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Há coisas intrigantes

por henrique pereira dos santos, em 22.04.17

Durante todo o governo anterior, a oposição foi acusando Passos Coelho de só se preocupar em resolver os problemas dos especuladores e dos bancos, esquecendo as pessoas.

Agora que a então oposição passou a situação, Passos Coelho é acusado de não ter apoiado os bancos e, com isso, ter posto em causa a estabilidade do sistema financeiro, ao contrário do governo actual que está a resolver os problemas do sistema financeiro, como lhe compete, com o dinheiro das pessoas que antes eram esquecidas.

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 O deputado socialista Ascenso Simões reconheceu na sua coluna da passada quarta-feira aqui no jornal i que a petição que por estes dias decorre online para a inclusão do Chefe da Casa Real Portuguesa no Protocolo de Estado “(…) não se apresenta recheada de problemas políticos ou institucionais, uma vez que D. Duarte é conhecido como herdeiro da coroa” e que “(…) o protocolo do Estado deve acomodar uma norma que permita aos mais altos representantes do Estado conferirem a D. Duarte, por tudo o que representa, uma dignidade única em circunstâncias especiais? A nossa opinião vai no sentido positivo.” Tirando a menorização dos monárquicos que pelos vistos Ascenso Simões execra, estamos de acordo com tudo o mais no seu artigo e é precisamente no sentido que afirma que a petição surge. De facto esta iniciativa não pretende "monarquizar" o regime republicano que nos coube em azar, e muito menos "republicanizar" a Instituição Real como receiam alguns monárquicos. A petição não pretende atribuir aos Duques de Bragança nenhum lugar na lista de precedências existente, essas constam do art.º 7.º da Lei e não se lhe pede alteração. O que se pede é que o representante dos reis de Portugal, quando convidado para qualquer cerimónia, nela tenha o estatuto honroso e digno, de "convidado especial", estatuto que não altera a lista das precedências do Protocolo. Implica apenas, e não é pouco, uma especialíssima relevância a conceder a um convidado que é, pelo que na verdade representa, “especial”. 

De resto as Reais Associações são por natureza e vocação uma “mixórdia”, no sentido de “misturada”, como lhes chama Ascenso Simões. Representam grupos heterogéneos, transversais, e por isso, talvez elas possam ser vistas pelos seus detractores como “mixórdias”. De facto as Reais Associações assentam na diversidade de que é feito o nosso país, nas várias regiões em que estão inseridas. Elas não se dirigem a um grupo em particular, facção ideológica, classe social ou elite cultural, antes se dirigem a todos os que não se conformam com a república a que chegámos em 1910 e que gostariam ver restaurados os valores permanentes da nossa portugalidade. Ora acontece que esses valores não sendo propriedade de ninguém, são seguramente protagonizados pelo Senhor Dom Duarte.
Finalmente, os defeitos que atribui aos monárquicos como eu, não nos impede de querermos ser cada vez mais e melhores. É por isso que estamos a trabalhar todos os dias.

 

Publicado originalmente aqui

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Curiosidades

por henrique pereira dos santos, em 20.04.17

Vejo muita gente muito espantada porque entre os que não querem vacinar os filhos, ou que são adeptos da homeopatia e medicinas alternativas e outras coisas que tais, estão muitas pessoas qualificadas e com elevados níveis de formação.

Confesso que não percebo a admiração: o Bloco de Esquerda tem centenas de académicos, professores universitários, jornalistas e outros quadros entre os seus militantes e votantes e o que propõem como modelo de organização e soluções económicas está essencialmente ao nível da homeopatia social e económica.

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Concursos, dizem eles

por henrique pereira dos santos, em 20.04.17

A Wilder é uma revista digital interessante para naturalistas. E foi ali que fui encontrar a notícia de que estariam abertos os concursos para recuperar matas no Parque da Peneda-Gerês.

Uma notícia destas interessar-me-ia sempre, quer por curiosidade intelectual, quer porque sendo presidente de uma pequena associação de conservação estou sempre à procura de oportunidades para a fazer crescer.

É claro que vou conhecendo o meu país e sei bem como funcionam estas coisas, por isso fui verificar a informação.

Como seria de prever, trata-se de um concurso para o qual é convidado um único concorrente a apresentar uma candidatura, por sinal um organismo do Estado e o organismo do Estado que participou na definição do caderno de encargos do concurso.

Na prática trata-se de pôr os fundos comunitários a financiar directamente o Estado através de um processo fictício de concursos e candidaturas, num procedimento desenhado pelo governo anterior e prosseguido pelo actual: em matéria de financiamento do Estado fora dos processos normais há um grande consenso entre as forças políticas em Portugal.

Este é só um pequeno exemplo do POSEUR, no resto dos fundos disponíveis é essencialmente igual.

Quanto ao que estes fundos poderiam fazer se aplicados directamente a pagar os serviços de ecossistemas produzidos pelos agentes económicos e sociais que são responsáveis pela gestão do território, em vez de aplicados a disfarçar as ineficiências do Estado, fica para outro dia escrever sobre o assunto.

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Programa de Estabilidade será credível?

por Maria Teixeira Alves, em 18.04.17

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Ricardo Paes Mamede e Ricardo Arroja no Programa Choque de Ideias. O tema: Programa de Estabilidade 2017-2021. Que define que “a procura externa terá um contributo positivo para o PIB com o aumento de 4,5% das exportações, que excederá o crescimento de 4,1% das importações”. Por sua vez “o investimento crescerá 4,8%, apoiado pela aceleração da execução dos fundos do Portugal. O correto aproveitamento do Portugal 2020 torna-se ainda mais relevante no contexto do Programa Nacional de Reformas (PNR), que apoia a transformação do padrão produtivo nacional orientado para as exportações e a geração de emprego de qualidade. A implementação do PNR contribuirá de forma decisiva para a correção duradoura dos desequilíbrios económicos nacionais, elevando o crescimento potencial, através de mais investimento e menos desemprego”, refere o documento que foi aprovado em Conselho de Ministros na passada quinta-feira.

O Programa do Governo de Costa para entregar em Bruxelas diz ainda que "assenta em previsões prudentes, respeitando os compromissos assumidos no Programa do Governo e com os parceiros europeus. Em 2017, o défice orçamental continuará a reduzir-se, alcançando 1,5%. No horizonte até 2021 a gestão orçamental assentará na diminuição da despesa (-3 p.p. do PIB face a 2017) acompanhada por uma redução da receita, sobretudo da receita fiscal (-0.6 p.p. do PIB). O saldo primário reforçar-se-á. Esta trajetória permitirá alcançar o Objetivo de Médio Prazo e o recuo da dívida pública para 109,4% do PIB em 2021. A gestão rigorosa das contas públicas reforçará a confiança na economia nacional, baixando os custos de financiamento para apoiar o crescimento. A economia nacional deverá crescer 1,8% em 2017, assente no aumento do investimento e, até 2021, o crescimento deverá acelerar até 2,2%. O mercado de trabalho continuará dinâmico, com o desemprego a baixar para 9,9% em 2017, associado a um crescimento do emprego de 1,3%. A produtividade do trabalho aumentará ao longo do horizonte de projeção, com a incorporação de trabalhadores mais qualificados no mercado de trabalho. Os custos unitários do trabalho crescem em linha com a evolução esperada para a área do euro, assegurando a manutenção da competitividade-preço da economia nacional".

Vamos ver a análise destes economistas

Ricardo Paes Mamede: O Programa de Estabilidade é assim há vários anos. Aquilo que eu vou dizer sobre o Programa de Estabilidade 2017-2021, não é diferente do que disse do Programa de Estabilidade de 2013-2017. É um documento que está previsto nas regras orçamentais da União Europeia que é suposto apresentar as variáveis macroeconómicas num horizonte temporal de quatro ou cinco anos e apresentar perspectivas para o desempenho orçamental nesse período. Basicamente serve para ver se a trajectoria dos Estados-membros é correta.

Está por isso condenado a ser um documento para 'Bruxelês' ver. Temos regras orçamentais que dizem que o défice orçamental global não pode ser superior a 3% do PIB; o saldo estrutural não pode ser superior a 0,5% do PIB; se for superior a 0,5% do PIB, tem de reduzir 0,5% do PIB todos os anos até se aproximar da meta; países que têm dívidas públicas muito elevadas têm de ter um défice estrutural de 0,25%; se tiverem um rácio de dívida pública superior a 60% do PIB têm de reduzir a distância ao ritmo de um vegésimo por ano. Todos os países todos os anos apresentam programas a dizer que vão cumprir estas regras todos os anos.

Ricardo Arroja: Chegamos a este ponto paradoxal de termos um governo apoiado maioritariamente por partidos que noutros tempos já teriam rasgado as vestes a fazerem um silêncio esclarecedor, o que mostra que estão rendidos à disciplina financeira que os tratados europeus impõem. 

Há aqui a preocupação com o rating da dívida portuguesa. Parece evidente que este Programa de Estabilidade é construído de forma a convencer as agências de rating a melhorarem a classificação de Portugal porque no final do ano aproximam-se decisões importantes que podem ter impacto no custo de financiamento de Portugal, nomeadamente o final do programa de estimulos do BCE.

Este ano não acredito que as agências de rating subam o rating do país. Neste momento existe uma grande incógnita em relação ao programa de estímulos do BCE. Ninguém sabe o que vai acontecer aos juros da dívida pública uma vez retirado esse programa de estímulos do BCE. Seria muito imprudente alterar o rating nesse cenário.

Neste momento existe um forte incentivo para atingir resultados e um fraco incentivo para atingir um bom processo orçamental. Em 2016 o resultado foi óptimo e o processo orçamental foi péssimo. 

RPM: O investimento é normal que cresça tendo em conta que nós partimos de níveis muito baixos, muitíssimo baixos, atingimos os mínimos. E como vai haver daqui até 2021 um efeito da execução do programa de Fundos comunitários, é normal que haja uma aceleração nos níveis de investimento. Os níveis das exportações estão muito indexados aquilo que é expectável que venha a ser a procura externa. Ou seja o crescimento económico nos parceiros sociais mais relevantes.

Parece-me pouco credível que o se espera em termos de crescimento das importações seja apenas o que está neste valor (4,1% ao ano, menos do que cresceram em 2016, que foi de 4,4%). Ora as importações estão muito ligadas à procura interna. Dependem muito do consumo e sobretudo do investimento. Portanto em 2016 tivemos uma variação negativa do investimento e um crescimento das importações de 4,4%. E neste Programa esperamos ter crescimentos anuais do investimento em torno dos 5% e importações a crescerem menos do que o último ano. Este número é pouco credível. O documento justifica com uma alteração do padrão de procura interna. 

As importações têm impacto na estimativa de crescimento económico, portanto se admitimos que as importações vão crescer muito isso significa que o PIB vai ter uma evolução menos positiva. Quando há muito investimento, como o investimento em Portugal depende muito da importação de máquinas, equipamentos e as importações contam negativamente para o PIB.

O investimento é bom para a economia no longo prazo, mas tende a não ter um impacto muito positivo no curto e médio prazo. 

O saldo primário (sem os juros) de 4,9% parece também demasiado optimista. 

RA: O nível de crescimento das importações é incoerente. O objectivo é criar uma ideia de saldo corrente mais favorável, superavitário (exportações-importações), para manter o equilíbrio das contas externas e ao mesmo tempo chegarmos a um padrão de crescimento do PIB que seja virtuoso quer pelo crescimento da procura interna, quer pelo crescimento da procura externa líquida.

O riscos também não estão contemplados na perspectiva da procura externa.

Outras coisas que não estão reflectidas neste documento: alterações à revisão de penalizações em reformas antecipadas; as prestações sociais diminuem ao longo do exercício. Há três mistérios nos valores de projecções da despesa. Como é que se vai acomodar o aumento da despesa com pensões, com precários (impacto na despesa com pessoal) e despesa prevista com aumento do salário mínimo. Outro tema é a revisão dos escalões do IRS, ou do crédito fiscal em sede de IRS, está reflectido no documento e outros não. 

RPM: O saldo primário é a questão dúbida deste documento. Prevê que o saldo primário (receitas com impostos-despesas do Estado sem juros) em 2017 de 2,7% que cresce até 4,9% até 2021. Aposto o meu salário se alguém conseguir fazer isto. A questão é, na UE, nos últimos 21 anos, houve apenas 10% de casos onde isto aconteceu, em 28 países ao longo de 21 anos. Mas se nós pensarmos nos países que tiveram este tipo de saldos primários em períodos em que o crescimento económico foi não superior aquilo que o governo prevê de 2% em termos reais, 3,6% em média durante o período da previsão. Temos só dois casos: Finlândia e Dinamarca no excepcional ano de 2009. Um nem está no euro e ambos têm uma estrutura económica que não tem nada a ver com Portugal. Para atingir aquele nível de saldos primários era preciso um surto de crescimento económico em Portugal de 4%, 5%, 6% e com cortes radicais no Estado Português e se houvesse esses cortes não havia o crescimento do PIB que está previsto no documento.

RA: Por aqui se podem ver o quão irreais são algumas destas expectativas. 

Há outros aspectos conflituantes no documento. Por um lado diz-se que vai reduzir-se o emprego publico e por outro diz-se que vai tornar-se mais atraente a função pública.

Fala-se no documento num Programa Nacional de Revisão de Despesa. O que é isto? Nada nos diz que cortes temporários foram tornados permanentes.

 

Esta análise coincide com a que fez o líder do PSD que esteve reunido em Belém com o Presidente da República num encontro com os partidos.

O PSD não acredita na concretização do Programa de Estabilidade. Pedro Passos Coelho diz que as intenções “excelentes”, mas avisa que as poupanças com juros “vão desaparecer”, tornando impossível as metas programadas.

Pedro Passos Coelho, este documento apresenta um “cenário macro-económico mais realista” que o do ano passado, mas isso isso “não significa que seja realizável”. Desde logo, acrescentou, porque está prevista uma redução da despesa pública até 2021, mas “o documento diz muito pouco sobre como é que se vai atingir”.

Passos lembrou que até aqui ela foi reduzida à custa do “esmagamento” do investimento público e da redução da factura com juros da dívida pública. Mas estes últimos, alerta, têm vindo a subir e portanto, “as poupanças com juros vão desaparecer”.

“Se o Governo fizer as mesmas escolhas, teremos políticas públicas – na educação, saúde, segurança social ou mesmo em funções de soberania – a perderem qualidade por falta de despesa adequada”, afirmou o presidente do PSD. “Gosto de finanças públicas saudáveis, gosto da redução do défice, mas gosto de viver em ser em emergência financeira e sem ser à custa de medidas extraordinárias”, afirmou.

Portanto, conclui, “do ponto de vista das intenções, excelente, do ponto de vista da concretização, o que nos foi mostrado em 2016 deixa muito a desejar”.

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Os dirigentes do Novo Tempo

por henrique pereira dos santos, em 17.04.17

No fim do cavaquismo, Guterres, num debate, anuncia que se ganhar as eleições os dirigentes da administração pública passarão a ser escolhidos por concurso, com o objectivo de despartidarizar a administração.

Quando ganha as eleições, em vez de simplesmente tornar regra a exepção da lei que permitia a escolha por concurso, lança um moroso e complicado processo de negociação com os sindicatos para produzir uma lei que regule os concursos para dirigentes da função pública (no entretanto, sei-o por experiência própria, os dirigentes de topo foram proibidos de recrutar usando a excepção prevista na lei e que permitia o concurso).

Naturalmente a lei ficou tão complicada, e tão cheia de buracos, que a nomeação de dirigentes em substituição passou a ser a regra, enquanto os concursos duravam meses, quando não anos, isto, naturalmente, no caso de serem lançados, o que nem sempre acontecia. A lei previa que estas substituições só podiam durar seis meses, mas logo a direcção geral da administração pública (não me lembro do nome exacto) fez uma interpretação a explicar que as instituições não poderiam ter um vazio de poder, portanto a substituição era por seis meses, mas enquanto não houvesse substituto as pessoas deveriam manter-se nos cargos.

Muitos anos depois, Passos Coelho resolveu mudar a lei, e inventou uma comissão especial (a CRESAP) para a presidência da qual Seguro indicou um louco convencido de que seria o king maker de Portugal, João Bilhim.

O resultado eram uns concursos folclóricos que resultavam, geralmente (na ordem dos 80%) na nomeação de quem já ocupava o cargo. Reclamações só para os tribunais (ou melhor, para se reclamar do júri presidido por João Bilhim, escrevia-se ao presidente da CRESAP, João Bilhim, que avaliava as decisões do júri cujo presidente eram João Bilhim, e portanto João Bilhim perguntava a João Bilhim se tinha cumprido a lei, ao que João Bilhim respondia a João Bilhim que sim, e estava o assunto arrumado).

Tirando o PCP, que sempre defendeu as nomeações políticas (entre 1917 e 1920 a discussão entre se deveria ser o mérito ou a fidelidade política que deveria prevalecer nas nomeações era uma das discussõe recorrentes entre Trotsky e o aparelho do PCUS, nas mãos de Estaline, tendo prevalecido a confiança política), todos os outros achavam um escândalo as nomeações do governo anterior.

O governo actual nem sequer tem qualquer interesse em esconder que embora a lei o obrigue a concursos para os dirigentes da administração, a nomeação política é prevalecente, ao ponto de uma vice-presidente de um instituto (por concurso, martelado, mas um concurso) ser demitida para imprimir uma nova orientação aos serviços (a justificação clássica) mas imediatamente ser nomeada outra vez para a direcção do referido instituto, mas agora em substituição, suponho que de si própria.

E, no entanto, ninguem parece preocupado com a partidarização da administração pública, que tem existido sempre, com todos os governos, embora com uns mais que outros.

É o Novo Tempo, a lei é um mero pormenor sem grande interesse nem, sobretudo, utilidade: para quem não tem vergonha, todo o mundo é seu.

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Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor

por João Távora, em 16.04.17

 Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Mateus


Depois do sábado, ao raiar do primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram visitar o sepulcro. De repente, houve um grande terramoto: o Anjo do Senhor desceu do Céu e, aproximando-se, removeu a pedra do sepulcro e sentou-se sobre ela. O seu aspecto era como um relâmpago e a sua túnica branca como a neve. Os guardas começaram a tremer de medo e ficaram como mortos. O Anjo tomou a palavra e disse às mulheres: «Não tenhais medo; sei que procurais Jesus, o Crucificado. Não está aqui: ressuscitou, como tinha dito. Vinde ver o lugar onde jazia. E ide depressa dizer aos discípulos: 'Ele ressuscitou dos mortos e vai adiante de vós para a Galileia. Lá O vereis'. Era o que tinha para vos dizer». As mulheres afastaram-se rapidamente do sepulcro, cheias de temor e grande alegria, e correram a levar a notícia aos discípulos. Jesus saiu ao seu encontro e saudou-as. Elas aproximaram-se, abraçaram-Lhe os pés e prostraram-se diante d’Ele. Disse-lhes então Jesus: «Não temais. Ide avisar os meus irmãos que partam para a Galileia. Lá Me verão».


Palavra da salvação.

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Da subserviência

por henrique pereira dos santos, em 16.04.17

1) Quem, de chapéu na mão, foi pedir ajuda a Bruxelas foi um governo apoiado pelo actual primeiro ministro;

2) Quem conseguiu renegociar prazos e juros foi o governo criticado pelo actual primeiro ministro pela sua suposta subserviência a Bruxelas;

3) Até agora não me lembro do actual governo ter conseguido renegociar nada, não me lembro de nenhum resultado concreto de alívio de prazos, montantes ou juros de empréstimos, do que me lembro é de um governo que acatou as instruções para mudar todo um orçamento de Estado e que na sua execução foi mesmo, orgulhosamente, para além da troica em matéria de défice, para demonstrar, como foi dito pelo actual ministro das finanças, que Portugal tenciona cumprir religiosamente todas as regras.

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Força, força, companheiro Vasco!

por João Távora, em 13.04.17

Há estudos científicos que, estatisticamente, confirmam que as pessoas de natureza gentil e bondosa são mais vulneráveis e atreitas às doenças oncológicas.

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Espinha de gelatina

por henrique pereira dos santos, em 13.04.17

O spin do governo tenta conter os danos provocados pelas afirmações indignas de primeiro ministro, tendo até agora conseguido que a imprensa ache que a notícia é o facto das declarações terem indignado a oposição, e não que a notícia é termos um primeiro ministro indigno.

A posição dos apoiantes do governo é que as declarações não podem ser lidas literalmente, são uma figura de estilo que toda a gente compreendeu, acho até que dão como exemplo, para ilustrar este tipo de declarações metafóricas, a hipótese de um ministro de um país pretender falar das responsabilidades dos devedores na demonstração de que estão a fazer esforços para cumprir as suas responsabilidades, dizendo que não se pode continuar a pedir dinheiro emprestado para o continuar a gastar em copos e mulheres.

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De joelhos

por henrique pereira dos santos, em 12.04.17

"Infelizmente todos estamos recordados de quando os representantes do governo português entravam no eurogrupo português se ajoelhavam para falar com os colegas".

António Costa refere-se às famosas imagens de Vítor Gaspar debruçado para falar com Schauble, que está numa cadeiras de rodas.

Não me incomoda especialmente ter um primeiro ministro tão rasca que diga isto no parlamento, porque a beleza da democracia consiste na possibilidade de qualquerr ordinário ocupar temporariamente o poder, desde que tenha os votos necessários para isso.

O que me incomoda é uma imprensa de joelhos que trata esta afirmação, no contexto em que é feita, como uma mera infelicidade do primeiro ministro, como um erro menor que não deveria ter sido cometido.

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A questão central

por henrique pereira dos santos, em 11.04.17

O meu post anterior, sobre quem diz a verdade sobre a existência, ou não, de um perdão aos bancos na venda do Novo Banco, acaba por deixar de lado a questão central que se levanta quando se olha para a forma como o governo está a tratar o sistema financeiro:

está ou não o governo a usar do dinheiro dos contribuintes para resolver os problemas da banca refazendo a promiscuidade entre política e negócios que ruiu com o não de Maria Luís Albuquerque a Ricardo Salgado?

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Amigos amigos, negócios à parte

por João-Afonso Machado, em 11.04.17

Emmanuel Macron deu uma entrevista à televisão portuguesa. Parece que é, em França, o esperançoso candidato da Esquerda. Sem embargo, é claro, das suas parecenças com Passos Coelho, aliás reforçadas pelo seu elogio aos nossos esforços de recuperação económica no tempo da governação da coligação da Direita. Depois disso, referiu algumas banalidades sobre os EUA e a Alemanha, o Brexit, a Hungria e a Polónia, e falou do futuro. Do projecto europeu.

Aí foi subitamente claro. Mutualização da dívida? Jamais no que toca à do passado; apenas quanto à superveniente.

Ora, salvo melhor opinião, a dívida constituenda é inevitável, mas o elo de uma cadeia. Não apenas porque o Governo do amigo Costa continua sem forças para soprar o arranque da economia nacional, mas sobretudo porque (sem tais meios) urge criar dívida... para solver a dívida que vem de trás.

Com amigos assim, os socialistas portugueses não vão a lugar algum. A França, afinal, pertence à Europa do Norte. A dos ricos. Um desmancha-prazeres, este Macron.

 

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Pois

por henrique pereira dos santos, em 11.04.17

"O que está em causa?
Quando anunciou o acordo para a venda de 75% do Novo Banco à Lone Star, António Costa garantiu que, apesar de a venda não render qualquer encaixe imediato para o Fundo de Resolução, não haveria “qualquer perdão” aos bancos.
Mas Pedro Passos Coelho, na entrevista à SIC na quinta-feira (e Maria Luís Albuquerque, uns dias antes, à Renascença) acusou o Governo de, nas vésperas do acordo com a Lone Star, ter definido condições para os pagamentos pelos bancos ao Fundo de Resolução. Estas novas condições fariam com que tivesse havido, na realidade, um “perdão” de quase metade das responsabilidades da banca associadas à resolução do BES (e do Banif). Quem tem razão?"

Edgar Caetano dedica-se a deslindar a questão acima.

Dá voltas e mais voltas mas no essencial diz que realmente há uma perdão substancial da dívida dos bancos ao Estado, confirmando que, adoptando alguns pressupostos admissíveis, Passos Coelho tem toda a razão (em linha, aliás, com a única fonte não anónima citada no texto).

Mas, diz Edgar Caetano, há uns especialistas anónimos que adoptam outros pressupostos, também admissíveis, que concluem que Passos Coelho tem razão, mas exagerou qualquer coisa (disse uma coisa esticada, na linguagem das verificações de factos do Observador).

Ou seja, Edgar Caetano conclui: "existe um favorecimento mas que não chegaria aos valores expressados pelo líder do PSD".

Para quem está a verificar factos não deixa de ser estranho que Edgar Caetano se abstenha de dizer ele mesmo qual é efectivamente a dimensão do perdão da dívida aos bancos, mas o mais curioso desta conclusão é que ela não responde à questão enunciada: Quem tem razão? Passos que diz que há um perdão de metade da dívida dos bancos ou Costa que diz que não há perdão?

Eu compreendo: por mais voltas que se dêem, é evidente que talvez Passos se tenha esticado, mas é inegável que Costa está a dizer uma valente aldrabice e, por definição, Passos não tem razão face a Costa.

Pois.

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Jogo Perigoso

por João Távora, em 11.04.17

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Os programas de debate futebolístico à segunda-feira nos canais de notícias vêm-se tornando numa autêntica aberração imprópria para crianças e gente civilizada - caio lá demasiadas vezes nos meus zappings à procura de notícias depois do jantar e fujo quando a coisa azeda, que nunca demora muito tempo. Na busca de audiências, que o mesmo é dizer, transpondo para a discussão verbal o mais básico fanatismo das claques, a conversa descamba com demasiada frequência para a insinuação e o insulto, que propicia cenas de algum embaraço quando a ténue fronteira do descontrolo emocional ameaça desabar entre os oponentes.
Sou do tempo em que no Sporting se debatiam fórmulas de atrair a família, nomeadamente senhoras e crianças para as bancadas do estádio, mas receio que o percurso feito nos últimos anos pelos clubes, através de políticas de comunicação extremamente agressivas, vem sendo inverso: a seguir a cada jogo, no espaço público que vai entre as televisões e as redes socias, toma lugar uma batalha verbal com pouco compromisso com a verdade e ainda menos com a boa educação. Voltando às televisões, desconfio que os responsáveis dos programas, que se não são os primeiros responsáveis, são cúmplices activos, estão simplesmente esfregando as mãos expectativa duma cena de descontrolo ou até de pugilato que exponencie as audiências, que por um dia catapulte o seu programa para os píncaros da popularidade, como se de um radical reality show se tratasse. Veja-se o caso do “Prolongamento” na TVI de ontem em que José de Pina e Pedro Guerra despudoradamente perderam a compostura (presumo que seja habitual).
Acontece que sou um amante do futebol, que preza a rivalidade acesa dentro das quatro linhas, transposta para as bancadas dentro dos limites mínimos das salutares regras de civilidade. Não compreendo que se critiquem os jogadores ou os espectadores quando se descontrolam e se aceite passivamente que esse jogo perigoso seja extrapolado para a televisão com um discurso que toca as raias do irracional como se fosse legítimo. 

Sou do tempo em que as televisões e o jornalismo tinham pretensões pedagógicas e sabiam o seu papel na sociedade. Não me parece que a busca de audiências justifique um espectáculo tão indigno quanto aquele que se vê nos serões das segundas-feiras por essas TVs.

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Copos e miúdas

por João Távora, em 10.04.17

Se a barracada dos nossos jovens que vieram recambiados de Torremolinos chega aos ouvidos de J. Dijsselbloem estamos tramados.

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Acordo? Discordo

por José Mendonça da Cruz, em 10.04.17

Por razões profissionais fui obrigado recentemente a escrever inúmeras vezes as palavras Rio de Janeiro. De cada vez, o corrector automático «corrigiu» para Rio de janeiro. Pois é, ninguém disse que o corrector tinha que ser menos estúpido do que o «Acordo Ortográfico».

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Coelho versus Costa

por henrique pereira dos santos, em 09.04.17

Diz Vasco Pulido Valente que "O papel que cabe a Passos Coelho é mostrar um destino melhor a todo o país".

Não é o único a fazer essa crítica a Passos Coelho, há de facto muito quem diga que o papel da oposição é apresentar melhores propostas, dar um horizonte de esperança para o futuro e essas coisas todas que, no essencial, são a defesa de uma oposição política que prometa bacalhau a pataco se ganhar as eleições.

Essa crítica é muito curiosa porque não se aplica a quem está no governo: qual é o horizonte de esperança que é dado pelo governo nas medidas concretas tomadas até agora?

Substituição de cortes de ordenados ao funcionalismo público e aos pensionistas por mais impostos indirectos para todos é definir um horizente de esperança? Até sou favorável à transferência de impostos sobre o trabalho e o capital por impostos sobre o consumo, e isso sim, seria uma opção de política para o futuro, concorde-se ou não com ela. Mas isso é muito diferente de fazer pagamentos a grupos sociais definidos, à custa de impostos difusos sobre todos: isso é apenas substituir uma medida negativa visível (o corte de ordenados e pensões) por uma medida igualmente negativa mas invisível (o aumento de impostos indirectos), não é seguramente "mostrar um destino melhor a todo o país".

Reverter concessões de transportes públicos sem que se perceba para quê? Reformar florestas sem contar com quem as gere e sem se preocupar com a competitividade da produção florestal? Resolver a estabilidade do sector financeiro à custa do contribuinte e da intervenção directa na estrutura accionista de empresas privadas? Ter 50% da TAP, sem que se perceba para quê?

Tudo isso e muito mais é tudo o que o governo em funções tem feito: intervir directamente na economia com os recursos do contribuinte que foram retirados ao investimento que o Estado deveria fazer nas funções que mais ninguém pode desempenhar.

O governo em funções tem essencialmente gerido as corporações e os sindicatos de voto, em nome de interesses gerais.

Ou seja, o que distingue Coelho de Costa é que é hoje claro que onde Coelho disse não a Ricardo Salgado, Costa teria dito sim, prolongando o principal factor limitante do crescimento do país nas últimas década: a captura do Estado por sectores privados, sempre em nome de ideias nobres como a estabilidade do sector financeiro, a defesa do emprego, o reforço dos centros de decisão nacionais e outras abstracções que tal.

Como diferença de programa político para mim chega e sobra: eu seguramente votarei na mais imperfeita das opções desde que me pareça a que melhor defende um programa mínimo de libertação da sociedade da viscosa promiscuidade entre os sectores protegidos e o aparelho de Estado.

E não preciso que seja uma boa solução, basta-me que seja menos má que a alternativa, quando avaliada pela perspectiva da autonomia da sociedade face ao Estado, e vice-versa.

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Domingo de ramos

por João Távora, em 09.04.17

 

Evangelho segundo São Mateus


Quando se aproximaram de Jerusalém e chegaram a Betfagé, junto ao monte das Oliveiras, Jesus enviou dois discípulos, dizendo-lhes: «Ide à povoação que está em frente e encontrareis uma jumenta presa e, com ela, um jumentinho. Soltai-os e trazei-mos. E se alguém vos disser alguma coisa, respondei que o Senhor precisa deles, mas não tardará em devolvê-los».
Isto sucedeu para se cumprir o que o Profeta tinha anunciado: «Dizei à filha de Sião: ‘Eis o teu Rei, que vem ao teu encontro, humildemente montado num jumentinho, filho de uma jumenta’».
Os discípulos partiram e fizeram como Jesus lhes ordenara: trouxeram a jumenta e o jumentinho, puseram-lhes em cima as suas capas e Jesus sentou-Se sobre elas. Numerosa multidão estendia as capas no caminho; outros cortavam ramos de árvores e espalhavam-nos pelo chão. E, tanto as multidões que vinham à frente de Jesus como as que O seguiam, diziam em altos brados: «Hossana ao Filho de David! Bendito O que vem em nome do Senhor! Hossana nas alturas!».
Quando Jesus entrou em Jerusalém, toda a cidade ficou em alvoroço. «Quem é Ele?» – perguntavam. E a multidão respondia: «É Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia».

 

Da Bíblia Sagrada

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Costa versus Coelho

por henrique pereira dos santos, em 08.04.17

António Costa tem-se queixado amiúde de ter de andar a resolver os problemas do sistema financeiro que o governo anterior não quis resolver e empurrou com a barriga para poder fingir que havia uma saída limpa.

Vejo hoje no Público que os bancos absorveram 50 mil milhões de euros em imparidades desde 2008. Nos anos de Passos Coelho (por facilidade, de 2011 a 2015), foram absorvidos para cima de 30 mil milhões (Passos Coelho na entrevista desta semana falou em 20 mil milhões).

Ou seja, por maior fragilidade que exista na situação do sector financeiro que Costa se queixa de ter recebido em herança, ela é 20 ou 30 mil milhões melhor que a que recebeu Passos Coelho.

A diferença essencial é que Passos Coelho foi resolvendo (na verdade, os bancos foram resolvendo) sem quase falar na herança que recebeu, mas apenas na responsabildiade que tinha, e mantendo, no essencial, a tranquilidade do sector, apesar de abalos como o do BES; Costa, que terá até agora resolvido seis mil milhões de euros de imparidades, está sempre, sempre a queixar-se do governo anterior e, muito mais grave, actua completamente focado nos ganhos políticos de curto prazo, mesmo quando isso significa instabilidade para o sistema financeiro (como alardear buracos nas contas da CGD, só para citar o exemplo mais evidente) e custo para o contribuinte.

O que os distingue é essa diferença.

Isso, e uma imprensa hostil, num caso, e muito simpática, no outro e que acha que o governo se avalia não pelo que faz pela vida quotidiana das pessoas comuns, mas pela capacidade de esmagar retoricamente o adversário.

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