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A Rolinada

por João Afonso Machado, em 25.04.15

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Há outros "25 de Abril" na nossa História, conquanto sem a força de um feriado. Como houve muitos outros primeiro-ministros, ainda que - alguns - de modo diferente designados e com marcas assaz diversas no rumo dos acontecimentos políticos. Do conjunto não seria desinteressante uma resenha. E na bissectriz dos dois temas - as datas e os homens - encontramos o Duque de Loulé e o pitoresco episódio da Rolinada.

D. Nuno José Severo de Mendoça Rolim de Moura Barreto, o 2º Marquês e, em 1862, o 1º Duque de Loulé, pelo seu casamento com a Infanta D. Ana de Jesus Maria, era um radical setembrista - encurtando razões, um militante da extrema-esquerda de então - e o fundador do Partido Histórico. Um populista, não obstante Oliveira Martins sobre ele escrever (in Portugal Contemporâneo) que «foi entre nós o tipo mais perfeito, senão o único desses fidalgos democratas ingleses, que amam o povo abstractamente, mas não dão a mão à gente porque descem». Dirigiu ainda a Maçonaria portuguesa que não lhe regateou apoios na sua inegável e elevadíssima vontade de Poder. No qual, de resto se manteve como presidente do Ministério durante o fugaz reinado de D. Pedro V e o dealbar do de D. Luis.

Conturbados tempos de intriga partidária, já com o interesse nacional tratado do modo que hoje vamos sabendo. Mas a Rolinada (o termo deriva de um dos apelidos do Duque - Rolim) prendeu-se com questões mais comezinhas. O seu Governo resolveu implicar com os estudantes de Coimbra, negando-lhes o chamado "perdão do acto", uma espécie de dispensa de exames e de pagamento de propinas em homenagem ao nascimento do herdeiro da Coroa - neste caso, o Príncipe D. Carlos e no ano lectivo de 1863/64.

A Academia revoltou-se e a cidade entrou em convulsão. Foi preciso reforçar os contingentes militares com tropa vinda de fora e Antero de Quental, finalista de Direito, já muito tomado de cepticismo, acordou da sua apatia e assumiu o comando dos estudantes. A estratégia adoptada consistiu na retirada para o Porto, em comboios, de meio milhar deles.

O protesto surtiu efeito. O governador civil de Coimbra e o reitor da Universidade foram demitidos. Os revoltosos amnistiados. E o Duque de Loulé apeado do Poder alguns meses volvidos, ainda que por motivos mais centrados nas faenas da Capital.

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Cristãos Perseguidos

por Vasco Mina, em 25.04.15

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Decorre, hoje, em Cascais, uma Jornada de Oração pelos Cristãos Perseguidos. Iniciativa da Organização “Ajuda à Igreja que Sofre” (AIS). Recentemente, a diretora, Catarina Martins Bettencourt, deslocou-se à Síria para acompanhar e levar apoio às comunidades cristãs ainda sobreviventes neste país. Vale a pena ler o seu testemunho do qual destaco o apelo de uma religiosa: “A nossa festa Pascal converteu-se em dor, as pessoas choram e estão de luto pela perda de um ou mais entes queridos. Quando acordaram, algumas pessoas já não tinham casa e outras nem se deram conta de que a vida se estava a desvanecer por debaixo dos escombros, por terem sido vítimas da violência. Até quando?...”

Escrevi aqui, em post anterior, que “Vemos, ouvimos e lemos… Não podemos ignorar”. Não podemos mesmo!

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Vamos consumir mais agora e menos no futuro

por Vasco Mina, em 24.04.15

Não, não sou eu quem o afirma. É o notável Prof. Paulo Trigo Pereira, um dos auotores do estudo encomendado por António Costa: "A proposta que está no documento é substituir o consumo presente em relação ao consumo futuro. As pessoas consomem mais no presente e consumirão menos no futuro. A necessidade disto é porque estamos numa situação em que é necessário relançar a procura agregada em Portugal. “ E à custa de quê? Através da “redução da taxa contributiva dos trabalhadores para a Segurança Social vai aumentar o rendimento disponível das famílias." Surpreendente esta afirmação tendo em conta o que este Professor de Economia já escreveu sobre a Reforma da Segurança Social. Está bem de ler que o discurso económico também se ajusta, nomeadamente quando oportunidades políticas se avistam num horizonte próximo.

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Um historial de desastres e abulia

Foi Jorge Coelho que disse que «quem se mete com o PS leva», e data do seu tempo o saneamento dos orgãos de comunicação social de todas as sensibilidades desfavoráveis aos socialistas e a promoção nos mesmos OCS de simpatizantes e militantes socialistas. Sócrates, e o seu governo, de que António Costa era o n.2, levariam a campanha aos extremos perseguindo pessoal, profissional e politicamente todas as vozes discordantes da linha e do «dinamismo» que arruinou o país.

Durante esse tempo em que os postos-chave da informação foram caindo sob a alçada dos socialistas, e à semelhança do que fizera antes e continuaria a fazer depois, o PSD mostrou-se ora olimpicamente indiferente (nem sequer favorecendo os OCS mais imparciais com informação, nem curando que os verdadeiros jornalistas não fossem ultrapassados pela hoste de alinhados), ora activamente cúmplice da esquerdização da informação, ao pretender cair nas suas graças (tal como a direita mais inconsequente se propõe como plano cair nas graças da esquerda).

Apesar do passivo do grupo de comunicação de Joaquim Oliveira, o PSD e o CDS assistiram impávidos e serenos à montagem do negócio que livraria Oliveira de problemas e poria o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias nas mãos de simpatizantes e mesmo militantes do PS.

Apesar de ter na Sic e na SicNotícias dois adversários políticos que calam tudo o que é inconveniente para os socialistas, distorcem tudo o que é positivo para a coligação, e acentuam tudo o que é negativo para ela, o Governo pôs-se em sentido quando o dr. Balsemão gritou que uma RTP privatizada era concorrência a mais para o gosto dele.

As rádios públicas, que continuamos a pagar por alguma intenção misteriosa, fazem o que podem para se livrarem deste governo e celebrarem o advento de Costa.

TSF e Público só vêem cor-de-rosa. A Visão todas as semanas entoa um novo cântico socialista. O Expresso revela, uma semana, que o PS também arruinou ... o PS (coisa que os restantes OCS do grupo ecoam o mais baixo possível) mas em todas as restantes semanas do mês dá espaço aos enlevos socialistas de Nicolau Santos e seu digno sucessor, Pedro Santos Guerreiro.

 

Rematado por uma aliança com o inimigo censor

Que, por suposição, um gangster ou um grupo de gangsters queira silenciar notícias sobre os seus actos mais condenáveis, pretenda ver propagandeadas como excelentes as suas decisões criminosas, deseje ser incensado diariamente, e ambicione ver vilipendiada diariamente a concorrência é algo de bastante compreensível. Que as vítimas do gangster ou do grupo de gansters se predisponham alegremente a participar na operação é que é coisa que gela a alma.

Mas é algo de parecido que acontece agora, quando vemos PSD e CDS, que tanta indiferença e incompetência mostraram enquanto outros tratavam de tutelar a comunicação social, virem agora aliar-se a quem triunfou na tutela dela para, todos juntos, reinstaurarem a censura.

Porque é reinstaurar a censura o que pretende este acordo obsceno entre PSD, CDS e PS para submeterem os OCS a aprovação prévia de coberturas noticiosas. É censura o que pretende este conluio abjecto entre PSD, CDS e PS quando se propõem castigar com multas os OCS que não se vergarem ao seu mando. É censura perigosa e revoltante a vontade de PSD, CDS e PS de porem na direcção dos OCS durante a pre-campanha e a campanha eleitoral não as direcções legítimas (por mais contestáveis e tendenciosas que eu julgue que elas sejam) mas as mentes da sinistra Entidade Reguladora da Comunicação, à qual não se conhece uma decisão que tenha contribuído para a melhoria daquilo que «regula», e de uma Comissão de Eleições cuja obra mais recente consistiu em cozinhar uma trapalhada com os resultados eleitorais da Madeira.

Eu julgaria que no PSD e no CDS os sonhos de «um homem novo» se limitavam a erradicar o álcool, o fumo e os sacos de plástico (e qualquer dia o sal, a gordura, o sexo fora do casamento, a exposição ao sol, o suor, a caspa) Afinal, parece que esta pulsão esquerdista e totalitária vai um bocadinho mais longe.

 

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Se a culpa não é de Ricardo Salgado é de quem?

por Maria Teixeira Alves, em 24.04.15

«O maior erro é achar que isto é culpa do Ricardo Salgado», acabo de ler na primeira página do Jornal de Negócios, atribuído à deputada do BE. 

Revejamos os factos:

A 3 de Dezembro de 2013, o BdP emite um conjunto de determinações, estabelecendo: a) A eliminação até 31 de Dezembro de 2013 da exposição do Grupo ESFG ao GES que não estivesse coberto por valorizações prudentes dos activos dados em colateral; b) A criação de uma conta escrow, que deveria ser alimentada até 31 de Dezembro de 2013 por recursos alheios ao Grupo ESFG, com um montante equivalente ao papel comercial da ESI detido por clientes de retalho do BES; c) A insuficiência de fundos nesta conta escrow, para fazer face ao papel comercial colocado em clientes de retalho do BES, obrigaria à constituição de uma provisão, nas contas consolidadas da ESFG, de 31 de Dezembro de 2013, correspondente às imparidades que viessem a ser estimadas com base na avaliação da situação financeira da ESI.

A 4 de Fevereiro, o Banco de Portugal informa a ESFG e o BES que, em face das conclusões extraídas pela KPMG, no relatório preliminar de progresso, relativo aos trabalhos de revisão limitada sobre as demonstrações financeiras da ESI, referentes a 30 de Setembro, seria necessária a constituição de uma provisão nas contas consolidadas do BES ou da ESFG, com referência a 31 de Dezembro de 2013.  A 7 de Fevereiro, a KPMG apurou a necessidade de constituição de uma provisão de 700 milhões, tendo em consideração a sua apreciação crítica sobre o Business Plan apresentado pelo GES, nomeadamente os critérios de valorização dos activos e as várias iniciativas de reforço dos capitais próprios.

A 12 de Fevereiro – a ESFG comunica a sua decisão de assumir a provisão e os riscos decorrentes da situação do GES. Desta forma, a ESFG emite uma garantia consubstanciada numa conta margem e num mandato de venda irrevogável da Tranquilidade, através da qual, em caso de incumprimento da ESI, a ESFG se substituiria a esta no reembolso de papel comercial (nessa data, a exposição dos clientes de retalho BES ao papel comercial da ESI era de 799 milhões de euros, valor que, embora ainda significativo, era já consideravelmente inferior aos cerca de 1,7 mil milhões de euros subscritos pelos clientes em Novembro de 2013). Um aspecto muito importante para a compreensão de um conjunto de dimensões deste problema, prende-se com a diferença formal e substantiva entre a ESFG e o BES. Na verdade, a ESFG era uma holding financeira, que detinha, entre outras participações, uma participação de 27,2% no BES, sendo o seu principal accionista. Tratavam-se, pois, de entidades autónomas, com estruturas accionistas distintas, cada uma com os seus próprios órgãos sociais e possuindo realidades económicas diferenciadas, sendo a ESFG considerada a cabeça do grupo financeiro e, por isso, a entidade sujeita à supervisão em base consolidada do Banco de Portugal. Neste enquadramento, é fácil perceber da importância de aplicar a ambas as organizações um conjunto de mecanismos que permitissem a efectiva implementação de politicas de ring- fencing. 10. A 26 de Fevereiro, foi determinado pelo Banco de Portugal a necessidade de se proceder a um conjunto de alterações significativas ao nível do governo interno da ESFG e do BES, nomeadamente ao nível de tratamento de situações de potenciais conflitos de interesse, de avaliação de transacções com partes relacionadas e do acompanhamento e avaliação da execução do Plano de Negócios do GES. 11. A 17 de Março, o Conselho de Administração do BES aprova um conjunto de medidas relacionadas com mecanismos de aperfeiçoamento do governo interno do BES, nomeadamente através de alterações no código de conduta e de alterações no regulamento da Comissão de Corporate Governance. Foi igualmente decidida a criação de duas comissões : - comissão de acompanhamento do Plano de Negócios do GES, presidida pelo Presidente da Comissão de Auditoria, Horácio Afonso e contando com a participação de António Souto, de Isabel Megre e de Joaquim Goes; - comissão de controlo de transacções com partes relacionadas. (CCTPR) presidida igualmente por Horácio Afonso e contando com a participação da Dra. Rita Amaral Cabral e de Joaquim Goes; 12. Em 22 de Abril, a comissão de acompanhamento do Plano de Negócios do GES solicita uma actualização do Plano de Negócios do GES. Na verdade, não obstante, à data, já terem sido reembolsados 1,2 mil milhões de euros de papel comercial dos 1,69 mil milhões de euros de papel comercial subscrito pelos clientes de retalho, não se tinham verificado os aumentos de capital previstos no plano de negócios do GES nem algumas das vendas de activos planeadas. A comissão estabeleceu como prazo limite para a apresentação dessa actualização o dia 15 de Maio, data do Conselho de Administração do BES. 13. Início de Maio – A Comissão de Controlo de Transacções com Partes Relacionadas (CCTPR) dedicou o mês de Abril a divulgar junto de todo o Grupo BES (incluindo subsidiárias no estrangeiro) os novos procedimentos a adoptar na apreciação de transacções com partes relacionadas. No início de Maio, a comissão foi confrontada pela primeira vez com um pedido de financiamento à ESFG. Na altura, o montante de exposição do BES à ESFG cifrava-se em 533 milhões de euros, tendo registado um crescimento significativo nos meses precedentes. Sob proposta de Joaquim Goes, a comissão aprova uma política mais restritiva de exposição à ESFG. Essa política passava pelas seguintes medidas: a) Redução da exposição não colaterizada para 400 milhões de euros, até final de Junho (que era a média da exposição do BES à ESFG dos últimos seis meses); b) Condicionamento de qualquer financiamento adicional à existência de colaterais. Esta nova política foi aprovada no CA de 15 de Maio e comunicada ao BdP em 19 de Maio. 

Mas:

17. Maio/Junho – ESFG aumenta o seu nível de endividamento global e a sua exposição ao GES. A Tranquilidade empresta 150 milhões de euros à ESFG e, em 9 de Junho, a ESFG aumenta o seu endividamento em mais 160 milhões de euros, com um financiamento adicional contraído junto da Nomura, baseado no penhor de acções do BES, para permitir à ESFG acorrer ao aumento de capital do BES. Este financiamento da Nomura incluía mecanismos de reforço automático de garantias em face da evolução da cotação do BES (margin calls). Todas estas operações foram decididas e executadas sem qualquer intervenção do BES.

Nesta altura (a 7 de Maio) a Comissão Executiva do BES toma conhecimento da atribuição à ESAF de um mandato para a gestão de activos da PDVSA – Petróleos da Venezuela de 3,5 mil milhões de euros, onde expressamente constava a intenção de investimento de até 700 milhões de euros num aumento de capital na Rio Forte. Nessa reunião, foi comunicado à Comissão Executiva do BES de que havia a expectativa de que o aumento de capital pudesse ocorrer até ao final de Junho.

Começa então a emissão forte de dívida da Rioforte, a contar com um aumento de capital que vêm aí até ao fim de Junho. 

Mas 

22. Em meados de Julho, a PDVSA comunica que, face à degradação da situação do GES, não existiam condições para a concretização da referida operação de aumento de capital na Rio Forte.

E sobre o papel comercial?

A partir de Setembro de 2013, o BES começou a comercializar directamente papel comercial da ESI e da Rio Forte junto da sua base de clientes particulares. O processo de aprovação da comercialização do papel comercial deveria ter sido mais aprofundado. Em primeiro lugar, porque dada a natureza e a relevância desta operação, ela deveria ter sido apresentada e discutida em sede da Comissão Executiva do Banco como, aliás, acontecia, por exemplo, com propostas de colocação de obrigações de certos emitentes através das redes comerciais. Em segundo lugar, porque na proposta apresentada não foram mencionados os montantes máximos associados aos programas de papel comercial - no caso até 1500 milhões para a ESI e até 600 milhões para a Rio Forte – aspecto da maior relevância para uma correcta avaliação do que estava em causa. Mas a questão determinante neste processo, é o facto da decisão de comercialização de papel comercial ter subjacente uma situação económico financeira da ESI baseada nas contas de Dezembro de 2012, nas quais os capitais próprios da sociedade reportados eram significativos, elevando-se a 855 milhões de euros, representando 20% dos activos totais.

O momento que altera de forma significativa a percepção de risco da ESI dá-se com a identificação do valor real do seu passivo financeiro no quadro do ETRICC2 ( +2,3 mil milhões de euros relativamente a Dezembro de 2012), ou seja, o BES colocou papel comercial da ESI junto dos seus clientes de retalho com base em contas materialmente incorrectas [falsas], as quais, devidamente corrigidas, agravavam de forma muito significativa o perfil de risco do emitente.

Em Maio e Junho dados os atrasos verificados na alienação de um conjunto de activos e da postecipação do aumento de capital previsto no Plano de Negócios do GES, aumentou a pressão de tesouraria sobre a área não financeira. Neste contexto, a ESFG, como se veio a constatar à posteriori, aumenta a sua exposição ao GES, não tendo funcionado os mecanismos de ring fencing impostos pelo Banco de Portugal ao nível da ESFG. Na verdade nunca chegou a ser constituída na ESFG uma comissão de controle de transacções com partes relacionadas e a determinação do Banco de Portugal que proibia a concessão de novos financiamentos sem garantias ao GES não foi cumprida. Recorde-se que o BES nunca possuiu exposição directa à ESI, sendo ao nível da ESFG que a exposição à ESI se materializava. O aumento do endividamento da ESFG até final de Junho, determinou a rápida degradação da sua situação de liquidez, conduzindo a uma situação de incumprimento, a partir de meados de Julho.

Depois as notícias constantes sobre o BES e o GES levam a um aumento das taxas de não renovação de divida emitida pelo GES, colocada em investidores institucionais, bem como uma acentuada desvalorização das acções do BES, levando ao despoletar automático de chamadas de garantias adicionais do financiamento da Nomura à ESFG (as denominadas margin calls) e conduzindo a uma situação de ruptura de tesouraria no GES e na ESFG, em face do muito curto ciclo de financiamento existente.

Já com a nova Comissão Executiva do BES, com as entradas de Vitor Bento, José Honório e João Moreira Rato. Na segunda quinzena de Julho – dá-se a identificação pelas equipas do BES, em estreita articulação com a KPMG, de um conjunto de operações associadas à emissão de obrigações de muito longo prazo e posterior recompra a preços superiores aos valores de mercado por clientes de retalho do BES através de vários produtos, e da emissão de cartas de conforto, que não eram do conhecimento da maior parte dos membros da CE, que conduziram à necessidade de reforçar as provisões em 1,5 mil milhões de euros com referência a 30 de Junho e fazendo com que o rácio de Common Equity Tier 1 se situasse nos 5%.

Ou seja, os ajustamentos decorrentes da consolidação de veículos e demais contingências associadas às emissões de obrigações de muito longo prazo do BES detidas por clientes de retalho bem como os compromissos assumidos junto de credores institucionais do GES, por membros da Comissão Executiva do BES, através da emissão de cartas de conforto, que não eram do conhecimento dos restantes membros da Comissão Executiva, determinaram um fortíssimo acréscimo das provisões a constituir, (1,5 mil milhões de euros), fazendo com que os rácios de capital do Banco ficassem, a 30.06.14, claramente abaixo do mínimo regulamentar. Isto é, falido.

 E como é que isto surgiu?

O contabilista do Grupo Espírito Santo, Francisco Machado da Cruz, revelou aos deputados da comissão de inquérito ao BES que havia um documento de contabilidade paralela com os dados da real situação financeira da Espírito Santo International, actualizado todos os meses. As contas oficiais, que escondiam o buraco na ESI de 1,3 mil milhões de euros, foram criadas pelo próprio Ricardo Salgado, que depois lhe deu uma ordem directa para não o assumir – e tratar como um mero erro – perante um órgão de auditoria interno. Estes dados constarão do relatório preliminar da comissão, publicados esta semana, mas sem as partes que estão sob sigilo ou segredo de Justiça – decisão assumida no início da reunião pelo presidente, Fernando Negrão.

Na reunião que pediu para ser à porta fechada na Assembleia, Francisco Machado da Cruz assumiu que foi chamado à comissão de auditoria da Espírito Santo Finantial Group (ESFG), a quem disse o que Ricardo Salgado lhe exigiu: que o problema nas contas era um erro, logo não premeditado. Disse também que não podia contrariar o pedido de Ricardo Salgado, sob pena de fazer implodir todo o GES – não era possível chegar lá e dizer que a culpa era do senhor do 15º andar.

A ocultação do passivo começou com a crise de 2008, com a omissão nesse ano de 180 milhões de euros – feita a pedido do próprio Ricardo Salgado e no escritório do líder do GES, com uma folha de Excel aberta (e com outro elemento do banco presente, a cumprir a ordem directa de Salgado). O método não era complexo: as obrigações de longo prazo foram recalculadas, tendo em conta o que valiam no fim desse ano (ou seja, como se naquele momento tivessem valor de encaixe nas contas da ESI). O procedimento foi depois repetido diversas vezes, até 2012 – aumentando o buraco real nas contas, até atingir os 1,3 mil milhões em 2013. Como este: todos os meses era feito um relatório em que constava a contabilidade correcta de todas as holdings do grupo, elaborado por um trabalhador da ES Services, Pierre Butty, e que esse documento com as contas certas era enviado mensalmente não só a Ricardo Salgado, como ao controller financeiro do Grupo Espírito Santo, José Castella – que não as revelava ao Conselho Superior do grupo.
 
Se a culpa não é de Ricardo Salgado é de quem?

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Desculpem lá mas são muitos números...

por João Távora, em 23.04.15
 

Este vídeo representa bem a precisão e o rigor das contas que o Partido Socialista realizou para medir o impacto das suas propostas na dívida pública. Pensar à grande, gastar à grande, as contas logo se vê se batem certo!

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O "cenário macroeconómico" de Costa

por João Afonso Machado, em 23.04.15

António Costa tirou, por fim, qualquer coisa da sua cartola eleitoralista. Sem surpresa para ninguém, um programa relativo ao grandioso «cenário macroeconómico» que perspectiva para a sua vitória, supostamente dourado com a chancela de uns tantos vultos académicos de saber indiscutivel. Algo a aniquilar - no espírito das suas gentes - a política do Governo, a indignante política da Direita.

Com uma certa graça, José Adelino Maltez veio dizer achar salutar este confronto de concepções - a da "austeridade" vs. a do "despesismo" (sic).

O problema dos portugueses, salvo melhor opinião, reside na desatenção com que contemplam a alta rotatividade dos olhinhos de Costa. Aquela permanente atitude de quem impinge relógios contrafacionados jurando serem verdadeiros. Costa venderia a alma ao diabo por um qualquer objectivo político seu; como Costa não acredita na alma, aí o temos a vender o que não sente possuir.

E logo no arranque as reacções no seu próprio partido parecem não ser as melhores. São já conhecidas críticas ao programado quanto à TSU, à legislação laboral... Foram também suscitadas dúvidas sobre a constitucionalidade de algumas medidas...

Em suma, Costa não divergiu daquilo que sabe verdadeiramente: falar e gesticular comicieiramente. No mais, o seu «cenário macroeconómico» é um oceanário (de 90 páginas) que até poderá dar para tudo, no remoínho das palavras, mas apontará para os fundos do tal »despesismo», tão ao gosto de Sócrates e dos seus apaniguados.

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Frases para a História:

por Vasco Lobo Xavier, em 22.04.15

«O Presidente [do Tribunal Constitucional] justifica ainda que a "escassez de recursos, mormente humanos", poderá, "em muitos casos", explicar "o não cumprimento rigoroso de exigências formais"».

 

in Público, sobre o resultado da auditoria feita pelo Tribunal de Contas ao TC.

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 É com espanto que oiço analistas entusiasmadíssimos com o plano económico apresentado ontem pelo PS “em nome da pluralidade democrática”. Para eles não interessa que o plano seja mau, irrealista e perigoso, desde que introduza uma diferente narrativa na disputa politica: o fim da austeridade e o crescimento económico fundado no consumo interno. Uma sedutora aldrabice que nos deve fazer gelar de pavor: eles não aprenderam.

*Humberto Eco

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O "sistema"

por João Afonso Machado, em 21.04.15

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Agora, enfim, que uma fornada de 950 almas se perdeu no fundo do Mediterrâneo, a imigração clandestina alcançou foros de primeira página na Imprensa. Não há quem não tenha vindo dizer isto mesmo: que todos estiveram calados em face da tragédia instante e de umas quantas macabras travessias, um sorvedouro de desesperados em busca de um futuro suportável. Aqui na Europa e, vai-se lendo, com pesadas culpas da Europa. O tal capítulo menos bem explicado.

Porque ninguém se lembrou de culpar também a Europa rica pelo afluxo de portugueses pobres do tempo dos bidonvilles. O Velho Continente envelhece cada vez mais, e cada vez mais será uma miragem somente. Ou um lugar de acolhimento dividido entre razões humanitárias, que o obrigam a não fechar a porta, e problemas económicos e sociais a desaconselharem a abram.

Percebe-se por aí, muito se fala, pouco se diz. "Em casa onde falta o pão todos ralham, ninguém tem razão"... Aproveitamentos da Esquerda à parte - a Europa na mão dos neoliberais... - certo é o Mundo cavalgar e o Homem marchar. Enquanto isso, é como se fossemos ao banco ou às Finanças (ou à famigerada EDP) e viessemos de lá sem o problema resolvido, a questão adiada por um tranquilo encolher de ombros do zeloso funcionáro - «é o sistema...», costumam justificar-se eles.

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O Porto soviético

por José Mendonça da Cruz, em 21.04.15

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O F. C. Porto é uma equipa gerida competentemente e com grande inteligência. A estratégia de comunicação e a atitude com que o clube se apresenta no futebol português são também inteligentes, e tudo nelas é intencional. Há muito que o Porto de Pinto da Costa adoptou a política externa dos soviéticos, ou seja, passou a considerar que além das suas estritas fronteiras só existem inimigos e mouros. Esta atitude que, repete-se, é inteligente, carrega de cores fortes e paixão as simpatias e as militâncias portistas: militantes e simpatizantes veem-se obrigados a uma vigilância constante, a uma desconfiança medular por tudo o que não seja Porto, a um desprezo o mais verbalizado possível de tudo e todos que estejam para além deles.

 Este método eficaz de arregimentar paixões e tropas tem, no entanto, um reverso: limita o clube, circunscreve-o regionalmente, afasta interesses e apoios mesmo quando eles são merecidos. É o próprio Porto que rejeita o renome nacional e internacional, e se declara um clube bairrista. 

Ontem, no Prolongamento da TVi24, Manuel Serrão, que é um personagem inteligente, bem humorado e com quem qualquer um gostava de beber umas cervejas, deu um exemplo muito claro desta maneira de estar portista: disse que enjeitava o entusiasmo dos que vinham agora puxar pelo Porto contra o Bayern; e que só aceitava o apoio dos que viessem «rendidos», «de joelhos», aplaudir o seu clube e reconhecer-lhe a grandeza.

Eu espero sinceramente que o Porto elimine o Bayern e nos deleite com futebol da classe do que praticou há uma semana. Mas o meu entusiasmo, que poderia ser grande, tem afinal a estrita dimensão que o clube se autoriza. Se o Porto passar adiante, a minha alegria será apenas a de um adepto do futebol perante um resultado interessante por parte de um clube pequenino. 

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«O Estado pode e deve ter um efeito catalisador e motor.» São declarações de António Costa que resumem muito bem o seu «programa macro-económico» para Portugal com que ele sonha para 10 anos. O programa, claramente inimigo das empresas (e das exportações, consequentemente), aposta no crescimento do consumo (e das importações, consequentemente) e promete «recuperar» o papel do Estado (o mesmo papel que conduziu à bancarrota e ao pedido de socorro à troika) e acelerar o «motor» do investimento público (o dos TGVs, dos aeroportos desertos, das autoestradas sem trânsito e das «festas» do tipo Parque Escolar). Supõe-se que de tudo isso resulte também o considerável enriquecimento pessoal de alguns membros de um tal governo. Afinal, como diz Costa, é urgente «requalificar» a administração pública.   

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E o meu desejo é...

por Vasco Lobo Xavier, em 21.04.15

Que amanhã o Porto seja falado na comunicação social de todo o mundo, até na de Lisboa…

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PS - demagogia e atraso

por José Mendonça da Cruz, em 21.04.15

Do programa económico do PS acabado de apresentar (e de autoria de economistas que sem dúvida o Público e a Sic descobirão que são os mais notáveis de Portugal desde sempre) ressaltam alguns aspectos numa primeira análise:

1. O PS não merece confiança, e as reformas com que o PS se compromete e que assina não são críveis. É o que resulta da intenção de abandonar a reforma do IRC e repor as taxas antigas.

2. O PS despreza a iniciativa privada e defende que o crescimento vem de atirar dinheiro dos contribuintes para cima dos problemas. É o que os socialistas chamam «política para as pessoas» e que deu tão bom resultado com Sócrates, e resulta da intenção de fazer crescer a procura baixando a TSU para os trabalhadores, e da recusa da baixa da TSU para as empresas, que é a parte da medida que contribuiria para o emprego e as exportações.

3. O PS quer diminuir a receita e aumentar a despesa, receita para o regresso ao desastre (agora chamada «política para as famílias): é o que resulta da intenção de «apostar» na educação, e dar subsídios a trabalhadores que ganhem pouco, e baixar o IVA da restauração, entre muitas medidas vagas, mas invariavelmente caras.

Nos próximos dias haverá, no entanto, alguns motivos para rir. Um deles será verificar com o Público e a Sic vão descobrir que este é que é o bom corte da TSU e que a redução das pensões é, afinal, uma medida muito inteligente.

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A comunicação social que temos:

por Vasco Lobo Xavier, em 21.04.15

Esta notícia sobre mais esta tragédia grega é velha de ontem. Pois nenhum jornal diário português lhe faz referência na primeira página.

 

Não deve ser importante. Realmente, que mal fará o governo grego ordenar a passagem da totalidade das reservas de tesouraria da administração local e organismos públicos para o banco central?

 

É “uma necessidade extrema e imprevista”, pois claro.

 

 

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"E com António Costa no governo...

por Vasco Lobo Xavier, em 21.04.15

... o euromilhões sairá a Portugal uma vez por mês!!!"

 

Mária Soares esqueceu-se desta. Os socialistas são uns pândegos, mas a gente diverte-se.

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O PS a “pensar à grande”:

por Vasco Lobo Xavier, em 21.04.15

"Pensar à grande". De cada vez que o PS “pensa à grande” eu levo a mão à carteira e o país vai à falência.

 

António Costa realmente parece viver no mundo da lua mas era conveniente que descesse à terra e assentasse nela, e bem, os pés. É preciso estar-se completamente desnorteado para proferir este conjunto de banalidades e disparates, bem como as comparações imbecis, que só uma comunicação social subserviente ou ignorante reproduz sem gozar até à exaustão.

 

Está-se mesmo a ver que, se lhes derem corda, os socialistas vão voltar a torrar todo o dinheiro esmifrado cruelmente aos contribuintes portugueses; eles só não decidiram ainda onde, mas ideias nunca lhes faltaram, particularmente quando toca a oferecer esmolas para comprar votos.

 

Os socialistas não perceberam que o país dos contribuintes não está para mais disparates socialistas nem para o desbaratamento do dinheiro dos seus impostos, e menos ainda para nova intervenção da troika.

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Contorcionismo

por João Távora, em 20.04.15

O Marcelo Rebelo de Sousa a respeito da anunciada greve de 10 dias dos pilotos da TAP insinuava ontem que tem uma teoria sobre o capitalismo (adivinha-se qual por aquele sorriso malandro). Pela minha parte eu assumo que tenho uma teoria sobre ele: falta-lhe carácter. 

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O calote do dono da voz

por José Mendonça da Cruz, em 20.04.15

A julgar por esta semana, o director do Expresso é capaz de estampar na primeira página do jornal uma manchete que deve virar as tripas a muitos dos redactores. Ricardo Costa é jornalista e sério -- não é propriamente uma novidade.

Já outros, não. Já outros, mesmo no mesmo grupo de comunicação, trataram a notícia da bancarrota no PS, da dívida de 11 milhões e da intenção de pedir dinheiro à banca com uma brevidade e discrição que nos faz ter dó deles, pobres diabos. Noticiaram o mínimo possível, e não lhes ocorreu um desenvolvimento, uma dúvia, uma perplexidade.

A Sic, por exemplo, que vislumbra permanentemente contradições governativas, preferiu não perguntar-se porque é que o PS não diz que não paga, ou que só paga uma parte, como recomenda que o país faça.

O Público, que questiona que uma pessoa que se esqueceu de pagar 300 euros possa chegar ao governo, nem estremeceu perante o risco de ter a governar o país gente que depois de o arruinar, arruina a própria casa com uma dívida de 11 milhões.

E os que andam num afã permanente a perguntar ao Rato ou à Fundação Soares qual é a solução de tudo, desta vez não quiseram perguntar-lhes de onde é que «aparece» desta vez o dinheiro «que aparece sempre».

 

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Christian Marclay, The Clock, a instalação de 24 horas

por Maria Teixeira Alves, em 19.04.15

sfmoma_Marclay_TheClock_03.jpg
Uma recolha de cenas de filmes com referência às horas foram sincronizadas meticulosamente e articuladas na perfeição como se o tempo (epicentro de toda a instalação) na verdade não existisse. Há por exemplo uma cena em que aparece Alain Delon, num filme a ir ter com alguém apressadamente e a olhar para o relógio, e a seguir aparece uma cena de um filme com a Juliette Binoche à espera de alguém e a olhar para o relógio. Dá a sensação que o jovem Alain Delon se vai encontrar com uma jovem Juliette Binoche, anulando o facto de serem de gerações diferentes e de os separar em idade algumas décadas. Uma espécie de quarta dimensão em forma de arte.

É uma instalação de 24 horas sincronizada em tempo real, que atravessa o cinema através da sua referência ao tempo.

Os relógios (vários) são o actor principal deste vídeo de 24 horas. Quando um relógio retirado da cena de um filme bate as cinco horas da tarde, olhamos para o nosso relógio e são também 5 horas da tarde. Todas as cenas de filmes, mesmo de épocas diferentes coexistem numa sequência como se fosse um filme só. 

Muito bom. Não dá para ver tudo porque é preciso ficar lá o dia todo.

Esteve até hoje no CCB. 

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