais sofrida. A verdadeira façanha dos advogados.

Porque a AT simplesmente não devolve os dinheiros de que se apropriou. E inicia o seu circo. Quaisquer requerimentos do lesado são inúteis. O serviço de finanças onde correu a execução descarta-se logo e aponta o dedo à Direcção de Finanças. Esta à Direcção de Serviços de Reembolso. E esta, para acabar, não tem telefone e não atende os contribuintes. Mora lá para Lisboa, num qualquer condomínio fechado e vigiado

Tudo isto porquê? Porque o Estado - particularmente agora - não tem dinheiro. E gasta por conta o nosso, que depois não consegue devolver.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um retrato sobre nós

por henrique pereira dos santos, em 20.11.17

Ontem, numa viagem de várias horas, ouvi, repetidamente, a notícia de que finalmentes todos os acordãos dos tribunais vão ser disponibilizados on line, com acesso fácil.

O que está aqui em causa não é a independência e a liberdade dos juízes, mas simplesmente a possibilidade de qualquer pessoa poder saber o que vai sendo decidido, como e porquê, de maneira a que seja possível algum controlo social sobre a aplicação da justiça.

O que me chamou a atenção foi o facto desta possibildiade advir da aprovação de um financiamento comunitário de 120 mil euros para fazer isto.

O Estado que gastou vários milhões a comprar umas acções da TAP, sem que se perceba para quê, o Estado que passou a gastar uns milhões em transportes públicos para garantir um seguro de vida ao PCP, cobrado em apoio a um dirigente partidário em risco, o Estado que procede como descrito neste artigo exemplar, o que o faz gastar milhões para comprar uns quantos votos, o Estado que prescinde de receitas possíveis no seu património cultural com medo das redes sociais, é o mesmo Estado que não tem de seu 120 mil euros para o seu sistema de justiça ser mais transparente e socialmente enraízado.

E, já agora, prefere gastar milhões a acalmar os sindicatos dos professores a gastar os mesmos milhões no reforço da segurança do espaço público, atirando as responsabilidades das consequências destas opções para terceiros, como acontece quando fecha uma discoteca, discricionariamente, apenas para desviar as atenções do facto da noite lisboeta ser um tempo de ausência da responsabilidade do Estado pela segurança no espaço público.

O sistema de justiça tem de esperar por um financiamento comunitário para ter todos os seus acordãos on line por não ter 120 mil euros.

Um triste retrato de um triste Estado que desistiu de assegurar as suas funções essenciais para se dedicar ao tráfico de influências e à administração da captura do Estado pelos interesses particulares, actividade essa que se tem vindo a acentuar com a entrada na esfera do Governo de duas organizações altamente especializadas na matéria: o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Domingo

por João Távora, em 19.11.17

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: «Um homem, ao partir de viagem, chamou os seus servos e confiou-lhes os seus bens. A um entregou cinco talentos, a outro dois e a outro um, conforme a capacidade de cada qual; e depois partiu. O que tinha recebido cinco talentos fê-los render e ganhou outros cinco. Do mesmo modo, o que recebera dois talentos ganhou outros dois. Mas o que recebera um só talento foi escavar na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. Muito tempo depois, chegou o senhor daqueles servos e foi ajustar contas com eles. O que recebera cinco talentos aproximou-se e apresentou outros cinco, dizendo: ‘Senhor, confiaste-me cinco talentos: aqui estão outros cinco que eu ganhei’. Respondeu-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu senhor’. Aproximou-se também o que recebera dois talentos e disse: ‘Senhor, confiaste-me dois talentos: aqui estão outros dois que eu ganhei’. Respondeu-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu senhor’. Aproximou-se também o que recebera um só talento e disse: ‘Senhor, eu sabia que és um homem severo, que colhes onde não semeaste e recolhes onde nada lançaste. Por isso, tive medo e escondi o teu talento na terra. Aqui tens o que te pertence’. O senhor respondeu-lhe: ‘Servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei e recolho onde nada lancei; devias, portanto, depositar no banco o meu dinheiro e eu teria, ao voltar, recebido com juro o que era meu. Tirai-lhe então o talento e dai-o àquele que tem dez. Porque, a todo aquele que tem, dar-se-á mais e terá em abundância; mas, àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado. Quanto ao servo inútil, lançai-o às trevas exteriores. Aí haverá choro e ranger de dentes’». 


Palavra do salvação. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Uma questão de decência

por João Távora, em 18.11.17

Casa Real.jpg

Não entendo a Chefia de Estado Real como constituindo um privilégio, antes pelo contrário. Onde existem dinastias historicamente legitimadas, e não sendo o cargo executivo, não vejo qualquer imoralidade no facto dos reis não serem sufragados pelo voto - vê-se bem por essa Europa afora a sua importância e o sucesso do modelo que persiste e se adapta nos países mais desenvolvidos. Mas é evidente que para a consumação em Portugal deste desígnio, a instauração da monarquia, a democracia tem que imperar organicamente na sociedade, através de uma participação activa das múltiplas comunidades na rés-publica. Esse é o problema: não acho que no meu País a democracia, a sociedade portuguesa e as suas instituições, no actual quadro constitucional, sejam suficientemente representativas e participadas (evoluídas) para acomodar uma Chefia de Estado hereditária. Seria um presente envenenado, um convite à insurreição. Mas isso não me demove um milímetro de me dedicar de corpo e alma à Causa Real para apoio à Casa Real Portuguesa para que ela perdure depois de mim, antes pelo contrário. Por uma questão de decência e... amor à Pátria que é legado dos meus avós.

 

Fotografia: Nuno Albuquerque Gaspar 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Interrogo-me...

por Vasco Lobo Xavier, em 18.11.17

...sobre a forma como o PS vai conseguir passar no orçamento a medida que colocará os comentadores da comunicação social do Bloco, do próprio PS e mesmo do PCP, esses trabalhadores e pensionistas que ainda acumulam como profissionais liberais em regime de recibos verdes, dentro do regime simplificado que existia. Rui Tavares, depois de um artigo inflamado no Público, há umas semanas atrás, calou-se misteriosamente entretanto. Já saberá da medida que o protegerá e aos amigos? E Daniel Oliveira? E Louçã? E Fernando Rosas? Estou para saber.

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

Acho engraçado o título da notícia do Observador sobre as medidas da geringonça para os profissionais em recibo verde, que deve ter sido sugerido pelo governo. “IRS só muda para recibos verdes acima de 27 mil euros.” “Só muda”?!?... O governo não está a criar mudanças no regime simplificado: o governo acaba com o regime simplificado e torna-o numa bagunça imensa; e tudo isto apoiado pelos comunistas e pelos bloquistas (convém ter sempre presente o apoio desta malta a estas medidas).

Os profissionais liberais em regime de recibos verdes (onde me incluo, fica aqui a declaração de interesses) são já o grupo mais desprotegido no mundo do trabalho (sim, sim, sim, comunistas e bloquistas…: muito pior do que funcionários públicos em geral e professores em particular) e agora ainda levam mais uma enorme cacetada, obrigados a inúmeros trabalhos e despesas para terem uma contabilidade organizada. Todos? Não!... Parece que uns quantos ficam de fora – agricultores e pequenos comerciantes e aqueles que não aufiram a enorme fortuna de 27.000 euros anuais (em 12 meses, não em 14 com apenas 11 de trabalho). E sabe-se lá por que assim se decide, mas deverá ser apenas mais uma politiquice politiqueira para aguentar António Costa num lugar que não conquistou, sempre com o apoio dos bloquistas e dos comunistas, que se estarão nas tintas para as pessoas em regime de recibos verdes.

Estou ansioso para ver como bloquistas e comunistas vão defender esta proposta no parlamento, essa maltosa que anda sempre com os “trabalhadores” na boca, que agora só lhes sabe a sapo, mas que agora se evidencia serem apenas defensores dos que trabalham para o estado (a minúscula é propositada).

Mas…, sabem eles? Cerca de setecentos a novecentos mil profissionais liberais vão ter de passar a ter uma contabilidade organizada, com todas as despesas inerentes a isso, sempre em seu prejuízo, sem estabilidade, sem subsídios de desemprego, sem nada. Pode ser que esses profissionais ainda se não dêem conta disto mas, quando tiverem de pagar as despesas ou os impostos em Agosto de 2019, estes 700 a 900.000 profissionais liberais irão aperceber-se da triste realidade desta medida da geringonça socialista, bloquista e comunista.

Tenho por certo uma coisa. Se o PS vai para a frente com esta medida orçamental é porque não conta ir a eleições em 2019, quando deveria ser, e depois de toda esta gente ter levado bordoada: António Costa vai querer eleições antecipadas e os comunistas e bloquistas nem estão a perceber isto. Nem os profissionais liberais que não se insurgem.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

João Ferreira do PCP é mentiroso!

por Vasco Lobo Xavier, em 17.11.17

Acabo de ouvir na SIC Notícias João Ferreira do PCP a dizer que este governo da geringonça acabou com a sobretaxa. É mentira! Ela está aí, há muito boa gente que ainda alomba com a sobretaxa e João Ferreira, do PCP, não pode ignorar tal coisa, pelo que quando diz tal (perante o silêncio habitual daquelas supostas jornalistas) que este governo acabou com a sobretaxa está a mentir.

João Ferreira, do PCP, é mentiroso.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sobre o regresso à decência

por João Távora, em 17.11.17

(...) O feminismo vive num momento histórico fascinante, porque mais cedo ou mais tarde vai ter de admitir que um regresso ao pudor e à discrição será a grande conquista das mulheres e dos homens interessados na diminuição dos casos de assédio e violação. Não, não se está a pedir o regresso ao tempo da abstinência e da diabolização do sexo antes do casamento. Pede-se outra coisa: quem educar as filhas e sobretudo os filhos no pressuposto de que o sexo só faz sentido num contexto de amor não pode continuar a ser visto como “moralista” ou “retrógrado”; deve ser visto, isso sim, como alguém preocupado com a decência.

 

Henrique Raposo a ler na intergar aqui

Autoria e outros dados (tags, etc)

(...) Esta greve dos professores teve o mérito de nos recordar como é diferente a “bolha” em que vivem aqueles para quem este Executivo tem governado – as corporações que vivem do Estado ou à sombra do Estado – e adura realidade dos que têm que fazer pela vida e pela criação de riqueza. (...)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Uma sugestão

por henrique pereira dos santos, em 14.11.17

Vejo que o Governo anuncia uma empresa pública para gerir as matas do Estado.

Saltemos por cima dos modelos que já existem (regie cooperativa em Mafra, fundação no Bussaco, empresa Lazer e Floresta, etc.) e concentremo-nos num pequeno pormenor.

Se as matas são do Estado e vão continuar a ser do Estado, e são geridos pelo Estado e vão continuar a ser geridas pelo Estado, qual é a lógica de criar uma estrutura paralela de gestão (como aliás, foi proposto para gestão das áreas protegidas em tempos, copiando o modelo da Finlândia)?

A resposta é simples: é que as empresas públicas obedecem a regras de gestão diferentes das da Administração Pública e com as regras que existem na administração ninguém consegue fazer coisa nenhuma de jeito.

Aqui chegados, a pergunta é mais ou menos evidente: se o problema da Administração Pública é não conseguir gerir convenientemente por causa das regras que a regem, que tal mudar essas regras, em vez de multiplicar os veículos de uma administração pública paralela onde, por mistérios insondáveis, vão cair os conhecidos problemas da Fundação para a Prevenção Rodoviária, ou da Fundação das Comunicações e esses atalhos que habitualmente metem os contribuintes em trabalhos?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pôr a língua portuguesa na moda

por João Távora, em 14.11.17

Há algum tempo abriu ao lado da minha casa em S. João do Estoril um cabeleireiro que se vende com grande letreiro na montra dizendo "Nails & Depil" - tem manicura e faz depilação. Agora, perto da estação há um novo barbeiro que se anuncia como "hairdresser" e "barber shop". No ginásio que frequento quase tudo é anunciado em inglês inclusive os exercícios (praticar Cycling a seguir a beat e fazer push ups), termos que por preguiça ou simples possidonice não são expressos em português. E desenganem-se os cândidos que equiparam esta praga aos antigos francesismos e a certos anglicismos que sempre foram adoptados por necessidade da língua acolher novos conceitos: o que se passa nos nossos dias é a substituição paulatina de designações existentes em português pelas suas correspondentes em inglês. 
É urgente fezermos frente a esta bimbalhada moderninha que vai tomando conta disto e nos faz sentir estrangeiros na nossa terra. É importante a militância pela língua portuguesa. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Avenida acima, Avenida abaixo...

por Corta-fitas, em 13.11.17

2017-11-09 17.42.50.jpg

É um dia claro do princípio do Outono, talvez de 1905, ao fim da tarde: nalgumas árvores já há folhas castanhas, uma senhora tem ao pescoço as suas raposas e as sombras estão deitadas para Leste enquanto o Sol se começa a pôr por detrás das colinas sobranceiras ao Rato.  O céu mostra nuvens altas,  talvez tenha chovido de manhã e depois o tempo abriu para uma tarde clara e ensoleirada. É com certeza domingo: as pessoas passeiam, as senhoras vestem com elegância, algumas estão sentadas nos bancos da Avenida, os homens conversam gravemente. Lá muito ao fundo, o Tejo corre devagar entra navios ancorados, com os outeiros da Outra Banda, sem um vestígio de casario, a fechar o horizonte. Estamos no cruzamento  com a Alexandre Herculano. Rapazes pedalam nas suas bicicletas, Avenida acima; oficiais do Exército montam a cavalo, acompanhados de um casal, certamente rico e elegante, em que a senhora monta num baio, à amazona. Do lado direito, quase fora da página, um eléctrico aberto, de bancos corridos, sobe pelo passeio lateral da Avenida, do lado onde agora está o S. Jorge. Do lado esquerdo outro eléctrico desce,  pelo lado do Tivoli. Hoje seria ao contrário. Carruagens, fiacres, automóveis (a palavra acaba de ser aceite, depois de alguma polémica) convivem de forma anárquica sobre a terra batida do pavimento, num trânsito que ainda não tem sentidos obrigatórios. A maioria encosta ao lado esquerdo, mas há dissidentes. No primeiro plano uma carruagem puxada por duas parelhas, com cocheiro, sota e trintanário fardados, desce a Avenida, precedida por dois batedores a cavalo, com a mesma farda. Lá dentro, duas  senhoras ocupam os lugares de honra com um grave cavalheiro, de chapéu alto, correctamente sentado à sua frente, ás ordens. Dois oficiais pararam o seu Panhard e saúdam militarmente, de pé. Mais atrás um polícia imita, todo perfilado. Cavalheiros tiram respeitosamente o chapéu e num trem que sobe e se cruza com a carruagem duas senhoras levantaram-se e debruçam-se, curiosas. É fácil de perceber que as Raínhas Dona Amélia e Maria Pia vieram burguêsmente dar uma volta antes da ceia. Bem a meio da Avenida, altos espigões de ferro forjado sustentam duas lanternas a uns três metros do solo e mais um globo, lá no alto dos seus 10 metros: resultado do contrato que a Câmara celebrou com as Companhias Reunidas, em 1904, para a iluminação eléctrica da Baixa. Lisboa tem 400.000 habitantes e vive repousadamente os últimos anos antes da grande convulsão da Republica: daqui a cinco anos será neste mesmo lugar que se vão ouvir os tiroteios do 5 de Outubro, as rainhas partirão para o exílio e os oficiais do Panhard serão republicanos... Cento e doze anos e três revoluções depois, ( 5 de Dezembro de 17, 28 de Maio de 26, 25 de Abril de 74, todas elas para libertar o Povo e salvar a Pátria...) as figurinhas que animam a litografia, e os seus filhos e quase todos os seus netos, juntaram-se já ao grande rio da vida. A Avenida deixou de ser de terra batida, alguns dos prédios morreram, os eléctricos já não passam por ali, o Metro alojou-se debaixo das raízes das árvores, os automóveis ocuparam tudo. Mas incansavelmente, Avenida acima, Avenida abaixo, enquanto os crepúsculos de Outono se repetem, as gerações que passam constroem, dia a dia, a alma de Lisboa. 


Do nosso leitor Manuel Pessanha, num texto gentilmente remetido ao Corta-fitas por email a propósito da gravura acima que hoje voltamos a reproduzir.

Autoria e outros dados (tags, etc)

À atenção do Senhor Primeiro Ministro

por henrique pereira dos santos, em 13.11.17

Excelentíssimo Senhor Primeiro Ministro,

Confesso que não sei porquê, nem poderei dizer que apenas porque me caiu mal o jantar, já que não jantei, lembrei-me de uma frase corrente e, sem que mais uma vez perceba porquê, lembrei-me imediatamente de si quando a frase me surgiu na cabeça:

"Tarefas delegam-se, mas responsabilidades não".

"Artigo 26 dos estatutos da Associação de Turismo de Lisboa

1) Compete à Direcção:

...

b) Orientar a actividade do Turismo de Lisboa;

...

d) Aprovar, sob proposta da Comissão Executiva, os planos de actividades e orçamentos, bem como os relatórios de gerência, balanços e contas do exercício a submeter à Assembleia Geral;

...

Artigo 28

1) A Comissão Executiva é constituída pelo Presidente da Direcção (em 2013, Vossa Excelência), pelo Presidente Adjunto da Direcção e pelo Director Geral.

2) Compete à Comissão Executiva:

...

c) Aprovar as propostas de planos de actividades e orçamentos, bem como os relatórios de gerência, balanços e contas do exercício a submeter à Direcção"

Senhor Primeiro Ministro, é evidentemente impossível não cometer erros no exercício de cargos tão absorventes, sobretudo quando em simultâneo, se é Presidente de Câmara em regime de exclusividade, Presidente do Turismo de Lisboa e ainda se tem o intenso labor intelectual inerente à tarefa de comentador residente de um programa de televisão pelo qual auferia, a justo título de direitos de autor, 7 mil euros por mês, valor que naturalmente reflecte o seu empenho na tarefa, tendo como referência o ordenado de 5 mil euros para exercer, em regime de exclusividade, o cargo de Presidente de Câmara.

Erros são, portanto, perfeitamente admissíveis.

Mas enjeitar as responsabilidades pelos erros, francamente, Senhor Primeiro Ministro, isso é que já seria dispensável, não por causa de um jantar sem grande importância, mas porque tendo feito um cesto, o natural é que faça um cento.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Foto de Manuel Maria Barros.

O dia foi marcado por mais uma polémica mediática que mais uma vez desembocou numa medida drástica e imediata do Governo (ultimamente é assim que é governado o país). Na sexta-feira houve um jantar da Web Summit no Panteão Nacional, onde estão os túmulos de personalidades históricas de Portugal. O jantar com o CEO Paddy Cosgrave, com os fundadores de startups e outras empresas que participaram na Web Summit, chama-se Founders Summit e nele participaram cerca de 200 CEO (presidentes-executivos) fundadores de empresas e startups, investidores de alto nível, com o objectivo de estabelecer ligações entre eles (networking). 

Bastou ter-se levantado uma onda de indignação pública, com eco nas redes sociais, para o Governo mostrar mais uma vez como é eficaz. O Governo de António Costa reagiu. Culpou o Governo anterior (as usually). Mostrou-se muito indignado em solidariedade com a indignação geral, e zás, proibiu os jantares no Panteão. Tal como já tinha feito no Urban Beach (que se apressou a mandar fechar - by the way, pôs 200 pessoas no desemprego com essa precipitação. Podia ter multado, ter estabelecido regras duras, mas não, a solução foi: desemprego para toda aquela gente) - e tal como fez com os incêndios e armas de Tancos roubadas.Toma decisões muito radicais. Mas sempre, sempre à posteriori. 

Mas, mais uma vez, um paradoxo. É que o próprio Paddy admitiu ter falado com o "ministro". Paddy (que não deve estar a acreditar no que está a acontecer, conheceu finalmente o lado lunar de Portugal) viu-se obrigado a pedir desculpa mas deixou o recado que isto na Irlanda nunca se passaria (esta indignação). Não estranhem se o Web Summit rumar a outra capital.

O que veio dizer o primeiro-ministro António Costa (que se mostrou indignado, mais uma vez em coro com o Presidente da República)? Considerou este sábado, em comunicado, "absolutamente indigna" a utilização do Panteão Nacional para um jantar inserido na Web Summit.

"É absolutamente indigna do respeito devido à memória dos que aí honramos. Apesar de enquadrado legalmente, através de despacho proferido pelo anterior Governo, é ofensivo utilizar deste modo um monumento nacional com as características e particularidades do Panteão Nacional", declarou o chefe de Governo (e Marcelo disse o mesmo).

"Tal como já foi divulgado pelo Ministério da Cultura, o Governo procederá à alteração do referido despacho, para que situações semelhantes não voltem a repetir-se, violando a história, a memória colectiva e os símbolos nacionais", prometeu o governante.

A prova que o Governo anda ao sabor da indignação mediática, é que afinal o jantar da Web Summit no Panteão Nacional, não foi caso único. Também uma empresa pública, a NAV Portugal, realizou um jantar, em outubro, e até publicou as fotografias no Facebook.  Para além do jantar de gala para homenagear trabalhadores, o evento do dia 16 de outubro teve direito a um welcome drink no terraço do Panteão.

Ora, para quem não sabe, a NAV Portugal tem como missão garantir a prestação de serviços de navegação aérea e é tutelada pelo ministério do Planeamento.

O mundo chama populista a quem governa contra a corrente mediática, mas populismo é precisamente o oposto. Populismo é isto de governar em função da indignação popular.

Esta dupla de populistas que representam e lideram o país, estão a transformar Portugal num cartoon.

Autoria e outros dados (tags, etc)

...

por Vasco M. Rosa, em 12.11.17

1175824.jpeg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

A Avenida da Liberdade em 1905

por João Távora, em 10.11.17

2017-11-09 17.42.50.jpg

Magnifica litografia de João Christino com uma perspectiva para mim inédita da Avenida da Liberdade em 1905 que fotografei ontem da exposição patente na Biblioteca Nacional. Nela, entre uma bulíciosa mistura de calhambeques, cavaleiros, charretes e ciclistas, vê-se claramente no primeiro quarteirão à esquerda o prédio nº 232 (o quinto) que foi a casa dos meus avós que ainda frequentei.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O sector económico que convive melhor com a fraude

por henrique pereira dos santos, em 10.11.17

"A notícia que publicámos tinha por base um despacho do Conselho Consultivo da PGR, tal como era citado. Relativamente às contas aos eventuais prejuízos da decisão anulada, citadas no texto, são da autoria do actual governo - o que erradamente não era mencionado no texto. Nota adicional: ao contrário do que dizia a notícia, Carlos Pimenta não é presidente da administração da Generg, mas administrador não executivo da mesma empresa. Ao visado e aos leitores, as nossas desculpas".

Esta extraordinária nota da direcção do Público diz respeito a uma coisa em forma de assim que ontem aparecia no jornal, dando origem à principal manchete "PGR arrasa decisão do Governo de Passos que custaria 42 milhões", manchete essa que era secundada por três chamadas de atenção na mesma primeira página, uma dizendo que o ministério do ambiente do governo anterior tinha beneficiado uma empresa a dois dias das eleições, que o beneficiário era uma empresa de Carlos Pimena, que fazia parte do think tank do então ministro do ambiente e que o actual governo tinha acabado com essa bandalheira homologando o parecer do conselho consultivo da PGR.

Hoje, no cantinho da primeira página, o Público refere que Moreira da Silva, ao abrigo do direito de resposta, reage ao parecer da PGR e deixo aos interessados a leitura da resposta, que não é ao parecer do Conselho Consultivo da PGR mas à canalhice do Público, porque é absolutamente arrasador, para usar a estúpida qualificação que o Público resolveu usar ontem na sua manchete.

O que está em causa é o facto de uma jornalista, Leonete Botelho, se prestar ao indecoroso frete de fazer de caixa de ressonância do actual Governo, publicando uma peça lamentável, com erros factuais gravíssimos, com insinuações construídas com base nesses erros factuais, com a utilização de dados essenciais omitindo a fonte interessada que lhos forneceu, sem verificar os factos e sem se dar ao menor trabalho de ouvir o contraditório junto das pessoas que difama sem o menor pudor. E de tudo isso ser ainda ampliado pela direcção do jornal que resolve chamar ao assunto para manchete principal do dia, acentuando nessa manchete o carácter difamatório, com base em insinuações sem qualquer suporte nos factos.

A nota da direcção do Público é semelhante à nota de direcção de um hospital que depois de fazer um comunicado de imprensa a congratular-se pelo extraordinário êxito médico de uma operação no dia anterior, viesse explicar que afinal a gangrena estava na perna esquerda e tinha sido amputada a perna direita, o que por lapso não tinha sido referido, por isso se pedindo desculpa ao visado e ao público em geral.

Meus senhores, a nota da direcção do Público que eu gostaria de ter visto era o que seria normal em qualquer sector económico com um mínimo de respeito pelos seus clientes.

Posso até sugerir um texto:

"O Público cometeu ontem um erro gravíssimo que põe em causa o bom nome das pessoas visadas, o que resulta do incumprimento das regras gerais da profissão, como sejam a necessidade de identificar as fontes das notícias, a verificação dos factos, em especial quando as fontes são parte interessada na notícia, e o exercício do contraditório. Da falta de respeito pelas regras da profissão resultou um tratamento informativo do assunto completamente inaceitável, razão pela qual iremos abrir um processo de inquérito aos jornalistas envolvidos, quer na elaboração da notícia, quer no seu tratamento editorial pelo jornal, no sentido de detectar se a grosseira violação das regras se deve a negligência ou se existe dolo, o que, em qualquer dos casos, é completamente inaceitável para qualquer jornal que preze o principal valor que o une aos seus leitores: a confiança".

Um sector em que um jornalista é embarretado por um aldrabão de feira e mantém a sua posição no jornal e na profissão totalmente intocada (Nicolau Santos), que mantém como director de jornal uma pessoa apanhada numa escuta a pedir para ser nomeado para cargos de direcção, apresentando como vantagem ser um general prussiano que cumpre ordens sem as discutir (Afonso Camões) ou que trata a negligência na produção de notícias (na melhor das hipóteses) como se fosse impossível haver jornalistas corruptos (replicando para o sector a complacência que aplicou a Sócrates com o argumento de que seria impossível em Portugal haver um primeiro ministro corrupto sem ser de direita) é um sector que se degrada todos os dias.

Não se queixem é da internet de cada vez que fecha um jornal, queixem-se do que fazem perante situações destas e da falta de espinha que caracteriza a generalidade do sector quando se trata de aplicar aos camaradas a lógica justiceira de que se sentem investidos quando se trata de denunciar aqueles de quem não gostam.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Não gosto da opinião do Pacheco Pereira (é uma espécie de nosso Al Gore - que by the way também não gosto), nem gosto das prioridades deste Governo, por exemplo que tenha dado prioridade à (perversão) da mudança de sexo ou que mantenha o financiamento ao aborto por capricho, ou que sucumba à histeria do moderninho (de que a Web Summit é um ícone) em vez de dar prioridade ao investimento nos hospitais, de modo a minimizar o risco de as pessoas apanharem bactérias nos hospitais públicos.

O Governo que repare bem que, por exemplo, nos Hospital da Luz e no Hospital da Cuf essas bactérias não andam a matar que nem tordos.

Digam o que disserem, venham as Web Summits que vierem Portugal é e sempre será um país do terceiro mundo quando as pessoas morrem queimadas em incêndios, ou quando morrem por bactérias em hospitais públicos. 

Autoria e outros dados (tags, etc)



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com




Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
JornalEconómico
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • JS

    Sim, um drama humano para as populações e um conti...

  • Rui

    Era só o que faltava o Estado não poder mudar a lo...

  • Anónimo

    Estão também a gastar montes de dinheiro a reconst...

  • Anónimo

    Que post a tresandar a ódio, irracional e extremis...

  • Anónimo

    ParabénsHá que intervir de modo inteligênte e hier...


Links

Muito nossos

  •  
  •  
  • Outros blogs

  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2008
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2007
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2006
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D

    subscrever feeds